História .vanilla muffin - Capítulo 5


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Capítulo 5 - 14 xícara (chá) de manteiga (derretida)


— O que??? V-Você, você...!!! Eu não acredito, o que você fez com sua cabeça? Oh, Deus, muffins são, na verdade, alienígenas que querem arrancar meus órgãos como o monstro nojento que 'tá na minha barriga?? - E gritou novamente, traumatizado. Gritou como se sua vida dependesse daquilo, chacoalhando as mãos no ar, deixando suas orelhinhas avista e totalmente desprotegidas, e só percebeu isso depois que olhou para o muffin com cabeça de humano, que aparentava estar tão assustado quanto o híbrido, encarando aquele mesma área. — Não me coma, Senhor Mutante!

⠀⠀E com isso, ficou em silêncio, vendo que a aberração não expressava nada além de surpresa. Ela estava em frente à si, intimidando Chanyeol mesmo que ele fosse maior do que aquele ser esquisito. E pensando nisso, levantou-se de imediato, entrando em alerta quando o muffin deu um passo a frente. O híbrido queria gritar, correr, porém a risada do mutante à sua frente fez com que todos os seus músculos travassem, impossibilitando de fugir naquele momento.

— Eu não sou um mutante, pirralho. De onde tirou isso, hein? Aliás, me chamo Byun Baekhyun, e nossa, você é bem alto, quantos anos tens? Esquece, não são essas perguntas que eu deveria estar fazendo à você. - Limpou a garganta, cruzando os braços curtos em frente à fantasia grande que atrapalhava a maioria de seus movimentos, encarando o grandão de voz rouca diante de si. Tinha que confessar que de começo havia se assustado com o tom daquela voz, mas era fofa de certa forma, levando em conta que o garoto falava como uma das crianças que lotavam a cafeteria horas atrás. — Quem é você? Por qual motivo está aqui? Não vai me dizer que és um morador de rua, porque esse casaco de marca me diz o contrário.

⠀⠀Sem se importar com a reação alheia, o Byun levou seus braços, ainda que cobertos pelo tecido grosso da fantasia, até o casaco que Chanyeol usava, quase que fechando os olhos ao tentar forçar a visão para distinguir a marca conhecida. Afinal, ainda estava escuro, e a luz pegava na cintura do rapaz. Puxou-o para perto dos degraus próximos a porta em que havia saído, sentindo uma leve tremedeira vinda dele, sem contar com a diferença de tamanho entre as mãos - e olha que as mãos daquela fantasia eram duas vezes maiores do que as de Baekhyun. O híbrido estava confuso, não sentia medo, porém quando o humano virou-se mais uma vez para si, temeu a reação alheia ao passo em que continuava a fitar suas orelhinhas felpudas no topo de sua cabeça com mais atenção, só agora percebendo que eram reais, e não um arco qualquer que estava na moda nos últimos meses.

—Puta que pariu...

⠀⠀Não conseguiu terminar sua frase de indignação, pois antes mesmo que isso acontecesse, o híbrido tampou sua boca com as mãos grandes que ele possuía. Essa ação assustou o humano pela segunda vez na noite, e quase tropeçou nas elevações dos degraus. Estranhou o comportamento do garoto, já que o grandalhão não agia com agressividade, e sim inconscientemente. Anotou em sua cabeça problemática que nunca mais conversaria com nenhum outro ser encolhido do lado de fora da cafeteria, pois agora temia encontrar outros seres sobrenaturais, e que talvez, fossem selvagens e pudessem arrancar a sua doce vida de si. Não que híbridos fossem um caso incomum, já que até mesmo seu melhor amigo, Jongin, namorava um. Porém, Sehun, agia como um verdadeiro humano, diferente de outros híbridos que não perdem a essência animalesca e por isso são domesticados pelos seus donos. Mas o híbrido desajeitado a sua frente era diferente, parecia não ter consciência dos próprios atos, e isso foi facilmente comprovado quando o moreno afastou-se brutalmente, parecendo assustado com o que havia feito minutos atrás.

— Ei, ei! Você está louco? Diga-me logo o seu nome antes que eu ligue para a polícia e diga que estás a me assediar! - Baekhyun disse em um falso tom de irritação, vendo o grandão a sua frente encolher-se e coçar a pontinha do nariz arrebitado antes de responder as suas perguntas anteriormente feitas.

; E-Eu tenho... Dezesseis anos em idade de híbrido, mas acho q-que vinte e seis na humana, não sou uma c-criança! - Respondeu com um pouco de firmeza no tom de voz, se lembrando das vezes em que Amber insistia em dizer que era uma criança em um corpo demasiadamente másculo. — Eu sou Chanyeol, não tenho um sobrenome porque o fanfan não queria que eu possuísse o sobrenome da família dele, mas a Amber 'Noona disse que Park combina comigo. - Deixou um sorriso genuíno nascer em seus lábios cheinhos, e esse ato não passou despercebido pelo menor, que ainda carregava a cabeça da fantasia embaixo de seu braço direito, confuso pelas menções de pessoas desconhecidas por si no meio das frases do, aparentemente, mais novo. — E eu não sou um morador de rua! O meu dono trouxe-me aqui para uma comemoração atrasada dos meus aniversários dos anos passados. Ele disse que compraria umas guloseimas e muffins para mim e que já voltava, então eu sentei ali e fiquei esperando! - Cruzou os braços, agora encarando o homem, que se desfazia da fantasia aos poucos. — Você não é um muffin de verdade?

