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História Vante (Vhope) - Capítulo 26


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Capítulo 26 - 26


Fanfic / Fanfiction Vante (Vhope) - Capítulo 26 - 26

TAEHYUNG

Fiquei com febre. Minha cabeça doía o dia inteiro, meu corpo parecia estar fervendo por dentro, era como se a minha pele estivesse derretendo, e tudo o que eu conseguia fazer nessa situação era dormir.

Ouvi minha mãe dizer que era febre emocional, que o meu cérebro estava aumentando a temperatura do meu corpo por conta do estresse, o que não é novidade alguma pra mim, porque isso acontecia sempre quando eu era criança.

Por sorte durou apenas dois dias, mais um e minha mãe me arrastaria para um hospital, e não existe nada que eu odeie mais do que hospitais.

Quando ela saiu para trabalhar no quarto dia, logo depois do pai do Hoseok sair, se despediu e me desejou uma boa aula. Aula está que eu com toda certeza não compareci, esperei que o carro dela virasse a esquina de casa para poder subir as escadas de volta para o quarto, e tirar a farda do colégio.

Tentei voltar a dormir, mas não consegui, mesmo que eu tenha dormido apenas três horas na noite passada, eu simplesmente não consigo dormir e isso é tão estressante.

A cada dia que passa, eu tenho mais certeza de que a minha cabeça é completamente fodida.

Perdi a noção do tempo enquanto jogava no celular, e quando dei por mim, Hoseok estava entrando no quarto, com as roupas amassadas, o rosto inchado e o cabelo bagunçado.

Sem dizer nada ele subiu na cama, aconchegando-se ao meu lado. Passei um dos braços envolta de seu pescoço, deixando sua cabeça apoiada no meu ombro e o ouvindo grunhir enquanto escondia o rosto na curva do meu pescoço.

- Por que não foi para a aula hoje? – sua voz soou baixa e rouca, me causando arrepios por todo o corpo.

- São nove da manhã, vamos evitar perguntas – murmurei, fechando os olhos ao inspirar o cheiro de seus fios castanhos.

- É o quinto dia seguido que você não vai para a escola – continuou, empurrando o celular das minhas mãos para que eu lhe desse atenção – Você está me fazendo ser cúmplice disso tudo.

- Mas você recebe tão bem para não me entregar – o abracei, o sentindo sorrir contra minha pele.

- Eu sou assim tão fácil de comprar? – perguntou, correndo os dedos para dentro da minha camisa.

- Claro que não. Você tem noção das coisas que eu tenho que fazer para te agradar? – perguntei, correndo a ponta dos dedos pelo seu braço.

- Sim, e você faz todas elas muito bem – disse num tom provocativo, deixando um beijo molhado no meu pescoço.

Apertei os olhos, abrindo um sorriso à medida em que ele continuava a distribuir selares, me fazendo arrepiar quando correu a língua quente pela minha pele até o lóbulo da minha orelha, o mordendo e o soltando devagar.

Com um sorriso mínimo ele ergueu o rosto para me encarar, deixando um beijinho na ponta do meu nariz para só então, sair da cama.

- Troca de roupa, vamos para a casa no lago – mandou, espreguiçando-se.

- Sério? – o olhei surpreso com a repentinidade – Só nós dois? – tombei a cabeça para o lado.

- Sim, voltamos à tarde – seguiu em direção a porta – E leva suas coisas de artista.

- Vai me dar inspiração, é? – perguntei alto, ciente de que ele já estava quase na escada.

- Eu sempre te dou inspiração.

- É verdade – murmurei para mim mesmo, com um sorriso besta nos lábios.

Fitei o teto por alguns instantes antes de me levantar e trocar de roupa como ele pediu. Coloquei as coisas na mochila e desci as escadas, esperando na sala ele terminar de trocar de roupa.

Hoseok sempre insiste em me levar para sair, sempre com a mesma desculpa de que eu passo muito tempo trancado em casa vendo desenho, quando ele mesmo faz a mesma coisa. Mas de todo modo, eu gosto de sair com ele, porque nunca é entediante se for com ele, por mais monótono que seja o lugar, Hoseok sempre faz parecer divertido.

- Vamos? – perguntou indo em direção à porta, girando as chaves do carro em seu dedo.

Assenti com a cabeça, jogando a mochila nas costas e o acompanhando até a porta, não deixando de notar o sorriso que apareceu em seu rosto.

- Você fica tão adorável de macacão – comentou ao passarmos pela porta.

Fitei meu próprio corpo por alguns instantes, desde a blusa de mangas longas amarela, o macacão jeans e os vans nos meus pés.

- Parece um bebê – passou os braços envolta do meu corpo, me apertando – Poderia te colocar em um potinho, sabia?

- Tá bom, está me sufocando – grunhi tentando empurra-lo e falhando quando ele voltou a me abraçar, caminhando comigo até o carro.

Ele dirigia sempre abaixo do limite, por mais longo que seja o caminho, e ainda sim, as poucas horas naquele carro pareciam minutos. O tempo todo cantando de forma animada as músicas da nossa playlist. Vez ou outra virando-se para me encarar com um sorriso largo no rosto, tão, tão bonito.

- O que está desenhando ai? – perguntou, referindo-se ao caderno no meu colo.

- Urso sem curso – disse, lhe mostrando um rabisco dos ursos empilhados como no desenho – E aqui do lado eu fiz um skin do free fire.

- Gamers – revirou os olhos, abrindo um sorriso logo depois – Graças a deus, chegamos – avisou, virando a esquina em uma estrada de terra.

- Esse lugar é tão bonito... – comentei, descendo os pés de cima do painel para poder enxergar melhor. Haviam arvores altas ao nosso redor, e a grama estava verdinha, sem falar nas cerejeiras brancas e rosas que deixavam o lugar ainda mais bonito.

- Sim – desligou o motor, suspirando enquanto olhava para fora – Vamos logo – disse, alcançando nossas mochilas no banco de trás, para só então descer do carro.

Fechei o caderno antes de descer e acompanhá-lo, apertando o passo até estar perto o suficiente dele.

- Me dá a sua mão – estendeu sua palma esperando que eu a segurasse, pressionei os lábios antes de entrelaçar nossos dedos.

E quando eu menos esperava ele começou a correr, me arrastando consigo por entre as árvores, onde a grama chegava a cobrir completamente os tornozelos e a brisa forte e fria bagunçava nossos cabelos, até finalmente chegarmos perto o suficiente do lago.

Hoseok deixou ambas as mochilas na grama, bem embaixo de uma das árvores que tinha ali, arriscando-se a caminhar em direção as pedras grandes que cercavam o lago, onde a água refletia a paisagem em sua superfície.

- Eu gosto daqui – comentou, se sentando – Me traz uma sensação de paz tão boa – suspirou, apoiando as mãos atrás do corpo.

- Por que viemos aqui, Hyung? – perguntei, me sentando ao seu lado.

Ele suspirou, voltando a atenção para mim, levou uma das mãos até o meu rosto, se aproximando para deixar um beijo rápido na minha boca. Encostando sua testa na minha, de olhos fechados, permanecendo em silêncio por alguns segundos.

- Porque eu tenho medo de vir aqui sozinho – murmurou, fazendo o meu coração acelerar de uma vez só – Mas não tenho medo se estiver com você.

Seus dedos correram até a minha nuca, brincando com os fios agora tingidos de castanho do meu cabelo. É tão surreal pra mim quando ele admite ter medo de algo, eu sei que Hoseok é medroso em relação a coisas banais, como filmes de terror e montanhas-russas, mas não coisas assim, coisas que mexem com o psicológico. Porque na maior parte do tempo eu vejo Hoseok como alguém que não tem medo de se machucar, que não tem medo do que o destino tem para si, ou até mesmo medo das consequências que suas ações podem lhe trazer. Ele apenas vive, sempre sorrindo, como se o mundo não fosse capaz de machuca-lo, mas ele pode, ele sempre pode, e machuca. Ter consciência disso é desesperador.

- Você faz o mundo parecer tão pequeno e inofensivo...

- Talvez, porque, de alguma forma, fomos designados a fazer da realidade um do outro um lugar menos assustador.

- Você acredita nisso? Acredita em destino? – perguntou, afastando-se para me olhar nos olhos.

