História Untouched Paradise - Capítulo 18


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Categorias Carrossel
Personagens Alícia Gusman, Carmen Carrilho, Daniel Zapata, Jorge Cavalieri, Marcelina Guerra, Margarida Garcia, Mário Ayala, Paulo Guerra
Tags Carmiel, Jorgerida, Marilina, Paulicia
Visualizações 517
Palavras 2.144
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - Capítulo 17


“Chegamos... É aqui que vocês irão ficar por hora, até que decidamos como as coisas vão se ajeitar. Como sabem, imaginávamos que vocês iriam voltar para nossas famílias, mas agora vocês têm suas próprias, correto?” Alberto parou no centro da sala de sua mansão, encarando os jovens. “Eu sei que vai ser difícil, mas evitem os jardins por enquanto. Como viram, tem muitos abutres loucos para conseguir uma foto de vocês.”

“O que é uma foto, pai?” Questionou Jorge, confuso.

“Isso é uma foto, filho.” O loiro caminhou até o aparador e pegou um porta-retratos com a imagem de Jorge pequeno. “Você lembra? Foi o seu aniversário de quatro anos.”

“Agora eu lembro o que é uma foto.” Comentou Mário, pensativo. “Quando nossos pais chegam, Alberto?”

“Eles estão correndo atrás de toda a burocracia da volta de vocês, meninos, além de buscar casas e lugares maiores para morarem com vocês.”

“Mas esse lugar é enorme, pai. Todos nós cabemos aqui, os pais deles também.”

“As coisas não são assim aqui, meninos. As pessoas não simplesmente moram todas juntas, toda a família deve ter sua própria casa.” O mais velho coçou os olhos. “Eu preciso ir ao banheiro, não estou me sentindo bem... Esperem aqui, está certo?”

E deixou a sala, sem esperar uma resposta. Os jovens se soltaram pelos sofás, em silêncio. A grande verdade era que estavam todos exaustos e desgastados. Fazia dez dias que toda a loucura havia começado, e até aquele momento nenhum deles tinha sentido alegria por voltarem a estar todos juntos.

Começando pela noite no navio, que foi terrível. Os oito acordaram gritando várias vezes, assustados e desesperados, vivendo pesadelos intensos de que o navio estava afundando. Foi preciso um calmante forte para que eles se acalmassem e dormissem, e mesmo assim ficaram agitados.

E então chegaram ao porto na Nova Zelândia, e o que os esperavam eram jornais do mundo inteiro. Flashes, gritos, pedidos de entrevista. O exército brasileiro trabalhou em conjunto com o local, e juntos conseguiram desembarcar todos de forma segura. Mas é claro que era assustador para o pequeno grupo. Após dez anos de silêncio e solidão, aquilo era no mínimo desesperador.

Do porto já foram para o aeroporto, para poder fazer a viagem de volta. Novamente difícil e estressante, os oito e Junior passaram quase a viagem toda medicados, para não sofrerem uma crise nervosa. E seus pais, pobres coitados, sofrendo e se angustiando junto com eles, se questionando se era aquilo que tinham querido durante todo aquele tempo.

Novamente, ao chegar no Brasil, uma vastidão de jornalistas e fotógrafos na base aérea militar, aonde desembarcaram. Furgões os pegaram a levaram até o hospital, e então começou o novo martírio.

Exames de sangue, urina, ultrassons, ressonâncias, radiografias. A saúde dos oito e de Junior era perfeita e impecável, e a obstetra se surpreendeu ao examinar Margarida e constatar que ela não tinha uma única deficiência alimentar.

Mesmo assim, claro, despejaram vitaminas, vacinas, medicamentos. De saúde perfeita, caíram doentes depressa. Culparam os germes e vírus aos quais o grupo não estava acostumado e os internaram. A princípio tentaram mantê-los separados, mas o psiquiatra logo gritou que não.

“Eles viveram uma única realidade por dez anos, e em três dias vocês querem mudar tudo e agir como se essa fosse a vida deles? Eles vão ficar malucos!” Gritou o homem no corredor, após uma discussão acalorada com os pais e médicos.

Foram dias seguidos no hospital ainda, medicações suspendidas, cuidados mudados. O psiquiatra arranjou enfermeiras e médicos que o apoiaram, e com isso, logo os oito e Junior se reestabeleceram.

Na saída do hospital, uma nova surpresa: roupas.

“O que é isso?” Questionou Alicia, encarando o vestido que sua mãe havia lhe entregue.

“Achamos que se sentiriam mais à vontade com essas roupas, não tão apertadas e com tecidos mais leves.” Explicou Rafaela, bondosa.

“Nós gostamos das nossas roupas da ilha.” Reclamou Carmen.

“Nós sabemos, queridos, é que... Aquelas roupas são um tanto selvagens, se é que me entendem. Mostram demais, e aqui, nessa sociedade, devemos ter cuidados.” Rosana era cuidadosa ao falar. “Eu sei que é difícil, mas precisarão entender isso. Ninguém deve ver nosso corpo, com exceção de nossos pais quando somos crianças, e nossos maridos e esposas depois que envelhecemos.”

