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História Unprecedented - Capítulo 26


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Notas do Autor


Rellou gente linda da minha vida!
Como vai vossas senhorias nesse dia?

Como estão lidando com esse negócio todo de quarentena e Corona Vírus? :B
Preciso dizer que estou um pouco chocada com a proporção que essa situação adquiriu e tô bem surpresa. Mas, é isso. Vamos obedecer às ordens e tomar todas as precauções.

Enquanto isso, bora ler umas fanfics pra poder passar esse tempo e aqueles que têm uma fé, oremos, rezemos, sei lá. Peçamos aos céus!

É isso, queridos. Usemos álcool em gel!
Buona lettura, amoras ♡

Capítulo 26 - Espanto com Gentileza


“Quando eu chegar aí, te conto como foi”

Um sorriso leve saiu dos lábios de Melody ao encarar a mensagem de Madeleine em seu celular.

E bloqueou a tela dele com um suspiro, guardando-o dentro do bolso de seu jeans, voltando a atenção para o corredor principal da escola. 

Ajeitou a alça de sua bolsa no ombro e balançou timidamente a cabeça, ainda sorrindo, ao tentar imaginar o que Madeleine teria para contá-la sobre a noite anterior. Estava tentando manter sua curiosidade no fundo de seu estômago, mas era quase impossível não especular à sua própria mente, criando várias teorias sobre o que a amiga e Lysandre teriam arranjado naquele recital.

O som amortecido pelo solado de seu tênis acompanhava a serenidade com que ela caminhava, que nada mais era que um reflexo do que sentia dentro de si.

Desde que Mad havia contado a ela sobre seus sentimentos pelo vitoriano, no sábado, Melody começou a acompanhar com expectativa o desenrolar dos acontecimentos. Mesmo que a amiga a havia confidenciado que não nutria muitas expectativas, muito menos manifestar qualquer interesse, Melody ainda parecia ansiosa, como se sentisse que alguma coisa poderia acontecer nesse recital. Na verdade, eram só seus sentimentos clichês. Quem havia dito que só porque ambos iam sair juntos, automaticamente alguma coisa deveria acontecer?

Eles eram amigos, apesar de tudo. E talvez Lysandre quisesse dividir esse momento com Madeleine, já que ambos compartilhavam o interesse por música e pianos.

Mas seu coração teimava em dizer que não.

Acabou rindo mais uma vez quando parou em frente ao seu armário e soltou o ar com delicadeza, achando graça de si mesma. Tirou as chaves do bolso e o abriu, encontrando seus livros todos organizados e empilhados um sobre o outro, junto à seus cadernos, que faziam outra pilha ao lado e o estojo, que ficava à frente delas. 

Pegou-o primeiro, tirando a capa de sua bolsa para deixá-lo ali dentro e vasculhou com os olhos o material, à procura dos que precisaria nas próximas aulas.

Começou a puxar os livros, quando foi interceptada por um papel, que voou com o movimento, caindo no chão. Sua atenção se perdeu nele, fazendo-a buscá-lo e encontrar a propaganda da Stars from Nightmare estampada nele. Isso foi o suficiente para que os questionamentos de todo um final de semana voltassem feito um tufão dentro do coração dela.

Melody deu um suspiro rápido, fechando o armário e o trancando, para fugir de si mesma. Fechou os olhos por alguns segundos, como se tivesse se deparado com algo horrendo e monstruoso dentro dele e os abriu em seguida, erguendo o folheto novamente, encarando-o.

Se fosse em outras circunstâncias, provavelmente, ela teria jogado aquele papel fora e fingido que Castiel nunca a tinha entregado. Daria a desculpa de que precisava estudar para as provas e jogaria o assunto no poço do esquecimento. Porém… Ela não conseguia. Desde aquela tarde de sexta-feira em que ele havia lhe dado essa sugestão, Melody se viu extremamente tentada a ceder a ela. Pela primeira vez em sua vida, precisou dar razão à Castiel: ela realmente precisava relaxar.

Seu cérebro havia se dividido entre estudos para o Baccalauréat, os ensaios para a peça, Madeleine e as provas escolares. Mas, havia se esquecido de alguém muito importante nisso tudo: ela mesma.

