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História Unucitated pleasure - Capítulo 1


Escrita por: pridedevhope

Notas do Autor


Bom dia, boa tarde e/ou boa noite!
Tudo bem com vocês? Espero mesmo e mesmo que sim!

Digo que sei que quase ninguém irá ler essa twoshot por causa do shipp principal, que, no entanto, é um trisal.
Sério, nem julgo também. Não shippo liskook e nem sei como tive a ideia de colocar a Manoban envolvendo-se com o Hoseok.
Essa twoshot é mais perturbada que eu, simplesmente isso.
Adaptei o plot de um sonho que tive recentemente, e deu nisso, quase 10k com um tanto de putaria e um otp que ninGUÉM GOSTA. SOFRO.
Aviso desde já que a fanfic aborta apenas Jungkook!top, Lisa!top e Hoseok!bottom.
Sim, o Hoseok é o único passivo do negócio.
Me perdoem, de verdade, as vezes eu acho que não bato muito bem da cabeça.
Eu falando com o nada. Gente, se alguém ler essa fanfic e gostar, casa comigo logo, só isso. Se alguém ler, na verdade.

Enfim, os avisos são que TODOS da oneshot têm mais de 18 anos [+18]. E como dito nos avisos da fanfic, ela é recomendada para apenas pessoas com MAIS de 18 anos [+18].

Peço que me perdoem pelos erros ortográficos...
Boa leitura ~

Capítulo 1 - Primeira regra; nunca fale com Jungkook ou Lisa


Fanfic / Fanfiction Unucitated pleasure - Capítulo 1 - Primeira regra; nunca fale com Jungkook ou Lisa

O tempo estava nublado; o céu praticamente cinza e com nuvens carregadas d'água, encontravam-se prontas para desabarem sobre aquele sítio já cheio de barro e poças grandes feitas por chuvas anteriores. O clima parecia que duraria pelo ano todo, já que naquela parte da Coréia do Sul quase nunca fazia sol, muito menos parava de chover; às vezes o estado da temperatura era totalmente catatônico, com menos de dez graus, tendo direito a neblina, neve e tempestades. 

Naquele instante, nada parecia diferente. Havia uma neblina fraca atrapalhando o motorista do carro de aplicativo a dirigir e as estradas cheias d'água dificultavam nas curvas, fazendo o veículo ultrapassado derrapar sobre o chão. Sorte que pelo menos naquela lata-velha tinha cinto de segurança para os passageiros no banco de trás. 

Com a cabeça apoiada no vidro da janela do carro, Hoseok tinha um fone ralé nos ouvidos e um celular mais velho ainda descansando sobre a mochila rasgada em seu colo. Suspirando fundo, o Jung encolheu-se no banco de pano e fechou brevemente os olhos, coçando o queixo pelo desconforto insaciável que sentia em meio àquele silêncio estranho. 

Espirrando pelo ar mesmo gélido parecer estar seco, o de madeixas avermelhadas tirou uma máscara de dentro de sua mochila surrada e colocou no rosto, protegendo o motorista grisalho de um possível resfriado. Bocejando fraco, Hoseok desligou a música que escutava e ajeitou a postura, arranhando a garganta e ganhando a atenção do senhor que dirigia o automóvel. 

— Pode me dizer se estamos chegando, por favor? 

— Faltam apenas uns quinze minutos, mocinho. — Ele respondeu, concentrado na pista. 

Concordando com a cabeça, Hoseok olhou janela afora e não conseguiu observar quase nada bonito, já que a maioria era somente árvores úmidas e casas caindo aos pedaços. 

Depois que seu pai veio a falecer em um acidente no trânsito, o Jung não teve alternativas a não ser se mudar para a casa de sua mãe em uma cidade no interior, esta que o garoto de dezenove anos nunca nem ao menos tinha ouvido falar em toda sua vida. Ainda mais sobre sua mãe, que quando se separou de seu pai deu as costas para todos e fugiu. 

Notando o carro parar aos poucos em frente a um rancho aparentemente grande, Hoseok gemeu baixo em frustração; não queria ter que entrar naquela casa, não queria ter que conviver com sua mãe e com ninguém que se ligasse a ela. 

Agradecendo o motorista pela corrida de duas horas em silêncio, o Jung pagou o que devia e apanhou as malas, que, no entanto, eram apenas sua mochila e uma maleta de maquiagens. Oras, o menino tinha acabado de sair da puberdade, ainda usava aparelho e seu rosto era totalmente oleoso e espinhoso. 

Caminhando com seu All Star preto já antigo nos pés, Hoseok nem ligou por estar sujando-os de lama mole. Parando em frente a uma casa pequena feita de madeira, o Jung deu duas batidinhas na porta e esperou que alguém lhe atendesse. Percebendo que algumas gotas geladas caiam do céu, indicando que iria chover, o Jung bateu mais algumas vezes na porta e assustou-se quando viu uma mulher talvez um pouco mais alta que si, de cabelos ruivos e um sorriso pequeno no rosto puxar-lhe para um abraço. 

Meio desnorteado, Hoseok afastou-se da mulher e curvou-se noventa graus, em seguida arrumando os óculos de armação redonda que havia escorregado sobre seu nariz. Falando que desejava falar com dona Jung Ah-ri, Hoseok viu a moça rir e comunicar: 

— Oh, querido, sou eu, a sua mãe. — Sorriu dócil, mas recebeu em troca apenas um sorriso forçado. 

— Olá. Eu vim... morar com a senhora, espero que não se importe. Qualquer coisa eu posso arranjar um espaço para mim e conseguir um emprego para me sustentar. 

— O quê? Não, não pense isso, por favor. Minha casa é a sua casa. Você está na idade de estudar e se formar em uma boa profissão. A cidade pode ser pequena, mas tem faculdades muito boas. — Antes mesmo que Hoseok pudesse respondê-la, ela continuou a tagarelar. — Vamos, vamos, entre, está muito frio. Fique à vontade, moro sozinha e pela manhã os funcionários chegam. Sente-se, eu preparei um jantar especial para você. 

— Muito... obrigado, senhora. 

Depois de ter se acomodado sobre uma cadeira de madeira revestida de um tecido florido, Hoseok deixou sua mochila perto dos pés e olhou a senhora andar de um lado para outro pela cozinha, colocando na mesa várias panelas, um prato e talheres. 

Pedindo licença, o Jung começou a comer, apesar, não se alimentava desde que a viagem se iniciou; estava sem dinheiro para nem mesmo pagar um lanche de mil wones. 

Tomando um belo gole de suco de laranja, quando terminou a refeição, Hoseok olhou a grisalha de praticamente um metro e oitenta e agradeceu baixo, perguntando se poderia ajudar lavando os objetos que sujou, recebendo um aceno positivo como resposta. 

Levantando, o Jung colocou o prato sobre a pia e ligou a torneira, lavando-os e dando para sua mãe secar, essa que mantinha um sorriso no rosto, dizendo que estava muito bonito e que também havia crescido bastante desde que era só um bebê. 

— Sim, meu pai cuidou muito bem de mim. — murmurou. — Foi o único que quis ficar comigo, foi uma pena ele ter falecido. — Pegou sua mochila. — Posso me retirar, por favor? Preciso descansar, meu corpo dói por inteiro. 

— Claro — respondeu ela —, eu te mostro onde será seu novo dormitório. Você pode decorá-lo do jeito que preferir. — avisou, começando a andar em direção ao cômodo no qual dizia. — Na garagem, tem um carro que eu quase não uso, você pode pegá-lo também para ir à cidade pela manhã. 

— Eu te agradeço... — sussurrou. 

— Aqui, pode entrar. Estarei na cozinha caso precise de mim. 

— Tudo bem, obrigado... Ah-ri. 

— Por nada, filho.  

Adentrando no quarto, Hoseok fechou a porta e olhou em volta, vendo que não era nada mal, até porque tinha uma cama, escrivaninha, guarda-roupas e um pequeno banheiro embutido. 

Suspirando fundo, o Jung tirou as roupas que trajava e jogou-se na cama, notando seus músculos relaxarem e um alívio passear por todo o seu corpo, indicando que aquilo estava o fazendo muito bem. 

