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História Vampiro em apuros - Yoonkook - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


olá meus amores! Quanto tempo, não?
eu sei que novamente demorei muito mais do que prometi e do que devia. Novamente peço perdão por isso, mas digo que além de minha vida como escritora, também tenho meu pessoal para cuidar. E como ando passando por muito problemas e tenho tido muita dificuldade, me criou um bloqueio criativo. E isso desde o ano passado.

apesar disso, havia começado a escrever desde novembro. E então trouxe aqui meus amigos, mais um capítulo. Volto a dizer para que prestem MUITA atenção em cada entrelinha. Essa fic tem muita coisa a contar :3

espero que gostem.



enjoy ~

Capítulo 7 - Balas rosas e sensações estranhas


Capitulo 5

Balas rosas e sensações estranhas

 

As horas se passaram muito rápido, logo a tarde caía pela cidade pequena e a claridade ia se afastando, mas nada do garoto alto aparecer por ali, o que fizera Jimin questionar a si mesmo por quanto tempo mais teria de ficar esperando Jungkook na lanchonete perto da escola, após o horário de aula. Logo, viu-se suspirando ao olhar para o céu, sentindo a brisa bater em seu rosto e levantar os fios do cabelo vermelho e arrumado, voltando a procurar qualquer sinal da alma do outro ao redores quase que vazios.

Jeon havia dito que ficaria um tempo há mais na escola por assuntos pessoais, esses que não sabia por ele não ter falado, mas que tinha diversas hipóteses na cabeça devido ao que mais saía da boca do garoto nos últimos dias, serem palavras derivadas do nome de alguém específico; o que o começava a ficar entediante para qualquer um que estivesse escutando, e principalmente para quem mais convivia com ele, no caso, Park Jimin.

Embora não fossem da mesma sala e não compartilhassem muito tempo juntos dentro do ambiente escolar, fora de lá eram grudados como o recheio de uma bolacha. Uma amizade tão forte e bonita, verdadeira e que causavam acontecimentos como aqueles, fazendo o mais baixo ficar plantado em frente à uma lojinha pequena parecendo um manequim, e não que fosse a primeira vez.

Apesar de não parecer devido o atrevimento que cobria a parte gentil de Jeon, o menino sempre gastava de seu tempo para assuntos aleatórios no qual podia ajudar de sua maneira; uma vez havia sido uma senhora que não conseguia achar o caminho, na outra um projeto escolar que não havia sido aprovado e também sobre o técnico do time ter saído e não haver ninguém para tomar posse do cargo. Todos esses problemas foram resolvidos de maneira simples: Jungkook entrando no caminho para dar uma resposta convincente que o fizesse sempre ser aprovado. Esse seu lado, com toda certeza, era culpado de fazer Park parar em situações como aquelas, assim como também aquele no qual somente alguns conheciam.

E um deles é Jimin, seu então melhor amigo e colega de quarto há praticamente três anos. Haviam se conhecido no dormitório da escola durante a mudança do mais novo dos dois, durante o segundo semestre do primeiro ano, o que ocasionou relacionamento duradouro de ambos; se tornaram inseparáveis com seus gostos peculiares, estilos musicais aleatórios e sonhos inalcançáveis.

Claro, Jimin não havia tido uma boa primeira impressão quando viu um menino que aparentava ser bem mais novo do que realmente era entrando pelas portas largas do quarto com duas malas, dando um sorriso de coelho e o chamando de Hyung como se fossem totalmente íntimos, mas não permitiu-se levar por apenas aparência e deu a si mesmo a chance de conhecer Jeon Jungkook como ele era de verdade, por dentro e por fora. Não negara a surpresa no final.

