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História Utopia - One Shots camren - Capítulo 1


Escrita por: e mari_itsyoubabe


Notas do Autor


Notas iniciais:
●Escrita por: mari_itsyoubabe
●Romance lésbico
●Inspirada inicialmente nas músicas Que Se Mueran e Si Manta, Romeo Santos.

Capítulo 1 - Diosa - Secretária, parte 1


Fanfic / Fanfiction Utopia - One Shots camren - Capítulo 1 - Diosa - Secretária, parte 1

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Pov Camila Cabello.


Geórgia, EUA.


A morte de alguém próximo é capaz de provocar as transformações mais profundas e severas. Acomodação, dúvida, acidente, morte, solidão, mudança, preocupação e, depois de tudo isso, enfim um pouco de paz. Este é apenas um recorte de uma pequena parte da minha história que me fez amadurecer mais do que já havia feito em toda minha vida.


Eu, minha mãe e irmã fomos pegas de surpresa com a morte precoce do meu pai há pouco mais de um mês.



Eu havia acabado de terminar o MBA (Mestrado em Administração de Empresas), realizando o sonho que compartilhava com papai. Alejandro esperava que eu o ajudasse a administrar a empresa da nossa família, mas eu não imaginava que teria de fazer isso aos meus recém completados 24 anos e o pior: sozinha por conta de sua ausência repentina.


Na verdade, não tão sozinha assim… Havia Lauren, a secretária braço direito do meu pai. Eu não sei o que teria sido dele nessa empresa sem ela, assim como não sei o que seria de mim nesse momento sem esse ícone de mulher.


Lembro-me da presença dela desde meu colegial. Muito profissional, mas sempre quebrando altos galhos para o velho quando o mesmo se esquecia de resolver alguma coisa ou estava preso numa reunião e ela tinha que nos buscar num compromisso. Contudo ficamos um pouco mais próximas enquanto eu estava na faculdade e tivemos oportunidade de trocar algumas ideias acadêmicas. Foi quando vi que além da exuberante beleza, os deuses também a agraciaram com inteligência, simpatia e um cheiro bom.


Lauren vem de uma família simples, não teve os mesmos privilégios que eu. A prioridade em sua vida sempre fora a família, que contava com a mãe, uma irmã e o filho fruto de um relacionamento na juventude. Até alguns anos atrás, ela se dedicava exclusiva e incansavelmente ao trabalho buscando o bom sustento da sua família, só dando início a faculdade já na vida adulta com muito incentivo do meu pai. Lembro-me dele dizer que Lauren era inteligente e fiel, e que ela seria muito útil se cursasse Direito para advogar na Cabello Advocacy Group ao seu lado e dos demais advogados mais bem sucedidos de Atlanta. E isso era tudo o que eu sabia dela.


-Bom dia, Srta Camila. Preparada para comandar seu império? - a secretária entrou abraçada a algumas pastas na sala da diretoria, que agora era a minha sala.


-Dispenso esse “senhorita”, Lauren. - reviro os olhos, levantando o olhar à mulher a minha frente de cabelos soltos, dentro de um vestido creme de corte reto, um sobretudo na mesma cor, saltos de tiras finas e a deslumbrante beleza ostentada em seus majestosos 36 anos.


-Certo, Camila. Como se sente hoje? - repete a pergunta com um meio sorriso parando ao meu lado, despejando as pastas em minha mesa. Como se não bastasse tamanha beleza, seu cheiro ainda é hipnotizante.


-Tudo tranquilo, na medida do possível. Sofi voltou para Athens com o retorno das aulas e mamá decidiu realmente voltar para Miami para ficar mais perto da minha avó, vai ser melhor pra ela assim. - começo a folhear as páginas de um dos contratos muito bem organizados por minha secretária, previamente marcados nas partes que mais deveriam me interessar. - A propósito, Lauren, eu nunca serei grata o suficiente por ser tão eficiente e necessária. Eu entro nesse prédio quase apavorada, mas quando passo por aquelas portas e te vejo sentada atrás da sua mesa, é como se eu me visse livre de metade do peso das minhas costas. - digo sincera suspirando aliviada.


-Wow! Eu fico realmente feliz em poder te ajudar de alguma forma! - diz totalmente sem jeito, sentando-se numa das cadeiras do outro lado da mesa.


-Ajudar? Ah qual foi, Lauren? Você é essencial para esse lugar! - respondi, observando a mulher mais velha corar com minha sinceridade. Adorável.


-Okay… Mas você não respondeu a minha pergunta. Quero saber como você está? - perguntou-me dando enfoque ao pronome. Escorou os cotovelos na mesa, levando a mão esquerda em apoio ao queixo. O olhar dela me parece intimidador, causando um leve tremor no meu corpo. Devia ser proibido seu crush da adolescência e início da vida adulta te olhar desse jeito.


-Sinceramente, estou melhor do que imaginei que estaria. A vida precisa continuar, não é mesmo?


Antes que Lauren pudesse dizer algo, somos interrompidas por uma breve batida na porta. É o Sr. Downey, um excelente advogado do grupo. Por já ter ganho alguns casos midiáticos, se acha o todo poderoso, mas na minha opinião, a arrogância anula toda sua competência. Soube que enquanto eu me recuperava do luto inicial da morte do meu pai, ele se auto intitulou o chefe do pedaço. Em minha primeira reunião, ele deixou claro seu pensamento de que não crê na minha competência quanto a dirigir o grupo, mesmo que eu tenha formação em administração de empresas, ele acredita piamente que para o sucesso do lugar, eu precisava mesmo ter cursado Direito. Só que sabíamos bem que o real motivo dessa implicância se deve ao fato de eu ser mulher e ter a metade de sua idade (revirando os olhos com o pensamento).


-Como vai, querida? Chegaram os casos da Wings Engineering Company, escalei a Dra. Nicolette e …


Robert Downey Jr. se aproxima disparando a falar sem ao menos ser convidado a entrar na sala. Não é como se eu tivesse parado pra prestar atenção no que ele falava, mas não posso deixar de notar o incômodo da mulher a minha frente com a presença do homem que sequer a cumprimentou. Onde estava a educação desse cara? Percebo Lauren ajeitando as coisas para se retirar da minha sala sem ao menos terminarmos nossa conversa. Mas ah meu bem, ninguém destrata essa deusa na minha frente!


-Srta, Jauregui, poderia me responder por que os processos chegaram ao Dr. Downey antes de serem passados por mim? - ignoro completamente o monólogo do homem que calou-se no mesmo instante em que eu me dirigi à minha "crush impossível". Eu sabia que Lauren não tinha compactuado com aquele erro, mas queria manter ela na conversa e no ambiente.


