História Unidos pelo casamento - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias La Casa de Papel
Personagens Berlim, Denver, Helsinque, Mãe da Raquel, Mônica Gaztambide, Nairobi, Professor, Raquel Murillo, Rio, Tókyo
Tags Casamento, Raquel, Romance, Sérgio
Visualizações 41
Palavras 2.909
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


⚠️ ATENÇÃO ⚠️

Nos capítulos 1, 2 e 3 vocês leram os pensamentos e os sentimentos da Raquel, agora a partir do capítulo 4 vocês também poderão conhecer os do Sérgio.
Com esse capítulo vai ficar claro os motivos de toda a história por trás desse casamento, e também entenderam as escolhas das famílias Marquina e Murillo.

Espero que gostem 😊

Capítulo 4 - Revelações


- Hum. São várias as perguntas, mais hoje estou muito cansada, o dia foi longo ajudando a sua mãe com a organização desse jantar. Mas não se preocupe teremos muito tempo para conversarmos, já que estaremos juntos até que a morte nos separe.

- Caramba Raquel isso era pra ser uma piada? Estou gostando mais dessa sua versão descontraída, ao invés da zangada. Mais amanhã é domingo, estarei em casa o dia todo, vou levá-la para conhecer o vale e as pessoas dessa vila.

- Eu vou adorar, por que desde que eu voltei para esse país, não tive a oportunidade de sair de casa, estou parecendo uma prisioneira.

- Então eu vou lhe proporcionar o melhor dia de liberdade possível, que uma prisioneira possa ter. 

- Promessa é dívida senhor Sérgio Marquina, espero que cumpra. Agora me dê mais uns beijinhos marido!

Nós dois dormimos pela primeira vez sem discutimos desde a sua chegada. Ao acorda, vir Raquel deitada sobre o meu peito, e eu não pude deixar de admirá-la dormindo. Ela era a mulher mais linda e encantadora que eu já tinha conhecido, eu sempre fui contra esse casamento, tentei mudar de todas as formas a opinião do meu pai para anulá-lo, e agora eu estava me apaixonando pela minha esposa. Apesar de dura a nossa realidade, ela continuará sustentada por uma cultura antiga de não podermos ter o direito de escolher com quem nós casamos, eu sempre acreditei que uniões deveriam acontecer entre pessoas que compartilhassem os mesmos sentimentos, e nunca cogitei que pudesse aprender a gostar de uma pessoa desconhecida e escolhida pelos meus pais. Hoje posso ver que eu estava errado, Raquel me prova todos os dias com a sua determinação e coragem de enfrentar a tudo, e até mesmo a sua própria felicidade tentando uma relação comigo, e eu não pretendia decepcioná-la.(Sérgio)

Levantei-me com cuidado para não acordá-la, queria descer e organizar um lanche para levar no passeio. Esse dia seria ótimo, pois teríamos a oportunidade de ficarmos sozinhos e de nos conhecermos melhor (Sérgio)

Abro os meus olhos ainda sonolenta, e sem vontade de levantar-me da cama, e percebo que estou sozinha no quarto. Ai que dor de cabeça eu falo pra mim mesma, coloco a mão na testa e lembro-me da quantidade de álcool que bebi naquele jantar, e agora com desespero recordo da conversa que ocorreu ontem a noite com o Sérgio, como eu pode falar todas aquelas coisas para ele, sobre tentar fazer esse casamento dar certo. Ai meu Deus o que eu devo fazer agora.(Raquel)

Desço as escadas para tomar o meu café da manhã, que já está mais para almoço a essa hora. E torço para que ele não esteja em casa, e para minha decepção ele está a mesa, e logo que me ver abre um sorriso de orelha a orelha.(Raquel)

- Bom dia Raquel, achei que não iria mais acordar.

- Bom dia Sergio. (Ai que droga, o que vou fazer agora, aqui com o Sérgio sozinha)

- Preparada para o passeio de hoje?

- Que passeio? 

- O passeio que te falei ontem, que faríamos na vila. Não lembra?

