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História Veja com o Coração - Capítulo 1


Escrita por: e projetoharuno


Notas do Autor


Oii, doçuras! Sim, sim, eu estou postando super em cima da hora do prazo, eu sei, me perdoem. Mas demorei para ter inspiração, e confesso, essa foi uma one bem difícil de se trabalhar, pois tive que pesquisar muuuitas coisas para retratar tudo certinho e ficar satisfeita, e também, quase 8000 e poucas palavras não se escreve tão rápido, né? kkskskss

Bom, esse é um shoujo escolar japonês e tem muitas referências a essa cultura, então o que eu achei que é necessário ser explicado eu coloquei um asterisco (*) e irei explicar nas notas finais, ok?
Mas, explicando aqui o contexto principal para quem não sabe: no japão, o Dia dos Namorados é conhecido por ser um dia de presentar com chocolate. As mulheres dão chocolate a seus amigos, familiares, colegas, e principalmente aos seus amados.

A capa foi um presente que ganhei da @XxAfrodite, e olhem que coisa mais fofa AAAAAA 💕 muito obrigada, linda!
Quero agradecer também a @_Solak e a @HeyGreen por me ajudarem e me apoiarem a escrever essa one, afinal, eu estava bem nervosa de retratar algo incorretamente.

Enfim, espero que gostem da minha fic do tema mensal "Dia dos Namorados" do @projetoharuno 💖 Haviam subtemas a serem escolhidos também, e eu tentei incluir dois: presente inesperado e primeiro Dia dos Namorados.
Boa leitura, xuxus!

Capítulo 1 - Capítulo Único: Honmei Choco


Fanfic / Fanfiction Veja com o Coração - Capítulo 1 - Capítulo Único: Honmei Choco

O Dia de São Valentim estava próximo. Conversas como: “Com quem você pretende passar?”, “Para quem você dará chocolate?” e “Você vai se declarar para alguém esse ano?” eram comuns nos corredores de Konoha High School. Todas as garotas estavam ansiosas, compartilhando com as amigas seus planos de comemoração e que tipo de chocolate dariam às pessoas que gostavam. E com Haruno Sakura não era diferente.

A jovem de cabelos rosados estava com a mente vagando por possibilidades e anseios secretos enquanto ouvia — sem prestar atenção alguma — o bate-papo das amigas durante o almoço. Não que o assunto não lhe interessasse, ela gostava do Dia de São Valentim e sempre ficava empolgada pela entrega de presentes, mas era impossível se concentrar quando estava pensando justamente na pessoa para quem daria um chocolate, e isso sim era um pensamento de deixá-la inquieta.

— Testuda! — gritou sua melhor amiga, Yamanaka Ino, fazendo-a piscar os olhos algumas vezes até se situar onde estava. — Desgraçada, você não estava prestando atenção! — ralhou, com a expressão raivosa. Odiava ser ignorada!

— Estava, sim! — afirmou ela, balançando a cabeça com veemência. — Você estava falando sobre o… presente pro Sai… né? — disse aos poucos, terminando mais como uma pergunta. De fato, não era muito boa em mentir.

Ino levantou os hashis que segurava com força, ameaçando jogar arroz na amiga que rapidamente fez uma posição de defesa, arrancando risadas de Tenten que fazia sua refeição acompanhada das duas.

— Você estava era encarando aquela menina, de novo — disse, em tom divertido, a garota de cabelos castanhos com uma franja rente às sobrancelhas e olhos cor de chocolate, Mitsashi Tenten.

— Ah, Kami-sama, Sakura! De novo com isso? Você não desencana? — perguntou a loira, exasperada.

— Desencanar do quê, idiota? Para de falar besteira!

— De fazer aquela caladona se juntar a nós. Eu já disse que eu mesma tentei, e ela simplesmente não está a fim. Não adianta querer ajudar alguém à força! Se ela quer ficar sozinha, não tem o que podemos fazer. Fim.

— Ela só é tímida! — rebateu a Haruno, elevando minimamente o tom de voz. — E também, não é como se fosse sem motivo, né!

— Isso não tem nada a ver com ser grossa com quem tenta ajudar.

— Você não acha que isso é… um pouco duro demais? — perguntou Tenten, incerta.

— Não tem motivo para passar pano. Estou sendo sincera — replicou, dando de ombros com um leve olhar de desprezo.

— Ela não é grossa. Só que não é fácil. Você não tenta entender? — Sua voz estava consideravelmente mais dura. Realmente não queria brigar com sua amiga, mas detestava que ela falasse assim daquela pessoa.

— E por que é que você está tão interessada em entender, hein? O que eu entendo é que eu e várias outras pessoas tentamos ser gentis e foi a mesma coisa que fazer nada. E você é quem fica se iludindo pensando que ela vai te dar bola. — E terminado de dar sua opinião impaciente, voltou a comer seu almoço, com as sobrancelhas levemente arqueadas em um discreto — talvez não discreto assim — deboche.

Sakura pensou em responder, em bater o pé e afirmar que Ino estava errada, mas no lugar disso, respirou fundo. Não queria brigar com sua amiga, muito menos em lugar tão público assim, até porque brigar com Ino era pedir para chamar a atenção por seus típicos escândalos. No fundo, até entendia o porquê dela estar desse jeito: era a Yamanaka, afinal, odiava ser ignorada, subestimada ou menosprezada, e embora a rosada achasse, de verdade, que não ocorreu nenhuma dessas coisas com a loira, entendia que na cabeça daquela teimosa já significaria muito mais. Como se tivesse sido uma degradante rejeição — isso porque já era comum de sua parte ser uma pessoa exagerada.

Tenten observava, olhando de uma para outra, com a expressão de quem está tentando manter-se imparcial.

— Ai, não acho que você está se iludindo, Sakura. Na verdade, é bem legal de sua parte não desistir de tentar se aproximar. Mas, realmente, não tem como ajudar quem não quer ser ajudado. Mas espero que futuramente ela dê uma chance a ter amigos por aqui — comentou a morena, sensata como de costume.

A fala da Mitsashi ajudou a rosada a se acalmar e até mesmo deu uma sensação de alívio ao saber que pelo menos ela não considerava sua persistência como uma ilusão. Soltou um suspiro ao olhar novamente para a pessoa que era assunto de tal conversa.

Em uma mesa distante de si no grande refeitório da escola, sentada sozinha, fazendo sua refeição serenamente com a expressão de indiferença, estava Hyuuga Hinata. A moça de longuíssimos cabelos preto azulados estava vestida com o uniforme padrão: estilo marinheiro, camisa branca com uma capinha azul marinho, saia da mesma cor, um charmoso laço vermelho no pescoço e um par de sapatos lustrosos. Diferentemente das populares meias ¾ das alunas, uma grossa meia-calça preta e totalmente escura cobria suas pernas por completo. Com o rosto impecavelmente parado no lugar enquanto apenas sua mão levava a comida até a boca, ela comia graciosamente com bastante etiqueta. A única coisa que poderia se destoar um pouco da composição consideravelmente chique — além da incomum solidão na mesa — era seu olhar vago, porque, na verdade, a garota conhecida por vir de uma família muito rica e nobre era cega.

