História Upcoming Redemption - Capítulo 10


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Categorias Miraculous: Tales of Ladybug & Cat Noir (Miraculous Ladybug)
Personagens Adrien Agreste (Cat Noir), Alya, André Bourgeois, Chloé Bourgeois, Gabriel Agreste, Marinette Dupain-Cheng (Ladybug), Mestre Fu, Nino, Personagens Originais, Plagg, Sabine Cheng, Sabrina, Tikki, Tom Dupain, Wayzz
Tags Amor, Chloe Bourgeois, Miraculous Ladybug, Queen Bee, Romance
Visualizações 90
Palavras 4.868
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção Adolescente, Hentai, Literatura Feminina, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


MEOW OW! HELLOW!
Turu bom com vocês, mis amores?
Demorou, demorou, demorou, MAS EU CHEGUEI
Ai meu Deus, essa vida de gente que tem que se formar não é pra mim não, meu Deus, quando é que eu fico rica na minha cobertura em NY na frente do Central Park?
Deixando de sonhar um pouco, o que vocês andam fazendo? A vida vai bem?
Eu só queria mais filmezins de zumbizins pra fazer minhas tardes felizin
Mas eu já assisti TODOS os da Netflix.
XENTI DU CÉU, o cap que eu terminei hoje, foi só o filé, ó!
Anyways, chega de tentar vocês.
Segura o fornin, que esse capítulo tá EM CHAMAS

Capítulo 10 - General Visions and Sighs


Não foi necessário muito tempo para que alguém na residência dos Johnson notasse que havia algo errado com o primogênito. Travis entrou, falou com todos rapidamente e seguiu para o quarto sem falar nada, num silêncio sepulcral.

    Dorian olhou para a noiva que brincava com o filho e ela o olhou, sorriu pequeno e a mulher se levantou, dando um beijo na cabeça do menininho e caminhando até o quarto do futuro enteado. Deu dois toques na porta antes de entrar.

    - Travis, querido? - ela falou olhando para dentro.

    O moreno estava sentado na escrivaninha e tinha acabado de ligar o computador, quando respondeu a mulher não tirou os olhos da tela.

    - Sim, Srta. Blanche?

    Só foram preciso duas palavras para Aimée saber que as coisas realmente estavam ruins com o menino, ela deu um sorriso fraco e entrou no quarto, caminhando até o adolescente. Ele continuava sem olhá-la, seus olhos estavam fixos numa mensagem que continha um endereço de email e telefone.

    - Já não conversamos e chegamos a conclusão de que poderia me chamar de Aimée, e eu até preferia? - a mulher falou parando ao lado dele com os braços cruzados.

    - Desculpe-me. - falou ainda sem olhar para ela.

    - Travis. - a loira pousou a mão sobre o ombro dele e finalmente o moreno pareceu dar-lhe alguma atenção.

    Uma parte dele preferia que ele não tivesse feito isso. Aimée era uma mulher linda, qualquer pessoa com um par de olhos diria isso, os cabelos dourados dela estavam presos num rabo-de-cavalo baixo, a pele perfeita e bronzeada, seus olhos azuis safira estavam fixos no menino com um carinho e uma preocupação de uma mulher que o via como filho.

    O que mais afetava Travis era que sua mente só conseguia pensar que quando Chloé ficasse mais velha ela poderia ter a mesma aparência, senão até mais linda, que a noiva de seu pai. O moreno suspirou e esfregou os olhos.

    - O que houve, querido? - a mulher perguntou depois de alguns segundos.

    - A história com Chloé não funcionou. - ele falou, simplesmente. - Eu devia ter ouvido todo mundo, o tanto de gente que me avisou que isso ia ser difícil, e que ela não era menina pra isso e…

    - Acredito que por toda essa sua reação você ainda vai demorar para superar essa menina, se superar. - Aimée falou com um sorriso pequeno e sentou-se na cama de Travis, olhando o mais novo. - O que houve?