- Acredito que tudo acontece por uma série de razões, e se estamos aqui agora foi porque nossos pais se conheceram – expliquei, pressionando os lábios antes de continuar – E eles não teriam se conhecido se eu não tivesse ido tomar soro e se você não tivesse caído da escada – soltei um riso fraco – Não teriam se conhecido se minha mãe não fosse enfermeira... acredito que tudo é por acaso. Como o efeito borboleta, onde uma pequena mudança no nosso presente podem causar consequências enormes no nosso futuro.

- Então, de alguma forma, se os nossos pais não tivessem se conhecido, acha que nós estaríamos juntos agora?

- Não sei, talvez – dei de ombros – O que você acha?

- Acho que se estamos aqui agora, é porque estávamos destinados à isso – desviou o olhar para o lago – Que nossos futuros já estão traçados e que não podemos fazer nada além de seguir o curso.

- É assustador pensar assim.

- Com certeza – sorriu fraco.

- Gosto de pensar que fazemos parte de um dos milhares de universos paralelos que existem por ai – me sentei de frente para ele, cruzando as pernas diante da sua atenção – Que existem várias versões minhas em realidades diferentes.

- E o que você acha que o Taehyung do universo 37 está fazendo agora? – perguntou num tom divertido.

- Ele faz parte de um grupo de K-pop mundialmente famoso – disse com seriedade, ganhando um sorriso de sua parte – Ele é vocal e faz turnês pelo mundo todo com os membros.

- E o Taehyung 709? – cruzou as pernas também, se aproximando mais.

- Ele tem um irmão gêmeo, um irmão gêmeo do mal – contive o riso – Este Taehyung só se apaixonou uma única vez e foi pelo mesmo garoto que o irmão dele estava apaixonado.

- Com certeza esse cara era eu.

- Não seja convencido.

- Certo, é o Taehyung 1001?

- Bom, este tem os cabelos tingidos de loiro, gosta da praia e também gosta de ler – disse pensativo – Ele também tem um Hoseok, e sente saudade dele todos os dias...

- Por que? Eles não estão juntos?

- Não, eles terminaram.

- Por que? – perguntou em um tom desapontado.

- Porque a vida não é como nos livros de romance clichê que o Taehyung 1001 costuma ler – dei de ombros o vendo assentir com a cabeça.

Me levantei apenas para me sentar de costas para ele, entre suas pernas e esperando que passasse os braços envolta de mim. Apoiando o queixo no meu ombro logo depois, alcancei o seu braço direito, segurei sua mão e corri meus dígitos pela sua palma até a ponta dos dedos.

- Quantos de nós você acha que estão juntos agora nos outros universos? – perguntou baixo, raspando a ponta do nariz contra a minha pele do pescoço.

- Muitos – contive o sorriso – Muitos deles estão tendo está conversa agora – fitei o anel em seu indicador.

- E quantos de mim estão prestes a te dar um beijo? – sorriu.

- Não sei, quantos? – mordi o lábio, sustentando seu olhar.

- Todos eles – segurou meu queixo, alcançando meus lábios, misturando nossos gostos em um ósculo perfeito.

Me virei o suficiente para levar a mão até a sua nuca, pressionando os dedos contra sua pele, enquanto o único som ao nosso redor era o do vento, balançando as folhas das arvores e o correr da água logo abaixo de nós. É como se não houvesse mais ninguém no mundo além de nós dois. Como se fossemos inalcançáveis. Queria poder eternizar esse momento.

Permanecemos naquilo por um longo tempo, suas mãos percorriam o caminho do meu corpo, tirando as alças do macacão devagar, se afastando apenas para me fazer sentar em seu colo, com as pernas envolta de seu torço.

É incrível a forma como o meu corpo reage quase que automaticamente à todas as suas investidas, como se estivéssemos conectados, como se nossos corpos funcionassem perfeitamente bem sozinhos, mas melhor ainda juntos.

Nossas bocas continuaram seguindo o mesmo ritmo lento por um bom momento, com as mãos explorando tudo o que podiam e o calor um do outro se envolvendo, tão gostoso.

Hoseok deixou uma mordida fraca na minha boca, afastando-se o suficiente para me encarar. Sorrindo ao passar a ponta dos dedos no meu lábio inferior.

- Vamos entrar no lago? – sugeri, tentando conter o sorriso, apoiando minhas mãos em seus ombros.

- Deve estar gelado...

- Vamos, por favor... – insisti, procurando suas mãos e entrelaçando nossos dedos, para só então me levantar e puxa-lo comigo – Vamos, Hyung.

- Tudo bem – respondeu rendido, afastando-se para poder tirar a camisa a deixando largada perto das nossas coisas.

O acompanhei, tirando minhas roupas e o tênis, permanecendo apenas de cueca para então voltar para a ponta da pedra e pular.

Deixando a água fria me cobrir completamente, acredito que tenha ficado submerso por uns seis segundos no máximo, para só então voltar para a superfície. Quando dei por mim Hoseok já havia pulado, estava a poucos metros de mim, tirando a água do rosto com a palma das mãos.

Quando seu olhar alcançou o meu, voltei a mergulhar, nadando em sua direção até alcança-lo, o puxando para baixo junto comigo.

Suas mãos seguraram as minhas, me puxaram para perto e só depois, me puxar de volta para cima. Hoseok tinha um sorriso bonito no rosto, enquanto me segurava, o cabelo estava jogado para trás, e preciso ressaltar o fato dele ficar tão gostoso assim, extremamente gostoso.

Mas quando estava pronto para agarra-lo ali mesmo, o idiota me soltou, jogou água no meu rosto e nadou para longe, com um sorriso debochado no rosto.

Desgraçado. Joguei água nele também, e dessa forma ficamos naquela guerra de quem joga mais água em quem por um bom tempo, até eu simplesmente grudar em suas costas, com as pernas envolta do seu quadril e os braços ao redor de seu pescoço, rindo enquanto ele tentava ao máximo me afastar de si.

Quando Hoseok finalmente conseguiu me derrubar, fez a questão de jogar uma quantidade gigante de água em mim até que eu me rendesse. Quando a água começou a ficar verdadeiramente fria, nós saímos.

Nos sentamos ao sol, com frio e os cabelos pingando, em pleno silêncio por um longo tempo, fitando o nada e afundando-se nos próprios pensamentos.

- Você acredita em Deus? – perguntei à Hoseok, acabando por me dar conta de que nunca havia tido essa conversa com ele.

- Por que isso agora? – me olhou confuso, levantando-se para sair do sol.

- Não sei – dei de ombros, o acompanhando – Apenas me veio a cabeça – murmurei, vestindo apenas a camisa amarela, enquanto ele estendia uma toalha de flanela na grama.

- Certo, eu acredito – murmurou, sentando-se, esperando que eu me sentasse ao seu lado – E você?

- Apenas quando me convém.

- Como assim?

- Talvez exista, talvez não – dei de ombros – Não é como se eu acreditasse realmente ou como se eu fosse ateu, eu estou no meio dessa linha.

- Certo, então você só acredita quando te convém, sem sentir culpa alguma? – me olhou com um sorriso.

- Exatamente.

- Eu prefiro acreditar que existe um cara lá em cima, e que as pessoas vão para um lugar melhor quando morrem – desviou o olhar, sorrindo mínimo – É menos assustador do que pensar que nossa existência aconteceu por acaso e que não passamos de animais racionais – voltou a me encarar – Nossas crenças são muito diferentes, Tae.

- Eu sei – assenti. Na minha cabeça tudo sempre vai fazer mais sentido se formos pela lógica. A terra é redonda, a espécie humana é a última evolução do homo sapiens, e quando morremos, bom, talvez não exista nada depois da morte.

Talvez haja um céu e um inferno, ou quem sabe nós reencarnamos em outros corpos, outras vidas, ou na pior das hipóteses, apenas paramos de existir, e tudo o que tenhamos vivido não tenha valido de nada.

A vida pode ser apenas esse inferno, sem razão alguma, vivemos e morremos por nada, chega a ser revoltante.

Se não há razões para eu estar sempre me sentindo morto por dentro, se não há motivos para tudo ser sempre uma merda, então por quê? Por que continuar aguentando tanta dor se não vai valer a pena no final? É bastante revoltante.

Por esses e outros milhares de motivos sinto que nada vale a pena, penso que é melhor não existir do que ter apenas dor dentro de mim.