Bocejando, o menino fechou os olhos e não demorou muito tempo para adormecer naquela mesma posição, torta e um tanto desconfortável. Não percebendo quando puxou o edredom para se cobrir, Hoseok encolheu-se minimamente e deixou os lábios entreabertos, entregando-se ao sono por completo, desejando que o dia seguinte fosse bem melhor do que aquele que ainda era obrigado a presenciar. 

As horas passaram rapidamente, tão rápido que Hoseok quis xingar meio mundo quando sentiu o celular com doze por cento de bateria vibrar sobre a cama, avisando que já eram seis e meia da manhã. Levantando devagar, o Jung bocejou e caminhou ao banheiro, tirando a boxer que vestia e adentrando embaixo do chuveiro, gemendo decepcionado pela água ser gelada. 

Trêmulo, o ruivo banhou-se e não perdeu tempo em sair do box com uma toalha na cintura, deixando amostra sua clavícula marcante e seu peitoral não tão definido. 

Tirando da mochila uma calça jeans preta com rasgos nos joelhos e uma blusa moletom que estava usando no dia passado, Hoseok vestiu-as, penteou seus cabelos e saiu do quarto, continuando a ter o rosto amassado. 

Notando que a casa estava em silêncio, o Jung andou à mesa de jantar e franziu o cenho por ter um bilhete deixado por sua mãe, anunciando que teve que sair para comprar feno aos cavalos e que o carro estava em frente de casa, com a chave lá dentro. 

Andando à geladeira, Hoseok tirou uma caixa de leite e despejou um pouco da bebida do copo, provando-a e deixando o objeto em cima da mesa, decidindo em seguida que iria à cidade conhecê-la. Saindo de casa, já que estava devidamente arrumado, o Jung viu que o carro estava mesmo em frente de casa, mas ao invés de caminhar até ele, sentou sobre os pequenos degraus que levavam a porta e choramingou, tendo uma vontade imensa de chorar. 

Uma caminhonete azul e velha. Hoseok tinha certeza que atraia apenas coisas ruins para sua vida. 

Suspirando fundo, o de madeixas avermelhadas ficou em pé novamente e com muito sofrimento andou ao carro, tendo dificuldade para abrir a porta do mesmo, quase perdendo sua paciência por nada estar dando certo, porém antes que pudesse dar as costas e decidir pegar um transporte público, a passagem foi aberta milagrosamente. 

Entrando na picape, Hoseok olhou ao volante desgastado que ali tinha e passou a mão por seus fios, virando a chave para ligar o motor, mas soltando um berro quando a caminhonete praticamente voou. 

— Ei, ei, ei. Você está bem? — O pobre Jung ficou assustado mais uma vez por outra voz se fazer presente além da sua. Olhando para a janela do veículo monstro, Hoseok deixou seus lábios em um perfeito “o” pela beleza que o rapaz que falava consigo esbanjava; fios loiros, porte físico exageradamente forte, lábios avermelhados e entre eles um mato bege estranho. — Acho que a pancada foi forte. — Ele abriu a porta e tirou Hoseok de dentro do veículo. — Acorda! 

— Q-Quem é você? 

— Kim Taehyung, trabalho aqui desde criança. E quem é você? 

Hoseok deu alguns passos desconcertados para trás. “Lindo para caralho” Pensou abobalhado, porém logo se recompôs, estendendo a mão para o (não) estranho e dizendo: 

— Sou Jung Hoseok, prazer. — Exibiu um sorriso pequeno. 

— Jung Hoseok? Filho da tia Ah-ri? 

— Sim... — Coçou o cotovelo. Não queria ser conhecido por ser filho de Ah-ri. — Eu... estava indo para a cidade, mas esse negócio me assustou. 

— Ah, que isso, não fale assim do Robert. Ele é gente boa. 

— Quem? 

— A sua caminhonete, que também é minha. — O tal de Taehyung andou até o automóvel. — Você não pode ligá-la direto, precisa pressionar o botão embaixo do volante. Ah-ri não te disse? 

— Não, não me disse. — Olhou o homem entrar no carro e apertar alguma coisa, assim logo o veículo fez um ruído estranho e pareceu funcionar normalmente.  

— Pronto, pode usar. Para onde vai? 

— Pretendo procurar uma faculdade que eu possa me inscrever. — Colocou as mãos nos bolsos da calça. Estava tímido, até porque nunca falou com um deus grego como aquele. 

— Qual curso pretende fazer? 

— Pediatria, o que também é a medicina. 

— Hum, entendo. Gosta de crianças? 

— Sim, elas são inocentes e boas pessoas. 

— Conheço uma faculdade que você irá se dar bem. 

— Eu... não tenho muito dinheiro, pretendo me inscrever em uma barata. 

— Ela é a melhor da cidade e está com as vagas abertas para bolsas. Eu posso te passar o endereço, faça uma visita.  

— Agradeço. — Sorriu pequeno, pegando o endereço da universidade. — Preciso ir. Até mais, Taehyung-ssi? 

— Até. — Hoseok sentiu suas bochechas esquentarem quando o Kim piscou em sua direção, mas o máximo que conseguiu fazer foi adentrar no carro e acenar como uma menina bobinha para ele. — Aí, Hoseok, trouxa, trouxa, trouxa. — murmurou depois que Taehyung se afastou, revirando os olhos e dando ré, começando a seguir caminho em direção ao centro da cidade. 

A cidade era simples; não tinha muitas atrações e a maioria das pessoas estavam dentro de comércios pelo frio que fazia ao lado de fora.  

Depois de ter visitado a faculdade que Taehyung lhe indicou, o Jung ficou interessado. Primeiro, por ser bastante estruturada e com um bom porte para estudos. Segundo, por ter mesmo a bolsa que poderia ganhar fazendo uma prova de cinquenta questões, o que para Hoseok era moleza, mamão com açúcar, easy, mel na chupeta, fácil demais.  

Marcando o dia da prova, que era para o dia seguinte – já que as aulas se iniciavam semana que vem e precisava ter o resultado o mais rápido possível –, Hoseok decidiu voltar para a casa e revisar o conteúdo sobre seu curso. 

Aproximando-se da caminhonete outra vez, o Jung com as luvas pretas e fofinhas que até então esquentavam sua mão, passou sobre o para-brisa do carro, porque o mesmo havia ficado totalmente branco por causa da neve. Resmungando um palavrão, Hoseok revirou os olhos e entrou no automóvel, suspirando fundo e tentando manter a calma para voltar bem para a casa. 

— Que inferno... — murmurou quando seu óculos caiu sobre suas coxas, resultando em sua visão ficar um tanto embaçada. — Depois eu pego. 

Chegando em casa, Hoseok desceu rapidamente do tal Robert e caminhou a residência, antes acenando para Taehyung, que passava apanhando um carrinho cheio de esterco. Olhando em volta, o Jung constatou que Ah-ri ainda não tinha voltado. 

Bocejando, Hoseok tomou um gole d’água e depois caminhou até seu quarto, despindo-se e ficando apenas com uma boxer preta, como no dia passado.  

Pegando o celular, o Jung colocou em uma música baixinha e segurou vários livros que tinha dentro de sua mochila, estes que havia lido e relido várias vezes. Passando a tarde daquela forma, não demorou muito para que o Jung pegasse no sono com um livro em mãos, os lábios entreabertos e o óculos no rosto, que o incomodava um pouco para descansar.  

O próximo dia foi puxado, Hoseok ficou algumas horas respondendo as questões que o diretor da faculdade lhe passou e depois teve de ir comprar os devidos materiais que precisava para o ano ocorrer bem, talvez difícil, mas bem.  Horas depois, o Jung recebeu um email da universidade com os resultados de sua prova. “Que rápido, será que eles não têm nada para fazer, não?” Esse foi o primeiro pensamento do ruivo, mas logo sorriu satisfeito pela mensagem. 

“Olá, senhor Jung. Ficamos muito felizes com a sua preferência. Prometemos que não irá se arrepender de estudar com a gente, vimos seu potencial e você será um bom pediatra no futuro. 

Nota da sua prova feita em 02/03/2029, Universidade Sunbeam, Coréia do Sul: 99% de acertos

Parabéns! Você conseguiu a bolsa!” 

[...] 

Trajando uma calça jeans preta com rasgos nos joelhos, uma camiseta azul marinho sendo o uniforme da universidade e seu All Star preto de cano alto, Hoseok olhou-se no espelho e bagunçou um pouco seus fios ruivos, dando um ar mais relaxado, porém muito bonito. 