    Travis não sabia ao certo o que falar, ele não queria contar a outras pessoas que tinha tirado a camisa na frente de Chloé para impressioná-la no dia do cinema, então como poderia explicar toda a situação?

    - Ela… - comprimiu os lábios. - Ela mentiu pra mim. - esfregou o rosto. - Ela fez algo e não me contou, e essa coisa me envolvia! - apoiou os cotovelos nos joelhos. - E o pior de tudo foi que fez isso enquanto bêbada…

Aimée ouviu tudo sem falar nada.

- Só isso? - Travis ergueu a sobrancelha, confuso e surpreso com a fala da mulher, ela deu um sorrisinho. - Realmente, mentiras não são boas, e quando as descobrimos ficamos desolados, ainda mais quando eram sobre um assunto sério. - ela olhou nos olhos do menino. - Mas tem um fato que deve ser levado em conta, ela estava bêbada, não?

O moreno apenas concordou.

- Pois bem, sei que não é uma desculpa, mas é algo que deve ser levado em consideração, as pessoas fazem loucuras quando bebem, Travis. - falou. - Deixe-me tentar adivinhar mais ou menos o cenário, ela bebeu muito, fez alguma coisa que poderia te afetar e ficou dias, até mesmo semanas, sem te contar o que foi e agindo da maneira mais normal possível contigo, não foi? - o menino concordou com a cabeça, atento ao que a mais velha falava. - Então em algum momento, ela soube que não podia mais segurar essa mentira, e decidiu te contar, estou certa? - mais uma vez ele concordou.

Aimée se levantou, abraçando o corpo e começou a andar pelo quarto, Travis a observava, sua postura parecia aflita, desconfortável até, era quase como se ela estivesse se forçando a continuar a conversa e aquilo confundiu um pouco o menino. Ele estivera acostumado a ver a mulher sempre bem aberta com eles, na verdade, ela sempre parecia disposta a levar uma conversa pelo máximo de tempo possível, e lá estava ela, querendo que aquilo acabasse.

- Aí você se surpreendeu, ou se chocou, ou simplesmente não soube como agir, logo depois disso vocês começaram uma discussão, uma discussão que em algum momento iria explodir… - ela parou e olhou para o menino, quando Travis olhou os olhos dela pareciam brilhantes, como se ela segurasse as lágrimas, mas de alguma forma ela tivera força suficiente para manter a voz. - E quando explodiu doeu, doeu muito, em você, nela… Vocês falaram coisas sem pensar, e então doeu mais ainda.

- C-Como você sabe? - Travis estava surpreso com como ela tinha contado aquela “visão geral” de tudo, parecia que ela tinha visto ao vivo.

- Porque foi assim com Erick quando contei que estava grávida…

Travis arregalou os olhos diante da afirmação dela.

O olhar dela parecia perdido, como se sua cabeça tivesse ido para um lugar completamente diferente e ela não tivesse percebido que tinha acabado de falar algo grande para um menino que até pouco tempo atrás nunca tinha visto. Então ela piscou algumas vezes e olhou-o, como se tivesse percebido o que tinha feito, Aimée limpou a garganta e virou-se para o adolescente, passando as mãos pelos olhos rapidamente e abanando o rosto, soltou um suspiro e fechou os olhos, respirando fundo algumas vezes.

- Desculpe-me… - enxugou as lágrimas mais uma vez e voltou a olhar para o menino. - Eu não esperava contar isso pra vocês dessa forma, mas enfim. - suspirou. - Estava numa festa da faculdade, bebi além da conta, meu namorado também, tinha acabado de trocar de pílula, ele não usou camisinha. - levantou um ombro e deu um sorrisinho. - Logo, logo viria Auguste.

Ela sentou-se na cama e Travis não achou certo continuar tão distante dela, então sentou-se ao lado dela, ambos olhavam para o chão, nenhum dos dois parecia ter certeza de como continuar.

