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História Utopia - Capítulo 7


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Notas do Autor


Yo! Tudo bem com vocês?
Mil desculpas pela demora, mas voltei com mais um capítulo para vocês. Muito obrigada por todos os comentários e favoritos!
Infelizmente acabei fazendo uma mudança na pontuação das falas da fanfic, e acabei editando esse detalhe toda a estória, aproveitei e tentei consertar alguns erros. Porém, não fiz nenhuma alteração na fanfic que mudasse o rumo que estamos seguindo.
Não me senti mais confortável em escrever diálogos com aspas, então fiz esta mudança.
Sem mais delongas, boa leitura!

Capítulo 7 - Coach de moda


Fanfic / Fanfiction Utopia - Capítulo 7 - Coach de moda

Para Yaoyorozu e Kirishima, o clima ensolarado foi um dos maiores fatores para uma ida ao shopping ao final de mais um expediente na cafeteria. Se eu entendia a razão por trás daquele consumismo exagerado? Negativo. A coisa mais fácil a se fazer era pegar uma dúzia de roupas e socar na mala e pronto! Mala feita.

Com muita insistência do trio dos superpoderosos de Musutafu, acabamos aceitando a viagem. Contudo, mesmo com férias universitárias, ainda trabalhávamos. Tanto o Sr. Uraraka, Hawks como os patrões de Uraraka e Bakugou nos concedeu um tempo para viajar.

No entanto, tínhamos que considerar que estávamos na presença da dupla mais vaidosa do país. Tanto Kirishima como Yaoyorozu insistiam em bancar os trajes de todos para a viagem. É claro que a notícia fora um impasse para Uraraka, que quase tropeçou entre os pés e caiu no meio da cafeteria.

A persuasão dos dois começava a ser irritante e assustadora. No entanto, os olhares sombrios e fixos quando recusamos o presente, fizeram com que nos rendêssemos. Dabi deu pulinhos de alegria quando soube que teria a chance de comprar mais camisetas de bandas ou séries, mas aquilo só mostrava o quão idiota ele poderia ser. Ele realmente que aquela dupla deixaria isso acontecer?

Quero dizer, Yaoyorozu não reclamou daquela idiotice.

Me sentia uma muralha, daquelas que alcançam os cinquenta metros, se for preciso. Cabia a mim, Midoriya, Bakugou e Kirishima aguentar a relação perturbada entre Dabi, Yaoyorozu e Uraraka. Não é como se as duas se odiassem, muito pelo contrário. Elas se tornaram boas amigas.

Apesar de que, Yaoyorozu não se dava conta dos olhares fixos de Uraraka. Mesmo sabendo da paixonite do meu irmão, seria, no mínimo, engraçado acompanhar aquele triângulo amoroso problemático. Conhecendo Dabi, era mais provável que Uraraka e Yaoyorozu acabassem juntas e ele sozinho.

Será que elas sabem da coleção de pornô daquele homem perverso?

Agora, com hora marcada para o encontro no shopping, Dabi estava no meu apartamento, por motivos que eu desconhecia. Na minha cabeça, poderia haver apenas duas hipóteses: Amor ou ódio. Me espanta que ele seja formado em gastronomia e passasse reto quando o assunto era irritar o coitadinho do irmão mais novo.

— Vai logo, Shouto! Não deve ser tão difícil assim lavar o próprio pênis, então por favor, dá pra sair da porra do banheiro? — Meu irmão bateu agressivamente na porta.

— Por que você não vai se foder? Não tem chuveiro no seu apartamento?

— Acontece que você mora mais perto do shopping, seu bastardo.

— Eu não ligo para as suas desculpinhas esfarrapadas, daqui a pouco você vira um sem teto.

— Sabia que você foi achado no lixo?

— E você na tubulação de esgoto!

Desliguei a água quente que caia do chuveiro, abrindo o box e sacando uma toalha. Se não me engano, faltavam alguns minutos para que o relógio batesse o horário que precisaríamos estar no shopping. Quando aceitamos a tal proposta, não contávamos com um grande tempo de viagem. Então, lá estávamos nós, jovens adultos com mentalidade de quinze anos fazendo compras para as próximas duas semanas.