-Na verdade, eu sequer tive acesso à esses processos, senhora. O estagiário normalmente os trazem ainda pela manhã. - responde totalmente sem jeito à minha reação.


-Sr. Downey, por gentileza peça a esse mesmo estagiário que retome a sua rotina, que entregue os processos à Dra. Jauregui antes de mais nada. Ninguém além de mim ou minha secretária, tem autorização para triar cada processo dessa empresa. Temos mais algum assunto a tratar nesse momento ou eu posso retomar minha reunião com a Dra. Jauregui?


Robert ficou estático por uns 10 segundos, tentando digerir minha ordem. Engolindo sua arrogância depois que recebeu a minha de volta, o homem se retirou com um “sim senhora” apenas. Mas eu posso jurar que ao cruzar o corredor amaldiçoou até minha terceira geração.


Volto meu olhar para Lauren que estava ainda mais branca, se é que isso era possível.


-Meu Deus, garota! O que foi isso? E que papo é esse de “doutora”?


-E por que não? Você é tão doutora quanto ele, Lauren. - dou de ombros.


Lauren havia terminado com honras a sua faculdade de Direito há dois anos, mas preferiu continuar trabalhando como secretária na empresa, negando as inúmeras propostas de promoção.
Não demorou muito e os tais casos chegaram até minha mesa, onde fiz questão de ter a opinião de Lauren sobre quais os melhores advogados para cada tipo de causa. Trabalhamos em sintonia: nos assuntos que eu não dominava, ela executava com perfeição. Enquanto isso verifico o quantitativo de casos concluídos por cada um dos nossos advogados nos últimos três meses. Ou pelo menos eu finjo prestar atenção na planilha aberta na tela do computador... não me culpem. É quase impossível se concentrar quando o motivo dos seus pensamentos pervertidos desde a adolescência está no mesmo ambiente que você. Lauren foi minha primeira paixonite lésbica nunca declarada por motivos óbvios: nunca que uma deusa como ela daria mole para uma pirralha nerd deslocada do colegial como eu. Meu aparelho ortodôntico e camisetas de super heróis também não ajudavam no processo. E mesmo que os poucos anos de lá até aqui tenham me favorecido, eu nunca soube algo que indicasse que talvez ela pudesse gostar de sair com mulheres.


Também não é como se eu já não estivesse tentado algo…


Uma vez, no meu primeiro ano da faculdade, nos encontramos por acaso num congresso. Ela prestes a se formar, super interessada no que era proposto nas palestras, enquanto eu marcava presença apenas pelas horas complementares. Caí na pilha dos meus amigos, que nunca tiveram muita coisa na cabeça mesmo, bebemos a tarde toda num pub próximo ao campus e chegamos meio alterados no congresso. Dei de cara com ela. Logo meus amigos notaram que Lauren se tratava da minha "planet green eyes attack you" ou simplesmente minha "crush impossível", que era como eu costumava me referir a ela. Depois disso o que se seguiu foram diversas ameaças vindas dos meus amigos, algumas palavras de incentivo e por fim, uma aposta.
Uma coisa sobre mim: não me desafie. Eu ganho qualquer aposta.
Pois bem, alguns minutos depois estava eu, Camila Embriagada Cabello, me embolando toda em chamá-la para sair. Pedido obviamente negado sutilmente pela mais velha.
O que quer dizer que minha queda por ela não é um segredo.


Voltando à imagem na minha frente, admirar a mulher falar com tamanha propriedade sobre sua profissão, totalmente alheia às minhas encaradas, era completamente atraente e sedutor. Apenas o fato de ela existir e respirar o mesmo ar que nós, meros mortais, já era absurdamente sedutor.


-Lauren, você tem compromisso essa noite? O que acha de sairmos para jantar? - perguntei de supetão, interrompendo toda a linha de raciocínio que ela usava para me explicar algo.


-Isso não seria certo, Camila. - como o esperado, um sutil fora.


-Mas seria, sem dúvidas, um belíssimo erro. - mandei a cantada.


Puta merda! É sério que eu falei isso em voz alta? Como é que tu me usa uma cantada fajuta de pedreiro com uma deusa dessa Karla Camila!?!? Me condenei em pensamento, mas quando encarei a mulher novamente, ela achava graça da situação, sorrindo enquanto balançava a cabeça em negação. Adorável!


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-Olha só quem decidiu dar o ar da graça! Se não é a sapatão mais cobiçada do estado da Geórgia!? - esse comentário alto e em bom tom só podia ter vindo de Hayley, que levantou-se da mesa para me cumprimentar com um abraço apertado.


Vínhamos a esse no pub, o Publik Draft House, desde os tempos da faculdade. Além de muito bem frequentado por pessoas de vários estilos, o atendimento e a comida servida eram ótimos.


-Camilita, que bom ver você aqui! - dessa vez foi Kehlani que se levantou logo depois da namorada para me cumprimentar. Eu ainda custo acreditar que a maluca da minha melhor amiga namora uma das pessoas mais adoráveis que pude conhecer. Mas elas são o meu casal preferido nesse mundo!


-Agora que é uma mulher de negócios, não tem mais tempo pra gente Hayley, melhor nos conformarmos… - Shawn disse fazendo drama. Meu melhor amigo nem mesmo se levantou para me cumprimentar decentemente, preferiu fazer uma expressão de pouco caso enquanto admirava as unhas das próprias mãos, como se aquilo fosse a coisa mais importante. Mesmo assim eu o abracei desajeitadamente desferindo diversos beijos em sua cabeça, ignorando suas esquivadas.


-Ou será que a ocupação real dela não seria a belíssima secretária de olhos verdes e curvas sinuosas? - Hayley sugere, levando um cutucão da namorada.


Bufei ao me acomodar na cadeira ao lado de Shawn.


-As duas coisas amiga… as duas coisas… Hoje eu definitivamente preciso de boas doses de bebida.


-Ah meu bem, pode deixar que eu mesmo peço sua bebida, mas só porque quero saber detalhe por detalhe desse drama sapatão. - o curioso ao meu lado disse já acenando para o garçom conhecido, fazendo todos a mesa sorrirem.


Logo nossas bebidas chegaram, então comecei a contar como tem sido minhas últimas semanas no escritório.