Hinata foi a primeira estudante deficiente visual de Konoha High School. Quando ela chegou, no mesmo instante rodou um enorme balburdio na escola. O diretor estava tremendamente surpreso pelo Sr. Hiashi Hyuuga decidir, de repente, matricular sua filha em uma escola “normal”, quando até então ela havia estudado em uma especial para pessoas com limitações físicas. Mas a justificativa de Hiashi era compreensível: aquela era a escola com o melhor Ensino Médio do Japão, e ele, sendo chefe de uma família de muito renome, não queria nada menos que a melhor educação para a filha, embora essa decisão tenha rendido algumas dificuldades para todos.

A escola não estava preparada para esse tipo de acessibilidade e os professores não estavam acostumados a darem aulas com mais foco em recursos não-visuais, mas quem disse que o dinheiro não poderia resolver esses problemas? O generoso patrocínio foi mais do que bem-vindo pela equipe para reformar a escola, e logo, já havia jeito da garota Hyuuga participar das aulas, com direito à uma máquina de escrever em braile, piso tátil e professores orientados a darem aulas adaptadas, para assim melhor guiar a garota. Serviu, também, como motivação para outros alunos especiais passassem a estudar na tão bem falada instituição de ensino, embora ainda fossem bem poucos.

Mas o que o dinheiro de Hiashi não conseguiu comprar foi a aceitação dos alunos. Esse sim era o verdadeiro desafio. Ali, todos os estudantes eram tremendamente ambiciosos, almejando a vida de elite dos profissionais renomados; e uma pessoa fora dos padrões, que precisava de tanta adaptação e era vista como “fraca” ou “vergonhosa”, dificilmente era levada a sério. Infelizmente, não era surpresa alguma que houvessem tantos cochichos maldosos e debochados quando ela passava, embora fossem poucos os que ousassem zombar explicitamente, afinal, quem iria querer comprar briga com aquela famosa família de grande influência na cidade?

Contudo, não era como se todos fossem monstros insensíveis, e claro que já houveram pessoas que tentaram se aproximar da garota. Entretanto, era inegável que Hinata não colaborava com tais tentativas: não engajava em conversa alguma, dava sempre respostas friamente curtas e sempre se esquivava quando tentavam lhe puxar para algum grupo. Tornar-se amigo da Hyuuga parecia ser, sinceramente, uma tarefa impossível. E depois de várias tentativas frustradas dos interessados na enigmática garota, que aparentava verdadeiramente querer ficar sozinha, todos desistiram; exceto Sakura.

Aos olhos da Haruno, Hinata era uma pessoa incrível e uma verdadeira inspiração. Ela estudava no meio de tanta gente arrogante e competitiva, e ainda assim conseguia brilhar de um jeito único, e ao mesmo tempo discreta. Era indiscutivelmente inteligente, e mesmo que parecesse ter uma óbvia desvantagem nos estudos, fazia todos os deveres mais que perfeitamente e acompanhava toda a aula com aparente tranquilidade. Claro que não devia ser fácil, Sakura imaginava o tanto de dificuldades que ela devia ter enfrentado até se acostumar para conseguir fazer tudo tão bem, e também nos inevitáveis obstáculos que ela continuaria enfrentando pelo resto da vida; afinal, é uma deficiência física muitíssimo complicada por toda a adaptação que se precisa para viver e até mesmo por todos os perigos que poderia correr em coisas tão comuns, como andar pelas ruas e principalmente o perigo ao atravessá-las.

Desde que a Hyuuga chegou na escola, Sakura a achou a garota mais linda que havia visto. Seus traços pareciam de uma princesa, seus movimentos eram tão graciosos e ela sempre se portava com muitíssima educação. Não contribuía com tentativas de aproximação, verdade, mas nunca havia realmente desrespeitado alguém ou dado uma resposta propositalmente grossa. Ela apenas… ficava na dela, sem incomodar ninguém e nem aparentar estar incomodada com a zombaria que frequentemente era vítima. Hinata era incrível, forte e belíssima, e Sakura não poderia estar mais encantada com isso.

Estava determinada a se aproximar da garota, mesmo que não fosse uma tarefa fácil. Estava certa de que havia algum motivo para ela se comportar reclusa daquele jeito. Só precisava de alguma justificativa para buscar um primeiro contato…

E, como uma luz, lembrou-se: segundo alguns boatos admirados e bastante falados pela escola, Hinata sabia cozinhar. Provavelmente vindo da boca de seu primo que estudou lá até ano passado, Neji Hyuuga. Era algo que todos ficavam chocados ao ouvir, e muita gente nem mesmo acreditava. “Uma cega cozinhando?”, perguntavam, incrédulos. Ninguém tinha provas, pois a Hyuuga, sendo sempre tão calada, não falava sobre isso, e claro que não insistiam um assunto com uma pessoa tão fechada.

Mas a Haruno acreditava que isso podia muito bem ser verdade, sendo Hinata incrível como era. Até porque já havia ouvido falar de cozinheiros cegos. Obviamente seria bem mais complicado, mas não algo impossível.

De repente, conectou as coisas: Hinata supostamente era boa na culinária, o Dia de São Valentim estava chegando, e ela própria era era horrível em cozinhar qualquer coisa. E assim surgiu uma ideia inesperada, talvez até um pouco estranha — e se pedisse para a morena lhe ajudar na tarefa de fazer algo de chocolate para dar de presente?

Geralmente, ela comprava chocolates já feitos e com a certeza de serem de marcas gostosas para dar de presente, já que em todas as vezes que tentou fazer ela mesma, saiu uma tragédia completa. Se era falta de treinamento ou se a garota simplesmente não havia nascido para isso, Sakura não tinha certa, mas preferia não insistir.

Se ela conseguisse fazer com que a Hyuuga lhe ajudasse, com certeza conseguiria se aproximar dela!

Talvez fosse um plano levemente maluco — sentiu-se boba ao pensar que seria algo típico que um certo amigo loiro muito infantil iria sugerir —, mas estava determinada a fazê-lo funcionar.

 

***

 

Decidiu que a melhor hora para conversar com Hinata seria ao final da aula, quando todos já tivessem recolhido seus pertences e se retirado da sala. Preferia que tivesse privacidade, não estava a fim de levantar fofocas sobre isso nem que a morena voltasse a ser o foco de conversa.

E assim, quando o sinal bateu, Sakura já estava se sentindo nervosa com o pedido, com uma rápida dúvida interior: será que era uma boa ideia? E se ela recusasse?

“Não, shannaro!”, seu lado destemido gritou interiormente. Ela tinha que pelo menos tentar, Sakura Haruno não desistia das coisas e sempre provaria ter coragem!

Ansiosa e tentando enrolar ao máximo para recolher seu material, observava a morena atentamente com a visão periférica.

— Sakura? Você não vem? — chamou Tenten, olhando-a curiosa.

— Ah! Eu já vou, só quero resolver um negócio antes — avisou, dando um sorriso sem graça e torcendo para que ela não perguntasse sobre o assunto. E por sorte, a Mitsashi entendia de sutilezas e sempre respeitava isso, logo tratando de arrastar Ino para fora da sala sem deixá-la abrir a boca além da conta, coisa que era típico dela.

Sentindo estranhas reviravoltas no estômago, respirou fundo e foi até a Hyuuga, ainda incerta de como começar. Ela não a veria chegando, claro, mas será que ouviu seus passos ao se aproximar? Achou melhor se anunciar, mesmo que nervosa.

