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História Vegeta e Bulma: Até o dia raiar e as sombras fugirem - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Capítulo 7


Vejiita sentiu o ar fresco tocar suavemente no  seu rosto  enquanto voava pela madrugada . Concentrava-se apenas em sentir um ki de sayadin, mas não encontrava nada que se assemelhasse a isso. Ele cruzou os braços em pleno ar e girou sobre si mesmo, apertando os olhos por causa da luminosidade do sol nascente e olhou para o céu com um ar carrancudo.

"Faça alguma coisa, Nabiki. Qualquer coisa que me mostre onde você está."

* - Onde ela está? - perguntou,entrando impetuosamente na sala do seu pai. Parou em frente ao trono, recusando-se a fazer a reverência.

- Quer saber do seu animal de estimação, Vejiita?

- Hai . - respondeu ele orgulhosamente. Estava furioso com Asuka, a primeira coisa que ele iria fazer era bater nela até não poder mais pela sua desobediência.

- Foi morta  - respondeu ele. Vejiita levantou o rosto surpreso, se dignando a encarar o pai  e um arrepio envolveu seu corpo infantil, parecendo atravessar até seus ossos.

- Por quê? -  conseguiu perguntar calmamente, tão imóvel e indiferente quanto uma estátua; já tinha bastante prática em impedir que suas emoções viessem à tona.

- Eu mesmo a matei - informou-o o Rei  - Porque ela veio insolentemente até mim, sem permissão, querendo satisfações de onde estava seu irmão Nabiki.... eu o tirei do planeta um pouco antes da sua volta. Você tem permissão para voltar a treinar com Nappa.*

 

"Asuka e Nabiki eram irmãos!" - pensou Vejiita surpreso. Na época ele sequer tinha prestado atenção ao fato, mas agora ele adquiria uma nova importância. Era uma estranha coincidência...

 

* Um sorrisinho cínico acompanhou o ar cético.

 - Ela era útil para você. Onde ela está? Você não a matou de verdade.

- Ali - disse ele simplesmente, apontando para um corpo desengonçado do outro lado do salão. Vejiita caminhou até ela para segurar seu pulso direito e confirmar o que seu pai tinha afirmado. E se lembrou da primeira vez que tinha visto aquele rosto...

 

- Esta é Asuka. Pode não parecer grande coisa, mas tem algumas habilidades especiais.

O príncipe olhou-a de alto a baixo. Cabelos pretos e compridos, bastante arrepiados e um tanto rebeldes. Ela não era bonita de jeito nenhum; mas também não era feia. Mesmo que suas feições mostrassem que ela era uma criança mais velha, tendo doze ou treze anos, ela era mais baixa que Vejiita. Tinha um corpo pequeno e delgado, com grandes olhos cor de âmbar que estavam fechados enquanto ela repousava em uma cápsula criogênica. Em outra cápsula semelhante ao seu lado, estava outra criança exatamente igual a ela. Poderiam estar adormecidas ali a alguns dias ou alguns séculos.

- E quem é essa? - perguntou Vejiita, apontando para a Segunda.

- Essa é Asuka também. A primeira. Nós a clonamos e modificamos para melhorar algumas características que não nos agradavam.

Parou para olhar ambas com ar preocupado.

- O que estamos fazendo não agrada à Freeza, mas já que conquistamos planetas para ele em troca de poder e também de tecnologia, penso que temos todo o direito de usá-la.

- Para mim ela parece exatamente a mesma coisa - tão frágil que eu poderia quebrá-la em dois usando apenas uma mão.

- Bem. - respondeu o Rei, rindo. - Veja por você mesmo.

- Nani?! Está me dizendo que vai me dar ela para treinar? Dê-me alguém que valha a pena! Não tenho nada para aprender treinando com uma...

Ele se calou quando ouviu o som de dois pés tocando o chão. Asuka estava parada em frente ao seu pai, sacudindo a longa cauda como para desenferrujá-la e fazendo uma reverência propositalmente desajeitada.

- Então, Rei Vejiita - disse ela com uma voz infantil e maliciosa ao mesmo tempo - Não nos vemos faz um longo tempo, huh?

- Hai. - respondeu ele seriamente. Não lhe agradava o jeito dela nem um pouco. Recomeçou a falar, olhando para ela e depois para Vejiita. - Treine com ele. Mostre-lhe suas técnicas e talvez você possa ser útil para que ele melhore. E você Vejiita, aproveite seu novo animal de estimação. Não a mate logo, pois não lhe darei outro para se divertir tão cedo.*

 

 "Então a causa da morte dela veio cair mais de trinta anos depois exatamente nos fundos da minha casa...entre tantos outros planetas que tinha pra ir, não só veio parar na Terra, o que por si só já é extraordinário, como caiu exatamente onde eu estava! E agora simplesmente sumiu...qual é o único lugar deste mundo onde não é possível sentir o ki ?!"

 

Desligando-se por um instante das suas lembranças mais antigas, a resposta veio de imediato em sua mente - o Templo Sagrado.


