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História "unusual" - luwoo - Capítulo 1


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Notas do Autor


boa leitura!!

Capítulo 1 - OUT OF COMMON


❁ ════ ❃•❃ ════ ❁

❝ Se o passado fosse diferente, então nada seria assim agora.❞


── Yuk! ── Jungwoo apareceu na sala onde Yukhei encontrava-se olhando Pucca, com dois copos de algum líquido alaranjado e aquele sorriso que fazia as pernas do mais novo viraram gelatinas. ── Toma ── o menor entregou o copo para o Wong, sentando-se ao lado deste, bem pertinho.

O mais alto, como de praxe, já tinha o sorriso mais iluminado no rosto ao ter a presença de seu (não tão) pequeno junto à si, pegou um dos copos cheios com todo o cuidado do mundo e bebericou de leve.

── Hmmmmmmm... É maracujá! Foi você quem fez? ── Jungwoo afirmou, ainda sorrindo radiante, dando toda sua atenção a cada ação de Yukhei. ── Parabéns, pequeno, 'tá uma delícia! ── ele continuou o elogiando, vendo aquela pérola que era o sorriso do Kim virar a oitava maravilha do mundo para si − mais uma vez − e os pequenos olhinhos brilharem, formando a constelação mais preciosa que Yukhei poderia contemplar.

Kim Jungwoo era a definição de amor da vida de Wong Yukhei. E ai de quem negasse!

Ele tinha um efeito enorme sobre o mais alto, isso até a pessoa mais desligada do mundo perceberia. Com todas as qualidades e defeitos, manias e chatices, Jungwoo conseguia ser o namorado perfeito para o Wong. Ele era tudo o que o moreno precisava: uma pessoa sincera, leal, além de amorosa e carinhosa.

E que, pelo visto, fazia um delicioso suco natural de maracujá, a fruta preferida do chinês. Tudo de bom.

O mais novo, então, ajeitou-se melhor no sofá para abraçar o Kim de lado − mesmo que de forma desajeitada −, repousando a cabeça do mesmo em seu peito, sorrindo quando ouviu o menor soltar um suspiro que mais pareceu um ronronar, vendo-o sorver do próprio suco em seguida.

Lembrou do porquê amava tanto aquele serzinho. E, ah... Os motivos pareciam tão infinitos depois daqueles anos de convivência que listá-los seria uma tarefa difícil para a preguiça incomum do Wong.

Quando se conheceram, ainda no colegial, Yukhei mal havia chegado da China e já se encontrava em numa situação crítica: emancipado, com o sonho de modelo sendo ainda cultivado, estando dentro de uma cultura e lugar totalmente diferente do seu habitual, com a família longe e sem nenhum amigo ou contatos para que pudesse começar a se virar.

Porém, havia uma salvação, e ela chamava-se Kim Jungwoo, a luz em meio àquele caos

Portanto, a primeira vez que se viram foi na enfermaria do colegial, logo no primeiro dia de aula do segundo trimestre. Yukhei havia chegado atrasado e, com a corrida que dera até a instituição, acabou tropeçando na entrada da escola e batido a orelha no corrimão que ali tinha.

Fala sério, justo na orelha? Tudo bem, Yukhei estava aliviado que nenhum arranhãozinho foi feito em seu belo rosto de porcelana − menos mal. Mas tinha que ser na orelha? Qual o ser humano, em seu pleno estado normal, machuca a orelha quando cai? Era muita sorte no azar, céus! O bom era que ninguém tinha visto ele sendo a própria catástrofe ambulante no meio da rua.

Bom... isso foi o que ele pensou no momento, porque Jungwoo viu.

Assim que o desastre aconteceu, o Wong começou a xingar baixo todos os palavrões conhecidos por si, tanto em chinês como em coreano, não reparando que o Kim vinha apressado em sua direção. Já Jungwoo, preocupado com o estado em que o outro encontrava-se, não tardou em levá-lo para a enfermaria do segundo andar, mesmo tendo o mais novo acusando-o de sequestro. Quando chegaram à sala, viram que nenhum enfermeiro se encontrava presente naquele local, então o Kim decidiu que ele mesmo iria cuidar daquele ser com uma orelha maior que a outra − o tombo tinha sido feio mesmo, a ponto de inchar, chegando no auge de uma das orelhas, já naturalmente grande, ficar parecendo um bolinho grávido.

O moreno ainda não dominava totalmente o dialeto coreano, sabia do básico para um nível médio, então as conversas dentre os quinze minutos que passaram naquela sala duraram, no máximo e ao todo, um minuto. Mas o Wong não deixou de reparar na beleza que o Kim possuía, em sua aparência frágil e genuína, que não deixava de ser admirada.

Kim Jungwoo nasceu para ser admirado por Wong Yukhei, isso era fato.

O menor também não deixou de reparar o quanto Wong era belo, parecia um deus andando sobre a Terra. O detalhe na orelha só complementava, mesmo que fosse engraçado, de certa forma. Aquela aura exorbitante e intimidadora do mais alto não conduzia totalmente como normalmente agia perto de pessoas que confiava.