Guardou os livros em sua bolsa e voltou a andar pelo corredor, em direção à sala, ainda encarando a propaganda.

Além disso, havia outra questão. Que ela não havia cogitado antes, mas uma coisa ficou martelando dentro dela o final de semana inteiro: Castiel

Em circunstâncias naturais de sua vida, nunca, em hipótese alguma, manteria qualquer tipo de contato que fosse com ele. Sempre o vira como um garoto problemático, uma personalidade arrogante e uma péssima amizade. Mas a vida parecia ter feito suas reviravoltas e ali estava ela, convivendo com ele quase todos os dias, se sentando na mesma mesa que ele se sentava nos intervalos, interpretando com ele, sendo salva por ele…

Isso era… tão… estranho.

E, ao mesmo tempo, instigante.

Melody ainda não entendia porquê. Mas a cada momento, ela parecia conhecer um novo Castiel. A conversa que tiveram naquela tarde, antes dele lhe propor o show, a surpreendera. Nunca imaginou que poderia se aproximar tanto assim do badboy e ainda mais ver o quanto ele parecia gostar daquela proximidade.

Queria, de alguma forma, conhecê-lo melhor. Como se ainda não tivesse conseguido desvendar quem ele era. Faltava alguma coisa. No pouco tempo em que partilhavam das próprias existências, Melody havia encontrado uma pessoa que ela não imaginava existir em Castiel. 

E era isso que fazia sua curiosidade tremer.

Na maioria das vezes, jogava a desculpa em Madeleine e a maneira tão carinhosa com que falava de Castiel. Ou mesmo porque agora ele havia se tornado parte das pessoas de seu convívio. Não sabia dizer. Mas estava ali. A vontade de conhecer esse garoto que, até então, havia conhecido a partir de seus julgamentos. E dos de Nathaniel.

Ela pendurou sua bolsa no encosto da cadeira e deixou os livros sobre a mesa, junto com o folheto, encarando a janela ao lado dela. Se sentou e abriu um de seus cadernos, retirando os exercícios extras que havia conseguido com os professores e retirou o estojo da bolsa, começando a lê-los. Mas seu cérebro não queria cooperar.

— Ah, não… — Xingou em um tom irritadiço, se debruçando sobre as folhas e encostando a testa sobre os braços. — Saco.

Ela suspirou, afundando ainda mais o rosto entre os braços e fechou os olhos, deixando que as lembranças daquele ensaio viessem imediatamente à sua mente.

Ela parecia gritar por esse desconhecido. Desejava muito experimentar uma coisa nova. De algo que pudesse tirá-la da letargia de sempre, dos seus sentimentos medrosos e aprisionadores, que a enfiava ainda mais em um cárcere emocional cansativo e extenso e a impedia de explorar tudo aquilo que ela era. Ela precisava de alguém que a tirasse da bolha que havia se enfiado durante anos, esperando que Nathaniel pudesse achar aquele mundo que tinha montado, maravilhoso.

A verdade era que ela precisava de alguém…

Como Castiel.

— Já imaginava.

Seu coração acelerou quando a sua voz entrou pelos ouvidos, junto com essa conclusão. E saiu de cima de seus braços em um susto, levantando a cabeça rápido, como se ele a tivesse surpreendido em uma conversa e encontrou a figura de Castiel entrando na sala com uma das alças de sua mochila no ombro e a outra largada.

— I-Imaginava o quê? — Melody pareceu recuperar sua compostura, suavizando suas ações, antes tensas, e expirou, se arrumando na carteira.

Ela o acompanhou com os olhos caminhar em sua direção, exibindo seu sorriso torto e felino, e entrar no último corredor, onde estava, deixando sua mochila na carteira atrás da sua.

— Que você estivesse aqui. — Ela o viu vasculhar os bolsos da mochila e tirar algumas coisas dali de dentro, parecendo indiferente à sua presença.

Melody franziu o cenho com aquela declaração.

— Estava me procurando? — Ela nem ao menos tentou esconder a surpresa, deixou que o tom de sua voz denunciasse seus sentimentos.

Castiel deu uma risada expansiva, fechando o zíper do bolso dianteiro e se virou na direção dela, fazendo o contato visual entre eles. Os olhos de ambos se encontraram rapidamente e Melody fugiu deles na mesmo instante, impactada pelo olhar nebuloso e forte sobre ela.