Viver durante mais de dois anos com a figura que era o colega de quarto o fez aprender muitas coisas, e uma delas era a peculiaridade que tinha o amigo em seus costumes caseiros. Ou então em como conseguia mudar de humor e se tornar um completo sem vergonha quando queria. Era como se o menininho de sorriso de coelho fosse o total oposto do que mostrava suas ações, aparência ou tal como suas palavras. Ele era estranho, próprio e popular. O ruivo viu como crescera entre os demais no lugar, se tornou conhecido pela personalidade extrovertida, pela gentileza e pela audácia.

Porque entre os outros, ele era único. Jungkook era único como qualquer outro ser humano é. Mas era único, de maneira total, para muitos.

Por fim teve de se acostumar com muitas coisas que tornaram rotina em sua vida por conta do companheiro: como ser rodeado de pessoas bonitas e populares, ter seu nome na boca do povo, ter as melhores notas e ver o amigo conseguir tudo o que quer por ele ser simplesmente ele. E não que estivesse o endeusando como numa história de livro, já que aquilo realmente acontecia em sua realidade e sentia viver um completo clichê. Afinal era o melhor amigo do garoto intitulado mais bonito do terceiro ano. O quão retardado este tipo de depoimento parecia?

O ruivo não sabia, mas tinha completa certeza que isso não fazia parte do seu mundo e do seu pensar; era o completo oposto do companheiro. Quieto, preocupado com tudo, escandaloso e inteligente ao ponto de ligar mais para suas notas do que para sua própria saúde. Era um tanto inseguro, realmente. Mas não podia negar que era tão bonito quanto; a estatura média, a pele cuidada e os olhos pequenos; lábios carnudos e um belo corpo. Mas de que diferença fazia? Tinha mais com o que se preocupar, o que o tornava um tanto "bipolar".

E agora, se preocupava mais em voltar para casa e comer alguma coisa, e já estaria lá se não fosse pelo outro. Começou até mesmo bater um de seus pés no chão de forma frenética em pura irritação que tudo aquilo estava o causando. Tudo bem, não era a primeira vez mas, sinceramente, tinha coisa mais importante do que chegar em seu apartamento, tomar um belo de um banho para depois ter uma bela refeição? Em seus pensamentos, com certeza não.

Foi então que avistou da esquina um garoto aproximar-se de si e persuadi-lo de quem era quando viu aquele sorrisinho marcante no rosto. O outro parecia estar saltitante e que se era notado de longe, Jimin sabia exatamente o que vinha por ai. Por isso, saiu da posição em que estava encostado na parede, revirando os olhos e cruzou os braços ao encara-lo com um semblante entediado.

— Fala sério, que merda você estava fazendo pra demorar tanto?

— Olá para você também, Hyung — deu um abraço de lado no outro — Juro que pode riscar a opção "filhos" da lista de coisas da sua mente.

— Engraçadinho — suspirou — Eu podia ficar plantado aqui e você nem se importaria de me avisar que ficaria todo esse tempo, né?

— Eu nem demorei tanto. E bom, já estou aqui como combinado, não estou? — sorriu — Vamos, Hyung, estou faminto.

Jimin nem sequer tivera tempo de responder, pois Jungkook já o empurrava para atravessar a rua e rumar para onde estava estacionado o automóvel do mais velho.

— Também estou morrendo de fome, deveria ter ido para casa e te deixado para trás.

— Mas não o fez porque somos bons amigos, hum? — sorriu novamente ao entrar no carro, vendo que o amigo ficara irritado com as suas palavras — Tá bom, parei... é que, sério, nem vi o tempo passar — coçou a cabeça — Me desculpa.

— Hum, já estou acostumado com essa sua mania de me transformar em motorista particular e boneco de posto — deu de ombros, fazendo Jeon rir.

— Estou falando sério, não faço de propósito. É que nem vejo a hora passar.

— Ocupado demais com esses seus assuntinhos, em? — sorriu de lado, dando partida no carro — E eu posso saber o que toma tanto de seu tempo?

— Bom, é segredo — sorriu, sentindo seu coração se aquecer involuntariamente quando lembranças do pequeno jogo vinham a mente, e especificamente de Yoongi rindo de uma maneira tão única para ele.

