1. Spirit Fanfics >
  2. Until Reverte - Vondy >
  3. A briga

História Until Reverte - Vondy - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - A briga


SEIS ANOS(VINTE ANOS ATRÁS)

— Dulce? Onde está você?
Eu coloquei minhas mãos sobre os ouvidos, fechei os olhos e tentei
conter os soluços, mas não consegui. Eles atravessaram meu corpo porque
minha cabeça doía tanto. Esfregar não fez a dor ir embora e só piorou o
pulsar. Abri os olhos quando um braço deslizou sob meus joelhos, em
seguida, outro em minhas costas. Eu gritei quando eu fui subitamente
erguida no ar, e instintivamente travei meus braços ao redor do pescoço da pessoa que me levantou. Olhei para o rosto dessa pessoa e quando brilhantes olhos castanhos reluziram de volta para mim, eu chorei.
— Christopher!
Christopher Uckermann era meu melhor amigo no mundo inteiro. Se alguém pudesse me fazer sentir melhor quando eu estava com tanta dor, era Christopher.
Ele sempre afastava minhas lágrimas e colocava um sorriso no meu rosto.
Eu enterrei meu rosto na curva do seu pescoço e chorei como se meu
mundo estivesse acabando. Christopher andou até uma mesa na minha sala de aula.
Ele me sentou no seu colo, e abraçou meu corpo com o dele. Ele me
balançou de um lado para o outro até que eu estava calma o suficiente para
me sentar sem chorar e espalhar ranho por tudo.
Olhei para Christopher quando ele me entregou um lenço do bolso. Depois
de limpar o nariz e o rosto das lágrimas e ranho, eu assoei meu nariz e funguei antes de amassar o tecido usado.
— O que aconteceu com você? — Christopher me perguntou, com
preocupação em suas palavras.
Eu continuei a fungar, mas permaneci em silêncio e imóvel. Eu não
queria dizer a ele porque eu ficaria em apuros, e ele provavelmente gritaria comigo. Eu não queria que gritassem comigo.
— Dulce María? — Christopher pressionou quando eu afastei meu olhar do dele.
– O. Que. Aconteceu?
Senti meu lábio inferior tremer, e ele suspirou.
— Eu não estou bravo com você, — ele suavemente me assegurou, – mas você precisa me dizer o que aconteceu. Anna O'Leary me disse que você fugiu do pátio para cá e que algo aconteceu. Diga-me. Por favor.
— Eu... eu estava pulando corda com Anna O’Leary e Angelique Boyer
quando Jordan Hummings pegou nossa corda e saiu correndo. — eu abaixei
minha cabeça até o queixo tocar meu peito.
— Eu corri atrás dele e tentei
recuperá-la, mas Jordan caiu e disse que era minha culpa, então ele deu um soco na minha cabeça e realmente dói.
Christopher me segurou com força.
— Jordan Hummings? — ele rosnou.
— O garoto da minha sala?
Eu lentamente assenti.
É por isso que eu estava tão assustada; Jordan era um garoto grande como Christopher.
— Ele bateu em você? — Christopher perguntou, sua voz era um grunhido.
Comecei a chorar novamente quando a ira de Christopher se tornou evidente.
Ele rapidamente perdeu o olhar furioso em seu rosto e colocou os braços em volta de mim. Ele me calou, disse coisas doces para mim e que ele faria tudo melhorar.
Eu acreditei nele.
— Vem comigo, — ele disse, e se levantou, firmando meus pés no
chão.
— Meu recreio acaba em poucos minutos, então eu tenho que fazer
isso rápido.
Christopher estava na sala dos meninos crescidos, e eu não gostava disso. Ele tinha que estar na sala de meninos crescidos porque ele tinha nove anos e tinha que aprender coisas de meninos crescidos... como matemática.
Quando eu começar as aulas do segundo ano no ano que vem, Christopher e eu teremos o mesmo horário de recreio e poderemos brincar juntos o tempo todo. Ele me disse isso.
— Para onde estamos indo? — perguntei a Christopher quando ele enfiou os dedos nos meus.
Ele grunhiu em resposta quando me levou para fora da minha sala de
aula e pelo longo corredor até a porta de saída que levava ao playground.
— Eu vou consertar o que aconteceu com você — ele disse quando
empurrou a porta e passou por ela.
