História Vem ser o Robin do meu Batman - Capítulo 1


Escrita por: e Otpeotp

Postado
Categorias EXO
Personagens Kai, Sehun
Tags Heroes!au, Kaihun, Otpéotp, Sekai, Sekai!heroes, Sekaiéotp
Visualizações 327
Palavras 8.833
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Ficção, Lemon, Luta, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


a a a a aa a a eu tô muito nervosa, bicho!!
Primeiro de tudo: Tô muito feliz de ter participado de um projeto tão maravilhoso quanto o Otpéotp e, ainda por cima, com esse couplezão da poar que é Sekai <3 e outra que conheci um pessoal bem legal por ele e aaa, chega.
Muito obrigada ao pessoal do Venustype pela capa maravilhosa :3 (vão dar uma olhada no perfil deles q é hino)
E, gente, desculpa, mas não tá betado... então (muito provavelmente) vão ter vários errinhos ~ relevem, pls ~
Ah! Espero mesmooo que a pessoa que fez esse plot hinário goste de como eu desenvolvi ele *---* (nervouser aqui)

Senha: garotodosehun (pequêpê, eu amei tanto essa senha que fiz até piadinha com ela na fic, scr, te amo Milka!)

Capítulo 1 - Meu estorvo mais estimado


Kim Jongin estava cansado.

Poxa! O que estava acontecendo com o mundo esses dias?! Seriam os insetos radioativos e os cientistas malucos tão burros a ponto de só terem presas problemáticas?

A quantidade de vilões estava absurda e Kai — conhecido assim quando colocava a máscara — já não tinha tanta energia quanto há anos atrás.

Já estava há treze anos nesse árduo trabalho de combater o mal e, por mais que amasse o que fazia, estava naqueles períodos de reflexão sobre a própria vida e o futuro que a aguardava. E tal momento lhe fez ficar desesperado, afinal, quem não se desespera após esse tipo de reflexão?

Jongin já estava chegando na casa dos trinta e, como sua infância e adolescência fora passada em anos aprendendo a controlar sua super força e tentando não surtar com o medo de altura, quando saia voando por aí devido as emoções que não sabia controlar, tinha se desesperado ao saber que já estava na “idade para casar” e não tinha beijado mais de três pessoas.

Enquanto os adolescentes e crianças normais estavam brincando de ser super heróis, lendo suas HQ’s e jogando seus video-games, Jongin estava ali… usando seu uniforme colado e cheio de apetrechos — para que não fosse rasgado, destruído e ainda o protegesse contra os inúmeros poderes de inúmeros vilões — voando por aí e segurando ônibus escolares nas mãos para que eles não fossem jogados de cima de uma ponte, por mais um maluco psicopata de poderes especiais; sendo aplaudido e aclamado por todos pelo pseudônimo de Kai.

A capa esvoaçante em conjunto de uma pose no ar e os cabelos negros  levantado em um topete que, de tão bem feito que era, parecia nunca ficar desalinhado, davam a Kai um quê de superman e este era realmente parecido com o Kryptoniano; era gentil e odiava ser endeusado pelos cidadãos sul-coreanos, era um cara do povão e, por isso, gostava de manter sua identidade em segredo.

Não achava que por ter genes especiais herdados de ancestrais que caíram em algum tipo de lixo tóxico, devia estar em alguma outra classe social ou em altos patamares; era humilde e gostava de um cantinho só dele, sem muito barulho e sem chamar atenção.

Tanto que preferia mil vezes se esconder num uniforme preto e cinza e agir pelas madrugadas — talvez fosse uma mistura bonita de Batman e Superman — na surdina, mas como a maldade não tinha hora, não havia escolha a não ser sair pela manhã, aos olhos de todos, atrás de mais alguém que quisesse conquistar o mundo.

Estava cansado daquela rotina e perguntava-se todos os dias o porquê dos vilões se manterem firmes e fortes no planejamento de planos infalíveis para conquistar o mundo, sendo que eles sabiam que sempre haveria heróis para impedi-los.

Se Kai fosse um vilão já teria desistido; era daqueles que odiava perder e ter que fazer as coisas na segunda tentativa, tinha perdido as contas de quantas vezes quis desistir na escola de heróis quando não conseguia fazer as coisas direito. Odiava a si mesmo por tais atitudes, mas não fazia nada para mudar.

E talvez, só talvez, admirasse em segredo essa força de vontade dos vilões ao mesmo tempo que queria que elas não existissem.

Afinal, as coisas estavam bem difíceis para ele.

Kai não tinha invulnerabilidade, então, tirando seus poderes de super força e voo, ele era uma pessoa comum. E, por isso, estava saindo mais e mais machucado depois de lutar com vários vilões. Mesmo sendo treinado, era muito difícil sair ileso quando se está lutando sozinho contra várias pessoas ao mesmo tempo, sendo essas pessoas tão habilidosas como você. Porque, é, não se fazem vilões como antigamente; eles têm se tornado cada vez mais inteligentes com o passar do tempo.

