História V E G A S II: As You Like It - Capítulo 22


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Categorias Malhação: Viva a Diferença
Personagens Heloísa Gutierrez (Lica), Samantha Lambertini
Tags Aliperti, As You Like It, Continuação, Grigio, Griperti, Lesbicas, Limantha, Mvad, Parte Ii, Vegas
Visualizações 173
Palavras 3.662
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Literatura Feminina, Poesias, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


eu olho pro fan service e falo: vou fazer sim kjkkjk

o tempo vai passar nessa viagem aparentemente interminável, eu juro! bora lá:

Capítulo 22 - Nothing lasts forever


Fanfic / Fanfiction V E G A S II: As You Like It - Capítulo 22 - Nothing lasts forever

Eu ganhei o Augusto, meu gatinho, quando tinha quinze anos. Eu tinha acabado de voltar pro Brasil e minha avó apareceu com aquela coisinha linda porque eu tava me sentindo muito mal na época. Era filhote da gata de alguma amiga dela, eu nem sei direito. O fato foi que eu recebi minha fofurinha maravilhosa e barriguda e fiquei completamente apaixonada. Era o bichinho mais folgado do mundo, só queria dormir e ficava quietinho quando eu tinha meus acessos de amor. Não pude dar outro nome porque era exatamente calmo e atencioso como o Guto. Óbvio que o meu amigo ficou super feliz com a homenagem e até pagou um pingentinho pra coleira dele.

Foram dois anos mimando o Gutinho e desistindo de ter uma roupa sem pelos porque o arrombadinho adorava se deitar sobre elas, até surgir aquela praguinha do Egito: o gatinho preto mais atentado do mundo. Dessa vez foi obra da minha mãe mesmo. Ela veio pro Brasil uns dois meses antes do Natal e já sabia que não passaríamos a data juntas porque ela ia voltar pro trabalho nos EUA. Acho que foi mais por culpa do que vontade de me agradar mesmo, nem me importei. Ele chegou enrolado numa fitinha, o verdadeiro presente de grego. Quase tive um desmaio quando ele começou a ronronar. Logo no nosso primeiro contato! 

Michelzinho quase derrubou meu quarto em pouquíssimos dias, se eu me distraísse por dois minutos já tava com meus bonequinhos prontinho pra devorar. Era comilão, folgado, temperamental. Quando viu o Felipe pela primeira vez desceu a unha sem pena. Na real, ele só gostava de mim e da minha avó. Provavelmente mais dela porque é impossível não ser maluco pela nonna. Nem o MB ele deixava se aproximar, era simplesmente o animal mais ciumento do mundo inteiro. Nem sei quem ele puxou!

Ele tava com uns seis meses quando eu conheci aquela extensão humana e branquela dele. Achei que ele ia odiar a Lica também e acabar com o narigão dela, mas fui tombada. Os dois não apenas se deram bem quanto ele parecia gostar muito mais dela que de mim. Certamente tão mais que virou até gata sem que eu me desse conta. Driblou até o coitado do veterinário! Quando eu paro pra pensar nisso entendo perfeitamente: a Liquinha era o meu estágio pra chegar até a Heloísa. Eu tinha aturado as traquinagens da bichana porque a vida tava me reservando uma garota completamente doida e encapetada, mas lindíssima e amorosa comigo. 

É óbvio que eu não ia decepcionar a tia, eu nunca falhei numa missão nessa vida! Não tinha dúvida alguma de que ia precisar comprar umas cordas, uma coleira, até umas algemas e um taser pra dar choque naquela desvairada se ela inventasse de aprontar até o fim da viagem. 

 

-

A Lica ficou curiosíssima quando desligou o telefone e já foi logo me obrigando a repetir cada palavra que a tia tinha dito. Não entendeu absolutamente nada sobre o jantar, honestamente eu também não. Se tinha a mãe dela, não podia dar errado. Essa mulher é tudo na minha vida; não só colocou no mundo a pessoa mais bonita de todos os tempos e eu nem tô falando da Clara (a herdeira sensata e moderna dos Gutierrez), quanto aguentou as maluquices desse Dennis o Pimentinha por duas décadas. GUERREIRA.