Depois que percebi que Lauren gostou da primeira cantada de pedreiro, vieram muitas outras. Em qualquer mínima abertura que ela me dava, eu não perdia a oportunidade de dar em cima dela descaradamente. Não é como se estivesse dando muito certo, mas pelo menos eu lhe roubava muitas risadas. E ela sorrindo é a coisa mais fofa desse mundo!
Porém, na maior parte do tempo ela estava me enlouquecendo sem ao menos notar.
Lauren não costumava usar roupas curtas ou muito decotadas, mas qualquer pedaço de tecido naquele corpo chama a atenção de qualquer ser vivo. Seja por suas curvas ou pelo estilo único. Ou pelo balançar dos cabelos ou pelos movimentos mais sutis das suas mãos. Ou talvez eu repare demais nela…


Só para constar, minha sala tinha uma aparência um tanto quanto formal. A minha mesa ficava do lado oposto da grande porta de madeira, toda a extensão da parede esquerda era tomada de livros judiciários que papai colecionava e optei por deixá-los ali mais por uma questão decorativa mesmo, em oposto à parede de livros, a parede de vidros trazia uma iluminação natural ao ambiente. No espaço entre minha mesa e a porta tinha um conjunto de sofás de couro, o de três lugares ficava alinhado à estante de livros e outras duas poltronas de costas para a parede de vidro, formando um corredor entre eles ligando minha mesa à porta. E era esse espaço vazio decorado apenas com um tapete persa no chão, o meu pedaço favorito do ambiente, cenário das mais belas cenas do meu dia-a-dia naquele lugar.
Como de costume, passo pela mesa da minha secretária a cumprimentando e ela vem até mim pouco depois. E a cada vez que aquela mulher passa pela porta vindo até minha mesa, o mundo entra num estado de slow motion, as luzes se apagam, holofotes acendem em sua direção e toca Crazy in Love da Beyoncé de fundo, acompanhando o gingado dos seus quadris. A cena que era pra acontecer em 4 segundos durava 4 minutos. Tudo na minha mente criativa, claro.
Eu ainda não me decidi qual o modelo preferido desses meus desfiles privados. Talvez seja o body preto de gola alta e mangas compridas, calça vinho de corte social, que combinava perfeitamente com o batom de mesma cor em seus lábios - este certamente estava no meu top3. Ou o vestido xadrez com coturnos de salto. Tinha também o vestido branco soltinho da cintura para baixo, sem muitos detalhes, mas dava-lhe uma aparência mais corada. Eu não sei como ela poderia ficar impecavelmente linda com aquela blusa creme decotada de manga longa e saia branca que a deixavam ainda mais pálida, se é que isso era possível.


Certa vez, cheguei bem mais cedo e enquanto eu voltava da copa com meu café a vi chegar. Ela estava de tênis e conjunto da adidas pretos, totalmente colados no corpo, cabelos presos num coque desleixado e pele com aspecto suado. Descobri naquele dia que ela frequentava a academia antes de vir para o escritório, deixando para tomar banho e trocar de roupa no vestiário da empresa. Eu estava pensando seriamente a chegar todos os dias mais cedo para assistir àquela cena repetidamente, enquanto criava na minha mente uma fanfic onde ela seria minha personal.


-Ah qual foi, Mila? Você precisa fazer alguma coisa! Eu não te criei na base do petit suisse sem colherzinha, com o maior carinho do mundo, pra você ficar parecendo uma cadelinha atrás de uma mulher desse jeito! - Hayley comenta depois que finalizei todo o “relatório semanal”.


-Amiga, o fogo no rabo é grande, a gente entende. Mas seja uma piranha inteligente! Se ela não te quer, parte pra outra! - conselho de Shawn


Em seguida, os dois começaram a discutir entre eles o que eu devia fazer como se eu nem estivesse ali para opinar. E acreditem, eles tinham as ideias mais mirabolantes possíveis.


-Mila, eu sinceramente acho que se ela não quisesse nada com você, já teria te cortado de uma vez. Ela está curtindo a situação sim, até correspondeu a alguns flertes! Eu não desistiria… - Kehlani é a mais sensata de nós, e é comum que a gente sempre pense a respeito da opinião dela.


-É. Olhando por esse lado, Keh tem razão… - Hayley concorda com a namorada.


-Opa, opa! Quem agora mesmo estava me mandando partir pra outra? Mudou de ideia rápido, hein? Quem é a cadelinha mesmo? - eu não podia perder a chance de debochar da minha amiga, que me respondeu com uma virada de olhos apenas. É aquele ditado “quem cala, consente”.


-Pode ser que ela esteja apenas de cu doce mesmo. E se alguém pode falar sobre isso com propriedade, esse alguém é Kehlani! - Shawn comenta fazendo uma referência aos 8 meses que Hayley precisou correr atrás da nossa amiga para conseguir o primeiro encontro, fazendo todos rirem da lembrança.


-Então… Se eu estivesse no lugar dela, estaria apenas esperando um “chega junto” pra confirmar que apesar das cantadas baratas, a intenção é mais que real.


Okay. Então, seja o que Santa Rihanna quiser!



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POV Narrador


-Ah não viaja, Dinah! Não vem com esse papo de sapatão sonhadora… Isso não passa de uma brincadeira da Camila.



Como era de costume, as amigas estavam arrumando a cozinha depois de jantarem na casa de Lauren, enquanto a outra madrinha de seu filho, Normani, fazia questão de sentar-se com o garoto para inteirar-se sobre assuntos da escola.
Essa fora a rotina que elas estabeleceram para manter a presença constante no dia-a-dia umas das outras. Desde quando Dylan ainda era muito pequeno, pelo menos três vezes na semana elas tiravam esse momento para estarem juntas e não perderem nenhum detalhe da vida do afilhado.


-Santa Beyoncé, Lauren! Você não pode ser tão burra assim. Ninguém faz tantas “brincadeiras” sem um fundo de verdade. Você sabe que eu tenho razão nisso, então qual o problema?


-Qual o problema, Dinah? Sério? Okay, então senta aí que vou te contar a listinha de possíveis problemas que isso pode me causar. - Lauren disse largando a louça na pia enquanto Dinah leva a sério o pedido de “senta aí”.


-Sou toda ouvidos, querida. Pode começar a lista de desculpas para a sua auto-sabotagem. - a loira cruza as pernas e braços numa pose desdenhosa com cara de tédio.


-Primeira coisa, qual a parte que você não entendeu que Camila é minha chefe? Eu não passo de uma secretária muito mais velha que ela… Suponhamos que ela realmente queira algo, apenas suponhamos! Isso certamente não passa de um fetiche de garota. E quando ela conseguir o que quer? O que acha que ela vai fazer? Acredita mesmo que ela vai me manter ali?


