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História United by a dream (Unidos pelo sonho) - Capítulo 3


Escrita por: Annapadackles23

Notas do Autor


Eii.. Demorei mas cheguei né?

!!
Eu já aviso que esse capítulo vai doer o coração de vocês, aqui conhecemos mais o tipo do pai de Jared.. Bom, não vai ter violência explícita mas já aviso que essa história não é mamão com açúcar, apesar de ser sonhadora..
Trilha sonora: I Need Some Sleep de
Eels.
Enfim..
Boa leitura 💞

Capítulo 3 - 3. Seguir o próprio Caminho.


Fanfic / Fanfiction United by a dream (Unidos pelo sonho) - Capítulo 3 - 3. Seguir o próprio Caminho.

Jared girava seu corpo ao som da música suave que tocava, suas mãos giravam no ar demostrando a angustia que a música pedia.

" Dor, dor, eu não quero doer mais.. não mais" Ele cantava a melodia lenta, arrastando seus pés pelo assoalho de madeira enquanto as notas da música o envolvia.

Quando a última nota da música soou ele se jogou no chão sob seus joelhos e abaixou a cabeça, agradecendo a platéia.

Palmas e assobios começaram a ecoar e ele sorriu, sentindo se feliz.

*

Jared acordou com o barulho ensurdecedor do despertador e grunhiu, 6:30 o horário que costumava acordar pra ajudar seu pai no campo. Ele não acredita que por um hábito de vários anos ele acabou regulando o despertador.

Só tinha que estar no trabalho as 8:30 quando a biblioteca abria.

Ergueu a mão para parar o aparelho quando seu pai entrou com tudo em seu quarto, batendo a porta contra a parede.

Ele se sentou no susto e arregalou os olhos.

Ele pensou, seu pai não tinha dormido em casa pois chegou pouco depois das 18:00 hrs e não o viu o resto da noite.

Ele até pensou em perguntar pra sua mãe quando foi dormir por volta das dez da noite mas sua mãe só lançou um olhar frio e se afastou dele, ele pode ver tristeza em seus olhos e queria consola-la mas ela não gostava de abraços ou qualquer demostração de afeto.

-- Jareed! --- Ele chamou, cambaleando no seu quarto.

Jared foi interrompido dos seus devaneios quando sentiu um tapa forte na cabeça que o fez bater o rosto contra a cama.

-- Levante essa bunda logo daí! Preciso que me ajude com o campo antes de ir trabalhar. Eu não vou falar denovo! --- Falou com um tom de ameaça, serrando o punho perto do seu rosto, seu bafo de álcool puro fazendo as entranhas de Jared revirar em enjôo.

-- Tô indo, pai. --- Sua voz saiu como um sussuro dolorido.  Ele não seria fraco e daria mais um motivo para o seu pai zombar dele.

Ele saiu da cama, seu corpo tremia de raiva, dor, tristeza.

Estava cansado de tudo. Do seu pai, da vida miserável que levavam.

De não poder ajudar sua irmãzinha.

Ele suspirou quando sentiu um bolo duro na garganta, ele levantou o olhar pra encontrar seu pai já parado na porta.

-- Vamos, estou te esperando lá fora. Se troque rápido, não tenho tempo a perder. Meu tempo é precioso e você tem que provar ser útil pra alguma coisa nessa casa não é? Já que seu único futuro é tirar pó de livros velhos e ganhar uma merreca por isso. Bom, ao menos algo útil você faz agora. --- Ele falou rindo alto, já abrindo a porta e se virando.

Era uma piada, mas pra ele era de muito mal gosto.

Jared se sentia um nada e as palavras do seu pai sempre traziam isso a tona, doía como uma droga não ser aceito. Não poder se assumir como quem ele é.

Mas seu erro foi virar o rosto e olhar Jared.

Ele já estava chorando e soluçando, como um menino com medo.

-- Eu não aguento mais.. Porque me trata assim papai? O que foi que eu fiz pra merecer isso? --- Sua pergunta sai num sussuro choroso, e ele enxuga o ranho escorrendo pelo nariz com a manga da camisa.

As palavras do seu pai machucavam mais do que ele poderia saber, ele tentava ser forte mas as vezes era demais pra ele.

Não era de chorar, mas dês de que saiu da escola seu único ponto de diversão aonde encontrava com seus amigos tudo mudou.

Gerald ficou mais agressivo e exigindo que ele trabalha-se, o proibiu de sair e ver seus amigos e ele não podia sair por muito tempo. Era do mercado ou da padaria pra casa a algum tempo.

