História Unidos pelo poder - Capítulo 10


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Categorias Histórias Originais
Tags Casamento Arranjado, Falsidade, Inveja
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Palavras 2.272
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Diário, parte 2


25 / 04 / 1990 

Às 22:00, meu quarto 

Faz mais de um mês que não vejo Ricardo. Pelo que eu soube, ele foi embora da cidade por causa do noivado e todos olham para mim com aquelas caras de pena, mas, na verdade, estão dizendo: “Eu avisei, garota estupida”. Odeio essas pessoas de cidade pequenas. Todos comentem erros na vida, não nascemos sabendo, mas mesmo assim, eles se acham no direito de me julgar. Pelo menos numa cidade grande ninguém vai me conhecer o suficiente, ou não terão tempo para falar de minha vida.  

Os piores de todas são minha família com aquele ar de preocupação ao meu redor, perguntando a cada segundo se estou bem. E meu pai já estar até me arrumando um novo noivo, como se isso resolvesse tudo. Ou talvez resolva? Minha barriga ainda está bem pequena, nada que der para notar se não estiver prestando atenção, mas não será sempre assim. Uma hora, ela irá aparecer e meus pais vão me matar lentamente pela vergonha que os farei passar, mas como explicarei para meu futuro marido que já estou grávida? Duvido que um homem aceite isso. E todos da cidade saberão quando a criança nascer um pouco antes do esperado. Não sei o que fazer.  

Minha amiga diz que devo fugir com o dinheiro que aquele imbecil me deu e construir uma nova vida para mim, meu sonho desde criança, mas parece tão mais assustador agora do que quando estava planejando tudo. Sinto que tem um grande relógio em minha cabeça, fazendo tic-tac a todo instante e os minutos vão diminuído minha chance de escolher meu destino. Isso tudo me deixa mais pressionada. Me sinto sozinha e abandonada, o que eu realmente fui. Não consigo acreditar que o garoto que acreditei que sempre estaria ao meu lado, na verdade é uma farsa e eu apenas sou uma idiota por acreditar nele. Só queria nunca ter conhecido Ricardo.  

 

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10 / 05 / 1990 

Às 12:00, ônibus.  

E a decisão realmente foi tirada de minhas mãos. Meu pai descobriu tudo. Minha “amiga” fez esse enorme favor de espalhar para todos na cidade que eu estou grávida de Ricardo. Será possível que sempre vou confiar na pessoa errada? Quando irei aprender que as pessoas não merecem minha confiança? Que elas enganam, iludem e traem? 

E o pior era que eu tinha encontrando uma solução para tudo. Eu tinha conversando com Pedro, um amigo da escola e ele disse que iria assumir o bebê, que inventaríamos uma história convincente e tudo daria certo, mas o problema? Minha “amiga” (que nem vale a pena ter seu nome revelado) é apaixonada por Pedro, coisa que eu não sabia e que ela só me contou depois de espalhar para todos da gravidez, impedindo qualquer chance de Pedro se casar comigo. Por que ela simplesmente não me disse isso antes? Não deveríamos ser melhores amigas? Acho que não.  

Por fim, quando descobriu, meu pai me expulsou de casa como se fosse o pior tipo de animal que existisse. Jogou minhas coisas na rua, como lixo. Todo mundo estava olhando para mim com os tão odiados olhares de pena enquanto ele dizia as piores barbaridades que já escutei na vida. Não sei como consegui juntar todas as minhas coisas, nem como comprei uma passagem para São Paulo e muito menos, como entrei no ônibus. Acho que estava no automático. Minha vida saiu totalmente de meu controle e com certeza já acabou. Hoje nasce uma nova Blenda, uma que será forte, não importa o quê, para esse pequeno bebê que ainda estar se formando em meu ventre.  

Nunca mais amarei alguém novamente. 

Nunca mais confiarei novamente.  

Nunca mais deixarei alguém ter poder sobre meu destino.  

 

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07 / 08 / 2000 

Às 22:00, casa. 

Faz mais de 10 anos que escrevi pela última vez, mas acho que não tinha o que escrever, não até hoje de manhã. Escrever sempre foi uma forma de colocar para fora sentimentos que não conseguia lidar, que pareciam me sufocar; coisa que não sentir nos últimos 10 anos, mas na vida as coisas não podem ser tão simples, não é? 

Morar numa cidade grande foi a decisão mais difícil que tomei em minha vida e simplesmente não foi fácil, mas consegui me virar, com a ajuda de algumas pessoas, sem elas nunca teria conseguindo sobreviver. Enquanto numa cidade pequena as pessoas se importam demais com sua vida, nas cidades grandes, eles se importam de menos. Não ligam com o que acontece com você, se está sofrendo ou não. A única coisa que lhe importam são suas próprias vidas e seus trabalhos. Por esse motivo, tive muita sorte de encontrar algumas maças boas, no meio das outras. Logo consegui montar um pequeno negócio e apesar de não ter uma vida luxuosa, nem conseguir dar tudo que meu filho precisa, me esforço o máximo que consigo e posso afirmar que somos muito felizes. E, claro que, isso tinha que mudar. 