“A mamãe sempre falava isso, mas não faz sentido.” Paulo deu de ombros.

“Não fazia sentido na ilha, Paulo, mas aqui faz.” Roberto encerrou a discussão. “Se troquem e vamos, por favor... A polícia já está aí fazendo cerco para os jornalistas não invadirem o hospital de novo.”

Eles eram a grande notícia da semana, do mês, do ano! Estavam sendo tratados como milagres, atraindo multidões de religiosos do mundo todo, estudantes de paranormalidade, estampando jornais e revistas. Todos queriam uma exclusiva, e ofereciam valores bastante altos por isso.

“Aqui, coloquem isso.” Um tenente da polícia militar se aproximou com capas. “Vai proteger vocês dos flashes.”

“Está uma loucura?” Questionou Frederico, irritado.

“Além da loucura, sr. Carrilho. Os números indicam quase oito mil pessoas ao redor do hospital.” Contou o homem, os surpreendendo. “Tem um grupo aí que quer começar uma campanha para canonizar os oito, dizendo que eles são detentores de milagres.”

“Pelo amor de Deus, esse povo não tem o que fazer?” Rosnou Valentim, encarando o filho em sua cadeira de rodas. “Vou mostrar o milagre para eles.”

“Você vai se acalmar, Valentim, todos nós vamos. Sabíamos que o que estava por vir não seria fácil, mas temos que ficar juntos e calmos para sobreviver a tudo isso.” Disse Germano com sabedoria. “Por nós e pelos meninos.”

“Marcelina, querida, o Junior vai se assustar. Dê ele para o Mário.” Pediu Hortência, e a jovem atendeu de pronto. O filho estava grande e forte, e durante os ataques de pânico, ela não conseguia o controlar.

Gritos. Flashes. Benções. Perguntas. Ovações. Parecia que eles eram grandes estrelas do rock, mesmo que não soubessem o que era isso. Entraram nos carros blindados com seus pais, e foram escoltados até a mansão dos Cavalieri.

Desceram e, assim que cruzaram as portas, seus pais sumiram os deixando com Alberto. Agora, o dono da casa chorava no escritório, enquanto os amigos choravam nos carros ou aonde estivessem. Cansados, esgotados, destruídos, arrependidos.

Por mais que seus corações de pais, no fundo, estivessem felizes e em paz com a volta de seus rebentos, eram completos estranhos que os afastavam e estavam transformando suas vidas em uma loucura. E eles, seus pais que deveriam protegê-los, tinham acabado de transformar suas vidas em um inferno.

“Daniel, como está a sua perna?” Perguntou Jorge, encarando o amigo.

“Eu sinto ela doer, mesmo ela não estando mais aqui.” O garoto encarou o short amarrado na altura da perna amputada. “O Gabriel disse que isso vai acontecer por um tempo, até eu me acostumar a não ter mais a perna.”

“E você vai ficar andando naquela cadeira esquisita pra sempre?”

“Não, Mário, o meu pai falou que vão fazer uma perna de pau para mim, que é para eu andar normal. Mas eu tenho que me acostumar com muita coisa antes.” Suspirou Daniel, abraçando Carmen e sentido ela se encolher em seu abraço.

“Como o Junior está, irmãzinha?” Paulo perguntou para Marcelina, que amamentava o filho.

“Cansado, irritado, comendo mal. O médico ficou falando que não é pra eu deixar mais ele comer no meu peito, dar um copo especial e comida pra ele, mas ele quer o meu peito e eu vou dar pra ele.” A baixinha estava irritada com os palpites e ordens que todos ficavam dando.

“Eu sei que eles falaram que a ilha não era segura para o Junior e o meu bebê, mas... Esse mundo parece tão mais perigoso. Todo mundo grita, briga, fala alto! O ar é fedido, pesado e barulhento. Essas comidas tem gosto estranho, me dão dor na barriga, tão me enchendo de alergia.” Choramingou Margarida, indicando as espinhas que tinham saído em seu rosto.

“Foi minha culpa.” Sussurrou Carmen, chateada.

“Você fez o que precisava para salvar o Daniel, Carmen. Todos teríamos feito o mesmo no seu lugar.” Garantiu Jorge, atraindo a atenção dos amigos.

“Como assim?” Daniel encarou a esposa, que tinha os olhos cheios de lágrimas.

“Eu fui até a igreja do Jorge e briguei com Deus. Disse que Ele não podia te matar, mesmo que você tivesse errado. E que, se Ele achasse que era tão errado, que nos mandasse embora da ilha, mas não matasse você.” Contou ela, triste.

“Carmen, o Jorge está certo. Qualquer um de nós teria feito a mesma coisa. Eu sei que eu teria feito a mesma coisa se a Alicia estivesse em perigo.” Paulo tentou consolá-la.

“A verdade é que aconteceu o que tinha que acontecer, como dizia a mamãe. Deus sabia o que fazia quando nos deixou escondidos na ilha por tanto tempo, e sabe o que faz nos trazendo de volta para esse mundo esquisito.” Sentenciou Alicia, cansada. “Margarida, eu ouvi a mãe do Jorge falando para a minha que vocês viram o bebê dentro da sua barriga. É verdade?”

