História Universe - Capítulo 8


Escrita por: e JoanaDarkeu

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Alma Gemea, Almas Gêmeas, Baekyeol, Bts, Bts Kids, Chanbaek, Exo, Hunhan, Jihope, Jikook, Kaisoo, Namjin, Sookai, Soulmates, Soulmates Au, Sulay, Xiuchen
Visualizações 82
Palavras 2.745
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Fluffy, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


@sugaish: oier meus amores
Aqui em universe, para além de abordar nossos queridos otps do exo, eu e a mari decidimis inserir coisas mais sérias, mais reais. Esse capítulo nos introduz na parte média da fic. Ela nos apresenta a Cho-Hee, que já apareceu aqui, uma mulher que sofre violência doméstica e que o Kyungsoo nunca notou. Enfim, é apenas para a história ser mais real e também vai introduzir muitos integrantes do exo aqui, ou vão me dizer que não sentem falta do Lay, do Xiumin e do Chen? <3

Lembrem-se, a Cho-Hee pode ser a coleguinha calada e estranha na sua turma, ou aquela colega de trabalho que você sente que não está bem. Fiquem atentos. A Cho-Hee está em todo o lugar.

Aproveitem a leitura <3

Capítulo 8 - The Truth Untold


  Os ponteiros do relógio parecem recusar-se a mover mais rápido. Já sinto meu quadril dar sinais de incomodo por causa da maldita cadeira. Sem faltas, no fim do mês, iria comprar uma nova. Ainda não tinha chegado sequer o horário de almoço e eu estava morrendo. Não porque estava atolado de trabalho, como sempre, mas porque estava entediado. Como eu tinha adiantado um pouco o trabalho na semana anterior, não havia muito o que fazer agora. Pelo menos por enquanto. 

 

  Nesse tempo fazendo absolutamente nada, além de alguns origamis com papéis que iam para o lixo, estive pensando em casa. Principalmente em alguns amigos meus que não via há um tempo, teria que lembrar de ligar para eles mais tarde. Quem sabe, até poderíamos combinar um jantar lá em casa. Soube que minha tranquilidade estava nos segundos finais quando ouvi passos, o som ficando cada vez mais audível conforme a pessoa se aproximava de minha sala. Devia ser Luhan, com alguma tarefa para mim ou até alguma novidade sobre seu namoro. Ele adorava me contar o que acontecia entre ele e Sehun (não só na cama), e eu adorava ouvir. A maçaneta da porta se moveu timidamente e me preparei para receber meu amigo que sempre parecia um furacão, de tão apressado.

– Oi Lu... Ah, olá Cho-Hee. - Sorri e cocei minha nuca, envergonhado por ter errado tanto assim na pessoa. 

  No lugar de Luhan, ali estava Cho-Hee, parada no meio de minha sala com seu olhar assustado de sempre. Mas hoje estava diferente, estava mais... real. O que me intrigou, foi que ela não me olhava nos olhos. Sua cabeça estava caida, com o longo cabelo cobrindo parte do rosto. Ela parecia frágil, fraca. Confirmei isso quando sua reverência para mim saiu um tanto quanto desajeitada.

  Okay, Cho-Hee parecia doente na ultima vez que eu a tinha visto, mas agora? Ela parecia abalada. E se, ela ainda estivesse doente, que raios de doença era aquela?

– Tem alguns relatórios para assinar, Kyungsoo-ssi. – Sua voz saiu baixa e trêmula.

– Está tudo bem, noona? - Perguntei preocupado.

– Está sim.

  Era mentira. Eu sabia, naquele estado nada poderia estar bom. Cho-Hee não parecia saber mentir, mas pelo jeito seria dificil arrancar qualquer informação dela.

– Pode assinar os papéis agora? – Continuou. Estendi a mão, pedindo pelos papéis e ela logo me entregou.

