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História Uzumaki Ahmya Shinden - Livro do Sol Nascente - Capítulo 20


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Notas do Autor


Arco 2 - o brilho do Sol nascente

Ahmya foi visitada por um desconhecido mascarado, portador de um chakra com um padrão familiar. Mesmo que a situação no país da Chuva estivesse melhorando, Azumi não consegue deixar de se preocupar com o bem estar e segurança da filha.

Capítulo 20 - Promessa


Fanfic / Fanfiction Uzumaki Ahmya Shinden - Livro do Sol Nascente - Capítulo 20 - Promessa

“Eu fui tola o suficiente para acreditar que o restante dos Uchiha não encontrariam esse lugar, quando até uma criança conseguiu nos localizar” Azumi levantou o rosto para mirar o homem ao seu lado.

Era tarde da noite e os dois estavam do lado de fora da propriedade da médica. 

Uma lua cheia e brilhante erguia-se no céu por trás das nuvens iluminando a noite com os raios que as atravessavam. A chuva ainda não havia começado.

Konan e Yahiko executavam a patrulha daquela noite para que o outro pudesse estar ali.

“Você acha que o garoto…” 

Embora não gostasse de fazer insinuações e não quisesse deixar a amiga preocupada, Nagato não poderia desconsiderar essa possibilidade. Ainda assim, ele falava timidamente.

“Não! Devo nossas vidas a ele e Shisui nunca se apresentou a Ahmya como um Uchiha. Acho que ele não teria mais interesse do que nós em aproximá-la do clã”

“Poderia ter sido seguido, talvez?” ele voltou seu olhar para o luar. Embora tentasse não demonstrar, também estava preocupado.

“É uma possibilidade.” Azumi emitiu um suspiro cansado “é o chakra daquele homem que me incomoda. Eu não tive tempo para uma leitura precisa, mas não é como o das outras pessoas”

Azumi encarou o amigo novamente. O medo em seus olhos era nítido. 

“Ele a colocou sob um genjutsu! Talvez tenha colhido informações. Tenho certeza que tentou apagar a memória dela sobre o encontro. Ahmya não se lembra de nada do que viu ou ouviu naquele dia.” 

Ela suspirou cansada antes de continuar.

“Acho que esse cara fugiu antes de conseguir apagar as memórias sensoriais dela. Não são como visão ou audição, é um tipo de memória que atravessa todos os sentidos e percorre todo o corpo. Apagá-las é uma tarefa difícil, mesmo para o Sharingan” 

Nagato já não conseguia disfarçar sua preocupação. Ele conhecia as condições que levaram a amiga a fugir para o país da Chuva. Quando Ahmya descobriu sua afinidade com o elemento fogo, Azumi o confessou, em um desabafo, quem era o pai biológico da criança e revelou o medo que sentia do clã Uchiha.

Mas não era isso o que perturbava os pensamentos do jovem agora. Ao ouvir as palavras da amiga, ele se lembrou de um desconhecido identificado como Uchiha Madara que o abordou junto a Konan e Yahiko.

Na ocasião, o estranho não pareceu hostil e, mesmo sendo dispensado por um Yahiko impaciente, declarou que ainda esperaria o contato dos fundadores da Akatsuki. Ainda assim, aquela pessoa possuía o Sharingan. O que, talvez, fizesse dele um suspeito.

“Azumi-san… há alguns dias...” Nagato pensou em compartilhar a informação, mas foi abruptamente interrompido.

“Me desculpe. Não deveria ter incomodado você com esse assunto. Você e os outros têm coisas muito mais importantes com as quais se preocupar...” a médica falou quando notou a preocupação no rosto do outro.

Há algum tempo Nagato era a pessoa adulta mais próxima de Azumi. Eles pertenciam ao mesmo clã e aquele homem era a pessoa mais gentil esensível que a médica tinha conhecido.

Aos poucos, Nagato tornou-se também alguém com quem ela se sentia confortável para dividir suas angústias. Este era o único humano que conhecia em detalhes sua história.

Mas agora, mesmo estando nitidamente preocupada, Azumi arrependia-se por estender a ele seus problemas particulares.

“Talvez eu esteja apenas sendo superprotetora. Posso tirar mais dias de folga e levar Ahmya comigo para o hospital, se não deixá-la sozinha isso não vai se repe…”

Em um ato inesperado, Nagato a abraçou posicionando delicadamente a mão atrás da cabeça da mulher e a aconchegando em seu peito. 

Aquilo não era nem de perto uma ação que a médica esperava de uma pessoa tão introvertida e contida como ele. 

