História Utopia - Capítulo 15


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Drama, Mikaru, Romance, Takeo, Utopia
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Palavras 2.453
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Essa é uma mensagem automática: a autora se encontra escondida nas montanhas. Não adianta ameaçar! Ela não se responsabiliza pelas decisões que os próprios personagens tomaram!
Boa leitura!


Eu vou ser esfolada ç.ç


Tema usado: Borboletas

Capítulo 15 - Capítulo 15


Katsuya entrou esbaforido na cafeteria, olhando ao redor atrás da supervisora e torcendo para que ela não o visse chegar, sem muito sucesso. Aquela era a terceira vez na semana que chegava atrasado. O olhar de aviso que recebeu de Miura era bem explicativo, junto com o aceno de cabeça para os armários da equipe, dizendo que ele devia se aprontar logo, pois o movimento estava aumentando.

 

Depois do castigo dado pelos pais, que incluía o corte na ajuda da faculdade e a expulsão temporária de casa, Katsuya teve a sorte de receber o apoio de uma tia que ofereceu o quarto livre da filha que foi estudar fora da cidade. O fortúnio durou até os pais descobrirem a façanha, aumentando o tempo de castigo de dois para seis meses. Foi por aceitar a ‘ajuda de um amigo’ que ele se afundou e a exigência era que aprendesse a se virar sozinho o máximo possível. Com a ordem dada, Katsuya foi obrigado a alugar um local para morar e, com o salário que recebia, entre as outras despesas que viriam, só conseguiu um lugar afastado do centro da cidade, o que incluía pegar mais trânsito até o trajeto para a cafeteria.

 

A faculdade ia muito bem, com a matrícula trancada, obrigado, já que a oferta da bolsa de estudos sumiu da noite para o dia. Se Katsuya tinha dúvidas do poder financeiro de Mikaru, estava descobrindo o alcance aos poucos e da pior maneira possível. Juntando a isso a nova escala de trabalho, tornou-se quase impossível chegar na hora para trabalhar. Por outro lado, com uma escala maior, houve também o aumento das horas trabalhadas e da bonificação que elas traziam, então não podia reclamar de tudo.

 

– Ah, Katsuya! Bem na hora! – Hayato o chamou ao chegar ao pé da escada que levava à sala da gerência, seguido de perto por Takeo – Mikaru disse que queria falar com você hoje!

 

– Comigo? – será que havia escutado direito? Izumi estava sorrindo, então podia ser uma boa notícia. Olhou de relance para o salão cheio, notando mais uma vez o olhar de Miura, que o dizia para se apressar – Ah, ok! Eu falo com ele na hora do intervalo.

 

– Eu fico com isso aqui. – Takeo se aproximou, pegando o bloco de notas da mão do rapaz, acenando para a escada – Você vai lá agora. – não era um pedido.

 

* * *

 

Ficou parado em frente a porta da gerência por alguns minutos, suando frio e sentindo o estômago revirar, como se borboletas voassem dentro de si. Tentou repetir mentalmente que não precisava daquilo, era apenas Mikaru do outro lado, mas isso o deixou mais ansioso, se fosse possível. Há quantos dias não conversavam ou se viam direito? Sabia que Mikaru o evitava, mas não ia forçar uma aproximação, como havia prometido. Por outro lado, queria a chance de vê-lo com mais frequência, saber se estava bem. E agora que tinha a oportunidade, não sabia como aproveitá-la.

 

Deu algumas batidinhas na porta, esperando a autorização para entrar, relembrando o pedido de Izumi antes de subir, para não se exaltarem. Não queriam que os colegas de trabalho e muito menos os clientes ouvissem uma possível discussão.

 

– É agora ou nunca… – murmurou assim que obteve a autorização, abrindo uma fresta e olhando para dentro, encontrando o empresário à mesa, digitando no computador – Quer falar comigo?

 

– Entre e tranque a porta. – Mikaru salvou o trabalho, desligando o computador e voltando toda a atenção para Katsuya, deixando-o desconfortável – Você queria falar comigo aquele dia. Se ainda quiser, é sua chance. – e apontou para a poltrona a frente, cruzando os braços sobre o colo.

