História Vamos acordar, Alice? - Capítulo 1


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Midoriya Izuku (Deku), Shouta Aizawa (Eraserhead), Shouto Todoroki, Uraraka Ochako (Uravity)
Tags Tododeku
Visualizações 22
Palavras 2.042
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu meio que postei a fanfic sem quer e sem o capítulo, mas tudo bem. Problema resolvido.
Bom, eu juntei duas coisas que eu gosto e deu nisso. Espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Midoriya deveria ter ficado em casa sofrendo pelo término do próprio relacionamento ou assistindo alguma comédia romântica que o faria chorar um rio. No entanto, ele resolveu comparecer à aula de literatura, escutar o professor Aizawa lecionar sobre obras inglesas em um tom monótono que derrubava até o mais engajado dos alunos, e, é claro, sofrer em silêncio pela tempestade devastadora que havia sido Todoroki Shouto quebrando o seu coração.

Ele rabiscou “traidor” no caderno com tanta força que quase atravessou a folha, repetiu o processo mais algumas vezes, até que sentiu um toque em seu ombro.

— Izuku, o que você está fazendo?

Ele fechou o caderno, virando-se para respondê-la.

— Nada. Só anotações.

Uraraka fez uma careta, dando de ombros. Eram melhores amigos e, sem sombra de dúvidas, ela havia percebido que ele estava mentindo. Principalmente, porque Izuku tinha lhe contado sobre o recente término.

— Você conversou com ele, depois de ontem? — Uraraka curvou-se sobre a mesa, aproximando o rosto do dele.

— Não, traidores como Shouto não merecem segundas chances — ele respondeu, olhando para trás, Aizawa ainda fazia explicações sobre um livro e não parecia ter notado a conversa deles.  

— Ele só vai para a faculdade, você está exagerando. — Uraraka revirou os olhos e riu. — Shouto sugeriu um relacionamento à distância, foi você quem terminou.

— Nós sabíamos que ele se formaria antes, mas Shouto prometeu que não iria para a faculdade esse ano, prometeu que esperaria até o ano que vem. Ele disse que nunca me magoaria; ele disse que esperaria por mim.

 — Você está sendo egoísta, Izuku.

— Não estou — disse, pegando uma das canetas da amiga e rabiscando a palavra “prioridades” no caderno dela —, aparentemente, eu não posso competir com algumas coisas.

Midoriya largou a caneta sobre a mesa, virou-se para frente, ajeitando-se na cadeira. Recostou-se à parede, fechou os olhos e escutou o professor arrastar um giz pelo quadro negro.

— Há muitas interpretações para a obra de Lewis Carroll — Aizawa pontuou, Midoriya tentou abrir os olhos, convencer a si mesmo de que deveria prestar atenção, mas, de repente, o barulho do giz contra o quadro havia se tornado um forte sonífero —, a maioria delas é focada em Alice, a garota que, no início da história, persegue um coelho...

 

 

Girando, girando, girando...

Ele sentiu uma brisa gélida ricocheteando em seu corpo, abriu os olhos a contragosto para entender de onde estava vindo aquele vento. Uma onda de choque e compreensão percorreu o seu corpo; ele estava caindo. Debateu-se no ar como se tal ação fosse capaz de fazê-lo voar, alguns galhos que rebentavam das paredes como garras arranharam seus braços. Incapaz de fazer qualquer outra coisa além de aceitar o seu triste fim, Izuku fechou os olhos com força, esperando a dor do baque contra o chão.

Contudo, a dor da queda nunca chegou. Ele já estava no chão quando se deu conta, caído no que parecia ser um macio tapete, coçou os olhos ainda sem acreditar nos últimos acontecimentos. Um relógio dourado balançou em frente ao seu rosto.

— Você está atrasado.

Midoriya olhou para cima; Todoroki o encarava por baixo dos grandes óculos de grau.

— Shouto! — Levantou-se depressa, o vendo recolher o relógio e guardá-lo próximo ao colete cinza. — Por que você está vestido assim?

Todoroki tombou a cabeça para o lado, parecia não ter entendido a pergunta.

— O relógio está quebrado. — Ele gesticulou para trás do garoto, Izuku olhou para a direção apontada, soltando uma exclamação surpresa.

Uma grande torre erguia-se no horizonte, abrigando um relógio redondo no topo. O caminho até ela era envolto por uma mata densa, ele pensou que estava em um daqueles truques de ilusão de ótica, já que a gigantesca torre, às vezes, parecia muito perto. Além disso, flores brotavam por todos os lados com cores tão vibrantes que pareciam ter saído de uma aquarela fabricada especialmente para elas.

Midoriya respirou fundo, escutando o barulho de água corrente ali perto e o piar de alguns pássaros.