Quando abri a maldita porta, decidi não revidar o tapa que Dabi deu em minha nuca por questões éticas. Me vesti o mais rápido possível, esperando-o na sala. De repente, meu celular vibra com uma notificação de Midoriya. Não impedi que meus lábios se curvassem em um meio sorriso.

“E então, já estão chegando?”

“Se eu te contar que não, vai desgostar de mim?”

“Desgostar é uma palavra estranha.”

“Você é estranho.”

“Nada disso, moço dos olhos distintos. Eu sou incrível.”

“Troco ideia com você há mais de dois meses e não sabia que era convencido.”

“Se eu disser que Todoroki Shouto é mais incrível ainda, vai desgostar de mim?”

“Hm, vou pensar no seu caso.”

“Shouto!”

— Por que você tá rindo como se o nosso pai tivesse em uma das crises de meia idade bem na sua frente? — Quase joguei meu celular ao vento quando me deparei com o meu irmão com toalha amarrada na cintura.

 — Quer me matar do coração, inferno?

 — Pelo tanto que você demorou na porcaria daquele banheiro, sim, isso me faria feliz — provocou, indo em direção ao meu quarto.

 — Se pegar a minha camiseta do My Chemical Romance você está completamente, inteiramente, profundamente fodido — gritei da sala, respondendo mais uma mensagem de Midoriya.

 — Obrigado pela dica, irmãozinho! — Revirei os olhos com o tom meloso.

 — Vê se não demora, Uraraka e Bakugou já chegaram.

 — Também estaríamos fazendo as compras do mês se você não tivesse demorado esse tempo todo no banho, gênio.

 — Só tem esse argumento?

— O fato de estar estragando os preparativos da minha viagem é válido? Preciso de sungas novas, o papai aqui vai deixar as gatinhas de Filipinas de queixo caído! — Torci o nariz. Só saia bosta da boca desse homem?

 — Argh, isso foi muito desnecessário, meus ouvidos não mereciam ouvir isso. E você não estava apaixonado pela Uraraka?

 — Cale a boca, pirralho.

 — Fala sério, não vai contar pra ela? — provoquei com um sorrisinho malicioso.

— E você falou alguma coisa pro cabeça de cogumelo? Pelo que meu querido irmão me contou, ele te fez abrir os olhos, seu cego — replicou com as sobrancelhas juntas.

— Não interessa. Sugiro que escreva um bilhete escrito “quer namorar comigo?” com as opções sim ou não, depois entregar — aconselhei, segurando a risada.

— Eu tenho cara de menina de doze anos?

— Não, você tem cara de marginal. — Seu semblante se tornou sombrio. — Mas respondendo sua pergunta, funcionou com a Hima da sexta série.

— Ninguém quer ouvir sobre a época que você gostava da outra fruta.

— Caralho, a nossa mãe é um ser de luz, como pode ter parido alguém como você?

— Eu diria que está com inveja. — Sua voz parecia estar mais perto, então deduzi que estivesse no corredor. Mal sabia eu que olhar pra ele poderia ter sido o pior erro que já tomei em toda minha vida.

— Filho da... — Tentei ao máximo não usar o único xingamento proibido entre irmãos, mas como diabos eu podia me controlar quando o desgraçado estava usando a única camiseta que eu o proibi de usar?

Que abusado!

— Gostou? Eu achei tendência! — Ergueu os braços acima da cabeça, andando com passos saltitantes até mim, puxando-me pelo braço.

— Eu te odeio com todas as minhas forças.

— Oh, que lindo, irmãozinho! Mas agora temos de nos apressar, ou você não quer renovar o guarda-roupa? — Em um piscar de olhos, ele já havia aberto a porta e chamado o elevador.

— Mais tarde você não escapa — sibilei com sangue nos olhos.

— Quero ver você tentar — ele finalizou, balançando as chaves e trancando o apartamento.

No carro, o rádio tocava músicas que estavam em alta. Mesmo com o clima quente, o ar do automóvel estava gélido, o que não passou despercebido do meu irmão.

— Oh, mas que caralho, Shouto. — Abraçou a si mesmo com os próprios braços, na tentativa de se aquecer. — Você é o quê? Um personagem de Frozen? Imagine quantos graus negativos estão fazendo nesse carro agora!

— Pare de reclamar. — Tirei a mão direita do volante, pousando-a nos botões que controlavam a temperatura.