“É, foi estranho.” Contou a jovem, acariciando a barriga. “O médico passou uma coisa na minha barriga, e apareceu uma imagem em uma caixinha de metal. E eles falaram que era o bebê que estava ali.”

“Não parecia muito com um bebê, era preto e branco, todo borrado. Mas o médico foi mostrando e falando o que era o quê. Ele até disse que era uma menininha, mas não acredito não. Como eles vão saber que o bebê é uma menina antes de nascer?” Desdenhou Jorge, descrente.

“Minha mãe falou que vai me dar um negócio para evitar fazer bebês. Ela ficou brava quando eu disse que eu e o Paulo queremos um bebê.” Reclamou Alicia, chateada.

“Meu pai disse que, aqui nesse mundo, as pessoas não têm bebês com a nossa idade. Nem são casadas.” Contou Carmen.

“Realmente, isso é bem estranho.” Ouviram vozes desconhecidas, se levantando assustados. “Então essa é a sensação de encarar fantasmas?”

Havia um rapaz e uma moça parados na porta da casa. Ele era alto, de cabelos curtos e arrepiados, com roupas estilosas e justas marcando o corpo bem definido. Ela era baixinha, cabelos longos cheios de mechas, roupas de marca.

“Eu conheço você.” Jorge franziu o cenho. “Você morava aqui do lado.”

“Ainda moro, até hoje.” A menina de olhos verdes sorriu para ele. “Meu pai quis se mudar depois que eu fui resgatada, mas eu queria ficar aqui, para ter certeza que um dia você voltaria do navio também.”

“Maria Joaquina.” O loiro a reconheceu. “E você... Jaime!”

“Sim, as duas únicas pessoas da turma da professora Helena que sobreviveram ao naufrágio do navio... Pelo menos, até alguns dias atrás.” Jaime estava emocionado.

“Eu sinto muito pelo o que aconteceu. Todos nós. Nossos pais nos contaram.” Disse Mário, totalmente sem jeito.

“Nós é que sempre sentimos muito, achando que vocês não tinham tido chance nenhuma. Hoje, vemos que tiveram um destino melhor do que o nosso.” Maria riu sem humor.

“Mas vocês sobreviveram, voltaram para suas casas.”

“Ao preço de ter pesadelos pelo resto da vida, Marcelina. Por cinco anos, todas as vezes que eu fechava os olhos, eu via alguém morrer, ou ouvia alguém morrer. Eu olhava pela janela e via o Alberto se arrastar como um fantasma, sofrendo pela perda do Jorge. Andava pela rua e cruzava com o pai de alguém que perdeu a vida no navio, e via que a vida deles estava miserável. Por muito tempo eu desejei ter morrido também; hoje, eu desejo que eu pudesse estar no bote de vocês e ir para a ilha, ter paz.” Confessou a patricinha, emocionada.

“Hey, se acalma.” Jaime a abraçou com carinho, deixando que ela chorasse em seu peito.

“Vocês também se casaram?” Indagou Carmen, inocente.

“Quase isso.” Jaime acabou rindo. “Os poucos que sobreviveram ao acidente se aproximaram muito. Claro, a grande maioria se mudou daqui, foi viver longe das lembranças. Mas os que ficaram em São Paulo são muito próximos. E eu e a Majo... Bom, nós vivemos tudo isso juntos. Nós somos as únicas pessoas que tem total noção do inferno que o outro viveu.”

“Acontece que eu e o Jaime erámos os únicos bem no nosso bote, que não estavam sucumbindo a doenças ou ferimentos. E eu tinha medo de fechar os olhos e não encontrar mais ninguém vivo quando abrisse. Então ele ficava segurando minha mão e fazendo carinho, para eu saber que ele estava bem. E meu psiquiatra, depois de cinco anos, deu a ideia de fazermos isso. Ele vive em casa desde então.”

“E vocês começaram a fazer amor e se casaram também?” Deduziu Margarida.

“Caraca, eles são realmente inocentes demais.” Sussurrou Jaime, surpreso.

“Você nem imagina a inveja que eu tenho deles nesse exato momento.” Garantiu Maria Joaquina. “Ok... Vamos conversar sobre algumas coisinhas!”


Notas Finais


Olá, pessoinhas! Como vão? Bem?
Mais um capítulo, mostrando eles começando a vida no nosso mundo. E reencontrando os amigos que sobreviveram a toda essa loucura!
Gostaram do capítulo?
ANYWAY, tem um vídeo novo no meu canal, e eu adoraria que vocês vissem... É um vídeo muito importante e especial para mim, porque nele eu conto a minha história com as fanfics. Nesses 10 anos que eu to no mundo das fics, tudo o que aconteceu comigo! Vejam, digam o que acham, e entendam um pouco mais sobre mim (e tirem várias dúvidas que vocês sempre me fazem): https://www.youtube.com/watch?v=IbNQIMcxII8
Beeeijos e até o próximo!


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