História .vanilla muffin - Capítulo 3


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Capítulo 3 - 2 xícaras (chá) de farinha de trigo


— Fanfan, onde estamos indo? Hein, hein?? Oh, eu sinto cheiro de... Almôndega! Ou seria bulgolgi? Eu nunca comi bulgolgi, mas a Amber Noona disse que é feito de carne, e almôndega também é feito de carne, então essas refeições são iguais, certo? Fanfan, olha, uma floricultura! Aposto que eu conseguiria diferenciar cada uma das flores facilmente, visto que não existe nenhum faro melhor do que o meu em toda a Coréia! Kris Hyung, você está me ouvindo? Fanfan!~

⠀⠀E pela sétima vez em onze minutos de viagem, o Wu respirou fundo, contendo-se apenas para que não perdesse a paciência com o híbrido ao seu lado. Apertava o volante toda vez que Chanyeol olhava para si, sentindo um leve arrependimento quando fazia contato visual com o cão, chegando a sentir raiva de si mesmo, mas fazer aquilo era melhor do que vendê-lo em algum leilão cheio de velhos pervertidos. O garoto merecia uma vida digna, receber muita atenção e carinho de donos que o amem de verdade.

⠀⠀O chinês já havia encarado a realidade, e agora permanecia em silêncio, sussurrando diversos pedidos de desculpas para si mesmo antes de estacionar o carro em frente à uma cafeteria, esta que logo atraiu a atenção do híbrido, que arregalou as orbes castanhas, notando que seu rabinho queria chacoalhar-se livremente, o que não era possível usando aquelas trajes apertados. Porém, ao menos se interessou por esse fato, apenas lançando um olhar animado para seu proprietário, que tinha uma feição ressentida em sua face de traços fortes. O mais novo sentia-se encantado pelos enfeites e cores extravagantes que estavam em torno de toda a loja, com um agrupamento de crianças eufóricas, provavelmente cheias de açúcar e ligadas no último volume de excitação, e um número reduzido de adolescentes curiosos que só estavam ali por um motivo: doces de diversos tipos em promoção.

— Quando você era uma criancinha boba, tinha uma mania chata de pegar minhas meias com estampas de muffins escondido e as colocava na boca quando eu não estava prestando atenção em ti. E... Eu pensei que você gostasse, portanto, queria te trazer aqui como um pedido de desculpas por não ter passado tanto tempo com você, e aproveitado a sua infância estranha de metade cão. - Confessou em um timbre baixo, e ainda que seus lábios sustentasse um riso anêmico, Chanyeol tomou aquilo como se fosse uma declaração de amor.

⠀⠀O mestiço não criminava Kris pelas sentenças negativas que recebia diariamente, ou pelas vezes que foi obrigado a dormir do lado de fora por ter impedido uma de suas chances de sair com uma mulher, ou até mesmo pelas vezes que passava a madrugada em claro somente para desejar uma boa noite, muita das vezes um bom dia, para seu dono quando este chegasse em casa. O garoto amava-o intensamente, e agradecia todos os dias ao divino papai do céu por ter colocado o chinês rabugento na sua vida, já que para ele, Yifan era só um homem que merecia ser compreendido nos seus momentos maus, e que apesar de toda aquela pose de marrento, o Wu tinha um grande coração. E um dia, ele entregaria esse mesmo coração para alguém que saberia muito bem como cuidar, e o garotinho reconhecia que essa pessoa não era ele.

⠀⠀Ou pelo menos tentava.

— Obrigado, fanfan! - Com sua face mergulhada em lágrimas salgadas, Chanyeol abraçou o maior, que mesmo assustado, esforçou-se para retribuir o abraço, mordendo os lábios quando pôde sentir o quão rápido o coração do mestiço batia. — A Noona tinha razão, eu sabia que hoje seria um dia mágico! Muito obrigado mesmo, eu te amo muito, muito, muito! De verdade. - E com uma pontada de angústia no coração, Kris decidiu por um ponto naquela história, ou melhor, na história dos dois que ao menos havia se dado início. Sorriu forçado, mirando no seu relógio de pulso enquanto tirava o cinto do garoto, vendo-o suspirar aliviado, pois odiava cintos de segurança.

⠀⠀E no mesmo silêncio, ambos saíram do carro, Kris lentamente, e Chanyeol desesperadamente, esbarrando nas pessoas ao caminhar até o estabelecimento como se sua vida dependesse disso. Porém, o Wu foi mais rápido, agarrando o grandalhão pelo capuz do casaco, tomando cuidado para não tira-ló da cabeça alheia. Suspirou, vendo o moreno olhar para cima um tanto quanto confuso, sacudindo-se para tentar se soltar, acabando por suspirar abobado ao sentir uma carícia em sua nuca, sabendo que era seu dono por conta do carinho curto e repentino. Foi puxado até o beco que havia do lado da lanchonete, onde provavelmente os funcionários jogavam lixo ou sentavam para aproveitar o tempo livre quando a loja não estava tão lotada, porém, dessa vez estava vazia. Apenas o cheiro de cigarro tomava conta do lugar, fazendo o híbrido tampar o próprio nariz com ambas as mãos ao ser solto. Olhou para Yifan, com a respiração começando a ficar ofegante por ter se mexido tanto durante esses dez segundos.

— O que fazemos aqui, Hyung? - Indagou Chanyeol, preocupado.

: Tinha muitas crianças na entrada, tenho certeza de que você não conseguiria alcançar nada sem esbarrar em alguma delas e acabar destruindo todo aquele lugar. - Murmurou descontente, colocando as mãos no bolso da jaqueta que usava, vendo o moreno assentir freneticamente, querendo mostrar que havia entendido. — Irei comprar algumas coisas para você, sim? Não ouse em sair daqui, está me ouvindo? - Disse seriamente, fitando o cão antes de dar meia volta, e sem esperar uma resposta do outro, caminhou em passos longos até a entrada da lanchonete.

— Kris!

⠀⠀Mordeu os lábios, e ao virar levemente o corpo para trás, pôde ver uma bolinha fofa encolhida próxima ao muro da cafeteria, sentada e abraçada com as próprias pernas grandes. Sentiu uma enorme falta de ar, que apenas aumentou quando seus olhos encontraram os de Chanyeol, que sorriam juntamente com os lábios do mesmo.

— Sim?

— Poderia trazer um muffin de baunilha para mim? Eu... Eu não sou muito fã de chocolate. - Pediu com uma pitada de manha em seu tom de voz, juntando ambas as mãos em frente ao seu rosto, como se implorasse.

⠀⠀E com os olhos ardendo, o Wu somente assentiu, saindo dali o mais rápido que conseguia.



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