Ele queria gritar brigar com seu pai, mas era covarde demais pra isso. Ele nem teve coragem de dizer que era gay, mas temia que seus pais já sabiam disso.

Ele tinha mais amigas mulheres e nunca namorou uma garota, também gostava de dançar e da britney Spears. E seu pai o pegou dançando suas músicas mais de uma vez.

Gerald franziu as sombrancelhas em uma carranca antes de voltar pra perto dele e agarrar sua camisa com o punho.

Jared arregalou os olhos, seu coração batendo acelerado no peito com o olhar mortal do seu pai.

Ele odiava quando ele bebia, sempre perdia a razão e falava o que lhe dava na telha e algumas vezes bateu em Jared só pra descontar sua raiva.

---  Engole essas lágrimas. Pare de agir como uma mulherzinha e aja como homem!   Se não eu mesmo faço você se tornar um. --- Ele ergueu a mão e a palma acertou dura no rosto de Jared, o fazendo virar o rosto pro lado.

Foi tão rápido que ele só sentiu a ardência da queimação segundos depois, seus olhos molharam mais com as lágrimas que derramaram por seu rosto e ele levou a mão na bochecha quente.

Ele sentiu uma corrente de adrenalina passar por seu corpo, seu coração batendo frenético junto com a dor em seu peito. Raiva. Foi o que sentiu. Ele cuspiu sangue no chão, vendo as costas do seu pai virarem pra ele e ele gritou com toda força dos seus pulmões:

--- Sou mais homem que você papai! --- Ele gritou e viu seu pai se virar pra o olhar com olhos de choque, movido pela coragem repentina ele continuou:

--- O senhor nunca amou nem a mim nem a mamãe, tudo que faz é beber e exigir que eu trabalhe, mas e você? Nunca procurou emprego melhor ou quis sair da montanha, megan precisa de médico e tudo que você faz é não ligar! Eu to cansado, cansado dessa vida miserável que levamos, cansado de você me humilhar e não acreditar no meu sonho! --- Ele cospe esse carga acumulada pra fora e se sente mais leve, mas seu corpo treme quando vê sua mãe e irmãzinha paradas na porta o olhando, expressão de espanto em seus rostos. ---

Gerald se aproxima e balança a cabeça lentamente, coçando o queixo como se pensasse em algo antes de falar lançando um olhar mortal em sua direção.

-- Então é isso o que pensa de mim? Eu trabalho duro, me mato de trabalhar pra dar o melhor pra você e sua irmã, compro roupas e comida e é assim que me paga?! ASSIM? --- Ele cerra os olhos se aproximando dele apontando o dedo na sua cara e batendo no peito. --- 

O bafo de álcool soprando quente contra seu nariz fazendo uma bile subir pela garganta.

Jared ia responder quando vê seu pai pegar seu celular que Jared comprou com seus bicos e tacar na parede, o transformando em estilhaços.

--- INGRATO!

Sua irmãzinha grita abafado com o barulho e corre pra barra da saia.

-- Nãão! --- Ele grita, vendo seu celular espatifar na parede.

Era seu único meio de se comunicar com o mundo e ouvir suas músicas, mesmo que nunca tivesse crédito ele sempre dava um jeito de conseguir um pouco de internet na biblioteca ou no mercadinho da vila. Seus dois amigos que ainda lembravam dele sempre davam um jeito de ligarem em meio a correria do dia a dia.

Agora nem isso ele tinha.

Ele viu sua mãe puxar sua irmãzinha já chorando muito pra trás da saia e tapar a boca.

Pena estampada nos seus olhos, seu corpo retorce com outro grito do seu pai, mas ele mantém a postura ereta.

-- É isso que você é! Um filho ingrato de merda! Eu te dou comida e uma cama pra dormir mesmo não tendo mais obrigação alguma com você! Você já vai fazer 21 e ainda é um vagabundo sob meu teto! E tudo que você faz é ficar ouvindo essas músicas idiotas, dançando como mulherzinha e lendo livros inúteis o dia todo! --- Ele joga seus livros no chão e pisa em cima.

Jared sente a raiva subindo por seu corpo, ele cerra o punho com força e tranca os dentes.

-- Então, se o que eu sou não é o suficiente pra você papai, talvez eu devesse ir embora! --- Jared atira de volta, sua voz rouca e sem emoção.

As lágrimas ainda escorrendo por seu rosto quando seu pai se vira e lhe lança um ultimo olhar frio, parecendo se acalmar.