Com a surpresa, Azumi se calou. Mas recebeu o abraço como algo que a confortou imensamente. Algo que ela precisava.

A voz de Nagato era calma e afetuosa. 

“Nós estamos juntos, todos nós compartilhamos o mesmo sonho. E o seu desejo de proteger sua filha também é nosso. Enquanto a Akatsuki existir, enquanto eu estiver de pé, Ahmya-chan ficará segura.”

Virando o rosto para cima a fim de mirar o outro, Azumi respondeu com a única palavra que poderia dirigi-lo naquele momento. 

“Obrigada”

 

*** 

Com as mãos calejadas e os lábios desgastados pelo calor, Ahmya concentrou uma grande quantidade de chakra no peito e fez os selos. 

Enquanto suas mãos se moviam, ela moldava a natureza do chakra e o conduzia para as bochechas.

‘Estilo fogo: jutsu grande bola de fogo’

Um jato consistente de fogo saiu por entre os lábios da criança, transformando-se em uma gigantesca bola ardente. 

A propagação do jutsu se manteve por quase vinte segundos, antes de a chama cessar.

“Uau! A maior parte dos Uchi..” Shisui fez uma pausa repentina e se corrigiu “a maior parte das pessoas que usa esse jutsu leva meses para dominá-lo” 

Ele se virou para a amiga mais nova e sorriu como um sinal de reconhecimento “Você conseguiu uma grande intensidade e bastante duração em algumas semanas”

Ahmya virou o rosto para mirar o outro. Seus olhos pareciam brilhar de satisfação. Os dois estavam na encosta de um lago, próximo à vila da fronteira do país da Chuva com o país do Fogo. 

A menina fazia uma demonstração do resultado de seus esforços. No último encontro, há quase um mês que Shisui a ensinou sobre liberação de fogo.

O Uchiha era atencioso, gentil e sempre procurava expressar à mais nova o seu reconhecimento. 

Ele até pensava que poderia estar a mimando demais. Mas Ahmya respondia muito bem a reforços positivos. 

Estar com ela era como ter uma irmãzinha. Não seria nada mal ter um irmão mais novo, era o que ele pensava sempre que observava Itachi e seu irmão mais novo, Sasuke, juntos.

“Mamãe!” 

Ahmya sentiu o chakra e se virou para trás entusiasmada, esta era a primeira vez que a mãe e o amigo estavam na presença um do outro. Ao menos a primeira vez que a menina presenciava.

Azumi estava às costas dos dois. Ela chegou silenciosamente e parou de pé a poucos metros deles.

Shisui também se virou para encará-la. Havia alguma surpresa em seu rosto. Mesmo que ele já soubesse que mais cedo ou mais tarde esse encontro aconteceria.

“Podemos conversar?” Azumi olhou para o garoto de uma forma cordial. 

Ela também parecia um pouco hesitante, como se tivesse levado muito tempo para decidir se faria ou não aquela abordagem.

“Cla-claro” Shisui inclinou levemente a cabeça em uma demonstração de respeito. Apesar de um pouco séria, sua voz soou de uma forma gentil.

Com a resposta do amigo, Ahmya entendeu que não estava inclusa no convite. Ela encarou a mãe com um rosto moderadamente zangado.

“Ahmya-chan, Kyusuke e Yahiko estão no hospital. Soube que eles adorariam a ajuda de uma enfermeira gentil”

Todos ali compreenderam que a fala de Azumi era uma forma amena de pedir à filha que deixasse os outros dois à sós.

Mas era um bom argumento. 

Kyusuke era um membro da Akatsuki. Ele e Yahiko estavam sempre no hospital. Raramente tinham ferimentos graves, mas sua persistência em confrontar os oponentes sem ferir ou matar geralmente os rendia algumas escoriações e arranhões.

“Tudo bem. Mas quero meu amigo de volta quando vocês terminarem de conversar” 

Mesmo com pouca idade, a menina podia compreender a necessidade da mãe em ter privacidade. Ela não estava mais zangada.

Azumi sorriu sem abrir os lábios e confirmou “hm”. 

Com os braços para trás, Ahmya saltou e correu para o hospital que ficava bem próximo dali.

“Azumi-sama, me desculpe por nunca..” Shisui procurava as palavras enquanto sentia-se levemente constrangido. 

Mas a mulher o interrompeu. Talvez como uma forma de aliviar o constrangimento. 

“Não se preocupe com isso. Eu entendo e senti o mesmo por muito tempo” 

Ela se aproximou de Shisui e se posicionou ao lado dele. Ambos olhavam para o lago e a médica prosseguiu. “O que Ahmya-chan significa para você?”

