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História Unidos Pelo Divórcio - Capítulo 12


Escrita por: vanelope-stars

Notas do Autor


OLÁ!! QUEM SENTIU FALTA DE UPD? EU SENTI!!
Este é o maior capítulo da fanfic. São 12k. 12k. Tratem isso como se fosse uma nova bíblia.
Aliás, desde que eu entrei nesse mundo maravilhoso (e também horrível) de escrever fanfic, conheci muita gente que acha a palavra "cu" broxante. Vocês também acham? A questão é que depois de quatro anos escrevendo... Gente, eu não sei mais inventar palavra pra substituir cu. Vai ter cu sim. Eu tô rindo enquanto escrevo, mas é sério, ok? KKKKKKK vai ter cu e se você não gosta tudo bem, mas não precisa falar. Ninguém tem que saber. Shh.
Aproveitem!
💕💌

Capítulo 12 - Famílias (Felizes?)


"Enquanto via Jimin vez ou outra brincando com as crianças do fundamental na quadra de basquete, Jungkook se pegava o admirando e seu coração palpitava. Quando era notado, ficava rubro e logo ia embora.

Não queria acreditar que o que sentia era de fato o que sentia. Tinha muito medo de ser descoberto, de ser castigado, de apanhar ou ouvir as palavras cruéis de seu pai.

Jungkook estava apaixonado, mas assim como o amor de família, o amor romântico parecia ter lhe sido negado.

Tudo o que possuía era o medo lancinante de mais uma vez ser maltratado e rejeitado, desta vez por não controlar seu coração que não sabia quais eram as normais sociais e queria amar outro garoto ㅡ que nem seu nome sabia."

 

Com Jimin novamente morando com Jungkook, seu quarto antigo no apartamento de Taehyung e Yoongi foi cedido a Yeonjun, que até então perambulava de sofá em sofá ㅡ Jimin não via problema em ceder seu quarto e cama, mas o Choi não achava correto e somente dormia no quarto do Park quando ele estava fora e seus hyungs insistiam até que aceitasse. Yoongi e Taehyung forçavam Yeonjun a desfrutar de todos os privilégios possíveis, e ele não gostava nada. Se sentia sob pressão para… ser mimado.

ㅡ Hyung… Jimin hyung sempre foi assim? Sabe, cuidadoso… Eu ainda estranho ㅡ indagou a Yoongi enquanto faziam o jantar. Yoongi deixou de ler o rótulo da lata de ervilha para refletir.

ㅡ Sabe que não sei? 

Voltou a ler o rótulo. Tinha acabado de sair do banho e estava de roupão e pantufas, com bastante fome e tentando relaxar após um dia estressante. Perguntas complexas não eram tão bem-vindas, porém ele se esforçou.

 ㅡ Conheci Jimin no fim do ensino médio e começo da faculdade. Ele e Jungkook já namoravam e Jungkook tinha dúvidas semelhantes às suas. Me lembro de ele também olhar para Jimin com olhos admirados sempre que ele era estupidamente gentil com alguém que nem conhecia e se dispunha a tudo para ajudar pessoas que jamais lhe fariam o mesmo. ㅡ Jogou as ervilhas na panela e mexeu com a colher. ㅡ Todos nós, amigos dele, já questionamos isso em algum momento e tivemos a mesma conclusão: é o jeito dele. Ele é… naturalmente bom.

Yeonjun encarou a frigideira que segurava, onde bolinhos eram fritos. Sentiu que Yoongi o compreendeu mal e tentou consertar. Pigarreou.

ㅡ Eu não… olho pro hyung desse jeito. ㅡ Encarou Yoongi de canto, de rosto corado. Min Yoongi não esboçou reação; estava cansado demais para se importar.  ㅡ Como… como Jungkook hyung olha. Eles são casados e estão juntos há tanto tempo, eu… eu nunca me colocaria entre eles.

Yoongi fez sua cara de "Ata" e colocou as mãos na cintura, riu e voltou a mexer na panela. Gente jovem tinha cada ideia…

ㅡ Primeiro que seria impossível se colocar entre eles. Nenhum iria permitir. É impossível fazer um deles trair. Mesmo separados jamais olharam pra outra pessoa. Nem por um segundo pensei nisso. E segundo ㅡ riu de novo, chocado com a inocência de Yeonjun ㅡ, todo mundo sabe que você gosta do Jimin, dongsaeng. Até ele sabe.

Yeonjun foi tomado de tamanha tremedeira que a frigideira balançou. Seus olhos arregalaram e ele tentou se manter neutro, porém falhou ao tossir forçadamente.

ㅡ O que… eu… ㅡ Riu de nervoso. ㅡ De onde tirou isso, hyung?

ㅡ Da sua cara e atitude, Yeonjun. Qual é, você é tão óbvio com esses olhinhos brilhantes e sorrisinhos gratos. Parece que vai juntar as mãos e dizer: Ah, hyung, obrigado por me salvar do dragão e me libertar do castelo! Me leve em teus braços!

ㅡ Hyung!

ㅡ Você sabe que é verdade. Todo mundo sabe. Yeonjun ㅡ tocou o ombro alheio ㅡ, até Jungkook sabe.

ㅡ Não… ㅡ Cobriu a boca com a mão.

ㅡ Sim. Não que seja um problema, tipo, todo mundo também sabe que você está muito agradecido e que tem plena noção de que eles são casados. Você respeita eles e jamais tenta ganhar mais do que tem. Não é? 

ㅡ Sim! Digo, eu não sei… Aish, agora estou mal por pensar que Jungkook hyung olhou pra mim e pensou que eu gostava do marido dele. Que droga, não faço nada direito.

ㅡ Jungkook não liga. Ele sabe que Jimin gosta dele e somente dele desde… desde sempre? Tipo, cara, Jungkook não tem receio. Às vezes ele sente inseguranças repentinas, mas sabe da verdade. E a verdade é que Jimin ama só e somente ele, quer só e somente ele e etc… Lamento se parece cruel, mas é um fato.

ㅡ Não, não! Não acho cruel, acho bonito. Eles são tão lindos juntos e se amam tanto e… têm uma história. Eu respeito e admiro isso. Na verdade ㅡ riu com certa tristeza e desligou o fogo, pois seus bolinhos estavam prontos ㅡ, sinto uma pequena inveja de Bonhwa por ter pais tão… perfeitos. Queria ter recebido essa sorte de ter uma família que me apoia e cuida de mim como eles fazem. ㅡ Andou até a pia e tirou os bolinhos da frigideira com uma grande colher de plástico, os repousando em uma vasilha de plástico revestida com papel toalha por dentro. ㅡ Queria que meus pais fossem assim. Sinto como se Jimin hyung fosse meu pai ou meu irmão às vezes. Sinto o mesmo com Jungkook hyung. Eu gosto, eles… repõem o amor que falta em mim.

ㅡ Se você olhar por certo ângulo… tem um crush no seu pai.

ㅡ Yoongi hyung! ㅡ Riu, batendo no ombro do amigo, que riu também. ㅡ Não foi o que eu disse.

ㅡ Eu sei, só quis brincar. Entendo o que quer dizer. Admira Jimin como homem por tudo que é e fez por você, porém também o admira como pai e reconhece que a única relação que podem ter é uma de pai e filho, irmãos ou amigos. Gosta do seu hyung, mas sabe seu lugar e gosta dele.

ㅡ Sim. Gosto muito. Gosto de ser o dongsaeng dele. E, por favor, se Jungkook hyung um dia lhe perguntar sobre mim, diga que eu estou em outra. Vou me sentir muito esquisito perto dele se ele pensar que tenho interesse no marido dele.

ㅡ Embora você tenha e ele saiba que você tem.

ㅡ A intenção é fingir, hyung! Fingir! ㅡ Moveu as mãos no ar como se fizesse magia. Yoongi riu, também desligando o fogo, pois seu macarrão estava pronto. ㅡ Fingir que eu não gosto dele, que eu não tenho nadinha de interesse por ele e que jamais meu coração ficou acelerado perto dele! É essa a intenção! Fingir! Fingir porque a realidade me mata de vergonha. Meu Deus, Jungkook hyung… devo ter parecido um adolescente imprudente. Meu Deus, eles são pais! Pais! Eu me obrigo a gostar de outra pessoa!

Enquanto Yeonjun negava com a cabeça e xingava a si mesmo ao mesmo tempo em que balançava os bolinhos na vasilha para que o papel toalha absorvesse o óleo, Yoongi deixava sua panela na pia e ria do desespero desnecessário do dongsaeng.

ㅡ Desde que não seja o meu homem, eu não ligo.

ㅡ Taehyung hyung?! Eu jamais olhei pra ele com essa conotação, hyung! Eu juro!

ㅡ Eu sei, eu sei. Eu teria notado. E, bom ㅡ riu e tocou novamente o ombro do dongsaeng bem mais alto, em forma de consolo ㅡ, você não tem chance nenhuma com Taehyung e caso tente será castrado.

ㅡ Não vou nem cogitar, hyung.

ㅡ Acho bom. Agora ande! Temos que fazer a salada antes de Taehyung sair do banho. Eu prometi que lhe daria um jantar e uma massagem e não será você e seus devaneios apaixonados que irão tirar do meu amor sua chance de ser paparicado.

Yeonjun voltou a cozinhar garantindo a Yoongi que não tinha nem teria sentimentos por Taehyung. Refletia muito sobre o que ouviu.

Jimin era um homem incrível, admirável e invejável. Era mais que normal ter sentimentos por ele. Jungkook era a prova disso.

Jungkook era um homem incrível, admirável e invejável. Era mais que normal ter sentimentos por ele e Jimin era a prova disso.

Ambos eram ótimos hyungs e gostar de um ou outro não era inesperado, considerando suas qualidades. Yeonjun admirava e respeitava ambos indefinidamente. Jamais ousaria sonhar em interferir na relação linda, forte e inquebrável que tinham ㅡ até porque seria inútil. 

Amava seus hyungs, um deles de jeito… diferente, mas isso não mudava nada. Jimin e Jungkook haviam se encontrado e Yeonjun era feliz por eles. Não lhe machucava saber que não tinha chance, até o alegrava! Ficava feliz por seus hyungs. Sabia que ninguém os faria mais felizes que eles mesmos.