— O carro é seu e eu sou o convidado. Preciso reclamar.

— Não seria o contrário? Já que o carro é meu, você precisa ficar de boca fechada e ter um pingo de educação, sabe por quê? — Ele olhou pra mim com as narinas dilatadas. — Porque senão eu posso te chutar daqui!

Meu irmão riu alto.

— Jura? Meu irmãozinho querido, teria mesmo coragem de fazer isso comigo? — desafiou-me, afinando a voz em tom de deboche.

— Se eu fosse você, não brincaria com fogo.

— Todoroki Shouto não era a rainha do gelo? Quando você virou fogo?

— Desde quando você virou insuportável ao cubo?

Dabi bocejou, espreguiçando-se.

— Por que não fomos com o Bakugou e a Uraraka? — ele questionou e eu dei de ombros.

— A Uraraka foi sozinha depois de descobrir que o Bakugou e Kirishima inventaram outra disputa no trânsito — Gostou? Eu achei tendência! — Ergueu os braços acima da cabeça, andando com passos saltitantes até mim, puxando-me pelo braço.

— Eu te odeio com todas as minhas forças.

— Oh, que lindo, irmãozinho! Mas agora temos de nos apressar, ou você não quer renovar o guarda-roupa? — Em um piscar de olhos, ele já havia aberto a porta e chamado o elevador.

— Mais tarde você não escapa — sibilei com sangue nos olhos.

— Eu quero ver você tentar — ele finalizou, balançando as chaves e trancando o apartamento.

No carro, o rádio tocava músicas que estavam em alta. Mesmo com o clima quente, o ar do automóvel estava gélido, o que não passou despercebido do meu irmão.

— Oh, mas que caralho, Shouto. — Abraçou a si mesmo com os próprios braços, na tentativa de se aquecer. — Você é o quê? Um personagem de Frozen? Imagine quantos graus negativos estão fazendo nesse carro agora!

— Pare de reclamar. — Tirei a mão direita do volante, pousando-a nos botões que controlavam a temperatura.

— O carro é seu e eu sou um convidado. Preciso reclamar.

— Não seria o contrário? Já que o carro é meu, você precisa ficar de boca fechada e ter um pingo de educação, sabe por que? — Ele olhou pra mim com as narinas dilatadas. — Porque senão eu posso te chutar daqui!

Meu irmão riu alto.

— Jura? Meu irmãozinho querido, teria mesmo coragem de fazer isso comigo? — desafiou-me, afinando a voz em tom de deboche.

— Se eu fosse você, não brincaria com fogo.

— Todoroki Shouto não era a rainha do gelo? Quando você virou fogo? — Escutei uma gargalhada do meu irmão.

— Desde quando você virou insuportável ao quadrado?

Dabi bocejou, espreguiçando-se.

— Por que não fomos com o Bakugou e a Uraraka? — questionou e dei de ombros.

— A Uraraka foi sozinha depois de descobrir que o Bakugou e Kirishima inventaram outra disputa no trânsito. —  Escutei uma gargalhada do meu irmão.

— Até o fim do dia eles estarão sem carteira de motorista e presos.

— Você duvida de algo?

— É claro que não. — Ele suspirou profundamente. — Pelo menos, posso fazer isso… — Dabi levantou os pés, descansando-os no painel do carro.

Ele queria testar a minha paciência?

— Tire os pés daí agora mesmo. — Usei o tom mais assassino que pude.

Dabi girou a cabeça até mim, me fitando com uma sobrancelha erguida e o canto direito dos lábios curvado.

— Que fofo. — Ainda com os pés no painel, ele colocou as mãos atrás da cabeça, olhando para frente. — Não vá se machucar muito, irmãozinho.

O meu sangue subiu instantemente, mas mantendo a expressão impassível, esperei o sinal vermelho. Quando o feixe de luz se deu por presente, usei meus braços para tentar tirar aqueles sapatos sujos de cima do meu painel.

— Desgraçado!

— Cale a boca e saia de cima de mim, Shouto! — berrou, me empurrando como podia.

— Só por cima do meu cadáver!

Os tapas e empurrões que eu dava no meu irmão poderia ser o suficiente para sua rendição. Acreditava naquilo com todas as minhas forças, mas o modo como ele revidava fez-me esquecer de apenas uma coisa.

