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História Valentine's Day - Capítulo 2


Escrita por: JenJaemJun

Capítulo 2 - Capítulo 02


Renjun acordou cedo aquele dia, estava ansiosos e um tanto preocupado, não fez muito além de sua higiene matinal antes de logo chamar um uber para o interior da cidade. Sua barriga embrulhava a cada minuto que se passava e ele não sabia ao certo se era de fome ou pelo motivo que o levaria a encontrar o Na novamente depois de um bom tempo.

Passou na casa de seus pais primeiro apenas para dar um oi e avisar que passaria uma noite ali, aproveitando para usar o banheiro também, já que não fazia parte das sortudas pessoas que conseguiam se controlar quando nervosas. Seguiu em passos lentos até o local marcado, entretanto, mesmo sem a intenção, foi pontual ao chegar faltando um minuto. Entrou sem mais delongas tendo em mente já encontrar o Na ali, visto que ele e o pai sempre chegavam com antecedência nas reuniões na casa de seus progenitores. Todavia, não o achou ali ao passar os olhos pelas mesas. Talvez um imprevisto pudesse ter acontecido, pensou consigo mesmo. Jaemin não seria nem louco de lhe deixar plantado ali feito trouxa.

E nesse meio tempo enquanto esperava o Na, novamente Renjun se viu pensando sobre furada que havia se metido, se sentia mal por mentir sobre uma coisa tão estúpida e mais ainda por ter envolvido uma pessoa que não tinha nada a ver com a situação que se encontrava, a pessoa que inclusive havia agredido meses atrás e que possivelmente lhe odeia mais que tudo.

Ok. Era realmente uma ideia sem noção.

Pensou por fim antes de se levantar, talvez falar a verdade para Donghyuck e seguir sua vida normalmente lhe desse menos dor de cabeça no final. Já estava acostumado com as gracinhas do Lee mesmo.

Sem muita pressa caminhou em direção a porta de vidro, checando o horário e percebendo então que Jaemin estava meia hora atrasado, se lembraria de ao chegar em casa xingar o Na por mesnsagens, podia ao menos ter avisado que não viria. Com certeza pouparia esforços e Renjun muito que provavelmente já teria desistido daquilo a tempos e desmentido para seu amigo.

Assim que o Huang bloqueou o aparelho e o colocou de volta no bolso da calça, o sininho barulhento ecoou pelo local, indicando a chegada de alguém. Renjun levantou o olhar depressa e parado no meio do caminho, agora encarava furioso um Jaemin igualmente parado na entrada cogitando seriamente a ideia de sair correndo dali o mais rápido possível.

Parecendo receoso, o coreano hesitou mais um pouco antes de finalmente se mover do lugar, seus olhos desviaram dos do Huang ao passo que se aproximava dele. Ainda que estivesse minimamente preocupado com sua saúde física no final daquela conversa super importante com o chinês, tinha que manter sua pose confiante e impassível, mesmo que seu orgulho estivesse profundamente ferido.

ㅡ O caralho, onde cê tava? Nós marcamos as três, não é possível que tenha esquecido. ㅡ Vociferou, tendo alguns olhares tortos das demais pessoas sobre si. Mas não é como se ligasse para isso.

ㅡ Acordei tarde, e pra falar verdade eu nem ia vir. ㅡ Apenas disse e deu de ombros, passando direto pelo chinês ao que rumava a uma mesa mais afastada.

ㅡ E ia me deixar aqui te esperando feito trouxa? ㅡ Incrédulo. Era como o Huang estava.

ㅡ Sim. ㅡ Respondeu como se fosse óbvio, rindo nasalado.

Renjun o olhava espantado, os olhos arregalados e a boca aberta, pensando em como o ser humano é um bicho incrivelmente cruel, e se o Na realmente seria capaz de fazer tal coisa.

Jaemin já devidamente acomodado na cadeira, encarou entediado Renjun parado lhe olhando, e apesar de não estar bem humorado, riu. Riu porque o menor parecia hilário demais com o rosto todo retorcido, emburrado com sua resposta. Tratou de complementar para que não parecesse tão idiota, e também para que o chinês não o fizesse passar vergonha ali.