- Não, na realidade estou com muita dor de cabeça, não lembro-me de muita coisa de ontem a noite, acho que bebi demais. Não estou conseguindo nem lembrar de como cheguei ao quarto ontem. Eu fiz alguma besteira quando eu estava bêbada? (Foi a única coisa estúpida que eu consegui falar "não lembro". Sei que o Sérgio é um homem bonito e deve ter as suas qualidades, que eu ainda não conheço. E apesar da desculpa da bebida, realmente ela me deixou mais corajosa para falar sobre os meus sentimentos e os meus medos de ser infeliz e solitária, mais agora que estou sóbria, parece que não consigo. Sempre tive dificuldade de me relacionar, talvez tenha sido a pressão da minha família e o casamento muito jovem, lembro que o Mário o meu ex namorado do exterior, passou dois anos tentando aproximar-se de mim, e eu nunca dava chance para ele, isso é um bloqueio que eu não sei explicar)

- Te garanto que você voltou para o quarto com as suas próprias pernas, e não fez ou falou nenhuma loucura. (todas as minhas esperanças de avançar nesse relacionamento com a Raquel foi por água abaixo, eu não poderia forçá-la a fazer uma coisa que não se lembrava. Mais a noite anterior foi tão especial, ter ela em meus braços e poder beijar a sua boca, foi uma coisa inexplicável, eu realmente estava me apaixonando por ela, e isso me assustava. Esse sentimento era novo e nunca tinha sentido isso por outra pessoa) 

- Aí, graças a Deus que eu não fiz nenhum vexame, desculpa Sérgio, eu não tenho o costume de beber, e ontem com o nervosismo de conhecer os membros do clã, acabei exagerando na bebida.

- Não precisa se desculpa Raquel, você não fez nada de errado. (Só destruiu as minhas expectativas de poder dividir a mesma cama com você, e de poder acordar com o seu cheiro maravilhoso) 

- Obrigada, espero que ontem eles tenham acreditado em nosso teatrinho (me senti tão mal por essas palavras, era visível em seu rosto a decepção)

- Sim acreditaram, agora a próxima reunião é só daqui a três meses.

- Que bom.  Mudando de assunto aonde está a sua mãe e o seu pai?

- Fizeram uma viagem rápida, nada em especial, eles sempre comemoram a data que se conheceram a mais de quarenta anos, no mesmo lugar.

- Nossa que romântico, nunca imaginei que seu pai fosse um homem desse tipo.

- Ele e minha mãe amam-se muito, apesar dessa aparência de autoritarismo, ele faz tudo para agradá-la.

- Uau. Quando eles voltam?

- Só amanhã a tarde.

- Nossa vou ficar sozinha nessa casa sem fazer nada.

- Sei que você não se lembra, mais podemos fazer o passei no vale que te prometi, e depois passamos pela vila para você conhecer as pessoas daqui.

- Sim. Vou subir e trocar de roupa então.

- Tá bom, vou levando as coisas para o carro, lhe aguardo.

Entrei em seu carro, ele foi o meu guia turístico mostrando e contando a história daquele lugar. Só Deus sabe o quanto a minha consciência estava pesada por estar mentindo para ele daquela forma. Mais por garantia, tão cedo eu iria beber novamente, nada de arriscar a voltar a falar pelos cotovelos o que não se deve Raquel, eu falava pra mim mesma. Mais tinha que admitir estava amando aquele passeio e principalmente a companhia de Sérgio, ele era um verdadeiro cavalheiro.(Raquel)

Aquele lugar era mágico e lindo, ele falava com tanta emoção sobre a sua cultura, e das pessoas que ali viviam, era impossível não se apaixonar por aquela paisagem e por todas essas histórias.(Raquel)

- Sérgio? (Decidi quebrar o silêncio, e fazer a pergunta que não saia da minha cabeça)

- Oi

- Sei que você não quer falar sobre esse assunto, vou entender, se recusar. Mas qual é a sua história com a Alicia?

- Sabia que você não deixaria de perguntar isso, conheci a Alicia na escola, ela era a garota novata e não conhecia nada, então eu me voluntariei para lhe mostrar o lugar, e logo eu me encantei pela sua personalidade forte, e ela se apaixonou por mim. Quando o meu pai soube do nosso namoro, logo proibiu a nossa relação. Esse simples fato, fez eu continuar encontrando ela às escondidas, por que eu queria afrontar o meu pai, eu odiava o fato dele ter me obrigado a casar. Só que não me dei conta, que eu estava usando a Alicia, eu não estava apaixonado, eu continuava com ela apenas para irritar o meu pai. Nossa relação durou muitos anos apesar de tóxica, ela quis avança me propondo sair de casa para morar com ela, ou até mesmo um casamento para oficializar, porém tive que dizer que nunca poderia, porque eu já era casado. Quando ela soube ficou extremamente decepcionada e furiosa comigo, sumiu por um tempo da vila e retornou a alguns meses atrás, participando dos negócios da empresa do meu pai, não sei como ela conseguiu comprar as ações.(eu não queria ter contado essa história, espero que Raquel não se decepcione por ter conhecido esse fato sobre a minha vida, e que ela não pense que sou um cafajeste, que usa as mulheres).