Hoje de manhã estava indo buscar Logan na escola e quando cheguei lá, a diretora avisou que o pai dele tinha vindo busca-lo.  

—Mas ele não tem pai —falei séria, tentando não me desesperar —Eu avisei quando o matriculei aqui.  

—Desculpa, senhora —disse a mulher nervosa —Mas ele garantiu que você o mandou aqui. Ele também disse que se chamava Ricardo Assunção, o mesmo nome que tem na certidão do Logan.  

A segunda burrice que fiz na minha vida. Não queria que Logan sofresse futuramente se não tivesse o nome do pai na certidão e apesar de odiar seu pai, não queria machuca-lo, deixando-o pensar que não tem pai, como outras crianças. Parece que foi outro erro.  

—Mas eu não mandei ninguém o buscar —falei sentido o desespero tomar contar. Será que realmente era seu pai, ou alguém querendo lhe fazer mal? As pessoas não valem nada, não que se for o Ricardo mesmo, será menos pior.  

—Por que a senhora não tentar ligar para ele? —perguntou a mulher esperançosa. 

Qual a parte de meu filho não tem pai, ela não entendeu? Isso não significa que não tenho contato com ele? 

Estava pronta para lhe dar uma resposta acida, quando escutei alguém limpar a garganta. Me virei na direção do barulho e lá estava o idiota que me abandonou a própria sorte na minha frente. Ele tinha mudado bastante, estava mais alto, sério e musculoso. Seu rosto de menino não existia mais, agora era um adulto formado, entretanto conseguia enxergar pequenas semelhanças e sabia que era ele. O tempo lhe tinha sido muito amigo, pois estava mais bonito que eu me lembrava e me odiei por notar isso. Esse não é um detalhe importante.  

—O que você fez com meu filho? —perguntei com raiva.  

—Preciso conversar com você, Blenda —disse ele impassível, como se tivéssemos nos vistos semana passada —O garoto estar a salvo.  

—Não termos nada para falar —falei respirando fundo —Eu quero ver meu filho.  

Eu já tinha esquecido a diretora incompetente, minha atenção focada nele e ela aproveitou a oportunidade para fugir.  

—Nosso filho —corrigiu ele como se tivesse tal direito.  

—Ainda fico chocada com sua cara de pau, Ricardo —comentei friamente, mas por dentro estava explodindo —Por que você veio me dizer isso agora, depois de 10 anos? 

—Vamos conversa em um lugar mais calmo —falou ele.  

—Não antes de ver meu filho —falei firme. Queria ter certeza que ele estava bem, não sossegaria enquanto isso. Confiei uma vez em Ricardo e minha vida desmoronou diante meus olhos; não o faria novamente.  

 Ele deu de ombros e começou a andar sem dizer nada. Suspirei cansada e o segui. Parecia que só estar perto dele, trazia todo o sofrimento de volta. Minha energia parecia ser sugada, apesar de prometer nunca deixar Ricardo me afeta novamente, aqui estava eu, em suas mãos. Por que ele sempre faz isso? Quando tudo parecer estar dando certo, ele volta, como se os últimos 10 anos não existisse?  

—Eu sinto muito por tudo, Blenda —sussurrou ele parecendo saber o que estava sentido naquele momento —Não posso imaginar pelo que você passou ... 

—Não se desculpe por algo que não sente muito —falei fria. Eu tinha que me controlar bastante para não pular em seu pescoço e esgana-lo —Se sente tanto mesmo, por que não me devolve meu filho e vai embora, sem nunca mais volta? 

—Não posso fazer isso —disse ele em voz baixa. Se não o conhecesse, poderia acreditar mesmo que ele sentia muito por tudo.  

Não falei nada e seguimos em direção ao parque ao lado da escola, onde Logan brincava no escorregador, enquanto um senhor o observava.  

—Ele é ...  

—Meu pai —completou ele quando não terminei.  

—Como sempre, isso tudo é por causa dele, não é? —perguntei em voz baixa. Estava aliviada por ver que meu filho estava bem, mas sabia, no fundo, que não seria para sempre.  

—Em parte, sim, no entanto não é só isso —disse ele olhando para Logan ao longe —Ele se parece bastante comigo.  

—A única parte boa de você, com certeza —comentei em voz baixa e me virei para ele —O que o fez voltar, Ricardo? O que você quer? Porque eu sei que você quer alguma coisa, do contrário não estaria aqui —apontei em direção ao seu pai —Nem ele.  

