História U.N.l - Capítulo 106


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Categorias 5 Seconds Of Summer
Personagens Ashton Irwin, Calum Hood, Luke Hemmings, Michael Clifford, Personagens Originais
Visualizações 273
Palavras 4.458
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E eis que 50 terças feiras depois, estou de volta!

Música do capítulo: Perfect – Ed Sheeran

Capítulo 106 - Perfect


Fanfic / Fanfiction U.N.l - Capítulo 106 - Perfect

Ainda somos crianças, mas estamos tão apaixonados

Lutando contra todas as possibilidades

Eu sei que ficaremos bem desta vez

BIG SUR, NOVEMBRO DE 2014

SOPHIA

– Isso é tão insano, não acha? – Ashton pergunta em um tom baixo, fazendo carinho no meu cabelo.

– O que?

– Isso, eu e você. Como duas pessoas de lugares tão distantes, com vidas tão diferentes se encontraram... Quer dizer, cinco anos atrás eu jamais acreditaria que eu poderia estar em um lugar como esse, me sentindo tão bem comigo mesmo e com uma mulher incrível como você nos meus braços. – ele faz uma pausa reflexiva e a seguir o peito de Ashton vibra com um riso breve – Minha vida era uma grande merda cinco anos atrás.

Sorrio com o canto dos lábios, entrelaçando minha perna à dele, meus dedos traçando desenhos abstratos em seu peito nu. A lareira queima com um fogo baixo, garrafas de vinho, taças e roupas espalhadas pelo tapete enquanto nos abraçamos no sofá.

– Eu não tenho tantas reclamações sobre o passado, mas eu sinto que a vida que eu estava destinada a viver começou pra valer quando eu me mudei pra Londres. Eu descobri tanto sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre eu mesma. E, claro, eu descobri você. – concluo, lhe dando um beijo no pescoço.

Ashton sorri, estreitando os braços à minha volta.

– Tá vendo que louco? Se não fosse a banda, se não fosse o teu intercâmbio... Se nós dois não tivéssemos individualmente lutado tanto pra realizar nossos sonhos, nós não estaríamos aqui hoje. Juntos.

– É mesmo louco. – reflito, voltando a apoiar meu rosto no peito dele, assistindo as chamas da lareira mudarem de forma – É como se tivesse destinado a acontecer.

Há um instante de silêncio e então eu continuo.

– Dá pra acreditar que eu to em uma casa isolada do resto do mundo com um homem hétero e não me sinto nem um pouco alarmada por isso? Nem acredito que eu desenvolvi a capacidade de me entregar dessa forma, de confiar assim em alguém.

– É, mas foi uma batalha tanto! – o australiano aponta com uma indignação cômica na voz.

Bato de leve no ombro dele, mas não discuto. Já se passou um ano desde que conheci Ashton e, apesar de todos os altos e baixos, eu passei os últimos meses aprendendo a amá-lo e a me deixar ser amada. Experienciar isso ainda é fascinante e novo pra mim. Eu aprendi tanto sobre mim mesma com ele e através dele que é fácil nomeá-lo como uma das pessoas mais importantes na minha vida nesse momento.

– Eu acho que você é a única pessoa no mundo a conhecer todas as versões de mim. – confesso com um súbito espanto – Tipo, minha irmã, Layla e Viny seriam ótimos concorrentes, mas eles nunca testemunharam todo o lado sexual, então...

– Que bom que não! – Ashton praticamente grita, terminando a frase com uma risada.

– Ei, eu to falando sério! Há um ano deitar aqui e falar sobre sentimentos com o mesmo cara com quem eu estava transando até meia hora atrás parecia inconcebível pra mim. Mas contigo é apenas... Natural. Confortável. Eu nunca imaginei que isso seria possível. Eu sei que tu já namorou outras pessoas antes, então o impacto deve ser outro, mas pra mim ainda é surreal.

– Não, eu nunca fui o cara que sou hoje com outra pessoa ao meu lado. – ele garante solene, estreitando os braços a minha volta. – A única diferença é que eu venho esperando que isso aconteça desde o dia em que a gente se conheceu.

– Ah, nem vem. – me afasto para olhá-lo, tentando reprimir o sorriso no meu rosto.

