História Untouched Paradise - Capítulo 16


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Categorias Carrossel
Personagens Alícia Gusman, Carmen Carrilho, Daniel Zapata, Jorge Cavalieri, Marcelina Guerra, Margarida Garcia, Mário Ayala, Paulo Guerra
Tags Carmiel, Jorgerida, Marilina, Paulicia
Visualizações 401
Palavras 1.788
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 16 - Capítulo 15


“Carmen.” Alicia correu até a beira do mar, vendo a amiga saltar do barco e a abraçar. “Cadê o Daniel?”

“No navio. Ele ainda está dormindo, meu pai falou. Disse que deram um negócio, um remédio, por causa da dor, e isso faz ele dormir. Alicia, cortaram um pedaço da perna dele fora.” A mais nova chorava. “Como nós vamos viver agora?”

“Nós vamos ter que ir embora com eles, Carmen.” A morena baixou os olhos, triste. “Eles mataram a Esperança, cortaram a perna do Daniel, disseram que aqui é perigoso para o Junior e o bebê da Margarida.”

“A mamãe e o papai diziam que eles iam nos salvar, mas eles só destruíram coisas desde que chegaram. Que tipo de salvação é essa, Alicia?”

“A que nós vamos ter que aprender a viver, Carmen.”

Enquanto esse dialogo transcorria, as duas eram observadas por seus pais. Os demais amigos estavam na casa, pegando as coisas que levariam embora, e Alicia havia ficado esperando Carmen, que foi trazida pelo pai para que pudesse recolher o que fosse importante para ela e Daniel.

Os adultos observavam a dinâmica de trabalho do grupo, e se admiravam de ver a destreza de Mário e Marcelina com Junior, mas se horrorizavam com alguns aspectos no cuidado ao garotinho.

“Querida, você gostaria que eu segurasse o Junior enquanto vocês fazem isso?” Se ofereceu Hortência.

“Ah, não precisa dona Hortaliça, eu estou acostumada a me virar com ele. E se precisar, o Mário segura.”

“O nome dela é Hortência, filha.” Roberto corrigiu com doçura. “E é perigoso você ficar segurando o Junior assim, Marcelina... O corpo dele ainda é molinho, pode causar danos na coluna.”

“O que é isso? Coluna?” Perguntou Paulo, confuso.

“Nada, querido, nada. É só... Vai ser mais fácil para vocês, todos, se algum de nós segurarmos o Junior um pouco. Assim vocês conseguem trabalhar melhor.” Rosana sorriu, estendendo os braços. “Posso?”

“E se ele chorar? Como ele vai tomar leite?” Marcelina o segurou com mais força. Mesmo com os amigos e Mário, não era acostumada a ficar longe do filho quase nunca.

“Ele mamou agora há pouco, querida... Vai um tempo até ele ter fome de novo.”

“Vixe, mãe, o Junior tem fome o tempo todo. Ele fica o dia inteiro no peito da Marcelina, só para quando está dormindo.” Riu Jorge.

“Mas isso é errado.” Se horrorizou a mulher. “Ele deve ter horários, uma rotina. Você deve ensiná-lo o horário de comer, de dormir, de brincar...”

“Rosana, ela não sabe nem mesmo que ela o amamenta. Creio que eles não têm uma rotina nem deles, quem dirá criar uma para o bebê.” Hortência segurou o braço da amiga com suavidade.

“O que está acontecendo aqui?” Carmen e Alicia entraram com os pais, encontrando um silêncio tenso.

“Nada, meu bem, nada.” Germano sorriu amarelo. “Vamos, vamos recolhendo as coisas, sim? Logo o sol estará se pondo, e queremos enterrar a Esperança antes de irmos para o navio essa noite, certo?”

Embalaram os livros e coisas de Helena e Renê, além de algumas criações de Daniel, Paulo e Alicia. Guardaram algumas conchas e tralhas que tinham acumulado ao longo dos anos, e era isso o que tinham para levar.

“Falta nos dizerem aonde estão enterrados Renê e Helena.” Lembrou Alberto, quando colocaram tudo no helicóptero.

“Nós podemos levar vocês lá.” Concordou Jorge, encarando os amigos. “Mas... Não desenterrem eles, por favor.”

“Garoto, as coisas não são tão simples assim...”