Jeon parou naquele momento e se questionou como Min conseguia fazer isso consigo. Como ele conseguia causar sensações e reações tão distintas dentro de seu corpo, ao ponto de fazer um frio na barriga surgir ao pensar em estar perto dele novamente. O que com certeza era algo muito, mas muito estranho.

Claro, às coisas continuavam e continuariam na mesma, mas sentia como se algum passo para se tornar próximo de Yoongi estivesse causando algum efeito, como se o que queria estivesse se tornando real. Ter tirado um sorriso daquele semblante irritadiço era uma vitória tão grande que podia comemorar com um bom champanhe, pena que não curtia tanto esse tipo de bebida. Assim como também não estava gostando muito de como sua mente retratava todos acontecimentos quando o nome do ser era citado.

Sentia-se como se estivesse nomeando como um objeto, um prêmio a ser alcançado. E às coisas não eram bem assim.

Obviamente Yoongi havia o atiçado como ninguém tinha feito, mesmo que negasse de começo. Mas não que o visse com esse tipo de olhar; com a intenção de colocar a mão e fazer qualquer outra coisa com uma intenção maldosa. O via simplesmente como alguém que queria ter perto, que queria conhecer, abraçar, entre outras coisas. E sua forma de demonstrar, mesmo que anormal, comprovava como aquele garoto pálido e chatinho tinha mexido consigo.

Jungkook naquele mesmo instante se sentiu um completo idiota ao ficar absorto nesses tipos de pensamento, afinal mal o conhecia realmente. Porque Yoongi não o dava a chance de fazer isso e por mais curioso que estivesse, não invadiria seu espaço mais do que já estava fazendo. Além do mais o provocava como ninguém havia feito e isso com certeza tirava qualquer ponto ou consideração inexistente que o outro tinha por si.

Mas o que podia fazer? Era sua maneira de agir e não conseguia controlar, ainda mais quando seus olhos grudavam na figura pequena e brilhavam a cada minúsculo ato dele. E isso o fizera perceber que havia se tornado uma coisa ainda mais estranha; observador.

Lógico, sempre fora um se levar em conta os seus conhecimentos sobre cada pessoa daquela escola, tal como quando havia notado que a presença do outro passava um tanto despercebida pelos demais, e que o fizera ficar curioso. Entretanto, quando se tratava especificamente dele, seus pensamentos se perdiam e sua cabeça ficava somente em Yoongi, como se só os dois existissem. Até mesmo seu cheiro podia sentir; um cheiro único, ou, sua cabeça já criava perguntas e respostas para tirar reações irritadas e fofas do outro.

Porque tudo em Min era fofo, e não negava que esse tipo de pensamento tornava toda situação ainda mais estranha.

Só que Jeon não ia negar, após aquela conversa no meio do jogo talvez tivesse aos poucos percebendo o por que de Yoongi parecer tão fechado e quieto, ou o por que de se irritar com qualquer coisa ao ponto de perder a paciência quando dizia um "a", e não que fosse advinha, mas confessava sentir dor nas palavras de quem dizia não ligar para o próprio aniversário. Aonde já se viu? Aquilo era triste demais, e de alguma forma queria anular esse tipo de pensamento da cabeça do outro, mesmo que isso não dependesse somente de si.

De qualquer modo, pensar coisas como essas o fazia dar um pequeno sorriso. Um sorriso de canto que fez Jimin olhar para o amigo de maneira curiosa e o questionar sem pensar duas vezes:

— No que tanto pensa que está causando esses sorrisinhos ai? — riu — Hum?

— Nada que o interesse — deu de ombros — É coisa da minha cabeça.

— E agora tem algum problema em compartilhar com o seu melhor amigo? Aquele que está sempre do seu lado, te apoiando? — olhou-o rapidamente, vendo Jeon revirar os olhos com a brincadeira.