Ainda que Jungkook saber o deixasse tenso, ele podia superar. Só queria tê-los por perto e deixá-los orgulhosos. 

Ele não tinha mais família, então ser o irmão mais novo de Jungkook e Jimin já o satisfazia mais que o necessário. Ter uma família já era muito aos seus olhos.

Bonhwa tinha muita sorte.

 

{...}

 

Bonhwa sabia que tinha muita sorte.

Não só sabia como abusava disso até onde conseguia abusar. É óbvio que ele se aproveitou de seus pais terem recentemente reatado para ganhar tudo aquilo que um dia lhe foi negado, usando o argumento: Mas vocês estão tão felizes! Me façam feliz também! E óbvio que funcionou em quase todas as vezes, já que Jimin adorava mimar Bonhwa e Jungkook… bom, Jungkook até rolaria no chão se fosse da vontade do filho.

Bonnie sentia que em suas mãos havia um poder mortal, que o mundo havia passado a girar de acordo com sua vontade. Quando ele ganhava presentes, nada o abalava. Literalmente, já que no trajeto até o shopping ocorreu um acidente de carro e enquanto Jimin ficou preocupado e Jungkook receoso, Bonhwa somente disse: Justo hoje? Trânsito só porque é o dia de comprar a bicicleta? Eu não aguento mais tanta dor!

Os pais o olharam com a expressão de "Você não pode estar falando sério" e Bonhwa se fez de desentendido, comendo seus biscoitos.

Ele estava no lucro, não podia ser descuidado e perder tudo. Ficou quietinho no carro como forma de redenção por… achar que sua bicicleta era mais importante que um carro qualquer ter batido em outro numa rua qualquer. Não foi um acidente grave, ninguém se machucou, o trânsito foi a maior consequência, então Bonhwa não sentiu culpa. Qual é, foi só uma batidinha! Ele era uma criança sem bicicleta! Aquilo era muito mais importante!

ㅡ Quero te lembrar novamente, Bonhwa, que você vai ganhar uma bicicleta e que o mínimo a se fazer é usá-la ㅡ Jimin falou, olhando para o banco de trás. A criança o encarou com as bochechas cheias de biscoito. Jimin quase perdeu a pose ao vê-lo tão adorável. ㅡ Nós moramos em apartamento e te deixaremos sair para andar na calçada ou no parque. Se você não usar a bicicleta, eu vou até a sua escola e dou ela para a criança que você menos gosta como castigo.

ㅡ Não! Não! Eu juro que vou andar muito nela! Dia e noite! Vou dar banho nela e colocar adesivos! Poxa, pai, quando foi que eu deixei de lado algum presente?

ㅡ Ele tem um bom argumento ㅡ Jungkook disse, desviando o olhar da rua por um momento para encarar o marido. Marido. Marido. Ele amava saber que esse era o modo correto de chamar Jimin.

ㅡ Jungkook, esse é o momento em que você me apoia ㅡ Jimin falou, apontando com a cabeça para o filho. Jeon bufou e coçou a testa, virou a esquina com o carro.

ㅡ Seu pai tem razão, Bonnie. Você tem que usar essa bicicleta. Não é a coisa mais cara do mundo, mas dinheiro não cai de árvore, e não diga que papel é feito de árvore, já passou a época de usar esse argumento.

ㅡ Mas, pai, eu sempre uso tudo que eu ganho! Até hoje eu uso aquelas meias feias que ganhei de Natal! Desculpa a sinceridade, mas a meia é horrível e eu uso só porque foi o tio Hoseok que me deu!

ㅡ É verdade ㅡ o casal falou em uníssono. Riram.

ㅡ Só estamos falando porque você nunca teve algo como uma bicicleta, e você nem sabe andar ainda. Não queremos que desista de aprender e a deixe de lado ou só canse dela quando perceber que terá que sair de casa e andar bastante pra poder pedalar. Sabe disso, nós já conversamos um monte sobre tudo que envolvia ganhar a bicicleta ㅡ Jungkook explicou.

ㅡ Eu sei! ㅡ Tomou um gole de suco de sua garrafinha do Bob Esponja e colocou mais um biscoito na boca. Seus pais quase perderam a pose. ㅡ E eu também disse que Mike e Jongdae vão me ensinar a andar! Eles sabem! Mike sabe até andar de skate.

ㅡ Você não vai ganhar um skate, já adianto ㅡ Jungkook falou. ㅡ Muito perigoso.

ㅡ Eu acho saudável que ele se interesse por esportes ㅡ Jimin falou ao marido.

ㅡ Agora é o momento em que você me apoia, Jimin.

ㅡ Certo, certo. Nada de skates, Bonnie. Não até você aprender a andar de bicicleta e seu pai parar de ser paranóico.

ㅡ Não me chame de paranóico na frente dele! 

ㅡ Mas ele já se acostumou!

ㅡ Amooor, eu não gosto! ㅡ choramingou e parou no sinal vermelho.

ㅡ Adoro quando me chama de amor.

ㅡ Não comece.

ㅡ Amor, amor… ㅡ Jimin provocou, deitando a cabeça no ombro de Jungkook. 

ㅡ Pare. Tenho que ficar focado na rua.

Jimin levantou a cabeça e sussurrou no ouvido do marido, após ter certeza de que Bonhwa estava ocupado demais com seus biscoitos para prestar atenção:

Por que não me chama de amor esta noite? Sabe que amo quando você fala manhosinho assim.

ㅡ Jimin! Que coisa, sai! ㅡ Empurrou o marido para o lado, pigarreando e de rosto quente. Com medo que o filho tivesse ouvido. 

ㅡ O papai Jimin disse uma daquelas coisas estranhas ou que só gente grande entende no seu ouvido e te deixou com vergonha de novo? ㅡ o menino indagou, enfiando sua mãozinha direita o mais fundo que podia no pacote, catando farelos de biscoito.

ㅡ Sim, Bonnie. Infelizmente ㅡ Jungkook respondeu, encarando Jimin de cara feia. Jimin sorriu, deitado no banco, e mandou um beijinho. ㅡ Mas voltando ao que interessa: você vai aprender a andar de bicicleta e vai a usar muito. No mínimo quatro vezes por semana durante um ano. Nada de skates, não importa se Mike tem um. E juro que se você aparecer em casa machucado porque tentou andar no skate dele, eu dou seus brinquedos pra alguém que você odeia!

ㅡ Por que vocês estão sempre sendo tão maus? ㅡ E uma criança estava chorando. ㅡ Eu já disse que vou andar na bicicleta! Eu vou, eu vou, eu vou! E por que eu não posso ter um skate? Por quê? Por que vocês são tão maus? Eu sou tão bonzinho e educado! 

Jeon espremeu os lábios, prestes a chorar enquanto apertava o volante. Jimin já estava preparado para aquilo e tirou um pacote de balas do bolso. Levantou os doces no alto e disse:

ㅡ Você só ganha se parar de chorar, e se não parar, nada de bicicleta.

Bonhwa concordou com a cabeça e pegou o pacote, soluçando enquanto abria a embalagem e tirava uma balinha de morango. 

ㅡ Ainda estou te ouvindo chorar ㅡ Jimin falou. Bonhwa prendeu o fôlego para não fazer barulho. ㅡ Isso, bem melhor assim. Quer ouvir Ariana Grande até chegarmos na loja?

ㅡ Bo-bota o clássico ㅡ pediu, secando o rostinho molhado.

Jimin deixou Dangerous Woman tocando e acariciou o ombro do marido, que estava voltando a relaxar após o surto de adrenalina que o invadiu depois de ver o filho chorar. 

Uma família feliz.

 

{...}

 

ㅡ Muito bem: escolha uma! ㅡ Jimin disse quando chegaram na loja.

Bonhwa olhou ao redor sorrindo e de olhos bem abertos e logo saiu correndo pelo corredor, à procura de sua bicicleta ideal. Era a vez de Jungkook assumir, e assim ele fez ao correr atrás do filho enquanto Jimin se desculpava pelo transtorno e conversava com o atendente da loja sobre o preço das bicicletas, capacetes e skates também, porque sentiu que o dia em que comprariam um skate não demoraria tanto a chegar e queria estar pronto.

ㅡ Pai! Pai! Veja quantas bicicletas! ㅡ exclamou Bonnie, andando em círculos e falando outras coisas tão rápido que Jungkook não compreendeu.

ㅡ Calma, meu amor, calma. Papai não entende assim. ㅡ Jungkook jurou que ouviu Bonnie dizer "Palalapupupibobiha", de tão ininteligível que foi a frase da criança. ㅡ Olha, por que não dá uma volta, andando calmamente, sem barulho, e aí me mostra qual você quer, hein?

ㅡ Tá bom! Tá bom! ㅡ Pegou na mão de Jungkook. ㅡ Vem! Vem, pai! Vem antes que alguma criança imunda escolha a que eu quero antes de mim!

ㅡ Olhe como fala!

ㅡ Tá bom, tá bom. Antes que alguém pegue! Vem, pai! Vem! Vem!

Enquanto Jungkook era puxado por uma criança afoita e eufórica, Jimin passeava sem pressa pelos corredores, olhando preços e constatando que criar um filho era algo caro demais nos dias atuais, mesmo que nada fosse demais quando se tratava de Bonhwa. Após algumas voltas, encontrou seu marido e filho próximos a algumas bicicletas com cestinha. Andou e parou ao lado do marido, segurando-lhe a mão.

ㅡ Já escolheram?

ㅡ Bonnie está em dúvida entre a laranja e a roxa ㅡ Jungkook contou. Bonhwa estava sentado no chão, olhando de uma bicicleta para a outra enquanto pensava. Jimin se ajoelhou ao lado dele.

ㅡ Cite os motivos de tanta dúvida.

ㅡ A laranja me lembra Bob Esponja.

ㅡ Parece algo que ele teria mesmo.

ㅡ Sim, mas a roxa me lembra a bicicleta do Jongdae. A dele é rosa. 