—Você já sabe a resposta —afirmou ele debochadamente —Ou perdeu sua inteligência nos últimos anos? 

Infelizmente, eu sabia. Ele o queria agora, depois de 10 anos de rejeição. 

—Não permitirei. Você não tem esse direito.  

—Que poder você tem para me impedir, Blenda? —perguntou ele frio —Qualquer teste de DNA prova que ele é meu filho, na verdade, é só olhar para ele. Acha que um tribunal dará a guarda dele para você, que mal sustenta uma casa, ou a dará para mim? Não ache que não sei de sua situação, a estou vigiando a semanas e sei que estar perto de perde aquela espelunca onde mora. 

E novamente via meu mundo desmoronar na minha frente, sem poder fazer nada, pela mesma pessoa. Não era justo. Eu lutei tanto para construir tudo de novo, então por que tinha que, mais uma vez, o ver destruindo tudo? Quando Ricardo ficará satisfeito de me tirar as pessoas que amo? 

—Você não pode fazer isso —falei e odiei ver a franqueza em minha voz, entretanto era isso que sou; fraca.  

—Te dou duas opções, Blenda —disse ele impassível —Você vem morar conosco junto de Logan, ou o tiro de você. Simples assim.  

—Não vou morar com você! —falei deixando a raiva assumir.  

—É uma escolha sua —disse ele —Uma escolha estupida, mas sua.  

Antes que pensasse em algo para dizer, ele foi em direção a seu pai e falou algo em seu ouvido. Ele olhou em minha direção e pareceu suspirar, antes de chamar Logan. Os observei falar com ele, se despedindo, como se tivessem direito disso. Como se nos últimos 10 anos, eles tivessem se importando de Logan ter ou não o que comer e vesti.  

Quando terminaram de falar, apontaram na minha direção, para onde Logan olhou no mesmo instante e abriu um sorriso, que iluminou seu bonito rosto. Ele veio correndo para mim.  

Abri os braços, o abraçando apertando quando ele chegou perto o suficiente. Não queria demostrar que tinha algo errado, mas acabei o apertando um pouco demais e o soltei, quando o mesmo reclamou.  

—O que aqueles homens disseram para você, querido? —perguntei segurando sua mão e dando as costas, sem olhar na direção de Ricardo. 

—Só que viriam me visitar outro dia —disse ele tranquilamente. 

—Eles machucaram você? —perguntei preocupada. 

—Não —respondeu ele —Mas não gostei deles. 

—Por que não, querido?  

—Porque eles fizeram a sra. ficar triste —respondeu ele me olhando de lado —Mamãe, eles foram maus com você? 

Tinha esquecido o quanto Logan é observador. Mesmo tendo 9 anos, ele é muito esperto.  

—Não estou triste por causa deles —menti —É por outra coisa, mas eu vou resolver.  

—Tudo ficará bem, mamãe —disse ele sorrindo inocentemente —Porque eu vou te proteger.  

Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios. Apenas ele conseguiria me fazer sorrir em momentos ruins como esses. Logan era a melhor coisa que me aconteceu e mesmo que tivesse que perde tudo, sofre tudo novamente, valeria a pena para o ter comigo. Ele é meu motivo para continuar em frente.  

—Sim, querido, afinal você é meu pequeno guerreiro —falei fazendo o sorrir mais largo. Pequeno guerreiro era o significado do nome Logan e foi um dos motivos que me fez escolher esse nome para ele.  

Mesmo que Logan seja minha força, ainda sinto medo do que virá amanhã. Enquanto estou aqui, sentada em minha cama, sem saber o que fazer, ele estar dormindo ao meu lado, como o anjinho que é. Entretanto, amanhã ele continuará comigo? Talvez eu devesse deixar Ricardo o levar? Não é como se estivesse conseguindo segurar tudo como queria. Algumas vezes, vezes até demais, não consegui colocar comida decente no prato de Logan e agora corremos o risco de ir morar embaixo da ponte, como Ricardo gentilmente apontou. Ele poderia lhe dar tudo do bom e do melhor, mas a que preço? Sei que será um preço alto demais. 

Eu darei um jeito, sempre dei. Não irei abri mão de Logan agora, quando não o fiz em seu nascimento, mesmo com tantas pessoas me incentivando a dá-lo para uma boa família, a qual o criaria melhor que uma criança que tinha recém completado 18 anos.   

Já não sou uma criança, nem tão inocente. Dessa vez, não deixarei Ricardo me tirar minha vida, sem uma lutar justa. Mesmo que seja uma luta perdida. 


Notas Finais


Se tinham alguma duvida, agora n tem mais ^^
Blenda é a mãe do Logan :O
Espero q o cap esteja bom, só espero mesmo kk
Até mais O/


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