— Tem sim, porque não é da sua conta, querido Hyung — deu um sorriso debochado, voltando-se para a janela — Já sabe o que vai fazer para o jantar?

Jungkook tentou desviar o trajeto do assunto propositalmente, e havia funcionado de maneira até que eficiente. Ou era o que achava.

— Não sei, alguma coisa em especial para sugerir? 

— Não, mas se quiser ajuda para fazer, não vejo problema algum — propôs.

— Eu faço e você lava, o que acha? É mais prático.

— Bom, tanto faz — voltou-se para a janela, vendo a paisagem passar sem muita pressa por de fora do carro. Estava nublado e amava esse tipo de clima, é como se o renovasse dentro da alma.

— Mas me diga, não vai dizer mesmo o que era? Me deixou curioso — parou o carro no semáforo, dando agora sua total atenção para o garoto distraído —  Vai me dizer que está interessado em alguém?

— Hyung, você parece um velho dizendo isso — zombou.

— Pelo menos o velho aqui não fica perdendo tempo dentro da escola para depois aparecer com uma cara de felicidade como se estivesse usado maconha.

— Pelo amor — riu — Eu só estava cuidando de alguns assuntos.

— Que assuntos?

— Será que dá para largar de ser curioso? — bufou — Não era nada demais.

— Ok, desculpa — rendeu-se, achando graça da maneira que o outro ficou irritado mesmo que só um pouco — Só te peço para quando fazer isso da próxima vez, me avisa pra eu pelo menos carregar o celular antes de sair e ter com o que me distrair.

— Você faz muito drama — balançou a cabeça em modo de negação.

— É porque não foi você que ficou mais de uma hora depois do horário plantado, esperando o amigo resolver os assuntos dele — apontou o dedo — E tenho certeza que você me deixaria na mão se eu fizesse isso de troco. Não acha que tenho que receber nem que seja um agradecimento?

— É, você tem razão — respondeu ironicamente e virou-se para ele, juntando às palma das mãos — Muito obrigado, meu Hyung querido e maravilhoso. O que quer receber em troca para que eu possa me redimir dos meus pecados, hum?

JImin gargalhou, virando o carro em uma das esquinas perto do dormitório onde moravam. Depois olhou para o amigo como se estivesse pensando seriamente no caso.

— Pague meu lanche por uma semana e não se fala mais nisso.

— HYUNG!


(...)

 

Vampiros não costumam gostar muito das coisas humanas, bom, algumas delas não os agradam realmente em grande número. Mas apesar de relutante, Yoongi não negava que aquele liquido gelado, com gosto de limão descendo a garganta estava sendo agradável o suficiente para que sentisse relaxado, enquanto estava jogado no banco da lanchonete, batucando os dedos na mesa.

Hoje, Namjoon trabalharia meio período como garçom, já que fazia pequenos turnos para receber o suficiente para aluguel e para sustenta-los dentro daquele minúsculo apartamento no qual estavam morando temporariamente. Pelo incrível que pareça, Kim havia dado sorte de conseguir um emprego, já que a maioria dos alunos que estudavam naquela escola viviam as custas dos pais, coisa que para ambos era impossível, tendo que dar seu próprio jeito. E talvez Yoongi fosse um tanto vagabundo para viver as suas custas do melhor amigo e sentisse realmente um peso na consciência, porém sabia que não se daria bem no meio de tantas pessoas, e Namjoon entendia isso.

Yoongi às vezes parecia ter fobia de humanos, e não que fosse gritar para o mundo mesmo que já estivesse sendo estampado em sua testa. O quão havia entrado em um casulo em pleno século vinte e um? Nem ele mesmo sabia, mas tão óbvio estava o quão estragava suas relações com o novo mundo que o rodeava e o quanto pouco se importava com isso. Ou talvez fosse raiva mesmo? Era um meio termo idiota, afinal o ódio entre humanos e vampiros só existe para quem acredita, e hoje em dia ninguém acreditaria que um deles exista. Apesar de saber isso, ainda assim não fugia do perigo que seu mundo havia se tornado, ao mesmo tempo que sentia-se aconchegado naquele bando de pessoas estranhas.