Passando um pouco de base sobre suas espinhas, o Jung choramingou por elas estarem em um tom avermelhado. Desistindo de querer esconder suas amigas e cuidando do aparelho móvel em seus dentes, Hoseok os lavou e escovou, logo pondo novamente na boca e dando as costas para o banheiro, colocando a mochila sobre o ombro e arrumando o óculos redondinho sobre o nariz, saindo do quarto e parando na cozinha. 

Falando para Ah-ri que estava indo para a escola, Hoseok a ouviu dizer um “boa sorte” e que poderia ligar caso precisasse de algo. Saindo de casa, o Jung tremeu e suas pernas ficaram bambas, pois uma ventania gelada bateu contra seu corpo, abraçando-o. “Nesse fim de mundo não faz calor, não?” Ele franziu o cenho, incomodado. 

Taehyung tinha lavado Robert no dia passado e o deixou com uma aparência melhor, quem sabe um pouco mais nova e organizada. Entrando no monstro, Hoseok apertou o botão embaixo do volante e em seguida ligou o motor, dando ré para sair da garagem e andando cinquenta por hora em direção a faculdade.  

Não demorou muito tempo para o Jung chegar onde faria o curso, porém diferente de semanas atrás, ela estava rodeada de alunos, alguns mais baixos, outros mais altos, cabelos pintados, descoloridos, magros, gordinhos, fofos e góticos. Havia gente de todo o tipo. 

Meio envergonhado, Hoseok saiu do carro e cruzou os braços tímido, pegando sua mochila e começando a caminhar para dentro da escola. Passando a língua por seu aparelho, o Jung suspirou fundo e tomou coragem para apressar os passos, andando até o mural da facul e vendo os horários de pediatria, que junto estavam os de medicina. 

“Primeira aula, senhor Wang, das 08h às 10h.” 

— Olá. — Hoseok se assustou quando alguém tocou em seu ombro. — Perdão, você está bem?

— Oh, oi, tudo bem, eu estou bem sim. 

— Você é da pediatria?  

— Sou... 

— Eu também — o estranho sorriu —, entrei nesse curso esse ano. Muito prazer, Kim SeokJin. 

— Jung Hoseok. — Apertou a mão do menino que foi estendida em sua direção. — Já estudou outros cursos ou é a sua primeira vez aqui também? 

— Já fiz curso tecnológico, porém desejo estudar outra profissão. 

— Entendo... 

— Quer que eu te mostre a universidade? Ela não é muito grande, mas é aconchegante. 

— Eu já vi quando vim aqui semana passada, mas se quiser me mostrar novamente, eu agradeço. Não sei muito bem como as coisas funcionam. 

— Eu adoraria te explicar. Posso te dizer quem são os alunos daqui e algumas fofocas, quem sabe podemos nos tornar grandes amigos. — Sorriu. Olhando ao rapaz de estrutura corporal maior que si, Hoseok não conseguiu não sorrir de volta; ele era bem adorável e muito bonito, o tal de SeokJin. 

— Claro, pode ser. 

Seguindo o de fios morenos que fez questão de mostrar cada canto da universidade, Hoseok sorriu pequeno por SeokJin dizer a maioria das coisas animado, como o que já fez, quem já namorou e algumas fofocas sobre outras pessoas. 

Concordando com o mais velho que precisavam voltar para o campus porque a aula já iria começar, o Jung perguntou se poderiam lanchar juntos, recebendo como resposta um aceno positivo com a cabeça. 

A ala de pediatria não ficava tão longe de tudo, assim pois era no primeiro prédio. Adentrando na sala consideravelmente grande e arejada, coberta com madeira clara e com poucas janelas em volta, Hoseok encolheu-se minimamente por perceber duas pessoas lhe olharem fixamente, julgando-o como se fosse uma aberração.  

Puxando a manga da camiseta de SeokJin, o Jung sentou junto a ele em uma carteira dupla e sussurrou baixo: 

— Seok-hyung... quem são aqueles? Eles me olham como se eu fizesse algo errado... tem algo sujo em mim? 

— Eles quem? — SeokJin virou a cabeça sem nem mesmo disfarçar e arregalou os olhos quando notou que dois sujeitos encaravam mesmo Hoseok. — Primeira regra: nunca, mas nunca se aproxime deles. 

— Por quê? — O Jung arqueou uma sobrancelha, olhando novamente ao homem e a mulher que lhe fitavam com um semblante em puro desgosto. 

— Eles não têm uma reputação boa aqui, todos os conhecem e não são muito a fim de julgá-los sobre o que já fizeram. 

— O que eles fizeram? — Hoseok parecia um gatinho curioso. 

— Coisas horríveis, eles já bateram no meu ex, foi feio. — Fez uma careta, recordando-se do dia que espancaram um de seus namorados. — Eles são o casal sucesso da escola, estão juntos desde o colegial e nunca se separaram. Sempre praticam coisas novas no relacionamento e amam uma festa, porém por incrível que pareça, as notas são altíssimas, de todas as matérias e cursos que participaram. Não gostam que nada interfira em seus caminhos, então... é melhor não ficar perto deles, é um conselho de amigo. — Hoseok escutou atentamente o que o Kim dizia. — Suponho que eles estão te olhando daquela forma por ser bolseiro, ele-... 

— Bolseiro? Como sabe que eu sou bolseiro? 

— Hoseok, a cidade é pequena, todos sabem sobre você, seu nome, idade e... porque veio parar aqui. 

— Oh. 

— Enfim, eles certamente estão te olhando dessa forma por ser bolsista, eles acham que gente... que não pode pagar a própria faculdade não tem direito de nada. 

O Jung fechou os punhos com força. “Que idiotas!” Pensou consigo mesmo, revirando os olhos. 

— Hum, entendi... — disse em desdém; também não era como se realmente se importasse com comentários alheios. — Não é como se eu me importasse, se você disse assim deles, no máximo quero distância. 

— Isso é o certo, confie. — Suspirou. — Olhe, esse é o professor Wang, a aula irá começar. 

As aulas passaram rápido e Hoseok nem reparou que já era hora do intervalo. Pegando o dinheiro de sua mochila, o Jung acompanhou SeokJin até o pátio, dizendo que estava gostando do ensino da faculdade e que a maioria dos professores pareciam legais. 

Trocando de número com o mais velho, Hoseok junto a ele andou em direção a cantina, pegando uma fila pequena por terem conversado mais do que deveriam. A conversa era praticamente banal, ambos Seok falavam sobre a tarefa dada já no primeiro dia pela professora Lee, que não parecia nenhum pouco simpática, diferente de Wang, que na visão de Hoseok, era bem educado e carismático. 

Ouvindo a senhora da cantina dizer “próximo”, Hoseok daria um passo à frente, mas se assustou quando seu corpo foi direto para o chão, causando um impacto que fez suas costas estalarem.  

Arregalando os olhos, SeokJin trouxe Hoseok para mais perto e perguntou se o mesmo estava bem ou se sentia dor. 

Tateando o chão e pegando seus óculos de grau que haviam voado de sua face, o Jung forçou a visão e viu o homem que lhe observava dentro da sala de aula ao lado da mulher que lhe empurrou. Com um semblante doloroso, o Jung sentou sobre o chão e prestou mais atenção nos indivíduos inconvenientes. 

O rapaz trajava uma camiseta branca com um logo da Gucci, uma jaqueta de couro e uma calça jeans; seus fios eram morenos com mechas azuis, dava-se para ver pequenas tatuagens em seu pescoço e seu tênis era da marca Fila, com um design muito bonito e de tons pretos. Já a mulher, tinha quase o mesmo estilo do que o homem, vestia uma calça jogger preta e um cropped branco, tendo por cima uma jaqueta de couro; seus lábios eram retocados por um batom vermelho e seus fios loiros, com uma pequena franja e sendo na altura do ombro. 

“Por que eles não usam o uniforme?” Hoseok quis saber, porém logo foi tirado de seus pensamentos pela voz melodiosa de um dos que observava. 

— Queremos a mesma comida de sempre, dois refrigerantes e duas sobremesas. Hey, você — a mulher apontou a um menino que lhe seguia —, leve o que eu pedi para a minha mesa. — E saiu andando como quem não queria nada. 

