1. Spirit Fanfics >
  2. Universo Errado >
  3. Always

História Universo Errado - Capítulo 9


Escrita por: IMaryhHarunoI e Saky-chan211

Notas do Autor


Desculpem, pelo hiatus (infelizmente, ele se transformou em mais do que uma pausa de algumas semanas... E nós sentimos muito.)
Queria dizer, que com o final do anime, fiquei muito desanimada, a ponto de (ao fazer a segunda parte) sempre sair algo ruim, meia boca. Não imaginam quantas vezes esse cap foi reescrito... Então, como nunca ficava bom, demos uma pausa na fic, mas nunca cogitamos em abandonar esse projeto. Não queriamos finalizar a fic de qualquer jeito, pois os leitores e a própria estória, mereciam o nosso melhor. E então, veio assuntos pessois, que me fizeram parar de escrever por um longo, longo tempo.

Espero muito que ainda tenha leitores interessados nessa estória, que contamos com muito carinho.
E claro, não existe dia melhor para essa fanfic voltar do que no dia 3 de abril, o aniversário desse fandom, que tem espaço reservado no nosso core.
~ Mary

Capítulo 9 - Always


 

“Você sabe qual o sentimento mais miserável que se pode ter? É odiar a pessoa que você mais ama no mundo.”

– SE Hinton (dos That Was Then, This is Now)

 

Naruto

 

– Ela foi embora, Naruto-kun.

 

Tum.. Tum.. Tum..

 

Meu coração batia e batia, desesperado, agoniado. Aquilo não era verdade, não era possível. Sakura finalmente havia retribuído meus sentimentos. Ela não faria isso.

 

Você será a mulher que carregará meu sobrenome. 

 

Eu prometi a ela em uma noite estrelada. Pela primeira vez, havia exposto meus sentimentos abertamente e pude ver em seus olhos verdes, melancólicos, que Sakura os aceitava, embora estivesse relutante em admitir.

 

Naquele momento ela me mostrou que, mesmo sem palavras, seu coração, finalmente, era meu. Sakura havia me dado esperanças de um futuro onde nós seria uma palavra que nos definiria muito além das linhas da amizade. É por isso que ela não faria isso.

 

Mentira. Mentira. Mentira.

 

Era o que era. Pura e simples.

 

Passei por Hinata que ainda me encarava perplexa após dar por encerrado nosso compromisso. Podia ouvi-la me chamando uma e outra vez, mas eu não parei.

 

Não quero me machucar.

 

Uma vez ela confessou e eu novamente tornei a prometer que jamais o faria. Preferia enfrentar eu mesmo a dor a vê-la sofrer outra vez. É por isso que eu seguia acreditando nela, meu coração também apostava que era tudo uma mentira de Hinata, causada por motivos irracionais. 

 

Então fui em direção ao monte dos Hokages, pois eu havia deixado um bilhete a ela pedindo que me encontrasse lá, à noite. Era onde eu pretendia iniciar nossa história, oficialmente. Faltava algumas horas, mas eu não conseguia ficar parado. Estava desconfortável com o que havia acabado de escutar.

 

Ao chegar no monte, por algum motivo, as memórias vinham e vinham.. Sem parar.

 

Se eu te pedisse em casamento você diria sim?

 

Lembrei de ter perguntado, mas eu jamais tive uma resposta direta. Eu teria hoje. O pequeno e singelo anel parecia pesar uma tonelada em meu bolso. As palmas de minhas mãos começaram a suar. Eu estava mais nervoso do que no dia em que fui eleito Hokage.

 

Novamente, meu peito se apertou. O que Hinata havia me dito voltava a minha mente, me assombrando. Fechei meus punhos, quando percebi que não conseguiria esperar, precisava ver ela. Não por acreditar em um rumor infundado, mas porque todo meu corpo estava entrando em colapso por apenas ficar longe dela, por tanto tempo. Precisava sentir Sakura contra mim e mostrar para minha irracionalidade que ela estava comigo e aquela condição não mudaria.

 

Corri em direção a sua casa, mas quando parei em frente a ela, tudo estava tão silencioso que deixava claro que ninguém estava lá. Então virei o corpo e me joguei para o lado oposto, em direção ao hospital. Era o local onde Sakura, definitivamente, estaria. 

 

Foi um pouco complicado me desvencilhar das minhas, assustadoras e estranhas, admiradoras, a fim de entrar no local. Torci o pescoço em todas as direções procurando fios rosados, mas não encontrei. Apertei os olhos ao ver Ino saindo de uma sala, no fim do corredor, com o rosto pálido. Ela parou ao ver que eu me aproximava.