E entendo que Hoseok prefira acreditar que existe um lugar bom para onde as pessoas boas vão, chega a ser reconfortante acreditar em um Deus, e talvez esse seja um dos motivos pelo qual muitas pessoas acreditam. Entretanto, eu não consigo, não consigo crer que algo assim realmente exista.

- Hyung, eu invejo muito você – comentei, ganhando um sorriso confuso de sua parte.

- Por quê?

- Porque a sua realidade é muito melhor do que a minha, você não tem essa coisa ruim te corroendo por dentro, você vê o mundo de uma forma boa, sempre feliz e tão positivo – suspirei – Eu queria ser como você.

- Não, você não quer.

- Você é feliz, eu quero isso também.

Ele me fitou em silêncio, como se acabasse de reparar em algo que não havia notado antes. Franziu o cenho pensativo, desviando o olhar por um ou dois segundos, até voltar para mim.

- Você não é feliz?

Mil coisa se passaram pela minha cabeça naquele instante, pensei em varias formas de responder, mas nada parecia correto. Então, tudo o que eu fiz foi concordar com a cabeça, fitando minhas mãos em meu colo.

- Você realmente não se sente feliz? – continuou – Mas você é sempre tão animado, extremamente animado com coisas tão pequenas... como você não se sente feliz, Tae?

- Você não vê porque tudo aos seus olhos é sempre positivo, você não tem porquê sentir essa “coisa" e por algum motivo o mundo não te atinge – levei o olhar até as árvores – Eu não sou assim, eu sinto tudo e também não sinto nada, a minha cabeça é toda fodida, eu sou todo fodido. Tem dias em que tudo o que eu mais desejo é desaparecer, porque simplesmente não dá mais para suportar, não cabe mais em mim, eu não aguento mais – levei as mãos até a minha cabeça, me esforçando ao máximo para não desabar ali mesmo – Eu passo o dia inteiro tentando não deixar essa merda me destruir, tentando fugir de coisas que eu sei que me puxariam para baixo, mas quando chega no fim do dia... – suspirei, apertando os olhos – No fim do dia eu me deixo desabar, eu deixo tudo sair, deixo essa coisa tomar conta de mim e dói tanto, você não tem a menor noção do que é ter isso, literalmente te corroendo por dentro, Hoseok, isso dói muito, e eu juro para você, que a dor física é muito mais suportável do que isso.

- É assim que você se sente? O tempo inteiro? – perguntou, demonstrando surpresa e preocupação ao mesmo tempo.

- Os dias são sempre iguais para mim, sempre longos e exaustivos – pressionei os lábios – Eu estou sempre no modo automático, já que morrer significaria desistir, e eu não quero desistir dos meus dias felizes – minha garganta se fechou, e as lágrimas escaparam pelo canto dos meus olhos – Todos nós teremos dias felizes, não é? – o olhei.

- Sim, todos nós teremos dias felizes, Tae – levou uma das mãos até o meu rosto, limpando o canto dos meus olhos com o polegar – Eu sei o que é dor, e sei que ela também vai embora – correu os dedos até a minha nuca, fazendo carinho nos fios do meu cabelo – Claro que eu não sei exatamente como você se sente, mas garanto que vai passar, são apenas momentos ruins e eles passam, eu juro que passam.

Concordei com a cabeça, fechando os olhos e me deixando levar por ele, até ter seus braços ao meu redor. Hoseok deixou um beijo no topo da minha cabeça, correndo a palma da mão pelo meu braço por cima da camisa.

- Certo, vamos fazer deste o dia mais feliz da sua vida – se afastou para me encarar – Sem chorar, tá bom? – limpou o meu rosto outra vez, me arrancando um riso fraco.

- Tá bom.

– Quer saber o que eu trouxe? – perguntou, agora abrindo sua mochila, tirando de lá duas embalagens vermelhas – Choco Pie e Pepero.

- Você é incrível – murmurei, pegando os doces de sua mão, abrindo primeiro as tortinhas de chocolate, lhe entregando uma delas, antes de comer outra.

Hoseok tinha razão, eu me apego demais à pequenos momentos como este, eu me animo demais com coisas simples. Porque é só isso o que eu tenho.

Melhor ainda foi saber que ele havia trago mais comida, eu me esbaldei e ele principalmente.

- O que está pintando? – perguntou, trocando a faixa de música que tocava para uma do Twenty One Pilots.

- Cerejeiras – corri o pincel pela tela, colorindo o tronco das arvores – E você, está desenhando o quê? – perguntei, levando o olhar até o caderno em seu colo.

- Copiei do seu – riu, mostrando as árvores quase que iguais as que eu havia feito – Mas claramente os meus dons artísticos te humilharam, eu sinto muito.

- Você nem sabe colorir! – soltei um riso soprado, apontando para a forma como as cores se desencontravam, seguindo para um lado e para o outro, em total desordem.

- Arte abstrata! – justificou fitando desenho – Tem toda uma questão filosófica por trás das cores e das linhas, você quem não entende.

- Então me explique – cruzei os braços, o vendo negar com a cabeça, deixando o caderno de lado.

- Você não entenderia, apenas grandes filósofos – abaixou o tom de voz, se aproximando.

- Você é ridículo – murmurei no mesmo tom, o fazendo sorrir antes de me dar um beijo.

Contive o sorriso, segurando seu rosto com uma das mãos, deixando que o pincel escapasse pelos meus dedos sem querer. Os beijos seguiram até o meu pescoço, para só então se afastar, me devolvendo o pincel.

- Você comeu todos os peperos? – perguntou, fitando a embalagem agora vazia – E não me deu um beijo? – fingiu indignação.

- Existem prioridades, Hyung – murmurei, derramando um pouco de tinta rosa na paleta, começando agora a fazer as flores das árvores.

- Você não sabe jogar, Tae – reclamou, mudando a música outra vez, antes de se deitar com um suspiro, cobrindo os olhos com o antebraço, cantarolando baixinho a letra de Nervous.

O fitei por alguns segundos, me prendendo intensamente em Hoseok, nele inteiro, em seu torço nu, na bermuda azul marinho, nos fios agora secos e desgrenhados de seu cabelo. Tudo. Hoseok é a obra de arte mais linda que eu já tive a chance de apreciar.

Da mesma forma como Botticelli amou Simonetta Vespucci, eu sou capaz de amar Jung Hoseok. Ele fez dela Vênus e eu faria dele o meu Apolo.

Deixei de lado as cerejeiras, recolhendo o caderno que antes Hoseok deixava seus desenhos, passando as folhas até encontrar uma em branco. Com um lápis B, comecei um esboço dele, primeiro o rosto, com o braço cobrindo os olhos, a pontinha do nariz, os lábios bonitos e cada mecha de seu cabelo, o contorno de seu rosto, tão, tão perfeito, até o peito e o abdômen, fiquei tanto tempo preso naquilo que quando estava quase terminando, a última música da playlist chegou ao fim.

- Deve ser a primeira vez que ouvimos todas as músicas da nossa playlist – murmurou, erguendo-se o suficiente para pegar o celular – Qual a sua favorita?

- Todas – deitei as mãos sobre o caderno, o encarando.

- Não pode gostar de todas.

- Posso sim, eu gosto de todas as quarenta e três músicas.

Ele sorriu negando com a cabeça voltando a se deitar, agora mantendo os olhos na tela do celular.

Nenhum de nós disse nada por mais um bom tempo, apenas o som do vento, as folhas e a água, misturando-se com o som das nossas respirações e o lápis raspando na folha.

Estava colorindo os fios de seu cabelo quando reparei na câmera de seu celular virada para mim, e assim que eu olhei ele sorriu.

- O que está desenhando agora, Tae?

- Está me filmando? – perguntei, não conseguindo evitar de sorrir. Ele assentiu com a cabeça, ainda esperando uma resposta – É você – murmurei, virando o desenho na sua direção.

Hoseok tombou o rosto para o lado de cenho franzido, abrindo um sorriso largo ao enxergar melhor. A muito tempo eu perdi a vergonha de mostrar os desenhos que faço dele, claro que não saio mostrando todos, mas quando ele me pega no flagra dessa forma, eu apenas mostro.

- Eu sou o seu muso inspirador? – perguntou num tom divertido.

- Apolo.

- Como? – franziu o cenho confuso.

- Botticelli tinha Vênus, e eu tenho Apolo – murmurei, sentindo minhas bochechas queimarem à medida em que seu sorriso aumentava.