- Relaxa, Lica, sua mãe deve fazer uma cerimônia pra me coroar. Uma rainha reconhece a outra.

Ela ria muito, eu devo ser a comediante favorita da Lica.

- Você quer dormir de novo, Sammy? 

- Perdi um pouco o sono. Você quer?

- Não. 

- E o que a gente vai fazer?

Já me arrependi por perguntar isso só pelo olhar safado em minha direção.

- NÃO! - botei as mãos diante dos olhos dela. - NÃO ME OLHA COM ESSA CARA!

- Que cara?

- Você sabe que cara! - resmunguei. - É pra olhar pra mim com a pureza de um anjo, entendeu?

- Que pureza que eu tenho, Sammy?

Era verdade, ela não tinha nenhuma mesmo. Suspirei e soltei aquele rostinho lindo.

- Vamos ver filme. - puxei ela pelo braço e a obriguei a se deitar ao meu lado na cama.

- Disney?

Era tão bonitinho quando ela acatava meus desmandos que até dei o braço a torcer.

- Eu provavelmente vou me arrepender, mas acho que é a hora de te dar uma chance. Você escolhe dessa vez.

- Sério? - aqueles olhinhos lindos até brilhavam.

- Sim. - segurei a mão dela e acariciei. - Eu vou morrer de tédio, mas não vou te negar isso.

- Já até sei o que escolher! - beijou minha testa.

- Lá vem.

Ela pegou o controle da TV e começou a revirar alguns sites. Eu nem sabia que existia vida além das plataformas de streaming.

- Já assistiu Breakfast at Tiffany's? - o pior é que ela tinha uma pronúncia meio britânica, eu me tremia inteira.

- Desde quando você fala inglês pra mim, Lica?

- Desde que eu tô tentando te fazer desistir da aposta.

Era muita cara de pau!

- Não sei se eu quero ver um filme do milênio passado. - resmunguei.

- É de 1961! Sua avó já tava viva.

- E pelo visto você também, né?! - dei um tapinha naquela testona. 

- Já viu ou não?

Eu conhecia algumas cenas porque eu também não sou uma tapada que nunca viu imagens da Audrey lindíssima em Bonequinha de Luxo. Especialmente porque a poc do Gabe tinha até um quadro dela naquele icônico vestido preto.

- Não. Só conheço por nome e algumas fotos. A atriz é maravilhosa, né?

- Muito. É lindíssima!

Já comecei a ficar bolada. Óbvio que ela percebeu e começou a rir.

- Mas não é a mulher mais bonita desse mundo. - disse após me dar um selinho. 

- E quem é a mulher mais bonita do mundo?

- A Anna Karina!

- QUEM??????????

Como assim aquela paspalha tinha perdido a brecha pra inflar meu ego??? QUE ÓDIO!

- A Anna Karina! Vou te apresentar ela também, só preciso fazer você começar a ver meus filmes.

- Eu não quero assistir porra nenhuma. - cruzei meus braços.

- Amor, você tá com ciúme das atrizes?

- Não.

- Ah, não tá?

- Não.

- Então eu posso elogiar também a Sophia Loren?

De onde surgiam aqueles nomes eu não sei, mas eu tinha vontade de dar vários socos naquela cara de pau. 

- Sammy, para com isso vai. - tentou me beijar, mas eu virei o rosto. - Você sabe que eu tô brincando! 

- Brinca com a Anna Karina! - empurrei o ombro dela.

- Sammy, ela já tem quase oitenta anos...

- E daí? Você tem noventa! Aproveita pra jogar bingo com ela!

Eu até queria continuar com aquela ceninha, mas a desgraçada me puxou pra um beijo que foi irresistível. Comecei meio relutante, mas era tão gostoso que logo tava eu lá abraçando meu pandinha pelo pescoço e brincando com aquele cabelo lindo. As mãos dela já estavam quase invadindo meu pijama quando eu precisei me impor. 

- Você não consegue me beijar sem me despir não, desgraça? - mordi o lábio dela.

- Não.

- Pois vai aprender! - tirei aqueles dedinhos deliciosos da minha roupa. 