- Eu escondi isso dele pelo tempo que pude, quando me expulsaram de casa e fui obrigada a procurar um lugar pra morar, só falei que tinha decidido sair, quando eu enjoava dizia que era nada demais… - sorriu fraco. - Mas era óbvio que em algum momento eu teria que falar, até porque não se pode esconder uma barriga de gravidez. - suspirou e olhou para a porta, parecia que ela olhava além, parecia que olhava para o menininho sentado no tapete da sala, que assistia desenhos toda manhã e que era fã número um de Chat Noir. - E quando contei foi exatamente assim…

Travis imitou o sorriso fraco dela, olhou para as próprias mãos e depois para os tênis, então voltou a olhar a loira ao seu lado.

- Não acho que o caso seu e do seu ex se enquadre no meu, apesar da visão geral ter sido a mesma… Não é como se Chloé tivesse me contado que está grávida, ou algo assim, até porque eu nunca… - ele não precisou completar, Aimée entendeu e apenas ergueu a mão para que ele parasse por ali. - A questão é, eu me senti… Sei lá, traído? O que eu fiz com ela foi algo que nunca tinha feito com alguém, o fato dela ter vazado as minhas fotos e…

- Ah, então isso tudo é sobre fotos vazadas? - Aimée deu um sorriso esperto e Travis arregalou os olhos, ficando vermelho em seguida.

- É… - coçou a nuca. - Há um tempo ela tinha me desafiado a bater fotos que fossem “boyfriend material”, bati várias mas ela não admitia, então meio que… Pra fazê-la admitir que ela namoraria comigo se visse uma foto minha numa revista eu… tirei a camisa na frente dela e deixei que ela batesse fotos minhas…

Aimée ficou alguns segundos calada e depois deu um risinho, logo seu risinho se transformou numa risada e em seguida numa gargalhada.

- Desculpe-me… - falou, se recompondo, tossiu e respirou fundo. - Travis… - precisou respirar fundo uma segunda vez. - Em algum momento uma menina te veria sem camisa, entendo que a primeira vez é algo inesquecível, claro isso provavelmente não resultaria nas suas fotos vazadas para… Para quem ela vazou essas fotos, seus amigos?

- Agências de modelos em Paris… - Aimée ergueu a sobrancelha. - Muitas ficaram interessadas em mim, querem que eu trabalhe como modelo.

- Bem, eles tem bom gosto… - Travis ficou vermelho e a mais velha riu. - O que quero dizer com isso tudo querido, é que entendo que foi algo ruim porque realmente foi, mas… - suspirou. - Falo por experiência própria, ela deve ter feito céu e inferno tentando consertar essa situação, ela não queria ter feito isso e tentou de todas as formas reparar o problema, quando percebeu que provavelmente não tinha mais o que fazer, fez o que considerou o certo, que era contar a verdade pra você independentemente da sua reação.

Travis pensou nas palavras dela por um tempo, lembrou-se de como o jeito de Chloé tinha mudado depois daquele final de semana e depois que enviou as fotos. Como ela parecia avoada e cansada, como ela parecia tentar esconder todas as suas frustrações, do dia que a encontrou do lado de fora do Benoit, até o momento que quase a vira chorar no colégio porque não aguentava mais.

Tudo fez sentido para o moreno.

E um lado dele sentiu-se mal pelo jeito que a tinha tratado, pelas palavras que tinha dito, lembrou-se de como ela tentou se desculpar, de como ela parecia arrependida. Mas sua raiva o cegava naquele momento e ele não sabia como reagir.

Por outro lado, ele ainda se sentia traído com toda aquela história, ela tinha mentido, não omitido, algo dele, algo que, talvez se ela tivesse contado antes teria evitado toda aquela cena. Além disso ela tinha sim chamado ele de virgem e que deveria experimentar uma foda antes de tentar ter algo com ela de novo.