Vivia em um impasse.

Talvez Namjoon fosse o culpado disso, ensinando-o ao poucos a lidar com a nova convivência e obrigando com que se adaptasse aos padrões que aquela sociedade ditava. Era como se acabasse se encaixando entre diversas pessoas e fosse tão insignificante para os outros que pouco o incomodava, na verdade, isso era ótimo. Não precisar fazer nada além de ficar em seu canto, aprendendo sobre lições em livros didáticos e fazendo trabalhos aleatórios, para ter nota. Sendo sincero, Yoongi já tomava isso como sua rotina ao mesmo tempo que isso o protegia dos outros.

Claro que uma vez ou outra tinha de trocar palavras com outros humanos por conta da comunicação obrigatória, já que seminários em grupos seriam pedidos como uma das contagem das notas, eram normas. Mas nada suficientemente intruso para que ficasse com uma pulga na orelha, com medo de que alguém descobrisse o seu verdadeiro eu. A questão era que, em uma cidade tão pequena, dentro de um mundo tão grande, Yoongi não era o vampiro de sangue puro que fugia de lobos, ou de sua própria raça. Min Yoongi era somente Suga; um estudante qualquer do 3M1.

Mas não é como se tudo isso impedisse com que alguém o notasse, e Jungkook era a prova viva disso; tomando lugar aos poucos na vida do pequeno vampiro que sinceramente não sabia lidar com a invasão que deixou de ser repentina, afinal agora esperava o cumprimento único, as palavras maliciosas e as provocações de sempre. Tornou-se, simplesmente uma rotina e não havia notado. Algo que, claramente não era bom.

Porque ele era Jungkook.

Não podia negar que de algum modo, ele estava mexendo consigo, só não sabia explicar como e o por quê. Se era a aparência fofa, as investidas idiotas, o sorriso bonito, ou as palavras sinceras de um cara que diz ser um colega de classe. Isso era talvez até ridículo para pensar, fazendo Yoongi ter vontade de bater a cabeça na mesa sem parar. Mas o que podia fazer se seu corpo involuntariamente reagia assim? Ficava totalmente inquieto.

O que estava acontecendo? Sentia vontade de berrar, e não sabia se era de fome ou porque havia um cara dentro da lanchonete que não parava de o encarar. Ou, quem sabe, estivesse tentando justificar com coisas banais o fato de que Jeon estava causando reações estranhas em si. Mas digamos que seria realmente aquele homem que descaradamente o olhava, fazendo com que o vampiro o encarasse de volta.

Desde que colocara o pé dentro daquele lugar, o homem que devia ter em torno de vinte anos o encarava sem parar, e não sabia dizer se ele aparentava ser uma ameça ou se estava o secando por outro motivo qualquer. Ele era bonito, tinha pele bronzeada e cabelos castanhos, Yoongi não negou que acabou sentindo uma sensação estranha em seu interior quando o outro o encarou. Aquilo não parecia ser muito bom, bem longe disso. Ou era porque ninguém o olhou daquele jeito antes.

Ainda assim, não podia levantar suspeitas, apenas tentou se distrair, pegando o celular e fazendo a única coisa que sabia lá; colocando uma música enquanto esperava o turno do melhor amigo acabar dali vinte minutos, já que ambos marcaram de caçar mesmo que contragosto de Kim. Yoongi precisava se sentir um vampiro depois de tanto tempo fora, e ainda mais depois daquele jogo com Jungkook que havia atrapalhado seus pensamentos sempre que lembrava.

Céus, aquilo era idiotice demais para ele.

