História Vampire2 - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Bruxa, Comedia, Fantasia, Lenda, Luta, Mitologia, Monstro, Romance, Shounen, Vampiro
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Palavras 2.737
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Shounen, Sobrenatural
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Capítulo 06 - Vendedores de games cheios de fibra


- Olha, eu quero ajudar vocês. - disse minha mãe - Mas vocês podem pensar em videogames depois de se certificarem que não tem mais ninguém querendo matar vocês?

 

- Eu sei que isso soa estranho - disse Alice - mas precisamos ir até a Baobá Games, agora.

 

- Okay, até eu estou duvidando dessa. - eu disse - Por que temos que ir para a loja de games que fica a umas três quadras daqui?

 

Alice pensou um pouco, e tentou formular uma resposta. Suspirando, ela disse:

 

- Eu geralmente não posso sair revelando as localizações de certas raças para humanos, porque isso pode dar um problema enorme, mas... acho que isso é um caso especial.

 

- É, a vida do Evan está em risco, é um caso bem especial. - disse Sabrina - Conte-nos tudo.

 

- Como eu posso explicar... - ponderou Alice - vocês conhecem dríades?

 

Imagens de garotas feitas de madeira, com cabelos de folhas começaram a passar pela minha mente. Dríades são basicamente espíritos da floresta, cada uma tem sua própria árvore, e elas são a personificação dessa árvore.
Mas nada nos meus anos de "pesquisa" me mostraram que elas têm a ver com games, o que me deixou confuso.

 

- E-eu acho que sei? - respondeu minha mãe.

 

- Elas são espíritos da floresta - expliquei.

 

- Isso! Bem, eu sou amiga da família Baobá, que cuida da loja de games aqui da cidade... Dríades são viciadas nessas coisas. Elas não podem ir para muito longe, porque têm de ficar próximas das suas árvores, então videogames são um dos melhores passatempos para elas. Eu já fui à várias cidades, bem longe daqui, para comprar games raros para eles, então eles me devem uma. Lá dentro da loja, tem uma passagem que vai nos levar para um bosque próximo daqui, e de lá, nós vamos poder ir para nossa primeira parada.

 

Eu estava com a cabeça no alto, pensando na logística de uma família de dríades cuidando de uma loja de videogames, jogando o dia inteiro por não poderem sair muito do lugar. Se alguma lenda escreveu uma enciclopédia sobre essas raças todas, e como elas estão vivendo nos dias de hoje, eu iria ler com certeza.

Mas então, algo me puxou de volta para o mundo real.

 

- Espera, qual é nossa primeira parada? - perguntei.

 

- A vila das bruxas. - respondeu Alice.

Não só minha mãe, mas eu também fiquei um pouco sem chão.

 

- ATÉ BRUXAS EXISTEM? QUALÉ! - gritou minha mãe.

 

- Eu não sei se eu fico feliz ou assustado - comentei - Elas não comem criancinhas?

 

- Comiam. - me corrigiu Alice - Antes do Tratado do... do... espera, tá na ponta da língua... Tratado do... Tratado do Gato Preto! Isso! Agora, elas não machucam mais humanos. É contra a lei e coisa e tal.

 

- ... Quer dizer que existe uma seção de leis para mon-... para lendas? - perguntou minha mãe.

 

- Bem, eu não sei de muita coisa porque eu não frequentei a escola para lendas, mas pelo que eu ouvi do meu pai, tem sim. Mas é segredo, então shiu.

 

Eu e minha mãe ficamos nos entreolhando por alguns segundos. Era tudo fascinante, mas ao mesmo tempo, bem confuso. E ouvir que existe uma escola só para lendas me deixou um pouco intrigado. Mas algo me deixou mais.

 

- Mas se tem até leis para impedir bruxas de atacar humanos - perguntei - então por que seu pai quer me matar? Não tem uma lei contra isso?

 

- ... Infelizmente, não tem não. Meu pai é super rico. Leis não se aplicam para gente rica como ele.

 

- É bom ver que mesmo trocando totalmente as raças, algumas coisas nunca mudam. - comentou minha mãe. - Então... Vamos para essa tal loja de games?

 

_______________________________________________________________

 

Fomos de carro até a Baobá Games. No caminho, perguntei algumas vezes se não era perigoso minha mãe andar com a gente por aí, por causa dos assassinos do pai de Alice. Mas Alice me assegurou que a viagem seria rápida, e que se eles atacassem, eu seria seu único alvo. Por sorte, nada aconteceu, mas ouvir que eu era o único alvo não me deixou mais tranquilo.