— Vem, Hoseok, levanta. — SeokJin fez o outro ficar em pé. — Você está bem? Se machucou? 

— Não, acho que não. — sussurrou. — Por que eles fizeram isso? Na hora doeu. 

— São uns filhos da puta, ignore, é como eu disse, só pensam em si próprios. — Bufou. — Vem, vamos comer. 

Ficando envergonhado pelas pessoas lhe olharem, o Jung abaixou a cabeça e deu pequenos passos para o balcão para pedir sua comida, que, no entanto, foi frutas e alguns grãos.  

Pegando o prato, Hoseok seguiu SeokJin para sentar em uma mesa que ficava quase escondida no campus, onde era ocupada por duas pessoas; uma tinha cabelos tingidos de cinza e outra de um rosa meio desbotado. 

Apresentando-se aos desconhecidos, o Jung descobriu os nomes deles, que eram Kim NamJoon, um rolo de SeokJin, e Park Jimin, um veterinário muito atraente, educado e que felizmente não namorava. 

Iniciando uma conversa simples com os novos colegas, Hoseok contou um pouco sobre sua vida e disse que poderiam marcar de sair qualquer dia, já que não conhecia muito a cidade e não foi para lugar nenhum que lhe chamasse a atenção. 

— Eu vi que aqueles babacas te empurraram, hyung. Você está bem? — NamJoon perguntou preocupado; o Jung parecia estar com uma dor desconfortável no ombro. 

— Estou... — respondeu baixo. — Acho que machucou apenas superficialmente, mas nada demais.  

— Ainda bem. Eles são chatos! Quando estudei na mesma classe que os dois, tive a inconveniência de ter que fazer trio com eles. Foi horrível, sério! 

— Parece que eu sou o único que ainda não sou formado em nada. — O Jung comentou um tanto constrangido. Era a primeira vez que fazia uma faculdade. 

— Que isso, não se preocupe, hyung. Nós estamos tentando outras coisas porque ainda não nos adaptamos ao que queremos. Fizemos algumas aulas experimentais e não deu certo. 

— Existe isso? Aula experimental? 

— Em algumas profissões, sim. Na cidade grande não tem? 

— Não... 

Depois de responder a pergunta de Jimin, o Jung nem percebeu quando o intervalo passou, já que estava se enturmando muito bem e conversando bastante com os novos amigos. Voltando às aulas, Hoseok já não via a hora de ir embora, porém da mesma forma dedicava-se ao máximo para pegar perfeitamente o conteúdo. 

Passando a mão dentre seus fios ruivos, o Jung despediu-se brevemente de SeokJin e caminhou para fora da faculdade, segurando uma penhada de livros que pegou da biblioteca e a mochila pesada no ombro, cheia de documentos e fichas sobre acontecimentos históricos da pediatria. 

Colocando a bolsa na caminhonete, o Jung entrou nela e franziu o cenho por ver não muito longe os dois idiotas que lhe empurraram; não sabia o nome deles, mas já os odiava por seus atos. Revirando os olhos, Hoseok deu partida e por sorte Robert não lhe fez passar nenhum carão...

Os dias passaram e Hoseok teve certeza que nem tudo seria tão fácil como esperou desde que se mudou para a cidade do interior onde sua mãe vivia. Algumas pessoas eram legais, diferente de outras, que se sentiam superiores aos demais, desta forma só por terem roupas de marca e um nariz empinado. “Argh!” O Jung odiava aquele tipo de gente, ainda por cima os que faziam questão de lhe perturbar a cada instante. 

Chegando mais uma vez na faculdade, Hoseok pôde ter um exemplo perfeito das pessoas que detestava e fazer uma listinha cheia de nomes no qual almejava dar um tapa bem na cara. Andando calmamente pelo campus, o pouco tempo de paz do pobre Jung foi interrompido, já que lhe abordaram com uma rasteira de pé, fazendo-o quase cair sobre o chão. “Mas que inferno!” Ele arregalou os olhos, segurando mais forte seu livro e estufando as bochechas, olhando em volta e andando em passos raivosos ao cara que quase lhe fez espatifar no chão. 

— Ei, seu idiota! — O Jung não se importou de apontar o dedo ao jovem punk que quase lhe derrubou. — Pare de ficar empurrando os outros, imbecil! Por acaso você acha legal rir da cara dos outros assim!? Tão falso!? 

Todos olharam a situação, principalmente SeokJin, que já caminhava ao amigo e puxava-lhe o braço, pedindo desculpas e querendo se retirar, arrastando Hoseok junto. Porém Hoseok não se deixou ser levado embora, continuou ali, olhando o cara de estrutura maior que a sua, com um olhar desafiante e os lábios crispados.  

Cruzando os braços, o homem com tatuagens no pescoço riu de lado, aproximando-se do ruivo e apertando com força o dedo magro do Jung, que tentou ao máximo não gemer em dor, falhando miseravelmente e conseguindo escutar a namorada do denominado como “imbecil” sorrir debochado. 

— Quem você pensa que é para falar assim comigo, otário? 

— E porque eu deveria saber, imbecil? Você não passa de um moleque mimadinho que acabou de sair das fraudas. 

— Por acaso sabe quem eu sou? Na verdade, não gosto do meu nome rodando em gente sem modos e de baixa classe. 

— Eu nunca falaria seu nome, até porque para mim você é só um pedaço de lixo, deve ser chamado desse jeito. 

— Jung Hoseok, meu Deus, vamos embora. — SeokJin tentou puxar o amigo.  

— Você deveria tomar cuidado com a sua língua. 

— Por quê? Fará algo com ela? 

Hoseok prendeu a respiração quando o rosto alheio se aproximou do seu. Olhando nos olhos escuros do mais alto, que se assemelhavam a duas pequenas e fofas jabuticabas, o Jung se assustou quando o mesmo deu um peteleco em sua testa, depois rindo e se afastando com seus amigos idiotas. 

Perplexo, irritado e envergonhado. Hoseok se sentia desse jeito. Com os lábios em um perfeito “o” e um semblante indignado, o Jung olhou ao amigo e viu que ele estava apreensivo, diferente de si, que estava enfurecido. 

Pisando duro, o de madeixas avermelhadas deu as costas e caminhou em direção onde NamJoon e Jimin estavam, tão preocupados com o bem-estar de Hoseok, quanto SeokJin; aqueles estudantes eram barra pesada, estranho foi o filhinho de papai ter apenas brincado com a cara do novato. 

Sentando emburrado ao lado de NamJoon, Hoseok revirou os olhos pela maioria dos universitários lhe olharam fixamente; abismados. “O que é? Por acaso ninguém nunca enfrentou aquele narigudo feio!?” O rapaz bufou. 

— Hoseok... você tem muita sorte, cara! — Jimin falou. 

— Eu pensei que ele fosse te bater, caralho! Não faz mais isso! — SeokJin estapeou o menor. 

— Por que não me bateu? Ele é tão fracote assim? 

— Hoseok, cale a boca! Que ele não te ouça! 

— E quem é ele? Eu nem ao menos sei o seu nome, muito menos daquele povo que fica o seguindo! Ele certamente nunca tomou uma surra bem dada para aprender como tratar os outros! — Revirou os olhos. 

— Jeon Jungkook, Lalisa Manoban e cia. 

— Quem? 

— O nome deles. Jungkook e Lisa namoram há anos e nunca deixaram alguém falar desse jeito com eles como você falou. Isso é estranho para burro! 

— Eu sou intimidador, não entenderam ainda? 

— Hoseok, você está mais para um menino fofo que colhe plantas à tarde depois da aula e que ama ler. Ainda mais com esse aparelho de quinta série e esses óculos. 

— Hey! 

— Eu não discordo dele. 

— Para, gente! Eu consigo me virar sozinho, não tenho medo desses dois. 

— Eu acho que deveria ter. 

O Jung revirou os olhos e para se distrair tirou o celular do bolso e fingiu mexer, até porque não era obrigado a ouvir aquela ladainha. Não tinha medo do tal Jungkook e da namoradinha dele. Não tinha e nunca teria. Quer dizer, isso era o que ele esperava. 

Quando a aula acabou, Hoseok não queria ter ficado confuso pelo tal de Jungkook e Lisa não terem ido para a classe, assim pois sempre estavam presentes desde que o curso começou. 