-Pelo amor, Lauren. Nem você mesma acredita no que está falando. Você conhece essa menina há anos, sabe bem a criação que teve e conhece também a sua índole. E digo mais, essa garota não está apenas afim de te dar uns pegas. Ninguém insiste assim com tanta paciência se não estiver, no mínimo, apaixonada.


-Ah, claro! Quer que eu acredite no que mais? Que ela me pedirá em casamento na nossa primeira noite? - a morena passou a andar de uma lado a outro de braços cruzados, e continua antes que a amiga arrume outro argumento - Acha que é fácil conseguir um novo emprego na minha idade? Eu não vou arriscar meu cargo por um lance qualquer, um romancezinho superficial. Sem contar o fato de que, porra, Camila é completamente apaixonante! Imagina eu, nessa idade, com um filho nas costas, sofrendo por conta de uma garota. Não, Dinah. Sem chance.


-Laur, sinto lhe informar, mas se você já pensou em todas essas possibilidades, isso não me parece sem chance de acontecer. - Dinah rebate ainda mais debochada.


-Eu levantei apenas uma hipótese, Dinah. Não confunda as coisas. - Lauren respirou fundo antes de continuar a falar - Na realidade, não existe nenhuma possibilidade de um pessoa como Camila estar realmente interessada por mim. Sejamos sinceras, Dinah… Camila é uma mulher de posses, muitíssimo bem sucedida, inteligente, engraçada, atraente, naturalmente sexy, isso porque você nunca esteve perto o suficiente para sentir seu cheiro. Cada palavra que sai da boca dela é hipnose pura! E por falar em boca, céus! Aquela ali foi milimetricamente esculpida pelo criador. Ela pode ter a mulher que quiser facilmente, acha mesmo que ela se interessaria por mim?


Diante do silêncio da amiga, Lauren finalmente sai dos seus devaneios encarando agora também Normani, que entrou na cozinha a tempo de ouvir sua última fala.


-Que merda hein, Laur. Você já está apaixonada, tarde demais. - Normani conclui.


[n/a: sapatão é um bicho emocionado, né mores]


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POV Camila Cadelinha Cabello


Só poderia ser uma providência divina o fato de Lana Del Rey estar no Atlanta’s Philips Arena neste final de semana! Eu estava decidida a investir pesado na minha egrégia secretária, e enquanto eu procurava por eventos interessantes para chamá-la para sair (mais uma vez), me deparo com o show de uma de suas cantoras preferidas! Lembro-me das várias caronas que Lauren nos dava na volta da escola ao som de Lana. E eu, como toda garota quando sofre de paixonite severa, fiz questão de escutar todos os álbuns da cantora já planejando um possível assunto com a mais velha.
Não foi nada fácil conseguir entradas para assistir ao show de um bom lugar, mas essa oportunidade eu não poderia perder de forma alguma. Agora eu só precisava do momento certo, um plano perfeito para correr o menor risco possível dela recusar.


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-Trago boas notícias, chefe! - e lá vem ela em minha direção, mais uma vez o mundo em câmera lenta registrou sua entrada triunfal, com anjos que tocavam suas trombetas anunciando a entrada daquela deusa.


Para a minha perdição, hoje Lauren ousou vestir uma blusa vinho em couro sintético com estilo de manga ombro a ombro curta, combinada a uma saia branca de cós alto indo até pouco acima dos joelhos e saltos pretos de tiras. Mas pasmem, dessa vez a mulher mais velha permitiu que o look mostrasse dois dedinhos de sua barriga lisinha! Apenas dois dedinhos de pele à mostra, o que é ousado demais para o de costume. Gratidão, mãe Rihanna! Por mais dias como esse, amém.


-Para a decepção do seu funcionário preferido, Sr. Downey, a administração da jovem Cabello tem rendido bons frutos! Além de consideráveis cortes de gastos mantendo a qualidade dos serviços e bem-estar dos funcionários, tivemos as causas ganhas de praticamente todos os últimos casos, o que quer dizer que foram encaminhadas aos profissionais certos. Também terminei de recolher a pesquisa de satisfação entre os funcionários e em sua grandíssima maioria, todos demonstram satisfação em relação ao ambiente de trabalho, salários, e em especial à sua mais nova diretora. - minha secretária me estendeu um relatório e se acomodou na cadeira à minha frente.


O sorriso que Lauren me oferece é tão grande que mal cabe em seu rosto! Eu podia jurar que havia um brilho de orgulho ali. Certamente havia. Ela estava orgulhosa de mim. E eu não sabia se o meu sorriso era pela satisfação do resultado do meu trabalho, ou se era apenas o reflexo do sorriso dela.


-Oh meu Deus, Lauren! Você não tem ideia do quanto isso é importante para mim. Contudo, primeiramente eu preciso te agradecer, pois eu não poderia ter feito nem um terço disso se não tivesse você assistindo de perto e me orientando da melhor forma.


-Oh não, eu apenas te assisti. Você foi magnífica em tudo isso. Aceite o elogio e seu mérito. - ela dá de ombros.


-Ah, okay, eu aceito! Eu sou muito boa mesmo, uma mulher incrível, sabe? Eu até chamaria a mim mesma para uma comemoração se isso fosse possível. Mas não posso… Mas você pode! Pense nisso. - dou-lhe uma piscadinha travessa arrancando boas risadas da mais velha, e continuo depois de apreciar esse momento - Estava realmente pensando em te chamar para sair. Mas estou feliz demais hoje para receber mais um fora e estragar meu dia.


-Ah, mas que pena. Hoje poderia ter sido seu dia de sorte, já que acordei decidida a corresponder aos seus flertes baratos. - e dessa vez quem piscou foi ela, com um sorrisinho malicioso nos lábios, se levantando para enfim se retirar da minha sala.


Espera. Sorriso malicioso? Lauren? Eu realmente escutei o que ela disse ou isso é alguma alucinação da minha mente criativa?
Quanto Lauren está quase chegando à porta, enfim saí do meu estado de torpor e corri em sua direção. Paro à sua frente, impedindo que continue seu caminho.


-É sério o que você falou? Sério mesmo? Você não brincaria com isso, não é?


Eu estou eufórica, confesso! Em pensar que há poucos minutos eu estava planejando a melhor forma de chamá-la para um encontro, já prevendo um fora daqueles. Mas pelo jeito, para a minha surpresa, Lauren está de fato disposta a aceitar! Céus! Eu mal posso acreditar! Enquanto lido com minha euforia, a mulher à minha frente parece se divertir com meu desespero.


-Não, Camila. Eu não brincaria com isso. - noto seu sua expressão se fechar um pouco, tornando-se séria e seu olhar intenso a me analisar - E você? Brincaria com isso?