O tempo.

As buzinas tocavam em alto e bom-tom, interrompendo a briga. Eu e Dabi nos entreolhamos com olhos arregalados vendo que o meu carro era o único a atrasar a pista. Aproveitando-me do alarme do meu irmão, dei um tapa em suas pernas — que desceram rapidamente — e voltei as mãos no volante, dando partida ouvindo uma série de xingamentos de Dabi.

Quando chegamos ao shopping, ainda trocamos empurrões, usando o ombro e atrapalhando a caminhada um do outro. Não havia necessidade naquela implicância, mas ela apenas teve fim quando avistamos Bakugou e Kirishima conversando.

Bom, alguns metros de distância fez com que deslumbrarmos desta visão. Contudo, bastava chegar perto e descobrir o caos. Enquanto Kirishima ria e curvava os lábios em um sorriso ladino, Bakugou empenhava-se na tarefa de fazer cara de malvado, torcendo o nariz e apontando o dedo.

Eu e Dabi nos entreolhamos e ponderamos se realmente deveríamos ter chegado tão perto dos dois. No entanto, já era tarde demais. Kirishima desviou os olhares de Bakugou para nossa direção, acenando com seu braço erguido. Engolimos em seco, mas fomos até eles com sorrisos tortos.

— Ah, era o que me faltava… — reclamou Bakugou quando notou a nossa presença.

— Finalmente vocês chegaram — disse Kirishima, colocando as mãos dentro do bolso de suas calças.

— Fala sério, qual o gel que esse cara usa? — Dabi sussurrou para que apenas eu escutasse entre dentes, referindo-se ao cabelo de Kirishima.

— Chegamos tarde? — perguntei.

— Chegaram, porra! — berrou Bakugou. — Nunca vi pessoas tão atrasadas como vocês e… Essa não é a camiseta do pavê?

Contei até dez mentalmente.

— Não vem ao caso — repliquei antes que Bakugou retrucasse. — Onde estão os outros?

Kirishima sorriu.

— Comprando biquínis.

Franzi o cenho, ouvindo a risada de Bakugou e Dabi.

— Espera, o Midoriya está comprando biquínis?

— Não exatamente — explicou. — Segundo elas, de nós três, ele era o único que não teria malícia em opinar no que elas estavam usando. Também precisavam de um escravo para segurar as sacolas.

Dabi abriu a boca, indignado, dando um soco nada leve no meu ombro.

— O que é isso? Não tá cansado de apanhar? — gritei.

— Cale essa boca, desgraçado! Se você tivesse a compaixão de não demorar na porra daquele banho, eu poderia estar ajudando na escolha dos biquínis!

Pisquei os cílios algumas vezes antes de não apenas eu, mas como Bakugou e Kirishima gargalharam abertamente.

— Ah, tá! Como se o velho punheteiro do Dabi não tivesse malícia! — Bakugou cruzou os braços, levando apoio.

— E se não fosse eu, seria você, biribinha? — meu irmão provocou, porém, para a nossa surpresa, não berrou mil e um palavrões diferentes. Seu olhar se tornou sombrio e o fitava como se estivesse tentando sugar sua alma. Mesmo o olhar não sendo para mim, senti calafrios.

Virei a cabeça para o meu irmão lentamente. Ele não lembrava das preferências dele?

— Não vou falar com você sobre isso aqui, seu merda. — A vontade de matar era notória e escutei meu irmão engolindo em seco.

Percebemos a confusão estampada no rosto de Kirishima. Bakugou ainda não havia contado a ele? Em segundos, o semblante do meu irmão mudou de assustado para malicioso. Se eu queria saber o que aconteceria depois? Óbvio, mas não seria eu a pagar o funeral.

Enquanto conversávamos, Kirishima acabou nos convencendo a começar as compras. Se não o conhecêssemos, o confundiriam com um coach de moda! Os comentários eram duros, quase desacreditando-me que as camisetas que usava estavam realmente na moda. No entanto, Kirishima já estava pronto para apontar as peças que ele considerava o nosso estilo.

Me admira que Bakugou tenha o ameaçado de mortes menos vezes do que de costume. Dabi apenas assentiu com a cabeça, “ouvindo” Kirishima atentamente. Entretanto, eu sabia que quando chegasse em casa, usaria camisetas com um furo no meio e personagens de suas séries e bandas favoritas. Sem contar no guarda-roupa cheio de roupas pretas que pegavam pelo com facilidade.