Revirando os olhos pelo pensamento bobo, Hoseok despediu-se dos amigos e disse que os ligaria no final da tarde, então saiu da universidade e correu a caminhonete que estava estacionada não muito longe, perto de umas árvores escuras e com alguns galhos quebrados. Adentrando na lata-velha azul, o Jung ligou o motor e começou a andar quarenta por hora em direção a casa de Ah-ri.  

O rancho era basicamente no final da cidade, vendia gado, comida e objetos para animais; dava um bom lucro para senhora Jung, ainda mais no tempo de prosperidade, onde todos reconheciam o nome de seu comércio pela carne espetacularmente boa e macia. 

Colocando a caminhonete na garagem, o Jung fechou a porta e pegou seus materiais, indo para dentro de casa e tirando seus calçados, deixando-os perto da porta. Cumprimentando Ah-ri que cozinhava japchae, Hoseok avisou que tomaria um banho e descansaria por alguns minutos, recebendo um aceno positivo com a cabeça. 

Suspirando fundo, o de madeixas avermelhadas jogou a mochila sobre sua cama e despiu-se, caminhando ao banheiro e tomando uma certa coragem por ter que se banhar na água gelada. Passando a mão por seu cabelo, o Jung o lavou e depois passou um creme em seu rosto, querendo que melhorasse o inchaço das espinhas, de preferência, que elas sumissem. 

Desligando o registro, Hoseok pegou uma toalha, se secou e a rodeou sobre sua cintura, então andou a pia e escovou seu aparelho móvel, guardando-o em uma pequena caixinha verde. 

Apanhando uma bermuda e uma camiseta manga curta, ele a vestiu e deitou na cama, pegando o celular e tentando passar uma mensagem para SeokJin, mas estava sem sinal. 

— Que merda... — murmurou, nada contente.  

Coçando sua coxa, o Jung ficou de bruços sobre a cama e choramingou. Será que seria tão ruim ter apenas uma barrinha de sinal? Um pouquinho de dados móveis? 

Fechando brevemente os olhos, Hoseok sentou novamente e bagunçou seus fios ruivos. Resmungando que estava com fome, o rapaz levantou e foi à cozinha, bebendo um gole de suco de laranja e ficando confuso por perceber que Ah-ri não cuidava mais do fogão. 

Mexendo o macarrão com as verduras, o Jung abaixou o fogo e colocou um pouco de água, apenas para não ficar tão duro. Fechando a panela, ele encostou as costas na mesa e pegou o celular, sorrindo por ver que estava conseguindo sinal. 

Saindo de casa, Hoseok ergueu o braço e caminhou sem rumo para os lados. Duas barras. Sentando sobre os degraus de madeira que levava para a porta da pequena e miúda moradia, o Jung ainda com o braço erguido clicou no contato de SeokJin e se pôs a ligar para o número dele. Quatro barras de sinal. 

— Alô? 

— Jin? Jin, é o Hoseok! Vi que me mandou mensagem, mas meu celular é uma bosta, não está funcionando direito. 

— Onde você está? 

— Em casa. O que você quer? Chegou mais de dez mensagens suas e do Jimin. 

— Queremos o chamar para sair. Você disse que não conhece a cidade muito bem. A ideia do lugar foi o NamJoon. 

— Lugar? Que lugar? 

— Abriu um novo... — começou a chiar —, perto do centro... você quer ir? Vai... legal! 

— Jin-hyung, está muito ruim, não estou te entendendo. 

— Que... Hoseok! 

— O quê? 

— Eu... ligar... depois. 

Suspirando fundo, Hoseok afastou o celular do ouvido e grunhiu em ódio por SeokJin ter desligado. Ele só não tacava o celular no chão por não ter dinheiro para comprar outro. 

Abaixando a cabeça, o Jung revirou os olhos e cruzou os braços. “Saco” Olhando para frente, Hoseok franziu o cenho por enxergar uma Ferrari não muito longe. “O quê? Uma Ferrari? De quem é?” Ele queria saber, curioso. 

— Você é bem estressado.  

Pulando pelo susto, Hoseok arregalou os olhos e levou a mão ao peito, e por pouco não deixou o celular cair e quebrar, o que até em minutos atrás era o seu desejo; tendo a respiração desregulada, as pupilas dilatadas e o tórax subindo e descendo bem rápido, o Jung suspirou fundo e cerrou os olhos em direção a mulher indesejada ao seu lado. 

— Mas que merda! O que você faz aqui!? — O Jung ficou inconformado pela outra rir. 

— Não deveria tratar clientes dessa forma, boca de ferro. 

— Boca de quê!? 

— Boca de ferro. — A moça levantou. — Isso combina com você. — Cruzou os braços. 

— Isso... isso... isso é ridículo!  

Lisa sorriu de lado. 

— Não vim aqui para ouvir sua opinião, meu pai que escolheu esse lugar para comprar gado. Acho que sua mãe, uma tal de Ah-ri, foi resolver isso para mim. 

— Você é estúpida. — Hoseok bufou e ficou em pé, querendo dar as costas, mas se apavorou quando seu pulso fora agarrado. — M-Me solta, porra. 

— Hum... você é estranho. — Ela passou a pontinha de seu dedo no rosto do maior.  

— V-Você que é.  

— Vejo que o encontrou, querida. — Os dois viram Jungkook se aproximando. — Tsc, tsc, tsc. 

— Mas que droga, me solta... — Hoseok empurrou fraco a menina, calabreando para trás e abraçando o próprio corpo. — Até aqui vocês aparecem para infernizar a vida dos outros? 

— Ele é sempre tão mal-educado assim? 

— É o que sugere. — Manoban riu. 

— Eu sou educado com quem merece que eu seja educado.  

— Talvez você aprenda a ser educado de ou-... 

— Percebo que já conheceram o meu filho. — Os três olharam a dona Jung, que chegava montada em um cavalo de pelos escuros e muito bem cuidados. — Tenho certeza que Hoseok será um bom amigo para vocês. 

— Temos certeza que sim. — Jungkook sorriu. 

— Eu não. — O Jung resmungou. 

— Vamos lá, seu pai está lhe chamando, senhorita Manoban. Vocês já vão embora, a compra está feita. 

— Tudo bem, senhora Jung. Agradeço por ter avisado. 

— Por nada. 

— Nos vemos na faculdade, Hoseok. — O Jung teve certeza que Jungkook havia piscado em sua direção antes de dar as costas e caminhar a Ferrari com sua namorada. 

— Deve... ter sido coisa na minha cabeça. — Ele deu as costas e nem se preocupou em responder o “até logo” risonho que aquela patricinha lhe deu. 

[...] 

Revirando os olhos, Hoseok não aguentava mais SeokJin falando toda hora a mesma coisa em seu ouvido. Já não bastava NamJoon, que dizia, dizia e dizia que reclamaria na secretária que novos livros deveriam chegar na biblioteca e até então não fazia nada. 

Suspirando fundo, o Jung adentrou os dedos em seus fios ruivos e acomodou-se em sua cadeira na sala de aula, concordando com a cabeça quando Jimin lhe fez uma pergunta que nem ao menos quis prestar atenção para entender. Observando o Park e o Kim saírem da ala de seu curso, Hoseok olhou para SeokJin, e como sempre, notou que ele estava animado. 

— O que foi, SeokJin? 

— O NamJoon vai me pedir em namoro! 

Hoseok arregalou os olhos. 

— O quê? Como você sabe? 

— Eu só sei, Hoseok! Você precisa ir comigo ao parque amanhã! 

— Parque? Que parque? 

— Onde o Nam vai me pedir em namoro, criatura! 

— Mas aonde que é isso? 

— No centro. Abriram um parque de diversões antes de você chegar, claro, é bem simples, não tem nenhum brinquedo muito legal, a maioria é roubo, mas é ótimo para pedir alguém em namoro! 

— Aigoo, que bom então! Isso é ótimo! Você gosta dele, ele gosta de você. Casem! 

— Bobinho. — Jin debochou, já que o amigo não estava levando a sério. — Você vai comigo? 

— Acho que sim. Não tenho nada para fazer mesmo. Minha agenda está vazia. — brincou. 

— Perfeito! Leve dinheiro! 

— Mas eu não ten-... 

— A gente racha os valores. 