ㅡ Digo, você me bateu naquele dia, nada te impede de fazer a mesma coisa hoje. ㅡ Explicou, parecendo calmo. Fazendo seu pedido ao que a garçonete se aproximou da mesa. ㅡ Vai querer o quê?

ㅡ Um expresso, por favor. ㅡ Pediu, se sentando de frente para o Na.

ㅡ Apenas isso? ㅡ A moça de beleza invejável perguntou e os rapazes afirmaram, vendo-a se retirar ligeiramente do local.

ㅡ Te bati porque você tava enchendo o meu saco, queria que eu fizesse o que? ㅡ Rebateu raivoso.

ㅡ Isso não é motivo para me agredir, oras, era só avisar que eu estava te atrapalhando, e eu parava. ㅡ Argumentou, deixando o Huang nos nervos.

A expressão do Na era carregada de deboche juntamente de uma pitada felicidade ao perceber que havia irritado o menor. Não entendia o motivo de de repente ter começado a "encher o saco" do mais velho, talvez fosse a aurea estressada que o rodeava, achava engraçado o ver todo vermelho de raiva e soltando palavrões sem perceber durante a conversa, sem contar que ficava muito fofo com os braços cruzados o olhando emburrado, como fazia agora mesmo.

ㅡ Meus sinceros vai tomar no cu. Até perdi a conta de quantas vezes pedi pra parar de me comparar com o seu ex babaca, parar de me chamar de criança, anão de jardim, doende, sininho e mais vários outros. ㅡ Citou irritado, contando nos dedos os apelidos ridiculos que ganhara durante a semana. Seu sangue já fervia e estava a um triz de socar aquele moleque debochado. Mas dessa vez faria questão de caprichar bastante e quem sabe o mandar para o hospital.

Jaemin ria de cada palavra proferida pelo mais velho, seu sotaque também era uma coisa que achava adorável, além da voz bonita que proferia inúmeros palavrões de forma meio embaralhada. Renjun era uma graça.

ㅡ Ok, Huang, apenas diga logo o que você quer. Tenho compromissos para mais tarde. ㅡ Mentiu sem se importar, apenas não queria enrolaçãos desnecessárias.

ㅡ Então, sobre isso... ㅡ Raspou a garganta.

De repente se sentia acanhado demais, tanto suas bochechas como as orelhas estavam em um tom extremamente vivo de vermelho. Por minutos havia esquecido do real motivo em que os levara se encontrarem no estabelecimento aconchegante e um tanto pequeno.

ㅡ Por que está tão vermelho? Por acaso é algum tipo de tarado que andou tendo pensamentos sujos comigo? ㅡ Cerrou os olhos encarando a figura de um Renjun totalmente desesperado e com os olhos arregalados.

ㅡ Quê?! Claro que não, idiota. É uma coisa muito séria. ㅡ Revirou os olhos, reforçando desnecessáriamente que o assundo era sério. Calou-se em seguida assim que a mesma garçonete de antes chegou com o pedido de ambos.

ㅡ Senhor, me perdoe interferir na conversa, mas alguns clientes reclamaram dos palavrões, queria pedir que ao menos abaixasse o tom de voz, nem todos estamos acostumados com palavras de baixo calão. ㅡ Sorriu gentil, os olhos se tornando pequenas meia-luas adoráveis. ㅡ Bom apetite. ㅡ Saiu após o avisar.

ㅡ Puta que pariu, agora vou ter que xingar sussurrando. ㅡ Reclamou consigo mesmo, rabugento como sempre, mas entendia e respeitaria as pessoas impertinentes que não o deixavam xingar em paz.

Do outro lado da mesa, Jaemin ria de sua cara novamente, como sempre acontecia quando alguém conversava consigo, para ser sincero não conseguia entender de onde vinha tanta graça assim, nem havia feito uma piada ou algo do tipo. Talvez devesse investir seu futuro em uma carreira de comediante e largar faculdade de música que fazia, e quem sabe fazer alguns Stand Ups por aí.

ㅡ Você é hilário, Huang. ㅡ Disse, se recompondo da sua crise de risos e começando a comer. ㅡ Mas então, eu estou curioso sobre o tal assunto sério. Estou começando a achar que assassinou alguém e quer a minha ajuda para esconder o corpo, já que não tem amigos. ㅡ O Provocou mais uma vez, dando uma garfada no bolo de chocolate.