 

Chegando na tal loja, minha mãe travou as portas, o que deixou Alice e eu um pouco confusos.

 

- Alice. - começou Sabrina - Não... tem como eu levar vocês de carro até a mansão do seu pai?

 

- Talvez, mas... eu não acho que adiantaria muito. - respondeu Alice - Seríamos atacados de qualquer jeito, e ainda colocaríamos você em risco, mesmo que o Evan seja o alvo principal.

 

- Mas... não tem nada a mais que eu possa fazer para proteger o meu filho? - perguntou minha mãe. Senti uma pontada no meu coração.

 

- Dona Sabrina. Abra as portas, por favor. - pediu Alice - Eu vou te mostrar algo interessante.

 

Com um suspiro, e um receio, minha mãe destrancou as portas do carro. Saímos, e começamos a encarar o sedã prata que nos trouxera até ali.

 

E, depois de uma pequena seção de alongamentos, Alice simplesmente levantou o carro, como se fosse um leve altere.

Apesar de saber que ela era forte, até eu fiquei boquiaberto. Minha mãe então, quase teve um ataque.

 

Alice fez o seu melhor para colocar o carro em segurança no chão, e então olhou para Sabrina.

 

- Viu? Não tem com o que se preocupar, dona Sabrina. - disse Alice, com um sorriso em seu rosto - Eu sei que a palavra "assassinos" pode assustar a senhora um pouco, mas eu e o Evan damos conta. Não se preocupe, eu vou cuidar bem dele!

 

Minha mãe me abraçou, e disse, com seu tom mais doce:

 

- Se você morrer, moleque... Eu te mato. Então trate de voltar para casa inteiro. Ou, pelo menos, volte para casa. Se você não conseguir voltar totalmente bem, eu trato de te consertar, tudo bem?

 

Eu não sabia se aquilo era encorajador ou uma ameaça, mas senti que minha mãe estava sendo sincera.

 

- Não se preocupe, mãe. - eu disse - Nós damos conta, como a Alice disse.

 

Sabrina abraçou Alice. Com todas as discussões, eu quase esqueci que minha mãe sempre a tratou quase que como uma segunda filha. Com Alice não tendo pais por perto, acho que isso foi algo natural.

 

Não pude ouvir tudo que ela falou para Alice, mas consegui ouvir um "Cuide bem dele".

 

Depois das despedidas, minha mãe entrou no carro novamente, e ficou lá um pouco, olhando para nós.

Demos um "tchau", e fomos em direção a Baobá Games.

Após entrar na loja, ouvi o som do carro ligando, e minha mãe indo embora.

 

Estávamos sozinhos de novo, apenas eu e Alice contra o mundo, e quaisquer pessoas que querem me matar dentro desse mundo.

 

______________________________________________________________________

 

Eu ainda estava pensando em minha mãe quando entrei na loja, por isso demorei para perceber que todos os olhos estavam virados para mim.

Quando saí do mundo da lua, vi que realmente estávamos numa loja de games comum. Quer dizer, eu já havia visitado esse lugar várias vezes, mas depois de ouvir que isso é a área de trabalho de dríades... Eu esperava que o lugar tivesse uma aura mágica ou sei lá.

 

Mas era apenas uma loja de games comum. Videogames para tudo quanto é lado, estátuas de personagens, um garoto de cabelos pretos e um estilo desleixado como o meu jogando em uma grande televisão que estava presa à parede...

 

E três pessoas uniformizadas, com as letras "BG" costuradas no peito, olhando diretamente para mim.

 

- Ahn... oi? - arrisquei dizer.

 

Os funcionários deram um pequeno pulo. Uma delas era uma garota que parecia ter a nossa idade, dezessete anos no máximo. Ela tinha longos cabelos castanhos e encaracolados, e seus olhos eram cor de âmbar.

O segundo, era um homem gordinho, careca e com um bigode preto enorme, que parecia estar nos seus quarenta anos.

A terceira, era uma mulher de mais ou menos trinta anos, com um corte de cabelo igual ao da primeira garota. Presumi que talvez ela seja a mãe.

 

A garota da nossa idade deu um pulo sobre o balcão, e correu para abraçar Alice, dando gritinhos de felicidade.