“Eu sei, moço, mas... O papai e a mamãe amavam essa ilha, apesar de tudo. O papai dizia que esse lugar é de Deus, o paraíso de Deus. Ele nos disse que, enquanto cuidássemos desse lugar, Deus cuidaria de nós. Aqui eles estão com Deus, perto Dele, protegidos por Ele. Não tirem eles daqui, por favor.”

Um longo silêncio se seguiu a essa sentença de Jorge. Por um momento, e por um momento apenas, seus pais puderam vislumbrar uma outra vida, uma nova possibilidade. Mas sabiam que, se tivessem tido escolha, aquela não teria sido a vida de Renê e Helena. Porém, decidiram respeitar e acatar seu desejo e deixar seus corpos e almas descansando em paz naquele paraíso particular.

“Creio que, nesse caso, só falte sepultarmos a tigresa, certo?” Perguntou o comandante.

“Nós podemos ir ao lago uma última vez, antes?” Pediu Mário, recebendo um aceno afirmativo.

Os olhos desconhecidos se encheram de espanto e maravilha com o local. As árvores, as folhas, as planas, a cachoeira, a água pura e cristalina. Aquilo era um oásis que diversos resorts tentavam recriar, mas sem o principal: a beleza natural vinda do Criador.

“Esse lugar é maravilhoso.” Suspirou Rafaela, os olhos cheios de água.

“É sim, mãe... É lindo.” Alicia sorriu, já sentindo saudosismo, apesar de não saber o que era isso.

“Foi aqui que o Junior chegou, saiu da barriga da Marcelina.” Contou Mário, sorrindo.

“Aqui?” Se surpreendeu Roberto.

“Nós não sabíamos que tinha um bebê na barriga da Marcelina, achávamos que ela estava doente. Um dia, ela achou que ia morrer e veio para cá, morrer aqui. A Esperança acordou o Mário e seguiu ela até aqui.” Explicou Margarida.

“Ela ficou comigo, cuidou de mim. Me segurou e protegeu, eu e o Junior.” Marcelina lembrou com os olhos marejados.

“Eu não sabia o que fazer, como ajudar a Marcelina. A Esperança que me guiou, foi me dizendo o que fazer. Se não fosse por ela, eu não teria conseguido tirar o Junior de dentro da Marcelina.” Uma lágrima escorreu enquanto Mário falava.

“Foi aqui que eu e o Jorge fizemos amor pela primeira vez também.” Lembrou Margarida, recebendo um sorriso do loiro.

“Depois que nós pulamos da cachoeira.”

“E foi aqui que a mamãe conversou um monte de coisas com a gente, sobre o nosso corpo.” Carmen sentou em uma pedra, encarando o infinito.

“É um lugar muito especial para vocês, não é?” Fungou Frederico, recebendo um aceno afirmativo.

“Nós vamos sentir falta dele.”

“Nós vamos trazer vocês na ilha, filho, vocês vão poder vir e visitar esse lugar sempre, eu prometo.” Germano abraçou Mário pelos ombros.

“Vocês querem ver um lugar especial? Nós temos tempo?” Perguntou Paulo.

“Temos todo o tempo do mundo, filho.”

A trilha denunciava que aquele era um caminho bastante usado, talvez quase diariamente. O chão era pisoteado, o mato não crescia mais pelo caminho, só nas bordas. Os mais velhos já estavam arfantes, especialmente Roberto e Germano que iam carregando Hortência pelo caminho.

“É depois daquela pedra.” Avisou Carmen, tensa. “Eu estive aqui pela manhã, mas parece que foi há tanto tempo...”

“Que lugar é esse?” Questionou Alberto.

“Nosso igreja, pai.” Disse Jorge, virando na pedra. “A igreja que eu construí.”

“Como assim construiu, meu filho?” Questionou Rosana.

“Um dia eu achei essa imagem de Cristo, mãe, e a trouxe para cá. Esse passou a ser o meu lugar de paz, onde eu vinha falar com Deus. E um dia eu mostrei ele para a Margarida, e depois para os meus amigos.”

“E foi aqui que a gente casou.” Lembrou Paulo, abraçando Alicia. “A gente foi se revezando, um casava o outro. Foi legal.”

“Quanto tempo já faz isso?” Perguntou Germano.

“Ah, faz tempo. Foi quando o Paulo e a Marcelina fizeram 16 anos.” Lembrou Carmen.

“Quase dois anos.” Se surpreendeu Frederico. “Quanta coisa aconteceu na vida deles, meu Deus.”