Segurei sua mão com força, e nós passamos por um monte de crianças
que estavam brincando de correr, amarelinha e pular corda. Paramos
próximos às meninas que brincavam no lugar que eu estava pulando corda
momentos antes.
— Ei, meninas, alguma de vocês viu Jordan Hummings? —
perguntou Christopher.
Eu não sabia quem elas eram, mas eram mais velhas do que eu. Elas
podiam estar na sala de Christopher porque ambas sorriram largamente quando ele falou com elas. Apertei os olhos para elas e me acheguei mais em Christopher.
Eu não gostava da forma que elas olhavam para ele. Elas pareciam um pouco felizes demais por vê-lo.
— Ei, Christopher. — a menina com o cabelo vermelho brilhante e pele
levemente sardenta sorriu. — Eu vi. Ele foi atrás das casas pré-fabricadas
com seus amigos. Eu não sei por quê.
Christopher sorriu para a loira.
— Obrigado, Anahí.
O sorriso de Anahí ia até suas orelhas. Era grande assim.
— Não há de quê — respondeu ela, enfiando um pedaço de seu
cabelo sedoso atrás da orelha, um sorriso tímido nos lábios.
Eu não gostava de Anahí; eu não gostava nada dela.
Eu puxei a mão de Christopher quando ele não se mexeu. Ele estava ali de pé, olhando para esta menina Anahí com um olhar estranho, pateta no rosto,
e isso me deixou louca.
— Christopher! — eu gritei.
Ele pulou um pouco e em seguida olhou para mim e piscou como se
ele tivesse esquecido que eu estava lá.
— Ela é tão fofinha – ela é sua irmã?
Christopher olhou para mim e de volta para Anahí quando ela falou.
— Dulce? Ela é, na verdade, minha melhor amiga. Eu sou próximo de
seus irmãos e familiares. Ela é praticamente minha irmã.
O olhar de admiração de Anahí para Christopher realmente me irritou.
— Uau. Isso é muito fofo, Chris. — disse Anahí, e levantou a mão
direita para seu cabelo castanho louro brilhante, torcendo os dedos no final do mesmo.
Eu queria cortar o cabelo de sua cabeça. Ela o tocava de forma
demasiada.
— É-é? — Christopher gaguejou, então teve que limpar a garganta porque
ele fez um barulho engraçado.
Anahí assentiu.
— Sim. Eu acho muito fofo você cuidar dela.
Ele agiu diferente então. Ele encolheu os ombros como se o que
Anahí disse não fosse grande coisa e depois desembaraçou sua mão da
minha para colocá-la em meu ombro. — Bem, você sabe. Alguém tem que
cuidar dela. Ela tem seis anos, mas ela é muito pequena para a idade. Ela é
apenas uma criança.
Eu fiz uma careta para Christopher e decidi que não gostava do quão
diferente ele era perto desta menina Anahí e sua amiga com o cabelo louro
que não fez nada exceto ficar parada e olhar para ele desde o momento que
ele perguntou onde Jordan estava.
Jordan.
Com o lembrete do porque Christopher estava conversando com essas meninas, eu puxei sua mão para chamar sua atenção, e quando ele olhou para mim, eu disse :
— Jordan.
Christopher piscou, então balançou a cabeça e apertou sua mandíbula.
Ele olhou para Anahí.
— Você disse que Jordan foi para trás das casas pré-fabricadas, certo?
Anahí balançou a cabeça para cima e para baixo.
— Sim.
Christopher piscou.
— Obrigado, linda.
Ele se virou para mim e então disse: — Fique aqui com Anahí. Eu volto já.
Com isso dito, ele passou por mim e foi na direção das casas pré-fabricadas.
Eu estava à beira das lágrimas, porque ele tinha feito algo
errado. Ele chamou Anahí de bonita, mas isso tinha de ser errado, porque ele disse que eu era a única menina bonita do mundo. Apenas eu. Ele sempre me disse isso.
— Você ouviu isso? — Anahí guinchou para sua amiga e bateu palmas
como uma foca no zoológico.
— Ele me chamou de linda. Linda!
A amiga de Anahí saltou para cima e para baixo e gritou. Eu resisti ao
impulso de colocar meus dedos em meus ouvidos para bloquear o barulho horrível.
— Eu ouvi — a amiga de Christopher disse, e também bateu palmas como
uma foca.
— Eu com certeza ouvi. Meu Deus! Ele gosta mesmo de você!
Você viu como ele não conseguia parar de te olhar? Você tem tanta sorte,Any; ele é lindo!
