História (Un)Predictable - Capítulo 14


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Categorias Histórias Originais
Visualizações 4
Palavras 1.451
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Misticismo, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Capítulo 13


Daniel

Saio atrás da Morgana e vejo que ela já está quase virando a esquina. Corro para alcançá-la e vejo ela se sentando no banco da praça. Ela esconde o rosto nas mãos e apoia o cotovelo nos joelhos.

— Morgana. — Falo de forma calma, sentando-me ao lado dela.

— Não, eu não acho que eu estou certa, ok? — Ela diz e me olha. — Mas o mundo tá congelando, eu estou exausta e com medo de fechar os olhos e ver algum de vocês morrer.

— Você sabe que isso não te torna ruim. — Digo.

— Eu sei que não, também sei que não é errado e eu não sou uma aberração. Eu tive vinte anos para entender isso. — Ela fala e as lágrimas se tornam mais grossas. — A questão é que nos meus sonhos pessoas morrem. E elas morrem de uma forma tão realista que dói em mim como se fosse verdade. Quando eu olho para você, eu lembro do carro explodindo contigo dentro, ou do caminhão destruindo o carro enquanto você me olhava, eu já te perdi duas vezes e nem sei porque vejo isso, é só… Só tô cansada disso e não sei como fazer parar.

Não sei o que dizer então apenas viro em sua direção e a envolvo em meus braços, acariciando seus cabelos de forma leve. Eu queria poder parar os pesadelos, queria que ela não visse essas coisas, mas uma parte de mim está feliz. Uma parte egoísta e mesquinha está muito feliz que ela veja, porque isso me permite estar aqui, abraçando ela, neste momento.

— Vai ficar tudo bem, nós vamos resolver. — Falo. — Vamos encontrar o homem da sua visão e ele vai fazer parar.

— E se eu não conseguir proteger vocês? — Ela pergunta. — E se eu prever algo que eu não consiga evitar? O Richard… E se eu deixar outra pessoa morrer?

— Você não vai, você está se saindo muito bem até agora e vai continuar assim. — Puxo-a mais para perto, movendo meu quadril de forma que encosta no dela. — Mas agora precisamos voltar para o trailer porque aqui está muito frio.

Caminhamos de volta para o trailer e quando chegamos as luzes estão apagadas e a pouca claridade só me permite distinguir a silhueta da Moon sentada no banco dos fundos.

— Vai dormir? — Pergunto. — Cadê o Andrew?

— O Andrew foi embora para um hotel. — diz Hope deitado. — Como vocês estão?

— Um pouco melhor. — Morgana responde e olha para nós dois. — Se quiserem eu durmo no chão, não vou ter um sono tranquilo de qualquer forma.

— Dorme lá em cima. — diz Hope. — E o Daniel aqui. — aponta para o chão. — Não sei, vocês decidem.

— Lá cabem dois… Ah, deixa pra lá. — Morgana fala enquanto sobe a escadinha. — Tirem no par ou impar quem vai dormir aqui em cima ou no chão.

— Eu fico lá em cima. — Falo e Hope me olha por um tempo e então dá de ombros e vai até o armário.

— Daniel, traz a minha mochila, eu quero meu cobertor. — Morgana diz e eu vejo a mochila sobre os bancos.

Subo e entrego para ela que se deita no canto direito. Penso em sugerir que ela mude de posição, porque se deitarmos em frente a escada dá para ela me abraçar durante a noite, mas diante da situação não acho que seja uma hora boa para dizer isso.

— Quer uma coberta? — Nathan pergunta.

— Aceito. — Digo e ele atira um cobertor.

Ajeito-o sobre mim e deito virado para Morgana. Eu queria de alguma forma poder protegê-la, mas ela nem deixa que eu me aproxime de verdade.

Morgana

Estou dentro de um banheiro, ele é pequeno, sujo e fedido. Por uma brecha da porta se abrindo, eu consigo ver um homem se levantar no meio da lanchonete e apontar uma arma para a moça do balcão. Olho em direção a uma mesa em que Andrew, Moon, Daniel e Nathan estão sentados, eles não parecem ter visto o homem ainda. Tenho a impressão que ele diz algo e então alguém se joga contra ele fazendo a arma disparar. Um grito com a voz da Moon chama a minha atenção então volto a olhar para eles e vejo Andrew com a cabeça na mesa enquanto uma começa a se formar até que o sangue pinga pela beirada…

Acordo sentindo o coração acelerado e um nó na garganta. Olho para Daniel e ele parece tranquilo, ainda estamos no trailer e nunca passamos por aquela lanchonete. Suspiro e saio debaixo da coberta, preciso tomar um ar e descobrir como evitar que isso aconteça. Visto o casaco mais grosso antes de sair e caminho até a praça que encontrei ontem à noite. A imagem do Andrew morto me faz querer vomitar, nunca tinha visto tanto sangue na vida.