Seus pais, a moça e o homem careca, abriram a porta do balcão para passar, e foram parabenizar Alice também.

As mulheres continuaram conversando com Alice, enquanto o homem veio falar comigo, apertando minha mão e dizendo:

 

- Parabéns, garoto! Nunca pensamos que Alice iria encontrar um parceiro à sua altura, muito menos um humano, mas uau! Você conseguiu!

 

- O-obrigado? - agradeci, confuso. Eu mesmo não sabia direito o que um "Parceiro de sangue" era, e esse tipo de reação fazia parecer que aquilo era um casamento, o que eu até gostaria que fosse, mas não tinha muita certeza se era.

 

- Gente! - gritou Alice, fazendo todo mundo dar um pequeno pulo - Um pouco de espaço, por favor!

 

- Me desculpa, mas é que estamos tão felizes! - comentou a moça.

 

- Achávamos que você não era interessada em garotos... Ou pior, que os garotos não eram interessados em você! - disse a jovem, bem na lata.

 

- E por que não seriam? - perguntei, sem pensar.

 

A garota soltou outro gritinho, e depois me abraçou, como se fôssemos velhos amigos. Senti um leve cheiro de eucalipto em seu cabelo, o que começou a relaxar o meu corpo, quase ao ponto de minhas pernas cederem. Mas, antes disso acontecer, Alice me segurou, e empurrou gentilmente a garota.

 

- Jackie! - gritou Alice - Ele é um humano ainda! Se você abraçar ele toda feliz desse jeito, ele vai desmaiar!

 

- Ah - disse Jackie - Me desculpe. Esqueci desse detalhe. Mas então... os rumores eram verdadeiros? Você realmente escolheu um humano para ser seu parceiro de sangue?

 

- Não sei qual é a surpresa disso tudo - disse a moça - Ela já tinha feito uma parceria de sangue com um humano antes, não?

 

- Mas Cássia, querida, a Emma não era humana. - explicou o careca - Ela era uma bruxa.

 

- Ela ainda é uma bruxa, não falem da minha irmã de sangue como se ela tivesse batido as botas. - disse Alice.

 

Eu estava tão perdido quanto uma formiga num saleiro. Emma? Irmã de sangue? Bruxa? Eucalipto?

Minha cabeça estava rodando.

 

- Bem, vamos nos apresentar. - disse Alice, segurando a minha mão - Família Baobá, este é o Evan Dias, meu parceiro de sangue de verdade, que vai virar um vampiro!

 

A família Baobá começou a comemorar, enquanto o garoto continuava jogando videogame no canto.

 

- Evan, estes são Carvalho - disse Alice, apontando para o careca - Jackie e Cássia! E o carinha ali no canto é o Joey. Diga oi, Joey!

 

Joey permaneceu quieto.

 

- Não liga para ele, Evan - disse Jackie - Ele tá quase criando raízes ali na cadeira, de tanto jogar o Mansionvania. Tem vampiros naquele jogo!

 

E eu estava cada vez mais perdido.

 

- Ah, é! - lembrou Alice - A coisa mais importante de tudo! Todos eles são dríades!

 

- Eu acho que ele já percebeu, depois da Jackie quase derrubar ele com um abraço - comentou Cássia.

 

- É, eu reparei - respondi, rindo.

 

- ... E você não vai esboçar reação nenhuma? - perguntou Carvalho - Algo como um... "aaaaaaah, monstros-árvore!" ou "Que nojo, monstros-árvore!"?

 

- Claro que não! - gritou Alice - O Evan é um cavalheiro. Fora que ele nos adora, as lendas.

 

- Sério?! - gritou Jackie, com seu gritinho - Eu acho que vou roubar ele de você, Alice!

 

- Nem pense nisso. - respondeu Alice, com uma ferocidade que deixou todo mundo calado.

 

E eu estava pronto para sair pela porta e enfrentar qualquer assassino que o pai dela mandasse. Aquela situação não era algo que eu estava acostumado a enfrentar.

 

Me dê quinhentos lobisomens e quinhentas rokurokubis, mas não me dê uma conversa constrangedora em família.

 

- B-bem, mas não estamos aqui para isso. - me forcei a dizer, querendo terminar aquela conversa o mais rápido possível.

 

- Ah sim, estamos sendo caçados! - comentou Alice, com um sorriso no rosto.