“Arrr” Shisui foi pego desprevenido com essa pergunta. Mas logo se recompôs. Ele pretendia falar com honestidade, não havia por que fazê-lo de outra forma.

“Ahmya-chan é uma pessoa importante para mim. Por muito tempo eu me culpei por ter ajudado a pessoa que…” ele hesitou e decidiu pular essa parte, Azumi sabia do que ele estava falando. 

“A vida de um shinobi não costuma ser agraciada por inocência e afeto, mas Ahmya-chan é.

Vejo a Ahmya-chan como resultado da minha decisão de poupar uma vida. Ela é como uma luz de esperança para um mundo diferente”

Aquela era a verdade. 

Shisui ainda era um shinobi da Folha. Lutar e matar faziam parte de sua rotina. Mas, mesmo depois de todo esse tempo, ele via aquela criança como uma fonte de conforto.

Azumi voltou-se para o adolescente ao seu lado e sorriu. Ela sabia que ele não mentia. Não apenas por perceber os batimentos cardíacos do garoto, mas porque sentia o mesmo.

“Eu sei que você não tem interesse em uma aproximação entre Ahmya e o clã Uchiha.”

Shisui abandonou a paisagem e olhou para a mulher. Isso também era verdade. Apesar de tudo, para os Uchiha a existência daquelas duas seria uma prova de sua traição.

“Você acredita que há a possibilidade de ter sido seguido vindo para cá?” Azumi foi direto ao ponto, ela usava um tom de voz sóbrio e sem muita emoção.

“Não. Ninguém no clã Uchiha ou em Konoha conhece a existência de vocês duas. Aconteceu alguma coisa?” 

Shisui entendia o medo de Azumi, ela quase foi executada por Uchihas quando ainda estava grávida. Mas por que este temor tão repentino?

“Não.” Azumi não queria preocupar o rapaz e era exatamente por isso que havia levado quase dois meses para decidir ter aquela conversa. “Mas… há algo que você precisa saber”

Apenas neste momento, Shisui se atentou às palavras anteriores, ‘aproximação entre Ahmya e o clã Uchiha’. Ela não usou a expressão ‘ataque’ ou ‘ameaça’.

Mas a médica se adiantou na conclusão “Ahmya é filha de Uchiha Takashi”

Shisui estava perplexo. Era uma conclusão à qual ele logo chegaria. Mas aquela confissão...

Depois do ataque dos Uchiha ao acampamento da Pedra, Shisui nunca mais se sentiu próximo de seu pai. Mas as coisas que Takashi fez estavam além da pior das especulações.

“Eu… eu sei o que você pode pensar. Eu estou ciente dos meus erros, mas...” pela primeira vez desde o início da conversa Azumi expressava alguma insegurança.

“Ahmya-chan não é um erro” com uma maturidade que era característica sua, o Uchiha concluiu a frase da mulher.

A despeito de qualquer desvio moral ou da crueldade do próprio pai, Shisui se sentia grato pela existência de Ahmya.

“Ela já sabe?” ele se voltou novamente para a paisagem, enquanto tentava acomodar as novas informações em sua mente, sem deixar transparecer seus pensamentos.

“Ela sempre soube. Desde seu primeiro encontro, Ahmya-chan se sentiu confortável na sua presença porque percebeu as semelhanças no padrão do chakra que flui em vocês dois.”

“Entendo...” sem virar o rosto o adolescente continuou “Ela sabe sobre meu pai? Sobre o clã?”

“Não. E prefiro que continue assim.” 

A mulher sorriu brevemente, talvez como uma forma de reduzir a tensão. 

“Ahmya-chan fala aos quatro ventos. Não acho que seja seguro que seu vínculo com os Uchiha se torne notícia. Espero poder ir revelando a verdade aos poucos, à medida em que ela for amadurecendo”

“Você está certa e pode contar com a minha descrição”  a decisão da mãe era lógica e racional e Shisui comprometeria-se em apoiá-la.

Ao longe, três silhuetas despontaram em contraste com o pôr do sol. Dois adultos e uma criança.

“Por favor peça desculpas a Ahmya-chan por mim” Shisui não tinha interesse em revelar sua presença e identidade a outros moradores daquele país. 

Além disso, mesmo com seus esforços para não transparecer suas emoções, Shisui recebeu as palavras de Azumi como um grande baque. Havia muito sobre o que pensar.

A médica assentiu o pedido acenando de leve com a cabeça.

O corpo do Uchiha cintilou e ele desapareceu.



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