ㅡ Eu tenho amigos sim, babaca, e não é nada disso. ㅡ Revirou os olhos, começando a considerar seriamente a ideia do assassinato.

ㅡ Você revira demais os olhos, não tem medo deles ficarem assim para sempre? Eu teria. E além disso você fica muito feio assim. ㅡ Disse, apenas para irritar ainda mais Renjun, que estava a ponto de agredir o outro mais uma vez.

ㅡ Cala a boca, seu merdinha. Sua opinião é totalmente irrelevante, e eu não ligo para nada do que acha de mim. ㅡ Suspirou pesadamente, tomando um bom gole do café já não tão quente assim.

ㅡ Credo, você é tão grosso. Tenho até dó da pessoa que namora você. ㅡ Balançou a cabeça em forma de negação, enquanto se deliciava com bolo que comia.

ㅡ E você é tão inconveniente, mas eu não reclamo, então espero o mesmo de você. E eu não tenho namorado, para sua informação.

ㅡ Tá, tá, Huang. Só fala logo o que quer, não aguento mais tanta ladainha.

A verdade era que Renjun tentava adiar aquela conversa vergonhosa o máximo possível, tentava reunir coragem do além para conseguir por fim chegar onde queria. Era constrangedor e extremamente estúpido, mas de qualquer forma, não havia saído de casa atoa.

ㅡ Acontece que... ㅡ Pausou apenas para engolir em seco, voltando a falar enquanto brincava com os dedos por cima da mesa. ㅡ Ontem eu estava na casa de um amigo, e ele não parava de me perturbar, falando que eu ia morrer sozinho se não arrumasse alguém logo, e como tenho pavio curto, já estava nervoso demais e apenas disse que eu tinha um namorado.

ㅡ E onde eu entro nessa história? ㅡ Indagou confuso, não sabendo onde o Huang queria chegar com aquilo.

ㅡ Acontece que, no caso, eu disse que você era meu namorado. ㅡ Disse rápido, desviando o olhar para qualquer lugar que não fosse o mais novo.

Jaemin estava estático, não mexia nenhum músculo sequer enquanto encarava o chinês, tentando raciocinar corretamente cada palavra dita pelo garoto. Estava a ponto de começar a gargalhar e perguntar onde diabos estavam as câmeras escondidas, porque se fosse uma pegadinha, com certeza era a pior e mais sem noção que já haviam feito consigo.

ㅡ Mas tipo, foi sem querer, você foi a primeira pessoa que veio na minha mente, e-eu... ㅡ Justificou, se atrapalhando em suas próprias palavras.

ㅡ Então quer dizer que eu sou seu tipo ideal ou algo assim? ㅡ Riu soprado, continuando com aquilo para ver até onde o outro iria. ㅡ Ou você pensa tanto em mim que até considerou a ideia de namorar comigo? Já está apaixonado, Huang? Eu sou tão encantador assim? ㅡ Olhava com falsa malicia para o mais velho, este que parecia mais um tomate de tão vermelho.

ㅡ Deixa de ser idiota, você é única pessoa que eu conheço que não é um primo ou alguém da família. ㅡ Tentou se explicar, dessa vez sem gaguejar.

ㅡ Então admite que não tem amigos?

ㅡ Vai se foder, Jaemin. ㅡ Sussurou para o Na, vendo-o rir da sua cara, mais uma vez.

Renjun estava se segurando para não voar no pescoço do garoto a sua frente, como ele conseguia ser tão ridículo, abusado, convencido e debochado ao mesmo tempo? Parecia estar pedindo para ser agredido.

ㅡ E o que você quer que eu faça? Finja ser seu namorado para convencer ele? ㅡ Disse, sorrindo irônico antes de dar uma última garfada no bolo.

ㅡ Bingo, sabia que era esperto, Jaemin. ㅡ Disse entalando os dedos, tentando afastar toda timidez que no fundo ainda o consumia.

Agora sim o Na estava surpreso e incrédulo, era real mesmo? Sem pegadinha?

Nunquinha, nem mesmo em seus mais profundos pensamentos imaginou que em algum dia da sua vida receberia uma proposta para fingir ser namorado de alguém. Era bizarro, sendo sincero, entretanto era também uma ótima oportunidade que teria para importunar o Huang o quanto quisesse. Sorriu arteiro ao pensar.