 

Algo estava errado.

 

– Estou procurando a Sakura-chan, Ino. – Disse, embora não parasse de olhar para os lados, insistentemente, tentando vê-la sair de algum canto. – Hinata veio me falar coisas malucas e eu só preciso ver se ela está bem. – Cocei minha nuca, um tanto embaraçado.

 

Precisava agir de modo a não chamar atenção para o meu interesse, certo? Ino não sabia sobre nós. Precisava manter segredo. Abri um sorriso ao perceber que parecíamos dois moleques aprontando algo escondido. 

 

– Sabe onde ela está? Eu achei que.. 

 

– Naruto. – Ino, de repente, me cortou, com os olhos baixos.

 

Todo meu corpo entrou em estado de alerta ao vê-la daquela maneira. Meu sorriso morreu aos poucos ao me dar conta de que algo realmente estava errado.

 

– Sakura pediu demissão nesta manhã. – Começou ela, de modo calmo. Ino me encarou e eu vi a tristeza neles. Não. Sua expressão não era apenas triste, ela estava me dando algo que eu recebi muito quando era um pirralho. Pena. E isso me fez cambalear antes mesmo dela prosseguir. – Ela foi embora, Naruto.

 

E pela segunda vez, eu estava ouvindo aquela maldita frase. Não! Não! Não! Respirei fundo, passando os dedos pelo meu cabelo. Os lábios entreabertos procurando assimilar, tentando entender.

 

Se eu fugisse você iria atrás de mim?

 

Fechei os olhos com uma dor se alojando em meu peito.

 

Sempre.

 

Lembrei de ter respondido e, como prometido, foi o que eu fiz.

 

Fui atrás de Sakura Haruno.


 

Dois meses depois...


 

 

Estava deitado de costas no chão, encarando o teto pela última meia hora. Fechei os olhos ao sentir o chakra dela. Joguei o braço por cima da minha testa, esperando que aquela dor latente, por trás dos olhos, sumisse.

 

– Naruto!

 

Seu grito seguiu de furiosas batidas na porta.

 

Trinquei o maxilar. Ela não iria desistir? Os socos desferidos na porta, responderam por ela. Então, me sentei ouvindo ela me chamar novamente. A dor em minha cabeça só aumentando com sua gritaria. 

 

Abri a porta, irritado.

 

– O que você quer, Ino?

 

Um vulto loiro entrou em minha casa, como um furacão. Coloquei o braço no batente da porta e escondi meu rosto nele. Esperando pelo surto que ela daria, não me importando mais.

 

Estava tão cansado e tão malditamente envergonhado.

 

– Você não vai mais se esconder de mim. Você voltou e, há dias, não aparece no seu escritório. Está evitando todo mundo. – Grunhiu ela, começando a andar furiosamente de um canto ao outro, atenta a todos os cômodos. Procurando por alguém que não está e nunca estará aqui novamente.  

 

– O que aconteceu? – Perguntou, claramente frustrada. – Sei que você mesmo saiu da vila para buscá-la. – Apontou acusadoramente, parando de procurar por sua amiga, ciente da falta dela em minha casa. Todo meu cérebro parecia querer explodir e sua vontade de testar minha paciência apenas elevou meu mau humor em níveis astronômicos.

 

Apertei os punhos, abaixando o braço.

 

– Saia.  – Rosnei. Senti meus olhos arderem, a kyuubi estava tão revoltada quanto eu. Respirei fundo tentando me acalmar, mas a ira continuava saindo de mim em ondas. 

 

 – Você não foi atrás da Sakura? – Tentou novamente, porém, dessa vez, com um estranho tom. Porque diabos ela queria uma confirmação? 

 

Se era isso que ela queria… Pois bem.

 

– Sim. Eu fui. – Respondi, com um gosto amargo em minha boca.

 

– Então?

 

– Faça um favor para nós dois, Ino. – Virei para a cozinha, me afastando dela.  – Nunca mais toque no nome dela.

 

– Mas..

 

Toda a raiva que senti, quando vi a garota que partiu meu coração, pela última vez, voltou. Travei meus olhos nos de Ino, desejando que ela pudesse desaparecer.

 

– Sakura Haruno está morta para mim. – Rosnei.

 

Eu não pude evitar fugir dos seus olhos, dos seus questionamentos e, o pior de todos, de sua piedade. Lembrar, doía de uma forma muito profunda. Eu estava no inferno por causa da garota que tinha meu coração. Ódio, me percorreu quando as recordações vinham de forma indesejada, mas era bom lembrar para não cometer o mesmo erro duas vezes. 

 

Real era o ditado.. 

