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História Unrequited Love - Capítulo 2


Escrita por: e Viscouncin


Capítulo 2 - O Desconhecido


— Por que está chorando garoto? — pergunto cutucando o garoto.

— Nada de mais — suspirou pesadamente — Pode me deixar aqui — falou o outro com uma voz de choro e com os olhos inchados.

“Ata que foi nada de mais”, pensou consigo mesmo.

— Você está chorando, é óbvio que aconteceu alguma coisa. Alguém te bateu? — perguntei preocupado.

— Não — falou com a voz mais chorosa ainda e logo em seguida voltado a chorar.

— Olha, é sério, caso alguém tenha feito algo a você, eu preciso dizer ao diretor. O que aconteceu?

— Nada de mais, ok? — Ele tirou a cabeça dentre os joelhos e me encarou com os olhos encharcados. — Eu não quero falar, pode respeitar isso e fingir que eu não existo como todos fazem?

— Eu estou tentando ajudar, eu não vou ignorar uma pessoa chorando sozinha. Então por que não se abre pelo menos um pouquinho? — insisti mais um pouco.

— Por que?

— Por que, o que? — pergunto confuso.

— Por que insiste nisso?

— Nisso o que?

— Você é lerdo, hein!? — Ele me encarou com a cabeça levemente inclinada, o que me fez rir.

— Pelo menos você não está mais chorando — sorri vitorioso.

Ele sorri levemente o que deixou meu coração menos aflito pelo pobre coitado.

— Mas agora é sério, por que está falando com um desconhecido?

— Eu quero te ajudar, você parece que está com sérios problemas ao chorar logo no primeiro dia de aula, além de que eu nunca o vi aqui.

— Sim, sou novo, infelizmente.

— Por que infelizmente?

— Eu me mudei ontem, não queria sair de Daegu. Não queria perder meu único amigo, me mudar, se eu sofrer bullying não terei ninguém para me amparar… — disse tristonho novamente.

— Você também é de Daegu? — pergunto com um sorriso no rosto.

— Não exatamente. Eu nasci aqui em Seul, mas por conta do trabalho do meu pai nós nos mudamos e agora por conta do trabalho da minha mãe me mudei de novo.

— Ah…

Houve um breve silêncio, pelo menos o garoto não chorava mais.

— Quer sair daqui? — quebro o silêncio.

— Mas logo tem aula — responde com uma cara óbvia

— Mas a gente já perdeu a primeira aula mesmo.

Levanto, desamasso minhas roupas e puxo o loiro.

— Para onde vamos? 

— Vamos andar.

Saímos da escola com a desculpa de que o garoto estava passando mal, ele até que atuou bem, mas a diretora insistiu em ligar para sua mãe, mas após receber uma queixa de briga em uma sala, nos dispensou.

— Sabe, até agora não sei o seu nome. — O garoto disse interessado.

— Kim Kibum, mas pode me chamar de Key.

Ele me olhou confuso, tentando entender o apelido.

— É um apelido carinhoso da minha mãe.

— E por que?

— Sinceramente, não sei. Ela é meio louca e desde que me conheço por gente tenho esse apelido. E qual é o seu nome?

— O meu o que?

— Quem é o lerdo agora? — ri de sua cara de indignado — Seu nome.

— Lee Taemin, mas pode chamar apenas de Taemin.

— E nenhum apelido carinhoso?

— Minha mãe normalmente me chama de Tae, quando está estressada de Lee ou Lee Taemin — falou tentando imitar a voz da mesma.

Conforme íamos andando percebi que Taemin observava muito a cidade, talvez por quase nunca visitá-la ou até mesmo por reconhecer alguns locais quando criança, já que vira e mexe ele falava isso.

— Você mora aqui perto?

— Até que sim. Na verdade, viemos exatamente na direção da minha casa.

— Então vamos para lá.

— Você não tem medo? Eu posso ser um psicopata, sabia?

— Você não tem cara de psicopata — falo examinando o rosto do outro, logo após começo a rir — Na verdade você parece bem inofensivo, mas estou indo na sua casa porque eu gostei de você e queria ser seu amigo, entendeu ou quer que eu desenhe?

— Entendi, mas se quiser desenhar, pode desenhar. Adoro desenhos — sorriu com olhos pedintes para mim.

— Que bom que você está rindo. Sorria mais vezes, seu sorriso é lindo — ri ao vê-lo corando — Não precisa ficar com vergonha, eu causo esse efeito nas pessoas — falo com convicção.

Aproveitamos a companhia um do outro até chegarmos na casa do loiro após uns cinco minutos; ela não era uma mansão, mas levando em consideração que era só ele e a mãe, havia espaço de sobra. Quando entramos pude notar vários caixotes espalhados e um canto em especial com vários deles vazios, realmente notava-se que a mudança era recente. Sentei no sofá e o observei ir à geladeira servir-se de um copo d’água e logo depois guardando a jarra.

— Ai meu deus — falou como se estivesse fazendo algo errado — Que falta de educação a minha, você quer água?

— Não obrigado, não se preocupe. Eu gostaria de descansar, na verdade. Mal começou as aulas e eu já estou exausto.

— Vamos ao meu quarto, só não repare na bagunça. 

Ao chegar no quarto era impossível não notar a bagunça, acredito que tenham deixado para última hora a arrumação dos quartos.

— Você quer alguma roupa? Para não ter que amassar a sua — justificou-se.

— Aceito, afinal como eu iria adivinhar que um menino iria me sequestrar para sua casa? — digo brincando até o ver fazer uma expressão assustada.

— Eu não te sequestrei, você veio por livre e espontânea vontade — diz em um tom alto e irritado.

— Ok, ok, agora me passa as roupas. Aliás sua cara de irritado é muito bonita — pisco o provocando.

— Já que você diz — deu de ombros.

Ele foi em direção ao armário e começou a mexer desajeitadamente, mais do que tudo já estava, nas pilhas de roupas e vez ou outra me encarava. Logo após ele retirou uma blusa preta e uma calça rasgada. Fiquei admirado com o bom gosto. 

— Essa está boa? — pergunta apontando a roupa para mim.

— Está ótima. Tem algum banheiro?

— Ter tem, mas está imundo além de bagunçado, pode se trocar aqui, eu viro para o outro lado.

Enquanto me trocava, com Taemin envergonhado olhando para o outro canto, não pude deixar de notar uma estante com vários livros, quase como uma de biblioteca além dos livros que estavam empilhados no chão ao lado.

— Você gosta de ler, hein!? Nossa, tem muitos livros aqui, assaltou uma biblioteca, foi?

— Não, Key. Apenas gosto muito de ler, nunca que eu roubaria — diz como se fosse óbvio enquanto ria de sua expressão séria. Ele levava tudo ao pé da letra. — Aliás quer comer alguma coisa?

— Pode ser.

Após me trocar, Taemin estava de cabeça abaixada e pude escutar alguns soluços de choro. Meu coração se despedaçou ao encontrá-lo desta forma. Me aproximei o suficiente para abraçá-lo e deixá-lo desabar, algo o afligia demasiadamente e até agora eu não sabia o que era. Então, só me restava o ajudar de outras formas.



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