Sorrindo e assentindo com a cabeça, o Jung desviou a atenção de Jin para o professor, que acabara de entrar na classe. 

SeokJin era um bom amigo; tomava decisões boas e na maioria das vezes sempre tinha um lindo sorriso no rosto, era alegre e agitava qualquer um com suas ideias loucas. Hoseok gostava dele, o considerava bastante. 

Depois que o curso acabou, o Jung pegou o endereço certo para ir ao parque com SeokJin e voltou para a casa com o propósito de se arrumar. Não tinha muitas roupas para escolher a mais bonita, tão como os tênis, que continha apenas um em sua sapateira velha e mofada. 

Nu sobre a cama, Hoseok penteava seus fios avermelhados e aparentemente sedosos. Suspirando fundo, ele arqueou as costas e deixou um bocejo alto escapar; mentiria se dissesse que não estava cansado. 

Andando ao guarda-roupa e pegando uma de suas calças jeans, o Jung a vestiu e colocou uma blusa moletom amarelada, estando pronto para sair do quarto depois de calçar seus sapatos. 

Parando em frente a sua mãe, Hoseok falou baixo: 

— Eu estou saindo, tudo bem? 

— Essa hora? — Ela olhou para o garoto, que ficou desconfortável. Não tinha que dar satisfações. — Oh, certo... tudo bem, sim. Só não volte tão tarde, fará frio. 

— Prometo que ficarei bem. 

Pegando sua carteira, que continha no máximo trinta mil wones, Hoseok adentrou rapidamente em Robert pela ventania gelada que ocorreu. 

Bocejando novamente, ele arrumou o óculos sobre seu nariz e lambeu os lábios, tirando o celular do bolso e mandando uma mensagem para SeokJin avisando que estava a caminho, torcendo para que no meio da rota ela fosse enviada. 

Pressionando o botão debaixo do volante e ligando o motor, Hoseok deu partida e começou a ir em direção ao parque. As ruas à noite eram enfeitadas por pequenos piscas-piscas. O Jung nunca tinha visto, até porque nunca saiu de casa de Ah-ri à noite. 

O percurso não foi muito demorado, os habitantes respeitavam as leis de trânsito e tudo era tranquilo, sem muitas preocupações. Estacionando a caminhonete em um local afastado, o Jung viu sua aparência pelo retrovisor e constatou que não estava nada mal. “Eu tiro o aparelho ou fico com ele? Não... eu vou ficar. Mas e se eu quiser comer? Droga!” Revirando os olhos e tirando seu aparelho, Hoseok o colocou em uma caixinha e deixou no porta-luvas do veículo. 

Descendo da picape, o Jung deu duas batidinhas em seu traje e suspirou fundo, pegando o celular e ligando para SeokJin, que não demorou muito para atender e dizer que estava na próxima rua lhe esperando. 

— SeokJin! Aqui! — Hoseok acenou ao outro, que não tinha um semblante muito contente no rosto. — O que foi, hyung? O que aconteceu? 

— Hoseok, acho que vai dar merda, muita merda. 

— Por quê?  

— Todos... da universidade estão aqui, bem hoje. — Jin apontou a multidão que se formava dentro do parque de diversões. — E o NamJoon já chegou, trouxe o Jimin junto. 

— O quê? — Meio boquiaberto, Hoseok olhou para onde o mais velho apontava e esbugalhou os olhos. Havia muita gente. — E-Eu acho que isso não irá interferir em nada, não é? Caso o Nam te peça em namoro... só tem... muitos universitários.  

— Que merda! 

— Vem, não precisa ficar nervoso. — Entrelaçou seu braço com o do mais velho. — Calmamente nós o cumprimentamos e é isso.  

— T-Tudo bem. 

Andando até NamJoon, Hoseok parou ao lado de Jimin e o puxou para mais perto, empurrando os Kim para se tocarem e ficarem juntos. 

Olhando para o Park que ria do semblante de SeokJin, Hoseok permitiu-se acompanhá-lo, dizendo que iria ver o que o parque tinha a oferecer de bom, talvez um hot-dog.  

Como as ruas, tudo era bem iluminado e divertido, claro, mesmo tendo poucos brinquedos. Tinha uma música estrangeira tocando e as pessoas andavam de um lado para o outro, a maioria adolescentes com copos de bebidas alcoólicas na mão. Depois de ter ido ao carrinho de bate-bate com Jimin, Hoseok decidiu comer alguma coisa. Ainda tinha um pouco de dinheiro sobrando. 

Sentando em uma mesa de plástico, o Jung levou uma batata frita aos lábios do amigo e o ouviu fazer um barulhinho fofo indicando que estava satisfeito. 

— Você sabe o porquê de todos estarem aqui, hyung?  

— Não sei, Jimin-ssi. SeokJin disse que poucas pessoas vinham nesse lugar, porém não é o que parece. Tudo está animado. 

— Sim... — Deu de ombros. — Pelo menos não é um lugar abandonado para sentirmos medo. 

— Sim. — Gargalhou, levando o lanche a boca. — Hum, isso é ótimo!  

— Onde será que estão os pombinhos?  

— Eu só vi o Nam puxando o Jin para a roda gigante. Acho que lá em cima será um lugar mais reservado. 

— Que tal a gente ir bisbilhotar?  

— Eu? Eu não, tenho medo de ir lá. É tão... alto. 

— Não me diga que tem medo de altura, Hoseok-hyung! 

— Hey, idiota, não ria! — Deu-lhe um tapa no braço. — Eu tenho medo sim e é normal ter. Porém, caso você queira ir, vai lá. Eu estarei aqui comendo. 

— Você se importa de eu ir mesmo? 

— O quê? Não, pode ir. 

— Certo. Eu já volto. 

— Até mais, Jimin-ssi. — Hoseok acenou ao mais novo risonho, que correu em direção a roda gigante onde Jin e NamJoon entravam. — Ai, ai. 

Dando uma última mordida em seu lanche, Hoseok deixou o papel gorduroso em cima da mesa e bebeu um gole de seu refrigerante. 

Olhando para os lados meio perdido, o Jung franziu o cenho quando viu um certo brinquedo preso em uma parede de jogos. Um flamingo de pelúcia. Com os lábios em um perfeito “o”, Hoseok ficou de pé como um foguete saindo da Terra e caminhou em passos rápidos a banca de jogos, levantando a cabeça e ficando maravilhado pelo brinquedo parecer ser fofo, macio e mais adorável ainda. 

— Você gostou? — O Jung saiu de seus pensamentos quando o atendente da bancada falou consigo. — Quer para você? 

— Quero. — respondeu inocente. 

— Você precisa conseguir sete pontos atirando com... isso. — O senhor grisalho mostrou uma arma de brinquedo para Hoseok. Ela era preta, aparentemente pesada e bem grande. — Dois mil wones, quatro balas. 

Concordando com a cabeça, Hoseok tirou do bolso o valor e entregou ao senhor, que lhe passou a arma e as balas em um potinho verde água, dando as costas e murmurando um “boa sorte”. 

Concentrando-se em ganhar seu ursinho, o Jung um tanto desengonçado pegou a arma e apontou aos alvos que eram pequenos patinhos de borracha. Havia uma sequência de patinhos bem perto que valiam um ponto, a de trás três pontos e a última distante quatro pontos. 

Apertando o gatilho, a bala de brinquedo passou longe. Insatisfeito, o Jung deu mais um tiro. Mais outro e mais outro. Ele não tinha conseguido nenhum sequer ponto. 

Dando mais dois mil wones ao moço, Hoseok tentou conseguir o pequeno flamingo novamente. 

— Quero jogar uma vez. — Uma voz distante de onde Hoseok estava falou. — Sim, me dê a arma.  

Disparando seu último tiro, Hoseok choramingou tristonho por não ter acertado nem ao menos um alvo. Sentindo sua visão embaçar, o Jung suspirou fundo e tirou a carteira de seu bolso novamente, notando que tinha gastado todo o dinheiro com aquele tiro ao alvo. 

— Wow, parabéns, você acertou dezesseis pontos apenas na primeira rodada! Pode escolher qualquer coisa! — Hoseok ouviu o atendente falar para o outro jogador. “Queria eu ter acertado dezesseis pontos. Sortudo” Pensou. 

— Eu quero o flamingo. 