Moonly

Não sei que horas eram, mas eu ainda não havia conseguido dormir... Pensava tanto no Richard. Mas mais do que tudo eu pensava no quanto a ida dele me afetou a ponto de me fazer quase brigar com alguém que mal conheço e também magoar seu irmão, fora que eu deveria estar cuidando da saúde mental do meu irmão e não carregando ele por uma aventura louca em busca de... Em busca do quê? Eu já nem sei mais. Após tanto tempo tentando dormir e não obter nenhum resultado eu acho que estou criando uma obsessão pelo Richard...

A porta do trailer se abre e eu noto alguém sair. Era a Morgana? Me levanto e a sigo, vendo que o sol já nascia, o que quer dizer que já era manhã e eu não havia dormido nada.

— Pesadelos? — pergunto cobrindo minhas mãos com as luvas que tinha dentro do meu casaco.

— Sim. — Ela responde me olhando sem expressão.

— Escuta. — peço sem olhá-la e observo uma árvore coberta de neve que havia na praça. — Perdão te chamar de bruxa e querer te bater. Eu tenho meus motivos mas confesso que passei dos limites.

— Falo e bufo vendo que nada vinha da boca da Morgana. Sendo assim, ficamos em silêncio por certo tempo, até que o frio “fala” mais alto e me faz dizer algo antes de entrar. — Eu só queria o Richard de volta. Só isso. E eu pensava, ou penso, que... Através de você eu consiga isso. — engulo seco lembrando da imagem dele. — Eu acho que essa viagem vai... Matar um de nós, e não vai trazer ele. — fecho os olhos. — Mas eu só queria estar com ele... — falo baixo e abaixo o rosto.

— Eu entendo que é uma perda muito grande, mas mesmo se ele voltar não vai ser o que você conhecia. — Ela fala pela primeira vez. — Mas já é a segunda vez que eu sonho com a morte de um de nós, se isso se manter vamos precisar dessa viagem para descobrir porque isso está acontecendo.

— Você não acha que não tem nenhuma forma dele... Voltar? Ou de ao menos me despedir?... — pergunto receosa.

— Não sei, se espíritos são reais, eu nunca enxerguei. — Gane diz e me olha. — Mas não acha que seria injusto demais prendê-lo em um mundo ao qual ele não pertence mais? O Richard podia ser um grande idiota, mas ele entendia que às vezes as pessoas precisam ir.

— Acha que sou obcecada por ele? — pergunto sentindo certa dor em tocar nesse assunto. — Digo, ele não devia ter ido... — fungo e engulo a lágrima. — Ele não podia ter ido tão cedo sabe? Tão... Mesmo agora. — enxugo meus olhos que ardiam.

— Se era a hora dele ou não, eu não sei. — Diz. — A questão é que ele se foi, e acreditar que ele vai voltar só vai atrasar a cura da ferida. Pelo menos o Andrew está sofrendo com isso, eu conheço ele, sei que na cabeça dele parece egoísta deixar que o irmão dele vá enquanto você move montanhas para tentar trazê-lo de volta. A questão é que não sabemos se o Richard está sofrendo, mas temos certeza que o Andrew está.  — Ela me encara antes de continuar.  —O que você acha que devia fazer agora?

— O Andrew te disse algo? — pergunto passando a mão sobre a bochecha.

— Ele não precisa, Andrew não sabe esconder nada, precisa ser muito cego pra não ver. — Ela diz. — Ele sempre foi assim.

— É... — sorrio lembrando do Andrew e seu jeito único de ser.

Me viro e caminho em direção a porta, entro e olho para trás vendo se Morgana vinha, deixo a porta aberta e ela passa. Entramos e em seguida fechamos a porta do trailer, mas assim que me sento a porta se abre: era o Andrew. Ele havia ouvido a conversa? Estava com vergonha de falar com ele após a discussão de ontem.

— Vamos acordar que já nasceu o sol. — ele começa a mover o Daniel.



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