— Oi, Hinata-san! — cumprimentou talvez um pouco alto demais e praguejando mentalmente por isso no mesmo instante. Sabia que cego não é surdo e que não devia gritar, mas estava estranhamente nervosa.

Pôde identificar surpresa na expressão da Hyuuga, mesmo que seus olhos não estivessem focados em si — por simplesmente não focarem em coisa alguma.

— Ah, olá, Sakura-san — devolveu o cumprimento com uma voz suave e cordialmente educada. A Haruno achou uma graça de se ouvir; ela tinha uma voz bonita, serena e doce.

Respirou aliviada ao ver que a moça a tinha reconhecido pela voz, mesmo que elas nunca tivessem propriamente conversado. Até então, haviam trocado apenas alguns “olá”, “tudo bem?” vindos principalmente pela parte de Sakura.

— Então… — começou, já se se sentindo tímida, porém se esforçando para soar simpática. — Eu gostaria de te pedir um favor, Hinata-san.

Sakura viu a moça juntar rapidamente as sobrancelhas, meio confusa.

— Um favor, para mim? — perguntou, com muita surpresa.

— Sim! — respondeu um pouco animada demais, logo tratando de consertar: — Quero dizer, sim.

A rosada torcia para que a morena não a achasse estranha e doida, mas não podia evitar, se sentia ansiosa perto da moça.

— Pode ir comigo pra eu te explicar o que é?

— Hm, claro — respondeu, ainda parecendo levemente desconfiada, mas com expressão mais contida.

Hinata guardou apenas seus papéis de anotações na mochila, já que a máquina de escrever em braile foi um recurso oferecido pela própria escola, e como era somente a morena que usava, ficava sempre na mesma carteira.

— Vamos, Srta. Hyuuga? — chamou o professor de pele morena, cabelos pretos e barba, vestido com uma calça preta e uma camisa social para fora da calça, com as mangas dobradas até o cotovelo e calçando um par de sapatênis, dando um ar responsável, porém não muito formal.

Sarutobi Asuma era um professor consideravelmente tranquilo e descontraído, e sempre ajudava a Hyuuga a sair da sala sem esbarrar em nenhuma carteira — como todos os professores foram orientados a fazer.

Hinata, seguindo a direção da voz grossa do homem, tateou o ar cuidadosamente até achar o braço estendido dele, passando a segurá-lo discretamente. E assim, o professor levou pacientemente a morena para fora sala acompanhado de perto por Sakura, esta que sentiu bastante tentada a oferecer sua própria ajuda à Hyuuga, mas sabia que a escola já havia obrigatoriamente preparado tudo para ela. E também não queria parecer invasiva demais com alguém tão tímida, embora fosse difícil se segurar.

Já fora da sala, Asuma despediu-se das duas cordialmente e voltou para a recinto, onde ainda tinha coisas a organizar. Hinata, então, esticou a bengala que estava dobrada em sua mão, passando a se guiar pelo piso tátil do corredor, com uma Sakura observando atenta e ansiosa logo atrás.

— Você queria conversar comigo, Sakura-san? — perguntou ela, ao perceber o breve momento de silêncio.

— Ah! Sim! — respondeu, chacoalhando a cabeça para se concentrar e apressando o passo para acompanhar a outra. — Podemos nos sentar lá no pátio?

— Hm… ok.

Passado alguns corredores, logo já estavam no grande pátio muito limpo com inúmeros assentos confortáveis distribuídos. Konoha High School não era famosa apenas por seu ótimo ensino, mas também pelas muitas salas, laboratórios, quadras e enormes pátios. Os novatos sempre se perdiam nos primeiros dias devido ao enorme tamanho da escola.

Logo se aproximaram — com a Hyuuga guiando-se pelo piso com a bengala — de uma mesa redonda de madeira lustrosa e sentaram-se, mas não sem antes da morena tatear o móvel com as mãos. Sakura achava admirável e ao mesmo tempo triste todo o cuidado e calma com que ela agia para evitar acidentes, e sempre se saindo graciosa na tarefa.

— Bom… Eu sei que você não é de falar muito, mas eu queria saber se é verdade que você sabe cozinhar, Hinata-san. Mas não que eu esteja duvidando! Eu só quero ter certeza porque, bem, é pelo favor, sabe? E também acho que pode ser bom caso seja verdade, mas tudo se não for também, e…

Interrompeu a própria tagarelice ao ver a expressão completamente confusa da Hyuuga, como se tivesse um ponto de interrogação na cara. Droga! Estava tão nervosa que já falava pelos cotovelos sem nem ter chegado ao ponto principal, e afinal, por que estava assim tão nervosa?

— Desculpe — pediu, dando um sorriso sem graça em seguida. — Às vezes eu falo demais.

— Sem problemas — respondeu a outra, escondendo uma pequena risada. Era aparente que estava dividida entre estranhar tudo isso e achar a rosada maluca, ou se divertir com a aleatória conversa e o constrangimento meio fofo dela. — Mas, bom, se é o que quer saber, é verdade, sim. Sei que pode parecer estranho ou até impossível para muita gente, e não que eu seja uma cozinheira profissional, mas acho que aprendi bem a me virar. — Seu tom de voz era um pouco baixo, e Sakura encantou-se instantaneamente pelo seu jeito tímido e humilde, como se não quisesse contar vantagem alguma nem se gabar por confirmar tal boato.

— Que legal! — comentou, verdadeiramente animada. — Eu acho isso incrível, de verdade. E não acho que seja impossível, até já ouvi falar de uma ganhadora de um reality show de culinária que é deficiente visual também.*

— Sério? — perguntou a morena com a expressão admirada. A rosada sentiu uma súbita e esquisita vontade de apertar as bochechas levemente rosadas daquele rosto comumente pálido de feições finas e delicadas. Ela era tão adorável!

— Sim! Tenho certeza que você é ótima nisso, até porque você é ótima em tudo que te vejo fazer — comentou, arrependendo-se no mesmo instante e segurando a vontade de dar um tapa na própria boca. “Shannaro, não era para dar tanta bandeira!”

Nesse momento, ambas estavam coradas, e Sakura, dando uma risadinha sem graça para disfarçar, tratou logo de mudar de assunto:

— Enfim, o favor que quero te pedir tem a ver com isso. Eu gostaria que você me ajudasse a fazer algum doce de chocolate para o Dia de São Valentim.

Houve um breve momento de silêncio em que a Hyuuga parecia digerir o pedido, enquanto Sakura tentava a todo custo transparecer calma.

— Eu? — perguntou ela, quase que em choque. — Quer que eu te ajude a preparar um doce?

— Hã… — Um breve branco deu-se na cabeça da Haruno, que de repente começou a pensar se aquela ideia talvez tivesse sido idiota. — Bem, você é bem paciente e eu confio que é boa no que faz. Pelo menos, melhor do que eu, você com certeza é. Eu sou um desastre em cozinha, haha — justificou, tentando ser bem-humorada.

— Mas você tem amigas, Sakura-san. Já ouvi você conversando com a Yamanaka e a Mitsashi.