 

Enganado uma vez, a culpa é dela. Duas vezes, a culpa é sua.

 

Fechei os olhos querendo apagar as imagens, porém era impossível esquecer que, a única mulher que eu amei, havia me alimentado com mentiras.


 

Dez anos depois…

Vila Oculta da Folha


 

– Você precisa se concentrar. – Reclamei, pela terceira vez. Shikadai, o garoto de porte pequeno para seus nove anos, está ao meu lado.

 

O peguei da academia como favor aos seus pais. Foi então, que descobri o motivo dele estar indo tão mal na aula.

 

– Não deveria estar mais preocupado com uma garota do que nos ensinamentos. Eles podem ser o que salvará a sua vida em uma missão.

 

Seu olhar desinteressado bate com os meus.

 

– Hokage, parece a minha mãe falando. – Resmungou, bocejando, então olhou para longe, evitando meu olhar reprovador. – Isso é problemático.

 

Não conseguia aceitar a atitude assustadoramente semelhante a seu pai. Era quase uma cópia de Shikamaru, mas o gênio.. Ah, isso era uma mistura bem alarmante.

 

– Pai! – Shikadai gritou, quando viu Shikamaru se aproximando.

 

– Naruto, obrigado. Temari não deveria ficar te pedindo favores. – Começou se desculpando, mas sorri para ele, mostrando que não era grande coisa.

 

– Não foi nada. 

 

Eles partiram para sua casa, após uma breve despedida. Coloquei as mãos nos bolsos, observando-os. 

 

A tarde estava indo embora rápido, o sol estava baixo, quase sumindo no horizonte. Sei assim, que devia voltar para casa… Mas então, porque meus pés me levavam de volta a sala do Hokage?

 

Dobro os braços, com ambas as mãos na nuca e evito pensar na resposta.


 

[...]


 

Tarde da noite, os papéis na minha mesa continuam acumulados, a caneta parada em minha mão. Cansaço estava evidente por todo meu corpo, mas isso não era suficiente para me permitir ir para casa. Suspirando, soltei a caneta, levando uma mão ao meu ombro, massageando o músculo dolorido. Ser Hokage parecia ser mais ousado, acreditava ter mais emoção quando era pequeno. Jamais me passou pela cabeça que teria papéis intermináveis de pedidos de aliança com outras vilas, reclamações de civis, requisições de missões…

 

Tinha de tudo, menos emoção.

 

Puxei o próximo da pilha, sem muito ânimo. Mas fui parado, quando a porta se abriu e Tenten entrou, sem fôlego. Fiquei em alerta, surpreso por ela estar ali.

 

– É a Hinata-san. – Começou, preocupada. – Os ninjas médicos foram chamados para sua casa hoje. Parece que ela está piorando.

 

A notícia fez eu suar frio, mas, ao mesmo tempo, uma irritação inesperada me tomou. Lembrando que Hinata havia reclamado de algumas dores após sua última missão, há algumas semanas, mas fui informado de não ser nada grave.

 

– Soube apenas de alguns arranhões. Por que não fui informado que a situação dela era mais séria? – Levantei da mesa, revigorado, com a adrenalina bombeando nas veias.

 

Tenten desviou seus olhos para longe de mim, quando prosseguiu.

 

– Hinata-san me pediu para que mantivesse o envenenamento fora do relatório. Acreditou não ser muito relevante e que seria rapidamente tratado. Ela não queria ser afastada de outras missões. – Explicou, mas tudo que suas palavras provocaram era uma total incompreensão. Como uma ninja experiente deixa isso fora de um relatório? – Você está sendo chamado na ala médica, seu corpo está piorando rapidamente. Eles não sabem quanto tempo… – Sua voz a entrega, o olhar marejado direcionado a mim. – Quanto tempo ela tem.

 

Quanto tempo? Isso me deixou momentaneamente tonto, sem fôlego. 

 

Toda a irritação por seu descuido cai por terra. Não sabia o que responder, tudo que conseguia pensar era em chegar até ela o mais rápido possível. Encarei os olhos de Tenten uma última vez, sabendo que ela estava esperançosa que eu resolvesse isso. E era o que faria.

 

Forcei meu teletransporte para a frente do hospital de Konoha e apressadamente atravesso as portas, procurando urgentemente alguém que me desse informações.

 

– Naruto! – Parei ao ouvir a voz de Ino. Ao seu lado estava Gaara. O Kazekage, da vila da areia, já deveria ter partido horas atrás após nossa reunião. Não entendendo o motivo dele continuar ali, fui até eles. – Hinata não está respondendo ao tratamento. Conversei com Gaara sobre possíveis venenos que ninjas da areia usam já que a Hinata descreveu que um renegado da areia a atacou. 