- Sammy, para com essa tortura, vai. Eu suplico.

- Suplica, Heloísa? - comecei a rir. 

- Imploro, suplico, rogo, postulo, obsecro...

- Você virou um dicionário agora?

- A gente não é uma peça do Dias Gomes não, Sammy! Chega dessa promessa maldita, vai. A gente já resistiu muito!

- Você tá citando todos esses nomes pra me ganhar na lábia?

- Aham.

- Pois fica aí então que eu vou colocar uma calça jeans! - me sentei na cama. 

- Ah não!

- Ou você para com esse seu papo intelectual ridículo ou eu vou colocar um cinto de castidade e jogar a chave fora! Você escolhe.

Ela suspirou. 

- Tá bom, Sammy. - me puxou pelo braço. - Deita de novo. Vamos ver o filme e só. Eu me rendo.

- Ótimo. 

Deitei a cabeça no ombro dela e esperei que ela desse play naquela bomba de Hiroshima. Se fosse ruim eu iria dormir antes mesmo da metade e tava pouco me fodendo pra ela.

 

-

Não era ruim, na verdade era muito bom. Eu nem vi que era tão longo, tava apaixonada demais pela atriz. Era tão linda, os figurinos eram um nojo de tão perfeitos! Eu mesma não parava de falar e enaltecer:

- Eu quero esse guarda-roupa inteiro pra mim!

- Pena que o Givenchy morreu recentemente. - ela disse em tom brincalhão. - Eu ia pagar pra ele fazer uns vestidos exclusivos como os do filme só pra você!

- Você caga dinheiro, né, sua arrombada?!

Ela ria.

- Tanto assim não. 

- Cala a boca que eu quero ver meu filme, Heloísa!

- Seu filme?

A cena seguinte quase me partiu o coração. A maluca da personagem simplesmente soltou um gatinho meio da chuva. Eu tava era quase entrando na TV pra resgatar o coitado. 

- Sammy, calma.

Eu tava chorando sim e não sou obrigada a não sentir pena do bichano. Até porque tava morrendo de saudade dos meus :(

- Espera. Calma.

- ELA LARGOU O GATO! - eu tava muito triste.

- Ei, calma! - Lica me abraçou forte. - Olha aí, presta atenção agora!

Não demorou muito pra reviravolta: a burra do filme tinha finalmente desistido daquele papel ridículo de que não se apegava e foi logo atrás do gatinho. A cena final era justamente ela dando o braço a torcer e beijando o bonitão com o gatinho no colo. Eu tava muito mais interessada no bichinho do que nos dois paspalhos.

- Gostou? - meu brigadeirinho branco perguntou num tom manhoso assim que acabou.

- Esse gatinho é lindo demais! 

- Sammy, você assistiu o filme inteiro com a Audrey Hepburn no auge e se apaixonou logo pelo gato?

- ÓBVIO!

Ela ria muito e me abraçava forte. Eu nem sei como a Lica era capaz de gostar tanto de mim. Se não fosse assim também, eu a obrigaria.

 

-

Dormimos de conchinha, ela me abraçando forte e eu sentindo aquele narigão na minha nuca. Seria uma noite tranquila e casta se eu não tivesse sido traída pelo meu inconsciente: sonhei com aquela marmota deliciosa usando uma jaqueta de couro e me agarrando com tanta vontade que eu me tremia inteira. Não preciso falar o que acontecia no sonho, era tudo o que eu tava tentando evitar ali. 

Quis muito que o sonho tivesse durado a noite toda e eu me satisfizesse só com ele, mas acordei ali agarradinha nela. Olhei por cima do ombro e vi aquela boca linda entreaberta, o ombro ossudinho apontando debaixo do pijama. Respirei fundo, mas aqueles dedos que eu amava tanto estavam ali no meu quadril. 

Teoricamente não existe greve de madrugada, né?!

 

Me virei lentamente e sussurrei baixinho:

- Lica? 

A sonsinha demorou uns cinco segundos pra abrir os olhos.

- Tá acordada, Sammy?

- Você acha mesmo que eu sou sonâmbula, né, porra?!