— Ah, é que… — parou por um instante, desesperadamente buscando por alguma desculpa. — É que é uma surpresa! E elas são meio intrometidas demais, sabe? Eu preferia que elas não soubessem ainda para eu entregar meu presente mais tranquilamente.

Hinata juntou levemente as sobrancelhas numa expressão de receio.

— Não sei, não… Não sei se isso vai dar certo. Não acha melhor pedir para outra pessoa? — A insegurança era clara na voz da Hyuuga, e Sakura podia entender isso. Para alguém que até então nunca havia trocado muitas palavras, pedir algo assim era algo muito inusitado; talvez ela pensasse que a rosada estivesse tramando alguma coisa, ou talvez estivesse apenas com receio de não conseguir ajudar muito. Mas a Haruno estava mais que disposta a tranquilizar a moça de cabelo azulado. Almejava, em seu íntimo, convencer Hinata de que ela era uma pessoa incrível que merecia muito mais reconhecimento e que devia dar uma chance às pessoas que estavam interessadas em conversar e amigar com ela.

— Não quero te obrigar ou te deixar desconfortável, Hinata-san. Mas eu tenho certeza que você poderia me ajudar muito e, bem, eu ficaria feliz demais se aceitasse. Por favor — pediu com a voz manhosa.

A Hyuuga pareceu ponderar por um momento, talvez indecisa, até por fim soltar um suspiro e dar um sorriso contido, porém gentil.

— Tudo bem, Sakura-san.

A rosada deu um sorriso de orelha a orelha, os olhos brilhando pelo primeiro passo de sua ideia meio louca incrivelmente ter dado certo. Mal podia esperar para conhecer mais a misteriosa garota que, por algum motivo, estava acelerando seu coração.

 

***

 

Depois de combinar melhor, as duas decidiram que iriam fazer o tal doce especial da data na casa da rosada, já que a família da Hyuuga talvez pudesse não ter uma reação tão boa. Não que isso tivesse sido dito explicitamente, mas ambas sabiam que teriam mais paz e privacidade se não estivessem dentre a grande família de Hinata e todos os empregados que trabalhavam lá.

Combinaram o dia e, com uma Sakura mega animada e uma Hinata tímida, porém aos poucos mais confortável, passaram em um mercado, após a aula, para comprarem os ingredientes. Se a garota fosse se confessar, não havia pensado no detalhe óbvio e crucial de qual seria a sobremesa que iria fazer, mas quando a morena lhe perguntou sobre isso, escolheu o mais gostoso que sua mente conseguiu pensar na pressa: um bolo de chocolate. Simples, talvez uma ideia meio óbvia e sem criatividade, mas de qualquer jeito seria ótimo. E Hinata gentil e prestativamente deu ideias de aprimoramento, como recheio, cobertura, frutas e decoração.

Sakura percebeu, então, que apesar de Hinata ditar o que precisava ser comprado, era a rosada que indiretamente a guiava até onde estavam os produtos. Imaginou o quão difícil seria para uma pessoa fazer compras sem ver, saber onde estavam as seções de cada coisa no mercado e o preço deles, e nem mesmo eram todos que tinham a informação em braile na embalagem. Ela não sabia se a Hyuuga costumava fazer compras pessoalmente ou se, por ser rica, tinha funcionários encarregados disso, mas ficou encabulada de perguntar; não haviam se tornado amigas ainda, afinal.

Logo, já haviam comprado todos os ingredientes para um bolo de chocolate recheado com creme de avelã, uma cobertura de chocolate meio-amargo e decoração de alguns morangos por cima. Estava claro no rosto de Sakura o quão empolgada ela estava com aquilo, mas nervosa também. Se fosse ser sincera, admitiria que seria algo mais típico de sua cara comprar uma mistura de bolo do mercado, daquelas que é só misturar ovos e leite e já pôr para assar, mas a ideia de uma receita chique e deliciosa como aquela já lhe dava água na boca.

Por uma tremenda sorte — seria bobo demais se Sakura pensasse que o universo estava a seu favor? —, a romântica data comemorativa havia caído num domingo. Combinaram, então, da Hyuuga ir bem cedinho na casa da Haruno aquele dia para fazerem tal bolo e a rosada supostamente entregar para quem queria fazer a dita surpresa. Para falar a verdade, Sakura nem sabia ao certo o que realmente faria com o bolo, se comeria sozinha, se compartilharia com suas amigas, ou então se…

Uma ideia havia acabado de surgir na cabeça da garota.

Chegado o dia, Hinata estava vestida com um sobretudo preto de botões, uma calça branca e uma touca preta, calçando botas da mesma cor — era inverno; já Sakura usava uma blusa moletom vinho por dentro da calça cintura-alta da cor azul marinho e um par de All Star vermelho. Não que a rosada não gostasse de se arrumar, mas o estilo dela era assim, mais despojado, diferente da moça de cabelo preto azulado que parecia gostar de coisas mais delicadas e elegantes.

Elas haviam se encontrado próximo à escola para assim Sakura guiá-la até sua casa. Se a Hyuuga havia inventado alguma desculpa para os pais para poder ir, ou se havia falado a verdade, a outra não sabia; apenas se alegrava internamente pelo fato de seus pais terem saído para comemorar a data e, portanto, não teria ninguém em sua casa. Mas não que ela se alegrasse por querer aprontar alguma coisa, apenas apreciava privacidade como qualquer pessoa e sabia o quanto sua mãe podia se meter em seus assuntos quando queria.

— Obrigada novamente por me ajudar, Hinata-san — agradeceu, sorrindo boba e com as faces rosadas ao entrar na casa acompanhada da morena. Era uma casa meio pequena, de paredes cor pêssego e chão de madeira clara. Mas era aconchegante e organizada.

Ficou em silêncio por um breve momento, parecendo pensar em algo, até dizer: — Posso chamar você de Hina-chan?

Talvez estivesse um pouco cedo, não sabia se a Hyuuga a considerava amiga ou que sequer tinham intimidade, mas sentiu necessidade de pedir isso. Deu-se conta do quanto queria essa proximidade, usar esse sufixo carinhoso e íntimo.

Hinata pareceu surpresa e tímida, sendo sua vez de corar, e Sakura receou por um momento que talvez estivesse forçando demais, mas a outra pareceu concordar, ainda com o fofo rubor nas bochechas.

— P-pode sim… E eu, bem, eu… posso… — perguntava entre pausas, parecendo ter dificuldade no que queria pedir — posso te chamar de, hm, S-saky-chan?

A Haruno, na mesma hora, sentiu aquela vontade de apertar alguma coisa com força, tamanho o seu encanto por achá-la fofa demais — como aquela sensação ao ver uma foto de um animalzinho muito adorável. Segurou-se para não soltar algum som esquisito ou gritinho por esse ataque de fofura.

— Claro que pode! — respondeu com o tom tão animado que temeu ter soado meio doida, mas não pôde segurar a empolgação. Estava dando certo! Estava tendo progresso na meta de se aproximar da Hyuuga!

— Bom, então, vamos começar? Talvez leve um tempo, e não quero que se atrase para dar seu presente. Creio que não será um giri choco*, visto que você quer fazer um doce caseiro*. Será um tomo*, family* ou honmei choco*?