Ele largou o celular de lado, se sentando para se aproximar de mim, levando a mão até o rosto e me puxando para um beijo, me fazendo sorrir quando ele sorriu.

Me deixei levar até estar deitado ao seu lado, enquanto ele me beijava daquela forma lenta e boa. Faz parecer que congelamos no tempo, presos naquele momento perfeito. As mãos dele nunca se limitam em um lugar só, e eu amo quando ele me percorre, quando me segura e me puxa para perto de si, me faz derreter em suas mãos.

Corri os dedos até a sua nuca, deixando um aperto ali ao senti-lo enfiar as mãos por dentro da minha camisa, me fazendo transbordar. Sua palma segue pela curva da minha cintura até chegar na minha coxa, a puxando para si.

Soltei um suspiro ao nos afastarmos, abrindo um sorriso logo depois, fazendo carinho em sua nuca.

- Você é tão lindo – murmurei, ganhando seu sorriso outra vez – Tão, tão lindo – grunhi, distribuindo beijos pelo seu rosto – Meu, todinho meu – o abracei, ouvindo sua risada enquanto devolvia o abraço.

- Só seu – murmurou, deixando um beijo na pontinha do meu nariz, abrindo um sorriso em seguida.

Passamos a tarde inteira assim, brincando, ouvindo música, observando o céu, as árvores, era um lugar só nosso, e aquele era o meu dia feliz.

(...)

Assim que entrei na sala a primeira coisa na qual me dei conta foi no olhar irritado de Seokjin sobre mim. Segurei firme a alça da bolsa, caminhando até a carteira vazia ao seu lado, sob o olhar de julgamento do professor e todos os outros.

- Uma semana – ele grunhiu depois que eu me sentei – Você matou aula uma semana inteira, Taehyung – me olhou de cenho franzido – O que foi que aconteceu?

- Nada – dei de ombros, tirando o livro da bolsa e o abrindo na página indicada – Só o de sempre.

- E o que seria o de sempre? – perguntou, maneando o olhar entre mim e o professor.

Permaneci em silêncio. Não é a primeira vez que eu faço isso e também não vai ser a última, a única coisa que Seokjin sabe quando eu mato aula repetidas vezes é que eu provavelmente surtei, às vezes chego a pensar que ele tem medo de que eu me mate.

- Você pode me passar o conteúdo das aulas passadas? – perguntei como quem não quer nada, apoiando os cotovelos na mesa.

O ouvi suspirar, antes de assentir com a cabeça, voltando a atenção para explicação do professor.

A manhã se passou extremamente devagar, Seokjin podia até estar irritado comigo naquele momento, mas trinta minutos depois ele já estava contando piadinhas, nos fazendo rir feito idiotas durante a aula, consequentemente fazendo nossas atrações serem chamadas pelo menos umas três vezes até o professor nos colocar para fora.

- Quer sair hoje? – perguntou, batucando os dedos na mesa da biblioteca.

- Hoje eu vou comprar tinta – murmurei, terminando de tirar fotos do caderno dele – Para pintar as paredes do sótão – expliquei resumidamente.

- Quer ajuda com isso? – insistiu.

- Não precisa, Hoseok hyung vai comigo.

- Hoseok hyung – repetiu afinando a voz, rindo em seguida – Quanto tempo já faz que vocês estão juntos?

- Cinco meses, eu acho – o olhei pensativo.

- Vocês vão continuar com isso por mais quanto tempo? – cruzou os braços sobre a mesa.

- Como assim?

- Você sabe... – deu de ombros – Namorando escondido.

- Isso é complicado...

- Certo, mas, você não cansa de ter que esconder isso das pessoas? Vocês praticamente só ficam juntos quando estão sozinhos em casa.

- Não é verdade, nós saímos juntos também – justifiquei, tentando amenizar a situação.

- Ainda sim, Tae. Em algum momento as pessoas vão precisar saber.

- Eu sei...

Pressionei os lábios, deixando o silêncio prevalecer por mais alguns instantes até ele voltar a falar.

- Aprendi um truque de mágica – disse empolgado ao se lembrar, tirando um baralho de cartas de dentro da bolsa.

- Você é mágico agora? – perguntei descrente, o observando embaralhar as cartas.

- A Chinsun me ensinou – respondeu, mencionando a namorada – Vai escolhe uma carta.

- Tudo bem, Houdini – debochei, puxando uma das cartas, um sete de copas.

- Agora coloca de volta – mandou, voltando a embaralhar as cartas assim que eu a devolvi.

Esperei ansioso que ele terminasse, suspirando antes de puxar a carta de cima e me mostrar, o mesmo sete de copas.

- É essa?

- Sim – contive o riso, surpreso – Como você fez isso? – perguntei ainda em choque.

- Mágica – organizou o baralho, com um sorriso divertido no rosto – Vamos jogar truco? – perguntou.

Concordei com a cabeça, esperando ele organizar o baralho outra vez e distribuir as cartas. Jogamos até o sino tocar, e a próxima aula começar.

Hoseok mandou mensagem um tempinho depois, avisando que não poderia me buscar, mas quando eu cheguei em casa o idiota estava dormindo.

Deixei a bolsa largada ao lado da porta, junto com o blazer do uniforme, caminhando devagar até a sua cama.

- Hyung – chamei, me deitando por cima dele, o ouvindo grunhir em reclamação – Hoseok hyung... – chamei outra vez, aspirando o cheiro do cabelo dele.

- O que foi, amor?

Amor. Ele nunca me chamou assim. Meu coração disparou.

Perdi a fala no mesmo instante, mordi o lábio contendo o sorriso, meu peito esquentou, eu parecia estar transbordando. Me afastei o suficiente para encara-lo, Hoseok ainda tinha os olhos fechados, estava sonolento.

- Taehyung? – chamou outra vez, confuso com o meu silêncio.

- Oi? – respondi, completamente extasiado.

- O que foi? – repetiu a pergunta, agora abrindo levemente os olhos, me fitando por alguns segundos.

- Você disse que me levaria para comprar tinta – murmurei ao lembrar do real motivo de estar ali.

- E eu vou levar – murmurou, jogando o braço por cima de mim, voltando a fechar os olhos.

Concordei, me aproximando até estar completamente aninhado com ele. Ficamos deitadinhos por um bom tempo, mas tudo o que eu conseguia pensar era naquela palavra. Amor. Amor. Amor.

A forma como ele disse, me fez flutuar, foi como se ele dissesse sempre. Meu coração ainda batia forte, meu corpo se arrepiava a cada toque seu na minha pele. Eu queria me afundar naquele sentimento tão gostoso que me corria pelo corpo.

Saímos para comprar as benditas tintas depois de comermos alguma coisa, eu ainda não tinha uma ideia sobre o que ou como pintar aquela parede, seguiria pela minha intuição.

- Eu quero tinta de lousa – murmurei, alcançando uma das latas.

- Você quer todos os tipos de tinta de todas as cores, Tae – Hoseok disse logo atrás de mim, me observando por a lata no carrinho junto com as outras quatro.

- Não limite um artista, Hyung – rebati, o ouvindo rir logo depois.

Andei rápido pelos corredores, atrás da tinta amarela que me faltava, com o olhar fixo nas prateleiras acabei esbarrando sem querer em alguém. Me virei para a tal pessoa, pronto para pedir desculpas, mas permaneci em silêncio ao olhar bem naqueles olhos castanhos grandes sobre mim.

- Tesoro – Jungkook sorriu, enfiando as mãos nos bolsos da jaqueta – Come stai?

- Vou bem, Jeon – suspirei, desviando o olhar para o chão – E você? – perguntei por educação, tenho me acostumado com esses encontros que temos pelo acaso.

- Bene – respondeu, vindo atrás de mim – Está procurando o quê?

- Tinta amarela.

- Tinta amarela – repetiu pensativo, abrindo um sorriso em seguida – Lembra quando nós...

- Não, não me lembro – o cortei antes que dissesse qualquer coisa – Nós? Existiu um nós? – me fiz de sonso.

- Vai começar? – bufou, ainda me seguindo pelo corredor.

- Começar o quê? Não estou começando nada – dei de ombros.

- Por que você sempre faz isso? – grunhiu – Não pode lidar de forma madura com a nossa relação?

- Que relação, Jungkook? – soltei um riso irônico, me virando para encara-lo.

- Está vendo? Foi por isso que terminamos – resmungou, afundando-se no sotaque.