– É verdade. – ele diz calmamente, seus dedos subindo pelas minhas costas, me fazendo arrepiar. Fecho os olhos, desfrutando do toque até que sua mão para em meu rosto e eu abro os olhos encontrando os dele – Você é a mulher da minha vida, Sophie. Eu amo cada coisa sobre ti e me apaixono mais a cada dia. Ainda me fascina que você tenha escolhido ficar do meu lado, mesmo com todo o fuso horário, mesmo com a agenda louca da banda. Eu sei que fica difícil pra caralho algumas vezes, ainda assim você está aqui. Espero que você saiba o quão grato eu sou por você não desistir de mim, por...

Me inclino, interrompendo-o com um beijo.

– Eu nunca vou desistir disso, entendeu? Desde que você seja paciente comigo, nós sempre vamos dar um jeito. Eu posso não saber quais os meus planos pro próximo ano, mas te perder  definitivamente não é um deles.

O sorriso que aparece nos lábios dele em seguida é daqueles que arrebatam corações e eu volto a beijá-lo, sentindo que posso transbordar de amor por esse homem.

 

 

– Admita de uma vez, nós estamos perdidos.

– Não, não estamos. – Ashton entoa, caminhando obstinado à minha frente.

Respiro fundo reunindo coragem e me endireito, voltando a caminhar, tomando cuidado pra não tropeçar nos troncos e raízes caídos da imensa floresta em que nos metemos.

Meia hora atrás eu estava achando tudo agradável e divertido, me encantando com as árvores imensas e com os sons da natureza, Ashton parando pra tirar fotos em basicamente cada parte do caminho. Era só um passeio matinal pelos arredores da mansão, mas eu acabei confessando que nunca tinha visto uma cachoeira ao vivo e a cores, o que fez com que o Ashton transformasse o passeio despretensioso em uma verdadeira caça ao tesouro.

– Eu sou preguiçosa demais pra isso, Ash! Talvez a gente devesse voltar e procurar uma cachoeira na estrada. – falo alto, gastando o pouco de fôlego que eu ainda tinha.

– Tem uma aqui perto... O Feldy disse que tinha. – Ashton reduz o passo e se vira, me estendendo a mão – As árvores estão diminuindo naquela direção, significa que a gente tá chegando.

Abro a boca pra rebater, mas Ashton está tão adorável com seu cabelo de leão moldado por uma bandana preta, uma expressão determinada e jovial no rosto. Me limito a aceitar a mão dele, sendo alavancada pra cima de mais uma pedra gigantesca.

Na natureza selvagem. – ele entoa em uma cantoria improvisada e eu acho graça.

– Você é a única pessoa na terra que me coloca em ciladas como essa e ainda me faz rir no processo. Me pergunto aonde fica o meu bom senso quando eu to contigo.

– Bom senso é para os fracos, baby. – ele rebate ousado, a resposta na ponta da língua e um sorriso arrebatador no rosto.

Ai, aquelas covinhas.

– ACHEI! – o australiano grita alegre, tirando alguns arbustos do caminho.

Saltito na direção dele e Ashton pragueja em voz baixa, frustrado. Isso não é uma cachoeira.

– Uau! – suspiro, parando a uma distância segura do fim do penhasco – Você encontrou a pedra do reino!

Ashton me olha inconformado por dois segundos, então desata a rir.

– Oh céus. – ele murmura, eliminando a distância entre nós pra passar um braço ao redor do meu ombro.

– Isso é lindo. – digo baixinho, maravilhada com todo o azul abaixo de nós, as ondas violentas se misturando às formações rochosas, o oceano se estendendo até encontrar a linha do horizonte, o sol brilhando no céu – Não é uma cachoeira. – ressalto categórica – Mas ainda é muito lindo.

Sorrio para Ashton e ele faz careta antes de me beijar. Mantenho uma mão ao redor dele e uso a outra pra tirar meu cabelo do caminho, tarefa inútil, uma vez que  o vento insiste em jogá-lo para todos os lados.

– Espera, espera – rio nos lábios dele, alcançando uma liga de cabelo no meu pulso.

