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História Utapri - Short Stories - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


~ Arte da Capa do Capítulo por MONEY_MH_san no Twitter

Capítulo 4 - The Moonlight Waltz - Parte 2


Fanfic / Fanfiction Utapri - Short Stories - Capítulo 4 - The Moonlight Waltz - Parte 2

 

A garota andava de um lado para o outro, sempre conversando com as plantas. "Que garota louca..." O vampiro pensou consigo mesmo, mas enquanto ele estava distraído pensando em sua loucura, ela se aproximou com as mãos atrás do corpo, escondendo algo. "Ei! Hum... Eu tenho algo para você." Ela parecia insegura, com as pernas trêmulas, mas ainda o encarava. Ele apenas respondeu, tentando parecer indiferente: "O que você quer?"

Dessa vez, ele não podia dizer o que mais o chocou: a flor que ela lhe oferecia com as mãos sujas de terra ou o sorriso que ela lhe mostrava, o primeiro desde que ele a havia capturado. Se o coração dele ainda batesse, teria errado uma batida naquele momento. "Por quê...?" Era tudo o que ele podia dizer, ainda incapaz de entender o que estava acontecendo. A garota pareceu hesitar neste momento, olhando para outro lado e se afastando. Mais do que rapidamente, ele estendeu a mão e pegou a flor para si. A rosa branca era tão delicada, pequena e frágil... Assim como a humana à sua frente. Seus dedos lutaram para não estragar a flor, assim como seus instintos reprimiram a vontade de matar a menina antes.

Ele queria matá-la. Ele queria seguir as regras dos vampiros, mas... algo o impedia de fazê-lo. E esse fato lhe traria problemas em breve, porque o Conselho de Vampiros havia sido avisado sobre sua situação e o observava de perto.

A rosa branca que ele recebeu como presente foi mantida em seus aposentos até secar e morrer. No entanto, o sorriso da garota e o doce brilho em seus olhos estariam gravados para sempre em sua memória. Suas tentativas de fugir tornaram-se cada vez mais escassas, até que ela parou de tentar. Sem perceber, ambos se adaptaram a essa convivência e rotina.

Infelizmente, o Conselho de Vampiros não estava feliz com essa situação e enviou muitas cartas ao vampiro, ordenando que ele matasse a garota humana antes que ela poluísse seu coração e mente. Mas ele não obedeceu aos comandos das cartas, nem as respondeu. Ele apenas as deixou amontoadas dentro do baú na frente de sua cama. Ele não sabia o que fazer. É claro que a garota morreria em algum momento, o fato de ser humana provava isso, mas ele não queria ser... o assassino dela.

As cartas estavam se tornando cada vez mais sérias e ameaçadoras. O Conselho alegou que ele estava passando por todos os limites, então ele teria que escolher: ele mataria a garota de uma vez por todas ou a deixaria ir depois de apagar sua memória... mas essa última opção seria sua própria sentença de morte. Um vampiro que se recusa a matar humanos é morto pelo Conselho.

Ele viveu por muitos anos. Ele viveu mais do que deveria... Mas a garota ainda era jovem. A garota ainda não tinha vivido um quarto de sua vida. Ela merecia viver. Ela merecia ser feliz. Ela merecia ser... livre. Ele havia tomado uma decisão e precisava comunicar a garota o mais rápido possível. E ele tentou... Muitas vezes. Mas toda vez que ele olhava nos olhos dela, algo dentro dele se rompia. Ele não queria deixá-la seguir por esse caminho.

 

Os laços entre eles cresceram e se tornaram mais fortes. Eles se tornaram amigos e talvez até muito mais que isso. O Conselho dos Vampiros estava a caminho do castelo para forçá-lo a tomar uma decisão e ele sabia disso. Ele tentou se distanciar da garota nesses últimos dias, mas ela seguia sempre atrás dele.

"Você está... Você está me evitando?" Ela questionou com um olhar cheio de mágoa. Ele não conseguiu responder, apenas a abraçou, o que pareceu assustá-la ainda mais. Todo esse tempo ela estava desaparecida e ninguém parecia sentir falta dela, nem mesmo o marido. Isso a deixou sensível, sentimental... Demais, porque ela se apaixonou por aquela criatura que ela temia e menosprezara antes. Mas não havia mais tempo para pensar. Não havia tempo para evitar essa decisão que machucava tanto seu coração. O Conselho estava prestes a chegar e ele precisava tirar a garota dali se quisesse que ela vivesse por mais alguns anos. Ele pegou o rosto dela entre as mãos e a olhou com seriedade e tristeza.

"Eu tenho algo para te dizer. Você... Você tem que ir embora. Eu não te quero mais aqui. Você não é mais útil para mim. Vá embora!" E com um aceno de mão ele virou as costas para ela antes de perder toda a coragem novamente. Ela não parecia estar abalada com as palavras dele. “Você não vai tentar beber meu sangue? Não acredito no que você está dizendo. Eu sei que ainda sou útil aqui." Sua resposta o fez cerrar os punhos e se virar novamente, tentando mostrar raiva e desprezo. Contudo...

Contudo, ao se virar, ele viu um rosto banhado em lágrimas e olhos cheios de tristeza. “Eu sei... eu sei porque você está me afastando... Eu sei o que vai acontecer. Encontrei as cartas e li todas elas." Ela tentou se aproximar, mas ele se afastou. Se ele cedesse agora, ela morreria. "Eu te amo... Por favor, deve haver outro caminho."

Mas ele sabia que não havia outro caminho. Ele apagaria suas memórias e ela nunca se lembraria de nada que eles viveram. Seria melhor assim. Essa era a única maneira. Uma última vez, ele a beijou, apagando todas as memórias do dia em que a capturou. O processo fez com que ela perdesse a consciência, e ele a carregou nos braços na floresta silenciosa e escura, deixando-a novamente na vila de onde ela fugira naquele dia fatídico. Ao retornar ao seu castelo, ele seria morto. Seria o fim.

Quando ela acordou novamente, estava cercada pelos moradores, que fizeram várias perguntas sobre seu desaparecimento. Mas não importava o quanto tentasse, ela não conseguia se lembrar de nada. Eles trataram isso como algum tipo de amnésia ou perda de memória após um evento traumático. Ela perguntou sobre o marido, lembrando-se apenas da última briga, e lhe disseram que ele havia se casado com outra mulher e ido morar em outro lugar.

A jovem voltou para sua antiga casa e sua antiga vida, sentindo um enorme vazio no peito. Toda noite, sentada na cama e observando a lua no céu, sentia uma tristeza horrível varrer seu coração. E ela sempre sonhava com um belo castelo, cujo jardim estava cheio de rosas brancas como a lua cheia no céu noturno. Ela nunca se lembraria de como esses sonhos eram verdadeiros... Quanto o amor do vampiro por ela fora real... Eles dançaram The Moonlight Waltz, mas nunca se lembraram da beleza de seus passos e da nobre música que tocaram naquele dia. A canção de seus corações destinados.
 

[Fim]


Notas Finais


História originalmente postada em inglês na minha conta do Instagram: _utapri.stories


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