                                                         *   *    *

 

Dendê e Picolo observavam, cautelosos, a luta entre Vejiita e um rapaz de aparência bem jovem; não devia passar dos dezoito anos, pensaram. Ele tinha saído da Sala do Tempo e Vejiita já o estava esperando; ambos tinham trocado algumas palavras antes de se elevarem e sumirem no ar, os braços e pernas  trocando socos e chutes tão rápido que o Kami-sama quase não podia vê-los. Estranhamente o outro tinha cauda, assim como Vejiita na primeira vez em que veio à Terra. Isso os levou a pensar o que ele estava fazendo no planeta e quem ele era, já que supostamente todos os sayadins estavam mortos. De qualquer forma eles não precisavam se preocupar em demasiado - era fácil prever quem iria ganhar aquela pequena luta. Sem se transformar em super sayadin, a vantagem de Vejiita já se fazia evidente – e assim mesmo ele se transformou, deixando o outro estático a sua frente.

"O super sayadin...A lenda..."

Picolo sorriu cheio de desaprovação, vendo o espanto absoluto nos olhos de Nabiki. O rosto de Vejiita não revelava emoção nenhuma, e seria uma máscara perfeita de total indiferença se um sorriso de orgulho não a traísse. E Picolo teve certeza de que Vejiita tinha feito aquilo somente para se divertir um pouco antes de matá-lo. E em vez de lutar ou ao menos se defender, Nabiki abaixou sua cabeça em um gesto passivo de submissão.

 - Desistiu? - murmurou Vejiita com indiferença, os lábios mal se movendo.

- Todos nós sabíamos que ia ser você - balbuciou Nabiki, e subitamente ocorreu à Vejiita que ele estava falando sobre a lenda que corria em seu planeta há muitos anos atras, quando ninguém ainda havia se transformado - Você não só é o príncipe, como também é o super sayadin... De que me adianta lutar? Seu pai já quis a minha morte um dia, e eu acabei encontrando-a mais uma vez.

"Seu pai já quis a minha morte um dia... E por causa dela, minha irmã morreu. Irmã!? Eu tenho alguma ...?"

- Nani ?! - exclamou Picolo, quando Vejiita  virou as costas para Nabiki e simplesmente foi embora .

"Se eu matá-lo agora, vai ser como se estivesse refazendo a mesma história."

 

 Nabiki se levantou calmamente, quase impassível, como se nada tivesse acontecido. Talvez ele não fosse tão forte quanto os sayadins atuais, e talvez tivesse mesmo muitos anos desfalcado em treinos e nunca pudesse chegar a ser um super-sayadin, mas ... Orgulho de pertencer a raça guerreira mais forte do universo, e lutar até a morte? Não.

Se lutasse agora, seria impossível ganhar. Uma estupidez.

Preciso ter um pouco de paciência...Mesmo Vejiita não esperou 15 anos para se vingar de Freeza?

 

- Nani ? Entendeu alguma coisa do que aconteceu, Picolo-san?
           - Quem consegue entender os sayadins? - respondeu o outro, dando de ombros.

- Será que devemos ressuscitar Goku? Ou pelo menos pedir um dia de estadia entre os vivos? Eu achei isto muito estranho, e além do mais o outro é um sayadin... Até onde eu sei, o único deles bom por natureza é Goku -san...

 - Acho que não é necessário - respondeu Picolo, do alto de seus 2 metros de altura. -  O poder do outro é ínfimo. É claro que sendo um sayadin ele pode desenvolvê-lo ao extremo se quiser, mas não acho que há motivos para preocupações. Por algum motivo ele obedece Vejiita, e é isso que nos importa.

"Obedecê-lo... até quando?"

- O que não me deixa nem um pouco mais tranqüilo, Picolo-san... - respondeu Dendê com um ar preocupado. Mesmo depois de muitos anos, como se esquecer que Vejiita havia destruído aldeias inteiras de Namekusei e matado sem piedade seus irmãos? Como podia confiar nele?

 

Nabiki aumentou seu ki ao máximo, esforçando por seguir Vejiita sem o perder de vista. Era uma tarefa quase impossível apesar de todo o esforço; não sabia sentir o ki ainda e dependia completamente da visão e do rastreador para não o perder. Ele já estava muito à sua frente e Nabiki tinha que apertar os olhos para poder enxergá-lo no ar. Então reparou a falta de um detalhe muito importante - a cauda.

- Nani ?! Vejiita, o que houve com a sua cauda? -  gritou lá de trás, forçando-o a parar para lhe responder.

- Foi cortada faz alguns anos.

- E você deixou que cortassem tua cauda?!

- Iie. - respondeu ele com a cara fechada - Perdi numa batalha.

- Honto? Uma batalha contra quem?

- É uma história muito longa, e não me agrada contar agora. - respondeu Vejiita simplesmente, dando-lhe as costas e  ameaçando voltar a voar. Nabiki indagou apressadamente:

- Reparei que teu filho também não a tem... O pirralho nasceu sem a marca dos sayadins?

- Ele a tinha, mas como o filho mais velho do Kakarotto trouxe muitos problemas quando era pequeno e se transformava em Oozaru, acharam melhor cortar a do Trunks assim que ele nasceu.