Eles precisavam conversar…

Mas antes ele tinha que lidar com todo o problema da agência. Levantou-se.

- Obrigada pela conversa, Aimée. - a mulher sorriu.

- Nada demais, mon cher, além de tudo é a primeira vez que me chama de Aimée logo de primeira, continue treinando e pare de me chamar de Srta. Blanche. - falou se levantando também.

- Ok, Srta. Blanche. - ela revirou os olhos mais sorriu, antes que saísse do quarto, porém, Travis a chamou de novo. - Acho que deveria contar aquela parte da sua história pro meu pai, não se preocupe, ele já está muito apaixonado pela senhora…

- Ai mon Dieu, um menino de quinze anos me chamou de senhora e não tenho nem trinta anos. - falou massageando a cabeça e em seguida deu um sorrisinho para o garoto. - Irei, querido… Você também, dê um jeito de se acertar com sua garota. - sorriu e saiu.

Travis suspirou, Chloé era algo complicado realmente…

Balançou a cabeça, tinha que se concentrar na agência agora, enviou um email para o endereço que recebera, claro e simples, “Agradeço a proposta, mas não é não”. Enviou e suspirou aliviado por aquela história ter terminado.

Levantou-se da escrivaninha e foi tomar banho.

Só não esperava o e-mail em sua caixa de entrada quando voltou. Abriu-o e começou a ler, arregalando os olhos para as coisas que lia ali, no fim de tudo seu coração estava batendo em seu peito numa velocidade absurda, se equiparava com a velocidade que ele chegava como Renard de tão rápido. No fim do e-mail havia um anexo, ele engoliu em seco com medo do que apareceria e baixou-o, quando o download concluiu e ele abriu o arquivo seu coração deu uma cambalhota.

Voltou ao e-mail.

Então, vamos voltar a proposta e negociar? Você tem uma semana.

Atenciosamente, Elise Benoit.

O moreno engoliu em seco e agarrou o celular tentando ligar para a loira.

Caixa postal.

Eles realmente precisavam de uma conversa.

~*~

    Chloé chegou em casa e foi como se todo o peso do mundo tivesse sido depositado em seus ombros, cumprimentou alguns funcionários do hotel e seguiu para o elevador e para seu quarto em seguida.

    Por algum motivo parecia que o peso nos ombros de Chloé era ainda maior depois que chegou ao andar onde ficava ela e sua família. Tentou ignorar enquanto tirava suas roupas para entrar no banho, a probabilidade daquilo ser apenas coisa de sua cabeça depois dos acontecimentos daquela tarde era bem possível. Suspirou e esfregou o rosto entrando no banheiro.

    No entanto algo lhe chamou atenção.

    Sobre a bancada da pia estava sua caixa de absorventes, a loira ergueu a sobrancelha, sua menstruação já tinha vindo naquele mês e depois que aqueles terríveis dias passavam ela se certificava de guardar a caixa - era como se fosse uma maneira de “esquecer” que ela tinha que passar por aquele inferno todo mês.

    Então por que aquela caixa estava ali?

    Mordeu o lábio, mas balançou a cabeça e guardou-a no armário embaixo da pia, seguiu para seu banho com aquele peso e aquela sensação estranha. Parecia que seu corpo estava num estado de alerta, como se alguma coisa fosse acontecer.

    Chloé não gostava daquilo, nem um pouco.

    Saiu do banho e diferente de tantas outras vezes não fez todo seu ritual pós-banho, na verdade ela simplesmente escorregou para dentro de uma calça de moletom e uma camiseta preta escrita “Expresso Yourself” e saiu do quarto.

Parecia algo quase automático, seus pés pareciam saber o que fazer antes de seu cérebro pensar no que estava acontecendo, e quando viu estava parada na frente do quarto dos pais. Engoliu em seco e olhou para a maçaneta, foi como se toda sua visão tivesse embaçado e a única coisa que enxergava era a maçaneta.