— Vai sonhando, madame. — Ele disse em seu ar egocêntrico, porém, o sorriso engraçado que ele mantinha em seus lábios não deixava com que Melody acreditasse que ele a estivesse repreendendo.

Ela acabou sorrindo com a frase, principalmente pelo sorriso que estava no rosto dele e que, de certa forma, parecia contagiá-la.

— O professorzinho pediu pra te dizer que o ensaio vai ser as três. —  A antiga representante viu quando ele se escorou na carteira atrás da sua, cruzando os braços na frente do corpo e a fazendo se virar na cadeira para poder vê-lo.

— Por quê? — Ela focou toda a sua atenção em Castiel.

Que acompanhou com os olhos quando os cabelos longos e castanhos de Melody escorregaram pela mesa e caíram pelos ombros e o colo, parecendo desenhar a cintura dela com seus movimentos. E os olhos azuis que o encaravam com tanta curiosidade e simplicidade, ou mesmo os lábios dela que ele nunca entenderia como eram tão rosados àquela hora da manhã. E nem porque sempre tinha vontade de saber que gosto eles tinham.

O bad boy se forçou a se manter neutro diante de seus olhares indiscretos e deu de ombros, parecendo indiferente.

— Como vou saber? — Respondeu em sua maneira grosseira, mesmo que continuasse a olhá-la. — Esse cara é louco. — Disse a esmo, encarando a janela ao seu lado.

— Entendi. — Melody sorriu e olhou para os seus exercícios, de uma maneira pensativa.

E se pôs a mexer neles, desenterrando dali de dentro o folheto que o próprio badboy havia lhe dado, relembrando tudo que havia pensado mais cedo. Isso… era incrivelmente estranho, não era? Uma loucura, certo? Mas… agora ela parecia entender: era disso que ela precisava. Algo que a levasse a transgredir. Não as regras. Está bem. Talvez elas também, mas principalmente, algo que a fizesse transgredir a si mesma. E tudo que tinha construído todos esses anos.

— Recado dado. — Ouviu quando ele disse, voltando a olhar ele abrir novamente aquele sorriso escrachado. — Eu vou fumar. — E se desencostou da mesa, começando a caminhar pelo corredor.

Mas, ela. Ela precisava, perfeitamente, disso.

— Castiel? — Nem mesmo seu cérebro acreditou quando ouviu sua própria voz sair dela com tanta propriedade.

Ele se virou no mesmo instante, fazendo ela o ver por inteiro, agora que parecia ter reunido toda a coragem para erguer o rosto. E a fitar com um olhar diferente. Não como os que ele geralmente fazia, duros e frios, mas exalavam algo de caloroso e interessado. Seu coração palpitou mais forte quando viu que ele havia atendido ao seu chamado e se pegou tremendo quando reparou o que estava prestes a fazer.

Era loucura. Muita.

— Que foi? — Ele devolveu com uma pergunta firme, porém, ela sentia a suavidade naquele tom de voz.

Mas ela estava disposta a fazê-la.

— Você… iria ao show da Stars comigo? — Não parou nem mesmo para respirar e a frase saiu em um segundo, levando ela a suspirar aliviada ao sentir que o peso delas havia lhe deixado.

Os olhos dela, apesar de trêmulos e intimidados, não cessaram de olhar para Castiel. Ele sentiu, de novo, o impacto dos azuis sobre eles. Sentiu a decisão que eles expressavam e gritavam em cima dele com convicção e força. E gargalhou, levando Melody a entrar em um choque imediato, sem saber como reagir a isso.

— Você está me chamando pra um encontro, é isso? — Ele rebateu no instante em que conseguiu parar de rir.

Ela sentiu seu rosto esquentar no mesmo instante, ficando tão vermelha, que nem se ela mesma quisesse, conseguiria disfarçar.

— N-Não é i-isso, e-eu s-só, e-eu — A pergunta deixou Melody atônita, abrindo e fechando a boca, sem saber ao certo o que responder. — E-Eu q-quis dizer..

— Eu vou. — Seu nervosismo foi interrompido por Castiel, fazendo cessar todo o esforço que ela estava fazendo para desfazer o mal entendido.