ㅡ A dele tem uma buzina, não tem?

ㅡ Sim!

ㅡ Mas você não terá uma ㅡ Jungkook interveio, também se ajoelhando ao outro lado do filho. ㅡ Você apertaria ela em horários inapropriados, eu sei. Uma cestinha para carregar água ou docinhos já é o bastante.

ㅡ Hmm… ㅡ Bonnie tocou o queixo. ㅡ Quanto tempo ainda tem?

ㅡ Dez minutos ㅡ Jimin respondeu. ㅡ Se passar disso, vamos embora sem bicicleta.

ㅡ Hmm… um dilema, um dilema. Acho melhor levar a laranja, porque meus adesivos do Bob Esponja vão ficar mais bonitos nela.

ㅡ A laranja, então? ㅡ Jungkook quis ter certeza.

ㅡ Sim! ㅡ Bonhwa concordou com a cabeça, sorrindo. ㅡ Vamos levar a laranja! Quem vai pagar?

ㅡ Seu pai ㅡ Jimin disse. ㅡ É ele que está de trabalho novo, então as despesas são dele. Da próxima vez sou eu.

ㅡ Nem mesmo recebi o primeiro salário e você já está me extorquindo? ㅡ Jungkook zombou, se levantando e fazendo sinal ao atendente.

ㅡ Sim. Cuide do pagamento, meu amor.

Seguiram os três para o caixa enquanto Bonhwa admirava cada cantinho de sua bicicleta com os olhinhos cheios d'água. Mal podia esperar para andar com seus amigos! Apostar corrida e quebrar a perna! Lhe soava tão emocionante! 

Enquanto esperavam a compra ser efetuada, Bonhwa ouviu alguns cochichos e se virou, notando um casal encarando seus pais enquanto conversava. A mulher apontou discretamente para Jungkook e disse algo que Bonnie não conseguiu entender, mas que sabia que era maldoso, porque seu marido fez uma expressão de desprezo. Foi ao ouvir a palavra "bichas" que ele tomou uma atitude.

ㅡ Moço, moço ㅡ chamou, puxando a camisa do atendente da loja.

ㅡ Bonhwa, não atrapalhe! ㅡ Jungkook o repreendeu. Bonhwa fez cara feia e puxou novamente a camisa do homem.

ㅡ Moço, moço, você tem que tirar aquelas pessoas da loja! ㅡ Apontou para o casal, que notou ser o alvo. O atendente piscou, confuso.

ㅡ Por que, amiguinho?

Jimin e Jungkook logo avistaram o casal, não entendendo bem o que o filho pretendia. Algumas pessoas ao redor também passaram a observar a cena.

ㅡ Estão falando palavras feias sobre meus pais. ㅡ Apontou para o homem do casal. ㅡ Ele chamou meus pais de "bichas", e a palavra certa é "gays". As pessoas não podem ser mal educadas em lojas, não é? Ou você não se importa com gente mal educada?

Um público estava presente, silêncio reinou naquela ala da loja. O atendente se sentiu encurralado. Jimin estava tanto surpreso quanto orgulhoso. Jungkook estava emocionado e… triste. O casal estava constrangido. Bonhwa estava decidido: aquelas pessoas tinham que sair.

ㅡ E aí, moço? Você não vai fazer nada? Quando eu entrei, o papai disse que eu não podia correr nem falar alto porque incomodava outras pessoas, então por que ele pode falar mal dos meus pais? Se você não fizer nada, eu não levo mais a bicicleta. ㅡ Deixou o objeto encostado na parede e pegou a mão esquerda de Jungkook e a direita de Jimin. ㅡ Vamos, papais, a gente acha lugar melhor pra comprar.

Jimin estava se sentindo adorável, amável, como um rei. Jungkook estava quase rindo, pois o atendente ficou corado e de olhos arregalados. Uma mulher se aproximou e disse:

ㅡ Você não vai mesmo fazer nada? Eu também não vou mais comprar aqui se você não tirar esse casal da loja.

ㅡ Eu… é… bom, eu… vou chamar o gerente! ㅡ falou o rapaz, tentando fugir da responsabilidade.

ㅡ Então vai lá! Vai logo! Você não quer perder clientes, quer? A tia bonita também não vai comprar aqui ㅡ Bonnie disse, se referindo à mulher que havia se envolvido.

O rapaz assentiu e saiu em busca do gerente. Ninguém disse nada durante segundos. O casal já tinha se conduzido a outra área da loja, evitando os olhares.

ㅡ Gente estranha ㅡ Bonnie disse. ㅡ Gosta de encarar, mas foge quando alguém encara de volta.

Aquele momento, mesmo silencioso, gritava. Gritava em todos os cantos da enorme loja. Gritava dentro de Jimin e Jungkook, gritava nas demais pessoas comprando e trabalhando. Ninguém esperava. Foi repentino. Foi necessário. Bonhwa era o único que não estava paralisado. A frustração era visível em seu rosto e se impunha através de seus atos. Aquela tarde jamais sairia da memória de ninguém presente naquela loja, e Bonhwa sabia disso. Era o que ele queria: queria que as pessoas soubessem que enquanto ele estivesse vivo ninguém maltrataria seus pais, queria que as pessoas soubessem que não podiam agir daquele jeito e queria que elas soubessem que seus pais eram seus pais e eram excelentes no que faziam, não havia nada em seus gêneros ou genitais que os tornassem pais piores. Seus pais eram boas pessoas, isso era o bastante. Era o bastante pra ele.

ㅡ Olá, já fui informado do ocorrido. Sou o gerente, meu nome é Dong. Podem confirmar o que houve? ㅡ um homem de meia idade usando óculos pediu, se aproximando do casal.

 ㅡ Bom, na verdade foi Bonhwa quem viu tudo, eu e meu marido estávamos ocupados com a compra. Conte a ele, bebê ㅡ Jimin falou, incentivando Bonhwa.

ㅡ Aquele casal estava cochichando sobre meus pais. O homem chamou eles de "bichas", e essa não é a palavra certa. Talvez ele não saiba que o nome certo é gay, mas ele ainda tem que pedir desculpa. Você tem que tirar ele da loja, hyung. A tia bonita também disse que não vai mais comprar aqui se você não tirar ele da loja. ㅡ Apontou para a mulher de cabelo castanho comprido, que deu alguns passos à frente.

ㅡ Percebi como olharam pra cá. Até foram pra outro canto da loja. O menino não está mentindo ㅡ ela disse.

O gerente se ajoelhou diante de Bonhwa e segurou seus ombros. Bonnie não gostou nada; sempre que alguém fazia aquilo era porque o achava idiota, e ele não era idiota.

ㅡ Pequeno, você sabe que fazer uma acusação assim é algo muito grave?

ㅡ Você não acha que a homofobia também é?

Jimin teve que morder os lábios e esconder as mãos atrás das costas, pois quase gritou e agitou as mãos no ar como um jogador de basquete que fez uma cesta impossível. Jungkook estava sem ar, encarando Jimin sem acreditar, quase chorando.

O gerente pigarreou e tentou se recompor, porém foi difícil, já que Bonnie havia lhe tirado todos os argumentos.

ㅡ Veja bem, você tem certeza mesmo de que não se enganou?

ㅡ Absoluta. Hyung, com todo respeito, eu sou filho deles faz anos, essa não é a primeira vez que acontece isso. Eu sei do que tô falando. Você vai tirar o casal da loja ou não? Você não quer o dinheiro do meu pai? 

Sem argumentos. Sem argumentos. O homem se levantou e virou para Jimin e Jungkook, suspirou.

ㅡ Peço perdão pelo ocorrido. Vou tirar o casal da loja. Por favor, terminem a compra com o Hajun.

Park e Jeon sorriram e agradeceram, prosseguindo com a compra. Bonhwa acompanhou com os olhos o momento em que o gerente falou com o casal. Viu o homem sair xingando da loja enquanto sua esposa pedia perdão e o seguia, envergonhada. Atrás dela, correndo sem jeito, estava uma menina pequena. Bonhwa lamentou por ela; sua família a estava envenenando.

Terminado o pagamento, Park e Jeon saíram da loja e agradeceram à mulher que os apoiou e ao atendente e gerente, colocaram a bicicleta no porta-malas e entraram no carro. Tinham que dizer algo ao filho, todavia nem sabiam por onde começar.

ㅡ Não precisam falar nada ㅡ Bonnie falou, se ajeitou na cadeirinha e deitou, com uma expressão desapontada. ㅡ Não quero conversar. Vou dormir, tá? Podemos falar no jantar?

ㅡ Ah… ㅡ Jungkook encarou Jimin. ㅡ Tudo bem, meu anjo, mas por que não quer falar?

ㅡ Não tô bem, pai. Não quero falar. Por favor, me deixem ficar quieto. ㅡ Fungou e encarou a janela.

Jimin segurou a mão do marido e falou baixinho "Deixa ele". Seguiram o caminho até em casa em silêncio, a não ser pela música que Jimin colocou para relaxar o filho: One Last Time, da Ariana. A música embalou Bonhwa e o ajudou a dormir mais rápido, contudo não colocou um sorriso em seu rosto. Ele estava deprimido, chorando baixinho e não queria ser consolado.

Nada o faria feliz naquele momento. Ele havia entendido: seus pais sempre seriam maltratados, não importava onde ou quando. Sempre haveria alguém para os excluir ou difamar. Não havia nada que ele pudesse fazer e isso o machucou. Se sentiu ingrato de repente. Seus pais sofriam muito tanto por serem casados quanto por serem bons pais, e ele? Será que estava fazendo valer a pena todo aquele martírio? Ele era um bom filho, afinal?

 

{...}

 

Ele não foi acordado quando o carro parou no estacionamento, Jungkook o carregou e Jimin carregou a bicicleta. Subiram e deixaram Bonhwa na cama. Seokjin e Seulgi estavam lá, esperando Bonnie chegar para levá-lo para dar a primeira voltinha de bicicleta. Jimin explicou o porquê do filho não querer nem mesmo conversar.