Foi com esses pensamentos que Kai decidiu já estar mais do que na hora de encontrar um ajudante. Então, não pensou muito quando catou suas roupas de herói, vestiu, e foi voando até aquela loja de quadrinhos.

Era uma lojinha pequena e meio abandonada, o atendente era um ex-vilão muito amistoso, mas péssimo com vendas, tanto que a loja estava quase indo a falência. Contudo, isso não aconteceria realmente, a loja não poderia ir a falência e, muito menos, parar de existir quando ela era a chave de portal para uma outra dimensão.

A dimensão dos heróis.

Onde era possível adquirir os últimos artigos de malha contra piromaníacos, e capacetes “Não leia a minha mente, maldito telepata”; um lugar onde o dia trinta e um de outubro era festejado todos os dias, pois, na rua, só se via gente fantasiada; tanto que se juntasse todo mundo daria para fazer o maior baile de máscaras já visto.

Então...sim!, bem vindos à Comic Con Experience!

Hehe, brincadeiras a parte... , agora, sério; sejam bem-vindos à Imperium.

Um local de possibilidades para jovens super poderosos, que poderão aprender sobre seus poderes e a como controlá-los na escola Imperium High School, e, depois de treinados, serão designados pela Imperium Management, aos locais os quais deverão proteger com as próprias vidas, seja dentro de seu país de origem ou não. Afinal, para heróis, não existia nacionalidade, raça, sexo ou o que for, eram pessoas indefesas ali, e pessoas necessitavam de sua proteção.

A Imperium Management não servia só para designar heróis e tudo mais, ela também era a responsável por designar os ajudantes aos heróis que precisavam de ajuda. E era para lá que Kim Jongin estava indo.

Os ajudantes eram os estudantes na Imperium High School que precisavam cumprir um certo “estágio” para conseguirem a graduação, e tornarem-se os protetores do universo. Esse estágio era, basicamente, trabalhar em conjunto dos heróis veteranos por um tempo, para ganhos de conhecimento prático, disciplina e responsabilidade, e, depois, caso gostassem e quisessem, poderiam continuar como ajudantes.

Normalmente, a superintendência fazia vários testes de compatibilidade entre o herói e o ajudante antes de, finalmente, designar algum estudante para essa função. Digo normalmente, porque, vejam bem, a superintendência estava com alguns probleminhas internos os quais precisava se livrar.

E, por problemas internos eu falo sobre um garoto loiro de vinte e cinco anos que ainda não conseguiu se graduar por não ter completado nenhum estágio —simplesmente por não ter conseguido se manter em nenhum.

Já perderam as contas de quantos heróis haviam voltado com reclamações sobre o garoto e desistido de trabalhar com ele, isso quando não conseguiam nem terminar os próprios testes.

Oh Sehun precisava se formar, e, designar um estágio para que isso fosse possível para ele, era um dos trabalhos da Imperium Management.

— Mas e os testes? Não tem como eu simplesmente trabalhar junto de alguém sem saber quem é, minha vida e a de várias pessoas estará sendo confiada a essa pessoa; saber se eu posso confiar nesse alguém ou se conseguiremos fazer um bom trabalho em equipe, não é algo que possa ser ignorado antes de irmos enfrentar algum controlador de elementos por aí. — Kai disse indignado para o superior com expressões de gato persa — do tipo, eu odeio a minha vida e tudo o que estou fazendo.

— Comparando a ficha desse rapaz com a sua, concluímos que os dois não terão problemas ao trabalharem juntos. Vocês possuem a mesma nacionalidade, não terão barreiras linguísticas para atrapalhá-los, e esse rapaz é um pouco mais experiente que a maioria dos ajudantes, tenho certeza que o senhor, Kai, está com pressa para encontrar alguém rapidamente e não teria paciência para todo aquele processo de treinamento com os novatos. — O superior disse, de forma gentil e persuasiva para o moreno.

Kai pensou um pouquinho, acabando por se lembrar de como seus amigos heróis reclamavam, há um tempo atrás, sobre como era complicado e difícil trabalhar com ajudantes que não tinham experiência, piorando ainda mais quando estes não sabiam controlar os poderes direito. O tal garoto que falavam, era mais velho, tinha mais tempo de treinamento e já tinha trabalhado como ajudante antes; não parecia ser alguém que daria trabalho.

Então Kai foi lá e aceitou, dizia ele já estar velho demais para passar por todo aquele estresse que os treinamentos causavam.

Coitado do Jongin, mal sabia ele que Oh Sehun — ou Ghost, como havia sido apresentado a si, já que não podiam saber os nomes um do outro — lhe daria muito, muito trabalho.