  Com uma sobrancelha arqueada, comecei a assiná-los. Droga, eu não era nem um pouco bom com conversas, como Baekhyun era. Ou Luhan. Precisava ser sutil, para não parecer invasivo. Veja bem, não era curiosidade ou fofoca, eu realmente estava preocupado com a recepcionista.

– Mora sozinha? – Perguntei sem desviar os olhos dos papéis em minha mesa.

– N-não.

– Ainda bem. Deve ser ruim viver sem alguém. – Tentei me lembrar de como Baekhyun fazia quando queria me arrancar qualquer informação, não deveria ser tão dificil. – Nós nunca conversamos muito, eu não sei nada sobre você.

– É... Eu não sou de falar muito.

  Cho-Hee encolheu os ombros. Droga, droga, droga. Era, sim, muito difícil conversar. Eu estava parecendo a porra de um pedófilo conversando com uma vítima. Ao menos eu me senti como um, quando ela abaixou ainda mais a cabeça e recuou um passo para trás. Jamais conseguiria algo se continuasse falando daquele jeito. Suspirei fundo, tentando pensar nas palavras corretas, enquanto assinava cegamente as últimas folhas em minha mesa. 

  Quando os relatórios já estavam todos assinados, entreguei para ela e a dispensei com o melhor sorriso que consegui. Ainda tinha um expediente praticamente inteiro para falar com ela, tentar ao menos. E se eu não sabia, alguma amiga dela poderia saber. Cho-Hee parecia se relacionar muito bem com os outros funcionários, principalmente na recepção, a sua área. 

  Bingo! Era isso, eu buscaria informações com outras pessoas para, enfim, saber como agir.

  Usei a desculpa de precisar entregar alguns documentos ao Luhan, que por sorte tinha a sala no mesmo andar da recepção. Ah, ok, pelo menos o destino está afim de que eu investigue sobre isso.

  O elevador, tal como os ponteiros do relógio anteriormente, nunca pareceu tão lento. Logo agora, que eu queria descer rápido.

  A cada andar, ele parava para alguém entrar. Será que todo mundo decidiu descer, logo agora que eu quero descobrir o que está acontecendo com a Cho-hee?

  Para não voar em cima da próxima pessoa que entrasse no elevador, eu decidi sair no andar seguinte, para segurança dos passageiros, e descer pelas escadas aos tropeços.

– Kyungsoo? – por coincidência (ou sorte) dei de cara com Luhan, esperando o elevador, quando cheguei ao rés de chão. – O que você veio fazer aqui?

– Luhan! Oi! – disse rápido, o puxando para um canto enquanto sorria falso para quem passava. – Me cubra.

– Quê? Você está bem, Kyungsoo?

– Luhan, eu juro que tem alguma coisa de errado com a Cho-hee e preciso descobrir. Mas eu precisei dar uma desculpa para a minha ajudante e disse que vinha entregar uns papéis para você! Então, só me cubra!

– Se é isso, eu ajudo sim. Também reparei em como ela está estranha hoje. E andando torto! Kyungsoo, eu tenho experiência nesse assunto e posso dizer que não é de dar demais.

  Definitivamente tem alguma coisa errada com ela.

  Agradeci mentalmente a Luhan pela ajuda, continuando o caminho até a recepção que parecia chegar nunca. Meus olhos encontraram o balcão com algumas atendentes e suspirei. Cho-Hee devia estar ali com elas, talvez estivesse em seu intervalo ou fazendo algo nos outros andares. Decidi ser um pouco mais direto com as outras moças, para evitar constrangimento, coisa que eu era muito bom em fazer.

– Bom dia, Gayoon. – Fiz um puta esforço para lembrar do nome da recepcionista, ela tinha um sorriso doce. – Sabe da Cho-Hee?

– Bom dia, Kyungsoo. O que tem a Cho-Hee? Aconteceu algo?

  Droga, pela milésima vez naquele dia. Será que ninguém mais percebia que a mulher não estava bem? Pelo menos Luhan também tinha reparado, confirmando que não era coisa da minha cabeça.