Ashton dá um passo pra trás e tira uma foto minha. Desde que acordamos ele está com minha câmera pendurada no pescoço, tirando fotos a torto e a direito, o que é adorável, ainda assim desconcertante. Eu já desisti de tentar sair bem nessas fotos então só faço careta enquanto termino de amarrar meu cabelo.

– Sempre tão adorável. – ele brinca antes de retomar o beijo – Vamos tirar uma foto juntos!

Rio nos lábios dele, mas não protesto, me encostando no ombro dele, fazendo caras, bocas e trocando beijos furtivos enquanto Ashton faz diversos cliques.

– Nós temos que fazer memórias de momentos como esse, baby. – Ashton diz, baixando a câmera – Eles são raros.

– Tudo bem, você tem razão. Eu reclamo agora, mas daqui a uma semana vou estar em casa revendo essas fotos sem parar, esvaziando um pote de Haagen-Daz com nutella no frio da solidão enquanto escuto a fita cassete que você me deu. – digo como uma piada, mas Ashton não ri, apenas fica calado e subitamente reflexivo.

Ele baixa a cabeça, o maxilar rígido enquanto mexe na câmera. Quase posso ouvi-lo dizer que nada disso aconteceria se eu viesse morar na Califórnia de vez, mas sou grata por Ashton não rebater meu comentário insensível.

Eu preciso mesmo aprender a morder a língua algumas vezes.

Entrelaço meus dedos aos dele, puxando-o pela mão.

– Vem, vamos encontrar essa cachoeira!

 

ASHTON

– Ai meu Deus,  isso é lindo... Tão lindo... – Sophia repete sem parar, os olhos cintilando de entusiasmo, as mãos cobrindo a boca enquanto ela olha ao redor.

– Eu não disse que ia encontrar? – murmuro, orgulhoso.

A garota me lança um olhar cheio de vida e gratidão e então volta a contemplar a cachoeira, maravilhada. Chega a ser engraçado como, mesmo diante de todo esse cenário paradisíaco, nada captura tanto a minha atenção quanto ela. O fascínio de Sophia com o mundo é o que realmente me encanta aqui.

Pego a câmera, tirando duas fotos dela e então a chamo. A garota se vira com o mesmo sorriso e brilho no olhar de meio minuto atrás, mas dessa vez eu consigo capturar o momento. Sophia ri, curvando os ombros e cobrindo o rosto antes de se endireitar e jogar o cabelo pra trás, fazendo pose e sorrindo para a lente feito uma criança no Natal. Tiro mais uma foto.

– Essa é a melhor viagem de todas! – ela diz, estendendo os braços e correndo pra mim.

Largo a câmera no ombro e a seguro pela cintura, lhe dando um beijo breve. Estou orgulhoso por conseguir provar pra mim e pra Sophie que nós podemos sim ter momentos íntimos e reservados como qualquer outro casal.

– Que tal um mergulho?

Eu pensei que era impossível a expressão dela ficar ainda mais radiante, mas ai está.

– A gente pode?!

– A gente pode tudo.

– AAAAAAH! – ela me abraça e então se afasta, unindo as mãos e dando pulinhos.

Me aproximo da borda, observando a altura até as águas cristalinas abaixo de nós. Era coisa de dois metros, dois metros e meio no máximo, não tinham pedras no caminho então não deveria ser um problema pular dali. Abraço Sophia pela cintura, lhe dando um beijo no pescoço, mas ela continua olhando pra água, um pouco apreensiva dessa vez.

– Você sabe nadar, não sabe? – é a primeira coisa que passa pela minha cabeça.

– Sei! Claro que sei.

Ergo uma sobrancelha.

– Sabe de verdade ou sabe do mesmo jeito que tu sabia andar de bicicleta?

– EI! – ela protesta batendo no meu ombro e eu rio – Eu sei me locomover na água sim, ta bem?

– Tá bem.

Me afasto, tirando a câmera dos ombros, a bandana e a camisa. Sophia continua parada no mesmo lugar.

– Então, a nadadora olímpica do Brasil vai mergulhar ou vai ficar ai só olhando?