Kirishima se incluiu, vestindo vários conjuntos que achava em suas lojas favoritas — lê-se nada baratas — continuando com as aulas. Corri a língua entre dentes quando vi Bakugou fazendo bico e virando o rosto após mais um comentário dele, rezando para que este não visse minha reação. Caso contrário eu seria um homem morto.

Saímos com as compras — pagas por Kirishima — com as alças das sacolas escondendo nossos braços. Eu não sabia se me sentia confiante quando ele sacou óculos escuro de uma das sacolas e o colocou, incentivando-nos a fazer o mesmo. Franzi o cenho de imediato. Não tinha comprado os óculos!

Ou era o que eu achava. Quando procurei nas sacolas, encontrei mais um dos presentes de Kirishima, que riu. De repente, parecíamos a versão masculina de Meninas Malvadas caminhando pelo shopping de queixo erguido. Confesso que mesmo com todo o “poder” que parecíamos ter, rimos abertamente.

Notei algumas garotas suspirarem aos nossos ombros, coisa que ignorei completamente. Com exceção de Dabi e Kirishima, não bastaram esforços nas piscadelas por baixo dos óculos ou usar seus sorrisos ao seu favor. Quase o refluxo fez jus à sua função quando vi aquela cena.

No quarto piso do shopping notamos três figuras, e a situação de seus braços não era muito diferente da nossa. Midoriya estava entre Uraraka e Yaoyorozu com um sorriso de orelha a orelha, e as garotas pareciam em uma sincronia. Não fui o único a perceber a presença deles, ouvindo meu irmão gritar na direção deles.

Elas não estavam com óculos escuros, mas os saltos que estavam usando também dava o tal “luxo”. Midoriya estava com suas roupas habituais, não eram feias, mas também não eram exageradas como as de Kirishima. Logo ele ampliou os olhos estupidamente bonitos em nossa direção, e quando nos encontramos, ele levantou uma sobrancelha.

— Meu Deus, Eijirou, você os obrigou a usarem esses óculos? — ele perguntou, tirando os braços delas para cruzar os braços.

— Eu estou ainda mais gostoso, não fazem ideia de quantas mulheres olharam pro papai aqui. — A fala de Dabi me deu uma pontada de vergonha alheia no nome da nossa família. Yaoyorozu riu alto e respondeu irônica, porém, Uraraka havia fechado a cara.

— Nunca subestime o poder dos óculos escuros. Sabe como foi difícil a tarefa de arrumar o visual deles? Está vendo essas camisetas novas? — Ele apontou para nós. — Mereço um prêmio Nobel!

— Você foi na Gucci? Acabamos de passar por lá — disse Yaoyorozu, mostrando as sacolas com o logo da loja.

— Não, estava esperando que encontrar você — ele respondeu.

— Ué, a marquesa não era dona da porra daquela loja? — Bakugou franziu o cenho, cruzando os braços.

— Não é apenas pelo dinheiro, é porque ela tem acesso às coleções que ainda não chegaram nas lojas.

Yaoyorozu ergueu os cantos dos lábios.

— É assim que ninguém terá uma roupa igual à sua. É um bom truque.

Enquanto ela continuava a explicar suas táticas, finalmente consegui uma brecha para ficar perto de Midoriya.

— Já sei qual a próxima loja que podemos ir. — Virei o rosto para ele, que mantinha um semblante animado.

— Qual?

— Uma loja de relógios. — Forcei um sorriso, rindo entre dentes. Só não coçava a nuca porque meus braços estavam ocupados demais.

— Desculpa pelo atraso, tivemos um… imprevisto.

Midoriya riu.

— Ah, entendi. Mas é sério, depois eles vão nos arrastar pra lá. Não é só a Momo que usa aquele truque.

— Não acha que é muita coisa pra duas semanas? — perguntei, levantando ligeiramente as sacolas. — Também podíamos pegar nossas próprias roupas.

— Fale baixo! — ele murmurou. — Se aqueles dois te ouvirem corremos o risco de uma hora de palestra sobre roupas. — Agora havia sido minha vez de rir.

— Oh, sim, acho que você tem razão. — repliquei. — Mas você não comprou nada?