Mas ao invés da minha reação acompanhar a sua, um sorriso cresceu em meus lábios, mal cabendo em meu rosto. Apesar do meu estado de arrebatamento, eu entendi perfeitamente a questão em que ela deixou subentendida. Ela não perguntava apenas sobre nosso possível encontro, mas sobre o que aquilo poderia nos levar futuramente. Espero que minha reação seja o suficiente como resposta a sua pergunta, já que eu não conseguiria formular uma frase sequer nesse momento.


Lauren está mesmo falando sério! Céus!!! Isso vai além de uma saída. Ela está me dando a oportunidade de entrar em sua vida. Caralho, eu não consigo acreditar!


Inspiro o ar com dificuldade, só então percebendo que eu prendia a respiração, tamanha era minha euforia! Ainda sem conseguir sequer lhe responder, levanto uma de minhas mãos com o indicador esticado, pedindo-lhe um momento. Com pressa, retorno à minha mesa. Seu olhar me acompanha enquanto procuro algo em minha bolsa. Mesmo trocando as pernas, rapidamente volto para perto da minha deusa parando em sua frente, estendendo-lhe os dois tickets. Engulo em seco, tentando manter a sanidade.


-Sábado eu e você temos um encontro com Lana Del Rey!


Lauren tomou os ingressos da minha mão, conferiu que eu estou mesmo falando sério e então me sorriu um sorriso que chegou aos olhos, contagiante, iluminando tudo. Um sorriso que me desmontou inteira. Eu sinto que a qualquer momento posso escorregar por dentro das minhas roupas e me esparramar pelo chão como uma manteiga derretida.


-Céus, como eu quero beijar você agora. - comento perdida na mulher à minha frente, eu simplesmente não consigo manter as palavras dentro da boca!


-Me leve para jantar primeiro! - Lauren diz depois de soltar uma risadinha tímida e um tapinha em meu ombro.


________


Ainda era uma quarta-feira quando combinamos de sair e durante os outros dias da semana eu me sentia como uma criança à espera do natal, admirando os presentes debaixo da árvore há dias sem poder desembrulhá-los.
Lauren parecia normal, ou quem sabe até mais desinibida vez ou outra me jogando sutis flertes, me deixando surpreendentemente tímida. O que estava havendo comigo meu pai?


Na manhã de sábado, eu certamente teria surtado se não fosse a calmaria de Kehlani que havia decidido vir me ver com a desculpa de estar sozinha sem fazer nada enquanto Hayley tinha um trabalho. Mas nós nos conhecíamos o suficiente para ela saber que eu estava me consumindo em ansiedade, e eu para saber que ela havia vindo apenas por isso. Além de que provavelmente ela não tinha deixado a namorada vir também, pois sabia que ela só me deixaria mais desesperada (risos). Meus amigos, definitivamente, são os melhores. Cada um de nós com nossas particularidades, nos fazendo extremamente necessários, complementando uns aos outros.
Kehlani ligou para o restaurante para confirmar as reservas, e pude escutar até ela confirmando se eles teriam uma garrafa do meu vinho preferido. Almoçamos juntas, jogamos umas partidas de uno para distrair, o que realmente funcionou, até que chegou a hora de eu me arrumar e minha amiga foi ao encontro de Hayley que já havia ligado uma centena de vezes.


Optei por uma blusa preta com detalhe rendado se estendendo até as alças estreitas, calça estilo montaria e coturnos de salto, tudo na mesma cor. Uma chocker também preta no pescoço, maquiagem realçando apenas os olhos e cabelos soltos com aparência desalinhada. E para quebrar o look escuro quase gótico, uma jaqueta verde exército bordada.


Saí cedo de casa, em Brookhaven, para buscar Lauren que morava em Roswell, um bairro de classe média não muito longe. Dali partiríamos para um restaurante próximo ao Atlanta's Philips Arena, onde aconteceria o show.


O localizador me levou a seu endereço em exatos 25 minutos. Estacionei em frente a uma casa de um pavimento, cinza com branco e apenas a porta principal em vermelho, contrastando com o restante da fachada. Simples e única, como a proprietária. Desci do carro, passando pelo caminho que cortava do jardim bem aparado e levava à entrada da casa.
Eu estive muito ansiosa desde que marcamos essa saída, mas por mais incrível que pareça, graças aos deuses estou tranquila e confiante agora. E antes de bater à porta, tomo a consciência que a partir do momento que está por vir, muita coisa poderá mudar em minha vida. Não é como se eu estivesse sendo precipitada e que nunca houvesse pensado nas consequências disso. É fato que eu não posso fazer de Lauren um simples caso, como os que eu tive no decorrer desses anos. Eu tenho consciência disso. Mas também não é como se eu quisesse que fosse apenas um lance…


Ao bater na porta, sou recebida por um garoto de moletom e camiseta com estampa de um macaco vomitando arco-íris do Arctic Monkeys. Ótimo, meu futuro enteado tem bom gosto. Já gostei do garoto que me analisa da cabeça aos pés e novamente ao meu rosto, para então me anunciar.


-Ô MAAAAAÃE! SEU DATE CHEGOU! - berrou, no típico jeito de um adolescente chamar a mãe, Dylan, como eu sabia que se chamava, avisou à mãe que eu havia chegado.


-Oi, Dylan. Me chamo Camila Cabello. Como vai? - estendo-lhe a mão em cumprimento.


-Ah… Oi… Eu sou Dylan, o filho da Lauren. Mas isso você já sabe. - corresponde ao meu cumprimento.


-Pra quê esse escândalo, Dylan!? - Lauren chega por trás do garoto o fuzilando com o olhar - Você tem certeza de que não prefere ir para casa das suas madrinhas?


-Tenho, mãe.


-Certo. O jantar está na geladeira, esquente no microondas quando for comer. Não me espere acordado, não devo chegar cedo. Qualquer coisa, ligue para suas madrinhas, Dinah chega aqui em cinco minutos se precisar, ok? Não fique até tarde na TV e nem apronte nada mocinho!


-Pare com isso, mãe. Eu já não sou nenhuma criança, já tenho quase 15!


Eu sei que mãe e filho estão trocando algumas palavras, mas o mundo está em pausa neste momento para mim.


Pausa na programação para enaltecer o poder divino dessa mulher que merece ser apreciada!


A personificação de Athenas que estava prestes a sair comigo usa um vestido preto com algumas figuras em vermelho estampadas, colado ao corpo realçando ainda mais suas curvas. Lauren goza de uma beleza renascentista, como uma deusa greco-romana, mais cheinha, de ancas largas, seios generosos e face corada. Se vidas passadas realmente existem, certamente Lauren foi a musa inspiradora para a Vênus de Botticelli.


