História Unresolved - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Visualizações 2
Palavras 614
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


> gente, eu posto essa história no wattpad também, então se virem ela por lá fiquem tranquilos que não é plágio kkkk
Espero que gostem <3

Capítulo 1 - Vitor


 VITOR (20/02/2019)

A chuva provavelmente tornava tudo mais dramático do que era. No entanto, mesmo não sendo um clichê de Shakespeare e Helena não estar morrendo envenenada nos meus braços, a cena dela entrando no táxi com as bochechas enxurradas de lágrimas ainda doía. Antes de ir, eu pude analisar seus ombros encolhidos e a cabeça baixa na minha presença. Era óbvio até para o mais devagar telespectador: eu havia me transformado em alguém temível para Helena. Ela agora me associava a pior coisa de sua vida, e eu mal tinha argumentos que me defendessem.

Conformei-me com os pingos grotescos de chuva me encharcando e triplicando o peso de minhas roupas. Por prolongados minutos, não quis sair dali. Esperava e orava para que aquele táxi voltasse, que Helena saísse dele e me desse mais uma chance, a última chance. Então, por minutos ou horas, não sei classificar com precisão, eu permaneci entorpecido naquela calçada de paralelepípedos desvirtuados. Por muito tempo, não fui capaz de escutar as buzinas dos carros ou discernir as pessoas que rebatiam meu ombro sem querer. Não sentia minha camiseta grudando na pele, muito menos a ventania congelante que assolava aquela tarde de São Paulo. A inconstante e repentina mudança climática de trinta para vinte graus Celsius não me atingia. Por muito tempo, eu estive em outro mundo. Pensei que, se ficasse imóvel o suficiente, se não proclamasse mais nada, se não reagisse de nenhuma forma, os acontecimentos iriam se anular sozinhos. Mas depois de horas ou minutos parado e futuramente gripado, Helena ainda havia partido. Eu ainda tinha estragado tudo. Ela nunca me perdoaria. Ela nunca cogitaria a ideia masoquista de voltar para mim. Helena sempre foi rápida para equações de raciocínio, e cada dor que eu tinha lhe causado a fez chegar à conclusão de que eu seria a sua destruição se ela ficasse por mais um segundo sequer.

E talvez a pior parte fosse isso. Eu jamais poderia discordar dela.

Voltei para meu apartamento. Despedacei-me vagarosamente das roupas molhadas que pingaram meu caminho da sala até o banheiro e coloquei-as numa sacola. Pensei que, assim que esse dilúvio acabar e a varanda secar, eu terei de pendurá-las no varal e então colocá-las na máquina de lavar. Dessa maneira, enchi minha mente de tarefas domésticas e as lições ainda não entregues na faculdade, apenas para não retornar para aquela calçada, o corpo largado e impotente vendo Helena entrar no táxi. Mas depois de me banhar, enxugar a trajetória úmida das minhas vestimentas, cozinhar uma janta improvisada e lavar a louça que o macarrão havia rendido, no exato momento em que me sentei no sofá e busquei o controle remoto da televisão, eu desabei. Desmoronei completamente. Por Deus, quem eu estava querendo enganar? Não era apenas uma amiga antiga entrando naquele táxi, era Helena. A minha Helena. A minha melhor amiga desde que entendo o real significado dessa nomenclatura. Eu ansiava por perguntar se ela já estava em casa e como tinha sido a viagem naquele maldito táxi. Assim como todos os dias desde que fui embora, a vontade de telefonar e indagar sobre seu bem-estar me corroía até eu buscar incessantemente meu celular, discar seu número e, antes mesmo de fazer a ligação, desistir. Desisto porque não há mais como conversarmos desde que fui embora. Desisto porque, após uma semana, um mês, um ano separados, não há mais como fazer essa ligação. Desisto porque ela esperou por esse telefonema, e agora que estou disposto a dá-lo, ela não atenderia mais. Desisto porque demorei demais. Desisto porque a covardia de um ano atrás ainda reside em mim. Desisto por vergonha, porque há um ano eu desisti dela. Eu desisti deles.

 

 



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