— Hã… — parou um pouco, indecisa quanto ao que dizer. Podia realmente ser um tomo choco e dividir com suas amigas, ou até mesmo um family, e assim presentear seus amados pais, embora eles soubessem que a rosada estava longe de ser capaz de fazer um bolo complicado e delicioso como aquele que ela pretendia. Decidiu, então, pelo o que sua intuição, algo dentro de si, a dizia para escolher: — Honmei choco.

— Oh — comentou apenas, parecendo levemente surpresa. Seria impressão da Haruno, ou havia uma curiosidade disfarçada, bem lá no fundo? — Certo. Tenho certeza que o sortudo que ganhar esse presente ficará muito feliz, Sakura-s… hm, digo, Saky-chan — corrigiu-se, meio encabulada. Claramente ainda não se sentia cem por cento confortável com o apelido íntimo, embora parecesse estar se esforçando.

A rosada, por outro lado, perdeu-se no mundo da lua ao ouvir ela dizendo que o ganhador de seu presente seria um sortudo. Quer dizer, então, que seria uma sorte ganhar um presente seu? Era isso que Hinata pensava?

— Então, vamos começar? — perguntou gentilmente, fazendo a rosada voltar a realidade e empolgar-se na mesma hora.

A moça de cabelo preto azulado tirou seu sobretudo, deixando a mostra o pullover lilás que usava por baixo. Perguntou onde ficava o avental e Sakura logo foi buscá-lo em uma das gavetas. Já vestida com o avental, prendeu o cabelo com uma xuxinha que tirou do bolso e pediu para a recém-amiga levá-la à cozinha. O cômodo era praticamente composto por cores brancas, mas com o chão de madeira e detalhes de verde dos vários vasinhos com plantas e temperos nas prateleiras.

— Hina-chan? — chamou, curiosa sobre algo crucial para aquele momento mas meio incerta de como perguntar.

— Sim?

— Como você cozinha? Quero dizer, como você acha os ingredientes e não se machuca?

— Bom, obviamente eu não conseguiria totalmente sozinha, eu me atrapalharia muito e seria bem perigoso, então minha irmã e às vezes meu primo me ajudam, me dizendo onde estão as coisas ou dando os ingredientes na minha mão. Eles são muito gentis, mesmo que não gostem de cozinhar. — O carinho era palpável na voz da garota. Sakura entendeu o quanto essa ajuda significava para ela e seu coração se aqueceu com isso. Era extremamente adorável e inspirador.

— Ah, entendi, Hina-chan — disse, começando a se sentir mais à vontade chamando-a assim e gostando de como soava. — Eles parecem ser bem especiais para você.

— Sim, sim. Eu os amo. São minha família e não eu não seria capaz de fazer tanta coisa hoje se não fosse por eles.

Sakura começou a separar os ingredientes e todos os equipamentos necessários em cima da balcão, mas com uma irresistível vontade de continuar a conversar.

— E como você aprendeu a cozinhar? — perguntou, repreendendo-se mentalmente logo em seguida. “Shannaro! Não devia ser tão intrometida! E se ela se incomodasse?” — Ah, desculpa se eu estiver te incomodando com tantas perguntas. É que eu sou meio curiosa — justificou-se, dando um sorriso sem graça.

— Imagina, Saky-chan. Não tem problema. Eu aprendi a cozinhar com minha mãe, quando eu ainda era pequena. Ela era uma ótima cozinheira, fazia comidas de conquistar até as pessoas mais amargas, não tinha como resistir —  comentou, dando uma leve risada singela.

Hahah, que legal! Minha mãe é um pouco mais estressada, mas também faz umas coisas incríveis, de verdade. Ela até tentou me ensinar a cozinhar também, e várias vezes, só que nunca deu muito certo. Acho que não sirvo pra isso. — De repente se deu conta do quanto estava falando. Será que estava sendo uma tagarela? Não que pudesse evitar por muito tempo, de qualquer maneira. Ela adorava falar. — E sua mãe não te ajuda junto com sua irmã e seu primo?

Houve um breve momento de silêncio, Hinata passou a ter uma expressão aérea. Com a voz mais baixa, mas ainda assim num tom surpreendentemente gentil, disse:

— Minha mãe é falecida.

Sakura parou de repente, com a farinha de trigo na mão enquanto carregava em direção à mesa, chocada e com um enorme de sentimento de culpa a invadindo no mesmo instante. Deseja fortemente não ter feito tal pergunta, não queria que um clima triste se instalasse por sua culpa, nem ser insensível sem querer.

— Hinata, eu… eu sinto muito.

— Não sinta — respondeu tranquilamente, chacoalhando a cabeça enquanto um sorriso triste e saudoso desenhava-lhe os lábios. — Foi há muito tempo, quando eu ainda era criança também. Sendo sincera, eu não tenho exatamente muitas lembranças claras dela. O que mais me lembro é que ela sempre foi muito gentil e que fazia comidas divinas. Cozinhar me dá a sensação de estar próxima dela.

— Isso é lindo, Hina-chan — disse Sakura, com uma admiração sincera em suas palavras. Ainda sentia um triste pesar com a notícia, mas a Hyuuga parecia já ter superado e seguido em frente, mas claro, sem esquecer do amor que tinha. Era triste e ao mesmo tempo admirável. Não tinha mais dúvidas que ela era uma pessoa totalmente incrível.

— Bom, então, onde estão os ovos? — perguntou, sorrindo simpática e arregaçando as mangas de seu pullover.

 

***

 

E assim passaram algumas horas, com uma Hinata sempre com muitíssima calma em seus movimentos, e uma Sakura sempre prestativa alcançando o que ela precisava até sua mão e tentando ajudar no que podia — embora tentasse não se meter muito, pois sabia que tinha chances de estragar toda a receita com sua incrível inabilidade de cozinha. Acabou sendo até divertido, e a Haruno se sentia muito gratificada por já ter conseguido feito a Hyuuga se abrir, pois passaram a conversar mais livremente enquanto faziam a sobremesa. A conversa fluiu bem e a rosada achou até que talvez tivesse aprendido melhor como fazer um bolo, mas claro, apenas na teoria. E o resultado final não poderia ter sido mais encantadoramente lindo. Sakura podia ficar hipnotizada apenas encarando aquela lindeza que prometia estar saborosíssima, e com certeza estava mesmo.

Ambas estavam, nesse momento, sobre o sofá cor de creme na sala de estar, descansando após todo o trabalho.

— Gostou do resultado, Saky-chan? — perguntou a morena, parecendo levemente ansiosa. A Haruno compreendeu; claro, a garota não podia ver o quão lindo ficou o bolo, com a brilhante cobertura de chocolate meio-amargo e os charmosos morangos por cima, além de que o recheio parecia ótimo quando ela provou ao acompanhar o processo. Como todo bom cozinheiro, a cada passo foi provando a comida, desde a massa, o recheio, a cobertura, tudo. E deixou que a rosada provasse também. Se separados já estavam ótimos, juntos então, devia estar divino. E Sakura, mesmo que ainda não tivesse propriamente provado o bolo já feito, tinha certeza disso e faria questão de deixar claro para a Hyuuga o quanto ela era habilidosa.

— Claro que gostei! Eu só não como agora mesmo porque estragaria o presente do Dia de São Valentim, hahah! Mas por tudo que provei enquanto você preparava e pela aparência maravilhosa que ele está, nossa, não tenho nem dúvidas que tá delicioso. Você é incrível, Hina-chan — disse, com um verdadeiro sorriso de orelha a orelha e morrendo de amores ao ver as bochechas de Hinata ficarem rubras.