Chloé grunhiu e agarrou-a, girando-a, o metal era quase frio, ou talvez fosse apenas mais uma impressão da mente da loira.

Mas seu instinto dizia que não.

Caminhou rapidamente pelo quarto, o pai ainda estava na prefeitura, se tivesse alguém ali só poderia ser a mãe, por isso seu coração batia tão rápido. Era algo louco, ela nem sabia porque estava agindo daquela forma, poderia muito bem ser nada demais e ela estava fazendo tempestade num copo d’água, entretanto algo no fundo de seu ser aparentava aquele sinal de alerta, um chiado em seus ouvidos e nada mais no mundo importava além de ver o que estava acontecendo.

A mãe não se encontrava no quarto então a loira logo seguiu para o banheiro.

A loira arregalou os olhos e cobriu a boca com as mãos diante da cena.

Nicole Bourgeois estava caída no chão, seu corpo parecia extremamente magro e frágil, além de tremer, ela tinha lágrimas escorrendo pelo rosto, apertava a região do abdomên como se sentisse muita dor, e o que mais assustou Chloé…

Sangue…

Havia sangue manchando o vestido da mãe.

- Chloé… - a mulher gemeu de dor.

Num momento como aquele, muitas pessoas ficariam paralisadas em choque, outras começariam a chorar e se lamentar e mais uma vez seria de ajuda zero. Mas com a menina foi diferente, sim, seu coração batia acelerado, seus pêlos estavam eriçados e suas pernas pareciam pregadas no chão, uma grande parte dela queria fazer o mesmo que todas aquelas pessoas em filmes e livros, jogar-se ao lado da mãe, gritar, espernear, pedir para alguém ligar para a emergência…

Porém o que ela fez foi o certo, manteve-se o mais calma possível - ou que podia aparentar - e puxou o celular ligando para a ambulância. Explicou todo o caso, sua voz estava baixa, parecia até mesmo apática, mas aquilo era apenas mais uma das demonstrações do “talento” de Chloé Bourgeois para esconder suas emoções.

Quando avisaram-na que já estavam enviando ajuda a loira se abaixou ao lado da mãe e segurou sua mão, a mulher apertou a filha com força enquanto chorava e Chloé engoliu em seco, sentindo as lágrimas queimando, mas se manteve forte, ao lado da mulher que agonizava de dor.

- Chloé eu…

- Shh… - a menina balançou a cabeça. - Tá tudo bem, vamos só resolver esse problema todo ok? A ambulância já vai chegar, daqui a pouco tudo vai se resolver…

    Nicole não disse mais nada, mas apertou a mão da filha e se encolheu.

    A menina ouviu o som da porta se abrindo e passos rápidos, de repente havia paramédicos no banheiro, analisaram toda a situação e colocaram a mãe de Chloé numa maca.

    - A senhorita irá acompanhar? - Chloé apenas concordou com a cabeça e seguiu-os para fora em direção ao elevador, parou um momento para falar com Jean.

    - Avise ao papai, por favor. - falou séria e Jean concordou com a cabeça trêmula.

    Chloé seguiu os paramédicos até o elevador e eles desceram.

    O mordomo estava impressionado com Chloé, a menina parecia passar uma maturidade que ele sabia que ela não teria normalmente, estava séria, uma pessoa que aparentava ter o completo controle da situação que estava, por mais complicada/difícil que fosse.

    Ela lembrava tanto a mãe daquela forma…

    Jean suspirou e continuou seus afazeres, notificando o Prefeito Bourgeois e continuando seu trabalho.

~*~

    Fazia algum tempo que Chloé estava na recepção do hospital, há alguns minutos o pai tinha ligado desesperado para ela perguntando da situação da mãe e o que tinha acontecido. Chloé usou uma voz amena e calma para explicar o que tinha acontecido, enquanto André Bourgeois praticamente berrava do outro lado da linha, depois de lhe confirmar que estava indo a loira suspirou e sentou-se numa das cadeiras, olhando fixamente para o piso de lajotas.