⠀⠀Baekhyun terminou de retirar a roupa pesada, jogando-a no chão atrás de si assim como havia feito com a cabeça. Por baixo daquilo tudo, usava apenas uma regata preta, e uma bermuda jeans para que não suasse muito durante o dia quente. Não adiantou de nada, porque o destino queria lhe ferrar, ao ponto de deixar a tarde duas vezes mais abafada do que o costume dentro da cafeteria, resumindo em um Baekhyun extremamente irritado por estar grudento e com um mau odor. Limpou a pele de seu pescoço com a própria regata, tendo que exibir seu peitoral para concluir tal ação, e consequentemente deixando o jovem constrangido pela "nudez".

— Sinto em lhe informar, querido Park, mas você é extremamente ingênuo ao ponto de não enxergar o quão ruim se encontra a sua situação: Você foi abandonado na maior cara dura, e esse "fanfan" - Fez aspas com os dedos, parecendo entediado ao dizer tais palavras, porém, sempre encarando as reações do híbrido que franzia as sobrancelhas de uma maneira adorável. — Já foi embora assim como todos os pais e jovens que estavam na cafeteria. Você não percebeu o silêncio que está fazendo? O evento já acabou, e agora estão limpando a cafeteria porque as crianças mais novas fizeram um caos lá dentro. E não, eu não sou um muffin, aquilo era uma fantasia idiota que me obrigaram a usar por uma merreca.

⠀⠀Respondeu secamente, recolhendo um cigarro em seu bolso e colocando-o no meio de seus lábios, um vício estranho porém prazeroso para o Byun que agora encontrava-se irritado sem motivo algum. Chanyeol, percebendo isso, abaixou novamente seu rosto em forma de submissão, as palavras duras do mais velho fazendo efeito de uma maneira ruim, ecoando em sua mente confusa. Por fim, suspirou derrotado, voltando ao cantinho em que estava desde mais cedo, pegando a touca que fora esquecida no chão sujo do beco, botando-a sobre seus fios encaracolados e finalmente escondendo suas orelhinhas. Sentia-se frustrado, não sabendo se acreditava nas palavras do Byun, por mais realistas que fossem.

⠀⠀Não podia ser verdade, Kris nunca faria isso consigo, certo? Afinal, se fosse para se livrar de si, o chinês procuraria uma maneira eficaz e que lhe trouxesse dinheiro, como o leilão de híbridos que estava marcado para o mês que vem. E, assim como veio, a alegria e inocência que Chanyeol exalava, foi se dissipando aos poucos, tornando seu semblante vazio, e os olhos escuros, sem aquele brilho que chamava a atenção de diversas pessoas, inclusive a do Byun. O híbrido estava perdido, e agora, sem lar e sem Yifan, pretendia continuar naquele chão imundo até o seu último suspiro.

— Chanyeol...? - Chamou pelo mais novo, este que continuou quieto, focado cada vez mais em sua própria dor, e esquecendo-se da presença do rapaz. Byun preocupou-se, e por mais que não conhecesse aquele híbrido há muito tempo, sentiu uma enorme vontade de deixá-lo feliz, nem que fosse um pouco. Sabia que ele estava assim por sua culpa, mas foi inevitável: Baekhyun tinha um gênio forte, e muita das vezes não media as próprias palavras e tom de voz, parecendo grosseiro propositalmente.

⠀⠀E consciente disso, afastou-se do garoto cabisbaixo, adentrando novamente a cozinha antes de cuspir o cigarro não usado na lixeira, pegando a última bandeja de doces frescos que restaram do evento, escolhendo a mão um muffin, olhando para o maior que agora choramingava, assim como um cachorro quando não recebia carinho, ou quando se machucava. Sorriu ao pegar um muffin de aroma delicioso de baunilha, vendo que o híbrido havia cessado seu choro, e só murmurava palavras desconexas enquanto secava as lágrimas grossas em sua face de traços fortes e delicados. Alertou ao outro de sua presença quando assobiou, e após trancar a porta do local já livre de qualquer cliente, caminhou com passos firmes até o encaracolado, enrolando os fios em seus próprios dedos e sentindo o quão abalado o mesmo ficara apenas com aquele gesto carinhoso. Havia feito uma ótima decisão, e estava disposto a fazer aquilo dar certo nem que precisasse dar tudo de si para que fosse possível.

— Hey, cãozinho. Eu irei lhe ajudar na procura de seu dono, mas caso eu não o encontre, você ficará comigo. Prometo que sou uma ótima pessoa, e que se você aceitar essa proposta, irá receber quantos muffins você desejar! - E então, colocou o doce no meio das mãos grandes do último citado, que formou um biquinho manhoso nos lábios fofos ao assentir devagar, fazendo o humano rir encantado com tamanha fofura.


Notas Finais


esse é meu capítulo favorito até agora, caraca, nem acredito que foi eu quem escrevi uma coisa dessas. ( ` ▽ ´ )


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