Eu não queria ficar lá e ouvir Anahí e sua amiga falando sobre Christopher,
então eu corri atrás dele. Ouvi Anahí chamar por mim, mas eu não me virei
para responder a ela. Na verdade, eu mentalmente mostrei a língua para ela.
Tome isso, Anahí.
Avistei as costas de Christopher quando ele desapareceu na parte de trás das casas pré-fabricadas, então eu corri ainda mais rápido. Eu cheguei à parte de trás das casas pré-fabricadas ao mesmo tempo em que uma mão segurou meu ombro.
— Calma aí, Christopher disse que você tem que ficar comigo. — olhei por cima do ombro para Anahí, que me olhava com as sobrancelhas franzidas. Seu peito subia e descia rapidamente assim como o meu enquanto recuperávamos o fôlego.
Ela ergueu o olhar e olhei para frente. Sua boca formou um “O” antes
dela cobrir a boca com a mão e gritar. Eu pulei de susto e virei minha
cabeça para frente, mas como Anahí, eu também gritei quando vi o mesmo
que ela.
Christopher estava brigando com três garotos.
— Christopher! — eu chorei quando um dos meninos chutou no lado de sua barriga.
Tentei correr para frente e ajudá-lo, mas braços me prenderam por
trás.
— Pare! — a voz de Anahí sussurrou no meu ouvido. — Você vai se
machucar!
Eu não me importava; eu tinha que ajudar Christopher antes que ele se
machucasse.
— Deixe-o em paz! — eu gritei para os garotos. — Parem com isso,
por favor!
Os ruídos de socos e tapas encheram meus ouvidos, e quando eu
estava prestes a gritar de novo, um dos meninos em cima de Christopher de repente gritou de dor depois de receber um pontapé entre as pernas. Ele caiu de costas no chão com ambas as mãos entre as pernas. Ele não levantou e tentou acertar Christopher de novo; ele ficou no chão e começou a chorar de dor.
Alguns segundos depois, um segundo garoto saiu de cima de Christopher
segurando o nariz, e ele começou a chorar também, e como o menino ao
lado dele, ele ficou no chão com a mão em seu rosto quando sangue
começou a escorrer através dos dedos que ele tinha pressionado sobre o
nariz.
Eu não sei porque, mas eu segurei firmemente nos braços de Anahí
quando ela se abaixou e me pegou. Ela me segurou e tentou virar, assim eu
não podia ver o que estava acontecendo, mas eu virei minha cabeça o suficiente para ver que o último garoto a lutar com Christopher era Jordan Hummings.
O menino que roubou a minha corda de pular e deu um soco na
parte de trás da minha cabeça.
Christopher estava em cima de Jordan. Ambos tinham sangue sobre eles,mas Jordan tinha muito mais do que Christopher, e ele chorava. Christopher não.
Jordan ergueu as mãos e tentou afastar Christopher, mas Christopher afastou suas mãos e agarrou-o pelo colarinho de seu uniforme escolar e segurou-o no lugar.
— Se você — Christopher berrou em seu rosto, — tocar na minha família de
novo, eu vou te matar!
Engoli em seco. Christopher disse uma palavra ruim, uma palavra muito
ruim. Ele teria tantos problemas quando sua mamãe e papai descobrissem.
— Eu não toquei em ninguém! — Jordan gemeu, suas mãos tentaram
desesperadamente quebrar o domínio de Christopher sobre ele.
— Você tocou! — Christopher gritou, segurando o colarinho de Jordan com
a outra mão. — Você bateu em Dulce! Ela é apenas uma menina. Ela tem
seis anos, e você deu um soco na cabeça dela!
Anahí engasgou com o anúncio de Christopher e me segurou contra ela,
esfregando a mão para cima e para baixo nas minhas costas. Eu odiei por
aquilo me confortar e por ajudar a diminuir minhas lágrimas. Eu odiei estar em seus braços, e eu odiei por me fazer sentir melhor.
Eu não queria precisar de Anahí para me ajudar, porque Christopher falou que ela era linda.
— Anahí, o que está fazendo... ei! — quando a voz de um adulto
gritou atrás de nós, eu engoli em seco e pressionei meu rosto contra o
ombro de Anahí.
