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História Vazio - Capítulo 1


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Notas do Autor


Eu espero que essa historia não sirva de gatilho para ninguém. Mas se você tem depressão ou doenças parecidas leia por sua conta e risco, mas é melhor não.

Capítulo 1 - Capitulo único


Você está tocando piano. Um instrumento simples, com a cor preta. Suas teclas brancas já pareciam estar corroídas, e as pretas perdendo um pouco de sua camada brilhante, sinal de que já era usado a algum tempo. 

 

Você toca as peças de piano como já é normal e cotidiano. Seus dedos se movem rápido e naturalmente como um profissional. Não se lembra como ou onde aprendeu, só sabe que está ali, dentro de você, a sensação de saber o que fazer.

 

Você toca inspirando e ressoando os acordes da música por cada osso, a sentindo passar por seus dedos,  músculos e indo até o coração, fazendo com que suas batidas sigam na mesma velocidade. Mas faltava alguma coisa. Uma peça. A quadragésima terceira de sessenta peças para ser mais exato. 

 

O sentimento de que algo está incompleto aparece assim que a música é interrompida abruptamente no meio. Você olha para o espaço vazio e tenta se lembrar de como aquilo aconteceu, mas sua mente parece não colaborar, e mesmo a forçando, não se recorda de nada.

 

Seus olhos correm ao redor observando um quarto branco. Sem janelas, sem pintura, sem piso, sem luz, com apenas uma porta mal acabada. Não se lembra de ter chegado ali, nem de onde estava.

 

Sua mente parecia tão vazia. Aquele quarto parecia vazio.

 

Seus pés dão a volta no banco esculpido e vão em direção a porta. Não houve surpresa, aflição ou exasperação quando foi aberta. Era apenas um corredor branco com o que parecia ser um papel de parede, pois, estava com manchas em tons de cinza e bege. Ele nem mesmo chegava a estar em toda a parede.

 

O chão a mesma coisa. Parecia ter sido branco algum dia, mas agora estava desgastado, velho. Tudo ali parecia dar esse sentimento. Como se aquele lugar já não suportasse mais.

 

Uma porta tão mal acabada quanto o quarto levava para a parte de fora. Quase mecanicamente, seus olhos se fixam no chão a frente de seus pés. Você sabia que pessoas passavam por conseguir ver seus sapatos, mas a calçada de cimento cinza parecia lhe chamar tanta atenção.

Tentou se concentrar apenas em não esbarrar em ninguém e manter seus pés no mesmo ritmo, um na frente do outro. Tentava sempre não reparar nas coisas ao redor, não interagir, não fazer contato, não quebrar, não deixar cair, não...

Parou um pouco quando viu uma flor nascendo em meio a uma rachadura no asfalto. Não parecia uma flor normal. Ela era em tons que variam entre cinza e preto, fazendo com que seu peito se encha com a sensação de estranheza. 

Olhou em volta subindo o olhar para as pessoas. Elas pareciam normais em sua cabeça. Cinzas. Todas com roupas em tons de branco e cabelos arrumados. Seus rostos… seus rosto… não conseguia vê-los. 

A surpresa é estampada em você quando seu olhar passa a encarar todos a sua volta, mas eles lhe ignoram. Ou pelo menos, parecem estar lha ignorando. 

Você olha para os prédios e eles também estão da mesma cor que todo o resto. Mas havia outra cor? Sua mente não se lembra, você não se lembra. Você se culpa por não lembrar algo tão simples, mas logo tenta se tranquilizar. Se não lembra, é por que não existe, certo?

Um calafrio passar por sua coluna quando você continua andando, mesmo que tente falar que tudo está normal. Tudo está bem e em paz. Nada está errado.

Você para seus pés no chão quando se dá conta de uma coisa quando se dá conta de uma coisa tão crucial. Cade o som? As pessoas andam e seus passos são como se nenhuma tivesse peso nenhum. O último som que você escutou foi o de um piano tocando. O seu piano. 

“O mundo sempre fora tão vazio?”  ー Você se pergunta. E tudo que sua mente te responde é com o mesmo nada que ela sempre lhe oferece. Apenas névoa, apenas vazío, apenas branco.

Você sente como se tudo estivesse errado, mas não se lembra o porque. Então você corre. 

Seus pés não fazendo barulho, como os de todo mundo a seu redor. Seus pensamentos estão tão enevoados que parecem barulhentos. E é ali que você percebe que o mundo não está bem. Você não está bem.

 O mundo está branco e você nem lembra da cor. O mundo está silencioso e você nem lembra do som. Você não se lembra quem é, mas também não sabe se um dia já descobriu.

Seus pés cansam em algum momento. Seu corpo parece que está pesado, e sua mente mais ainda. Você se senta em frente a uma loja, que não sabe do que é, e nem precisa saber. Você olha para o outro lado da rua e percebe que sua aparência.

Você se levanta em desespero, seu peito se apertando, seus pulmões vibrando, sua cabeça girando. Seu corpo se vira e percebe que há um espelho na loja. Você toca em seu rosto, ou onde era pra ele estar. Sua pele já não tem cor, assim como o resto do vazio.

Você se vira novamente e percebe que as pessoas agora te encaram, mas você já cansou.

Suas pernas decidem se sentar, pois já não aguentam mais. Elas parecem não suportar o próprio peso, como se estivessem fracas.

Um garoto sem rosto lhe entrega uma coisa que você pega sem pensar direito. Era uma peça de piano. Antes era uma peça branca, mas agora parecia ser vermelha. Então aquilo é cor?

Você olha em volta e percebe que tudo é vermelho. As pessoas agora estão a sua volta, suas roupas antes brancas, agora estavam pretas, ainda vazias, mas agora de um jeito diferente. 

 E então você se toca. Tudo estava vazio. E você não se esqueceu de nada, só que tudo estava tão branco que nada parecia diferente, nada lhe chamava a atenção. E era isso que tornava as coisas tão dolorosas para você. 

Se lembrar de tudo, só faz com que seja pior.

 



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