Yoongi, por fim, levantou seus olhos de volta para onde aquele homem estava. Acabou sendo pego de surpresa quando percebeu que o mesmo lugar agora se encontrava vazio e uma nova pessoa estava pronta para sentar ali. Havia sido uma ilusão de sua cabeça? Não sabia responder aquela pergunta. Aquilo tinha sido estranho, como se estivesse sentindo a mesma sensação de quando jurava que estava sendo vigiado no dia em que Jeon o atropelou.

Bom, não devia se preocupar, certo? Era coisa de sua cabeça. Queria acreditar que sim.

Ou eram lobos que estavam atrás de si? Haviam sido descobertos? Devia falar com Namjoon sobre? Eram muitas perguntas, e ao mesmo tempo não queria pronuncia-las sabendo que podia ser um alarme falso. Devia simplesmente deixar para lá, e depois resolver isso... mas por que do nada pensou em lutar? Não, não queria isso. 

Sentia-se a beira de enlouquecer, uma coisa que dificilmente acontecia com ele.

O vampiro balançou a cabeça, tentando afastar todos aqueles pensamentos estranhos e decidiu entrar na vibe da música, esquecendo tudo ao seu redor pelos próximos minutos. 

Foi então que sentiu uma mão tocar em seu ombro. Sabendo quem era, apenas fechou os olhos em um certo alívio de ter ele ao seu lado. 

— Hyung? Demorei muito?

— Pensei até que não iria embora mais.

Namjoon gargalhou.

— Esse drama é por que sentiu minha falta? — jogou sua mochila nos ombros e sorriu.

— Não, é porque não vejo a hora de fazermos aquilo — revirou os olhos — E você só enrola.

— Falando desse jeito faz parecer outra coisa — fez careta, tirando ainda mais a paciência do vampiro mais velho.

— Namjoon, pelo amor de Deus — deu-lhe um peteleco na testa — Parece um adolescente na puberdade.

— É o que tenho que parecer — soltou uma risada, fazendo Yoongi balançar a cabeça.

— Eu mereço — revirou os olhos novamente e saiu andando pela lanchonete, sendo seguido pelo amigo logo atrás.

— Mas me diga, Hyung, você está bem?

O vampiro parou repentinamente por conta da pergunta aleatória. A ideia de afastar qualquer pensamento do pequeno ocorrido há pouco havia falhado?

— É claro que estou, por que não estaria? — respondeu um tanto impaciente. 

— Sinto que seus pensamentos estão muito dispersos. Não aconteceu nada?

— Já pedi para que pare de ler meus pensamentos — virou-se para ele — Na verdade, eu já até cansei de pedir.

O mais novo apenas deu de ombros, já que era de esperado aquela reação do amigo. Namjoon, de qualquer modo, sentia-se no dever de sempre fazer isso para que conseguisse cuidar do amigo, sem perceber que acabava por invadir sua privacidade várias vezes. Era algo que realmente precisava melhorar; mas que passou a ser rotina e deixou de perceber quando o fazia.

Kim queria estar sempre ao seu lado, afinal.

— Sinceramente, ainda acho que devemos deixar a ideia de caçar para lá. Eu acabei de sair do trabalho, Hyung. E  você não me parece bem — o fitou, vendo o mais baixo cruzar os braços.

— Eu to ótimo, pare de coisa  — revirou os olhos — E, pensei que vampiros não ficavam cansados. Ou você realmente se tornou um humano depois de conviver tanto com eles?

— Isso é tecnicamente impossível? — fez careta — Aliás, por que você chegou tarde aqui? Pensei que tínhamos combinado antes.

Yoongi sentiu seu corpo ficar ainda mais gelado do que já estava.

— Isso... é... — umedeceu os lábios — ... Fiquei jogando com o Jungkook.

Kim parou abruptamente, fazendo com que Yoongi acabasse cometendo a mesma ação.

— Você o que? — riu incrédulo — Eu acho que ouvi errado, você ficou jogando com o cara que você reclama há cada cinco minutos?

— Olha, não tem nada demais ficar jogando basquete com ele — desviou o olhar — Simplesmente, foi uma aposta.