- Terminamos porque você é um idiota – me virei para encara-lo, o vendo arquear as sobrancelhas com um sorriso debochado.

- Terminamos porque você se acha o dono da razão.

- Nós terminamos porque você é um europeu metidinho, é isso o que você é! – apontei para o seu peito, não deixando de sustentar o seu olhar.

- Pelo menos eu tenho bom gosto.

- O que quis dizer com “bom gosto”? – cruzei os braços, esperando que ele continuasse.

- As musicas que você escuta, as séries que assiste e nem vamos falar sobre o suas roupas de hipster – me olhou dos pés a cabeça com um sorriso debochado.

- Minhas músicas? – disse desacreditado – Quando eu te conheci você ouvia Justin Bieber e Linkin Park!

- Algum problema com Linkin Park? Quando te conheci você também ouvia – me olhou levemente ofendido – Agora você só escuta indie, mamma mia.

- Mamma mia - repeti em tom de deboche - Pelo menos a minha personalidade gótica se foi, a sua prevaleceu! – apontei para suas roupas, contendo o riso – Você é um e-boy – acusei.

- “How I Met Your Mother” é melhor que “Friends”. – apelou – Quem em sã consciência, trocaria Paris pelo nerd dos dinossauros?

- Foi a escolha dela! – gritei – E a Robin combina muito mais com o Barney. O final de HIMYM é horrível, fala sério, nove temporadas por aquela merda?

- Vaffanapoli.

Soltei um riso descrente, ciente de que quando ele começa a soltar palavras em italiano no meio da briga é porque a situação vai realmente piorar.

- Terminamos porque você acha Stressed Out a melhor música do Twenty One Pilots – argumentei, batendo o pé.

- Porque é!

- Claro que não!

Ele passou os dedos entre os fios longos de seu cabelo, suspirando antes de voltar a me encarar.

- Taehyung, por que você faz assim? Por que não podemos ter uma única conversa sem falar sobre o nosso término?

- Porque foi apenas isso o que nos restou!

- Não, o tempo todo você se prende a memórias ruins, mas e as boas? Como quando fomos juntos ver o show do Super Junior porque você era louco por eles, ou quando eu te levei em um dos desfiles do meu pai e você surtou – riu soprado – Quando você quis aprender italiano... – suspiro – Lembra quando eu te peguei fazendo um desenho meu? Você quase morreu de vergonha – perguntou, sorrindo fraco – Nós dois funcionávamos tão bem.

Ele sabe como mexer comigo, ele sabe como me afetar, ele sempre soube e a culpa é minha por ter me entregado dessa forma. Desviei o olhar para os meus pés, puxando na memória cada uma daquelas lembranças, todas boas, porque em todas elas o meu amor por ele era mais forte do que qualquer outro sentimento, mas acabou. Tudo o que eu cheguei a sentir por ele acabou, ou talvez, eu esteja tentando enganar a mim mesmo mais uma vez.

- Nunca funcionamos bem, Jeon – neguei com a cabeça – Tivemos momentos bons, claro que tivemos, mas o que tínhamos era muito mais desgastante – pressionei os lábios.

- Você ainda sente algo? – perguntou baixo.

- Mesmo que eu ainda sinta alguma coisa por você, não vale a pena, porque tudo o que você quer é ter alguém que te ame como eu amei.

- Não, eu... – passou a mão no rosto outra vez – Eu quero tentar de novo – segurou o meu rosto, me fazendo prender o ar pela aproximação repentina – Quero ser bom pra você da mesma forma como você foi para mim.

Abri a boca para responder, mas não consegui, porque era impossível ignorar a nostalgia que ele me causava.

Eu amei Jungkook, e ele me quebrou inteiro, mas com o tempo eu juntei todas as minhas pecinhas, e me permiti amar outra vez.

- É tarde demais – murmurei, afastando suas mãos – É tarde demais para nós, porra – apertei os olhos, puxando o ar com força – Acabou, Jungkook.

Ele desviou o olhar, concordando brevemente com a cabeça. Suspirei, voltando a atenção para as latas de tinta ao nosso redor.

- Tinta amarela – disse, pegando uma das latas na prateleira de cima e me entregando.

- Obrigado – apertei a bendita lata contra o meu corpo – Tchau, Jungkook – sorri fraco.

- Ciao, tesoro.

Aquilo passou por mim de uma forma extremamente dolorosa, por um segundo ou dois eu pude jurar que desabaria em lágrimas, por estar me afastando dele outra vez, mas passou completamente quando vi Hoseok, sentado no corredor seguinte, esperando.

Quando seu olhar me encontrou, pude notar que estava irritado, então me dei conta de que ele estava ouvindo tudo.

Parei de andar assim que ele se levantou, caminhou na minha direção e tirou a tinta amarela das minhas mãos, seu olhar foi do meu rosto para um ponto logo atrás de mim e então, me beijou.

Uma de suas mãos me segurava firme pela nuca, limpando minha mente e me deixando focar apenas naquele instante.

Quando se afastou, seu olhar foi de mim para algo atrás de mim outra vez e então, segurou minha mão e me puxou na direção do caixa, me virei para ver o que ele tanto olhava e não sei dizer o que passou por mim ao encontrar Jungkook, parado bem ali, o tempo todo nos observando.

Voltei a atenção para Hoseok, bufando ao soltar sua mão, passei na sua frente, pegando nos braços três das latas que estavam no carrinho de compras, esperando que ele pegasse as outras duas.

Ouvi seus passos logo atrás, e durante todo o momento em que ficamos ali, esperando a moça passar as nossas compras, a tensão entre nós apenas crescia. A cada olhar que trocávamos eu podia sentir a raiva em seus olhos, e tenho certeza que ele sentiu a minha.

Jungkook apareceu ao nosso lado segundos depois, deixou uma lata de tinta verde e dois rolos sobre o caixa, suspirando enquanto tirava o cartão de crédito da carteira.

Hoseok e eu pegamos as coisas assim que a mulher nos entregou a nota fiscal, e saímos da loja.

Apoiei os cotovelos na janela do carro, mordendo os lábios enquanto pensava, em silêncio, completo silêncio, tudo o que eu ouvia era o som do vento entrando pela fresta da janela, até Hoseok finalmente suspirar e voltar os olhos para mim.

- O que foi? – perguntou, em um tom de voz nada suave.

- Nada – murmurei, cerrando os punhos a cada segundo.

- O que foi, Taehyung? – repetiu a pergunta, alterando o tom de voz.

- Você me beijou daquela forma na frente do Jungkook – respondi, fixando o olhar para fora das janelas – Demonstrando dominância, igual à um cachorro, só faltou fazer xixi para marcar território.

Ele riu nervoso, concordando com a cabeça.

- Claro – apertou os dedos ao redor do volante – Porque o seu ex não pode saber que estamos juntos.

- Assim como a maioria das pessoas não podem – retruquei.

- Ah, me desculpa se eu estraguei qualquer coisa que você tinha com o seu ex naquele momento – alterou a voz, dando ênfase na palavra ex.

- Quer parar com isso? – gritei – O que eu quero dizer não tem nada a ver com essa merda, tem a ver com o jeito que você me beijou.

- E eu estou falando da sua relação com ele!

- Que relação? – gritei outra vez – Porra, nós só conversamos!

- Conversaram sobre o namoro de vocês? – gritou, batendo no volante antes de suspirar – Caralho, que merda foi aquela, Taehyung?

- Não foi nada, mas você tem que entender que Jungkook já fez parte da minha vida, apenas isso.

- Sim, já fez, não deveria fazer mais.

- Isso não cabe à você – murmurei, ganhando seu olhar outra vez.

- Não cabe à mim? Não cabe à mim não querer que o seu ex se aproxime de você? É sério?

- Sim, não cabe a você decidir quem se aproxima de mim ou não – me virei para encara-lo – Eu entendo perfeitamente o seu lado, mas em momento algum você decide quem entra ou sai da minha vida.

- Tudo bem, me desculpa por isso – disse – Mas ainda sim, não existe isso de ser amiguinho do ex quando claramente ele quer você de volta.

- Eu não quero ser amigo dele, eu não sou amigo dele, aquilo foi apenas uma conversa.

- Vocês vão ter essa mesma conversa todas às vezes em que se encontrarem? Até você finalmente voltar com ele?

- Eu não vou voltar com ele.