Ela riu.

- Que foi? - consultou o relógio. - Tá de madrugada ainda.

- Eu me rendo.

- Oi? - a carinha dela até se iluminou.

- Eu me rendo. - passei a ponta dos dedos no rosto dela. - Tô fazendo uma pequena pausa.

- Que pausa, amor?

- Na greve, sua burra! 

- Sério? - a safada já tava acordadíssima, parecia que nem tava no milésimo sono há minutos atrás. - Você me acordou pra furar a greve?

- Não me obriga a desistir de desistir, Heloísa.

Ela riu e já veio com aquela marra toda pro meu lado roubando um beijo. Ainda bem pra mim porque eu já fui me deitando em cima dela esfregando meu corpo ali. Minha greve tinha sido tão maravilhosa que ela me beijava como se nunca tivesse feito aquilo, confesso que era mais gostoso do que eu queria que fosse. 

Já fui arrancando meu pijama, a ajudei a fazer o mesmo com a parte de cima do dela. Era um ombro tão delicioso, o pescoço ainda tinha marcas dos meus chupões da última noite. Fiz questão de beijar cada uma das marcas e fazer outras, ela era minha mesmo e eu tava disposta e mostrar isso pro mundo. Beijei, mordi, lambi, fiz tudo que eu podia com aquele pescoço, segui até os ombros e já fui descendo lentamente em direção aos peitos. 

Ela segurava minha bunda, me forçava contra o próprio corpo, eu rebolava sem pudor algum. Recebi até uns tapinhas, confesso que não só gostava quanto ficava ainda mais excitada. Eu já sugava os mamilos, mordia lentamente, distribuía chupões não só nos seios quanto descia pela barriga. Recebi uma pequena pausa pra me afastar um pouco e tirar o resto da roupa dela. Estávamos nuas, ela deitadinha me olhando com carinha de safada. Sabia muito bem o que eu queria fazer.

- Quer ir primeiro? - ela perguntou enquanto eu me ajoelhava na cama.

- Sim. Agora abre bem essas pernas e não reclama.

Ela sorriu e prontamente me obedeceu. Eu tava sedenta mesmo, ela que aguentasse tudo e se preparasse pra minha vez.

 

-

Acho que a Ariana compôs Dangerous Woman pensando em nós duas. Algo na Lica despertava uma Samantha que eu nunca pensei que seria. Eu não tinha um pingo de vergonha em me enfiar ali no meio daquelas pernas lindas e passar longos minutos só lambendo e chupando. Ela se contraía inteira, puxava meu cabelo e me fazia olhar nos olhos dela. Era uma expressão de tesão tão grande que eu não resistia. Perguntei se ela aceitava meus dedos também e já comecei a fazer o serviço completo. Eu tinha Heloísa Gutierrez na mão. E na boca. Provavelmente onde mais eu quisesse.

 

-

Não sei como ela não morreu depois do orgasmo. Era geralmente intenso e forte, ali parecia mais uma prévia da morte. Quase fiquei presa no meio das pernas dela, não que eu achasse isso ruim. Ela me afastou gentilmente, mas nem era preciso. Eu sabia que, pra ela, tava mais do que ótimo, a coitada não tinha pique pra continuação ali.

Novamente me deitei sobre o corpo dela e recebi um beijão. Era carinhoso, lento, cheio de língua das duas. Ela mal conseguia respirar, precisei interromper antes que rolasse um colapso e ela realmente precisasse de uma ambulância.

- Eu aposto que você vai se declarar agora. - brinquei enchendo o narigão dela de beijinhos.

- Você sabe tudo sobre mim. - ela me abraçou forte. - Eu é que não canso de me surpreender com você.

- Por quê?

- Olha essa surpresa maravilhosa que eu recebi. - apontou pro meu corpo. - Eu nem tava esperando isso tudo!

- Gostou de ser acordada assim, né, sua safada?!

- Gostei mesmo. - pressionou os lábios nos meus. - Se eu for acordada assim todo dia, acho que não vou passar mais uma só noite longe de você.

- Você é muito cachorra, Heloísa. - apertei o rosto dela entre minhas mãos. - Uma safada!