Ela me olha com uma expressão perigosa, as sobrancelhas unidas e uma faísca no olhar que sempre me pega de jeito. Só abro ainda mais o sorriso, amando o quão sexy Sophia fica quando está irritada. Ela fecha a cara e marcha na minha direção, tirando a blusa e o short com uma expressão determinada.

Agradeço mentalmente pelo dia claro, porque, caramba, a pele dela fica ainda mais linda ao sol. Tiro a bermuda e observo Sophia colocando as roupas no canto, vestindo nada além de sua calcinha do Batman e um sutiã branco. Ela tira o elástico do cabelo, balançando suas madeixas escuras ao vento.

– Pronta?

– Nasci pronta.

Pego a mão dela e caminhamos juntos até a borda.

– Se nós morrermos hoje, saiba que eu te amo. – ela diz rápido e eu dou gargalhada.

– Isso é um código pra me avisar que você não sabe nadar?

– Calado!

Dou um beijo nela, não resistindo àquela carinha irritada de filhote de pug.

– No três? – Sophia pergunta e eu faço que sim – Um...

– Dois.

– Três! – nós gritamos juntos, correndo até o fim da pedra lisa e saltando.

A queda livre dura meros segundos, mas traz um fluxo de adrenalina no sangue que é muito bem vindo, acompanhado do velho frio na espinha. Caio na água de forma barulhenta e quando dou por mim, Sophie já soltou minha mão.

Volto à superfície sacudindo o cabelo e jogando-o pra trás. Me mantenho no lugar, esperando que Sophia apareça. Dois, quatro, cinco, dez segundos... Porra.

Mergulho novamente e vejo a garota mais ao fundo, nadando para a superfície. Agarro a mão dela, puxando-a pra cima.

– Você tá bem?! – pergunto sem me dar ao trabalho de disfarçar o pânico na minha voz.

– Isso é fundo pra caramba! – ela dispara, se debatendo alvoroçada, jogando água pra todos os lados.

Jesus fucking Christ, você realmente não sabe nadar.

Sophia tenta discutir, mas eu já seguro a mão dela, puxando-a para perto e colocando-a nas minhas costas, os braços em volta do meu pescoço enquanto eu nado para a borda da cachoeira.

– Dá pra acreditar no quão fundo isso é? – ela esbraveja, soando realmente indignada – Como é que alguém consegue tomar banho?

– Nadando! Você deveria ter me dito que não sabia, eu jamais teria te deixado pular. – dou carão, me sentindo péssimo por arriscar a vida de Sophia desse jeito.

– EU SEI NADAR!

– Então o que foi aquilo?!

– Eu só tentei afundar o máximo possível pra descobrir a profundidade da lagoa. Eu achava que meus pés iam encontrar o chão em algum momento, só que não aconteceu, dai eu tive que voltar feito uma desesperada.

Eu não compro essa.

– Você quase me matou do coração!

Eu quase morri do coração.

Alcanço uma formação rochosa que faz com que a água fique na altura do meu peito e solto Sophia ali. Ela tira o cabelo do rosto e olha em volta com uma curiosidade e ar de superioridade que não combinam com alguém que estava praticamente se afogando até agora há pouco.

– Você é completamente maluca, sabia disso?

Sophia faz que sim, sem se dar ao trabalho de me olhar, seus olhos ainda deslumbrados com a cachoeira imensa que desabava ao nosso lado. Eu nunca vou entender como ela consegue me deixar indignado e maravilhado ao mesmo tempo.

– Vamos lá, eu te ensino.

– O quê? – ela finalmente desperta do transe, olhando pra mim.

– A nadar, ora. – dou de ombros – Eu não vou criar meus fihos em um mundo onde a mãe deles não sabe andar de bicicleta e nem nadar.

– Hey! – ela reclama atirando água na minha direção.

Dou risada, puxando-a pela mão, nossos corpos ficando rentes um ao outro.

– Imagine no rostinho decepcionado dos nossos filhos com a mãe deles ficando de fora de todas as aventuras em família. – provoco mais um pouco, me satisfazendo horrores com a cara emburrada de Sophia enquanto ela dá o seu melhor para não sorrir.

– Eu te odeio tanto tanto tanto...