ㅡ Por favor, é só por um dia, depois do jantar eu invento alguma coisa e nós terminamos. ㅡ Praticamente implorou de mãos juntas, deixando sua pose firme e confiante de lado apenas por aquele momento. Se existia uma forma mais humilhante de se rebaixar ao seu não oficial arqui-inimigo, Renjun desconhecia.

ㅡ Jantar?

ㅡ Sim, Donghyuck disse para eu te levar no jantar que ele vai fazer sábado a noite, para "confirmar se é mesmo verdade." ㅡ Imitou furioso o tom do amigo.

ㅡ E o que eu ganho em troca? ㅡ Resolveu então tirar proveito da situação. O olhar do Huang agora era preocupado e lhe deixava inexplicavelmente animado por dentro. Talvez fosse o momento perfeito para se vingar do menor.

ㅡ O que você quer? ㅡ Perguntou receoso.

ㅡ Eu posso pensar até lá, mas prometa que fará o que eu pedir.

Renjun não costumava prometer nada a ninguém, porque de acordo com as suas experiências em livros e filmes clichês de adolescentes, aquilo definitivamente não seria uma coisa boa, mas já havia passado pela parte mais difícil, estava ali e Jaemin cogitava lhe ajudar, não iria desistir metade do caminho.

ㅡ Ok, eu prometo. ㅡ Revirou os olhos uma última vez, levantando da mesa junto ao Na, indo pagar a conta.


[...]


Após os garotos saírem do estabelecimento, Jaemin propôs de irem até a pracinha ali perto, com a desculpa esfarrapada de que o Huang deveria se acostumar com seu "novo namorado". Fora a tentativa falha do Na de segurar a mãozinha do menor. Recebeu um belo de um tapa bem dado e agora andava pelas ruas com a mão do Huang estampada em seu braço. Provocá-lo tinha lá suas desvantagens.

Após um não bem grosseiro do mais velho como resposta, resolveu ficar quieto e apenas o seguir para onde quer que ele esteja o levando.

ㅡ Só avisando que se fizer alguma palhaçada eu vou te comer na porrada, entendeu? ㅡ Ameaçou entre dentres e só então Jaemin percebeu que estavam em frente a casa dos Huang.

ㅡ Já vai me apresentar para os seus pais? ㅡ Provocou novamente, sussurrando rente ao ouvido do mesmo, recebendo em seguida uma cutuvelada forte na boca estômago.

Apesar de baixinho, Renjun tinha muita força.

Tossiu algumas vezes enquanto reclamava que o chinês estava sendo muito agressivo com o novo namorado. Um "Cala boca" foi sussurrando e Jaemin obedeceu prontamente, não queria receber outra cutuvelada daquela nunca mais.

Assim que adentraram a residência, passaram direto para o quarto do chinês como espiões, fazendo o mínimo de barulho possível para que ninguém os notasse ali. Não estava em seus planos explicar para os pais o motivo do Na estar ali consigo, seria no mínimo constrangedor.

Jaemin nem mesmo esperou que o Huang fechasse a porta para começar a resmungar de novo.

ㅡ Nós mal começamos a namorar e já quer me levar pra cama, Huang? ㅡ Disse em um tom carregado de malícia e falsa incredulidade, fazendo de tudo para provocar o mais velho, este que inclusive parecia pensativo demais para se irritar com seus flertes baratos.

ㅡ Calado, Jaemin. ㅡ Ordenou sem de fato prestar atenção no que o maior dizia, trancando a porta e indo até seu guarda roupa pegar uma das poucas peças de roupa que havia deixado ali para poder se vestir confortávelmente.

ㅡ Você faz o tipo mandão, interessante, eu gosto.

ㅡ Por que você é tão irritante? ㅡ Indagou assim que abriu a porta do banheiro da suíte, entrando sem esperar que o outro respondesse.

ㅡ Eu não me importaria caso se trocasse na minha frente, somos um casal agora, não devemos ter vergonha um do outro. ㅡ Ignorou completamente a fala do outro, continuando com as investidas horríveis que mais fazia o Huang querer o dar uma bofetada para ver se o cérebro voltava para o lugar.