— I-imagina. Não foi grande coisa…

— Foi sim! Muitíssimo obrigada, de coração.

— Saky-chan, eu… posso perguntar para quem você dará seu honmei choco? — Ela parecia muito tímida com a pergunta, Sakura percebeu.

— Hã, é que, bem… — O que diria? Que ainda estava decidindo para quem daria, e que tudo isso foi apenas para se aproximar da Hyuuga? E que, ainda por cima, estava pensando em comer o bolo sozinha, de tão apetitoso que aparentava? — É que é uma surpresa. Mas prometo que depois eu conto.

— Oh… Entendo. Bem, pode dizer que foi você que fez sozinha, se quiser.

— Quê? Não! Claro que não, Hina-chan. Foi você que fez praticamente tudo, eu não teria sido capaz nem de quebrar os ovos sozinha. Você com certeza merece os créditos.

— Mas… iria impressionar a pessoa com quem você quer sair.

— Eu não me importo com isso. Quer dizer, claro que tem todo um carinho, né, mas não vou mentir para impressionar ninguém.

A expressão da Hyuuga iluminou-se, parecia admirada.

— S-saky-chan, posso pedir uma coisa? — perguntou Hinata, remexendo-se inquieta.

— Claro! O que você quiser. É algum jeito de eu te retribuir? Se for, então deixe-me te ajudar!

— Na verdade, não é bem isso… É que… — Hinata aparentava tomar coragem para pedir o que quer que fosse que estava sendo difícil assim. — Bem, eu p-posso sentir seu rosto? — pediu em voz baixa, surpreendendo a Haruno e ficando muito tímida no mesmo instante. — Q-quer dizer! Tatear seu rosto, sabe? Eu queria tentar imaginar suas feições. Mas tudo bem se você não quiser!

A surpresa de Sakura durou alguns segundos; não esperava aquele tipo de pedido, mas claro que aceitaria sem pensar duas vezes, embora isso a deixasse levemente tímida também. A ideia de alguém tateando seu rosto era algo diferente, mas se isso deixasse a Hyuuga feliz, então estava de acordo.

— Pode, sim — respondeu, tentando ser o mais gentil possível. Compreendia como isso devia ser importante para ela.

Sentiu o coração acelerar quando Hinata, muito lentamente, se aproximou, provavelmente guiada pelo som de sua voz, porém estancando no lugar quando ficou em frente a si. Julgou ser por timidez, afinal, realmente não é uma coisa tão fácil e certamente devia exigir um certo nível de intimidade que talvez ela não estivesse completamente certa que tinha. Decidiu, então, ajudar este processo, colocando delicadamente suas próprias mãos sobre as de Hinata, com calma para não assustá-la, e levou, então, até seu rosto. Sentiu as palmas macias pousarem sobre suas bochechas primeiro. Suas mãos estavam um pouco geladas, em contraste com o calor que sentia em sua face que com certeza devia estar corada. As mãos ficaram paradas por um momento, parecendo emoldurarem-se em seu rosto, para em seguida a morena passar seus dedos por toda a extensão daquela região.

Sakura fechou os olhos, sentiu o toque de sua pele indo até suas têmporas, seu cabelo, sua testa, suas sobrancelhas, seus olhos, seu nariz… até a sua boca, onde a moça tocou tão suavemente que a Haruno nem pôde evitar abrir os lábios minimamente. Por estarem tão próximas, sentia a respiração de Hinata bater em seu rosto.

Aproveitava cada sensação daquilo, continuando a manter seus olhos fechados. Não precisa ver neste momento, não, precisava sentir, exatamente como a Hyuuga sentia. E sentia o quanto toques leves podem soar profundos dentro de si, juntamente com o cheiro tão doce que perfumava o ambiente vindo do bolo que haviam feito e agradava demais ao seu olfato; a vibração do misto de sensações parecia percorrer por todo seu corpo e, por mais bobo que pudesse parecer, enviava imagens tão bonitas à sua mente. Seria isso, então, ver com o coração?

Entretanto, por mais aproveitado que estivesse sendo todo aquele momento, chegou ao fim quando Hinata quebrou o contato, passando a se afastar lentamente. Sakura abriu os olhos, constatando um largo sorriso na expressão da morena. Sentiu que aquele contato que teve foi tão especial que era como se estivesse feito um laço, uma conexão. Sentiu tantas sensações diferentes e profundas, mesmo que o ato em si parecesse simples. Estava certa de que a partir daquele momento havia uma intimidade ali, e isso encheu seu estômago com tantas borboletas que a desnorteou. Não entendia por completo porque estava sentindo tudo isso ou porque aquele ato significou tanto para si — e acreditava que tivesse significado o mesmo para a outra.

— Obrigada, Saky-chan, de coração — agradeceu, com um lindo e encantador sorriso. — Sabe, eu não nasci assim. Eu enxergava até os oito anos de idade.

— Sério? — perguntou, surpresa e tentando voltar a órbita depois tanta vibração interior. — E… o que aconteceu? — perguntou, incerta se devia ou não pedir detalhes daquele assunto que, pela sua lógica, seria algo sensível. Também estava admirada que Hinata foi quem decidiu falar sobre isso por iniciativa própria. “Ela estava se abrindo, finalmente!”

— Deslocamento de retina. — Suspirou. — É uma emergência que deve ser resolvida muito rapidamente para não ter consequências irreversíveis, mas eu não tive sorte. No começo foi difícil, muito difícil. Seria mentira se eu dissesse que não entrei em pânico nem achei que meu mundo acabou; e de fato, tudo mudou. Não tem como eu levar uma vida exatamente normal, quase tudo teve que ser adaptado. Mas eu ainda sou eu, no fim das contas. Eu consegui aprender como fazer as coisas de outra forma, da minha forma. Pelo menos, posso guiar meus pensamentos pelas minhas memórias. E poder tatear o rosto de alguém significa muito para mim, Saky-chan. Aliás, pelo o que eu pude sentir, tanto pelo seu exterior quanto seu interior, v-você é muito linda — confessou, juntando as mãos nervosamente.

Sakura arregalou os olhos, tamanha a surpresa e encanto de ter ouvido um elogio tão adorável com um tom tão sincero. Ela continuava surpreendendo-a com o quão lindo era seu coração, conquistando-a cada vez mais. Não que já não tivesse sido atraída, de certa forma, pela garota desde que ela chegou na escola, mas depois de conhecê-la mais profundamente — mesmo que não tivessem tanto tempo de contato —, já a cativou de um jeito tremendamente especial.

Contudo, ainda tinha uma dúvida, uma questão que basicamente foi o que a levou até ali, e já que a Hyuuga aparentava estar disposta a se abrir, decidiu que iria entrar no assunto.

— Hina-chan, eu não quero ser invasiva, mas… por que você não deixa ninguém se tornar seu amigo na escola?