— Bom, sim. Foi uma troca justa, uma opinião pela outra. Já sabe como elas são eufóricas quando se trata de compras, não é? Eu me lembro que vocês me contaram da situação que a Uraraka os fizeram passar naquela festa de halloween.

— Mesmo que tenhamos ido de penetra, aquela festa foi foda. — ri anasalado, acompanhando a caminhada dos outros. — Aconteceu coisa demais, e no fim, acabamos com dor de estômago.

— Sim, nunca o ganho de uma aposta foi tão bom. — Fiz uma anotação mental para agradecer a impulsividade de Bakugou quando gargalhamos abertamente.

— Mas como assim “troca justa”? — questionei e ele deu de ombros.

— Dei opinião sobre as roupas delas, foi divertido ver a cara da Uraraka quando Yaoyorozu chegava com mais uma tonelada de roupas novas.

— E vejo que você foi o coitado que carregava não só as suas compras, não é? — Ele fez bico, suspirando dramaticamente.

— Nem me diga, minhas preces para o deus Shouto não tiveram retorno!

— Vossa grandiosidade estava indisponível. Agora, nem tanto. — Senti que levantava um peso de academia quando consegui tirar os óculos escuros.

— Minha nossa, não fique fazendo isso! — ele repreendeu e eu torci o cenho.

— Como assim?

— Tirar esses óculos sem aviso prévio e me cegar com o brilho dos olhos bicolores de um deus!

Tive que parar de andar e mirá-lo com um meio sorriso e uma sobrancelha erguida.

— O que é isso? — ele deu mais um sorriso brilhante, batendo levemente seu cotovelo no meu braço.

— Meu romantismo. O que achou?

— Fofo, mas se você me dissesse o nome do site que você pegou isso, seria mais ainda. — Revirei os olhos, sem tirar o sorriso do rosto, retomando a caminhada.

— Site? — Sua expressão estava amuada. — Não acredita nas minhas habilidades?

— Quer a resposta educada ou a sincera?

— A educada, por favor.

— Não acredito. — Midoriya suspirou profundamente.

— Bom, quanto tempo tenho pra te convencer que tenho as melhores cantadas? — Arqueei uma sobrancelha com aquela fala.

— Melhores o quê?

— Puta merda! — Dabi berrou, direcionando a nossa atenção para ele, que agora corria até mim.

— Que porra você está fazendo?

— Ali! — Dabi deixou o braço completamente esticado, apontando o dedo para alguns metros de distância. A minha raiva desvaneceu aos poucos quando vi o porquê de todo aquele alarde, que já tinha chamado a atenção dos outros.

— Quer levar um tapa, seu puto? — bradou Bakugou. — Por que gritou assim do nada? Você tem motivos pra fazer uma putaria dessas?

Pisquei algumas vezes até processar o tamanho da hipocrisia daquele homem, e eu sabia que não era o único.

— Isso não importa, precisamos sair daqui o mais rápido possível!

Automaticamente, fitei meu irmão com um olhar jocoso, mas logo voltando para a direção que ele tanto temia. Jirou, a Body Piercing que havia furado seu septo há alguns meses tomava um sorvete tranquilamente e segurava seu celular com capinha de orelhinhas. Dabi me olhou suplicante, balançando a cabeça repetidas vezes.

Não importava o novo guarda-roupa, ele tinha pegado minha camiseta do My Chemical Romance, certo?

— Jesus, por tudo o que é mais sagrado, tiraste todo o mal do meu caminho… — Ouvi suas rezas silenciosas. Ah, irmãozinho... Vingança é um prato que se come frio.

Dei um sorrisinho diabólico, vendo que todos estavam atentos no desespero do meu irmão, virei o rosto e chamei Jirou.

— Vagabundo!

Senti Dabi dar um chute na minha canela discretamente. Segurei-me como pude, escondendo os gemidos de dor por trás de um sorriso. Ela sorriu abertamente, caminhando até mim e pude sentir os olhos de Dabi me amaldiçoando com ódio. Entretanto, aquilo virou medo quando a Body Piercing chegou me abraçando.

Era triste ver como Dabi ainda guardava mágoas do piercing que jazia no septo. Ou melhor, de quem o colocou lá.