Pôde ouvir os xingamentos baixos do outro direcionados a si, não deixando de rir, pensando que Renjun provavelmente teria revirado os olhos.

Enquanto esperava paciente o Huang, sentou-se na cadeira de rodinhas da escrivaninha ali perto, analisando o quarto alheio, era confortável e bem mais simples do que imaginara. Alguns desenhos estavam espalhados pela escrivaninha, tintas e pincéis também eram guardados ali e do lado havia um porta retrato com uma foto dele com os pais e um outro com uma outra pessoa que não conhecida. Um quarto bem diferente do seu, que era uns bons metros maior e com as paredes pintadas de cinza.

ㅡ E então, por que me trouxe aqui? ㅡ Perguntou curioso ao que a porta foi aberta, revelando um Renjun de bermuda e com um moletom grosso roxo.

ㅡ Porque nós precisamos ensaiar, oras.

ㅡ Ensaiar?

ㅡ Sim. ㅡ Renjun respondeu como se fosse óbvio.

ㅡ Por acaso você já namorou alguma vez na vida, Huang?

ㅡ Não. ㅡ Respondeu sem se importar, não tinha problemas em falar a verdade, era algo tão irrelevante em sua vida que não fazia questão de mentir.

ㅡ Imaginei. Mas então, o que vamos "ensaiar"? ㅡ Ainda mais curioso, resolveu entrar naquele papo incrivelmente bobo ao seu ver.

ㅡ Hm... ㅡ Renjun pensou, não sabia nada sobre namorar, tinha zero vírgula zero por cento de experiência. ㅡ Não sei, ué. Eu nunca namorei. ㅡ Deu de ombros, olhando para o Na. ㅡ O que namorados fazem?

ㅡ Bom, eles vêem filmes juntos, passeam de mãos dadas, baijam de língua, se pegam em qualquer canto de onde estiverem, fazem amor, mas também transam violentamente quan-

ㅡ Ok, ok, chega. ㅡ Interrompeu o mais novo ao ver o rumo que a conversa tomava. ㅡ Eu quero saber o que nós podemos fazer para parecer um casal de verdade.

ㅡ Tudo o que eu falei. ㅡ Se levantou da cadeira, andado sorrateiramente em direção ao Huang. ㅡ Eu posso te ensinar se quiser. ㅡ Disse sugestivo, passando a língua pelos lábio, percebendo de imediato como aquele simples hábito seu afetou o Huang.

Renjun não entendia o motivo de seu coração bater tão rápido como agora, talvez fosse o nervosismo de possivelmente estar prestes a dar seu primeiro beijo, ou a ansiedade atacando pela falta de experiência e medo de fazer algo errado. Não sabia.

ㅡ Hm, pode ser. Mas se começar com graça vai levar mais um soco, entendeu? ㅡ Ameaçou mais uma vez, fazendo Jaemin gargalhar. Já não tinha mais aquele efeito sobre si, não depois de o ver vermelho tantas vezes, gaguejando e fraquejando com sua presença.

ㅡ Tudo bem, Huang, não vai ser nada de mais. ㅡ Falava confiante ao menor, mas aquele sorrisinho de lado parecia o avisar que seria perigoso demais continuar com aquilo.

Ainda envergonhado, Renjun levantou da cama meio receoso e se encostou na parede ao seu lado para não correr o risco de cair e passar ainda mais vergonha na frente do outro, sentia suas pernas igual duas gelatinas e a palma de suas mãos suava, não conseguia nem mesmo olhar nos olhos do Na, se sentia a pessoa mais patética do mundo, estava tão nervoso apenas por estar prestes a dar seu primeiro beijo, não era nada de mais, então por que estava assim?

Jaemin chegava cada vez mais perto e o menor se encolhia sem perceber, sentia um frio na barriga como nunca havia sentido antes, por mais estranho e bizarro que estivesse sendo, não era de todo mal assim.

ㅡ Espera! ㅡ Praticamente gritou quando o Na segurou seu queixo entre os dedos.

Não sabia se conseguiria, era possível até mesmo escutar as batidas descontroladas do seu pobre coração ecoarem pelo quarto até então silencioso. Tinha sorte de não ter problema de coração, porque caso contrário, já teria morrido de taquicardia a tempos.