 

Direto e preciso, como era de se esperar. Mikaru não era de rodeios e pelo visto queria o mesmo de si em sua explicação. Respirou fundo, se aproximando até parar em frente à mesa, mas não conseguiu se sentar. Estava nervoso demais para ficar parado e o pior, em frente à mirada do empresário.

 

Começou a contar do princípio, explicando o que o levou a aceitar aqueles remédios, as instruções que recebeu mas ignorou, tentando tirar parte da culpa de cima do colega já que foi inocência sua esquecer que qualquer excesso é prejudicial. Contou os primeiros sintomas, que acabou por confundir com o cansaço e estresse, e então vieram as confusões, os brancos, as alucinações… Se não fosse pela intromissão de Mikaru e depois a ajuda meio distorcida de Takeo, não teria parado com aquilo. E se não fossem os conselhos de Hayato, ele não teria procurado o empresário para conversar, não por falta de interesse, mas por covardia. Assumia que estava com medo de encará-lo.

 

– Eu prometi na época que a gente se conheceu que não ia te machucar. Não queria cometer o mesmo erro de quem te fez ter medo de relacionamentos, mas acabei seguindo por esse caminho. Não sei se o que fiz foi tão ou mais grave do que já sofreu, mas queria uma chance de corrigir meu erro e provar que posso melhorar. – depois de andar pra lá e pra cá, Katsuya finalmente se sentou, pronto para encará-lo de frente – Eu estou disposto a qualquer coisa pra ter essa chance. Aceitei o castigo dos meus pais e saí de casa, estou me virando sozinho, tranquei a faculdade e só vou voltar quando puder arcar com tudo, pedi para Izumi me colocar em outra escala, onde posso trabalhar um pouco mais e obter mais retorno, estou fazendo tudo que imagino ser possível pra mostrar que posso ser uma pessoa melhor. Quero saber se é suficiente pra você…

 

– Está disposto a qualquer coisa… só pra namorar comigo de novo? – Mikaru se controlou o máximo que pode e da mesma forma que fazia nos últimos dias. A vontade, se tivesse forças, era bater nele até extravasar toda sua raiva, mas estava seguindo o conselho de Shiroyama, tentando ser racional, pois brigar não o levaria a lugar nenhum. Se não tivesse mantido o controle quando o confrontou sobre os remédios, a discussão poderia ter tomado um rumo grave. Alguém precisava ficar estável quando o outro parecia tão atormentado.

 

– Estou. Brigar com você e terminar foi a pior atitude que já tomei na vida. Eu me senti péssimo por saber que fiz algo ruim contra alguém que se importava tanto comigo.

 

– Ah, agora eu me importo? – Mikaru questionou irônico – Pensei que tivesse dito que eu sabia dos seus sentimentos mas que não podia me forçar a sentir o mesmo, já que me comparou com uma pedra.

 

Katsuya sentiu como se essa mesma pedra, de gelo, grande, gelada e cheia de pontas afiadas, descesse por sua garganta, arranhando tudo por dentro. Maldita memória fotográfica! Mikaru lembrava praticamente de cada palavra que havia dito.

 

– Eu disse… sinto muito… mas… Mikaru, realmente tem momentos que não sei o que pensa ou sente a respeito. Não sei se algum passeio que recomendei é bom ou não, se gostou ou se prefere fazer outra coisa. Não sei se gosta de me ter por perto ou se isso virou algo mais, se as coisas que falo te deixam entediado ou se escuta por obrigação. Eu tenho medo… de falar algo e te magoar, de me aproximar e ser repelido… então tento me conter, quando a vontade é fazer justamente o contrário.

 

– É como aquele vocalista idiota disse… – Mikaru resmungou contrariado, massageando a têmpora – Nós precisamos conversar e nos conhecer melhor. Se me perguntasse, eu teria dito as respostas pra essas dúvidas, mas talvez eu também devesse ter tomado a iniciativa de comentar. Então, que já fique claro, não tenho medo que me toque e não precisa ter receio de falar comigo. Sou eu quem não sei como me aproximar direito. E você também pode conversar a respeito de qualquer assunto, pode sugerir passeios, o que quiser. Eu vou negar se não me agradar.

 

– Isso quer dizer que eu vou ter mais uma chance? – Katsuya tentou conter a alegria, mas um sorriso bobo se formou em seus lábios, até ouvir um sonoro ‘não’.

