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História Vegeta e Bulma: Um lugar para voltar - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo único


Não sabia para onde ir. Seria tão fácil ficar ali por toda a eternidade, o vento batendo-lhe levemente no rosto, como se nada tivesse acontecido. A paz lhe parecia estranha.

Quando achava-se sem saber para onde ir, invariavelmente seguia em frente. Sempre achou que o universo era muito pequeno, cabia dentro de cada um. Por isto não há não há chegada sem partida , não há  lugar, não há pouso. Fez uma escolha, não tinha medo de ficar só. Sua morada era ele mesmo, seu inferno e sua paz.

Corria ele ao encalço de alguma coisa masculina, algum sonho e algum ideal de poder e de lutas profundamente arraigados nele, junto com seu orgulho. Poder, força e vingança. Viver e morrer. Esquecer, nunca.

Agora, porém, uma pergunta se repetia na sua cabeça, e não sabia direito o que responder a si mesmo. Terminada a luta contra Freeza, deixara-se estar ali. Estava vivo e sozinho. Sobrevivera, como sempre tinha sobrevivivo. Mas...

Para que lugar do universo iria dali por diante? Os olhos grudados no céu, ou em qualquer lugar, e não havia resposta. Alguma coisa havia mudado dentro dele. Seu instinto não lhe queria dizer para onde ir daquela vez.

Nunca soube o que era voltar - para onde, para quem. E nunca antes hesitara em seguir em frente. Aquele era o único jeito de viver que conhecia, e gostava que fosse dessa maneira.

Porém, naquele momento não sabia o que fazer. Achou-se ali, sem saber como, e tampouco sem qualquer surpresa,  olhando aquela vista já familiar. O telhado da Corporação Cápsula.

Podia ouvir a respiração rápida dela do quarto abaixo dele, sentir-lhe a agitação: estava acordada. Olhou para o céu infinito. O que ambicionava ser não era um homem, nunca só um homem. Ansiava por algo maior, que transcendia o destino do homem comum, e, no entanto, ali estava ela, mostrando-o  que ele era - apenas um homem, como qualquer outro.

- Você. - disse ela, a metade do corpo para fora da janela. - Você. - repetiu.- Não esperava vê-lo por aqui...

- Não esperava estar aqui - respondeu,  erguendo os ombros, indiferente. Estendeu-lhe uma mão para o telhado, olhando-a com os olhos escuros.

Bulma segurou a mão enluvada que a puxou com firmeza para o telhado, ao seu lado, onde estava deitado.

Ela olhou para as luzes da cidade que se estendiam abaixo deles, e depois para aquele rosto cético, seco e maravilhosamente sarcástico.

Os olhos negros encontraram os olhos azuis, fundindo-se em uma escura e silenciosa comunhão que nunca foi expressa e que jamais  seria.

- Tenho certeza que estou errada, mas estou feliz por vê-lo novamente.

Vejiita afundou o rosto nos cabelos dela com desespero. Como ele, ela era capaz de dizer as coisas mais desagradáveis e agradáveis em uma só frase, e aquilo lhe dava um estranho contentamento.

- Eu gostaria de poder destrui-la. - murmurou, os lábios encostados no seu cabelo, aspirando profundamente o seu cheiro.

Os olhos azuis dela tornaram-se cinzentos, e ela riu um riso sem vontade.

- Eu sei disto.

- E você sabe o por quê?

Uma sensação estranha invadiu-a de furto, as batidas selvagens do seu coração martelando em suas têmporas. Acariciou-o com um prazer torturado, sem procurar lutar com a sensação que a engolfava como uma onda cataclísmica. Amava-o. Gostaria de consertar cada parte quebrada dentro dele, se pudesse, como fazia com seus experimentos.

Ele  encarou-a com um riso mudo, como se tivesse lido seus pensamentos.

- O que eu sou - disse com a voz cansada - Você não pode consertar.

Vejiita fechou os olhos. Não era um homem bom, jamais foi. E ela mergulhou na escuridão ao seu lado, e mergulhou às cegas, onde ninguém deveria levar a pessoa amada. Era ela quem sabia de tudo de bom e de ruim, é ela quem lhe pertence.

A despeito de sua natureza complexa e insondável, ele jamais enganava a si mesmo. Alguma coisa havia mudado dentro dele, sim -  finalmente compreendia que não podia deixá-la ir, agora que a tinha; fizera-a para si. No começo, era dela que ele fugia. Era isto o que ele achava. Tinha lutado obstinadamente contra ela, e ela contra ele  - e no entanto, era ela que ele queria, era ele que ela queria.

Havia um lugar para voltar, afinal.

Depois de tanto tempo...!

Sentiu as batidas do seu coração, por baixo do azul do uniforme velho e rasgado. E pela primeira vez em anos, sentiu-se hesitar de verdade também. Ele nunca havia esperado por isto, nunca havia buscado isto. Simplesmente... como o curso inevitável de um rio, sentimentos haviam mudado dentro dele. Algo confuso, que ainda não conseguia definir, e sequer decidir se gostava disto ou não.

Gostaria daquela mudança? De, pela primeira vez na vida, sentir que pertencia a algum lugar, de finalmente ter para onde voltar?

Um dia, talvez, encontrasse a resposta.

 


Notas Finais


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