 

Minha atenção passa de um ao outro.

 

– Descobriram a causa? Sabem como curá-la? – Questionei, nervoso.

 

Gaara se antecipou, respondendo:

 

– Já vi esses sintomas antes, Naruto. Era uma forma muito usada de envenenar os inimigos sem que fosse detectado, até que fosse tarde demais para os alvos. Esse veneno foi extremamente proibido há algumas décadas, devido a seus cruéis efeitos. – Explicou. Ino e eu nos entreolhamos, esperando que ele dissesse algo que nos ajudasse. – Na época, poucas pessoas foram confiadas a este segredo, aprendendo a usá-lo e tratá-lo de forma eficaz. A última pessoa conhecida que sabia desse veneno era Chyiu e não temos registros dele nos pergaminhos.

 

– Está dizendo que não há mais ninguém? – Perguntei, alarmado, lembrando que Chyiu faleceu há alguns anos, antes da grande guerra.

 

Gaara parece pensar por um instante.

 

– Na verdade, existe uma. Há um tempo atrás, antes de morrer, soube que ela se dispôs a compartilhar seus ensinamentos com sua última pupila. – Disse, pensativo. 

 

– Traga-a agora! Faça com que cure Hinata o mais rápido possível. – Ordenei para Ino. Ela parecia me encarar de forma estranha diante de minhas palavras. – O que estão esperando? Por que ninguém está me dando um nome?

 

Gaara e Ino pareciam compartilhar de um segredo.

 

– Naruto. – Ino está com seus olhos presos nos meus, receio em sua expressão por algum motivo. – A última pupila de Chyiu foi Sakura.

 

Como se meu cérebro desse uma pane geral em um segundo, fui incapaz de ligar pontos básicos. Gaara aceitou o papel que minha mente tentava se esquivar: o de reconhecimento.

 

– Sim, Sakura Haruno. – Assentiu Gaara, cruzando os braços. – Ela é residente da vila da areia há dez anos, deve estar familiarizada com este e outros venenos depois de trabalhar no hospital da vila de Suna.

 

Não querendo pensar muito nas consequências do meu pedido, apenas falei no automático:

 

– Mande uma requisição a ela, Ino. Diga que é urgente. 

 

Então me despedi, não esperando uma resposta de Ino. Andei pelos corredores do Hospital, procurando por Hinata. Não deveria ter permitido que ela fosse sozinha naquela missão. Preocupação é o que me move até seu quarto. Demorei um pouco para achar, mas quando a encontro, fui recebido por um sorriso cansado e debilitado.

 

– Naru..to-kun. – Hinata tentou se sentar. Rapidamente pedi a ela que não se movesse. 

 

– Esforço não é bom para seu estado atual.

 

Segurei sua mão, tentando confortá-la. Seus olhos ficaram hipnotizados no contato por alguns segundos.

 

– Imaginei tantas vezes estar assim com você outra vez… – Sussurrou ela. – Só não pensei que precisaria estar à beira da morte para isso. –  Soltou uma risada seca. 

 

Desconforto foi tudo que ela conseguiu tirar de mim.

 

– Hinata, não faça isso. – Disse, dando um afago no dorso de sua mão. Evitando seu olhar. – Descanse. – Pedi, tão igualmente cansado.

 

Seus olhos perolados mostravam sua derrota. Sei que a machuquei e ainda faço isso constantemente, mesmo que não seja minha intenção, mas o que posso fazer?

 

O amor é tolo.

 

Não há nenhum bom senso nele. Nós dois sempre estivemos fadados ao fracasso. Hinata me amava e eu não tinha mais um coração para dar a ela.

 

Às vezes, a ignorância era uma benção. Se eu não soubesse dos seus sentimentos como antigamente, seria mais fácil lidar. Fácil conviver com ela, sem me preocupar com cada ação em seu entorno.

 

– Você não vai morrer. – Informei, com convicção. – Vou me certificar de que tudo fique bem. – Prometi.

 

Hinata acenou, sei que ela depositava sua total confiança em mim. Sorri para ela, esperando não mostrar o conflito interno.

 

Aos poucos, aceitei o que estava por vir. Nunca fui de fugir de problemas, pelo contrário, eles sempre tinham um jeito de entrar em meu caminho.

 

Dessa vez não foi diferente.

 

Sakura, a garota que, por uma década, escolhi ignorar a existência, estava prestes a voltar e não sabia, ao certo, como lidar com o ódio óbvio, que alimentei por ela a cada dia de sua partida.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...