    A loira estava impressionada consigo mesma, ela mesma não conseguia acreditar quão calma conseguiu ficar diante de toda a situação no hotel, normalmente ela teria feito um verdadeiro escândalo e talvez até piorasse a situação, por isso o choque tendo em vista sua reação.

    Ainda assim, ela não era um ser terrível a ponto de realmente ficar apática. Seu coração batia tão rápido que parecia que iria sair pelo peito, seu pé não parava quieto e continuava batendo no chão continuamente, ela olhava para o corredor do hospital a cada minuto, esperando alguém sair para lhe dar notícias da mãe.

    Grunhiu e apoiou os cotovelos nos joelhos, cobrindo o rosto com as mãos. Ela queria chorar, seus olhos ardiam com as lágrimas, sua garganta estava seca, seu nariz fungava, aquilo era ridículo, ela odiava chorar e o máximo que pudesse iria evitar.

    Infelizmente sua cabeça não parava quieta, tentando ligar os pontos e entender o que tinha acontecido com sua mãe, mas ela não conseguia ser racional o suficiente naquele momento para conseguir analisar os sintomas para tentar descobrir o que ocorrera. Chloé vivera longos anos sem a presença materna, ela era uma criança quando a mãe tinha ido embora e ficara anos sem ter a menor ideia de onde ela estava.

    Agora que finalmente a tinha de volta parecia que algum ser divino não tinha gostado, ou simplesmente queria ver Chloé infeliz, porque a situação que ocorrera naquele dia não tinha sido boa, e a loira não conseguia acreditar que era um problema simples…

    Ela só queria poder discutir aquilo com alguém. Ou talvez nem discutir, no fim das contas. Travis saberia do momento que ela começasse que a situação não era boa, então mudaria de assunto e tentaria fazê-la pensar em outra coisa, algo mais leve e feliz do que quer que fosse que estava acontecendo com sua mãe.

    Por que diabos teve que pensar em Travis? Agora sua mente voltava para a imagem dele, para como ele parecera chocado, desapontado, até mesmo sem reação depois que Chloé lhe contou a história toda das fotos. Ela deveria ter pensado mais em como fazer aquilo. Devia ter pensado em tudo o que poderia acontecer para tentar encontrar caminhos que amenizassem tudo.

    Mas então ele a “pressionou” de um jeito que ela nunca teria capacidade de calcular todas as variáveis possíveis.

    Ok, Chloé não devia colocar a culpa nele…

    Mas ele tinha pedido para ela beijá-lo “de verdade” e aquilo tinha acabado com todos os neurônios da menina, Chloé não pensou, Chloé não cogitou se deveria ou não fazer aquilo. Ela simplesmente foi com seus instintos.

    Não era ele quem estava tentando ajudá-la a ser menos impulsiva?

    Grunhiu.

    Travis era uma confusão sem fim.

    E ainda assim ela tinha se apaixonado por ele.

    Soltou um longo suspiro e ouviu passos apressados na recepção do hospital, ergueu a cabeça e encontrou André Bourgeois irrompendo pela porta automática. O homem estava tão desnorteado que não fora capaz de achar a filha numa recepção quase vazia, quando por fim seus olhos bateram em Chloé ele soltou um suspiro de alívio antes de quase correr em direção a filha.

    - O que houve com sua mãe? Jean só me falou que você a encontrou no banheiro, com dor e sangrando e… - o homem cobriu a boca com as mãos. - Será que ela estava grávida e teve um aborto? Ai meu Deus, ai meu Deus. - André andava de um lado para o outro, completamente nervoso, seu terno estava todo fora do lugar e ele não apresentava nem um vestígio do homem feliz e bem humorado que era.

    - Papai. - Chloé segurou-o e parou-o quieto por um instante. - Por favor, se acalme… - o homem olhou a filha por longos segundos.