— O-Oh. — Olhando rapidamente para o lado, Hoseok sentiu seu coração apertar. Só havia um flamingo de pelúcia preso no arame. Cerrando os olhos em puro ódio para o cara que escolheu o flamingo, o Jung os arregalou pouco tempo depois por perceber quem era. “Ah, não, não, não. Desgraçado!” 

— Tudo bem, irei pegá-lo. 

Vendo o vendedor pegar o flamingo e entregá-lo ao ganhador, Hoseok fez um bico choroso nos lábios enquanto via Jeon Jungkook, um idiota roubador de flamingos, vir em sua direção com um sorriso debochado nos lábios. “O universo me odeia” Ele pensou querendo se jogar no chão ali mesmo. 

— O que você está fazendo aqui, idiota? 

— Toma, é para você. — Assustado, o Jung olhou a pelúcia estendida em sua direção. — Pegue logo, eu não quero ficar com esse negócio no meu quarto, fala sério. 

— Aigoo, não diga isso, ele é adorável! 

— Hoseok. — Riu. — Pega logo essa merda. 

— Tsc, por que você fez isso!? Eu não te pedi ajuda! 

— Eu vou jogar fora. 

Jungkook ia dar as costas, mas Hoseok pegou o flamingo e o abraçou contra o seu peito. 

— Insensível. — O Jung mostrou o dedo do meio para o Jeon. 

— Vem, me segue. 

— O quê? 

— Me segue. Eu te dei esse flamingo e você me paga uma bebida. 

Hoseok arqueou uma sobrancelha, correndo até o Jeon e tocando-lhe o pulso. 

— Mas... eu não tenho dinheiro para pagar. 

— Porra. — Ele revirou os olhos. — Eu te pago uma bebida então. 

— Mas eu não bebo. 

— Caralho, como você é chato. — Empurrou o Jung para andar em sua frente, guiando-o para uma barraquinha de bebidas. — Escolhe uma. 

— Eu já disse que não bebo, porr-... 

— Escolhe logo. 

Suspirando fundo, Hoseok passou a mão com raiva por seu rosto e olhou para o cardápio. Nada ali lhe agradava. 

Apontando a uma refeição, o Jung revirou os olhos quando Jungkook riu por ver o que desejava. 

— Ursinhos de vodca? 

— Sim, mas só as gelatinas, sem a vodca. 

— Me vê uma porção desses ursinhos de vodca. 

— Sem vodca! 

— Com vodca. 

— Argh, que ódio eu tenho de você! 

— Tome, senhores. — O garçom entregou a comida, que antes estava guardada dentro da geladeira. — Façam bom proveito. 

— Vai, experimenta.  

— Cadê a sua namorada? Vai ficar com ela, ela é a única que te aguenta. 

— Cala a boca e come logo. — Jungkook pegou uma gelatina e levou aos lábios do Jung, forçando-o a comer, assim logo pegou uma para si e degustou também. — Não é nada mal. É azedo, mas bom. 

— É horrível! 

— Foda-se, você tem que comer, eu que paguei e não quero desperdício. 

— Idiota. — Revirou os olhos. — Isso aqui não deixa bêbado, deixa? — Hoseok arqueou uma sobrancelha, levando um ursinho verde aos lábios. 

— Você por acaso já bebeu? 

— Não. 

— Então por acaso você é um bebê que acabou de sair das fraudas? — O Jeon perguntou, rindo. 

— Eu só não vejo necessidade em beber. — Deu de ombros, ignorando a provocação. 

— Está bem, então você pode ficar bêbado com vodca, talvez com esses ursinhos. 

— Não quero, pode comer. — Hoseok estendeu o potinho para o maior. 

— Larga de ser escroto e come. Eu cuido de você. 

Hoseok gargalhou. 

— Ata, mentiroso. — Saiu andando na frente, ainda segurando as gelatinas e levando umas a boca. — Jimin! — Hoseok gritou ao amigo, que parecia procurar alguém. — Aqui! 

— Hoseok-hyung! — O Park correu ao Jung, como o esperado. — Você não vai acreditar! 

— O que eu não vou acreditar? 

— NamJoon-hyung pediu mesmo Jin-hyung em namoro! — falou, alegre. — Não é incrível!? Eu vi toda a cena! 

— Sério!? Onde eles estão? 

— Perto da roda-gigante. Estão convidando todo mundo para a boate ali em frente! 

— Eles querem curtir? 

— Sim! Vamos! 

Segurando o pulso de Hoseok, Jimin o guiou para onde o novo casal se encontrava. 

Um pouco distante, Jungkook tinha os braços cruzados vendo o Jung indo embora. Sentindo um braço rodear sua cintura, o Jeon olhou para a namorada, que tinha um sorriso latino nos lábios. 

Selando seus lábios com os da menor, o Jeon a ouviu sussurrar: 

— Ele vai aceitar. 

(...)

Abraçando os amigos, Hoseok desejou sorte ao casal e comentou que ficou feliz por estar naquela época vendo aquele momento. Seguindo os Kim que foram em direção a boate escolhida por Jimin, o Jung adentrou nela e ficou surpreso por tudo ser muito bonito e brilhante. 

Segurando mais forte seu flamingo entre os dedos, Hoseok seguiu Jimin para sentar perto do balcão, logo pegando um copo que foi levado em sua direção por um garçom que passava.  

Olhando para o rosto do amigo, Hoseok notou que ele sorria, por isso fez o mesmo, só parando quando viu Jungkook adentrar na boate e ir para o lado contrário do seu, na área vip junto com a namorada. 

— O que foi, hyung? — Jimin perguntou, aproximando-se. 

— Aquele merda do Jungkook não para de me seguir, para onde eu vou, ele vai, não pode ser coincidência. Ainda mais Lisa, ela não para de me olhar. 

— O que será que eles querem? 

— Eu não sei, mas Jinnie disse que eles não gostam de bolseiros. 

— Eu soube disso, apesar, sou um bolseiro também. — O loiro deu um gole na sua bebida, que constatou que era whisky misturado com refrigerante diet. — Não tenho dinheiro para pagar a faculdade, mas o diretor disse que tenho potencial. 

— Hum. — Hoseok meio receoso levou a bebida aos lábios, depois arregalando os olhos pelo gosto não ser tão ruim. — Aigoo, isso é o quê? Por favor, me diga, eu quero mais. 

Jimin riu. 

— Me dê o seu copo, eu pego. — Ele disse ficando em pé. Entregando seu copo para o menor, Hoseok o observou chamar o barman e pedir para que o mesmo colocasse mais bebida ali, só que ao invés de ganhar apenas aquilo, ele pegou uma jarra cheia de whisky com refrigerante. — Toma. 

— Valeu. 

— Jin e Nam sumiram de vista, devem ter ido ao quarto lá de cima para transar. 

— Aqui tem quartos? — Hoseok bebericou um pouco. 

— Huhum. Não são muito bons, mas tem uma cama. 

— Você já foi lá? 

— Sim, já vim aqui algumas vezes. É a melhor boate da cidade.

Ficando ambos os amigos em silêncio, Hoseok notou sua cabeça começar a doer. Levando a borda do copo aos lábios novamente, o Jung bebeu o resto do whisky e olhou para Jimin. 

Jimin era naturalmente bonito; estrutura corporal baixa, cabelos loiros, lábios carnudos, olhos escuros, mãos pequenas e um sorriso encantador. Atraente e sexy, por assim dizer. 

Guiando outro copo cheio de whisky a boca e bebendo, o Jung suspirou fundo e fechou brevemente os olhos. “Não é tão ruim assim” Pensou ele, pegando mais uma dose. 

Com minutos passando, Hoseok lambeu os lábios e sentiu-se com mais liberdade para falar o que pensava, por isso tocou sem vergonha alguma na mão do Park e falou um tanto alto para ele conseguir ouvir: 

— Você é atraente, Jimin-ah. — Sua voz havia saído prolongada. — Sempre foi assim? — Hoseok tinha as bochechas avermelhadas e o nariz vermelhinho, indicando que já havia ingerido mais álcool do que deveria, ficando não tão sóbrio como antes. 

— Você não é forte para bebidas, hyung? — Jimin riu, mesmo que seu semblante fosse assustado, talvez constrangido. 

— Eu ainda não bebi muito. — Ele falou, enchendo seu copo. 

— Mas foi o suficiente para ficar bêbado. — O Park falava como se estivesse cem por cento sóbrio. 