— Oh… É-é que… — Outro suspiro. A Haruno já começava a refletir se havia sido boa ideia indagá-la sobre o assunto. Não queria forçá-la a falar. — Não é fácil. Com o passar dos anos, eu posso ter aprendido a lidar com minha própria condição, mas não é assim com todo mundo. Eu… eu já ouvi muita coisa ruim. Às vezes, parece que há gente que acha que sou surda também, ou vai ver eles não se importam se eu ouço tais coisas. E eu não quero que tentem ser meus amigos por pena. É… — parou, travando ao procurar a palavra certa e fazendo uma leve careta com isso — humilhante — completou, parecendo envergonhada com o fato.

A rosada sentiu o coração apertar com o pequeno desabafo. Passou a entender melhor o porquê de seu comportamento tão fechado: sem dúvidas, Hinata havia sofrido bullying, infelizmente. E era muito triste pensar que, na verdade, não era realmente surpreendente. Muitas vezes, as pessoas podiam ser cruéis, principalmente com gente fora do padrão. Na própria Konoha High School sabia que não seria tão fácil assim, em praticamente nenhum lugar é. Não quis fazer a moça falar mais sobre isso, nem precisava. Pelo contrário, sentia que precisava consolá-la e motivá-la a se abrir para outras pessoas também.

— Olha, eu não posso dizer que entendo completamente porque seria mentira. É óbvio que eu nunca vou sentir na pele todas as dificuldades pelas quais você passa. Mas eu imagino e sinto muito, de verdade. Não posso negar que há muito gente ruim, insensível e egocêntrica por aí, mas também há pessoas que querem apenas ajudar. Não que você precise acatar o que estou dizendo, mas se eu puder dar um conselho, é que você não se feche totalmente para o mundo. Eu te garanto que tem gente que quer se aproximar de ti puramente por te achar legal, gentil e incrível, assim como eu, confesso.

Hinata piscou os grandes olhos prateados, primeiramente surpresa, e logo com uma expressão de encanto tomando-lhe a face.

— J-jura? — perguntou, parecendo ainda estar tentando acreditar.

— Juro, sim — respondeu Sakura, sorrindo bobamente à toa.

Respirou fundo, então, ao se lembrar de um pequeno — grande — detalhe, enchendo-se de coragem para a ação que já havia decidido, por mais que uma parte de si dissesse que era loucura.

— Aliás, eu preciso de te dar uma coisa. Na verdade, é dizer, mas-mas dar também — embaralhou-se um pouco nas palavras, meio nervosa. — Só espera aí, por favor — disse, recebendo um suave porém curioso "OK" por parte da Hyuuga.

Levantou-se do sofá e foi em direção à cozinha, pegando o tão lindo e cheiroso bolo de dar água na boca com as mãos um pouco trêmulas. Nem acreditava que estava prestes a fazer isso, mas o que antes foi uma ideia talvez um pouco aleatória, passou a ser uma convicção dentro de si por tudo que já havia conhecido da garota de cabelo preto azulado.

— Estenda as mãos — pediu, e mesmo que Hinata parecesse estranhar um pouco a situação, fez o que foi pedido. E respirando fundo uma última vez, enchendo-se de determinação, pousou o embalagem em que estava o bolo nas delicadas mãos à sua frente.

— O que é isso? — perguntou ela, parecendo curiosa ao sentir o formato do que segurava.

— É meu honmei choco, Hina-chan. Sei que eu devia estar dando algo que eu mesma fiz, desculpe. Mas aí tem todo meu carinho e é para você.

A reação imediata de Hinata foi paralisar por completo com o queixo caído. Ficou assim por alguns segundos, até parecer juntar forças, aos poucos, para perguntar:

— V-você está falando sério? Isso n-não tem gra-graça!

— Sim, estou falando sério. Eu não brincadeira com algo assim, juro!

— M-mas… — A Hyuuga estava sem palavras, com um claro abalo dentro de si e a insegurança a impedindo de confiar tão rapidamente nas palavras da outra. — Você não devia dar isso a um… um garoto?

— Eu creio que devo dar isso a quem é especial para mim, que eu tenha muito carinho e um sentimento a mais — disse, demonstrando toda confiança que conseguiu juntar, determinada a não fugir de como se sentia. — Eu já disse como te acho incrível, Hina-chan. Não me arrependo dessa escolha, pois é de coração. Espero que possa me dar uma chance, de verdade.

Mais um tempo sem ninguém falar nada. Hinata claramente tentava digerir a notícia pela qual não esperava — com certeza foi um presente completamente inesperado —, e Sakura tentava controlar seu nervosismo como podia. Estava sendo cada vez mais desesperador os pensamentos de que seria rejeitada, que estragou tudo o que tinha construído entre elas e que fez uma loucura.

— Obrigada — disse a morena, despertando a rosada de seus pensamentos ansiosos. Viu a Hyuuga tatear à sua frente cuidadosamente com apenas uma mão até achar a mesinha de centro, pousando graciosamente o bolo sobre ela.  — Muito, muito obrigada, de todo meu coração! Eu só… eu só não sei como reagir ainda, mas, ah, você é uma pessoa tão incrível. M-mas… isso não é errado?

— Por que seria? OK, talvez seja meio cedo, mas… eu gosto muito de ti de verdade e esse presente é um pedido para tentarmos, para darmos uma chance. Só uma chance, Hinata. Por favor, aceite meus sentimentos! — pediu com sinceridade, não achando vergonha alguma de assumir isto. O que sentia era sincero e estava determinada a assumir com coragem. Sakura Haruno era assim, afinal.

A Hyuuga parou, refletindo sobre o que foi ouviu e digerindo, aos poucos, a declaração. E então, com o rosto muito vermelho e sem jeito, disse:

— Eu… posso te dar um presente também, Saky-chan?

— Claro! — respondeu, talvez rápido demais. Mas não podia evitar toda a ansiedade que sentia. Havia acabado de se declarar e nem havia entendido direito a resposta da outra ainda! Ela havia aceitado ou não?

— Por favor, feche os olhos.

Sakura, sentindo o coração palpitando rápido, fez o que lhe foi pedido. Então, sentiu tão levemente — como o toque de uma pluma — as mãos de Hinata tatearem-lhe até chegar em seu rosto, passeando com os dedos pela face brevemente até lhe segurar. Com os olhos fechados, sentiu a respiração da outra chegar cada vez mais perto, e com isso, seu coração acelerou ainda mais. Meio chocada, meio ansiosa, mal acreditava no que parecia prestes a acontecer. Porém, de repente todos os seus pensamentos ansiosos sumiram de sua mente quando sentiu um leve sopro sobre sua boca seguido de um toque de carne macia. Soube que eram os lábios da Hyuuga quando um leve movimento se fez presente. Tímido, porém tão doce que achou que sua alma vibrava e se aquecia.

A Haruno, sentindo-se fora de órbita, completamente desnorteada, se deu conta de onde estava quando infelizmente o contato foi quebrado. Hinata afastou seu rosto ligeiramente, meio encolhida e vermelha como um tomate — embora Sakura não pudesse julgar, não estava tão diferente.

— Isso… — a rosada começou, sem saber direito por onde começar a perguntar, tamanho o choque e a alegria que queria explodir dentro de si, mas precisava de uma confirmação antes para isto. — Isso foi um sim?

— D-desculpa! Não quis ser atirada, me perdoe! Eu só… eu não sei… não sei o que é isso, nem entendo direito. Só sei que… eu-eu queria tanto fazer i-isso — desculpou-se apressada e soando mais desesperada a cada palavra.