— Família Todoroki! — Ela o abraçou, mas eu apenas achava graça do sorriso torto do meu irmão. — Como vocês estão? E você, Touya, cuidando desse piercing?

Senti o corpo do meu irmão perder o pouco daquela fachada de educação quando ela disse seu nome registrado. Meu irmão nunca gostou que o chamassem por Touya. Os únicos que realmente sabiam daquele nome eram apenas eu, Bakugou e Uraraka. No entanto, ela acabou vendo a identidade do meu irmão quando estava acertando as coisas no estúdio.

— Ah, estou… — replicou.

De canto de olho, pude ver a indagação dos superpoderosos de Musutafu. Contudo, eu sabia que a resposta para aquilo seria dada mais tarde.

Fiz as apresentações, desejando para que ela não achasse estranho um bando de marmanjos usando óculos escuros dentro de um shopping. Não é como se eu fosse o maior intrometido do mundo, mas o modo de como Jirou abordou Yaoyorozu chamou a atenção de todos. Quando Jirou se despediu de nós, nunca vi uma cara tão boba da marquesa e uma tão puta quanto a do meu irmão.

— Você tá fodido, pirralho do caralho — sussurrou para que apenas eu escutasse. 

Ignorei a ameaça, tentando focar minha atenção em como Kirishima e Uraraka faziam piadas com o estado em que Yaoyorozu ficou. Foi engraçado, mas a minha surpresa foi zero quando elas nos guiou até a bendita Gucci em outro piso. Agora, em vez de dois couch de moda, tínhamos dois. Bakugou ainda trocava farpas com Kirishima, mas era mais escutá-lo do que Yaoyorozu, que mostrava os novos blazers de sua coleção.

Descobrimos que em cada loja de sua posse, os estoques com coleções futuras eram fabricados com antecedência e armazenados nas lojas antes das vendas começarem. Nesse meio tempo, Yaoyorozu poderia esbanjar das roupas que quisesse.

Após passarmos na Gucci, Kirishima não deixou de comprar outros óculos para os únicos três que não participaram o rodízio de compras. Agora, todos pareciam dignos atores de algum filme de espiões. Bastava saber qual era a nossa missão.

***

Puxei algumas notas bolso, pousando-as nas mãos do taxista, que virou um pontinho de visão quando seu carro acelerou. Puxei minha mala, e com a mão livre, digitei em um grupo de mensagens, avisando que já havia chegado no famigerado prédio.

Senti um frio no estômago quando lembrei que o jatinho no teto daquele edifício me levaria até Filipinas. O medo não era ir até Boracay, e sim ter que voar a metros do chão. Mesmo assim, andei a passos determinados até lá. Assim que foi informado qual botão apertar, escutei a musiquinha que saia pela caixa de som do elevador.

Se eu me sentia confortável? Nem um pouquinho.

Quando as portas abriram, fui deslumbrado com a visão de um transporte que não deveria ter “inho” no nome. Abri a boca em um círculo perfeito. Aquilo parecia um tanque de guerra e sua utilidade era dar uma festa para, no mínimo, cento e cinquenta pessoas. Ou talvez estivesse impressionado demais.

Lá estavam Uraraka, Bakugou e os superpoderosos de Musutafu conversando animadamente.

— Shouto! — gritou Uraraka. — Ainda bem que pelo menos um Todoroki não atrasa. — Bufou.

Arqueei uma sobrancelha.

— Como assim? — Perguntei, ficando ao lado de Midoriya quando já havia cumprimentado todos.

— Não venha com esse caralho de “Como assim”! O desgraçado do Dabi atrasou de novo. Teria como ligar pro puto? E por que diabos ele não veio com você? — Se eu não estivesse tão acostumado com o vocabulário de Bakugou, daria dois passos para trás.

— Vou tentar ligar pra ele — respondi, procurando o contato no celular.

— Me diga uma coisa. — Girei a cabeça até Midoriya. — Se eu tiver Todoroki no meu sobrenome, iria contrair essa mania de me atrasar? — Ele deu um sorriso.

— Por que a pergunta? Por acaso quer o meu sobrenome? — retruquei e ele deu de ombros.

— Foi só uma dúvida, vossa grandiosidade. — Dei uma risada, colocando o celular no ouvido.

— Que dúvida engraçada.

