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História Vamos sempre correr juntos - Capítulo 1


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Capítulo 1 - One-Shot


Era mais um dia simples de treino, as árvores balançavam com o soprar do vento, o calor do clima se misturava com a temperatura do corpo dos garotos correndo e transpirando. Haiji, como sempre, observava seu time trabalhar duro, cronometrando o tempo que os rapazes atingiam ao chegar. Estavam indo bem, mas um deles pareceu um pouco estranho. Kakeru costumava ter um ótimo tempo, porém, desta vez seu tempo não fora muito bom.

    Assim que o treino acabou, todos viram que o sol já estava se pondo, os raios vermelhos iluminavam o ambiente e o deixava em um aspecto muito bonito, as árvores verdes se transformaram em amareladas e a paisagem parecia uma pintura. Haiji aguardou todos irem embora, para tomar um banho no estabelecimento que usavam como moradia, até que avistou Kakeru ofegante, parado em um canto isolado se apoiando nos joelhos.

    — Não é comum te ver assim. — disse Haiji se aproximando. Contudo, Kakeru nada respondeu, apenas encarando o chão.

    — Procure não pensar quando está correndo, talvez esteja se distraindo e por isso perdendo o fôlego.

    — Estou bem. — soprou finalmente, regulando a respiração.

    Haiji ficou teorizando em sua mente se a afirmação era verdade mesmo ou se ele dissera apenas para não causar problemas. Independente da alternativa, Kiyose estava disposto a ajudá-lo, mas enquanto não possuía informações o bastante, ele apenas largou seu braço em cima dos ombros do colega e o abraçou.

    — Que tal corrermos? Já que está bem. — sugeriu com um sorriso. 

    — Vamos. — respondeu em tom sério.

    Haiji sorriu como se estivesse contente e orgulhoso em relação a determinação do colega, acabando por aproximar seu rosto do dele e afagando seus cabelos em comemoração. Contudo, Kakeru acabou virando sua face em surpresa e, assim, sentiu os lábios do amigo encostarem em sua bochecha. Ele se afastou nervoso e inquieto, planejando suas desculpas.

    — Eu não quis… Você me puxou demais e… 

    Enquanto isso, Haiji não sabia se dava risada ou tirava proveito para brincar, sua mente ficou em branco e a única reação de seu corpo fora corar envergonhado. 

    — Haiji-san? — soprou Kakeru confuso, esperando que seu amigo fizesse como de costume, ter uma resposta pronta e sorrir de forma debochada. 

    — Bem…, não íamos correr? — sugeriu Haiji o encarando com um tímido sorriso. 

    A brisa pairava sobre seus rostos quando os rapazes seguiram em frente, mas Haiji não aproveitou muito enquanto sua atenção voltava para observar seu colega de forma tímida. A postura de Kakeru era admirável, como se ele brilhasse igual a uma estrela cadente disparando no céu estrelado. Diante os passos mais leves do rapaz, Kiyose notou que o mesmo estava diferente do treino. 

    — Sente-se melhor?

    — Sim, antes estava um pouco nervoso. Eu queria diminuir meu tempo de forma rápida, mas ao correr com Haiji-san, percebi que eu estava sendo tolo. 

    — Como assim?

    — Você sempre me disse que temos que correr porque gostamos, não porque devemos. Às vezes, eu acabo esquecendo disso, assim fico frustrado. 

    Haiji sentiu que suas palavras já haviam preenchido Kakeru, e isso o deixava feliz. Em um momento de distração, Kiyose acabou chegando tão perto do amigo que tropeçou em seus pés, desequilibrando ambos. Quando estavam prestes a cair, Kakeru puxou Haiji para cima de si mesmo, permanecendo no chão em seu lugar, enquanto o amigo caía em seu peito. 

    Eles se encararam paralisados, após o tombo, e Haiji começou a derrubar seu rosto sobre a boca de Kakeru, que poderia ter o empurrado, mas congelou no momento. Era como um imã atraindo ambos, seus lábios acabaram se encostando e os dois arregalaram os olhos ao mesmo tempo. Haiji não conseguia parar, era como se toda  a admiração que sentia por Kakeru estivesse transbordando e virando um louco desejo de beijá-lo ou até mais. Sem perceber ou comandar seus atos, ele invadiu com a língua nos lábios abertos do amigo, que indignado apenas fechou os olhos. Kakeru estava se acostumando e acabando por levar as mãos até a nuca do rapaz, acariciando gentilmente. O sol não mais iluminava o ambiente, sendo substituído pela brilhante lua no céu. 

    Kurahara percebeu o clima mudando, o calor dos raios solares se transformaram em gélidos deixes de luz do luar, imaginando se teria alguma chance de o cair da noite trazer a possibilidade de um resfriado, o qual poderia afetar Haiji, então, ele o empurrou e causou um estalo em seus lábios, ao descolarem. Ao notar o som, seu rosto avermelhou como um tomate, enquanto Haiji o encarava curiosamente admirado. 

    — V-v-você deveria entrar. — disse Kakeru nervoso.

    — Onde? — perguntou confuso, imaginando um duplo sentido. — Em você?

    — Em casa, entrar em casa… — gritou Kakeru em um tom desajeitado e envergonhado. 

    Ambos se levantaram e Haiji segurava um sorriso debochado, eles retornaram para casa mantendo uma curta distância entre seus passos. Ao chegar, Haiji imediatamente se dirigiu para a varanda, para observar o céu estrelado. Kurahara o seguiu de forma tímida e extremamente nervosa, não sabendo o que fazer ou falar, mas sua vontade era de permanecer perto do colega.

    — Já percebeu que há uma ligação entre nós? — comentou Haiji de repente. 