-- Então boa sorte com isso, espero que a velha da biblioteca te acolha na casa dela. Eu lavo minhas mãos com você. Já é adulto, aprenda a se virar. --- Ele diz, batendo suas mãos uma na outra com uma expressão de indiferença, levantando os ombros.

Sua mãe ainda esta chorando na porta, dor em seus olhos azulados mesmo ela não falando nada.

Sua irmãzinha Meg soluçando em meio ao chorro e tremendo nas suas pernas, ela ainda é muito pequena pra entender tudo que está acontecendo e ele não queria fazer sua irmãzinha sofrer, mas precisava seguir seu caminho se quisesse ser feliz.

Um sentimento de ternura por elas aparece no peito, ele sabia o quanto sua mãe era louca mas no fundo o amava. Mas ele continuava firme em suas decisões.

Além disso com seu sonho ele poderia dar uma vida melhor a elas, e custear o tratamento da doença de Meg.

Ele inspira, quando percebe seu pai se aproximar e toma coragem pra confessar.

--- E tem mais, eu já me inscrevi pra concorrer uma bolsa em uma faculdade de música e teatro nos Estados Unidos.. Só estou esperando a resposta e vou ir. --- Ele fala vendo a surpresa no olhar dos seus pais, eles não acreditavam nele.

Ele teme por levar outro tapa e fecha os olhos mas ao invés disso uma risada alta do seu pai é ouvida e ele abre os olhos, sem entender o que estava acontecendo.

Seu pai aponta pra ele e Jared trinca os lábios com força antes que fale algo que se arrependa.

--- Ouviu isso mulher? Seu filho ainda acha que vai conseguir alguma coisa na vida com isso de música e teatro.. Pfff.. Ridículo não é? --- Ele olha pra ela que continua séria. -- Boa sorte com isso. --- Ele debocha, rindo tanto que se abaixou com uma mão na barriga.

Ele para de rir só pra jogar o jarro de flores de plástico que ganhou de uma amiga contra a parede, o fazendo voar alto e cair  amassado no chão antes de sair e chutar a porta fazendo sua irmãzinha se encolher mais.

Jared olha sua mãe com olhos nublados procurando qualquer demostração de protesto que pudesse indicar, mas ela continua séria o olhando com pena enquanto sua irmãzinha chora com medo na barra da sua saia.

-- Venha mulher! Deixe esse filho ingrato aí! Ele vai fazer as malas dele! --- Gerald grita já na sala e ela sussura um "sinto muito" dolorido antes de sair com Megan chorando em seu colo.

Seu coração dói por sua irmãzinha.

Ele só queria poder ir para os Estados Unidos pra audição final e a tão esperada Aplication assim que recebe-se resposta da instituição, não iria desistir do seu sonho porque seus pais não acreditavam nele.

Mas antes disso, iria pedir abrigo a sra. Ewa e torcer pra que ela o acolhesse na sua humilde biblioteca, qualquer coisa era melhor que estar sob o mesmo teto do seu pai que de pai não tinha nada.

Mas uma coisa ele estava certo, Jared já era um adulto e estava na hora de seguir seu próprio caminho.

Ele se abaixou e pegou o que restou do seu celular, colocou sob a mesinha e suspirou, olhando pela última vez o quarto que um dia foi seu.

Ele ligou seu rádio velho de pilha que escondia dentro da gaveta e foi embalado pelo som suave de I Need Some Sleep de Eles.

Jared deitou na sua cama uma última vez olhando o teto quando as letras da música suave começou a invadir seu quarto.

" Preciso Dormir Um Pouco

Preciso dormir um pouco

Não dá pra continuar assim

Eu tento contar carneiros

Mas tem um que eu sempre perco

Todo mundo diz

Que estou indo de mal a pior

Tudo mundo diz

Você só tem que deixar pra lá

Você só tem que deixar pra lá

Você só tem que deixar pra lá

Preciso dormir um pouco

Hora de dar ao velho cavalo um descanso

Eu estou no fundo do poço

E as rodas continuam girando

Todo mundo diz

Que estou indo de mal a pior

Tudo mundo diz

Você só tem que deixar pra lá

Você só tem que deixar pra lá

Você só tem que deixar pra lá

Você só tem que deixar pra lá

Você só tem que deixar pra lá

Você só tem que deixar pra lá..."

*

Continua...


Notas Finais


*Application, ou inscrição, é o nome dado a todo o teste de seleção de novos alunos para as universidades americanas.

O pai do Jay é um idiota né? 🤬


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