    Ela parecia tão madura, tão séria, tão controlada, não parecia mais aquela garotinha que chorou quando a mãe foi embora, não parecia a menina que qualquer coisinha ligava pedindo socorro pro pai. Por que ele demorou tanto tempo pra perceber isso? E por que isso teve que vir à tona quando num momento tão delicado quanto aquele?

    - Ai minha filha… - o homem ruiu e caiu de joelhos no chão, ficando quase da altura da filha e chorando enquanto a abraçava.

    Chloé sentiu os pêlos de seu corpo se arrepiando, quando o pai a abraçou e chorou em seus braços foi difícil, para não dizer impossível, segurar as lágrimas, ela ardiam fortemente e uma até chegou a escorrer por seu rosto, mas Chloé balançou a cabeça e apertou os braços ao redor do pai da melhor forma que pôde.

    Ela lembrou-se de como o abraçou no dia que a mãe os abandonou, lembrou-se de quão quebrado seu pai tinha ficado, de quão mal ele havia ficado, de tudo o que aconteceu depois disso. Ela lembrou-se como pensou que nunca mais queria ver alguém tão próximo dela chorando daquela forma.

    O que mais a atingia era pensar que o motivo do choro nas duas ocasiões fora o mesmo, sua mãe, porém, as duas carregavam uma carga de sentimentos tão diferentes, e ainda assim as duas tinham um ponto em comum…

    Nicole os deixando.

    Os olhos da loira se encheram d’água de novo quando ela pensou que a mãe poderia estar numa situação tão crítica a ponto de que ela os deixaria. Então ela fungou, balançou a cabeça, respirou fundo e segurou as lágrimas, o pai já chorava o suficiente por eles dois, e a menina não queria que ele ainda tivesse que lidar com ela chorando…

    Porque ela sabia que quando começasse, não seria só pela mãe…

    - Desculpem-me… - ouviram e os dois ergueram os olhos. - Prefeito, Srta.Bourgeois. - um médico os cumprimentou. - Sou o Dr. Duval. - falou e estendeu a mão, quando Chloé percebeu que o pai estava abalado demais para apertá-la o fez ela mesma. - Fiquei responsável por sua mãe e…

    - Ela está bem?! - André o cortou de repente e o médico suspirou.

    - Peço que me acompanhem, ok?

    Chloé olhou para o pai e ajudou-o a levantar, após o homem estar de pé o médico começou a caminhar e os outros dois o seguiram, com André fungando e tentando se recompor durante todo o caminho.

    - Tivemos que fazer uma cirurgia de urgência na sua esposa, Sr. Prefeito, ela teve uma hemorragia interna então precisávamos operá-la com urgência, ministramos remédios para a dor intensa que ela sentia também e conseguimos tratar desse… Quadro. - falou, a loira conseguiu perceber uma certa insegurança em sua voz, o homem limpou a garganta. - No entanto, tem mais coisas que precisamos discutir…

    Eles então chegaram ao quarto onde Nicole estava sedada e André logo voltou a chorar, o Dr. Duval e Chloé observaram o Prefeito e a menina olhou para o homem de jaleco.

    - Ele poderia ficar no quarto com a minha mãe por um tempo?

    - Apenas deve fazer silêncio, ela tomou muitos remédios pra dor e agora deve estar dormindo, mas por favor, sinta-se a vontade… - abriu a porta e deixou o homem entrar, fechou-a devagar e olhou para a menina a sua frente. - Você está sendo bem forte mocinha…

    Chloé suspirou e massageou as têmporas.

    - O que você ia dizer?

    O médico olhou para dentro do quarto mais uma vez.

    - Sabe que sua mãe apresentou alguns sintomas ultimamente, correto?

    - Ela tentou esconder de mim a todo custo, algumas vezes cheguei a vê-la com essas dores, mas sempre falava que não era nada demais e não me deixava aproximar… - o homem concordou.