Eu estava congelada de medo quando um homem adulto passou
correndo por Anahí e eu e disparou para Christopher e Jordan. Primeiro ele puxou
Christianchavez para longe de Jordan e segurou-o para um lado, e, em seguida, ele se
abaixou e pôs Jordan de pé. Jordan chorava, assim como seus dois amigos
que ainda estavam no chão. Christopher era o único menino a não chorar. Ele apenas olhava firmemente para Jordan e tinha as mãos fechadas em punhos enquanto seu peito subia e descia rapidamente.
Agora que Christopher se levantou e me encarou, eu podia ver o seu rosto, e eu não gostei do que vi. Ele tinha um pequeno corte sobre a sobrancelha.
Um filete de sangue escorria da referida sobrancelha e parou no meio do caminho descendo por sua bochecha.
Ambos os seus olhos estavam
vermelhos, um pouco inchados, e seus lábios estavam manchados com
sangue. Eu via sangue em seus dentes também, porque ele tinha a boca
aberta enquanto respirava pesadamente. Agora que as coisas não estavam no auge, meus gemidos podiam ser
ouvidos. Christopher virou a cabeça em minha direção, e toda a sua atitude mudou.
— Está tudo bem, Dulce, — ele me assegurou, dando-me uma
piscadela.
— Eu estou bem, eu prometo.
— Mentiroso! — eu chorei.
— Você está sangrando! Olhe para todo o sangue. Você está morrendo!
O pensamento virou meu estômago.
— Que diabos aconteceu aqui? — o homem que estava segurando
Christopher e Jordan explodiu.
Engoli em seco. O homem disse uma palavra ruim também.
— Ele deu um soco em Dulce María, na parte de trás da cabeça! — Christopher afirmou, jogando sua acusação no rosto de Jordan.
O homem olhou para mim, em seguida, olhou para Christopher, Jordan e os dois rapazes ainda chorando no chão. Ele balançou a cabeça e caminhou para frente, puxando Christopher e Jordan com ele.
— Todos para a sala do diretor — ele ordenou. — Agora!
O medo que se instalou dentro de mim foi o suficiente para me fazer
querer desmaiar. Anahí me pôs no chão e pegou minha mão enquanto
caminhávamos à frente de Christopher, Jordan e o homem que parou a briga. Ele
mandou os outros dois rapazes levantarem e segui-lo ou ele voltaria para buscá-los.
— Sim, senhor — ambos responderam com a voz áspera.
Senhor.
O homem era um professor na escola, e ele estava nos levando para a
sala do diretor. Estávamos em tantos problemas.
Em seguida tudo se passou em um borrão. Eu tive que sentar na sala
de espera da sala do diretor com Christopher, Jordan e os dois outros meninos
enquanto nossos pais eram chamados. Anahí foi enviada para a aula porque
ela não teve envolvimento direto com o que tinha acontecido, com exceção
de testemunhar a briga. Ela disse ao professor o que aconteceu e foi
mandada embora.
Eu mantive minha cabeça baixa, mesmo quando o 'senhor' que parou
a briga me disse que eu não tinha nada com que me preocupar e que eu não estava metida em problemas. Isso me fez sentir melhor, mas eu ainda me sentia horrível por Christopher ficar em apuros por minha culpa.
A sala de espera da sala do diretor estava quieta e, em seguida,
barulhenta quando os nossos pais chegaram. Eu ouvia meu pai e o pai de Christopher discutindo com várias vozes masculinas adultas de algum lugar lá fora. E então ouvi as vozes de nossas mães tentando acalmar tudo; outras vozes femininas faziam a mesma coisa.
Eu corri para minha mãe quando ela entrou na sala de espera, e eu
chorei quando ela me levantou no ar e me segurou contra o peito. Senti uma mão nas minhas costas, em seguida, lábios roçando o lado da minha cabeça.
— Dulce? — a voz de meu pai murmurou.
Eu olhei para ele, minha visão turva de lágrimas.
— Você está bem? — ele perguntou, sua voz cheia de preocupação.
Eu balancei minha cabeça.
— Jordan deu um soco na minha cabeça, e isso realmente dói.
A mandíbula de meu pai apertou quando ele olhou por cima do
ombro.
— Lide com o seu filho antes que eu mesmo faça isso.
A discussão começou de novo, e o professor que tinha parado a briga
entrou na sala de espera e teve de intervir para acalmar todo mundo. A mãe de Jordan estava ajoelhada na frente dele e apontando o dedo para ele enquanto o repreendia. Seu pai ficou ao lado deles e olhou para baixo, para Jordan, com os braços cruzados no peito.
