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História Vá em frente, Renjun - Capítulo 3


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Notas do Autor


Devo desculpas pela minha demora pra atualizar a fic, ela acaba não sendo tão fácil de escrever, pq ainda não tenho prática nisso. Aproveitei essa quarentena pra enfim terminar esse capítulo e escrever mais. Espero que vocês estejam se cuidando e não saindo de casa se possível.

Capítulo 3 - Ponto Fraco


 

 

Três dias foram se passando num tempo lento, nos que tive mais sorte fui agraciado com um adagio tedioso e sem complicações. Era apenas o segundo mês do semestre, a sensação de estranheza devia ser normal e nada de errado estava acontecendo na realidade. Comecei o curso para o vestibular e a reunião do clube de canto foi maravilhosa, mesmo com algumas picuinhas com Lee Donghyuck(claramente nossos signos zodiacais não combinavam em nada). No entanto a sensação de insatisfação pinicava meu corpo, principalmente de noite. Às vezes eu acordava de forma súbita no meio da madrugada e não conseguia mais pegar no sono. A insônia virou minha fiel companheira e eu a acolhi de braços abertos. Imaginava se o problema não era o fato de ter feito escolhas imprudentes, como trocar uma das disciplinas antigas por algo artístico um mês depois das aulas terem tido início.

Meus amigos pareciam tão distantes e ocupados em seus próprios mundos que eu decidi não ser egoísta clamando a atenção deles. Troquei o metrô por um ônibus que não fazia todo o caminho até a minha casa, porém era bom e até mesmo saudável que eu andasse um pouco aquelas três quadras. O clima era leve na maioria das vezes, e a brisa de primavera me trazia a nostalgia de algo que não sabia exatamente identificar o quê. Talvez parte de mim se teletransportasse para algum ano da década de dois mil, quando eu vivia minha infância inocentemente marcada por músicas chinesas e hits do pop americano. Nesses momentos eu respirava fundo e meu corpo parecia ansiar um cigarro para completar a cena, o que era irônico e ridículo porque eu nunca tinha fumado na minha vida. Obviamente algo real me incomodava, porém minha mente fantasiosa e consumidora de arte gostava de romantizar coisas doentias.

Eu estava percorrendo uma das últimas ruas para chegar em casa, quando virei a esquina e pude observar o grupo de Na Jaemin vindo na direção contrária da minha. Não era por nenhuma implicância, mas eles eram pessoas bem esquisitas. O grupo era tão extenso e variado que eu sequer sabia o nome de todos. Tinham alguns que seguiam certos estereótipos como populares, atletas, nerds e também gente que ninguém lembra. Eles eram os excluídos? Eram a elite? Não sei dizer.

“Oi, você é da nossa escola né?” Perguntou uma menina baixinha de cabelo curto.

“Sim, sou Huang Renjun do terceiro ano.” Respondi fazendo uma mesura.

“Prazer, pode me chamar de Wendy, sou do segundo ano. Esse é meu pessoal, a gente tem um clube de fotografia, quer entrar?” 

“Ya, você vai sair convidando aleatoriamente o povo pela rua? Problemática, esse grupo é exclusivo.” Protestou um garoto alto que eu sabia se chamar Yukhei pois ele era o ultimate crush do meu amigo Jungwoo.

“Não briguem na frente de estranhos por favor, eu sou o face dessa unit, o mau comportamento de vocês me prejudica.” Disse Na Jaemin e pela primeira vez tive oportunidade de ouvir sua voz de perto. E que voz. Eu podia até mesmo levar sua brincadeira a sério, pois suas feições e sorriso faziam jus a de um modelo, os únicos elementos alheios eram os óculos arredondados e a câmera pendurada no pescoço.

“Ah obrigada pelo convite Wendy e desculpe ser a causa de qualquer desentendimento, já sou bem ocupado então de qualquer forma não poderia participar, mas obrigado mesmo assim.” Falei apressado com medo de que fosse ficar preso ali por muito tempo tendo que ser gentil com eles. Nunca gostei de interações não previstas. Desviei deles e sai andando de pressa.

“Ei, espera!”

“Precisa de alguma coisa?” Perguntei me virando novamente e encarando Jaemin.

“Posso tirar uma foto sua?” Disse sério. Meu coração deu um pequeno solavanco e fiquei com medo de reagir com exagero.

“Claro.”

“Pode posar daquele outro lado por favor? O sol vai iluminar você de forma mais adequada.”

Segui as instruções que ele me deu e acabei parado de forma aleatória na frente de uma floricultura. 

“Incline a cabeça um pouco pra cima.” Fiz como ele disse e segundos antes de ouvir o clique um raio de sol atingiu meu olho direito, o que me fez automaticamente levar a mão próximo ao rosto.

“Oh eu coloquei a mão na hora né? Estraguei a foto.”