    Kakeru apenas o observou em choque, pois não esperava tais palavras tão diretas. 

    — Bem… — continuou Haiji. — desde que te conheci, acho que fui atraído por você. Talvez… no início fosse apenas pela sua bela forma de correr, mas nunca mais consegui parar de pensar em ti. — revelou, sem tirar os olhos do céu.

    — É como se um imã nos puxasse para perto um do outro. — revelou Kakeru para a surpresa de Haiji.

    — Exatamente. — disse ele tentando manter o ritmo tranquilo. — C-Como ocorreu agora a pouco… — soprou um pouco nervoso. 

    — Haiji-san, caso tenha se sentido forçado… Quero me desculpar… 

    — Eu permiti acontecer, deve ser porque eu também queria, não?

    — Eu acho que tenho que mencionar…, antes de qualquer coisa… — soprou Kakeru em tom misterioso e hesitante. — E-Eu não sou uma boa pessoa, lembre-se da história de quando perdi o controle de mim mesmo e acabei batendo no técnico. 

    — Kakeru. — respondeu segurando o rosto do garoto, que estava com um olhar deprimido. — Você perderia o controle comigo? 

    — Claro que não. — afirmou de imediato e amedrontado. — Meu respeito por ti não permitiria… 

    — Então, teme brigar com alguém por minha causa?

    Kurahara desviou o olhar sem saber o que responder, então negou com a cabeça hesitante, suspirando. 

    — Ou então está pensando de forma negativa sobre si mesmo? — insistiu Haiji, encostando sua testa na do rapaz. — Vou sempre correr com você, Kakeru. Não importa o que aconteça, sempre estarei ao seu lado. Por isso, pare de pensar assim, deixe-me cuidar de ti.

    Kurahara absorvia as doces palavras como uma esponja, sua mente as decorava para nunca mais esquecer deste momento, que tanto o encorajou. 

    — Vem, vamos para a cama, está ficando frio. — sugeriu Haiji, o puxando pela mão. 

    — Então, eu vou para o meu quarto. — respondeu de forma automática, mas Haiji não soltou sua mão, o puxando para seu próprio quarto. Kakeru ficou confuso e seu nervosismo crescia a cada passo. 

    — Mas… é que… — gaguejou sem saber o que pensar.

    — O que foi? — sorriu Haiji. — Só vamos ficar no mesmo quarto, nada demais. — comentou. — Apenas para conversar. 

    Ao entrar no quarto organizado de Kiyose, o rapaz nervoso observou por tudo, até que Haiji o puxou para a cama e o fez sentar em seu colo. 

    — H-Haiji-san?

    — Calma, foi por acaso que você caiu assim em mim. — brincou em tom sério, enquanto Kakeru sentava-se ao lado. — Você poderia passar a noite aqui, né? — continuou.

    — Ah…, neste caso, eu vou buscar meu pijama… 

—  Não precisa, usamos praticamente o mesmo tamanho, eu te empresto um dos meus. 

O rapaz ficou pasmo por alguns instantes, mas cedeu e foi se trocar. Assim que retornou, Haiji ficou o encarando com um olhar sugestivo e soltando um breve sorriso de canto de boca, mas Kurahara não conseguia decifrar se era uma brincadeira ou ele estava sendo sério com aquilo. 

— Vem, vamos dormir na minha cama. — sugeriu Haiji. — Não tema, é só para descansar mesmo. 

Kakeru não viu muitas opções, apenas seguindo as ordens. Ele deitou ao lado de Haiji e ficou paralisado, até que o mesmo se aproximou e ficou fitando seu rosto de forma muito próxima. 

— Continue.

— Com o que?

— Você ia dizer alguma coisa antes, não é?

— Hm… — Kakeru apenas aguardava que Haiji continuasse com sua teoria, mas apenas recebeu um sorriso do rapaz. Gradativamente, Kurahara aproximou seus lábios até a boca do amigo, fechando seus olhos de forma forte e inocente. 

Haiji não segue com a ação, percebendo que Kakeru estava muito tenso, ele apenas ficou parado esperando para ver o que o rapaz iria fazer. Assim se passaram alguns longos instantes, até que Kiyose soprou em tom gentil.

— Não precisa fazer nada se não quiser. 

Kakeru abriu os olhos e percebeu que o brilho no olhar de Haiji era tão bonito quanto o sol refletindo o mar, ele queria seguir em frente naquele oceano desconhecido, apenas tinha medo de se afogar por não saber como exatamente nadar no mesmo. Contudo, sua tensão aliviou e ele criou coragem para prosseguir, finalmente beijando seu amigo com vontade. 

Haiji se surpreendeu, não esperando que Kakeru realmente pularia em seus lábios daquela forma tão faminta, o que acabou o deixando contente. Entre fortes abraços e beijos calorosos, os rapazes passaram boa parte da noite, Kakeru não cansava de sentir a pele macia daquele quem ele tanto respeitava, e que acabara criando um sentimento muito mais além. Além do formigamento na barriga, ele também sentia um grande conforto, como se estivesse sendo acolhido de todas as formas possíveis. Os braços de Haiji passaram a ser o seu lar, o seu ninho, a sua felicidade, o seu aconchego. 

Assim que os raios do sol despertaram no céu, invadindo a janela do quarto, Haiji abriu os olhos e percebeu que Kakeru estava com o rosto afundado em seu ombro, o abraçando como se ele fosse um bichinho de pelúcia. Kiyose não sabia se soltava um riso ou se achava a coisa mais fofa do mundo o rosto emburrado do rapaz adormecido, então ele apenas afagou os cabelos negros e macios enquanto desejava que aquele momento nunca acabasse.

 



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