- Nossa nunca imaginei uma história dessa Sérgio, pensei que era você que tinha tido uma decepção amorosa com ela, devido ao comentário do seu irmão sobre você não ter superado ela (Era difícil ouvi-lo, ao mesmo tempo que eu me sentia mal pela Alicia, eu também entendia o Sérgio, era muito complicada essa nossa situação. As responsabilidades sempre foram impostas muito cedo para nós dois, e todas as nossas escolhas e decisões repercutiam sobre as nossas vidas, e também nas das pessoas próximas a nós).

- Não me orgulho dos meus atos passados, hoje sou um novo homem, eu te prometo Raquel. Desde que isso aconteceu, eu amadureci e me arrependo por tudo o que eu fiz a Alicia, sei que ela demonstra ser uma pessoa fria, isso é culpa minha, eu a machuquei muito brincando com os seus sentimentos. Prometi para mim mesmo, nunca mais fazer isso com mulher alguma.(E por isso, que eu tenho medo de me aproximar da Raquel, e acaba machucando ela, assim como eu fiz com a Alicia)

- Eu acredito em você Sergio, não se preocupe. Vamos mudar de assunto o que você acha?

- Obrigada pela sua confiança. O que mais você deseja saber sobre mim Raquel?

- Hum. E o Andrés, por que eu nunca soube que você tinha um irmão?

- É complicado, e bem longa a história.

- Sou toda ouvidos, por que parece que tudo é bem complicado em sua vida Sergio.

- Concordo. Mais vou te contar toda a história, o Andrés por ser o filho primogênito do meu pai, tinha o direito de assumir os negócios da família, porém tinha uma condição "casar-se". Quando foi imposto a ele o casamento arranjado, simplesmente ele fugiu de casa e decidiu viajar pelo mundo, e ter todas as mulheres que ele sempre sonhou. Só que as consequências desses atos foram graves. O meu pai já havia dado a sua palavra aos pais da Agatha, de que o Andrés se casaria com ela. Devido a isso o meu pai foi rechaçado pelos moradores da vila, perdeu toda a credibilidade por quebrar com a sua palavra. Logo os negócios foram prejudicados, meu pai foi ameaçado pela família da Agatha, eles eram os principais investidores da nossa empresa.

- Caramba Sergio, e como terminou toda essa confusão?

- Do nada o Andrés voltou arrependido, quando soube sobre as ameaças e as chances do nosso pai falir. E acabou aceitando casar-se com a Agatha, porém ele perdeu toda a confiança do nosso pai. Depois de 2 anos que os dois estavam casados, eles foram pressionados a terem filhos, mais nunca a Agatha engravidava e no início Andrés falou que o problema era ela, mas depois descobrimos que o Andrés era estéril, e nunca poderia gerar filhos, e meu pai nunca teria herdeiros.

- Coitado do seu irmão.

- Mais a historia não termina por aí, a família dela também não ficou satisfeita com o fato de não terem herdeiros, queriam a anulação do casamento. Porém o Andres não aceitou, por que no final ele já gostava dela, e a Agatha também queria ficar com o louco do Andrés, a família dela acabou rejeitando-a.

- Nossa Sérgio que história mais triste.

- Calma Raquel a história ainda não acabou, te disse que era longa. Depois os pais dela, tiraram todos os seus investimentos aplicados na empresa do meu pai. Ele literalmente quebrou, e para piorar a situação, ainda teve uma crise econômica naquele ano em nosso país. Meu pai achou uma solução para todos esses problemas, juntamente com o seu pai Raquel.

- Como assim o meu pai?

- Eles decidiram juntar as duas empresas e torná-las uma só. Com isso os dois conseguiram prosperar e vencer a crise, e se tornaram umas das maiores empresas do país. Mais depois de algum tempo, surgiram desavenças durante a administração da empresa. Os dois queriam separar os negócios de novo, só que iriam falir. Acarretando em muitas demissões em massa, deixando muitos pais de famílias desempregados. Todos os moradores da vila eram funcionários, juntaram-se com o propósito de tentarem fazer os nossos pais mudarem de ideia, mais a ganância dos dois era maior, e nenhum tinha mais confiança no outro. Isso gerou grandes conflitos, e começaram a acontecer discussões e brigas entre os apoiadores da Família Marquina com os da Família Murillo. Depois disso as coisas pioraram, até começar a surgir assassinatos, só aí nossos pais viram o tamanho do problema que criaram, com tantas desconfianças um do outro, só que era tarde demais, a vila inteira estava uns contra os outros.