E Jungwoo, com o tempo, tornou-se a pessoa que Yukhei mais confia.

Mas o chinês não contava com a possibilidade de apaixonar-se tão rápido pelo garoto que parecia a própria reencarnação do Snoopy. Bastou apenas algumas conversas, virtualmente e pessoalmente, reparando em suas manias e hábitos sutis − algo que se tornou rotineiro no dia a dia de Yukhei, sem que ele ao menos notasse − que o maior viu-se no dilema de estar apaixonado ou não por aquele ser, pensando já na possibilidade de um breve afastamento para que pudesse compreender o que se passava no seu coração.

Todavia, a resposta era mais que óbvia. E o que era para ser uma simples paixão da adolescência, transformou-se em um sentimento tão puro e intenso por parte de si que desprover da presença do mais baixo estava fora de cogitação.

Contudo, Wong não estava nutrindo algo unilateralmente.

Conforme o convívio com o mais novo, Jungwoo via-se apegado demais a ele, necessitado cada vez mais do seu abraço, dos seus carinhos, dos seus colos e cafunés durante uma sessão de filme no apartamento do chinês. Via-se dependente da presença de Yukhei e viciado em cada pormenor que continha em sua pessoa, por mais ínfimo que fosse. Não foi uma surpresa para si quando deu-se conta do que já nutria pelo grandão, mas não deixou de ficar afetado quando o ciúmes se fez presente − mais do que já sentia.

Quando a ficha caiu, mesmo querendo não se magoar ao se iludir com mínimas possibilidades, o Kim ficava com uma mágoa extrema sempre que via Yukhei com Sicheng ou até mesmo com aquele outro chinês, Chenle. Mesmo que os dois fossem amigos de Luwoo − nome esse que o próprio Kim inventou ao juntar o apelido de Yukhei, Lucas, e a última sílaba de seu nome −, Jungwoo não conseguia se sentir confortável cada vez que presenciava cenas de abraços, carinhos e demonstrações de afeto partindo do maior com os outros dois. Era algo que ele simplesmente não podia controlar.

Congruente à isso, ele sentia-se inferior, pequeno, movido a insegurança e indeterminação, e seus motivos acerca dessas conturbações eram de sobra. Chenle tinha uma personalidade forte, com atitudes de dar inveja, além de possuir um corpo bem estruturado e magro, ainda era inteligente e fofo na medida certa; já o Kim era um tremendo tagarela, que chorava por qualquer coisa, frágil e com milhões de manhas e carências, era alto − o que não o agradava − e com um corpo moldado de curvas. Já Sicheng dava inveja por onde passasse. Este, mesmo sendo amigo do Kim, era exibido e modelado de perfeições, pois, além de possuir um coração bondoso e caridoso, era alto e esbelto, mesmo possuindo curvas, as mesmas eram firmes e durinhas, seu rosto muito bem esculpido, com feições fofas ao natural, lábios cheinhos e olhos profundos; não era um Jungwoo da vida, alto e com gordurinhas em partes que ele nem sequer um dia desejou, com um rosto nada simétrico e lábios finos demais só para completar o borrão horrendo que era seu olhar.

Zhong e Dong possuíam uma aura radiante, com sorrisos de dar inveja e personalidades seguras. Completos opostos de Jungwoo.

Tudo isso, claro, na visão míope do loiro.

Entretanto, o Kim nunca imaginou que Yukhei amasse tudo isso e mais um tantão de coisas nele. E que Zhong Chenle possuía um penhasco pelo estudante de engenharia, Park Jisung, e Dong Sicheng sempre estava aos beijos com Nakamoto Yuta, e que em breve já estaria de namoro com o japonês. O laço de amizade perdurava entre eles, mas não é como se Jungwoo fosse curioso em demasia ao ponto de saber do que cada um faz em sua vida íntima. Isso não lhe interessava.

Não quando não conseguia tirar as lumes de um certo cara grandão.

Com o tempo, depois da amizade já ter evoluído para um patamar colorido demais, mesmo com o Wong deixando claro sua afeição, fascinação e apreciação pelo corpo do menor, ele sempre presenciava o mais velho tendo crises de autodepreciação. Céus, como Jungwoo tinha coragem de dizer tais barbaridades sendo que o mesmo era a definição de beleza tesuda?! Ele podia não saber, mas fazia Yukhei pensar que era areia demais para seu pequeno caminhão-pipa. Aquelas curvas o deixavam tonto quando as tocava, aqueles lábios embriagavam o chinês com um simples beijo, aquelas mãos macias o faziam delirar. Era surreal o quanto ficava bonito até mesmo quando bocejava de sono, parecia um nenê crescido demais.

Tudo em Jungwoo fazia Yukhei ir para o paraíso de jatinho e voltar de paraquedas. Incomum.