Para minha loucura, seu busto estava exposto pelo decote, dando a visão perfeita da união de um seio com o outro, dando margem à minha mente criativa imaginar o quão macia aquela região seria ao toque das minhas mãos e boca. E para complementar, o vestido contava com uma fenda enorme na perna esquerda, que por bem pouco não lhe mostrava a calcinha.


Gostosa filha da puta.


Hoje ela me enlouquece de vez.


-Juízo a senhora também! Espero que volte inteira para casa, o que parece que vai ser meio difícil já que mau saiu e já está sendo devorada pelos olhos de alguém…


-Camila! CAMILA!


-Oi! - respondo assustada, saindo do meu estado de torpor.


Minha Nossa! Onde eu estava com a cabeça? Eu estava encarando Lauren como um cachorro faminto na porta do açougue na frente do seu filho! Que belo jeito de começar as coisas…


-Acho melhor já irmos… - reparo que Lauren estava sem jeito.


Apenas aceno para o garoto que me olhava divertido por ter me pego em flagrante.


Abro a porta do carro para que Lauren entre, muito galanteadora mesmo [emoji de óculos escuros].


-Lauren, me desculpe pela situação. - pedi desculpas ao entrar no carro pelo momento meio constrangedor, mas inevitável, convenhamos.


-Aquilo não foi nenhum problema, Camila. Não precisa se desculpar. - me oferece um sorriso tímido quando termina de afivelar o cinto de segurança e continua - E a propósito, você também está terrivelmente linda.


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Optamos por dividir um prato generoso de frutos do mar, e um Domaine Marcel Deiss - reserva de 2008 [n/a: vinho francês] para acompanhar. Nossa conversa fluía tão bem que mal notamos quando secamos a garrafa, logo dando o jantar por encerrado.
Um jantar regado a conversas aleatórias, divertidas, flertes descarados, e sorrisos. Lauren Jauregui é linda de qualquer jeito, mas quando sorri ilumina um mundo inteiro!


Eu não sei dizer quem tomou a iniciativa, ou se foi uma reação natural dos nossos corpos que imploravam pelo mínimo toque, só sei que estávamos de mãos dadas enquanto o manobrista trazia meu carro.


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O show não tardou a começar depois que encontramos nossos lugares, muito bem localizados.
Sinto o aperto de nossas mãos se intensificar assim que inicia a abertura do show. Lauren parece uma adolescente ansiosa para ver sua celebrity crush, seus olhos brilham em expectativa e eu só posso aproveitar para admirar cada detalhe do seu perfil.
Lana entrou cantando 13 Beaches, era impossível não se emocionar com sua voz suave.


Algumas canções depois, a mais velha buscou meus braços me fazendo abraçá-la por trás e nos mantivemos assim por um bom tempo. A voz de Lana, o cheiro dos cabelos de Lauren e o calor do seu corpo compunham uma combinação perfeita e inebriante. E por mais que a cantora em cima do palco seja belíssima, eu só quero me perder no emaranhado dos seus cabelos de olhos fechados, ora beijo, ora respiro seu cheiro.
E então, em meio a empolgação de cantar Born To Die em plenos pulmões, Lauren se virou de frente para mim mantendo nosso abraço, agora com os braços apoiados nos meus ombros. Ela continua acompanhando a letra com nossos rostos muito próximos, nossos olhares presos um no outro. Verde no castanho, castanho no verde, em reconhecimento. Eu não preciso olhar para seus lábios para saber que ela sorri enquanto canta, seus olhos demonstram isso. E eu estou certa de que a cada sorriso dela, eu caio ainda mais por essa deusa.


Lauren para de cantar e nossa proximidade me permite notar que sua respiração está tão descompassada quanto a minha.
No momento em que Lauren aceitou nosso encontro, sabíamos que em algum momento dessa noite isso aconteceria, mas nos sentirmos ansiosas era inevitável.


Encosto nossas testas e fecho meus olhos, solto o ar que nem percebi ter prendido junto a um sorriso rápido e envergonhado, acompanhado do dela sem jeito. Percebendo minha agonia, Lauren trouxe suas duas mãos às laterais do meu rosto, afastou nossas testas fazendo-me encará-la a tempo de vê-la umedecer os próprios lábios e os mantêm entreabertos e então, como um ímã, sinto o calor dos lábios da minha deusa nos meus delicadamente por poucos segundos. Nos afastamos em seguida trocando um olhar com a confirmação de aquilo realmente estava acontecendo.
Dessa vez, sou eu quem uno nossos lábios num beijo mais profundo, e tão logo peço passagem com minha língua. Eu sonhava em sentir o gosto daquela mulher há anos!


Seu gosto, somado ao seu cheiro, calor de suas mãos que agora deslizam por minha pele, uma parando em meu pescoço, enquanto a outra segue para minha nuca subindo de encontro aos meus cabelos, puxando levemente, fazendo-me arrepiar dos pés à cabeça.
Meu corpo reage ao seu, a trazendo mais para mim, explorando cada pedaço dela que me era acessível daquele momento.


Eu já havia beijado muitas mulheres, principalmente no período da faculdade, mas beijar Lauren me causava algo ainda se descrição. Eu queria poder descrever tamanho espetáculo... Nosso beijo apenas se encaixava tão bem que parece que nossas bocas foram feitas uma para a outra. O beijo da minha deusa é quente e tem pegada, o sincronismo dela com a batida da música me levou a loucura, é hipnotizante, é excitante. Definitivamente, é dela o melhor beijo com mordida que já experimentei.
Nada, nem mesmo minha mente criativa, poderia me preparar para esse momento.


Eu não saberia dizer quando esse beijo acabou e quando começou tantos outros que se seguiram naquela noite até o fim do espetáculo.


__________


Estacionei na frente da casa da Lauren, mesmo que minha real vontade é levá-la para meu apartamento. Mas a mais velha alegou não poder deixar o filho passar a noite inteira sozinho.
Ela dizia que precisava ir, mas não saía do carro nem parava de me beijar.