No meio da frase ela já está sorrindo e eu cubro seus lábios com os meus, deixando minha mão se espalmar na base das suas costas, gostando do contato com a pele exposta.

Eu não consigo lembrar a última vez que me senti relaxado desse jeito. É uma sensação tão libertadora que só se expande, expande e parece não ter fim. E vem da certeza de que, pelo menos esse aspecto da minha vida está resolvido. Eu não tenho dúvidas, eu posso mesmo ver Sophia como a mãe dos meus filhos, nós dois juntos daqui há dez, vinte anos em nossa própria casa com lareira. É estranho chegar em um ponto onde eu não estou com medo do que Sophia vai fazer a seguir. Mesmo com ela não confirmando se vem ou não para a Califórnia, por um instante isso nem importa. Eu sei que ela está tão comprometida quanto eu e isso me deixa otimista quanto ao nosso futuro. Caramba, nós estamos tão apaixonados, tão entrelaçados de um jeito que, não importa o que aconteça, tenho certeza que vamos fazer funcionar.

Passo a próxima hora ensinando noções básicas de natação para uma muito relutante Sophia. Começamos com a parte de flutuar, coisa que ela tira de letra, ainda assim faço questão de acompanha-la, minhas mãos pairando logo abaixo do corpo dela enquanto eu a observo de olhos fechados, banhada pelo sol, o cabelo se movendo feito um manto negro de forma hipnótica embaixo da água.

Em seguida ela faz questão de me mostrar como sabe se mover na água e ela realmente consegue nadar... De um jeito arbitrário e nada prático, mas é, ela meio que sabe nadar.

Pacientemente vou lhe mostrando as técnicas para se movimentar de forma mais eficiente e menos cansativa, o jeito certo de mover o braço, a direção em que ela deve erguer o rosto enquanto se move, a forma certa de respirar. Sophia é bem teimosa e questionadora, mas no fim das contas é uma excelente aluna quando resolve escutar o que eu digo.

– E agora? – ela pergunta com uma expressão aberta e divertida, se mantendo na superfície com muita determinação e graça – Só continuo fazendo isso pra sempre?

– Isso, só continua movendo as pernas e ocasionalmente as mãos pra manter o equilíbrio.

– Caramba, eu to mesmo parada no lugar, nessa água com mil metros de pronfundidade! – ela ri, orgulhosa de si.

Eu estou orgulhoso também.

– É isso ai baby, você conseguiu.

Passamos um minuto em silêncio, sorrindo um para o outro feito dois idiotas até que Sophia franze o cenho.

– Então eu só fico aqui parada lutando pela minha vida? Pff!

Dizendo isso, Sophia dispara nadando com toda a sua recém aprendida técnica para a parte rasa da lagoa. Eu rio, seguindo-a.

– Ei, espera!

– Isso não tem a menor graça! – ela dispara irredutível, caminhando até a margem da água – Sabe o que tem graça?

Sophia se abaixa e quando ergue o braço, traz a calcinha do Batman entre os dedos. Meus olhos praticamente saltam da caixa e ela faz o mesmo com seu sutiã, colocando ambas as peças em uma pedra.

– Nadar pelado!

Sorrio, gostando da ideia enquanto a morena nada de volta na minha direção. A abraço, imediatamente colando nossos lábios, desfrutando da sensação do peito dela contra o meu.

– Vai lá – Sophia se afasta, me empurrando pelos ombros, um sorriso infantil iluminando seu rosto – É legal como tudo fica flutuando.

Rio alto e lhe dou mais um selinho antes de me aproximar da margem, tirar minha cueca e atirá-la na pedra do lado de fora da água, apressado para voltar para os braços da minha garota.

Sophia está boiando, sorrindo para o sol e, eu devo admitir, é realmente libertador cair na água com tudo livre.

– Nós deveríamos ter feito isso desde o começo!

– Concordo! – ela grita, ainda de olhos fechados, erguendo uma mão.

Olho ao redor, me sentindo cheio de energia e saio nadando, dando duas voltas em todo o perímetro de águas cristalinas. Vou em direção à queda dágua e dou risada ao sentir a pressão da água desabando sobre os meus ombros.