- Tem certeza? – arqueou as sobrancelhas – Você sequer sabe o que sente, não é? – disse com um sorriso irônico.

- Você é ridículo – grunhi, me endireitando no banco, dando graças a Deus por termos chegado em casa.

Assim que paramos na garagem eu desci do carro, esperando que abrisse o porta malas para pegarmos as benditas tintas e podermos entrar em casa.

- Eu sou ridículo? Você quem estava de conversinha com o Jungkook, e o pior é que essa nem é a primeira vez que acontece – continuou, me seguindo escada acima.

- Eu já falei pra você que não foi nada – repeti pela milésima vez, sem olha-lo enquanto deixava as latas no chão, sobre as folhas de jornais e o papelão que eu havia espalhado antes.

- Não foi o que pareceu – resmungou, me ajudando com o restante das latas.

- O que parece e o que é, são coisas totalmente diferentes, esquece isso – tirei a camisa branca que eu estava usando, a largando longe das tintas, para só então começar a abrir as latas – Tira a camisa – mandei, o observando tirar a peça de roupa, a largando no mesmo lugar que a minha.

- Então me diz que merda foi aquela, porque eu realmente não estou entendendo – continuou, insistindo naquele mesmo assunto, se sentando ao meu lado, ajudando a tirar as tampas.

- O que foi o quê, Hoseok? – alterei a voz, cansado daquela mesmice, misturando a tinta amarela com um dos pincéis – Eu já disse que não foi nada.

- Você ainda gosta dele?

Ergui o olhar para encara-lo, mal podendo acreditar no que ele está me perguntando.

- Jungkook e eu acabou faz tempo. Quando você vai entender isso? – gesticulei irritado, fazendo com que a tinta do pincel respingasse nele sem querer.

- Você gosta ou não? – questionou, fitando os respingos amarelos de tinta em seu peito. Estendendo a mão para alcançar o pincel na lata verde, não poupando esforços para faze-la respingar em mim também.

- Eu não gosto do Jungkook! – minha voz soou mais grave do que o de costume. Sem pensar muito, enfiei a mão em uma das latas, o estapeando até espalhar a cor azul por boa parte de seu corpo, enquanto ele tentava de todo modo me afastar.

Hoseok pressionou os lábios ao segurar um de meus pulsos, mergulhando a mão livre na tinta vermelha, a passando pelo meu corpo, do pescoço até o umbigo. Tentei de todas as formas me soltar, o que foi em vão, já que ele acabou por cima de mim, segurando o meu queixo com a mão suja de tinta.

Eu estou fervendo de raiva, desejei por tudo descontar toda a minha irritação nele, ao ter os seus olhos sobre mim, me julgando. Segurava firme um dos meus pulsos acima da cabeça, e seus dedos pressionavam o meu maxilar, ressaltando as veias em seu braço.

- Eu não gosto dele, porra! – disse pausadamente, esticando os dedos até alcançar a borda de uma das latas, mergulhando a mão dentro da tinta densa antes de leva-la ao encontro de seu rosto, o empurrando para o lado.

Me sentei, soltando um grunhido, e quando achei que tinha acabado, senti a tinta gélida escorrer pelas minhas costas, me fazendo estremecer.

- Para com isso você está acabando com as minhas tintas – gritei, varrendo o olhar pelo meu corpo, não havia uma parte em mim que não houvesse tinta – Seu merdinha! – mergulhei as mãos inteiras dentro de uma das latas até que cobrissem meus braços, o vi fazer o mesmo, e antes que ele pudesse ter alguma vantagens, fui na sua direção.

Hoseok segurou minhas mãos, por pelo menos três segundos até a tinta fazê-las escorregar. Naquele momento nós literalmente rolamos no chão, tenho certeza de que pelo menos uma lata inteira de tinta havia sido desperdiçada.

- Por que você está com raiva de mim, porra? Eu não fiz nada! – gritei, cobrindo o rosto quando ele veio na minha direção com as mãos pingando tinta laranja.

- Eu não estou com raiva de você – segurou uma das minhas pernas, me puxando para perto. É claro que ele está com raiva de mim, caralho, estamos brigando no meio das tintas.

- Está sim, está brigando comigo por causa do Jungkook! – o observei se colocar entre minhas pernas, cansado demais para revidar quando ele deixou um a cor laranja se derramar sobre mim – Ele é o meu ex-namorado, só isso – grunhi irritado.

- E eu sou o seu namorado agora, Taehyung – seu tom de voz, fez meu corpo inteiro se arrepiar.

Prendi o ar, sem saber o que dizer diante daquela confissão, meu estômago gelou em nervosismo.

Se ele tivesse começado usando esse argumento, com toda certeza eu teria feito outra coisa em vez de brigar.

Perdi completamente a linha de raciocínio depois de suas palavras, tanto que tudo o que eu fiz foi segurar a sua nuca, o puxando para mim em um beijo rápido, tempo o suficiente para fazê-lo abaixar a guarda. Hoseok me fitou por alguns segundos ao nos afastarmos, antes de voltar a cobrir meus lábios com os seus de maneira desesperada.

Suas mãos escorregaram pelo meu corpo, me segurando antes de me deitar no chão, sem medir forças, me arrancando um gemido arrastado. Ele vai descontar toda a raiva em mim.

Por outro lado, o gosto viciante dele se misturando com o meu, me faz estremecer de tanto desejo. Arranhei sua nuca e pescoço sem controle algum, enquanto ele apertava com força a minha cintura, me puxando até o seu quadril tocar o meu.

Suas mãos deslizavam pelo meu corpo com ajuda da tinta, me percorrendo com suas palmas, fazendo com que meus músculos relaxassem, me deixando completamente entregue aos seus toques. Ele tem esse poder sobre mim, me deixa vulnerável.

Hoseok levou os lábios até o meu ouvido, mordendo o meu lóbulo e deixando que seu hálito quente tocasse minha pele, me causando um arrepio inevitável. Abri um sorriso travesso ao sentir seus beijos descerem pelo meu pescoço, onde não havia tinta, chupando com vigor a minha pele. Arfei, me contorcendo embaixo de seu corpo, apertando os olhos a medida em que seus lábios sugavam com força cada centímetro do meu pescoço, onde ficariam marcas com toda certeza.

- Hyung... – chamei em meio a um suspiro e outro, deixando os rastros das minhas unhas por toda a sua nuca.

Ele soltou minha pele, fazendo um estalo ecoar pelo cômodo, voltando a me encarar. Suas íris mais escuras do que o normal, o olhar extremamente intenso, me deixa hipnotizado.

Segurou meus pulsos, afastando minhas mãos de si, entrelaçando nossos dedos ao prender meus braços acima da minha cabeça. Não pude conter o suspiro que escapou pelos meus lábios ao notar seu ar dominante sobre mim.

- Você é meu, não é? – perguntou, empurrando o quadril contra o meu, fazendo um formigamento gostoso subir pelo meu ventre. Meu corpo falta transbordar de tanto tesão quando ele diz isso.

- Sim – minha voz soou manhosa o suficiente para deixa-lo completamente extasiado. Hoseok passou a língua entre os lábios, me fitando como o caçador olha para a sua presa.

Passei as pernas ao redor de sua cintura, o prendendo à mim sem pudor algum, elevando o quadril até o meu membro roçar o seu, arfando ao sentir uma fisgada no meu baixo ventre.

O ouvi suspirar arrastado, descendo o olhar para a forma como nossos corpos estavam. Seus olhos passeavam por mim como se estivesse desfrutando do que viam, e eu simplesmente amo a forma indecente que ele me fita, quando seus olhos castanhos me percorrem descaradamente, denunciando suas verdadeiras intenções.

Voltei a empurrar o quadril contra o seu, chamando sua atenção para aquilo, agradecendo a todas as forças do universo quando ele fez o mesmo em resposta. Simulando estocadas lentas, me permitindo sentir a rigidez de seu pau contra a minha bunda.

Meu corpo queima de tanto tesão, a cada estocada um gemido manhoso passava pela minha garganta e eu sei que ele gosta do som, sei porque a cada gemido meu ele vinha com mais força, fazendo com que meu corpo desse um solavanco.

Suas mãos desceram para o meu quadril, pressionando os dedos contra a minha pele suja de tinta, me segurando no lugar enquanto juntava nossos corpos da forma mais gostosa possível. Misturando as cores que nos cobriam.