– Ela não parece bem. – Ditei com calma, sem saber ao certo as palavras para usar. – Ela não lhe contou nada?

– Não... Sohyun, você sabe se aconteceu algo com a Cho-Hee? – Gayoon dirigiu-se a outra moça que mexia em um computador. A mulher de cabelo castanho claro apenas negou com a cabeça, um leve bico nos lábios. Gayoon voltou o olhar até mim, com uma feição triste de quem não poderia ajudar. Reparei em seu batom que contornava perfeitamente os lábios, me questionando se todas as recepcionistas eram bonitas assim.

– Ela não conversa com vocês? – Eu não iria desistir, não tão cedo. Não era possível que eu saísse dali sem qualquer informação útil.

– Claro que sim, mas nunca toca em assuntos pessoais. É uma boa companhia. – A garota sorriu. – Uma pena nunca sair com a gente. Não é, Sohyun?

– Pois é, ela nunca pode. Diz que tem afazeres. Deve ser corrido na casa dela. – Sohyun, pela primeira vez, desviou os olhos da tela. Arrumando os óculos e prendendo o longo cabelo claro com uma caneta.

– Kyungsoo, por que perguntou essas coisas? – Gayoon parecia um pouco preocupada, eu realmente não entendia como aquelas garotas não haviam notado nada.

_ Bobagem. – Menti. – Por favor, não contem pra ela que eu perguntei, okay? 

  As duas garotas sorriram e concordaram. Elas não cansavam de sorrir? Virei as costas para elas e minha mente começou a trabalhar, pensando em quem mais eu poderia conversar. Talvez a equipe da cozinha conhecesse ela. Certo, próxima parada: 5° andar.

Mesmo se fizesse todo o esforço do mundo, jamais iria entender porque tudo estava funcionando tão devagar. O relógio, o elevador e até as pessoas. Parecia que o universo conspirava pra me atrasar. E nesse tempo interminável que foi do primeiro ao quinto andar, eu orava para não encontrar Cho-Hee no caminho.

  Eu queria falar com ela, mas não deu certo quando tentei. Tinha certeza que se a encontrasse não iria segurar minha lingua e falaria algo que a deixaria assustada. De novo. Ela parecia tão frágil, não seria bom arriscar.

O pequeno bipe avisando que as portas do elevador se abririam (no 5° andar, graças a Deus) soou e suspirei aliviado. Quando as portas, de fato, abriram, eu saí apressado, empurrando sem querer algumas pessoas pelo caminho. Eu mesmo não entendia essa pressa toda, eu teria o dia inteiro para buscar mais informações e não precisaria correr. Mas quanto mais cedo eu pudesse ajudá-la, melhor. E se as coisas continuassem naquele ritmo, eu não conseguiria nada até o final do expediente.

  No caminho até a cozinha, esbarrei em alguém. Pedi desculpas educadamente, até reconhecer quem era. A moça de cabelo curto trabalhava com a parte financeira da empresa, uma tarefa complicada, eu diria. Como ela estava sempre circulando pelos corredores, procurando pelos mais diversos documentos, imaginei que poderia saber algo.

– Quase te dei um banho de café, Kyungsoo-ssi. – Ela riu fraco.

– Me desculpe por isso. – Pedi novamente, fazendo uma leve reverencia. – Jiyoon, você conhece a Cho-Hee, da recepção?

– Claro, a gente conversa de vez em quando. Por que?

– Sabe se aconteceu algo com ela? 

– Não. Ela não é muito aberta, sabe... Nunca sai comigo e com as meninas e mantém a conversa sempre rasa. Mas é uma boa pessoa. – Bebericou um gole de seu café, logo me oferecendo, recusei.

– Porra. – Deixei o palavrão escapar. O mais provável era que Cho-Hee fosse calada com todos na empresa. Jiyoon era a terceira pessoa que eu fazia a mesma pergunta, e levava a mesma resposta. Já estava irritado, a cozinha seria meu ultimo lance antes de voltar a procurar a própria recepcionista. 