- Sou mesmo. - a demônia ria. - E você é outra. É uma delícia!

- E o que mais?

- É minha mulher. 

Me tremi todinha com aquela frase. Ela falava com tanta firmeza que eu fiquei até tensa.

- Gostou? - perguntou levando as mãos até meu bumbum.

Eu tava pior que as cataratas do Iguaçu. Não conseguia nem responder aquilo direito.

- Você é minha mulher, Sammy. - colou os lábios na minha orelha e sussurrou baixinho: só minha.

- Acaba logo comigo, vai. - praticamente implorei. - Pode me destruir toda, eu não tô nem aí.

E não tava mesmo. 

Ela trocou nossas posições na cama e já foi logo repetindo o que eu tinha feito. Eu amava fazer aquilo nela, mas confesso que tinha uma preferência maior em receber. Especialmente porque ela era tão boa que eu não dava conta de parar em uma ou duas vezes. Eram logo umas quatro, cinco. Estávamos em fase de descobertas, ela me apresentava posições e jeitos que eu nem imaginei que iam ser tão bons. 

A madrugada nunca foi tão pequena. 

 

-

Estávamos tão mortas no final que eu não conseguia ficar de pé nem pra tomar banho. Deixei pra fazer aquilo mais tarde, não era tão imundinha quanto a Lica, só tava exausta. 

Foram boas horas de sono juntinhas até o horário do café.

O roteiro daquele resto de semana era o mesmo: eu comendo como uma maluca de manhã, a Lica debochando do meu prato junto com as garotas do meu time e a Mariana surtada com absolutamente todas as nossas interações. Almoçávamos com o MB na praia ou no hotel mesmo, de tarde eu forçava a Lica a pegar sol e ligar pra tia. Fizemos alguns passeios, trilhas, até cheguei a jogar um pouco de handebol com as meninas. Óbvio que a coitada da Lica quase morreu quando viu minha roupa do treino. De dia eu era a melhor grevista do mundo, provocava até não dar mais conta. Nas madrugadas é que eu tava fodida, literalmente.

Nosso maior desafio era fugir dos lixos da turma, mas não era difícil. As madrugadas nos deixavam tão exaustas que tirávamos vários cochilos durante as tardes. Assistíamos alguns dos filmes chatos dela, até que nem todos eram ruins. Ela comprava quilos de comida pra me agradar também. Provavelmente o nosso momento mais tenso foi quando ela decidiu procurar o Ernesto e explicar o sumiço dos últimos dias. Até me ofereci pra ir junto, mas ela insistiu que seria melhor fazer aquilo sozinha.

Fiquei com o cu na mão no quarto, mas foi relativamente rápido e ela voltou radiante. 

- Como foi?

- O Ernesto é a pessoa mais incrível desse mundo!

- Lica, eu tô no mundo.

- Depois de você.

- E da sua mãe.

- Depois de vocês duas.

- Me conta.

Ela disse que abriu o jogo com ele. Sobre a decisão de sair do estágio e as principais motivações.

- Você falou da gente?

- Sim.

- E aí?

- Ele já desconfiava. 

- Sério?

- O Ernesto não é burro, né, amor. Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência sabe que eu babo em você.

- Literalmente.

- É. - ela riu. 

- Lica, se as coisas eram tão simples, por que a gente deixou ir tão longe?

- Por medo. E porque eu sou burra.

- Eu queria discordar, mas...

- Eu sou mesmo, Sammy. Se eu tivesse sido honesta no começo e encarado a verdade, não teríamos deixado acontecer tanta merda.

- Tem certeza que ele aceitou de boa?

- Ele ficou chateado, claro. Disse que eu devia ter falado desde o começo, que teria compreendido e me ajudado a evitar tanto rolo. Acabou concordando que é melhor que eu me afaste mesmo, não seria legal pra nenhuma de nós duas e nem pro próprio Colégio Grupo se soubessem dessa treta toda.

- Eu vou sentir tanto sua falta lá...

- Eu também, amor. - ela me abraçou forte. - Mas vai ser melhor assim, você sabe disso.