Engoli em seco quando vi os pais de Christopher. Seu pai estava ao lado
dele, verificando seu rosto; sua mãe estava preocupada também, embora
Christopher tentasse dizer a eles que estava bem. Ele não parecia muito bem; seus olhos vermelhos e um pouco inchados agora estavam castanhos enquanto hematomas se formavam neles. Havia um hematoma escuro em torno do corte em sua sobrancelha e no lábio machucado também.
Devia doer, mas ele sorriu e piscou para mim quando ele me pegou olhando.
Eu tinha que ir à sala do diretor com os meus pais e dizer a ele o que
aconteceu. Eu fiz exatamente isso, e quando terminei, eu tive que sentar na sala de espera com os meus pais enquanto Christopher, Jordan e os dois amigos de Jordan entravam na sala do diretor com seus pais. Esperamos por décadas, e às vezes as vozes eram altas, e às vezes choros. Eu sabia que nenhum veio de Christopher. Ele nunca chorou. Nunca. Nem mesmo quando sua avó morreu no ano passado. Eu estava jogando o jogo ‘I Spy’ com o meu pai quando Christopher e seus pais apareceram na sala de espera. Dei um pulo e corri para Christopher a toda
velocidade, fazendo com que ele e nossos pais rissem. Eu passei meus
braços ao redor da sua cintura e apertei minha cabeça contra seu estômago.
Ele colocou a mão no meu ombro e gentilmente esfregou minha cabeça
com a outra.
— Você está bem? — ele me perguntou.
Agora eu estou, eu disse silenciosamente para mim mesma.
Eu olhei para ele e balancei a cabeça.
— Eu te amo — eu disse, fazendo com que nossas mães suspirarem e
nossos pais rissem.
Christopher riu.
— Eu também te amo, Dul Baby.
Eu pressionei meu rosto em seu estômago enquanto eu sorria. Ele era
o melhor amigo de sempre.
— O que o diretor disse? — meu pai perguntou ao pai de Christopher
quando todos nós saímos da sala de espera e da escola.
Minha mãe sussurrou que fomos autorizados a ir para casa, e eu achei
isso muito legal, porque eu não queria voltar para minha sala.
— Ele entendeu que Christopher estava chateado e sentiu a necessidade de
defender Dulce, mas violência não era o jeito de resolver. Christopher foi suspenso
por dois dias, mas Jordan e seus amigos por uma semana.
Eu fiz uma careta.
— O que 'ispenso' significa? — eu perguntei,minha cabeça inclinada para o lado.
Christopher riu e passou o braço sobre meu ombro. Ele se inclinou e
sussurrou: — Isso significa que eu tenho que ficar na cama o dia todo
enquanto você tem que ir para a escola.
O quê?
Engoli em seco. — Não é justo! Quero ser 'ispensa' também!
A risada rica de Christopher encheu o corredor, mas ele parou quando uma
porta mais a frente se abriu e dela saiu Anahí com seu estúpido cabelo
vermelho bonito. O braço de Christopher ficou tenso em torno de mim, mas ele
sorriu quando o olhar de Anahí caiu sobre ele.
— Christopher! — Anahí chiou quando ela o viu, e ela correu pelo corredor
para alcançá-lo.
Ela realmente correu todo o caminho.
Dei um passo para o lado quando ela se chocou contra ele e lhe deu
um grande abraço. Eu olhei duro para ela e dei um passo para trás até
minhas costas pressionarem nas pernas do meu pai. Eu olhei para ele e notei que ele compartilhava um sorriso com o pai de Christopher e balançava a cabeça.
Nossas mães também estavam sorrindo e balançando a cabeça enquanto observavam Christopher e Anahí.
Eu não entendi, pensei. Por que eles estão felizes?
— Ei, Christopher, — Christopher murmurou em seu cabelo enquanto ele o cheirava.
Eu estava enojada. Ele cheirou seu cabelo. Eu o vi cheirar!
Anahí se afastou do abraço. — Estou tão feliz que você está bem, eu
estava preocupada com você.
— Você estava preocupada comigo? — perguntou Christopher, sua voz
incrédula.
— Claro — disse Anahí, acenando com a cabeça. — Você está suspenso?
Christopher encolheu os ombros, parecendo não se importar. — Dois dias.
Eu fiz uma careta. Ele agiu como se não fosse grande coisa.