ㅡ O que?

ㅡ O-o que e-eu tenho q-que faz-zer? ㅡ Foi impossível não gaguejar, tanto seu coração quanto a cabeça estavam a mil.

ㅡ Meu Deus! ㅡ Jaemin gargalhou surpreso, mas em nenhum momento se afastou do mais velho. Conseguia compreender o motivo do nervosismo do mais velho, só não imaginava que seria nesse nível. ㅡ Nem parece a mesma pessoa que me agrediu semanas atrás.

ㅡ E-eu nunca fiz i-isso. ㅡ Praticamente sussurrou, tentando se justificar, sua voz falhando como se no dia anterior tivesse ido a algum show e berrado a noite inteira.

ㅡ É só um beijo, Renjun. ㅡ Conseguia sentir o Huang tremendo tamanha proximidade que estavam. ㅡ Apenas acompanhe o que eu faço, não é difícil.

Obviamente o mais velho não se acalmou nem um pouco com as palavras ditas pelo Na, continuava a ponto de ter um piripaque, nada que ninguém dissesse o faria se acalmar de forma alguma, para si não parecia tão fácil assim.

ㅡ Relaxa, ok?

Renjun apenas balançou a cabeça em afirmação, não estava em condições de responder do momento. Suspirou fundo, tendo agora suas respirações se juntando formando uma só.

Para que o menor se sentisse mais confortável, Jaemin segurou de ambos lados do rosto fininho e de feições delicadas, não demorando muito para juntar seus lábios em um toque singelo. Apenas para que ele se acostumasse com o contato.

Não era lá tão estranho e nojento como o Huang pensava, na verdade era uma sensação boa, conseguia sentir perfeitamente a macies dos lábios alheios contra os seus. Na verdade era magnifico, ele diria. E tudo melhorou de forma inesperada quando o maior começou a movimenta-los lentamente, de forma calma como achava que seria melhor para a primeira vez do Huang, este que o seguia prontamente sem qualquer indício de desaprovação, para o alívio de Jaemin.

Ficaram nessa por mais alguns segundos, até o maior se separar, um pouco receoso sobre o que o outro havia achado.

Renjun ainda mantinha os olhos fechados enquanto prendia o lábio inferior entre os dentes, tentando assimilar o que havia acabado de acontecer e como se sentia em relação a isso, era como as bocas ainda estivessem juntas, uma sensação indescritível. Subitamente se lembrou da primeira vez que bateu uma, aquela sensação de embrulho no estômago e o coração acelerado, seus sentidos totalmente bagunçados e confusos.

Puta merda, é bom pra caralho!

ㅡ Eae? O que achou? ㅡ Perguntou um tanto preocupado ao ver que o outro quase não mexia.

Renjun então abriu os olhos, percebendo que Jaemin estava ainda muito perto de si, mas ainda não tinha coragem de o olhar nos olhos. Finalmente podia sentia as tão famosas borboletas no estômago que lia em seus livros de romance.

ㅡ Se não falar nada eu vou achar que não gostou. ㅡ Ponderou fazendo um biquinho em seguida. Não beijava tão mal assim.

Renjun até pensou que o Na pudesse estar testando seu autocontrole ou brincando com sua sanidade, porque ninguém em sã consciência teria a coragem de dizer que ele beijava mal, e ele mesmo parecia ter ciência disso visto que minutos atrás parecia confiante demais.

Levantou o olhar ligeiramente, o Na estava tão perto de si que até parecia um convite silencioso e deveras tentador para que o beijasse mais uma vez. E de repente, com esse pensamento em mente, senti-lo novamente passou a ser uma ideia maravilhosa que poderia se tornar realidade em menos de um segundo, e Renjun apesar de estar levemente envergonhado pela inexperiência, não deixaria a oportunidade passar, estava ali para aprender, afinal.

ㅡ Renjun voc- ㅡ Foi cortado quando de forma quase que desesperada, o chinês pousou ambas mãos nos ombros largos do Na e, na ponta dos pés, o beijou novamente.