– Hey, não vai se afogar! – Sophia grita de longe – Eu não saberia como fazer um resgate!

– É divertido! Parece uma massagem! Você deveria experimentar.

– Eu não quero morrer, obrigada!

Eu rio, gesticulando com a mão.

– Vamos lá, você é uma nadadora qualificada agora!

Sophia revira os olhos, mas acaba vindo na minha direção. Ela demora para chegar, alternando entre braçadas e pausas para flutuar.

– Isso é ao menos bom? – ela pergunta hesitante, mas a curiosidade e a antecipação mantém seus olhos acesos.

Pego a mão dela, puxando-a para debaixo da cachoeira comigo. A primeira reação da garota é se encolher e dar risada, os olhos bem fechados enquanto eu sorrio em resposta, incapaz de desviar meu foco dela. O som do riso dela intercalado com o barulho da queda d’água é algo mágico e eu automaticamente sei que esse é um daqueles momentos que eu jamais vou esquecer, como a nossa primeira vez ou a noite em que nos conhecemos.

– Tá bom, ta bom, já deu. – ela se afasta rindo e então muda a expressão, como se tivesse acabado de ter uma ideia. – Será que dá pra sentir o impacto se a gente nadar por baixo? Vamos nadar por baixo!

– Calminha ai...

E é tarde demais, ela já mergulhou, cruzando a cascata de água. Alguns segundos depois ela volta, completamente sem fôlego.

– Meu Deus, isso é bem cansativo. – Sophia confessa ofegante e eu a seguro pela mão, observando que seus dedos estão enrugados.

– Hora de sair da água.

Ela faz careta.

– Só mais um mergulho! – a morena pede feito criança e então se vira, flutuando calmamente na direção da margem. Seu corpo bronzeado se destacando nas águas verdes – E eu só estou concordando porque to morrendo de fome! Esse lugar é o paraíso e eu quero morar aqui!

A observação me faz perceber que também estou faminto e eu dou algumas braçadas preguiçosas, acompanhando-a.

Saímos da água e o ar gelado do lado de fora não perdoa nossa falta de roupas.

– Caramba, que frio. – Sophia bate os dentes me abraçando.

Dou um meio sorriso e beijo sua testa, esfregando minha mão em suas costas. Meus olhos vagam pelas rochas que levam até o topo da cachoeira e então para a região não tão distante onde deixamos nossas roupas.

– Vai ser uma subida e tanto até voltarmos pra casa.

– Oh, céus. Dai-me forças! – ela suspira dramaticamente me fazendo rir.

 

 

– Eu to pronto quando você estiver. – aviso, batendo na porta do banheiro.

Sophia empurra a mesma com o pé, me dando passagem e eu posso vê-la se maquiando em frente ao espelho.

– To quase terminando!

– Uau.

– O quê? – ela ri, se virando pra mim.

– Nada – balanço a cabeça – Só constantemente impressionado com o quão linda minha namorada é.

O sorriso dela fica ainda maior e eu não vou mentir, Sophia é linda de todo jeito, mas seus olhos realmente ficam mais hipnotizantes quando ela os pinta dessa forma.

A garota vem na minha direção e me dá um selinho.

– Eu te amo, agora deixa eu terminar de me arrumar.

– Você quem manda madame.

Volto para o quarto e sento na cama, examinando o panfleto que pegamos no restaurante na hora do almoço. Após nossa pequena aventura na cachoeira, eu e Sophie enfrentamos uma caminhada e tanto de volta pra casa e só conseguimos almoçar lá para as três da tarde em um lugar bem charmoso no centro da cidade. Examino a arte colorida, os artistas sorridentes logo abaixo do nome da banda e dou de ombros colocando o papel de volta no bolso. Sophia ficou encantada com o design do panfleto então decidimos aproveitar a noite para prestigiar o grupo desconhecido.

Ela está bem animada pra sair, mas por mim o dia já estava ganho quando voltamos do almoço, fizemos um sexo bem lento e gostoso com todas as cortinas abertas e dormimos pelo resto da tarde.

Eu não sei o que deu em mim, mas desde que acordei agora à noite estou bem inquieto. Talvez seja o panfleto sorridente no meu bolso lembrando que eu mesmo tenho uma banda da qual estou completamente ausente há mais de quarenta horas.