A boca de Anahí formou um O. — Por defender sua irmã? Isso é tão
estúpido.
— Nem me fale — Christopher riu, coçando a nuca.
Anahí corou quando ela notou meus pais e os de Christopher os observando.
— Bem, eu vou vir todos os dias. Posso pegar anotações e marcar os
capítulos que você vai perder — disse ela, e corou tanto que sua cabeça
parecia um tomate.
— Eu posso levá-los para você todos os dias depois da
escola, para que você não se atrase.
O rosto de Christopher estava vermelho também, mas ele permaneceu em
silêncio. Eu queria chutá-lo e dizer não a Anahí por ele, mas eu não podia. Eu não podia fazer nada. Eu estava muito irritada, mas eu não tinha ideia do
porquê.
— Seria ótimo... Anahí, certo? — a mãe de Christopher disse pela demora dele em responder.
Anahí olhou para a mãe dele e acenou, sorrindo timidamente.
— Sim, meu nome é Anahí.
— Nome bonito. — a mãe de Christopher sorriu.
O rosto de  Anahí corou um pouco mais, e ela murmurou
— Obrigada.
Ela, então, limpou a garganta e olhou para suas mãos. Só então eu
notei que ela carregava uma folha de papel com um monte de palavras
diferentes nela.
— Eu tenho que tirar xerox para meu professor, então é melhor eu ir,
mas eu vou guardar uma para você, Christopher, e fazer anotações extras. Vou levá-los para você hoje depois da escola, certo? — Anahí perguntou, seus
olhos esperançosos.
— Sim, — Christopher respondeu instantaneamente e, em seguida, limpou a
garganta. — Quero dizer, sim, com certeza, seria legal. Tanto faz.
Meu pai e o de Christopher pigarrearam, o que deixou Kale tenso.
— Certo, ótimo. Eu sei onde você mora, então eu te vejo mais tarde.
— ela se inclinou e beijou o rosto de Christopher.
Ela o beijou!
Ela olhou para mim e então disse:
— Eu espero que você esteja bem,
Dulce.
Ela disse adeus a todos nós e, em seguida, seguiu seu caminho pelo
corredor. Christopher não se mexeu, então seu pai o empurrou para frente e riu.
– Calma, filho. Calma.
Christopher ainda estava com o rosto vermelho, mas de brincadeira
empurrou o pai de volta.
— Cale a boca — ele murmurou, um sorriso puxando seus lábios.
Eu encarei a troca, e minha mãe notou. Ela cutucou a mãe de Christopher, e ambas olharam para mim e sorriram. Elas eram estranhas assim, sempre
sorrindo para mim quando eu olhava para Christopher. Isso me assustava, mas eu nunca disse nada, porque eram mais velhas, e eu queria que fossem felizes.
— Christopher, — a mãe de Christopher murmurou, e virou a cabeça em minha
direção. Ele olhou para mim e piscou quando viu minha expressão.
— Por que você está com raiva? — Christopher perguntou, franzindo a testa.
Eu não sei por que eu estava com raiva, além de Anahí me incomodar,
mas eu não queria dizer isso a ele.
— Minha cabeça dói — eu respondi.
Eu não menti; doía, mas não tanto quanto meu peito.
Christopher se aproximou de mim e colocou o braço em volta do meu
ombro.
— Podemos assistir filmes com nossas mães e tomar sorvete quando formos para casa. Será que isso ajuda?

Eu esqueci tudo.

Minha cabeça dolorida.
Meu peito dolorido.
Anahí.
Christopher a chamou de bonita, ele sorriu para ela e agiu de modo diferente ao seu redor.
Concentrei-me em pensamentos de brincar com Christopher e assistir filmes o resto do dia. Inclinei-me para ele e sorri, fazendo todos rirem. Ele sabia
que minha resposta foi um silencioso e grande sim.
— Vamos lá então, vamos lá. — ele sorriu e tirou o braço do meu
ombro para estender a mão e segurar a minha com a sua.
— Nós temos
filmes para assistir, Dul Baby.
Eu segurei a mão de Christopher com força e sorri com prazer quando nós
deixamos nossa escola. Eu adorava passar o tempo com ele, e eu adorava
quando ele me chamava de Dul Baby. Eu amava tudo sobre Christopher, e eusabia que sempre seria assim.
Ele era meu melhor amigo, meu melhor irmão mais velho e meu
melhor protetor. Ele era meu melhor tudo. Ele era meu.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...