Parecia um beijo apaixonado, parecia envolver sentimentos profundos e sinceros, mas apenas para quem os visse de fora e não conhecessem a relação que tinham antes disso tudo. Para quem os conhecia, no entanto, era como um beijo de reconciliação, por assim dizer. Como se tentassem demonstrar através daquele beijo que esperavam aquilo a tempos, mas não com um sentimento bonito de paixão ou amor, talvez um desejo ardente reprimido, arriscaria a dizer. Agora para eles, no entanto, talvez fosse apenas uma experiência nova, uma diversão, apenas se deixavam levar no calor do memento, e no final das contas, nem eles mesmo sabiam.

Dessa vez o toque fora mais rápido e um tanto agressivo, parecia realmente estar necessitando daquilo por muito tempo, e como Jaemin não era bobo, desceu as mãos até a cinturinha bem definida do menor apertando com certa pressão, fazendo o Huang arfar sob seus toques agora nada sutis.

O mais novo pediu passagem com a língua, sendo cedida protamente pelo Huang.

Não queria parecer afoito como estava agora, mas a sensação era tão boa e diferente que não conseguia se segurar e apenas fazia o que sua mente mandava ao que os sentimentos se afloravam e seu corpo reagia de forma animada, parecendo suplicar por algo mais profundo e intenso. Sendo assim apenas aprofundou ainda mais ósculo, as linguas se entrelaçando lentamente de uma forma sensual capaz de enlouquecer qualquer um, era maginifico, gratificante e gostoso para uma caralho, uma sensação incrível e totalmente inovadora, que se pudesse sentiria por horas a fio.

Jaemin não conseguia pensar em mais nada além de como os lábios de Renjun era incrivelmente macios e viciantes, estava inerte demais e não pensou duas vezes antes de acabar com os poucos centímetros de distância entre ambos, colando os corpos e prensando o menor na parede, este que separou seus lábios para soltar um pequeno gemido surpreso entre o beijo, e aquilo pareceu acender uma chama no interior do Huang que em outra situação o deixaria preocupado, mas no momento não conseguia pensar em outra coisa que não fosse Jaemin e em como ele conseguia despertar coisas em si que nunca sentiu antes por alguém.

O Na não querendo perder tempo, avançou mais uma vez para que pudesse capturar os lábios vermelhinhos entre os seus, dessa vez passando a língua vagarosamente, querendo o provocar de forma suja, por último prendeu o lábio inferior alheio entre seus dentes puxando levemente, terminando com alguns selinhos molhados para completar.

E se seu objetivo fosse deixar o Huang totalmente desnorteado e fora da casinha, parabéns, havia conseguido com sucesso.

Renjun sentia como se tivesse ido ao paraíso e voltado, seu corpo inteiro queimava em uma mistura de extrema vergonha e excitação, era como se seus pensamentos e sentimentos tivessem se embaralhado de uma vez só.

Jaemin passou seus braços envolta do tronco miúdo após deixar um sorrisinhos perverso escapar, abraçando o menor confortávelmente, este que pousou sua cabeça em seu ombro. Sabia que o mais velho havia gostado pela forma que reagira a seus toques, completamente entregue, era engraçado ao mesmo tempo que excitante tê-lo daquela forma em seus braços, mas sabia que havia limites impostos mesmo sem serem ditos, então preferiu parar por ali para evitarem qualquer outra coisa que pudesse acontecer caso as coisas ficassem mais quentes.

Renjun sabia que em nenhuma outra ocasião isso aconteceria, seria deveras estranho, mas estava muito sensível, um pouco zonzo, envergonhado e confuso demais, então apenas deixou acontecer.

ㅡ Foi bom? ㅡ Indagou sereno, esperando que realmente tivesse sido uma boa experiência para a primeira vez do mais velho.

Renjun apenas balançou a cabeça afirmando, não conseguia verbalizar uma palavra sequer, ainda estava ofegante e quente, muito quente.

ㅡ Podemos fazer de novo se quiser. ㅡ E com o mesmo tom provacativo de antes, Jaemin disse, mas dessa vez era uma provocação diferentes das outras demais, e dessa vez o Huang não o xingou ou lhe bateu, apenas selou seus lábios novamente, e assim ficaram pelo resto da tarde, sem se importarem com as batidas na porta ao anoitecer e muito menos com as diversas ligações perdidas no celular do Na.


Notas Finais


👀


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