- Você gosta assim? – perguntou rouco, ao reparar nos meus sorrisos repentinos, me fazendo arrepiar por inteiro.

- Gosto... – mordi o lábio inferior, mantendo os olhos fechados, na intenção de me concentrar apenas no prazer que se alastrava pelo meu corpo a cada segundo – Você faz tão gostoso...

Arfei arrastado quando sua língua percorreu o meu pescoço até o lóbulo da minha orelha, o mordendo e o soltando lentamente. Subi minhas mãos inconscientemente pelas suas costelas, até as suas costas, raspando as unhas em sua pele, não contendo o sorriso ao ouvi-lo suspirar contra minha pele.

Suas mãos deslizaram até o cós da minha calça, adentrando o tecido e o puxando para baixo com força, ergui o quadril me apoiando em seus ombros, facilitando o seu trabalho. Vi um sorriso devasso crescer em seus lábios ao notar que eu não usava mais nada além daquela calça.

- Tira a sua agora – pedi, o observando ajoelhado entre minhas pernas, correndo as mãos pelas minhas coxas, espalhando os restos de tinta vermelha e verde que coloria suas palmas por toda a minha pele.

Hoseok balançou a cabeça em negação, se esticando até alcançar a tigela com água esquecida perto da janela. Franzi o cenho o assistindo limpar os resquícios de tinta da mão direita, usando a própria camisa para seca-la e só então, voltar para cima de mim.

Seus dedos foram até a minha boca, acariciando meus lábios antes de invadirem completamente minha cavidade bucal.

- Chupa.

Sua voz rouca me fez perder a última gota de sanidade que ainda me restava. Segurei seu pulso, chupando os dois de seus dedos assim como havia mandado, enquanto ele os deslizava para dentro e para fora, suspirando a cada segundo mais.

Era como se o prazer estivesse escorrendo pelo meu corpo, quando me dei conta, estava erguendo o quadril, me esfregando contra seu pau ainda coberto, desesperado por qualquer atenção naquela região.

O vi morder os lábios, quando eu escorregava a língua pelos seus dedos. Ele finalmente os tirou da minha boca, deixando um fio de saliva escorrer pelo meu queixo.

- Abre pra mim – pediu. Afastei os joelhos no mesmo instante, separando minhas pernas até minha entrada estar inteiramente visível para ele.

Puxei o ar com força quando senti a ponta de seus dedos envolta de mim, não contendo o gemido alto que escapou pelos meus lábios, assim que ele enfiou os dois de um vez.

Me agitei, atrás de qualquer coisa para me agarrar enquanto ele literalmente me fodia com os dedos, sem nenhum aviso prévio.

Estava sendo impossível me controlar, gemia alto e desesperado, me contraindo sem perceber, prendendo seus dedos e lhe arrancando um sorriso lascivo sempre que acontecia. Meus olhos lacrimejaram assim que ele atingiu a minha próstata, minha mão foi quase que automaticamente até o meu pau, mas ele a afastou antes mesmo que eu pudesse começar a me tocar. Ele estava me torturando, descontando em mim a raiva que estava sentindo por conta da briga.

O pré-gozo descia pelo meu falo, que implorava por qualquer atenção. Levei uma das mãos até lá mais uma vez e Hoseok à afastou, segurou meus dois pulsos e os prendeu contra o chão logo acima da minha cabeça.

Acertando com violência a minha próstata, várias e várias vezes. Hoseok apenas me assistia gemer o seu nome feito uma cadela no cio, me contraindo quando ficava insuportável de tão bom.

Eu queria ele em cima de mim, com seu corpo no meu, me tocando, desferindo tapas e me beijando, do jeito bom, do jeito gostoso, não assim. Meu corpo praticamente implorava por qualquer atençãozinha e o desgraçado vai me fazer gozar apenas com os dedos.

- Hoseok... – gemi arrastado – Por favor... hyung...

- O que, meu amor? – perguntou com desdém, sem parar o que fazia por nada. Me fez lembrar da primeira vez em que fizemos sexo.

- Eu quero você... – minha voz falhou – Me comendo direito – murmurei, apertando os olhos e deixando que um gemido manhoso passasse por mim quando ele enfim diminuiu o ritmo, ameaçando parar.

Suspirei pesadamente, completamente ofegante e aquilo o fez sorrir de uma forma quase que sádica. Eu nunca quis tanto ser fodido.

Ele enfim soltou os meus pulsos, ficando de joelhos para desafivelar o cinto de sua calça, e só eu sei o tamanho do desejo que passa pelo meu corpo sempre que ele começa a tirar o cinto, a própria visão do paraíso.

Ousei levar a mão até o meu pau outra vez, começando uma masturbação lenta enquanto eu o observava tirar a calça e a boxer preta. Eu poderia chorar de tanto tesão.

Ele voltou para cima de mim, segurando a mão que estava em meu pau, voltando a prende-la contra o chão. Deixei que todos os meus músculos relaxassem ao sentir um beijo sendo deixado perto do meu lóbulo, subindo pelo meu rosto até alcançar os meus lábios.

Nunca em toda a minha vida, agradeci tanto aos céus por estar sendo beijado. Hoseok soltou minhas mãos, escorregando suas palmas pelo meu corpo outra vez, deixando as marcas de seus dedos em tinta roxa pela minha barriga, descendo até poder segurar as minhas pernas, as separando até conseguir se encaixar direitinho ali.

Eu não havia me dado conta da falta do preservativo até ele meter tudo dentro de mim de uma única vez, um gemido alto passou pela minha garganta, minhas unhas ficaram fincadas em seu braço e a dor estava insuportável.

- Porra... – choraminguei, apertando os olhos a medida em que os sentia lacrimejar – Seu filho da puta – deixei um soco fraco em seu braço.

- Desculpa – beijou a minha testa, fazendo carinho na minha perna com uma das mãos.

Sustentei o seu olhar, descendo as unhas de suas costas até as costelas, deixando rastros de tinta, enquanto esperava a dor amenizar.

Mas, Hoseok não esperou, ele começou devagar, lento e fundo, não me deixando outra escolha que não fosse fixar as unhas em suas costas. A dor fazia meus olhos lacrimejarem e como se não fosse o suficiente, ele mudou o ritmo. Entre um gemido e outro, com os olhos atentos na forma como nossos corpos se encontravam, em seu pau entrando e saindo de dentro de mim.

Apertei os olhos quando começou a ficar verdadeiramente bom, me apoiando em seu troco, sem controle nenhum sobre meu corpo. Senti um tapa forte na minha coxa, seguido por um aperto e depois disso vieram mais três, sobressaltei em reflexo, gemendo quando o ardor passou pelo local. Hoseok se afastou, o suficiente para poder segurar minhas pernas e colocá-las por cima de seus ombros, socando tudo outra vez, eu posso senti-lo inteiro, fundo pra cacete.

- Gostoso pra caralho – disse entre um arfar e outro, mordendo a minha panturrilha na intenção de se controlar, me fazendo choramingar de dor.

Eu arranhava suas costas tão violentamente que não me surpreenderia nenhum pouco se começasse a sangrar. Hoseok estocava forte e rápido demais, eu mal podia sentir a minha garganta, haviam lagrimas escapando pelo canto dos meus olhos, meu corpo inteiro tremia, meu interior se revirava em angústia. Seus dedos estavam afundados na minha pele, me segurando no lugar enquanto me comia, me comia com vontade.

O som obsceno de nossos corpos se chocando com brutalidade ecoava por todo o cômodo, se misturando com os meus gemidos e os dele.

- Hyung... devagar – choraminguei com o solavanco – Devagar, devagar, Hoseok – segurei seu rosto, com uma das mãos o forçando a me encarar. Seus olhos escuros sobre mim me fizeram estremecer – Me deixa sentar pra você – pedi, tendo em mente que ele continuaria daquela forma bruta se eu não trocasse as posições.

Hoseok se levantou, sentando-se com as costas apoiadas na janela e esperando que eu me sentasse. Com toda a calma do mundo eu o fiz, me apoiando em seus ombros quando minhas pernas fraquejaram, senti suas mãos em volta do meu corpo outra vez, me puxando para perto até eu me afundar completamente nele.

Suas mãos foram até a minha bunda, apertando a carne entre os dedos, deixando um tapa forte ali antes de voltar os olhos para mim.