Os casais conversaram brevemente e Seulgi deixou um presente extra para Bonnie: as joelheiras que ela mesma usava quando era criança e aprendeu a andar de bicicleta. Eram rosas e bem gastas, entretanto ela sabia que Bonhwa gostaria delas. Quando as visitas se foram, Jimin e Jungkook ficaram sozinhos na cozinha e sorriram um para o outro, se abraçaram e choraram de emoção.

Para alguém como Jimin, que toda a vida tentou defender quem amava, ver seu filho sendo tão corajoso e confiante o revigorou de dentro para fora. Foi como restaurar toda a sua fé e lhe livrar do cansaço que tantos anos de preconceito trouxeram. Ele estava feliz, admirado, orgulhoso. Nunca antes teve tanta certeza de que ser pai havia sido uma das melhores decisões que tomou na vida.

Jungkook… Jungkook sentiu que um curativo foi colocado em suas feridas. Ele que tinha tanto medo da rejeição e do fracasso, de ser um pai ruim, pior do que sua família foi, sentiu que seus medos foram esmagados. Seu filho era um bom menino. Seu filho era educado, corajoso, destemido e inteligente. Então… ele era um bom pai.

Ele e Jimin eram, além de bons parceiros, bons pais e tinham um bom filho. 

 

{...}

 

Bonhwa acordou horas depois e percebeu, pelo barulho na cozinha, que seus pais estavam cozinhando. Coçou os olhos e sentou na cama, encarou seu quarto cheio de livros, brinquedos, desenhos nas paredes… Como amava seus pais e como temeu fazê-los se arrepender da adoção.

Bonhwa não tinha muitas lembranças da vida antes de Jimin e Jungkook. Sabia ㅡ claro que sabia ㅡ que havia vindo de outro lugar, pois seus pais não podiam ter filhos do jeito convencional. "Eles não tem útero como eu", Seulgi tinha dito a ele certa vez. Ele sabia que a ausência desse tal "útero", que ele não sabia bem o que era, embora soubesse que era um órgão importante quando se tratava de ter bebês ㅡ também sabia que outro órgão tinha bastante influência nisso, só não sabia como um ajudava o outro ㅡ, impedia que seus pais tivessem bebês como as outras pessoas tinham.

Jimin e Jungkook o ensinaram a usar o banheiro, lavar o cabelo, amarrar os cadarços, deixavam que ele decorasse o quarto como gostava, o acolhiam em noites de pesadelo e secavam suas lágrimas. Ele não conhecia outra família além de seus dois pais, muitos tios e uma tia. Não queria conhecer, estava bem feliz com o que tinha.

Via como o pai de Mike o tratava e como estava sempre com pressa, já que não tinha a quem recorrer para o auxiliar no dia a dia e via nele um pouco de seus pais quando separados, mesmo que eles tivessem amigos sempre à disposição. Observava a mãe de Jongdae e sentia que ela era para seu amigo algo semelhante ao que Seulgi era para ele. Ele não tinha muito contato com mulheres, mas sabia como agir diante delas, pois seus pais sempre o alertaram para palavras erradas ou piadas que ele ouviria muito fora de casa e que jamais devia repetir e trazer para dentro de seu lar.

Ele sabia como eram as outras famílias e, infelizmente, passou a saber que as outras famílias não conheciam a dele. Sem dúvidas, as outras famílias não sabiam como Jungkook o acordava cedo de manhã e cantava para ele na banheira, como o ajudava com deveres da escola sem nunca se irritar e como sempre o ajudava a guardar seus brinquedos espalhados ㅡ por mais que ele não devesse espalhar suas coisas.

Com certeza também não sabiam como Jimin sempre lhe mimava com doces, biscoitos e suco na garrafa do Bob Esponja ㅡ que ele mesmo havia comprado ㅡ, ou como sempre sabia o que dizer e o fazia se sentir seguro, como se nada no mundo pudesse machucá-lo enquanto estivessem juntos.

As outras famílias não sabiam como eles eram bons pais e erroneamente os tratavam como pessoas ruins e erradas. Bonhwa não sabia o que os fazia errados. Bonhwa não sabia tanto quanto queria saber porque ainda era muito jovem, porém se tinha algo no mundo que ele sabia esse algo era que seus pais eram ótimos pais, amigos, maridos e pessoas e que serem ambos homens em nada interferia.

Ele se deixava levar por seus impulsos e piadinhas maldosas por pura diversão, de tanto ver seus pais e tios rindo de Seokjin. Ele queria ser maneiro e engraçado como seu tio Jin. Queria ajudar seus pais como seu tio Jin ajudava. Gostava de ser assim, sentia que combinava com ele! Mas isso não anulava seus medos ou o fato de que ele tinha apenas seis anos. Ele não tinha um emprego com computadores como Seokjin, não pagava contas ou tinha uma casa só sua como Seokjin. Ele não tinha uma esposa e também não tinha conhecido seus pais quando jovens, antes de casar e recém saídos de casa, prontos para uma nova vida juntos.

Ele não podia ajudar seus pais se o dinheiro acabasse, se perdessem o emprego, se ficassem tristes ou quisessem se separar novamente. Diante do divórcio, ele seria mais uma vez impotente.

Existia tanto que ele não podia fazer, criar uma criança era tão difícil… a adoção teria valido a pena? O bastante?

Bonhwa saiu da cama, calçou suas pantufas e saiu de seu quarto azul e amarelo, andando pelo apartamento até chegar à cozinha, onde se encostou na parede e observou seus pais de longe, sem chamar atenção.

No fogão tinham panelas, na bancada tinha um celular tocando música e na frente da pia estavam seus pais dançando e conversando. Bonhwa sorriu ao ver Jungkook puxar Jimin pela cintura e acariciar o rosto dele, riu quando ele apertou a bunda de Jimin e quando ficou corado ao receber um beijo no pescoço. Eles evitavam fazer carinhos do tipo quando Bonhwa estava presente, mas Bonhwa, particularmente, não entendia o porquê.

Ele adorava ver seus pais felizes e por mais que os beijos de língua longos lhe soassem um tanto nojentos, ele não se importava tanto a ponto de ficar incomodado. Quando um deles segurava o outro no colo ou quando eles apareciam sem camisa de repente, ou algo do tipo, também era estranho, mas nada demais. Se dependesse dele, seus pais viveriam se beijando, abraçando e falando coisas que ele não entendia no ouvido um do outro, pois isso os fazia felizes. Não era isso que importava? A felicidade deles?

Bonhwa teria permanecido apenas espiando se Jungkook não tivesse inclinado a cabeça para o lado ㅡ pois Jimin queria beijar a área perto de sua orelha ㅡ e o visto na entrada da cozinha, parado rente à parede. Seu pai sussurrou alguma coisa ao seu outro pai e eles se distanciaram.

ㅡ Podem continuar beijando. É até bonitinho ㅡ Bonnie disse, logo andando até Jimin, que o pegou no colo.

ㅡ Talvez outra hora. Você está bem, meu amor? Se sente melhor? ㅡ A criança concordou. Jimin sorriu e encheu seu rosto de beijos. ㅡ Estamos fazendo a sopa que você gosta e tia Seulgi trouxe um presente pra você.

ㅡ Mesmo?

ㅡ Aham. Seu pai guardou no seu quarto. Te damos após o jantar, tá bom?

ㅡ Tá bom. Papais ㅡ chamou, fazendo Jungkook parar ao lado de Jimin para vê-lo também ㅡ, vocês… vocês não se arrependem de mim?

Jimin fechou a cara, Jungkook ficou pálido. O que estava havendo ali?

ㅡ Do que está falando, Bonhwa? ㅡ Jimin perguntou.

ㅡ É… é que… eu não posso ajudar vocês. Ficar comigo vai fazer outras pessoas serem ruins com vocês. Isso... vale a pena por mim?

Jimin abriu a boca, porém foi Jungkook quem falou. Falou não, gritou.

ㅡ Que merda você está dizendo, Park Bonhwa?! ㅡ Jogou na pia a colher que usava para mexer a sopa. ㅡ Está ficando louco, por acaso?! Andou bebendo com Seokjin?! Olha aqui, juro que se você disser tamanha bosta de novo, eu vou quebrar a promessa que fiz a mim mesmo quando você veio aqui pra casa, e vou te dar um tapa! Um tapa tão, tão forte que você vai sair de casa com a cara roxa! Está entendendo?! Está me ouvindo?!

Bonhwa ficou sem resposta, começou a chorar, concordou com a cabeça dezenas de vezes. Jungkook xingou e passou as mãos no rosto.

ㅡ Jungkook, fique calmo ㅡ Jimin pediu, em tom sério.

ㅡ Calmo? Você quer que eu fique calmo?! Você está ouvindo seu filho?! Está ouvindo o que ele está dizendo?! Olha, pra mim deu, eu vou acabar essa sopa e ir pra cama.

ㅡ É claro que eu ouvi, Jungkook, mas acha que isso é jeito de agir? ㅡ A voz de Jimin estava séria, mas suas mãos segurando Bonnie estavam leves. ㅡ Está assustando ele.

ㅡ Ele me assustou! Ele está me assustando! ㅡ Apoiou as mãos na pia e derramou lágrimas dolorosas. ㅡ Ele está me assustando, me fazendo chorar… ele é meu filho, ele é minha vida e está perguntando se me arrependo dele. Está doendo. Eu estou machucado…

Bonhwa afastou os braços de Jimin e foi ao chão, abraçou as pernas de Jungkook, chorando alto.

ㅡ Não chora, papai! Não chora! Eu nunca mais vou falar isso! Eu juro! Eu só fiquei com medo, fiquei nervoso! Criança fala besteira, papai! Me perdoa! Me perdoa! Por favor, para de chorar!

Bonhwa estava soluçando, Jungkook estava tremendo de tanto chorar e Jimin não suportou. Jimin desabou em lágrimas e levantou Bonhwa do chão, o colocou no colo de Jungkook ㅡ que o segurou como se fosse sua vida, pois para ele, Bonhwa era ㅡ e abraçou os dois juntos, disse que os amava mais que tudo, que não queria vê-los chorando, que junto deles não precisava de mais nada.