Entretanto, agora, estando em um relacionamento sério com o menor, o chinês pode afirmar com toda a certeza que não ama o loiro apenas pela sua aparência, porque a personalidade do garoto ganha de dez à oito − não de dez à zero porque Kim Jungwoo é a pessoa mais linda do mundo na concepção do Wong. O moreno chegou até mesmo a criar uma listinha onde escreveu as coisas que ele mais ama no menor, e fez isso como uma forma de ajudar o Kim a lidar melhor com sua insegurança.

A lista era imensa, ocupando dez páginas de um diário de tamanho médio, e Yukhei fez questão de comprar o da Pucca − o qual ele sabia ser o desenho favorito do loiro desde pequeno −, cheio de imagens e que ainda continha diversos adesivos, só para agradar o mais velho. E, mesmo que o Wong quisesse passar o dia inteiro falando do quanto seu namorado era a pessoa mais perfeita do mundo, as qualidades que mais o chamavam atenção eram:

1°) Personalidade única. Seu jeitinho um tanto infantil de lidar com a maioria das coisas − que me agrada por demais, vale ressaltar −, bem como consegue ser maduro na hora certa e encarar suas responsabilidades cara à tapa, sem dar bobeira ou deixar algo fora do lugar.

2°) Voz. A simpatia e delicadeza em sua voz quando abre a boca para falar algo, mesmo sendo brincadeirinhas sem graça ou piadas que seu avô contava quando você era pequeno. Ah... Eu poderia ouvir sua voz por eternidades.

3°) Manha. A forma carente quando você fica com sono, quando está com fome ou até mesmo quando bebe em demasia, ficando todo manhoso, faz com que eu seja mais bobo que o normal por você. Porque eu amo cuidar do meu loirinho, amo amar de forma certa cada partezinha que te compõe.

4°) Indignação. Sua forma frustrada − que, quando relacionada a algo mais sério, vem depois de uma cena de irritação e bate pé no chão − quando não consegue algo que tanto almejou deixa-me totalmente maluquinho e de cabelo em pé, mas com um tremendo sorriso no rosto por conseguir te acalmar com meus beijinhos.

5°) A fofura. O jeito fofo que você fica quando faz aegyo para conseguir arrancar algo que queira de mim. Isso, com toda certeza, deixa-me morrendo de amores e vontade de guardar meu bebê em um potinho para proteger de todo o mal do mundo.

6°) Sensualidade. A maneira como você fica provocativo quando quer amor na cama ou no primeiro lugar que estivermos, deixando minha sanidade lá no fundo do poço − porque lidar com a cena de Kim Jungwoo pedindo-me bênção de joelhos, falando de si mesmo em terceira pessoa, carregando em suas orbes um olhar de falsa inocência enquanto maltrata levemente os próprios lábios é digna de vários troféus de ouro para mim.

7°) Sexy. Eu posso jurar que, quando posso vislumbrar seu semblante carregando um misto de cansaço e alívio logo depois de termos tido mais uma transa maravilhosa, fazendo você ficar sem voz e sem poder andar por uns bons dias chega a ser gratificante no momento em que posso contemplar esse momento pós-sexo que me enlouquece. Senhor, você é sexy demais!

8°) O sorriso, aquele com direito a gengiva exposta e seus dentinhos fofamente desalinhados, com suas bochechas formando curvinhas que toda vez eu tenho vontade de apertar. Sem dúvida alguma, é a parte que eu mais amo em você, pois o sorriso que modela seu rostinho, tão perfeito e bonitinho ao ponto de ser um atentado à olhos tão sensíveis como os meus, faz com que eu tenha certeza de que Kim Jungwoo é o ser mais precioso do planeta.

Logo que termina as infinitas coisas que Yukhei ama em Jungwoo − mesmo que algumas tenham feito um escarlate figurar ainda mais a face do menor −, o moreno ainda finaliza:

Resumindo, um doce de pessoa ─ que eu, Wong Yukhei, amo comer.

Tão incomum.

E naquele momento, em meio à pensamentos avoados sobre o caminho que sua vida tomou depois que o chinês apareceu nela, Jungwoo mais uma vez concluiu que tudo o que ele mais almejou estava ali, dando-lhe carinho e enchendo-o de elogios que o deixavam totalmente abobalhado e com um sorrisinho tímido.

Yukhei sabia como desmoralizar cada estrutura do Kim, de forma tão simples, mas que fazia um estrago em seu coração e em sua mente.

Era fora do comum o quanto o mais alto fazia bem para todas as partículas presentes no corpo do menor, o quanto amava e era amado por ele e o quanto sentia-se feliz cada vez que Wong dizia que Jungwoo era o amor de sua vida.

Agora, sentados na sala do mais velho, bebericando aquele suco de maracujá natural que ele havia feito com todo o amor e carinho para que ficassem mais calmos e serenos − o que era bem raro quando você namora um poste mais agitado que um pinscher bravo −, enquanto dividiam o conforto de um abraço desajeitado, olhando Pucca e compartilhando sorrisos, Jungwoo tem a mais absoluta certeza de que Yukhei é o homem da sua vida, e que não iria estar feliz ao lado de outro alguém que não fosse ele.

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