- Como a gente vai se ver?

- Sammy, nem que eu tenha que realmente me esconder na sua casa, eu te prometo que não vamos passar um só dia longe uma da outra.

- Eu acho que o quartinho de costura da minha avó até te cabe, temos que ver a logística do seu nariz...

Ela riu e me deu um beijão. Eu confiava na Lica, sabia que, mesmo maluca, ela realmente faria tudo por nós duas. 

 

-

Era muito difícil pra mim equilibrar a ansiedade: um lado ficava triste por saber que voltaríamos pra casa no outro dia cedinho, mas o outro quase explodia de felicidade ao lembrar que o sábado seria o nosso dia e que nem eu nem ela tínhamos cagado tudo em um mês.

Não nos permiti furar a greve na madrugada da sexta pra sábado. Queria seguir o roteiro da minha fanfic mental: acordaríamos fofíssimas e descansadas no nosso dia e iriamos aproveitar até o último segundo. 

 

-

Foi meu neném que me acordou no sábado. Senti um beijo na minha testa e aquela voz dengosa no meu ouvido:

- Acorda, Sammy.

- Mmmmmmmmmm. - eu ainda tava com sono.

- Eu tenho uma coisa pra você.

Infelizmente sou curiosa demais pra conseguir dormir depois de ouvir aquilo. Me espreguicei um pouco e só então olhei ao redor. A doida tava sentadinha na cama. Do lado dela uma bandeja cheia de comida.

- Que isso, Heloísa???

- Café na cama, ué. - abriu um sorrisão.

- VOCÊ TROUXE CAFÉ NA CAMA???? COMO????

Ela ria do meu tom de voz. Eu tava chocada mesmo. De onde aquela maluca tinha arrumado aquilo???

- Eu quero encher minha namorada de mimos. - segurou minha mão e me ajudou a me sentar na cama. Ficamos uma de frente pra outra. - Não foi fácil aguentar um mês inteiro ao meu lado, eu sei.

- Não foi mesmo. - concordei. - Mas eu não entendo...

- Não precisa entender. - pegou um morango e colocou na minha boca. - Come. Eu sei que comer é o que você mais gosta no mundo!

- Lica. - respondi após mastigar lentamente. - Para de ser idiota.

- Oi?

- Você fala cada coisa burra!

- Mas...

- Lica, eu amo comer. Eu posso facilmente devorar isso aí tudo. - apontei pro presente maravilhoso que tava ali prontinho pra ser devorado. - Mas tá tudo errado no que você disse.

Me ajoelhei na cama e a abracei forte. Enchi ela de beijinhos e falei baixinho:

- Você é o que eu mais gosto no mundo, sua boba. 

Não tinha mesmo presente maior na minha vida do que aquele rostinho maravilhoso. 

 


Notas Finais


GLOSSÁRIO:
I) Breakfast at Tiffany's - a tradução no Brasil é Bonequinha de Luxo. É um filme clássico, recomendo pra quem curte uma comédia romântica gostosinha. Um pouco mais sobre ele: http://cinemaemcena.cartacapital.com.br/coluna/ler/504/bonequinha-de-luxo

II) Anna Karina é uma atriz dinamarquesa famosíssima no cenário francês, hoje tá com 79 anos. Ela na juventude: https://i.pinimg.com/originals/df/9b/99/df9b994df3259e88031a62f17718da53.jpg

III) Sophia Loren é uma atriz italiana. Ela na juventude: https://i2.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ae/Sophia_Loren_-_1955.JPG

IV) A peça do Dias Gomes que a Lica fala é "O Pagador de Promessas". Tem um resumo aqui http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/o-pagador-de-promessas.html

V) Os figurinos do filme e detalhes das criações do Givenchy: https://cinemaclassico.com/figurinos/os-figurinos-bonequinha-de-luxo-1961/

VI) A cena do gato: https://www.youtube.com/watch?v=2saxRkd4p4M

VII) Dangerous Woman da Ariana: https://www.youtube.com/watch?v=9WbCfHutDSE


-
Será que virão mais presentes por aí? o que cês acham que as doidas vão aprontar?


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