- Meu Deus Sérgio, eu nunca soube dessa história louca.

- Você devia ser muito criança, e seus pais não quiseram te contar por vergonha, eles prejudicaram a vida de muitos.

- Continua por favor a história Sérgio. Como isso tudo terminou afinal?

- Com o nosso casamento!

- Como assim?

- Eles não confiavam um no outro. Mais se os dois unissem em casamento os seus dois herdeiros, ambas as partes não seriam prejudicadas. E assim a empresa teria um único dono. Propuseram a ideia para os aldeões da vila, eles não aceitaram muito bem a idéia, achavam que aquilo era uma farsa. E quando eles voltassem a trabalhar, e a empresa prospera-se novamente, os dois a venderia e depois todos eles terminariam desempregados. Por isso fomos casados ainda criança, caso contrário, ainda continuariam tendo mortes por causa das desconfianças. Mesmo com o casamento, ainda havia conflitos e violência na vila, daí surgiu a idéia do clã. O meu pai tomou as rédeas da situação, se tornando uma espécie de juiz, ele criou regras de convivência e também punições para quem as quebrasse, por isso ele e tão temido pelos moradores e membros.

- Estou abismada com toda essa informação. Na realidade eu nunca havia entendido claramente o motivo do nosso casamento. Meu pai dizia que o Senhor Marquina o ameaçava, mais nunca deixava claro o motivo dessas ameaças. E sempre dizia que se eu não me casasse, ele poderia perder os seus negócios e até mesmo ser assassinado. 

- Não deixa de ser verdade o que ele lhe disse Raquel, o seu pai quis apenas poupá-la de toda essa loucura. Sei que antes do nosso casamento ocorrer, os seus pais pensaram em tentar fugir com você, porém o meu descobriu, e o ameaçou de morte. O senhor Murillo para se defender das ameaças envolveu-se com pessoas perigosas, quando deu-se conta, já estava participando de negócios ilícitos e arriscados. Meu pai o ajudou a se livrar dessa gente, mas com uma condição, ele teria que se afastar da administração direta da empresa. O senhor Murilo viu-se obrigado a aceitar o acordo, já que estava em um buraco sem saída.

- Quanto mais eu ouço essa história, mais eu vejo que eu não conheço a minha própria família. (Eu já falava com uma voz fraca e com os olhos marejados)

- Raquel por favor não chore, a minha intenção não foi fazê-la sofrer. 

- Está tudo bem Sérgio, eu precisava saber de tudo isso, para poder aceitar esse fardo de vivermos juntos como marido e mulher.

- Eu sou um fardo para você Raquel?(Ela estava me destruindo com essa palavra)

- Sérgio não foi isso que eu quis dizer, você nunca será um fardo pra mim. Só que essa situação imposta, contra a nossa vontade é um fardo. Agora entendo a importância do nosso casamento, e como a nossa união trouxe paz e ajudou a vida de muitas pessoas. (Eu não conseguia mais conter as minhas lágrimas, e a minha voz saia com dificuldade)

- Raquel olha pra mim (com uma mão eu acariciei o seu rosto, tentando enxugar as suas lágrimas insistentes, e com a outra entrelacei os meus dedos aos dela)

- Sérgio me perdoa por favor?

- Eu não preciso te perdoar, você não fez nada de errado, eu entendo a sua angústia e o seu sofrimento. Mais eu só te peço uma coisa Raquel, me permita te amar, eu nunca senti nada comparado a esse sentimento que tenho por você. Os meus dias são mais felizes, e até mesmo as minhas noites são mágicas, mesmo estando naquele chão duro do nosso quarto, tudo isso por que estou com você. A única coisa que eu quero, e viver esse amor ao seu lado (eu não podia mais guardar esse sentimento dentro de mim, eu precisava gritar aos quatro cantos do mundo que eu estava apaixonado pela Raquel Murillo, se não eu iria enlouquecer. É com ela ali na minha frente desarmada, eu não pude resistir, e me libertei de todos os meus sentimentos)

Não dei tempo para ela responder, e ainda em meio às suas lágrimas, a beijei com ternura. Era como se fosse a primeira vez que nos beijávamos, e realmente era, só que sem obrigações ou culpas.(Sérgio)

- Sérgio, eu não posso desculpa (me soltei de seus braços e daquele beijo)

- Por que não Raquel?


Notas Finais


Sei que esse capítulo foi muito introdutório, e conteve muita informação. Mais sem ele os próximos capítulos não fariam sentido.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...