Jungkook pediu que Bonhwa jamais repetisse as palavras cruéis de antes, pediu perdão pelos gritos, palavrões e ameaças, jurou jamais fazer de novo, disse ao filho que não se arrependia, que jamais se arrependeria de ter se tornado pai da criança mais incrível do mundo e que o amava tanto e se orgulhava tanto dele que por isso chorava.

Bonhwa pediu desculpa, disse que havia coisas que não entendia, falou que lamentava por ser impotente, e que não sabia se impotente significava o que ele achava que significava, disse que amava seus pais.

ㅡ Obrigado por serem meus pais.

Foi a fala que fez Jimin e Jungkook chorarem ainda mais e irem ao chão da cozinha abraçando o filho, não contendo ou sequer tentando conter as emoções.

O jantar foi cheio de carinhos e planos de sair no dia seguinte para andar de bicicleta, muita sopa. A noite foi preenchida com filmes no sofá e naquela noite eles dormiram juntos. Não queriam nem podiam ficar separados.

 

{...}

 

A semana se iniciou com notícias nem tão boas, já que Yeonjun avisou a Jimin que já tinha assinado um novo contrato. Park, mesmo a contragosto, apoiou seu dongsaeng enquanto essa fosse sua única opção. Se aproveitou de ainda não estar trabalhando e levou Yeonjun de carro até o estúdio. A despedida dentro do veículo foi melancólica e Yeonjun fez força para não chorar, pois sentia que estava decepcionando seu hyung. Naquele momento, porém, ele sentia que era o certo.

Jimin permaneceu alguns minutos no estacionamento conversando pelo celular com Taehyung, avisando que tudo tinha corrido bem e combinando um dia para que ele e Yoongi levassem Bonnie para dar voltas de bicicleta ㅡ ainda que a criança nem… soubesse pedalar ainda.

Estava ligando o carro para sair quando avistou Joonhyun novamente. Não estava entrando, estava saindo e estava sem seu carro. Jimin foi até a janela e fez sinal para ela, assobiando. A mulher logo o reconheceu e andou até o carro com um sorriso.

ㅡ Veja só se não é o cavalheiro de novo!

ㅡ Pois é. Desta vez estou só trazendo um amigo, não vim trabalhar.

ㅡ Está falando do Choi? ㅡ Riu e passou a mão no cabelo. ㅡ Acho que tenho uma cena com ele pela tarde.

ㅡ Vocês estão no mesmo filme? ㅡ Ela concordou e Jimin passou a mão no rosto, suspirando.

ㅡ Não seja um hyung preocupado à toa, tá? Eu não vou constranger nem ferir seu amigo. Sou bem experiente, tá bom? ㅡ Sorriu novamente e olhou para a rua, bufando. ㅡ Tenho que ir, ainda tenho coisas a fazer e preciso pegar logo o taxi. Foi bom te ver, Jimin. 

ㅡ Espere, não quer carona? Ao invés de pegar o táxi.

Joonhyun riu fraquinho e encarou Jimin. Todos os homens que esbarravam com ela tinham outras intenções, por que alguém lhe ofereceria carona sem mais nem menos? Trabalhar com pornô não era o mesmo que promiscuidade, ela sabia mais que ninguém, mas isso não apagava o fato de alguns atores já terem achado que ela era mais "fácil", assim como outros eram bastante protetores por saberem as dificuldades e estigmas a mais que a cercavam.

Em qual dessas definições entrava Park Jimin? Ele havia feito um pornô gay, ok, mas isso não significava que ele não gostava de mulheres também. Ele estava sendo gentil, mas isso não significava que não tinha outro propósito ou que prosseguiria sendo educado após ela aceitar a carona. Afinal, o quão segura uma mulher estava sozinha num carro com um homem? A dúvida a castigava.

ㅡ Não quero que se incomode. O táxi nem será tão caro assim. É só até meu carro sair do conserto.

ㅡ Não será incômodo, eu não tenho nada planejado pra hoje. Só tenho que levar meu filho para andar de bicicleta, porém acho que posso chegar em casa antes da noite sem problemas mesmo se te der carona. ㅡ Abriu a porta do outro lado do carro. ㅡ Entra, eu juro que sou bom motorista.

Ele estava sorrindo e parecia amigável. Ela não podia gastar muito dinheiro. Ainda dividida, Joonhyun aceitou. Sentou-se no banco do carona e prendeu o cinto, repousou a bolsa no colo e disse o endereço para onde ia, com os olhos fixos na rua.

Jimin notou como ela evitou proximidade ao se colar mais à porta do carro, como se longe dele se sentisse mais segura. Ele não fez perguntas nem julgou, até porque não sabia suas razões. Apenas dirigiu.

ㅡ Você tem filho, então? ㅡ ela perguntou para não permanecer somente no silêncio. Jimin assentiu com um grande sorriso.

ㅡ Sim, o nome dele é Bonhwa. Ele tem seis anos e ganhou uma bicicleta ontem, então combinei com ele de ensiná-lo a andar, levar ele para dar algumas voltas pelo bairro. Ele quer aprender logo pra poder sair pedalar com seus amigos.

ㅡ Ah, coitadinho, ele é o único que não sabe?

ㅡ Sim. Isso não o incomodava antes, pois ele não saía muito. Mas quanto mais próximo ficou dos amigos, mais queria fazer tudo que eles faziam. Um amigo dele tem um skate, então já estou me preparando para comprar um no futuro, porque sei que ele vai pedir.

ㅡ E você não é do tipo que nega presentes a crianças, não é? Perdão, posso abrir a janela? 

ㅡ Ah, desculpe, nem pensei nisso. Pode sim. E respondendo… Ah, eu tento ser firme, sabe? Porque meu marido é muito sentimental. Mas quando Bonhwa me olha com aquela carinha de tristeza, fico balançado.

Joonhyun se aliviou ao sentir o vento batendo em seu rosto; carros fechados a deixavam desconfortável e com calor. Deu continuidade ao assunto, notando informações importantes.

ㅡ Ah, você é casado, então?

ㅡ Sim. Acabamos de voltar, na verdade. Passamos um tempo divorciados.

ㅡ Mas o amor venceu.

ㅡ Acho que pode-se dizer que sim. E você? Filhos? Casada?

ㅡ Sem filhos, sem marido. Só um apartamento pequeno cheio de livros velhos e um carro quebrado.

ㅡ Lamento pelo carro, espero que volte logo do conserto.

ㅡ Obrigada. Também espero. Você quebrou qualquer contrato com o estúdio, aliás? Nunca mais te vi e você disse que está somente levando seu amigo.

ㅡ Sim. Essa vida não é pra mim, sem querer ofender.

ㅡ Imagina. Não é pra todo mundo mesmo.

ㅡ Eu precisava de dinheiro e… admito que achei que seria bem mais simples, mas as luzes e câmeras e principalmente o modo como eu tinha que agir acabaram sendo pesados demais pra mim. Eu nunca fui fã de pornô, também, e acabei me tornando menos ainda depois de trabalhar com isso.

ㅡ Te entendo. A última vez que realmente assisti e aproveitei um pornô foi na adolescência, sabia? Nunca foi muito a minha praia porque era difícil achar algum vídeo em que uma mulher não estivesse gemendo ao menor toque e fazendo expressões faciais e movimentos que… bem, eu nunca vi mulher nenhuma fazendo. Eu não gostava de me imaginar no lugar delas, me trazia muita agonia. Pra você ver como a vida é irônica, né? Veja o que paga minhas contas agora.

ㅡ Por que você começou com o pornô? Não precisa responder se for invasão, só fiquei curioso.

ㅡ Tudo bem, afinal acho que não há como me expor mais ainda. ㅡ Riu e fechou os olhos, aproveitando o vento que vinha da janela. ㅡ Eu era jovem e, sei lá, achei que seria só uma experiência qualquer. Eu sabia que era sério, mas não ligava tanto assim, era pra ser temporário, só um pouquinho de rebeldia. Mas aí uma cena acabou ficando famosa demais e… bem, você não quer associar um rosto sujo de esperma com a sua empresa, portanto conseguir trabalho ficou difícil. Acabei me rendendo com o tempo. Hoje em dia é tranquilo, me acostumei.

ㅡ Sinto muito pelos julgamentos, sei que é bem mais pesado com as mulheres. Também tive medo de me prejudicar profissionalmente ou que acabasse chegando até o meu filho, ainda temo isso. Então saber que pra você é pior me deixa arrepiado.

ㅡ Ser uma mulher não é fácil em ambiente nenhum, muito menos naqueles onde o teor sexual é grande. Embora eu conheça várias mulheres que, mesmo tendo passado situações bem ruins em gravações, se sentem mais à vontade no set que ganhando uma carona, por exemplo. Os caras do set geralmente param quando você pede, sabe? Os caras de fora não.

Jimin concordou com a cabeça, sanando suas escassas perguntas a respeito do comportamento hesitante dela ao entrar no carro. Entendia do que ela tinha medo. Na verdade, não, não entendia, porque não estava no lugar dela e nunca pegar uma carona acionou em sua mente um alarme anti-estupro. Não era sua realidade, ele não foi ensinado a temer, o mundo era mais seguro para ele quando se tratava de seu corpo e seus desejos. Ele imaginava, no entanto. Imaginava e compunha uma imagem usando relatos e conselhos que já havia escutado durante a vida. Como homem, o mundo lhe deu um manual de como eram as mulheres, mas ele não se deu ao trabalho de ler. Jimin foi às raízes e conheceu mulheres conversando com elas. Ele sabia das mulheres o que elas contavam ㅡ e por isso nunca em toda a sua vida uma garota o temeu após conhecê-lo. Jimin era amigo. "Você é conforto, Jimin oppa", uma colega havia lhe dito uma vez. Ele gostou de saber disso.

Jimin não gostava de assustar pessoas, de magoá-las ou invadir seu espaço. Não queria desrespeitar ninguém. Não desrespeitar mulheres, porém, era uma tarefa complicada quando isso era tudo o que o manual ensinava. O manual dado aos homens não era sobre como funcionavam as mulheres, e sim como tirar delas o que você quer, como se fossem empregadas, como se estivessem sempre trabalhando e seu dever fosse dar a elas às ordens. Jimin não queria chefiar mulher nenhuma e acreditava que se haviam trabalhos e papéis sociais, o dele era tão irrelevante ou necessário quanto o delas. Ele aprendeu com elas como tratá-las, o que nunca se devia dizer e o que sempre devia fazer.