Ok, eu estou sonhando em Alice No País das Maravilhas, O Mágico de Oz ou A Christmas Carol? — Olhou para a corrente dourada do relógio que pendia de um dos bolsos de Shouto. — Alice, certo. Você é o meu coelho.

— Tem alguém esperando por você. — Todoroki segurou em seu pulso, izuku sentiu a aconchegante sensação de conforto que lhe atingia sempre que se tocavam, mas, ao mesmo tempo, lembrou-se de algo não tão agradável.

— Nós terminamos! — Puxou a mão, tentando se desvencilhar do toque.

 Shouto levantou uma sobrancelha.

— Nós nem começamos.

Badaladas ensurdecedoras ecoaram pelo lugar, ambos apertaram as mãos nos ouvidos. Os pássaros que antes piavam escondidos na mata, alçaram vôo para longe dali, incomodados por aquele retumbar incessante. Até que, repentino como quando havia começado, o barulho cessou.

— Eu disse que estava quebrado. Ele toca duas vezes por hora. — Todoroki balançou a cabeça, afastando-se dali e arrastando Midoriya consigo que, atordoado como estava, aceitou ser levado para longe daquele monstro com ponteiros.

 

 

— Para onde nós estamos indo?

— Eu vou levá-lo até a lagarta. — Levantou um galho que atravessava o caminho deles, acenando para que Izuku fosse à frente.

— Eu não deveria ter encontrar o gato primeiro? Eu tenho uma memória péssima, li esse livro quando era criança — expressou.

— Você é louquinho. — Riu nasalado. — Os sonhos não seguem um script.

Conforme iam mais para dentro da floresta, uma névoa azulada tornava-se densa ao redor deles. Midoriya respirou fundo, a névoa cheirava a chá, mas atingiu-lhe a língua com um gosto sinteticamente azedo.

— Chegamos — Todoroki avisou.

Midoriya arregalou os olhos, sem saber como reagir. Na verdade, parecia que a sua falta de reação havia se tornado um costume, naquele sonho maluco.

Ochako estava estirada sobre uma folha anormalmente grande, a garota vestia uma toga branca, sorvia uma substância líquida liberada por um narguilé, quando soltava a respiração, bolhas e fumaça azulada rompiam da boca dela.

— Uraraka, o que você está fumando? — Cruzou os braços. — Você tem idade para fumar?

Ela permaneceu de bruços, olhando para cima, parecia perdida em seu próprio mundo, e eles já estavam em um bem fora do padrão considerado normal.

 — São as lágrimas do primeiro choro do herdeiro, oferecidas pela própria rainha — Shouto sussurrou, gesticulando para o recipiente da substância —, é uma honra.

 — É assim que estão chamando agora? — Torceu o nariz. — Por que me trouxe aqui?

 — Você está bem longe de casa, Midoriya Izuku — Uraraka disse, liberando mais fumaça e bolhas.

 Midoriya pigarreou, limpando a garganta para confessar:

 — Bem, senhorita lagarta, está sendo o meu sonho mais estranho até agora, pelo menos.

Ochako revirou-se sobre a folha para olhar para ele, os movimentos dela eram lentos e longos, um disco arranhado que levava dez minutos para rodar uma música de três.

 — Talvez você não estivesse aqui, se não fosse tão impaciente. — Os lábios dela abriram-se mais do que o normal para produzir um sorriso. — Impaciente. Impaciente como um relógio quebrado.

 Algo queimou dentro dele, uma vontade incontrolável de retrucar o apontamento, de participar daquela discussão mesmo sem entender o motivo dela.

 — Shouto é um coelho e anda com um relógio. Tem certeza, sábia lagarta, de que eu é que sou o impaciente?

 — Isso é sobre ele?

— Isso é sobre mim! — Midoriya bateu o pé contrariado, o semblante despreocupado da garota denotava que ela não estava nem um pouco preocupada com a sua repentina explosão. Então, olhando para Shouto, ele gritou: — Você disse que esperaria por mim, você prometeu!

 — Você quer todos os momentos, quer participar de todos eles. — Ela espreguiçou-se, bocejando.

A névoa começava a se dispersar, já era possível enxergar algumas flores coloridas espalhadas pelo chão; Izuku não sabia se estava ficando louco ou se havia sido afetado pela fumaça azulada, mas elas pareciam rir dele.

 — Midoriya — Shouto o chamou, prestes a dizes algo, mas foi interrompido pelas badaladas estrondosas do relógio.

 — Quebrado — Uraraka exprimiu, gargalhando, não aparentava estar incomodada com o barulho.

 Izuku tampou os ouvidos, cerrando os olhos. Ele olhou para Shouto; os olhos heterocromáticos dele brilhavam em cores tão bonitas. Midoriya esticou as mãos para tocá-lo, porém, Todoroki se desfez em névoa à sua frente, assim como todo o resto.