“Normalmente a foto teria ficado horrível, mas eu gostei dela. Não saiu borrada ou desfocada e ficou espontânea.” Ele inclinou a câmera para que eu pudesse olhar a imagem. Estava linda, se quer diria que era eu ali. O desenho de um girassol no vidro da loja parecia completar a extensão do meu braço e o sol iluminava parcialmente minha face. Ali eu era uma versão obscura do sol sendo questionada por uma flor solar na vidraça.

“É bonita.”

“Obrigado Renjun. Se você quiser pode me dar seu número, eu edito e te envio a foto por kakao.”

“Claro.” Anotei meu número no celular de Jaemin e enquanto fazia isso percebi que estávamos sozinhos há um tempo já, seus amigos devem ter cansado de esperar e foram embora.

“Onde foram seus amigos?”

“Ah eles já estão acostumados que eu demore vários minutos fotografando, só continuaram no caminho então.” Falou ele e sorriu pequeno.

“Entendi.”

“Já vou indo Renjun, se não chego muito tarde em casa, tchau.”

“Tchau.” Respondi e fiquei observando as costas dele se afastarem lentamente. Na Jaemin era uma pessoa curiosa. Seu tom de voz era tão tranquilo, porém seu sorriso e seus olhos possuíam um brilho travesso de quem esconde muitos mistérios. De repente recordei sobre a conversa daqueles dois chineses escandalosos. Jaemin, “o quebra armários”, seria isso verdade? Não sei, mas ele poderia me quebrar se quisesse.

Refleti por tempo demais, se não fosse rápido acabaria chegando atrasado no curso. Desisti até mesmo de voltar para casa e comer algo, me dirigi direto para o centro de estudos. As mitocôndrias dividiram espaço com pensamentos sobre meus amigos e sobre o Na. A naturalidade de como assuntos supérfluos tomavam minha mente me deixava com raiva. Afinal de contas eu possuía tantos problemas para resolver. Dinheiro para comida, meus tênis gastos, a conta do celular, cobranças da família. Será que eu deveria me forçar a fazer algum esporte para incrementar meu histórico escolar também? Existem situações mais relevantes do que jogos de silêncio e fofocas. Não perdi o dia academicamente falando graças ao professor do dia no curso, alguém que foi dinâmico o suficiente para me fazer esquecer as coisas que me aguardavam do lado de fora. 

Quando enfim pude deitar na minha cama, já pelas altas horas da madrugada, meu celular começou a vibrar. Era minha insone mãe querendo saber novidades que eu não tinha a oferecer.

“Renjun, como estão as coisas no colégio? E os seus amigos, todos bem?”

“Não faz tanto tempo que o semestre começou, mas já estamos todos bem ocupados. Ah e eu tô tentando encontrar uma atividade extracurricular pra deixar meu perfil acadêmico mais rico.”

“Fico muito feliz por isso meu filho, você sabe que agora mais do que nunca esperamos que você tenha um futuro promissor, pelo menos uma pessoa da família tem que dar certo.” Ela disse a última frase com um tom meio alterado. Claramente meu pai deveria estar perto e ela quis fazer uma indireta bem direta.

“Sim, eu sei disso tudo mãe. Não quero que a senhora se preocupe muito com essas coisas, pois meu intercâmbio já deixou vários caminhos abertos para mim, só quero que vocês se cuidem.” Enquanto falava fazia desenhos de um cubo em uma folha qualquer do caderno.

“A gente vai dar um jeito quanto ao emprego que o seu pai perdeu, mas eu sempre tenho que me certificar que está tudo na mais perfeita ordem, digo isso porque quero que você esqueça futilidades que podem te atrapalhar. Não entre em modismos, não queira ser um artista e também não ande com más companhias. Você não é um adolescente normal, é um estrangeiro com pais pobres e desempregados.”

“Okay mãe, vou ter isso em mente.” Eu odiava quando ela fazia esse tipo de discurso, pois sempre achei manipulador e mesquinho no fundo. Como se eu não tivesse o direito de querer ser um adolescente normal. 

“Fique bem e saudável filho, agora vou te deixar dormir. Bom sono, eu te amo.”

“Também te amo.”

Não conseguiria dormir bem depois dessa conversa. Sei que é uma característica minha que é infantil, porém não posso evitar, quando alguém põem na mesa as ações que supostamente eu nunca poderia fazer é como se um combustível fosse posto na parte impulsiva do meu cérebro. Se antes eu estava considerando fazer um esporte para encher linguiça no currículo, de uma forma que todo mundo gosta, daquele ponto em diante iria me doar completamente para o clube de canto e qualquer atividade que me trouxesse prazer genuíno. A minha cabeça estava quase explodindo de tanta pressão, sendo assim estava mais do que na hora de eu viver as válvulas de escape. Ou era isso que eu pensava.
 


 


Notas Finais


Eu sempre reviso, não só o capítulo como estou postando mas também os anteriores para achar qualquer erro e tentar corrigir, no entanto não sou a melhor pessoa em gramática, então se acharem algum erro por favor avisem.
Obrigada por lerem.
Xoxo,
hyeya.


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