Como os homens buscavam conquistar e entender mulheres sem jamais as escutar era algo que Jimin não compreendia.

ㅡ Sinto muito. Espero que em seus próximos trabalhos e carona, e tudo em geral, você esteja segura.

Joonhyun o encarou, um tanto desacreditada da imagem ao seu lado.

ㅡ Você é assim mesmo? Tipo, você realmente oferece carona às pessoas e deseja a elas o bem a cada dez segundos?

ㅡ Há algo mais correto que desejar o bem às pessoas e oferecer ajuda?

ㅡ Até com quem você nunca conversou?

ㅡ Não conhecer alguém não é o mesmo que ignorar alguém. Se só ajudamos quem conhecemos, como ficam as pessoas que não conhecem ninguém? Além do mais, eu já conhecia você, então seu argumento não é válido, Joonhyun. Nossa, nem perguntei sua idade. Será que devo te chamar de noona?

ㅡ Tenho vinte e oito.

ㅡ Devo sim. Muito prazer, Joonhyun noona, sou Park Jimin, seu dongsaeng sempre pronto para dar caronas e lhe desejar o bem a cada dez segundos.

Ela riu, deitou a cabeça no banco e relaxou durante o resto da viagem de carro. Jimin lhe parecia mais que seguro, Jimin lhe parecia… conforto.

 

{...}

 

ㅡ Papai, Mike vai pra casa do Jongdae, então eu vou também! Eles me ensinam a andar de bicicleta lá! Você deixa, pai? Por favor! Eu sei tomar banho e comer sozinho e não vou incomodar a tia! Me deixa ir! Deixa, pai! Eu vou aprender a andar de bicicleta! Vamos, pai!

Jungkook encarou Bonhwa sem nem piscar. Estava tentando lembrar onde havia guardado seu tom e expressão de pessoa adulta. Em alguma gaveta, talvez? Talvez tivesse perdido junto com alguma meia. Tudo que sabia era que não estava nem com um nem com outro.

Pensou em dizer não ao filho, porém não via motivos para negar. Talvez esse fosse o problema: nunca via motivo. Será que Bonhwa era assim tão bonzinho? Ou era ele que não enxergava problemas em nada que a criança pedia? Tentando evitar estresse, acreditou na primeira opção.

ㅡ Tudo bem. Vamos pegar algumas roupas em casa. Mas você tem que ser bem bonzinho e… me ligar antes de dormir, tá bom? Sem ouvir seu boa noite, o papai não dorme.

Bonnie concordou e entrou animado no carro enquanto Jungkook conversava com a mãe de Jongdae. Não demorou a chegar no apartamento e vestir Bonhwa, ajeitar um pijama, meias, sua garrafa de suco, alguns docinhos… touca, não é? Podia fazer frio de madrugada. A mochila acabou ficando um pouco pesada para o menino de seis anos, porém ele podia suportar. Sua bicicleta foi colocada no porta-malas e o carro se dirigiu à casa de Jongdae. Bonhwa animado com sua festa do pijama, Jungkook já com saudades dele.

A despedida foi com abraços, beijos e promessa de ligação. Jungkook não disse ㅡ jamais diria ㅡ, mas ficou deprimido por não estar junto de Bonhwa em sua primeira vez andando de bicicleta. Não tiraria dele a chance de ter essa experiência com amigos, porém seu coração de pai carente batia triste, pensando em como queria tê-lo levado ao parque ou em como não o ouviria brincando na sala… quem o ajudaria com os trabalhos da escola? Provavelmente Mike, que Bonhwa sempre disse ser bastante inteligente. Quem o socorreria se caísse? Provavelmente Jongdae, que era sempre gentil e cuidava com tanto carinho de tudo que tinha. Caso Bonhwa tivesse pesadelos, a mãe de Jongdae o acolheria e colocaria achocolatado em sua garrafa do Bob Esponja…

Ele fungou. Querendo ou não, não podia negar que gostava de ser o único a fazer todas essas coisas. Para Jungkook, ser pai não era um trabalho, nem mesmo uma missão, era diversão, como uma recompensa por um real dia de trabalho.

Seu novo emprego o fazia muito contente, contudo… o que era seu trabalho legalzinho perto do abraço quente de Bonhwa e suas divagações sobre como todas as crianças ㅡ exceto seus amigos ㅡ eram ridículas? Jungkook amava demais seu pequeno vilão! Seu monstrinho que odiava quase todo mundo! O que faria sem ele?

Jimin estava fora quando Jungkook separou as roupas de Bonhwa e o levou até sua festinha do pijama, então ficou confuso ao chegar no apartamento e encontrar Jungkook de pijama, com uma expressão desolada, segurando um gato de pelúcia de Bonnie.

ㅡ É… o que aconteceu enquanto eu saí? Você e Bonnie brigaram e estão de mal? ㅡ perguntou, fechando a porta e tirando os sapatos. Jungkook negou com a cabeça.

ㅡ Não. Mike foi dormir na casa do Jongdae e ele quis ir também, disse que aprenderia a andar de bicicleta lá e tudo mais.

Jimin encarou Jungkook fazendo biquinho enquanto acariciava o gatinho de pelúcia. Desolado.

ㅡ E por que o gatinho?

ㅡ Achei enquanto arrumava o quarto dele. ㅡ Fungou. ㅡ Ele disse que vai me ligar antes de dormir, mas ainda falta muito.

ㅡ E você está deprimido por que não vai estar lá quando ele der as primeiras pedaladas nem vai colocar curativos nos machucados dele? ㅡ Jungkook assentiu com a cabeça. Jimin riu e sentou ao seu lado no sofá, o puxando para seu peito, onde o marido chorou baixinho.

ㅡ Estou sendo ridículo, não é?

ㅡ Claro que não. Você é pai dele. É bonito ver o quanto sente falta dele.

ㅡ Você não está chorando.

ㅡ É porque acabei de chegar e porque sei que ele volta logo, porém é óbvio que também queria estar com ele. Ele é meu filho também.

ㅡ Ai, amor, eu não sei mais como é a vida. A minha vida é ser pai. Achei que isso seria ruim, que eu ficaria cansado… mas a cada dia fico mais animado! Ele é tão… Eu o amo tanto.

ㅡ Eu sei. Sinto o mesmo. Mas, deixando de lado sua depressão pós-saída-do-filho, que tal fazermos algo só nós hoje?

ㅡ Tipo o quê?

Jungkook se ajeitou no sofá e encarou Jimin, que, rindo, tirou a camisa e sentou no colo do marido, se esfregando sinuosamente em sua genitália. Jungkook segurou-lhe a cintura e beijou seu mamilo esquerdo.

ㅡ Vamos ceder a essa lenda urbana de que quando as crianças saem os pais transam? ㅡ perguntou, logo voltando a beijar e chupar o mamilo alheio.

ㅡ Por que não? ㅡ Segurou o rosto do marido para poder o encarar. ㅡ Somos pais, Jungkook, mas também somos mais, sabe disso. Somos maridos, namorados, amigos… somos loucos por sexo e eu disse ontem que queria te ouvir me chamar de amor bem manhoso, não disse? Por que você não me deixa te foder bem forte até você me chamar de amor enquanto goza e depois bebemos um pouco e vemos um filme?

ㅡ Essa proposta me parece boa demais para recusar.

Jimin concordou com a cabeça e riu, soltou um gritinho de surpresa quando foi empurrado para o sofá e Jungkook se colocou sobre ele, abrindo seu zíper e puxando sua calça junto da cueca para longe, jogando ambas no chão. Park Jimin estava nu no sofá e Jungkook ficou ensandecido com a imagem. Trancou a porta da sala, fechou as cortinas e tirou as roupas que cobriam seu corpo, admirando Jimin no escuro, marrom como as cortinas, que tomou conta do cômodo. Voltou a ficar sobre ele, beijou seu pescoço com vontade enquanto Jimin segurava sua bunda e arranhava a pele. Causava arrepios no Jeon, que ficava mais excitado a cada segundo.

Descendo os beijos, seu tiro foi certo no pau duro de Jimin. Grande, grosso, lindo, capaz de fazer estragos. E Jungkook queria muito provar dos estragos.

Segurou o pênis ereto e masturbou lentamente enquanto lambia a glande um pouco inchada, a embebendo de saliva. Engoliu até quase a metade ㅡ e foi o bastante para alcançar sua úvula.

ㅡ Não esqueça de ir com calma, senão vai ferir a garganta… ㅡ Jimin pediu, sabendo que tudo que Jungkook queria era enfiar aquele pênis enorme o mais fundo que pudesse. ㅡ Ai, droga… ㅡ Segurou-o pelo cabelo e forçou sua cabeça para baixo algumas vezes. Gemeu e se acomodou no estofado. Jogou no outro sofá o gatinho de pelúcia, pois ele realmente não precisava ver aquilo.

Jungkook engoliu e soltou, de cima a baixo. Via Jimin deitado, corado e gemendo e isso o deixava ainda mais duro, queimando em tesão. Lambia da base à cabeça, se atentava às veias aparecendo. Estava louco. Sentou nas coxas dele enquanto batia uma punheta rápida e forte, que fez Jimin se contorcer.