— Hã? — Foi a única coisa que soube expressar depois disso, encarando-o com um rosto confuso.

— Eu disse que eu vou com você. — Ele respondeu com naturalidade. Sua voz, sem resquícios de ironia ou sarcasmo.

A garota o olhou surpresa. Ao ouvir a resposta de Castiel, seu coração pareceu levar um choque. Foi estranho, feito uma nota que soa destoante da melodia, como se não fizesse parte daquela música. Ao mesmo tempo em que soava forte, audível e estranhamente aconchegante.

— Ah… — Ela não soube o que dizer. A resposta do rapaz a havia deixado surpresa. — O-Obrigada… — Melody continuava olhando para Castiel de uma forma avoada, como se ainda não acreditasse que isso estava acontecendo.

O bad boy deu uma gargalhada soprada, em um tom incrédulo e puxou um sorriso de canto de boca felino ao voltar a encará-la.

— Tudo certo, madame.

— Eu nunca ia imaginar… — Comentou em um tom suspenso, voltando a olhar o exercício, para depois olhar novamente para Castiel. — Que você iria...

— Tem muitas coisas que você não sabe sobre mim, Melody. — Ele respondeu de maneira misteriosa, sorrindo de uma forma peculiar e instigante, fazendo com que ela sentisse o impacto de suas palavras.

— Melody?

Castiel foi o primeiro a se virar, sendo acompanhado pelos olhos da garota, que focaram Nathaniel a uma distância considerável deles, vindo em suas direções.

Desde o momento em entrou na sala, o representante não havia conseguido parar de olhar para a dupla peculiar no fundo da sala. Primeiro, não acreditou no que seus próprios olhos lhe diziam, depois se convenceu se tratar de alguma implicância de Castiel para com Melody, porém, ao vê-lo sorrir com tanta liberdade, acabou por se ver intrigado.

Era normal que ele achasse essas aproximações esquisitas?

Nunca, em toda sua vida, se recordara de qualquer resquício de amizade ou educação entre Castiel e Melody, por que agora deveria ser diferente? Isso que o incomodava. Não somente isso. Mas a forma como o bad boy parecia se comportar perto dela, também.

— Bom dia, Nathaniel. — Melody o cumprimentou quando estava próximo o suficiente deles.

Viu-o tirar os olhos, que até então estavam fincados em Castiel, para vê-la e depois voltou a olhá-lo novamente, retornando mais uma vez para ela, como se a indagasse sobre a natureza daquela parceria.

O ruivo abriu um meio sorriso soprado ao perceber as ações de Nathaniel e abaixou a cabeça, deixando que seus fios medianos tampassem o rosto debochado que trazia.  

— Bom dia, Melody e… Castiel. — Fez esse adicional, parando ao lado de Castiel.

— Bom, tô saindo. — O garoto ameaçou sair de seu lugar, mas o representante o impediu através de suas palavras.

— É melhor você ficar.

O outro o encarou sério e isso somente contribuiu para que as expressões de Castiel se fechassem.

— O assunto também é de seu interesse.

Melody olhou para Nathaniel com as expressões surpresas e confusas.

— Então, desembucha logo. — O rapaz escorou na mesa de Melody, retornando com sua pose anterior, encarando Nathaniel com o cenho fechado, enquanto este encarava a maneira como ele estava próximo da antiga representante.

— Aconteceu alguma coisa? — A garota perguntou, um tanto aflita, arrastando o corpo para a beirada da cadeira.

— O professor Ferrier remarcou nosso ensaio para às 15h. — O loiro olhou os outros dois, com um olhar professoral.

— Então era isso. — Castiel bufou, já impaciente. — Não é novidade nenhuma. — Se levantou da cadeira, se colocando de pé, sendo seguido pelos olhares de Nathaniel e Melody.

— Como? — Nathaniel interveio na conversa, antes que a antiga representante pudesse dizer qualquer coisa.

Castiel alargou o sorriso canino que trazia nos lábios, enfiando as mãos no bolso.

— Eu já disse à madame aqui. — Ele indicou a outra com a cabeça e Nathaniel o acompanhou no mesmo instante, voltando a olhar o badboy, que ria. — Até mais pra vocês dois. — Se despediu, começando a andar na direção da saída da sala, deixando um Nathaniel intrigado para trás.