 

 

  — Midoriya! — Acordou com o som estridente do grito de Uraraka. — A aula já acabou.

Ele levantou o rosto em um súbito. Ao seu lado, Uraraka parecia furiosa.

 — Eu dormi demais. — A sala estava vazia, entretanto, ainda era possível escutar o som das diversas conversas no corredor.

— Nos últimos trinta minutos, eu acho que até o Aizawa queria dormir. — Estendeu a mão para ajudá-lo a levantar.

 Izuku aceitou a mão que lhe era estendida. Ajeitou a mochila nas costas e seguiu Uraraka até a porta.

 — Poderia ter sido uma ótima aula sobre obras inglesas. — Ochako deu de ombros.

Ele apertou as alças da mochila, parando de andar. Um alarme soou em sua cabeça ao escutar o final da frase.

 — Uraraka — disse, segurando nos ombros dela, olhando-a nos olhos —, você é uma ótima lagarta.

 — Eu sou o quê?!

Disparou pelo corredor, deixando os gritos indignados de Ochako para trás.

 

 

Ele encontrou Shouto no portão, o garoto estava com fones no ouvido, então Midoriya precisou gritar algumas vezes para ser escutado. Recebeu alguns olhares curiosos dos outros alunos, afinal não era todo dia que um garoto apressado passava por ali gritando.

— Oi — cumprimentou ofegante, apoiando-se nos próprios joelhos —, podemos conversar?

Shouto pendeu a cabeça para o lado, fazendo uma mesura. Midoriya escreveria “deja vu” se tivesse uma caneta. Contudo, tudo o que fez foi admirar e pensar no quando o garoto era bonito.

 — Claro, eu pensei que você estivesse com raiva — Todoroki respondeu.

 — E eu estava, mas eu não posso ser tão malditamente egoísta. — Respirou fundo.

 Shouto arregalou os olhos.

 — Você não é egoísta. — Meneou a cabeça. — Eu não deveria ter mudado os planos, mas eu não estou escolhendo faculdade em vez do que eu sinto por você.

— Eu sei. — Sorriu. — Você jamais escolheria um em detrimento do outro, mas eu ainda sou egoísta, eu queria que você seguisse o seu sonho a partir de um roteiro preestabelecido por mim, nem que para isso você ficasse um ano parado, porque eu queria estar em todos os momentos bons. Mas, sonhos não possuem um script, um relacionamento também significa participar dos momentos difíceis. Eu quero que você siga o seu sonho, eu quero que você vá para a faculdade e seja o grande aluno que você sempre foi.

Midoriya jogou-se contra o corpo de Shouto, contornando o pescoço dele com as mãos. Sentiu o garoto dando alguns passos cambaleantes para trás, provavelmente, surpreendido pelo ato repentino.

— Então, se eu não tiver estragado tudo, dessa vez, você me deixa esperar por você? — Izuku afundou a cabeça nas roupas do garoto, esperando esperançoso por uma resposta, já que a impaciência não o levaria muito longe.

Os braços de Todoroki enlaçaram a sua cintura, apertando o abraço. Shouto afagou-lhe os fios esverdeados e disse:

 — Nós podemos esperar um ao outro.

Midoriya o beijou, porque era sempre muito difícil ficar perto do namorado e não beijá-lo. Naquele momento, ele pensou que se estivesse caindo de novo, seria capaz de voar ou pelo menos cairia reconciliado com a por quem estava apaixonado.

 — Que clichê ridiculamente fofo! — Eles se afastaram, Uraraka olhava para os dois, sorrindo. — Eu estava quase indo pegar uma pipoca para acompanhar o desenrolar deste filme da Amanda Seyfried.

Todoroki ainda estava com os braços ao redor de sua cintura. Izuku aconchegou-se naquele gesto, inalando o perfume das roupas dele.

— Nos resolvemos — Izuku expressou.

— Eu percebi — cantarolou.

— Você estava certa, eu estava sendo infantil — ele assumiu, olhando para o chão.

Uraraka rolou os olhos, pulando até eles com as mãos atrás do corpo. Em seguida, fechou a cara, cruzando os braços.

— Agora, senhor Midoriya, pode me explicar direitinho aquela história sobre eu ser uma lagarta.

— Lagarta? — Todoroki questionou com uma expressão que aparentava confusão.

 — Sabe — ele disse, trocando olhares com os dois, esboçando um sorriso divertido —, eu estou cercado por animais incríveis. Por exemplo,  Shouto é um coelho.

 Uraraka franziu o cenho e, logo depois, iniciou uma explosão de gargalhadas que foi acompanhada por Todoroki. Midoriya olhou para os dois sem entender, até que a confusão dentro dele deu espaço à compreensão. Izuku sentiu o rubor tomar conta de seu rosto, quando entendeu a significado acidentalmente ambíguo da própria frase.


Notas Finais


Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.


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