Sua mão subiu pela minha nuca, acariciando meu cabelo, me fazendo derreter. Levou os lábios aos meus, me beijando, tão gostoso, puxando meu cabelo quando mordeu meu lábio inferior.

Comecei a rebolar devagar, o ouvindo suspirar contra a minha boca, me apertando contra seu corpo a cada segundos mais. Suas palmas subiam e desciam pelas minhas costas, me senti derreter em seus braços quando ele começou a tocar o meu pescoço com a ponta dos dedos, em forma de carícia.

Rebolei com mais força, o abraçando pelo pescoço enquanto praticamente quicava em seu colo, gemendo manhoso quando acertei a minha próstata. Mordi o lábio com força, me concentrando em acertar ali a cada vez que eu descia por ele.

Eu quis gritar de tanto prazer ao sentir os tapas sendo deixados na minha bunda outra vez, fazendo a minha pele arder mais e mais a cada um deles.

Eu gosto assim, gosto dos tapas, dos puxões de cabelo, das mordidas no lóbulo da orelha, gosto dos beijos e dos cupões, e principalmente, eu amo quando ele sussurra no pé do meu ouvido. Hoseok me faz tremer.

Os meus gemidos se misturavam com os dele, e ecoavam por todo o cômodo. Ele apertava forte os olhos, juntando as sobrancelhas, o suor fazia o seu cabelo grudar na testa e os lábios vermelhos entreabertos deixavam seus gemidos sôfregos escaparem por eles.

A tinta de nossos corpos se misturavam, criando uma nova paleta de cores à partir destas, nos colorindo. O tempo inteiro nos colorindo.

Levei o olhar até o vidro da janela, podendo ver por ele toda a rua, completamente vazia, as outras casas também sempre parecem vazias. Apoiei a mão no vidro, erguendo o quadril para descer de uma vez, escorregando a minha palma pela janela, deixando a marca dos meus dedos em tinta azul.

Estava insuportável de tão gostoso, me causando espasmos por todo o corpo, minhas pernas tremiam, minha garganta ardia, eu estava quase lá.

Hoseok subiu uma das mãos até o meu cabelo, puxando os fios com força até ter o meu pescoço completamente visível, onde ele voltou a chupar e beijar a pele judiada e ele faz isso tão bem.

Fechei os olhos, o abraçando pelo pescoço, tentando mantê-lo o mais perto possível de mim, me esforçando para continuar me movendo, com minhas pernas fraquejando a cada minuto. Ele me deixa fraco.

O ouvi gemer, com as mãos firmes no meu quadril, me forçando a ir mais rápido e com um gemido sôfrego, ele gozou forte dentro de mim. Um arrepio me correu pela espinha, me arrancando um gemido manhoso, seus jatos quentes me preenchiam todinho, tão bom.

Podia sentir as batidas do seu coração, ele começou uma trilha de beijos pelo meu pescoço, até os meus lábios, começando um beijo calmo. Continuei rebolando até atingir o orgasmo, com um gemido manhoso, deixando a porra escorrendo pelo meu abdômen e o dele até as minhas coxas.

Hoseok percorreu o meu corpo com as mãos, me fazendo carinho. Fechei os olhos apoiando a cabeça em seu ombro, relaxando cada centímetro do meu corpo. Impossível dizer o nível de exaustão que eu estava, minha mente ainda totalmente nublada.

O silêncio permaneceu por um tempo, suas palmas exploravam todo o meu corpo como carinho. Me sentia tão fraco que por um segundo achei que dormiria em seus braços.

- Me desculpa – ele murmurou, me fazendo despertar – Desculpa ter começado isso, por ter descontado a minha raiva em você – sua mão agora com a tinta seca foi em direção ao meu rosto, fazendo carinho na minha bochecha, completamente molhada pelas lágrimas.

- Você entende que a minha conversa com ele não foi nada? – perguntei – Entende que eu não gosto mais dele, que eu não sinto mais nada por ele? – continuei, segurando sua mão, me afastando para poder olha-lo.

- Entendo – abaixou o olhar, levemente envergonhado.

- Também não gostei nenhum pouco da forma como você me beijou naquela hora – disse, antes que acabasse me esquecendo – Eu não sou sua propriedade, não sou um troféu, então, por favor, não faça mais isso.

- Eu sei, eu sei, me desculpa – segurou minhas mãos, entrelaçando nossos dedos – Eu fui muito babaca com você, desculpa.

- Só não me trate mais assim.

Ele concordou, puxando minhas mãos para perto, me fazendo apoia-las em seus ombros, antes de desce-las para a minha cintura.

Contive o sorriso, passando os olhos pelo seu rosto, havia tinta amarela e vermelha em suas bochechas, verde e azul no queixo e no nariz, sem falar em algumas mechas de seu cabelo literalmente banhadas em tinta. Ele parece uma obra de arte, feita especialmente por mim, poderia colocar a minhas assinatura nele.

- Quando nos mudamos, você disse para eu ter cuidado com as suas tintas – disse mudando de assunto, soltando uma risada fraca.

- Eu sonhava com você me fodendo aqui – admiti, contendo o sorriso – Foi nessa mesma época... quando você ficava tentando resistir – corri os dedos pelo seu peito.

- Você era muito mau comigo – murmurou, me puxando para cima, precisei conter o gemido, ao sentir o seu pau, havia me esquecido completamente – Bati muitas para você nesse tempo, amor – disse ao pé do meu ouvido, deixando um beijo ali.

- Eu sei – sorri travesso – Eu gostava de ouvir você no banho. Por que achava que eu ficava na porta esperando?

- Era isso o que você fazia? Achei que ficasse lá esperando minha toalha cair, eu sei lá – riu dando de ombros – E você também se tocava no quarto.

- Claro, eu queria que você me ouvisse, gemendo manhosinho para o meu Hyung – sussurrei em seu ouvido, soltando um gemido arrastado o fazendo apertar a minha cintura em reflexo – Uma vez eu me toquei no seu quarto, quando você saiu com os seus amigos – continuei, acariciando sua nuca – Eu vesti uma das suas camisas, me deitei na sua cama, e enfiei dois dedos em mim – suspirei, começando a rebolar em seu colo – Eu me fodi com os dedos, até gozar gostoso, gemendo o seu nome.

- Mostra pra mim como você fez? – pediu, escorregando as palmas pela minha bunda, apertando.

- Depois do banho – sorri ao me afastar, afastando suas mãos de mim, para então, me levantar, me arrependendo assim que minhas pernas fraquejaram e meu corpo inteiro começou a doer.

Usei a camisa dele para limpar a minha barriga, me estressando ainda mais quando a porra começou a descer pelas minhas pernas.

Quando olhei para Hoseok, ele prestava bastante atenção naquilo, com um sorriso convencido no rosto, observando a sua porra escorrendo pelas minhas pernas.

Atirei a camisa em sua direção o fazendo me olhar nos olhos, rindo soprado logo depois. Dei uma bela olhada em volta, analisando toda a bagunça que fizemos, em toda a tinta espalhada pelos jornais no chão, e até mesmo nos respingos nas paredes, sem falar nas marcas de mão no vidro da janela.

Me assustei ao sentir os braços dele ao meu redor, havia me distraído demais com a nossa bagunça para reparar no momento em que ele se levantou.

- Vamos descer – sussurrou, me guiando até as escadas – Voltamos depois para pintar a parede – beijou minha nuca.

De fato voltamos no finalzinho da tarde, ele me ajudou a passar a tinta de lousa em duas paredes, e a branca nas demais, para que eu pudesse pintar o que quisesse depois.

À noite eu fiquei sozinho lá em cima, desenhando uma cerejeira como as da casa no lago, na parede da janela, fazendo as flores ficarem ao redor dela.

Suspirei ao terminar, com o olhar fixo no tom de laranja que cobria o céu lá fora, iluminando o cômodo inteiro.

Gosto dos fins de tarde, me faz sentir bem. Deixei o pincel dentro d’água, abraçando minhas pernas para continuar observando o céu. Penso em como é bonito, gostaria de conhecê-lo um dia, parece ser um lugar feliz.


Notas Finais


EU SEI que tinha um aviso para dar pra vocês, mas eu tenho uma memória ridícula de ruim e não me lembro kkk enfim, comentem, amo ler comentários, sigam os vhope no ig (thvvante) e (hobivvante) é isso, amo vcs e até qualquer dia
LAVEM AS MÃOS E NÃO SAÍAM DE CASA!!!!!!


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