O ruivo abriu um sorriso descarado e divertido, enquanto caminhava pelo piso de madeira do lugar e tirou uma das mãos do bolso para abrir a porta, quando ela o foi automaticamente, revelando, primeiro, a figura de Madeleine, que sorriu ao vê-lo.

— Oie. — Ela cumprimentou, no mesmo momento em que ele viu Lysandre atrás dela e foi inevitável não abrir um sorriso cheio de todas as intenções.

— E aí, garota. — Viu quando Mad passou por ele e o amigo também veio.

— Bom dia, Castiel. — Ouviu o vitoriano lhe cumprimentar e apenas soltou um riso em forma de ar, olhando os dois à sua frente.

— Ótimo dia, pelo visto. — O garoto devolveu, com um sorriso cheio de significados e desapareceu da sala, fazendo Lysandre suspirar de uma maneira derrotada.

Madeleine sorriu engraçada, tampando os lábios com os dedos e abaixou a cabeça, enquanto Lysandre se dividia entre se encabular ou reprovar as ações do amigo. O albino voltou o rosto na direção dela, encontrando os olhos estreitados pelo riso escondido entre os dedos dela.

— Me desculpe por Castiel. — Disse em um tom ameno, levando Madeleine tirar os dedos dos lábios, ainda sorrindo, revelando o conjunto que Lysandre admirava: seus olhos verdes e os cabelos bicolores.

— Não se preocupe. — Madeleine sussurrou, tomando a dianteira na caminhada, enquanto ele a seguia. — Já o conhecemos suficiente, não é mesmo? — Completou divertida, levando o outro a lhe dar um sorriso em resposta à brincadeira.

Da mesma maneira que Castiel, Melody pareceu expectante ao vê-los juntos e acompanhou os dois caminhando até que estavam perto de sua mesa. Madeleine sorriu para ela, fazendo ela sorrir em retorno e passou pela a amiga e o representante, lhes dando somente um “tchau” como cumprimento, enquanto Lysandre lhes ofereceu um aceno de cabeça.

Ambos deixaram suas mochilas sobre as mesas ao lado da de Melody e saíram da sala, fazendo a antiga representante abrir um sorrisinho significativo, tentando não transparecer-lo para Nathaniel.

— Imaginei que tivesse dito a ele sobre suas intenções de ontem. — Madeleine comentou, quando ambos alcançaram o jardim. — Mas, pelo visto, não contou os desdobramentos ainda. — Ela abriu um sorriso engraçado, se sentando em um dos bancos do lugar.

— Não creio que eu deva fazê-lo. — Lysandre respondeu em meio tom, se sentando ao lado dela, vendo-a se virar de lado no banco, colocando uma das pernas sobre ele e o braço em seu encosto.

— Obrigada por me proteger dessa forma. — O rapaz ouviu quando Madeleine respondeu à sua fala, se virando para encará-la.

— Não quero e nem deveria expô-la em hipótese alguma. — Lysandre complementou, levando, automaticamente os dedos para acariciar seus cabelos, quando percebeu suas ações. — Perdoe-me. — Pediu, se contentando em deixar seu cotovelo também sobre o encosto.

— Por favor. — Ela respondeu com um sorriso, segurando a mão dele e a levando até seu rosto, fazendo os dedos dele entrelaçarem em seus cabelos. — Eu… gosto. — As bochechas dela se tornaram rosadas e ele sorriu, acariciando parte de sua orelha e seus cabelos, fazendo-a sorrir.

— Sabe… — Ela continuou sentindo os dedos do vitoriano sobre ela. — Eu… ouvi sua música ontem. — Confessou, levando o garoto a lhe encarar surpreso, tingindo as bochechas parcialmente com um rosado envergonhado. — E… quero que saiba que, se precisar conversar com Leigh ou, ah… não sei, se precisar dizer alguma coisa para sua família, hã… — Ele acompanhou os sentimentos atônitos de Madeleine com seus heterocrômos. — Não tenha receio.