Eu já estava a ponto de enlouquecer com os beijos que haviam passado de suaves para intensos, acompanhados de mãos, braços e pernas. Lauren tem uma pegada desesperada, me tomando por completo. E em resposta à ela, como que por instinto ou necessidade de senti-la, trouxe Lauren para meu colo, uma perna de cada lado do meu corpo. O vestido que já contava com uma fenda deliciosamente imoral, subiu um pouco mais na sua cintura me deixando perdida com a pouca visão de sua calcinha rendada na cor vinho. Subi meu olhar aos seus olhos que brilhavam escuros em excitação, volto a beijá-la enquanto deslizo minhas mãos das suas coxas à sua bunda, apertando com vontade. Lauren desgrudou nossos lábios para soltar um gemido meloso em resposta, me incentivando a continuar com as carícias mais ousadas.
Aproveito o afastamento de nossas bocas para descer com beijos e mordidas para o pescoço de pele clara, não evitando deixar marcas por ali. Subo uma das mãos por seu corpo em direção a sua nuca, afastando seus cabelos para deixar sua pele ainda mais exposta para mim.
Distraída com o sabor único e maciez de sua pele, não percebi enquanto Lauren driblava a alça fina da minha blusa para alcançar meus seios por dentro da roupa, só me dando conta quando senti sua mão direita no meu seio esquerdo ao apanhá-lo por com vontade, o que facilmente cabia por completo em uma de suas mãos. Meus seios são pequenos, mas são fofos, ok?


Me perdi nas sensações que seus toques estavam me proporcionando, mas sem deixar de maltratar a pele do seu pescoço. Eu mantinha minha mão esquerda ora apertando o volume da sua bunda, ora a trazendo ainda mais pra mim pela cintura.
Eu quero mais, muito mais dela. Desci minha mão direita arranhando de leve da sua nuca, capturando a alça do seu vestido deslizando até a metade do seu braço, abaixando a fina tira de tecido com o movimento.
Lauren afasta nossos corpos por poucos centímetros, me permitindo ter a visão completa de seu seio esquerdo farto e mamilo rosado semelhante a seus lábios. E também assim como seus lábios, pareciam totalmente beijáveis! Não perco tempo em experimentar aquele pedaço da mulher, lambendo, sugando, puxado de leve o mamilo com os dentes.
Subi minha mão esquerda apoiando suas costas para que ela não se afastasse, enquanto agora a direita alisava a parte externa da sua coxa.
Dentro do carro era quente como o inferno, eu suava de excitação, a pele entre meu pescoço e busto só não está mais molhada que minha calcinha. E Lauren também não está muito diferente disso. Os únicos sons que ouvíamos eram nossos gemidos e a sucção da minha boca no seu seio.
Eu sabia que estava levando a mulher cada vez mais à borda, as reações do seu corpo deixavam evidente. Lauren está com a cabeça jogada para trás, em êxtase, completamente entregue, enquanto tenta roçar seu centro numa de minhas coxas desesperada em busca de contato. Sinto Lauren puxar os cabelos da minha nuca com certa brutalidade, levando meu rosto ao seu outro seio que implorava por atenção, sendo ela mesma a responsável por afastar o tecido que o escondia. Não me faço de rogada e trato logo de oferecer o mesmo ao seu seio direito, obedecendo a seus comandos.
Eu podia sentir o líquido que escorria da sua boceta, que de tão abundante que era, molhava minha perna ultrapassando o tecido delicado da calcinha e o da minha calça enquanto ela roçava em mim. Encantada com a mistura perfeita de odores: o suave shampoo dos seus cabelos, o marcante perfume em sua pele e o hipnotizante cheiro de mulher que fluía do seu sexo. Eu estava perdida!


-Lauren, vamos para o banco de trás. - pedi exasperada, depositando agora beijos do seu pescoço à mandíbula, até seus lábios entreabertos e ofegantes, descendo novamente ao seu ponto de pulso.


-Não, Camila. Oh meu Deus, não devíamos nem ter chegado a esse ponto. Estamos no meio da rua, em frente a minha casa! Precisamos parar… - sua fala saía entrecortada, ofegante e rouca de excitação. Pedia para parar, mas se derretia por completo em meu colo.


Num meio surto de consciência, Lauren ameaçou se afastar, mas em hipótese alguma eu deixaria essa mulher sair desse carro sem ao menos um orgasmo!
Segurando-a firme em meus braços, a puxei pela nuca para um beijo quente logo sendo correspondida com o mesmo desejo de antes.
Sentindo o toque aveludado dos lábios dela nos meus, a velocidade da sua respiração e minhas mãos que correm ao acariciar seu corpo, que mais parece ter sido esculpido pelo mais talentoso dos artesãos. E foi.
Quando percebi que a Lauren estava novamente entregue ao beijo, não exitei em levar minha mão direita ao seu centro por cima da calcinha encharcada.


-Awnnn, Camila… - Lauren não conteve o gemido melodioso que foi como uma música viciante aos meus ouvidos.


Ouvir alguém gemer por sua causa é o som mais sexy e requintado que você pode ouvir.


Não tardei em afastar sua calcinha para enfim sentir a maciez da sua boceta febril. Lauren está tão pronta, tão molhada, faço questão de lambuzar praticamente toda a minha mão com seu líquido, deslizo toda por toda a extensão da sua boceta reconhecendo cada detalhe, buscando saber em quais pontos que a mais velha mais gostava de ser tocada, quais os movimentos que mais roubam seu fôlego.
Tenho urgência da mulher que se acabava em gemidos, sussurrando rouca em meu ouvido o quanto sou boa nisso.
Mesmo essa sendo a primeira vez que estamos juntas intimamente, a forma como essa mulher me toma, a intensidade na qual me sinto envolvida por ela, o jeito que meu corpo trabalha instintivamente para satisfazê-la, me levam a crer que ela pode fazer-me escrava de seus anseios facilmente. Basta um estalar de dedos e eu estarei posta à servi-la. Irrevogavelmente atraída pela sua existência divina.


A pouca iluminação e posição não me deixa ver em detalhes, mas pelo tato sei que tem uma fileira muito sutil de pêlos decorando seu sexo, automaticamente criando a imagem daquela obra de arte em minha mente, tão rica em detalhes que faz minha boca encher d’água.


Lauren era toda gemidos rebolando em meu colo.


Afastei minha mão de sua boceta, sendo fuzilada por seu olhar em reprovação, mas a mais velha nada falou, pois no segundo seguinte estava ocupada demais em observar meus movimentos: olhando fixamente em direção ao seu rosto, abri a boca expondo todo o comprimento da minha língua, em seguida lambi toda a extensão da minha mão, da palma à ponta do dedo médio, suguei dedo por dedo e passando a língua entre eles devagar, experimentando o sabor da sua excitação, lambuzando parte do meu rosto com o movimento, sob o olhar extasiado da mulher no meu colo.
Não resisti à tentação de fechar os olhos ao sentir o sabor da minha doce secretária, literalmente doce. Seu sabor é como elixir dos deuses, divino! Se um dia eu coloquei em minha boca algo tão inebriante, não me recordo.