ㅡ Meu amor… por que sempre tanto alarde, hm? Você está tão molhadinho depois que eu lambi você todo… consegue ouvir o barulhinho? Hm? O som da minha mão no seu caralho, amor? Consegue ouvir? Faz estalo porque você está todo molhado. Por que não deixa de lado essas preocupações fúteis e me deixa sentar nele agora, hein? Vai doer só um pouquinho, hm? ㅡ Se ajeitou em cima de Jimin, que abriu os olhos e o encarou com sua feição de negação. ㅡ Me deixe sentar, sim? Devagarinho… Você sabe que cabe dentro de mim. Você não quer me comer, Jimin? ㅡ Lambeu os lábios ao ver Jimin sentar no sofá, o puxando para seu colo. Jungkook ainda o masturbava e passou o polegar pela glande, causando gigantesco prazer no marido, ao prosseguir o pedido. ㅡ Está gostoso assim, não está? Sei que gosta quando eu cuido bem do seu pau assim. Então me deixa sentar nele, tá? Você não quer isso? Não quer me foder bem fundo e forte até eu gozar em você? Diga, meu amor… ㅡ Beijou o pescoço quente à sua frente. ㅡ Me diga: você não quer que eu te suje com a minha porra? Não? Não quer que eu te encha de gozo? É só me deixar sentar…

Se moveu sobre o marido enquanto chupava seu pescoço, encaixou a cabeça do pau entre as nádegas… teria sentado se Jimin não fosse tão resistente. Jimin segurou sua bunda, o pegou no colo e levantou.

ㅡ Você não vai usar suas habilidades pra me manipular, Jungkook. Não vou machucar você. Se me quer aqui ㅡ cutucou o buraco entre as nádegas gordinhas ㅡ, terá que ser do meu jeito. Você quer? Quer mesmo que eu meta meu caralho todo em você?

ㅡ Sim! Sim! ㅡ Concordou com a cabeça, desesperado. Se esfregava em Jimin. ㅡ Eu quero muito. Eu preciso… preciso que você me foda, Jimin hyung.

Park concordou, chupou o pescoço cheiroso de Jungkook enquanto o levava até o quarto. Abriu a porta com um chute, deixou Jungkook na cama e andou até o guarda-roupa, pegou seu frasco de lubrificante e subiu no colchão junto do Jeon. Virou-o na cama, o deixando de bruços. Jungkook xingou de tesão. Jimin colocou uma quantidade pequena de lubrificante na língua, abriu as nádegas diante dele e espalhou como uma trilha. Jungkook quase tremeu.

ㅡ Vou te chupar bem gostoso, tá bom? Depois meto. E nada de bater punheta, meu bem… ㅡ Beijou a nuca do Jeon e disse em seu ouvido: ㅡ Não quero te ver tocando nesse pau duro até eu acabar, ouviu? Só faça o que eu mandar. ㅡ Jungkook assentiu e assentiu e assentiu com a cabeça. Jimin riu e beijou-lhe a orelha. ㅡ Bom garoto.

Novamente de joelhos, Jimin admirou a vista de Jungkook pelado, de bruços, quente e louco por um orgasmo. Aquilo era a tentação da qual os pais do Jeon, inutilmente, tentaram o afastar durante toda a vida.

Jimin se abaixou, segurou e afastou novamente as nádegas macias, meteu sua língua sem mais nem menos, fazendo o corpo que segurava se remexer. Acariciou a carne das coxas, lambeu as extremidades do ânus, arranhou a bundinha deliciosa de Jungkook e o chupou com gosto.

Jungkook estava pegando fogo. Tudo que passava em sua mente era Jimin o comendo de quatro, de lado, em cima, o deixando sentar. Talvez o contrário mais tarde: ele fazendo Jimin quicar em seu colo, morder os mamilos rígidos, meter sem dó seu pau naquela bunda gorda e gostosa que ficava linda após alguns tapas e boas mordidas. Foder no chuveiro, foder na cômoda, foder no chão. Gozar no rosto dele, engolir a porra dele. Puxar o cabelo loiro, ter o seu castanho puxado. Ser xingado, tratado como um rebelde que merecia ser punido com um pau enorme entrando em sua garganta ou deixando sua bunda dolorida. Sim, Jungkook estava louco. Quando se tratava de Jimin e sexo, ele já não era o mesmo.

Jimin estava tão duro quanto podia ficar e ardia de vontade de se enfiar naquele corpo que acendia seu tesão. Entretanto, era fiel às suas palavras e só pararia de chupar Jungkook quando ele gozasse nos lençóis, pedindo por mais. O gosto de morango do lubrificante em seu paladar tornava ainda mais fácil ㅡ e tentador ㅡ continuar aquele beijo grego. 

Às vezes ele se afastava apenas para ver o orifício banhado em saliva, sabendo que era aquilo que fazia seu homem tremer. Então retornava, metia sua língua, a girava lá dentro, lambia as extremidades, fazia caminho até o cóccix e voltava. Também gostava de brincar, também gostava de provocar e por isso enfiou dois dedos no marido e recebeu um gemido surpreso e satisfeito em resposta.

ㅡ Você gosta assim, não é? Gosta quando eu meto? Está sonhando com meu caralho aqui, não é? Meu caralho entrando aqui.

Achou a próstata do Jeon e a massageou. Foi instantâneo: Jungkook gozou, chamando por Jimin com as pernas trêmulas. Jimin mordeu os lábios, com a respiração fora de ordem, sendo possuído pelo demônio da luxúria. Virou Jungkook de frente, encheu seus dedos com lubrificante, meteu três olhando nos olhos escuros de seu marido. 

ㅡ Como pôde gozar assim? Eu ainda queria fazer muito mais. ㅡ E sabendo que Jungkook gostava de uma dose gostosinha de humilhação, proferiu em seu ouvido: ㅡ Por que é tão fraco quando se trata de mim, Jungkook? Fica duro tão fácil, geme tão fácil, goza tão fácil. Não se envergonha de ser assim tão ridículo? Putinha.

Jungkook revirou os olhos e não teria se surpreendido se tivesse gozado naquele exato momento mais uma vez. Iria responder Jimin, contudo havia uma informação ㅡ tão deliciosamente excitante e necessária para ele ㅡ que tinha que compartilhar.

ㅡ Jimin hyung… Jimin hyung…

ㅡ O quê é, hm? ㅡ perguntou contra a pele do pescoço do Jeon, ainda acertando sua próstata com os dedos, ainda fazendo seu marido suar e avermelhar de prazer.

ㅡ Estou… estou deitado em cima do meu gozo, Jimin…

Claro. Jimin levantou imediatamente o olhar e viu no rosto de Jungkook um sorriso envergonhado e satisfeito. Deixou de foder um momento para levantar o quadril dele e ver que era verdade. Onde Jungkook antes havia gozado, agora deitava. Foi a vez de Jimin quase ter um orgasmo. Ele se manteve firme, no entanto. Empenhado em continuar. Voltou a foder o homem sedento abaixo dele enquanto dizia, o encarando:

ㅡ Você gosta disso? Gosta de sentir a porra na sua bunda, Jungkook?

ㅡ Gosto… gosto, hyung… é quentinho e grudento ㅡ mexeu o quadril de um lado para o outro na cama, se esfregando no esperma; Jimin grunhiu de tesão ㅡ e eu gosto de sentir. Você vai me dar mais, não vai, Jimin hyung? Vai gozar em mim pra eu sentir sua porra, não vai? Pra eu me esfregar assim ㅡ e moveu o quadril de novo ㅡ e sentir grudar?

ㅡ Eu vou te dar quanta porra você quiser, Jungkook.

Jimin não pôde dizer mais nada, pois o beijo que trocou com Jungkook levou embora sua voz e ar e liberou parte do fogo que o encinerava. Já não suportava mais. Com uma mão melou todo seu pênis com o líquido gosmento do frasco e se posicionou para penetrar o Jeon, que logo abriu sua bundinha ㅡ cheia de arranhões ㅡ para Jimin. Ver as mãos lindas e suadas de Jungkook abrindo a si mesmo fez Jimin gemer arrastado, quase chorando de tanta vontade.

Botou a glande e beijou Jungkook novamente para que ele não pudesse gemer de dor ㅡ pois sempre que acontecia Jimin queria parar, com medo de machucar ㅡ e enfiou um pouco mais. Suas costas foram arranhadas, seu ombro foi mordido. É, sempre doía um bocado. Um caralho, se fosse para ser mais exato.

ㅡ Quer que eu vá mais devagar? Tá… tá muito difícil assim? ㅡ Jimin indagou. Sua voz mal saía. O ar não era suficiente para seus pulmões.

ㅡ Não, não… pode continuar. Eu aguento. Eu sempre aguento, você sabe. Não tenha medo, pode meter.

Jimin concordou e, paulatinamente, inseriu mais e mais de seu pau. Jungkook mordia seu ombro e seu pescoço para não grunhir, garantindo que Jimin não ia parar. Mais e mais, o ar faltava, Jungkook já imaginava o sofrimento de passar o dia seguinte sentado no trabalho, mas eram lapsos curtos que em nada o faziam reconsiderar ou sequer se preocupar. Não havia nada no mundo que o faria parar.

Jimin tinha receio, mas também tinha tesão e confiava em Jungkook ㅡ além de confiar no quanto conhecia Jungkook, a ponto de saber quando era mesmo suportável ou não ㅡ, então prosseguia com cautela. Até que foi: entrou tudo ㅡ ou quase. Jeon suava e Jimin não podia controlar os murmúrios de prazer.

ㅡ Tá… tá bom assim? ㅡ perguntou Jimin.

ㅡ Sim… não… não se mexa, tá? Fique assim… um pouquinho.

Estava doendo, era visível. Porém Jungkook não queria nem iria parar, e isso também era visível. E eles já tinham feito aquilo milhares de vezes, o que os tornava calejados naquelas situações.

Jimin encheu o rosto e pescoço de Jungkook de beijos, sussurrando juras de amor e dizendo que doeria só um pouquinho mais. Jungkook sabia que tudo era verdade; as juras de amor a as palavras de consolo, por isso esperou com paciência até que fosse a sua hora. Demorou alguns minutos, mas sua hora chegou.

ㅡ Pode ir, Jimin… Fode, hyung.

Jimin fodeu. Foi e voltou, gemeram juntos. Jungkook rodeou Jimin com suas pernas, o aproximando ainda mais, e pediu mais força. Seus dedos vagavam pelo cabelo macio do marido, sua testa suada e bochechas quentes. Seu corpo balançava quando ele vinha, a cama rangia, seu pescoço arqueava e ele gemia. Espalmava as omoplatas do marido, não foi tímido ao segurar as nádegas fartas e apertá-las, revelando o quanto as amava. Estava transido de amor e prazer.