— Se atrasar é realmente algo problemático, mas eu tinha que saber. Caso contrário quem muda de sobrenome é você.

Arregalei os olhos, fitando as esmeraldas que pareciam se divertir com aquela situação. Aquelas eram as habilidades de romantismo de Midoriya Izuku? No entanto, antes que eu respondesse, escutei a voz no outro lado da linha.

— O que é, pavê estragado? — Respirei profundamente, pedindo aos céus um pouco de paciência para lidar com aquele homem.

— Onde caralhos você tá? Todos estão te esperando.

— Eu já cheguei faz um tempo, bobão! — A confusão se fez presente em mim.

— Então onde você tá? — Escutei uma risadinha sem graça. — Desembucha!

— Eu acho que me… perdi? — Tentei retrair toda minha vontade de xingá-lo aos berros, contando até dez mentalmente. Coloquei a ligação no viva voz, após a situação ser explicada e Bakugou não censurar seus palavrões, tentamos ajudá-lo.

Dada algumas pistas de seu paradeiro, o prédio e o jatinho eram da família de Midoriya, que se voluntariou para buscá-lo. Segundo ele, Dabi estaria em uma das salas do grande prédio. Eu não sabia que lugar era aquele, mas, mais tarde descobriria que era um dos lugares onde All Might usava para fazer alguns projetos e marcar reuniões.

Naquele dia não haveria nenhuma reunião marcada, então a chance do meu irmão passar vergonha era bem menor. Contudo, tinha apenas uma condição dada por Midoriya:

Ele queria um voluntário.

De repente, estávamos eu e ele deixando aquela cobertura e indo em direção ao elevador mais uma vez. Não vi o botão que ele apertou, mas quando a porta se abriu, pediu que o seguisse até o corredor esquerdo.

— Que lugar é este? — perguntei enquanto segurava sua mão.

— Preciso que entre aqui, Shouto. — Ele parou em frente a uma porta, dando passagem. Sem hesitar, abri a porta. Quando pensava que iria entrar em um escritório cheio de cadeiras e uma mesa enorme com Dabi deitado, torci o nariz quando vi espelhos e pias de um banheiro.

— Izuku?

Quando virei o rosto, abruptamente senti meu corpo ser prensado na parede. Com o choque, apenas pude sentir Midoriya colar os lábios aos meus. Rapidamente, pediu passagem com a língua, e lentamente fui entreabrindo os lábios, cedendo. A altura não era problema para ele, que rapidamente colocou uma de suas mãos na minha cintura, já que uma estava pousada no meu rosto.

 Sem descolar as bocas, envolvi seus cabelos com uma das mãos, aprofundando mais aquele ósculo, que com o passar do tempo, se tornava mais intenso. Quando nos separamos para puxar ar, e com pouco de espaço entre nossas bocas, o fitei com surpresa. Os olhos bonitos não estavam fofos e gentis como de costume. Uma dominância e um olhar sestroso estavam à mostra.

Antes que eu tivesse chance de dizer algo, ele adentrou a minha boca, entrelaçando nossas línguas mais uma vez, sentindo mais uma vez a sensação de seus lábios macios. Só de escutar o estalar de nossas línguas já arrepiava canto do meu corpo, mas lutava para seguir aquela coreografia livre e genuína que seguíamos, sem errar nenhum passo.

— Temos que… procurar o Dabi — eu disse entre os beijos, mas só depois de alguns segundos ele resolveu dizer algo.

— Ele está no nono andar, na sala de negociações. — respondeu, tocando meu pescoço com a boca e depositando beijos. — Agora, será que dá parar de se preocupar um pouco com o seu irmão e tentar descobrir um jeito de como vai esconder as marcas que vou te fazer aqui?

Sem direito de resposta, minha respiração ficou entrecortada enquanto tentava conter um gemido abafado quando senti os beijos ficarem ainda mais molhados e quentes em toda extensão do meu pescoço. Logo, os toques foram seguidos de mais mãos bobas. De repente, o mundo parou, focando apenas no calor e o cheirinho de menta que Midoriya Izuku exalava. 

Eu não sentia nem um pingo de vontade de voltar tão cedo, e Dabi poderia entender isso, não é?


Notas Finais


E então, o que acharam?
Estava com saudade de postar aqui!
Obrigada por ler até aqui e se cuidem!


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