“Por que você não o pega e leva com a gente, filho? A imagem de Jesus?” Propôs Alberto.

“Não... Esse é o lugar dele, pai, na casa de Deus. Ele vai ficar aqui, cuidando da mamãe e do papai para nós, e da nossa casa. E quando viermos visitar, vai estar tudo no lugar.” Sorriu Jorge, encarando os amigos.

“Crianças, não é querendo apressar vocês, mas... O dia está no fim. Precisamos ir para o navio.” Lembrou Roberto. “E acho que vocês querem enterrar a Esperança, não é?”

“É tão horrível dizer isso, enterrar a Esperança... É uma mensagem tão forte.” Suspirou Rafaela, enquanto voltavam a caminhar para a praia.

Quando chegaram na areia, os helicópteros já estavam ligados. Junior, é claro, voltou a chorar desesperado.

“O que está acontecendo?” Gritou Roberto, vendo que o capitão vinha correndo.

“Estamos prontos para ir, senhor Guerra.”

“Mas nós ainda não enterramos a tigresa.”

“Como não? A cova está fechada, e o corpo do animal sumiu.”

“O quê? Do que está falando?” Gritou Jorge, irritado.

“Garoto, nós carregamos os helicópteros e fizemos uma última varredura na praia. Quando voltamos, o animal não estava mais à vista e o buraco estava fechado.” Explicou o militar.

“Então nós precisamos procurar o corpo dela.” Disse Paulo.

“Não temos mais tempo, meninos. O sol está baixando e a maré subindo. Precisamos ir para o navio.”

“O Junior não vai conseguir entrar aí, ele fica muito assustado.” Avisou Marcelina, já desesperada com o choro do bebê de novo.

“Vão com ele no barco, garota. É menos barulhento.” Mandou o comandante.

“Nós não vamos nos separar.” Avisou Carmen.

“Tudo bem, vão no barco com o cabo Santos. Nós vamos nos helicópteros e nos encontramos no navio.” Mandou o militar, já começando a gritar ordens para os subordinados.

Em pouco tempo, todos já estavam devidamente embarcados. Junior se acalmou assim que o barco entrou no mar, e foi ficando mais tranquilo conforme o barulho das hélices ia se distanciando. Seus pais e tios, ao contrário, iam ficando mais inquietos a cada metro que se afastavam da ilha.

“Meu coração dói, dói muito.” Lágrimas escorreram dos olhos de Margarida. “Eu sinto que parte de mim está ficando para trás.”

“Nós vamos voltar, meu amor... Vamos trazer o nosso bebê nadar no lago e brincar nas árvores, junto com o Junior.” Prometeu Jorge, mas também chorava.

Os helicópteros alcançaram o navio antes deles, e por sorte já estavam silenciosos quando atracaram. Os jovens tremeram ao subir na embarcação, e isso não passou despercebido.

“O que foi?” Frederico abraçou a filha, vendo seu nervosismo.

“A tempestade.”

“Não vai haver outra tempestade, filha... Se acalme.” Prometeu o homem, tendo uma ideia. “Você gostaria de ver o Daniel, Carmen?”

“Claro, claro que gostaria. Aonde ele está?” Se animou a jovem. “Vem, gente, vamos ver o Daniel.”

“Esse barco é rápido, né?” Perguntou Mário, chamando a atenção de todos.

“Por que, garoto?”

“Eu não estou vendo mais a ilha.”

“Como assim, Mário? Nós estamos parados, o navio não está se movendo.” Explicou o comandante da missão.

“Olha lá, moço... Nós viemos de lá, mas eu não vejo mais a ilha.” Explicou o garoto, vendo olhos se arregalarem.

“Isso é impossível, meu Deus.” Germano correu até a borda do barco, de olhos arregalados. “A ilha estava ali, agora mesmo.”

“Do que vocês estão falando?” Perguntou Alicia. “Aonde está a ilha?”

“Alicia... A ilha sumiu.”


Notas Finais


Talvez eu tenha me empolgado um pouco, mas a vida tem dessas. Vou responder os rviews, PROMETO! Eu chorei tanto quanto vocês com todas as mortes, mas é a realidade desse acidente, e eu deixei isso claro desde o começo :/
Bom, espero que vocês tenham pego, ao longo da história, um tom meio "sobrenatural", vai ser importante para entenderem o fim desse capítulo.
Espero que estejam gostando, amores!
Até o próximo ;*


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