- Vejiita - disse Nabiki perplexo - Você privou seu filho da fonte de poder dele.

- ....Acha mesmo? - Vejiita lhe lançou um olhar de esguelha, sem virar o corpo para ele, e  voltou a voar antes que Nabiki pudesse dizer qualquer outra coisa.

- Kuso - resmungou Nabiki, aumentando o seu ki ao máximo de novo. - Então é por isso que eles se dão tão bem com os terráqueos... Quando um sayadin se transforma, mostra sua verdadeira personalidade... mesmo se tiver que viver entre eles, não vou deixar que me arranquem a cauda nunca!!

 

                                                   *     *    *

 

Bulma abriu os olhos e espreguiçou-se gostosamente, desligando o despertador que tocava sobre a mesa de cabeceira. Ela levantou-se e abriu as cortinas, observando o tempo ainda nublado e cinzento. Oito da manhã. Suspirou com preguiça e deixou cair a camisola no meio do quarto, correndo nua para o chuveiro.

Ela penteou os cabelos molhados, olhando-se no espelho e pensando que já estavam compridos o bastante para cortá-los.

Secou-os gentilmente com a ponta da toalha ,ao mesmo tempo em que seu reflexo no espelho esboçava um sorriso ao se lembrar da noite passada. Ainda podia sentir Vejiita, seu cheiro, sua pele, suas palavras murmuradas...ele tinha agido de uma maneira pouco comum com ela ontem.

 Escutou a porta ranger suavemente, e passos ressoando no chão. Ela se levantou para perguntar a Vejiita se tinha achado o outro sayadin, mas teve um sobressalto de susto e sentiu-se estremecer da cabeça aos pés quando viu quem era .

- Vejiita me mandou vir aqui e pedir desculpas. Então, Gomen nasai. - disse Nabiki facilmente. Bulma olhou para ele e piscou espantada. Ela estava tão acostumada com a relutância de Vejiita em pedir desculpas que tinha achado que todos os sayadins eram como ele. Mas Nabiki pensava de uma maneira diferente do seu orgulhoso príncipe - para ele desculpas eram só palavras, e podia dizê-las tão facilmente quanto dizia insultos.

Ela balbuciou alguma coisa em resposta, tão espantada que nem relutou quando ele puxou sua mão e colocou nela um aparelho pequeno, completamente destruído.

- Poderia consertar para mim? - disse ele simplesmente, ainda a fitando.

- O quê...o quê era isso? - perguntou ela, revirando-o na palma da mão.

- Um rastreador.

- Eu acho que posso consertar - gaguejou ela, ansiosa por se ver livre da presença - Deixe-o comigo.

- Hai. - respondeu ele, e continuou parado na frente dela como se fosse uma estátua de mármore.

- Pode demorar um pouco, porque.... - ela percebeu que ainda estava gaguejando e respirou fundo para se acalmar  - Porque  parece estar bastante danificado... vou ter praticamente que reconstruí-lo.

As sobrancelhas escuras dele se juntaram.

- Demorar quanto?

- Acho que três dias, mais ou menos.

"A nave dele está aí. Se eu consertá-la, talvez ele vá embora . Bem, eu espero mesmo que ele vá!"

- Não acha melhor consertar também a nave? - disse ela cautelosamente - Ela também se danificou na queda, como você deve saber.

- Para quê ? ... Não tenho mais para onde voltar.

"Ah, Deus..."

- Hai . Nabiki, você faz ideia de como veio parar neste planeta? Você lembra se te falaram alguma coisa sobre ser mandado para Terra em missão?

 

- Baka - disse uma outra voz masculina, com seu habitual tom cínico e levemente malicioso. Só então Bulma percebeu que Vejiita também estava lá. Sentado silenciosamente ao lado da porta, os braços envolvendo as pernas e o rosto apoiado nos joelhos, observando-os como se eles fizessem parte da sua coleção particular de bichinhos de estimação. Exatamente como se ele estivesse num camarote e se divertisse observando as conversinhas, as vidinhas e o jeito agitado deles. - Não foi você mesma quem disse que não havia nenhuma rota gravada na memória da nave? Então, é obvio que ele não estava cumprindo missão nenhuma.

- É claro que havia uma rota - protestou Nabiki - Eu fui mandado para o planeta Riuray.

- Não conheço esse nome. - Vejiita o encarou com um olhar descrente - E se você foi mandado para lá, o que está fazendo aqui parado na minha frente? E porque sua nave estava programada para conservar seu corpo por séculos, se era apenas uma rota de conquista ?

Os lábios de Nabiki tremeram, mas nenhum som saiu deles. As mãos dele apertaram levemente as têmporas, um gesto aflito e um pouco desconcertado. Realmente não fazia sentido o que ele acabara de dizer, e mesmo um segundo depois lhe parecia ter sido outra pessoa falando por ele, já que não se lembrava de absolutamente nada. Só tinha uma certeza - precisava desesperadamente relembrar aquilo que tinha esquecido... se é que havia mesmo alguma coisa para lembrar.

 

 


 


Notas Finais


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