 

- Ugh, é seu pai de novo? - perguntou Cássia - Nunca vi tradição mais idiota. Os humanos de agora têm tradições bem divertidas, como o Natal, a festa de ano novo, o Halloween... Seu pai realmente deveria parar de viver no passado, e largar essa tradição doentia de querer matar qualquer um que tente entrar na sua família.

 

- É, mas o papai não é alguém que muda de ideia fácil. - respondeu Alice - Então é melhor fazermos de tudo para sobreviver até chegarmos na mansão dele. Lá, eu me entendo com ele... com meus punhos.

 

Eu estava incrivelmente animado para ver isso. Eu mesmo gostaria de dar um soco no pai de Alice, mas um soco dela seria bem mais satisfatório. Afinal, é o soco de uma garota que consegue levantar um carro.

 

- Então você quer usar o nosso túnel? - perguntou Jackie.

 

- Isso! Podemos? - perguntou Alice.

 

- Mas antes... eu poderia interessar vocês em algum jogo? O Italian Odyssey que o Evan estava esperando finalmente chegou!

 

- Pai! - disse Jackie, rindo.

 

- Desculpem o meu marido. - disse Cássia - Você pode tirar uma dríade da floresta, mas não pode tirar os videogames de uma dríade.

 

______________________________________________________________________

 

Fomos levados para os fundos da loja, e no caminho, uma pergunta surgiu na minha cabeça:

 

- Ahn... Só uma pergunta. Eu ouvi que dríades não podem ficar muito longe de suas árvores. Onde estão as suas?

 

- Oh! Já vi que o jovem é esperto! - comentou Carvalho - Nossas árvores ficam no terraço da loja. Lá, elas recebem toda a luz necessária para crescerem fortes, enquanto nós ficamos por aqui, jogando!

- Ah, entendi.

 

Eu adorava ouvir esse tipo de curiosidades, principalmente sobre lendas. Eu deveria estar mais animado por conhecer ao vivo raças que eu achei que não existiam, mas estar sendo perseguido por assassinos e estar no centro do papo de família me deixaram um pouco desnorteado.

 

Após andarmos pelos fundos da loja, onde centenas de caixas com diversos games e sistemas estavam guardados, chegamos à um alçapão que parecia dar num tipo de porão.

 

Carvalho abriu a porta, e descemos pelas escadas, até estarmos numa sala incrivelmente esquisita.

O chão, o teto e todas as paredes eram pretos, como se fossem telas. no meio da sala, havia uma única porta de metal.

 

Alice soltou um "uau", e eu acabei fazendo o mesmo, mesmo não sabendo direito o que tudo aquilo era. Mas, para minha não-surpresa, Carvalho explicou:

 

- Isso que vocês estão vendo, é uma imensa sala de jogos!

 

- Isso é novo! - disse Alice - Como vocês construíram tudo isso? ... E para quê?

 

- Ah, tivemos ajuda da nossa bruxa particular! - explicou Carvalho - Ela conhecia a bruxa tech, Cindy, e ela nos ajudou a montar isso aqui! É um sistema de segurança, e ele é bem avançado!

 

- Como ele funciona? - perguntei.

 

- É aí que está a mágica! - explicou Cássia - Essas telas vão projetar um jogo, que muda de acordo com a personalidade e habilidades da pessoa que vai jogar! E, dependendo das suas intenções, o jogo é mais fácil ou mais difícil!

 

- Eita. Parece interessante. - comentei.

 

- E é! - disse Jackie, exalando o cheiro de eucalipto pelo ar - Vamos, Alice! Diga "Eu quero passar"!

 

Alice, relutante, foi até o meio da sala e disse:

 

- E-eu quero passar!

 

Nisso, as telas se acenderam. Uma pequena câmera surgiu no centro da porta de metal, e lançou um feixe de luz rápido em direção do corpo de Alice. Após alguns segundos, uma música pop bem divertida começou a tocar. E então, acima da porta, um logo apareceu: Dancing Dancing Dancing 2000, e um botão escrito "Começar" brilhava no chão.

 

- Uau! Eu achei que a Alice pegaria algum jogo de luta. - comentou Jackie.

 

- Ela é alta, e bem rápida. - explicou Cássia - Um jogo de dança realmente será divertido para ela.

 

- Vamos lá! Pise no botão! - encorajou Carvalho.

 

Alice pisou no botão de começar, e uma voz eletrônica disse, triunfante:

 

"VAMOS DANÇAR!"



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