— Hina-chan, não precisa se desculpar porque você não fez nada de errado, e, bem, eu gostei — confessou também, esforçando-se ao máximo para não deixar seu lado tímido a impedir de ser sincera com a Hyuuga e tranquilizá-la a respeito de sua ação. — Então, isso é um sim? — perguntou novamente, dessa vez com um tom tremendamente animado.

Hinata suspirou fundo, e mesmo que mais calma por saber que a rosada não estava brava, ainda parecia muito tímida.

— Sim — respondeu finalmente.

Um largo sorriso, um dos maiores que já se lembrava de ter dado, desenhou os lábios de Sakura, esta que se sentia tão feliz, tão aliviada e tão realizada que já sentia até pequenos brotos de lágrimas aparecerem em seus olhos. E, com um grito de alegria e sem se importar mais em manter qualquer postura que fosse, jogou-se em cima de Hinata dando um grande abraço, rindo boba e emocionada.

 

***

 

— Você tem certeza que é uma boa ideia, Saky-chan? — perguntou a Hyuuga em um tom baixinho, parecendo muito insegura com o que a Haruno havia dito.

— Claro que tenho! É como eu disse antes: você não deve se fechar totalmente para o mundo porque houveram pessoas que foram babacas com você.

— Mas não sei, não. E se… e se eles só me aceitarem por pena?

— Confie em mim, Hina-chan. Se elas são minhas amigas, é porque são legais. Eu não teria amizade com gente maldosa, isso eu garanto. Já até tentaram conversar com você antes porque te acharam legal e garanto que ficarão felizes se você finalmente der uma chance.

Ambas estavam na escola, era o horário de almoço e Sakura não havia ido junto com suas amigas. Pretendia chegar na roda junto com a morena, e não iria desistir até fazê-la se abrir para outras pessoas também. Sabia que não era algo tão fácil diante de tudo que ela já havia vivido, mas sentia que cada vez mais Hinata deixava de querer estar tão reclusa do mundo. Precisava dar esse passo, precisava dar chance às outras pessoas.

— Por favooooor — pediu manhosa, num meio-termo entre fazer graça e pedir com necessidade. — Por mim. — Apertou mais a mão da moça que segurava, procurando passar segurança.

A Hyuuga suspirou, dando um leve sorriso singelo.

— OK — concordou, fazendo a rosada dar um pulinho de felicidade e rir animada.

E puxando-a suavemente pela mão — embora Hinata estivesse usando sua bengala —, levou-a até Tenten e Ino, estas que já haviam começado o almoço.

Ao verem sua amiga se aproximando e se dando conta de quem a estava acompanhando, a loira e a morena fizeram cara de puro choque.

— Oi, gente! Olha só quem resolveu se juntar a nós — anunciou a Haruno quando chegou perto o suficiente.

— Não acredito — sussurrou a Yamanaka, com uma expressão estranha no rosto e mirando principalmente as mãos unidas de Hinata e Sakura.

— Uau — comentou Tenten, simplesmente. Passado alguns milésimos, pareceu perceber que não estava sendo exatamente educada, então logo uma expressão de encanto e gentileza tomou-lhe a face. — Seja bem-vinda, Hinata-san! Ficamos feliz que tenha decidido comer com a gente. Desculpe tudo isso, é que estamos bem surpresas. Se me permite perguntar, como essa doida de cabelo rosa conseguiu te convencer? — perguntou, divertida.

— Não foi fácil, admito. Mas nada que uma boa conversa com chocolates envolvidos não resolva, né, Hina-chan? — disse, com um sorriso brincalhão no rosto.

— B-bom… é verdade. Acho que um bom chocolate pode convencer qualquer um — entrou na brincadeira, ainda tímida, porém se sentindo mais tranquila com o contato da mão da Haruno que ainda estava entrelaçada na sua. E foi só falar de chocolate que ambas se lembraram do quão maravilhoso ficou o bolo que comeram juntas. Todos os sabores casaram entre si e fizeram as duas soltarem suspiros de tão delicioso.

Tenten e Ino, por suas vezes, entreolharam-se rapidamente ao não deixarem passar despercebido o apelido de “Hina-chan”, e Sakura soube que com certeza isso renderia questionamentos mais tarde. Mas estava tranquila interiormente, sabendo que estava mais do que bem com Hinata e era só isso que importava. E, num gesto de coragem para mostrar o quão segura e confortável estava com a situação, levantou sua mão que estava junto com a de Hinata, pousando um rápido e brincalhão selinho sobre as costas da mão.

A Hyuuga corou na mesma hora, sem reação diante da demonstração pública de carinho, embora tenha sido algo razoavelmente simples e divertido aos olhos da Haruno. O queixo de Tenten caiu, logo se transformando num largo sorriso e uma expressão de admiração. Já Ino também parecia chocada, porém continuou sem reação.

— Uau — disse a Mitsashi novamente, parecendo encantada e passando a rir junto com Sakura.

— Quem diria… — comentou a Yamanaka, desviando o olhar brevemente ao abaixar a cabeça. Porém, rapidamente voltou à sua costumeira expressão convencida e animada, embora essa positividade não alcançasse seus olhos. — Hah, já saiba que com certeza é bem-vinda aqui! Se consegue aturar essa testuda, vai conseguir nos aturar também — brincou.

Sakura apenas mostrou a língua para a loira, sem se importar com a provocação e sinceramente sem estar tão focada nas amigas, não naquele momento, pelo menos. Simplesmente estava radiante e realizada demais de tudo estar dando certo; de sua ideia que no começo pareceu ser meio doida ter funcionado, de ter se aproximado de quem lhe atraía e que se mostrou ser uma pessoa maravilhosa, do seu louco impulso de ter dado-lhe seu honmei choco e ter se declarado, e ainda ter conseguido fazer a incrível garota que lhe dava borboletas no estômago e acelerava seu coração ter se aberto para novas amizades.

Nunca que um Dia de São Valentim foi tão especial para Sakura, e ela esperava que fosse o primeiro de muitos ao lado de Hinata.


Notas Finais


*Christine Ha é a terceira ganhadora do Masterchef dos EUA, em 2012. Ela é uma pessoa real e é cega. Pesquisem, é inspirador.
*Doces caseiros tem mais valor sentimental nesse dia para os japoneses.
*Giri choco: chocolate obrigatório, normalmente entregue a chefes, colegas de trabalho, amigos e homens conhecidos.
*Tomo choco: dado a amigos.
*Family choco: dado a familiares.
*Honmei choco: chocolate do amor verdadeiro, comumente dado por mulheres a homens por quem estão apaixonadas. Se não estiverem namorando, serve como uma declaração.

Bom, e foi isso! One gigante, mesmo que no começo eu tenha achado que seria um plot pequeno, mas não consigo me segurar ksjkss
Viu algum erro? Pode me dizer ^^ Aceito críticas construtivas, desde que dadas com gentileza.

Eu também pesquisei muito para fazer essa fic, desde a cultura japonesa até a vida e as dificuldades de pessoas cegas. Mas se eu retratei algo incorretamente, por favor, me avisem.

Eu espero que tenham gostado, escrevi com muito carinho e dedicação 💖
Comentários sempre são recebidos com amor, ok?
Beijão, mores! 💘😘


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