Ela ergueu o olhar para ele e Lysandre pode ver suas íris parecerem trêmulas, assim como suas mãos, que ele tomou logo em seguida, acalentando-as entre as suas, gerando um suspiro surpreso de imediato, se tornando um relaxamento à medida em que ele massageava-as com os polegares. Abriu um sorriso carinhoso a ele, que beijou-as com singeleza, sorrindo após isso.

Madeleine também sorriu, sentindo o cuidado e o amor desse gesto.

— Agradeço sua liberdade. — Ele continuou segurando as mãos dela entre as suas e as olhou, enquanto deslizava seus dedos pelos dela. 

Madeleine abaixou a cabeça, encarando a si mesma. E soltou um suspiro forte.

Lysandre olhou aquela atitude, não se contendo diante da alegria de se sentir correspondido e acompanhou quando ela entrelaçou seus dedos, juntando as mãos.

— Já está quase no fim. — Então soltou os dedos dele e trouxe a mão dele para o rosto dela com a sua, sentindo-a, fazendo com que o vitoriano o acolhesse entre eles. — Esse pesadelo está prestes a acabar. — Disse em um suspiro, olhando para ele com um sorriso mínimo nos lábios.

Lysandre continuou a lhe acariciar o rosto e escorregou o polegar por sua bochecha, fazendo-a sorrir envergonhada.

— Está certa de que prefere ir a essa consulta sozinha? — Ele perguntou.

— Estou sim.

Ela continuou a deslizar os dedos dela sobre os do vitoriano, se permitindo sentir aqueles movimentos sobre ela, por mais que às vezes se recriminasse por se sentir tão bem com Lysandre. Sabia que não poderia dar a ele falsas esperanças, nem instigá-lo a ficar com ela por essas pequenas chantagens sensoriais, porém, seus sentimentos não conseguiam mais se conter. Ter descoberto os carinhos do vitoriano, deixaram-na desejosa deles cada vez mais.

Ele, em contrapartida, não parecia contrariado em lhe oferecê-los e nem receber dela os mínimos mimos, logo, não teriam porque haver explicações entre eles.

— Quarta é seu dia de descanso, — Mad voltou a olhar para Lysandre, acolhendo a mão dele com a sua. — Não precisa se preocupar. — Trouxe ela até seus lábios beijando-a. — Melody e minha tia já se ofereceram para me acompanhar, mas, eu realmente prefiro ir sozinha…

Lysandre sentiu sua mão ser solta e viu quando ela encarou as próprias pernas, respirando fundo e soltando o ar devagar.  

— Se sentir-se incomodada, por favor, não hesite em me ligar. — O vitoriano fora imediato, fazendo com que ela erguesse os olhos em sua direção e abrisse um sorriso.

— Não irei. — Ela enfiou descansou as mãos sobre a panturrilha. — Obrigada por todo apoio que você está me dando. — Sentiu quando Lysandre acariciou seu rosto mais uma vez, deixando seu rosto após isso. — Eu não esperava que você fosse… abraçar a causa assim. — Abriu um sorriso fraco, porém, alegre.

— Perdoe-me, — Ele a imitou e colocou suas mãos dentro de seu sobretudo. — Mas não poderia deixá-la sozinha em uma situação feito esta.

— Você é incrível. — Ele a escutou dizer.

E o abraçou, deixando com que ele sentisse a confiança que seu corpo demonstrava.

 


Notas Finais


E aí, meninas, o que acharam? ;)
Eu sei, foi um capítulo mais cotidiano mesmo, só para colocar as coisas no lugar antes de entrarmos em mais um arco HUHUHUHUHU
Segura as pontas, que logo logo teremos mais emoções HOHOHOH

AH! ANTES QUE EU ME ESQUEÇA! Obrigada gente, por cada pessoa que acompanha essa fic * - * Estava acompanhado os gráficos dela e vi que tem 27 (!), isso mesmo, 27! Pessoas que favoritaram essa fic para acompanhá-la. Estou tão feliz com isso! Vocês não sabem como! * - *

Bem, eu queria ver uma forma de a gente comemorar... ainda não sei como, maaaas, vamos pensar que, quem sabe a gente acha um jeito. No mais, obrigada pelos favoritos, comentários, colegagem, debates, discussões. Obrigada por vocês! ♥

Grande beijo e até mês que vem!


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