    - Você teria alguma ideia dos sintomas que sua mãe sentia, e há quanto tempo ela já os apresentava? - perguntou com uma prancheta em mãos.

    - Não posso lhe afirmar com certeza, mas recentemente a vi com essas dores na região abdominal e das pernas, mais de uma vez… - Chloé tentava pensar. - Não sei se isso deve ser levado em conta, mas ela também começou a perder peso e hoje foi a primeira vez que a vi sangrando, só não sei lhe dizer se foi por causa disso…

    O Dr. Duval concordou enquanto anotava algumas coisas.

    - Sua mãe ainda menstrua ou já está na menopausa?

    - Menopausa… - Chloé começou a sentir uma inquietação correr pelo corpo. - O que ela tem, doutor?

    A expressão dele não era amigável, muito menos feliz.

    - Eu teria que falar com ela sobre mais algumas coisas que acredito que você não saiba, já que faz… O que uns dois, três meses desde que voltou a ver sua mãe? - a loira concordou com a cabeça. - Precisarei fazer algumas perguntas e talvez alguns exames para termos certeza do que está acontecendo aqui. - então deu um sorriso para a menina e pousou a mão no ombro dela. - Não se preocupe, faremos de tudo para sua mãe sair daqui com saúde e bem…

    A menina concordou com a cabeça, olhando para dentro do quarto onde a mãe se encontrava, André estava sentado numa poltrona ao lado do leito da mulher segurava a mão dela enquanto a olhava cheio de paixão e preocupação. Chloé suspirou e coçou a nuca olhando ao redor.

    - Ahn, Srta.Bourgeois, só mais uma coisa, a senhorita entende que só podemos deixar um acompanhante com ela, certo?

    - Ah, claro… Vou conversar com o meu pai. - o médico concordou e se afastou, dando espaço para a menina, ela entrou no quarto e sentiu os pêlos eriçados e um frio na espinha.

    Ela ainda odiava hospitais, seu cheiro, seus sons, estremeceu e olhou para o pai sentado ao lado da mãe. Lembrou-se de como sua situação era parecida há um tempo, quando quem estava sentada na poltrona era ela e no leito estava Travis.

    Travis…

    Ele provavelmente seria o melhor amigo do mundo naquele momento. Chloé não duvidava que ele seria capaz de ficar sentado na recepção pelo resto da noite e da madrugada se fosse necessário e que procuraria a loira de hora em hora para ter certeza de que ela estava bem, ele deveria oferecê-la para comprar um café, mas então lembraria que ela preferia chá, e se chegasse a um ponto que Chloé sentisse que estava para explodir, ele possivelmente a tiraria dali e a levaria para dar uma volta onde ela pudesse tentar relaxar e acalmar sua cabeça.

    Talvez ele a beijasse…

    Se ontem foi bom, e hoje você tava tendo um dia ruim, espero que isso tenha melhorado. Lembrou-se dele falando, lembrou-se do sorriso esperto dele, lembrou-se da intensidade do olhar azul dele sobre ela, lembrou-se de como seus braços traziam um conforto e um calor tão bom, lembrou-se de seus lábios e como eles poderiam tanto acalmá-la, quanto acender uma chama dentro de seu corpo.

    Infelizmente ela tinha conseguido estragar isso e talvez nunca mais sentiria nenhuma daquelas coisas…

    Suspirou e voltou a observar o pai e a mãe, lembrando-se de toda a história deles e como o pai ainda possuía aquele olhar apaixonado.

    Coçou a nuca e soltou mais um suspiro.

    Era um dia cheio deles.


Notas Finais


Primeiramente o que acharam de mais um capítulo com interações parentais? Mais importante delas, a relação do Travis com a Aimée? Foi uma parte que eu realmente gostei de escrever. (~btw, nossa madrasta favorita é inspirada na Angel, Candice Swanepoel, ô nomezin dificí)


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