Inefável.


-Caralho, Camila! - dessa vez sua voz saiu como um rosnado, como um bicho selvagem que me puxa para um beijo desesperado, compartilhando do seu sabor em meus lábios.


Volto a mão direita para o meio de suas pernas. Pressiono firme seu clitóris, sentindo-o pulsar. Alternando entre movimentos circulares e ondulatórios. Sem chances de segurar os gemidos, Lauren desiste do beijo em busca de ar.


-Você é tão gostosa, minha deusa! Nem nos meus pensamentos mais pervertidos com você me prepararam pra isso. - lhe confessei num sussurro perto do seu ouvido, enquanto a segurava pelos cabelos com minha mão esquerda. Eu puxava seu rosto na direção contrária do meu, me dando mais acesso à pele de seu pescoço.


Lauren se desmontava cada vez mais em meu colo. Rendida.


Deslizei apenas um dedo na em sua entrada quente, macia e apertada, voltando com esse mesmo dedo para fazer movimentos circulares em seu clitóris a instigando. Repeti esse movimento uma, duas, três vezes, a estimulando superficialmente em provocação.


-Não me torture, Camila. - Lauren pediu ofegante.


Isso, linda. Vamos brincar um pouquinho…


-Me diga... Como quer que eu te toque? Assim? - enfiei firme dois dos meus dedos por completo em sua entrada, mas logo os retirando.


-Ownn, sim! Assim! - Lauren mal teve tempo de se acostumar com minha invasão que tão logo se fez ausente, fazendo a mais velha choramingar em agonia - Camiila... N-não faz assim… P-por favor?


-Faço do jeito que você quiser, deusa. Sou devota à suas vontades.


-Seus dedos... Eu preciso dos s-seus dedos! Dentro. Dentro de mim. Bem fundo. - Lauren falava pausadamente, tentando controlar sua respiração descontrolada de tanto tesão, antes de exigir com um rosnado - Agora, garota!


Eu já não posso negar nada a essa mulher, mas escutá-la exigir desse jeito acendeu em meus instintos mais primitivos, mandando pra casa do caralho o meu autocontrole. Meti dois de meus dedos até o final, obedecendo sua ordem. Fundo e forte. Seguindo um ritmo padronizado de entra e sai.


Lauren arfava, gemia xingamentos que eu mal conseguia entender.


Lauren passou a rebolar e quicar em meus dedos, fazendo seus seios expostos se balançarem em frente os meus olhos, hipnotizando e me atraindo até eles. Abocanhei primeiro seu seio direito, sugando com vontade.


-Porra! Isso... vai! - seus gemidos tocam como uma sinfonia por todo o carro, funcionando como combustível para minha própria loucura. - Mete forte, Camila.


Aperto minhas pernas para aliviar minha própria excitação. No estado em que eu me encontro, é possível que meu orgasmo venha antes mesmo de Lauren, sem ao menos ser tocada entre as pernas! Acontece que tudo nessa mulher me envolve por completo, como uma estranha conexão onde dar prazer a ela passou a ser a melhor forma de eu sentir prazer. Deixá-la excitada, me excitava duas vezes mais.


Precisei parar de sugar seu seio quando atingida por fortes pontadas em meu sexo, pulsando com força como se meu coração batesse agora entre minhas pernas em total disritmia. Não consigo mais controlar meus gemidos.
Decidida em fazê-la gozar junto comigo, parei com o movimento de entra e sai em Lauren, prendendo-a pela cintura com meu braço livre impossibilitando os movimentos dos seus quadris. Mantendo os dois dedos dentro de sua boceta, passo a movimentá-los rapidamente em direções diferentes, vibrando, até encontrar o ponto certo dentro daquele lugar apertado que me recebeu tão perfeitamente, estimulando-a de forma certeira. Enquanto com o polegar da mesma mão pressionava seu clitóris rígido e pulsante.


Nossos gemidos aumentaram sem que conseguíssemos controlar.


Eu podia sentir a minha boceta de fechando contra o nada, numa tortura deliciosa. Enquanto a da Lauren mastigava meus dedos em seu interior.


Minha secretária gemia e tentava me tirar de dentro dela, ao mesmo tempo em que me puxava para si e apertava as pernas em volta de mim. E então, com um último gemido gutural ela se desfaz em minha mão. Eu venho logo em seguida, pois seu gemido funcionou como estímulo certeiro atingindo meu centro.


Tirei meus dedos de dentro dela e abracei a mulher que relaxou em meus braços com o rosto na curva do meu pescoço. Posso sentir as batidas frenéticas do seu coração tão pertinho do meu peito. Será que ela também pode sentir o ritmo acelerado do meu?
Aos poucos nossas respirações foram tomando o mesmo ritmo calmo. É confortável aqui.


Eu não tenho a intenção de soltá-la tão cedo.


Não sei bem por quanto tempo ficamos nessa mesma posição abraçadas sem nada dizer, mas foi tempo suficiente para repassar tudo o que havia acontecido essa noite em nossas mentes. Por muitas vezes eu sonhei com a mulher em meus braços, fantasiei inúmeras situações em que transaríamos loucamente e até quem sabe viveríamos felizes para sempre, como nos romances clichês que eu gosto de ler. Mas nada se compara com o agora, com a realização de tê-la abraçada a mim, de sentir seu calor e respiração na curva do meu pescoço, do seu cheiro impregnado em mim.


Eu quero que ela fique.


Não nesse exato momento, nem necessariamente nessa noite, mas fique. Que fique depois do orgasmo, depois do ápice, depois das vibrações e gemidos, depois desse momento em que não há mais nada além de nós. Que fique depois de ser possuída por mim, depois de nossos suores se misturarem, apenas fique. Que fique até amanhã e depois. E quem sabe depois do depois?


-Eu preciso entrar, já está bem tarde. -  é Lauren quem quebra o silêncio, se desvencilhando do abraço, mas não me encara nos olhos.


Antes que ela se afaste por completo, levo minhas mãos ao seu rosto a obrigando a me encarar. Bastaram cinco segundos (sim, eu contei mentalmente), para que um singelo sorriso brotasse no canto de seus lábios. Eu nunca fui boa em verbalizar sentimentos, mas graças aos céus, Lauren leu meu olhar. Ela sabe que eu quero que ela fique.


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E pra já começar diferente, essa será uma "two shots" rsrs.
Comentem, compartilhem, favoritem muuuuuito pra gente publicar a parte 2 ainda essa semana!




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