 

– Não vou te dar outra chance de namorar. Não agora. Contudo, se estiver mesmo disposto a qualquer coisa, e isso engloba recomeçar do zero, como amigos, para nos conhecermos de verdade e só então avançar, nesse caso sim, você pode ter essa chance, mais a frente.

 

– Eu quero! Aceito tudo que você impor!

 

– Ah sim… sobre isso, pare de aceitar tudo que eu falo. Conteste, reclame se não gostar de algo, seja do contra. Eu não quero um cachorrinho obediente que faz tudo que mando.

 

– Entendi! – mas Mikaru não pareceu acreditar muito na afirmação, conseguindo imaginá-lo com orelhas felpudas e um rabinho balançando de satisfação.

 

– Bom, acho que terminamos por aqui. Quer acrescentar mais alguma coisa?

 

– Sim! Quer sair comigo na minha próxima folga? – Katsuya encarou-o animado, mas recebeu um olhar confuso de volta – Porque se vamos tentar de novo, quer dizer que não vai me evitar ou negar minhas propostas.

 

– Tudo bem… mas não saia marcando em cima da hora, achando que vou aceitar sem restrições. Tenho uma agenda de trabalho e reuniões a cumprir. Se tiver dúvida, pode confirmar com minha secretária quando terei um dia livre.

 

– Combinado. Vou avisar antes. – Katsuya se levantou, finalmente parecendo mais animado e aliviado – Eu… posso te abraçar?

 

– A única permissão que precisa pedir aqui é relacionada ao trabalho, mas não abuse disso em público, não gosto de chamar atenção.

 

Mikaru recebeu um aceno em concordância, levantando quando Katsuya deu a volta na mesa, deixando que ele o abraçasse e correspondendo. Não ia negar algo que também queria muito. Sussurrou-lhe ao ouvido, sendo afastado e recebendo um olhar surpreso. Tinha certeza que o rapaz não esperava aquilo, levando em conta que saiu instantes depois, atônito, mas ainda com o sorriso bobo nos lábios.

 

* * *

 

Chegou de volta ao térreo, sem saber quanto tempo havia permanecido na sala da gerência, mas o movimento parecia ter sido controlado. Takeo ainda ajudava no atendimento, se é que ficar girando a bandeja enquanto o cliente escolhia podia ser considerado uma ajuda. Miura tomou lugar no caixa e Izumi estava numa mesa perto do piano, conferindo alguns papéis. Se aproximou desse último, puxando a cadeira à frente e desabando sobre ela. Estava aliviado, mas também muito ferrado.

 

– Katsuya, como foi? – Hayato encarou-o animado em saber das fofocas, principalmente pela iniciativa de Mikaru que pediu para ter aquela conversa.

 

– Ah… bem, eu acho…

 

– Acha? Vocês não voltaram?

 

– Não… ele disse que se eu quisesse me aproximar, teríamos que recomeçar do zero, como amigos, sair pra nos conhecer… – deu de ombros, em dúvida se aquilo havia sido bom no fim das contas.

 

– Não tiro sua razão de estar desanimado, mas pensei que estava disposto a tentar. Ele pode mudar de ideia em breve.

 

Mesmo com toda a razão por trás da briga e pelos erros que Katsuya cometeu, Izumi ainda acreditava que uma segunda chance devia ser dada. Ele já havia errado e Takeo também, e ambos estavam juntos, firmes e fortes! Esperava o mesmo para os amigos.

 

– Eu estou disposto! Isso foi melhor do que nada. Nem minha mãe achou que eu merecesse outra chance. Ele disse que posso me aproximar, que podemos tentar aos poucos. Estou aliviado… eu não queria que tudo acabasse daquela forma.

 

– Entendi… mas parece que tem algo mais incomodando… se quiser me contar…

 

Miura se aproximou devagar, recebendo um aceno de Hayato, autorizando a chegar mais perto.

 

– Desculpe atrapalhar vocês, mas precisamos de gente no salão. Shiroyama-san disse que tem que sair daqui a pouco.

 

– Pode ir lá, Katsuya. Depois nós conversamos melhor. Takeo está só brincando e deve ter aula daqui a pouco.