  Não... Talvez fosse melhor falar com Luhan antes. Se ele também percebeu que a moça estava diferente, poderia ter uma teoria. Pelo menos uma teoria, se eu conhecia o rapaz. 

– Eu vi ela subindo, acho que foi falar com Hyuk. Se quiser conversar com ela, pode ser que esteja lá. Você parece sério, Kyungsoo.

– Está tudo bem, não se preocupe. – Eu adoraria pedir ajuda para mais alguém, ainda mais para outra mulher. Uma coisa é verdade, mulheres confiam nas outras. Seria muito mais fácil para Cho-Hee se abrir com outra garota, mesmo que não tão próxima, do que comigo. Pelo menos era o que eu achava.

– Tudo bem. Se precisar de algo, pode contar comigo. – Jiyoon curvou os lábios vermelhos em um sorriso amigo e saiu em direção ao elevador, bebericando seu café. 

  Não, a unica ajuda que eu buscaria seria a de Luhan. Não iria envolver mais gente nessa busca bizarra sobre a vida pessoal de uma colega de trabalho. Suspirei mais uma vez, olhando para a direção que ficava a cozinha. Céus, eu parecia um maldito stalker. Mas aquela história me deixava inquieto demais para simplesmente aceitar. 

  Eu já estava cansado, tão cedo, mas sabia que não seria fácil descobrir alguma coisa. Nem um pouco fácil.

– Luhan? – chamei, entrando em sua sala. O meu amigo estava sentado em sua escrivaninha lendo alguns papéis e mexendo em seu computador. Seus olhos, atrás das lentes dos óculos que usava, me olharam assim que a porta se abriu.

– Descobriu alguma coisa?

  Suspirei negando. Era muito difícil encontrar algo sobre Cho-hee.

  Ninguém sabia de nada e ela era sempre muito reservada no que dizia respeito à sua vida pessoal.

– Que merda. – ele suspirou junto comigo e eu sentei na poltrona em frente à sua mesa de trabalho. – Desconfia do que eu estou pensando?

– O que você está pensando?

– Kyungsoo... – arregalei os olhos, querendo apressá-lo a contar.

Então, eu percebi.

  Os lenços à volta do pescoço, as blusas de frio mesmo no verão. As tremidas, a repulsa de toques, as pernas frágeis, fracas e mancas.

Cho-hee não podia... Não. É cruel demais. Desumano demais.

  Ninguém faria isso, muito menos com alguém tão bom como ela... Não é?

  Impossível.

  Ouço muito falar de casos de violência doméstica, mas tão perto assim não. Parece muito surreal. Uma realidade distante para ser sincero.

  Bom, talvez não tão distante assim, agora, não é mesmo? Cho-hee é a prova viva.

– Entendeu? – Luhan entendeu no que eu tanto pensava, e suspirou de novo, colocando o queixo apoiado na mão.

– Mas não sabemos se é verdade! Pode ser apenas uma... Enorme... Coincidência.

– Uma coincidência manca, amedrontada e, claramente, assustada com qualquer um que levante a voz para ela?

  Pois é. Coincidência demais.

Não tinha como ser apenas uma enormíssima coincidência.

– Caralho! – murmurei desacreditado.

– É o que os fatos dizem. Mas se for mesmo verdade, temos que confirmar. Kyungsoo, ela precisa de ajuda.

  Saí da sala de Luhan tonto e tão cambaleante, quanto Cho-hee de manhã. Cada passo era como caminhar quilômetros e me fazia pensar mais, criar paranóias e suspirar vinte vezes.

Eu nunca tive contato com ninguém com esses problemas.

  Não sei se é verdade, mas, tal como Luhan disse, os fatos apontam todos para isso. Tem que existir uma explicação bem verdadeira e que eu acredite, da própria Cho-hee, para isso sair da minha cabeça. O que eu acho bem difícil de acontecer. Eu vi, com meus próprios olhos.