— E o que apostou? Que era melhor? 

— Eu provei que sou melhor, com toda certeza — riu — Ele ficou tentando ganhar de mim, mas não conseguia. Isso foi maravilhosamente satisfatório.

— Satisfatório, é? — aproximou-se do amigo com uma careta estranha — Estou começando a estranhar a aproximação de vocês dois.

— Não me venha com essa, não tem qualquer sentido — Yoongi virou o rosto, tentando manter o foco em qualquer outro lugar.

— É mesmo? Não é o que vejo — cruzou os braços.

— O que foi? 'Tá com ciúmes, é? — debochou.

Foi vez de Namjoon revirar os olhos.

— Só estou preocupado que se envolva demais com ele. Não quero ver meu amiguinho quebrando a cara enquanto fala do garoto com um sorrisinho bobo.

— NAMJOON! — bateu o pé — Ah, quer saber? Foda-se. Só me alcança!

E antes que pudesse notar, Min já saia em disparada. Talvez tenha feito pela raiva, ou quem sabe, vergonha pelo melhor amigo ter tocado no ponto certo usando aquelas palavras. Jungkook estava mexendo demais com seus pensamentos.

Por fim, Kim apenas deu um sorriso de lado, enquanto alcançava o amigo rumo a entrada da pequena floresta dali que era desconhecida pelos demais habitantes. Sabia que estava certo, afinal. Só não sabia explicar se aquilo era de alguma forma bom, ou ruim.

 

(...)

 

Normalmente, dias de segunda-feira costumam ser mais calmos do que o resto da semana. Começou o inferno, mas todos estão exaustos o suficiente para que não tenham forças o bastante para reclamar e fazer baderna. Particularmente, Min odiava qualquer dia em que tinha de entrar por aquelas portas velhas e sentir o cheiro das paredes pintadas, por mais acostumado que estivesse. Assim como também odiava o chamado "semana de provas" que se dava o início hoje e que deixava todo mundo de cabelos em pé.

Apesar dos conhecimentos gerais tenham lhe feito bem e tenham sido de grade ajuda, o pálido não fugia do dever de estudar, e por isso agora se encontrava na biblioteca da escola, enfiado em seu cantinho enquanto lia alguns rascunhos que ele próprio havia feito. O amigo até então não havia dado as caras desde que saiu para estudar com um grupo de garotos da sala, o que fez o mais velho apenas dar de ombros por saber que ele não era o único que ocupava espaço no tempo que o outro tinha.

Por isso apenas apoiou o rosto na palma de sua mão, voltando a ler aquelas frases um tanto sem sentido para ele. Por que sentia-se estar tão dispersos dos assuntos ultimamente? Sua mente parecia viver em um mundo paralelo, longe de sua realidade. E não sabia ao certo o que causava isso. Se era as suspeitas de quem alguém estava o vigiando, se era a preocupação de estar escondendo isso de Namjoon, ou se era as provas mesmo. Novamente, a beira de enlouquecer.

Realmente, ser um vampiro em um mundo de humanos era difícil demais. Acabou por deitar a cabeça na mesa.

— Hyung! — escutou alguém o chamando, mas não ousou levantar a cabeça — Vai me ignorar mesmo?

O pálido fingiu um suspiro.

— O que foi, themônio? — levantou-se e o encarou com um semblante cansado.

— Como sabia que era eu? — deu um sorrisinho.

Porque é quando ouço sua voz que meu corpo muda.

— Porque era óbvio? — mentiu ao revirar os olhos, fazendo Jeon dar de ombros.

— Bom, tanto faz... — levantou a mão para perto de seu rosto, mostrando um saquinho — Pegue.

Yoongi olhou curioso para o saquinho de plástico que guardava duas bolinhas rosas dentro. Apesar de achar bonitinho, não fazia ideia do que aquilo significava ou o que diabos ele estava dando. Afinal tão do nada, por quê?

Acabou por franzir o cenho.