 

– Ah… eu não posso. – Katsuya sorriu sem graça, abaixando a cabeça envergonhado – Ele me demitiu.

 

– Aquele homem o que?! – Miura bateu as mãos na mesa, conseguindo atrair alguns olhares e uma reprimenda de Izumi.

 

– Calma… Mikaru deve ter um motivo…

 

– Izumi-san! – a moça contestou chorosa – Da outra vez eu até entendo, mas que motivo ele pode ter agora? Katsu ajuda muito!

 

Hayato olhou de relance para Katsuya, só imaginando o que Mikaru diria se ouvisse alguém chamando-o daquela forma. Tentou pensar em alguma desculpa, mas o rapaz tomou a frente na explicação.

 

– Eu estou chegando atrasado sempre e me mudei pra longe… Não é tão ruim, sabe? Agora posso procurar alguma coisa mais perto de onde estou morando… Eu sabia que a vaga era temporária…

 

– Temporária? Você está aqui tem mais de ano! – Miura estava incrédula. Se tivesse ousadia o suficiente, era possível que ela mesma fosse até Mikaru para reclamar – Izumi-san não pode fazer nada?

 

– Não sei… da outra vez que contratei sem avisar, Mikaru não gostou muito. Ele é o responsável por essa parte.

 

Os dois funcionários suspiraram fundo, desanimados com as expectativas, até Miura ver Takeo se aproximando, uma ideia devolvendo seu ânimo.

 

– Shiroyama-san pode ajudar! Vocês dois são bons amigos!

 

– Eu? Ajudar em que?

 

– Kazunari-san demitiu o Katsuya. Fale com ele, nós não podemos ficar com uma vaga aberta no salão. Por favor!

 

– Eu mesmo teria demitido se Mikaru demorasse mais a fazer. Katsuya sabe que mereceu.

 

– Takeo! – Hayato pareceu horrorizado e Miura mais incrédula que antes, lançando um olhar indagador para Katsuya.

 

– O que você fez?

 

– N-nada.

 

Aquilo não colou. Acreditava que Mikaru demitia sem motivos, simplesmente por estar de mau humor, mas Shiroyama, que evitava cuidar da parte administrativa, estava concordando com a decisão? Alguma coisa muito séria havia acontecido.

 

– Ok, não quero saber. – Miura levantou as mãos, dando-se por vencida e se afastando da mesa – Vou colocar a placa de vaga na janela da frente.

 

– Takeo-san, por que você me odeia? – Katsuya questionou curioso, recebendo um olhar divertido.

 

– Eu não odeio. Só não gosto quando abusa da boa vontade do Hayato. E ainda estou com raiva pela briga que causou. – dito isso, se aproximou do namorado, dando-lhe um beijo na testa e se afastando – Volto mais tarde.

 

O silêncio tomou conta da mesa com a saída de Shiroyama, apenas olhares perdidos sendo trocados vez ou outra. Nenhum dos dois sabia o que fazer a seguir.

 

Hayato estava com vontade de chorar, pois se sentia mal por Katsuya e um pouco culpado por não poder fazer muito naquela situação. Por mais que fossem amigos, não podia passar por cima de uma ordem de Mikaru relacionada ao trabalho. Já haviam discutido a respeito daquilo e combinado a parte que cabia a cada um. E ainda havia o fato de Takeo apoiar… talvez o namorado pudesse lhe dar uma justificativa plausível para a atitude de Mikaru, que não envolvesse somente a falha de Katsuya.

 

O arrependimento dele não parecia ser o suficiente…

 

Observou-o levantar da mesa, resmungando algo sobre retirar o uniforme e ir para casa, mas não encontrou palavras o suficiente para consolá-lo.


Notas Finais


Se alguém achou que não tinha como piorar mais... huhuhuhuhuhu
Run for your life \o\

Lembrando que esse é o penúltimo capítulo. Estou pensando em postar o último no outro sábado.
Espero que estejam gostando e obrigada a quem está acompanhando essa jornada!

Mesmo que essa história já tenha sido postada há um tempo, não deixe de me contar o que achou. Vai fazer uma escritora muito feliz!

Essa também é uma mensagem automática. Não to nem aí se você está sofrendo com os personagens XD


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