Jimin estava perdendo a conexão com a realidade, vendo o universo todo se tornar as pernas de Jungkook ao redor de seu corpo, suas mãos lhe apertando as nádegas, o pescoço jogado para trás enquanto ele gemia, enquanto o corpo sofria solavancos e fazia a cama ranger. Queria beijá-lo, mas também queria chupar seu pescoço, mas também queria morder um mamilo… nem sabia mais. Queria Jungkook, queria ele todo. O queria gozando de tanto ser fodido por seu pau. Tornaria real.

Colocou as pernas dele sobre seus ombros, calou seus gemidos com um beijo de língua, fodeu rápido, fodeu com força. Qualquer coisa que Jungkook tentasse dizer soaria como gagueira, porque seu corpo tremia e sacudia.

ㅡ Era assim… assim que você queria lá na sala, meu bem? Era assim… que queria que eu metesse em você? ㅡ provocou Jimin. Jungkook estava gemendo tanto que não sabia se era capaz de falar.

ㅡ Era… era sim…

ㅡ Diga que gosta quando eu te fodo assim.

ㅡ Eu… e-eu gosto qua-quando você me fode assim…

ㅡ E você vai gozar? ㅡ Ele fez que sim com a cabeça. ㅡ Vai gozar pra mim? ㅡ Moveu a cabeça de novo. ㅡ Assim não… vamos, diga pra mim.

ㅡ Eu vou… gozar pra você…

ㅡ Bom garoto.

Eles não estavam mais aguentando. Jungkook era fraco quando se tratava de Jimin e Jimin queria gozar desde a punheta na sala, então não iria aguentar muito também. Jungkook veio primeiro. Gemeu manhoso e arrastado, chamando Jimin de amor como havia sido pedido um dia antes, jorrou sua porra no peito suado acima dele. Perdeu as forças e só abraçou Jimin enquanto ainda sentia os solavancos.

A sensação do esperma escorrendo pelo abdômen transformou Jimin num animal. Um animal que chupou com volúpia o mamilo direito de Jungkook, só o deixando ainda mais fraco. Um animal que ficou fissurado na imagem de seu pau sumindo dentro do marido e saindo depois. Indo e vindo. Um animal que cedeu aos seus instintos ao morder o lábio por que era apaixonado enquanto gemia alto, enchendo seu amante de porra.

Aquilo fez Jungkook sorrir e perder parte do cansaço. A sensação de quando Jimin saiu e o esperma escorreu, deslizando até o colchão. Aquela foi a sensação que acelerou ainda mais seu coração.

ㅡ Era assim que você queria? ㅡ Jimin perguntou ao seu ouvido. Ele sorriu e disse:

ㅡ Sim. Agora é a minha vez.

Jimin foi deitado na cama, Jungkook, mesmo que trêmulo, conseguiu lubrificar seu dedo indicador e o anelar e os inserir com rapidez em Jimin, que gemeu baixinho. Jungkook também adorava sentir Jimin apertando seus dedos, sabendo que estaria pronto para algo bem maior mais tarde ㅡ nada tão surpreendente quanto o que Jimin possuía, mas ainda maior.

ㅡ Agora é a minha vez, amor. Me diga o que quer, hm? Como quer que eu foda você? ㅡ indagou enquanto se permitia morder os mamilos durinhos do marido, como antes fantasiou.

ㅡ Quero sentar. Me deixe sentar no seu pau, Jungkook. Por favor…

Jimin mordendo os lábios enquanto pedia para sentar, Jimin suado e sujo de esperma pedindo para sentar. Jungkook quase sentiu raiva do quão versátil ele podia ser. Concordou, o deu um tapa na bunda que deixou marca. Jimin adorou.

Trocaram novamente as posições: Jungkook sentado rente à cabeceira da cama e Jimin em seu colo, rebolando em seus dedos. Jeon não queria perder tempo: logo iniciou uma masturbação forte em Jimin. Forte o bastante para Jimin ficar frustrado.

ㅡ Não vá assim! Eu não sou de ferro…

ㅡ Acha que pode fazer alguma exigência depois do que fez comigo? ㅡ Puxou-o pelo queixo e olhou em seus olhos. Jimin arfou. ㅡ Acha que pode exigir qualquer coisa depois de ter metido esse pau enorme dentro de mim? Acha que pode pedir qualquer coisa depois de ter chupado meu cu e me feito deitar em minha própria porra? Você não pode pedir nada, Jimin, muito menos reclamar. Você vai aceitar o que eu te der e vai ficar muito satisfeito, vai gemer meu nome e implorar por mais, e calar a boca se eu decidir não te dar. Entendeu? Entendeu, meu amor? Você vai fazer o que eu quero e não vai dizer um "a", entendeu?

ㅡ Entendi, entendi. Desculpe. ㅡ Sua respiração era violenta e isso fez Jungkook sorrir e rodear sua glande com o dedo. Jimin gemeu dengoso e deitou a cabeça no ombro do Jeon.

ㅡ Assim, quietinho. ㅡ O estapeou no mesmo local novamente; a palma se chocando com a carne fez estalo. Jimin grunhiu. ㅡ Bem mansinho. Agora não abra mais essa boquinha linda se não for pra gemer o meu nome, tá bom?

ㅡ Sim, dongsaeng.

Jungkook procurou e achou a próstata de Jimin, escondidinha no fundo. Massageou e socou com a ponta dos dedos, prestando atenção em como Jimin se remexia inquieto e segurava seus braços, como se tentasse recuperar as forças. Não pensou duas vezes antes de estimular a glândula apenas para ver seu hyung choramingar. Afinal, ele ainda estava batendo punheta bem forte, fazendo aquele sonzinho gostoso viajar pelo quarto enquanto fodia Jimin. Seu hyung, mesmo que resistente, tinha limites e pontos fracos e Jungkook sabia como brincar com cada um deles.

ㅡ Você também gosta de estar deste lado, não é? ㅡ cochichou no ouvido do marido. ㅡ Gosta quando eu te fodo assim e te deixo tremendo, de pernas bambas e doido pelo meu pau. Ah, hyung, sei que ele não é tão grande como o seu, mas ele te faz gemer, não faz? Te faz suar e ficar corado, não faz? Te faz ㅡ beijou-lhe o pomo-de-adão ㅡ dizer alto o meu nome e gozar como a grande vadia que você é, não faz? E aí você escorre, não escorre? Se suja todo enquanto fala "Dongsaeng… Jungkook dongsaeng…" bem manhoso, tão carente. Impotente vendo a porra te sujar. Não é assim, meu amor? Não é?

ㅡ Jungkook… não… ㅡ Negou com a cabeça, prestes a gozar, não sabendo o que elas palavras lhe causavam mais: se era tesão ou vergonha.

ㅡ Mas não é verdade que isso excita você, hm? Quando eu fodo assim e te faço lembrar da vagabunda que você é? Você não fica quente, hm? Igual está agora. Olhe pra mim, hyung. ㅡ Jimin negou. ㅡ Olhe pra mim, ou eu paro de foder você. É o que você quer? Que eu pare?

ㅡ Não… não é…

ㅡ Então olhe pra mim. Quero olhar nos seus olhos quando você gozar. 

Jimin obedeceu, ruborizado e quase sem manter as pálpebras abertas, tamanha era a sua entrega ao prazer. Os dedos de Jungkook o socando tão lá dentro e sua mão pegando tão gostoso o seu pau… ah… era demais pra ele. 

ㅡ Você não está quente agora, hyung? Não está prestes a sujar nós dois de gozo e gemer pra mim? Hm? Não está… à minha mercê? ㅡ Jimin somente concordou e concordou. Não disse mais nada, já que logo abraçou Jungkook enquanto se entregava ao orgasmo que a obscenidade das palavras haviam trazido.

ㅡ Dongsaeng… hmm… Jung-Jungkook dongsaeng… ㅡ gemeu, chorando de prazer. 

Jungkook retirou os dedos de dentro dele e a mão que até então batia punheta e o abraçou também, acariciou seu cabelo ao dizer:

ㅡ Assim, hyung, bem assim. É como eu gosto. Agora se afaste um pouco: vou melar meu pau e você vai sentar.

Jimin acatou, adquiriu distância enquanto Jungkook espelhava lubrificante pelo pênis de bom tamanho e esperava a sua vez. Jeon, para torturar Jimin um pouco mais, se masturbou na frente dele, o negando a chance de sentar. Jimin odiou, protestou.

ㅡ Não, dongsaeng! Era a minha vez!

ㅡ Eu já não disse que você vai aceitar o que eu disser de boca calada?

ㅡ Mas… ㅡ Virou o rosto, furioso. ㅡ Você não será o único.

Jimin era ótimo como dominador, porém também era um exímio submisso. Abriu bem as pernas diante do Jeon, inseriu dois de seus dedos em si mesmo e se estimulou, devolvendo na mesma moeda. Os olhos de Jungkook brilharam em desejo e uma chama pôde ser notada ardendo em suas íris quando Jimin apertou o próprio mamilo enquanto desfrutava das carícias íntimas. 

ㅡ Filho da puta ㅡ foi o que Jungkook disse ao puxar Jimin pela mão e o encaixar em seu pau, o deixando receber quase tudo de uma vez. ㅡ Gosta de provocar, não é? Acha que é certo? Só eu posso entrar em você, Jimin. ㅡ E desceu o quadril do Park, fazendo seu pau todo entrar. Jimin disse palavras desconexas devido à satisfação. ㅡ Só eu posso te foder, hyung. Mais ninguém. Agora quique.

E assim foi. De novo e de novo enquanto eles gemiam e se beijavam, diziam palavras tão lindas quanto sujas.

O telefone tocou, porém eles não ouviram. Não tinha problema, era só Bonhwa ligando, querendo saber se eles estavam bem. 

Bonnie não fazia ideia do quão bem estavam.


Notas Finais


Não esqueçam que a # da fanfic é #paísdasmaravilhas! Usem no twitter pra falar da fanfic, se quiserem.
O que estão achando? Muita coisa acontecendo, né?
Até💌💕


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