— O que é isso?

O mais novo retribuiu com um olhar confuso, olhando para o doce em suas mãos e depois voltando a atenção para o pálido.

— Balas?

O vampiro fez uma careta, porque não se lembrava de ter aulas sobre esse detalhe no qual fora citado. Humanos distribuíam isso assim, do nada? E por que Jungkook estava dando justamente para si? Não era nada demais, certo? Ou deveria levar como uma provocação também?

— Balas? — encarou-o — Isso é comestível? — e sim, havia sido uma pergunta séria.

— Claro que é — gargalhou — Pensou o que? Que eu fosse te dar drogas?

— Vindo de você eu não duvido de nada — deu de ombros, arrancando outra risada do garoto.

— Ai ai... — suspirou — não se preocupe, não coloquei nenhum veneno ou algo que possa te levar a morte. Comprei com o meu dinheiro e estou oferecendo de boa vontade, hum? — sorriu de maneira sincera — Pegue.

Não que estivesse fazendo por desconfiança — apesar de realmente estar confuso com a ação do outro — Mas é que realmente não fazia ideia do que se tratava. Lembrara claramente quando estudava sobre comidas que os humanos consumiam e se isso entrava no cardápio, não tinha qualquer recordação. Porém, claro que não podia negar e fazer desfeita, ou levantar suspeitas por rejeitar. Aceitar é o mais normal, não é?

O Min voltou a olhar para o outro, vendo que o mesmo prendera a atenção totalmente a si, como sempre ocorria quando ambos se olhavam, no fundo dos olhos. Era como uma conexão que acontecia somente entre os dois, e que nunca fossem comentar sobre tal fato; era exclusivo e também era um segredo, mesmo que tanto um quanto o outro soubesse exatamente daquela sensação estranha que invadia seus corpos, mas que não soubessem descrever detalhe por detalhe ou encontrasse palavras para isso.

Yoongi, por fim, deu-se por vencido e pegou o pequeno pacote da mão do outro.

— Ah bom, pensei que ia rejeitar por um momento — Jungkook sorriu.

— Eu só aceitei esse negócio, deveria ser algo demais? — questionou ao rodar o plástico entre as mãos, pronto para pegar a bala.

— Para eu, sim, gastei meus centavinhos nisso, sabia?

— Não me lembro de ter pedido para que fizesse isso — revirou os olhos.

— Pare de ser mal agradecido, Hyung — fez bico — Fiz porque quero te presentear, já que não te dei parabéns no seu aniversário.

— Como? — arqueou a sobrancelha — Acho que não entendi o propósito.

— Você me disse da última vez que seu aniversário é apenas uma data para ti e que não se importa com ela — sorriu de forma triste, como se soubesse o que era isso — Mas, como um colega, mesmo que não considere, quero te presentear para que na próxima vez que seu aniversário chegar, você lembrar que para mim não foi apenas uma data. Foi o dia em que você nasceu, um dia especial. E que nesse dia nasceu alguém que eu posso provocar — gargalhou, batendo de leve em seu ombro.

Apesar do olhar dele mostrar ser uma brincadeira, era tão intenso que Yoongi se sentia um completo idiota.

Além do mais, estava zombando com a sua cara?

Mesmo que estivesse, aquilo mexeu de alguma maneira com algo lá dentro de si, bem no fundo do peito vazio e frio que não batia um coração bom. E era algo tão único que Yoongi sabia, e tinha completa certeza que nunca mais esqueceria do que Jungkook havia acabado de causar nele.

Talvez não fizesse ideia do que significava, mas todo aquele entusiasmo que o dominou em míseros segundos e apalpou o corpo gelado o fizera ter certeza: não era algo bom que estava por vir daquele novo começo.

Mas pouco se importava.


Notas Finais


eita porra, ta começando aos poucos nosso romance :3

espero que tenham gostado. Perdoem-me os erros.

se cuidem, tenham uma boa noite.


~ kiss da omma


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