É, isso definitivamente me deixa inquieto.

Pego o celular, desbloqueio a tela e dou uma conferida na porta do banheiro antes de sair do modo avião e ativar os dados móveis. É meio que uma ação automática derivada da ansiedade e eu olho inalterado para a tela, certo de que não vou conseguir sinal.

Mas eis que ela vem, a enxurrada de notificações que chega a travar o celular por um momento e eu me movo pra ponta mais distante da cama, olhando em volta tão desconfiado que até parece que eu estou prestes a ver um pornô.

Pulo todos os números vermelhos que indicavam uma quantia exorbitante de mensagens e vou direto para o chat da banda. Nada. Bom, pelo menos nada relevante, apenas uma mensagem de Luke de ontem à noite perguntando onde está a comida sem nenhuma resposta.

Suspiro frustrado. Eles não precisaram de mim em nenhum momento desses dois dias? Não estão sentindo minha falta? Que falta de consideração é essa?!

Vou para as mensagens privadas.

Luke US: hey, você sabe onde o Feldy guarda aquelas barras de ceral?

Reviro os olhos, mandando ele se fuder mentalmente. Eu não tenho tempo pra isso.

Calum não me mandou nada. Que ingrato insensível. Oh, mas tem uma notificação do Michael. Michael, por favor não me decepcione.

Mike US: Nós acabamos de escrever a melhor música da história da 5SOS. Só pra você saber.

Eu: Maneiro!! Me manda a demo!

Mike US: você não deveria estar ocupado pescando ou algo assim?

Eu: me manda essa demo de uma vez.

Olho novamente para a porta do banheiro, temendo que Sophia apareça do nada então decido ir para a sala por medida de segurança. Dez segundos depois recebo um áudio e aperto o play às pressas, colocando o celular no ouvido.

O que eu escuto a seguir não soa como o futuro hit da 5 Seconds of Summer. É uma música com uma letra complexa e depressiva pra caralho.

Mike US: e aí? Nós escrevemos com o cara do Evanescence.

Mike US: ainda precisamos da bateria e de muita produção pela frente, mas eu to bem feliz com essa música, tem que ser um single.

Como eu digo “nem em um milhão de anos” sem soar rude?

Eu: Tudo bem, a gente discute isso quando eu voltar.

Mike US: amanhã temos sessão com os caras do Monsters and Strangerz, essa merda só melhora!

Eu: Como é??? O Feldy conseguiu uma sessão com eles?

Mike US: é. Amanhã e amanhã somente.

Puta que pariu, há meses a gente vem tentando escrever algo com esses caras, mas a agenda nunca bate. Eles já ganharam Grammys, ASCAP e mais uma caralhada de coisas. É uma oportunidade e tanto pra nossa banda.

Não acredito que eu não vou estar presente. Ainda mais com o Michael escrevendo músicas perturbadoramente depressivas como essa que eu acabei de ouvir. 5SOS não é sobre isso. Nosso som é feito pra fazer com que as pessoas se sintam bem, pra deixa-las felizes e não a beira de uma crise de choro.

Alguém precisa impedir o Clifford de desperdiçar essa oportunidade fazendo uma balada emo que inevitavelmente vai cair no esquecimento. E só existe uma pessoa capaz de fazer isso, ou seja... Eu tenho que ir pra essa sessão.


Notas Finais


Gente peço perdão se esse capítulo pareceu um pouco quebrado/ feito de recortes. Ele realmente foi e eu cheguei a considerar simplesmente riscar todo o resto dessa viagem Sashton do mapa porque simplesmente não estava rolando. Mas enfim minha irmã me convenceu que os bons momentos do casal precisavam ser registrados e se eu continuasse andando em círculos eu nunca postaria um novo capítulo, então estamos aqui.
Espero que apesar dos pesares vocês gostem, prometo que o próximo vai ter um ritmo bem melhor!

Beijos de luz e até mais!!

RESPONDO OS COMENTÁRIOS AMANHÃ!!
~

Música: https://www.youtube.com/watch?v=2Vv-BfVoq4g


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