Testemunhei a dificuldade com que ela respirava, como se inspirar muito forte pudesse quebrá-la. Observei seus olhos inquietos e medrosos olhando em volta, esperando algo. Vi suas mãos frágeis e finas tentando segurar os papéis que eu deveria assinar, por mais trêmulas que estivessem.

  Reparei em seu andar torto e sofrido, como um animal machucado agonizando, que apenas está esperando a morte.

  E os olhos... Aish, os olhos.

  Era como olhar nos olhos de um morto

  Não tinha nada sem ser desespero e... Morbidade.

  Mórbida, essa era a palavra que os descreve. Os olhos mórbidos como o próprio cemitério. Quietos, escuros, enevoados. Vazios. Olhar de quem não tem mais esperança, que já aceitou seu destino.

  E eu só entendi isso agora, repensando em toda a cena que aconteceu de manhã.

  Na altura eu ainda não imaginava no que poderia se tornar tudo isso, mas agora que já tenho uma teoria e argumentos muito fortes, parece burrice não ter reparado nos sinais quando tudo estava tão claro.

  Quando entrei no primeiro banheiro que vi, meu peito estava acelerado, subindo e descendo à velocidade da luz e juro que nunca me senti tão sufocado.

  Eu preciso do Suho aqui. Do Baekhyun, do Jongin.

  Eu só quero alguém! Estar sozinho é assustador e estou ficando paranóico. Parece que alguma pessoa pode surgir em cada curva e lugar da empresa, me agarrar e espancar, chutando com força. Quase posso sentir a dor... E é tão horrível essa sensação.

  Eu não sabia que Cho-hee me afetaria tanto assim.

  Me escondi numa áreazinha de serviço, com vassouras e utensílios de limpeza, entre a última cabine e a parede. Eu conseguia ver o banheiro quase todo em questão de pias e espelhos.

  Quando ouvi a porta sendo aberta, me empurrei tanto contra a parede com azulejos, que quase me fundi a ela.

  Que desculpa eu poderia dar para estar quase entrando em pânico no meio de detergentes e vassouras?

  Acompanhado do barulho da porta, veio um soluço e eu fiquei alerta, para ajudar.

Foi então que eu a vi. Era Cho-hee.

Sua cara estava molhada de lágrimas, e a franja bagunçada. Ela esfregava os olhos a cada cinco segundos, tentando afastar as lágrimas e limpá-los. Sem sucesso, porque logo elas voltavam a cair.

Primeiro, tentei me levantar para ir ajudar, mas ela ficou numa pia um pouco afastada, de costas para mim e tirou o casaco.

Eu pensava não ter visto nada muito intenso, até agora.

Precisei cobrir a minha boca e fechar os olhos com força, impedindo as lágrimas e os soluços que a podiam assustar e afugentar.

Seus braços, brancos e pálidos como a neve, estavam cobertos com manchas esverdeadas, roxas, vermelhas. E haviam machucados também. Cortes, marcas de... Cigarros?!

Meu Deus.

Agora eu entendi completamente porque ela quase não podia segurar os papéis no meu escritório... Meu Deus.

– Aish. – murmurou sofrida, colocando água num dos primeiros hematomas.

  Encostei meus joelhos ao peito, me encolhendo contra a parede.

  Não, eu não queria ver aquilo. Era demais para qualquer um que fosse humano.

  Fechar os olhos era uma tortura. O barulho da pressão da água saindo da torneira. Os soluços baixos. Os gemidos de dor. E o choro desesperado. Tudo se juntava à imagem dos hematomas que a minha mente insistia em relembrar.

  Eu juro que queria ajudar. Ter coragem para levantar e perguntar se estava tudo bem. Mas porra, claro que não estava. Definitivamente, não estava nada bem.

E eu estava paralisado. Nem reparei que ela saiu, entretido demais em tentar esquecer.


Notas Finais


Foi isso <3 até a próxima semana


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