— Tsc. — choramingou. — Você não respondeu minha pergunta. 

Jimin colocou mais bebida em seu copo de plástico outra vez. 

— Se você me acha atraente, eu não tenho como retrucar. 

— E se eu te beijasse? Você também me acharia atraente? 

— Eu não disse que não te acho atraente. 

Levantando, Hoseok em passos rápidos andou até Jimin e acomodou-se em suas coxas grossas, com uma perna de cada lado. Segurando a nuca do menor com uma das mãos, o Jung aproximou seus lábios com os do amigo e os chocou, logo sentindo a mão dele sobre sua cintura. 

Movendo as bocas em sincronia, Hoseok poderia até ser inexperiente em um monte de coisas, mas sabia como beijar. 

Chupando a língua de Jimin, o Jung o viu tentar brigar por espaço, enquanto rastros de saliva escapavam dos cantos de seus lábios. 

Separando-se minimamente, Hoseok suspirou fundo vendo o olhar do Park em seu rosto ao mesmo tempo que buscava ar. 

— Acho melhor dançarmos um pouco. — Jimin sussurrou. 

Concordando com a cabeça, Hoseok ficou em pé e segurou na mão do loiro, puxando-o para vir consigo a pista de dança, onde tinha um amontoado de jovens movendo-se de um lado para o outro, a maioria da faculdade do ruivo, outras apenas desempregados querendo curtir a sexta-feira. 

Hoseok nunca havia ingerido nada alcoólico; um dos motivos do porquê ficou bêbado tão rápido, outros por seu tamanho e modos de viver. 

Começando a dançar, Hoseok riu por Jimin fazer o mesmo. “Adorável” O Jung notou o Park lhe encoxar, mas nem se separou; estava gostando.  

A música tocada pelo DJ era agitada; graves maiores apareciam a cada segundo, tanto como as luzes que piscavam no teto, deixando as pessoas mais vibradas, fazendo-as esquecer que existia um mundo afora. 

Rindo sozinho, Hoseok concordou quando Jimin avisou que pegaria mais uma bebida. Pulando em meio à multidão, o Jung tinha os braços levantados, apenas curtindo a batida que chegava aos seus ouvidos como uma linda canção; na verdade, ele nem entendia o que o cantor de rap falava, já que a música era internacional. 

— A-Awn. — Hoseok gemeu quando sentiu alguém apalpar suas nádegas sem um pingo de remorso. — M-Mas que m-merda, não faz isso. — Ele falou manhoso, virando o rosto e sorrindo pequeno por ver a mulher em sua frente. — Que porra, até aqui você me segue? — Aproximou-se, sentindo o hálito da menor, que era um aroma raso da mesma bebida que tomou.  

— Você não deveria beber tanto. 

— Por quê? Se eu te beijar você vai pensar que é só porque eu bebi um pouquinho? — perguntou risonho. 

— Vem, eu vou te levar embora. 

— Mas eu não quero ir embora. — disse, mas nem se manifestou quando Lalisa apertou seu pulso, puxando-o para fora da boate. — Me solta, p-porra. 

— Cala a boca. 

— Você é tão estúpida! — Acertou um tapinha no ombro da loira, que revirou os olhos.  

— Ali. — sussurrou, arrastando Hoseok para onde o carro de seu namorado estava. — Abre a merda da porta, Jungkook. — Lisa mandou. 

— Calma, caralho. — Jungkook, que estava sentado no banco do motorista, destravou as portas. — Vai, entra logo, está frio. 

Sentando no banco ao lado do amante, Lisa suspirou fundo quando percebeu que Hoseok ainda estava parado.  

Puxando o Jung para se acomodar em seu colo, já que no carro havia apenas dois assentos, Manoban escutou Hoseok choramingar, enquanto tentava se soltar. 

Vendo que não tinha como sair, o de madeixas avermelhadas parou de se mexer e colocou o rosto no vão do pescoço da mulher, tentando achar pelo menos uma posição confortável. 

— Me deixa ir embora... — O bolseiro pediu. 

— Você vai. — Jungkook avisou, ligando o motor. 

— C-Cadê o meu f-flamingo? — Hoseok perguntou com os olhos lacrimejados quando reparou que não segurava a pelúcia, por isso se agitou no colo alheio. — V-Você viu ele? — Olhou para Lisa sonolento e choroso. 

— Você pegou o flamingo, Jungkook? 

— Peguei, amor, está lá trás. 

— Ele está lá trás, Hoseok. Depois te damos. 

Concordando com a cabeça, Hoseok fungou e passou os dedos pelos olhos, logo aconchegando-se outra vez em Lisa, que rodeou um braço por sua cintura e não se importou de apertá-la. 

— P-Para onde estão me levando? — Ele tocou no queixo da menina, vendo que ele era meio arredondado e macio. 

— Sua casa. 

— Eu não quero ir para a casa. — choramingou, abraçando o pescoço da Manoban, que olhou para Jungkook. 

— Isso não é uma opção. 

— Vocês são dois ridículos, n-não sei como se aguentam. — murmurou. — E-Eu nem queria estar aqui. — Fungou. 

— Pena que não está com razão para decidir isso. 

— Se fode, Jeon Jungkook. 

Voltando os três a ficarem em silêncio, Hoseok fechou os olhos e não demorou minutos para adormecer, diferente de Lisa, que mexia no celular, e de Jungkook, que dirigia concentrado na estrada. 

Virando o volante para entrar no rancho, Jungkook olhou para o relógio digital e viu que eram mais de duas horas da manhã. Estacionando o carro em frente à residência de Ah-ri, o Jeon massageou um dos ombros e olhou para Lisa. 

— Chegamos. Quer que eu o pegue? 

— Sim. Eu bato na porta. 

Saindo do carro, Jungkook andou em direção a namorada e abriu a porta, logo pegando Hoseok nos braços e dando espaço para Lisa sair. 

Hoseok era leve, não pesava muito e não dificultou tanto para Jungkook andar. 

Caminhando a porta e dando duas batidinhas nela, Manoban suspirou fundo e olhou para o Jeon, exibindo um sorriso pequeno. 

— Lisa, ele é perfeito para o que queremos. — sussurrou. 

— Eu sei, querido. — Tocou nas costas de Hoseok, que resmungou alguma coisa, porém não acordou. — Será que a mãe dele está aqui? 

— Não sei, tente abrir a porta. 

— Certo. — Empurrando a maçaneta, Lisa entrou na casa sem muito sofrimento, o que não pensava que aconteceria. — Aqui é velho. — Ela fez careta. 

— Nem me fale. — Jungkook revirou os olhos. — Onde é o quarto? 

— Sei lá, vida, acho que é lá trás. 

Não se importando de invadir uma casa que não era sua, Jungkook passou pelos corredores e colocou um pouco da cabeça pelos cômodos, entrando finalmente em um dormitório que parecia ser do Jung. 

Chamando por Lisa, Jungkook pediu para que a mesma arrumasse a cama de Hoseok, que estava cheia de livros e papéis. Depois de tudo arrumado, o Jeon deitou o menor sobre o colchão e o viu ficar rapidamente na posição de um perfeito “s”, gemendo baixo e suspirando, tentando achar uma posição confortável. 

— Ele tem uma bunda perfeita. — Lisa riu do comentário. 

— Vem, vamos embora. Amanhã falaremos com ele na faculdade. 


Notas Finais


Eu entrando no word e não achando o rascunho dessa fanfic para postar = por que me tomas, senhor? Eu fiz algo de errado?
Eu não sei o que é isso. Mas é isso.
Esse foi o primeiro capítulo e eu gostei um pouco, foi mal.
Sabe, gostei um pouco mesmo, detalhei o tanto que eu desejei e não me importei na hora de desenvolver caso ninguém gostasse.
Enfim... eu não tenho nada para falar KKKKKK

Eu fiz essa oneshot dedicado a Hoseok!bottom, nunca tinha visto algo assim.
Espero que não tenha ficado tão ruim.
Estou nervosa, credo.
Aviso que teve sim menção a Jihope. Não gosta, processa. Digo que os dois são bebês, somente isso.
Enfim, espero que tenham gostado!

Os créditos para a capa e banner vão totalmente para @Orniyoon .
Até a próxima?
Tchau Tchau ~


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