 

 

(...)

 

 

Os superiores haviam dito à Kai que Ghost já estava ciente de que iriam trabalhar juntos, por isso não se importou muito quando resolveu ligar para o rapaz com a intenção de se encontrarem na Imperium coffee — Sabe aqueles lugares onde tudo dentro de sua região era batizado com o próprio nome? Então, Imperium era exatamente assim; uma criatividade que só. —, para tomarem um cafézinho e se conhecerem melhor.

Há quem diga que Oh Sehun tenha ficado super feliz com o convite, e que estava muito ansioso para conhecer sua mais nova fonte anti-tédio. E ele estava mesmo, era possível notar isso vendo o sorrisinho presunçoso nos lábios finos, enquanto esperava, pacientemente, o herói em uma das mesas do grande café.

Quando Kai chegou, não conseguiu encontrar o tal rapaz, eram muitas pessoas mascaradas ali, o que deixava mais difícil reconhecer alguém que só tinha visto por fotos. Entretanto, Sehun estava quase pulando da cadeira para conseguir olhar para a porta, cada vez que o sininho que avisava ter alguém entrando tocava, então não foi nada complicado notar quando o moreno chegou.

E a primeira impressão de Sehun foi: “Porra! Esse cara é bonito pra caralho!”; e, não tem nada de errado caras acharem outros caras bonitos, mas Sehun era homossexual e não escondia esse fato para ninguém, então, sim, surgiu um interesse momentâneo de leve ali. Digo momentâneo porque Kai era do tipinho que Sehun mais detestava e não, não era nada relacionado a aparência ou personalidade — afinal, nem tinha falado com o moreno ainda para saber como ele era —; Sehun detestava mesmo eram os heróis.

E não seria o diferencial de Kai ao escolher cores escuras para as vestes que caiam perfeitamente bem no corpo másculo e forte, ou a capa negra arrastando no chão de forma majestosa, muito menos os braços fortes a mostra; rá!, e definitivamente não seria a cor acobreada bonita pincelada em todo o corpo, ou o rosto de maxilar marcado e sério com a máscara negra cobrindo boa parte da área dos olhos amendoados e instigantes, os motivos a fazerem o Oh parar de detestá-lo.

Porque, sim, Sehun já o detestava, e faria de tudo para aquele heroizinho desistir de querer trabalhar consigo.

“Ah! Mas e a graduação?” Sehun não ligava, para ele, não era necessária graduação para salvar o mundo; faria tudo do jeito dele.

— Olá! Você deve ser o Kai, certo? — O Oh chegou pertinho do herói, para lhe chamar a atenção.

Kai virou-se para a direção do rapaz, meio confuso, acenando afirmativamente com a cabeça.

— Sou Ghost. — Disse Sehun, estendendo a mão para cumprimentar o herói.

O moreno tomou um belo de um susto quando ouviu aquilo, porque, nossa, o tal de Ghost que via em sua frente não tinha nada a ver com o rapaz da foto na ficha que o entregaram; tipo, nem a cor do cabelo, sabe? Na foto, Ghost estava de cabelos negros e uma faceta inocente, e o do rapaz ali na sua frente, os fios caiam sobre a máscara negra de um loiro quase branco e o sorrisinho que lhe dava, não tinha uma áurea nada inocente.

Kai reparou um pouquinho no rapaz, ele era diferente de todos os heróis e ajudantes que já tinha visto por Imperium; o macacão comprido que se ajustava naturalmente no corpo, era de um azul — que de tão escuro parecia preto, se visto de longe — com algumas partes em vinil, as mãos eram protegidas por luvas de mesma cor, o rosto era pálido, os lábios vermelhos,  nos olhos havia uma máscara daquele mesmo azul das roupas que se fixava sozinha ao encaixada na região — idêntica a de Kai — e, nas costas, o rapaz carregava um bastão de uma maneira tão escura que parecia negra.

Não pareciam roupas de herói, na verdade, elas se assemelhavam muito às roupas que anti-heróis utilizavam, mas, quem era Kai para julgar, não é mesmo?

O moreno sorriu e, depois de espantar a surpresa, apertou a mão estendida a si. O contato não durou muito tempo, pois Sehun o desfez rapidamente, passando a mão rapidamente nas vestes, quase como se estivesse com nojo daquilo, fazendo Kai ficar confuso por um momento.

Sehun levou Jongin para sentar até a mesa em que estava sentado tempos atrás e lhe perguntou se este queria comer ou beber alguma coisa.

— Um latte está bom. — Disse, em meio a um sorriso.

O Oh até estranhou, pois todos os heróis que havia encontrado ali para aquela mesma cena de “primeiro encontro entre ajudante e herói”, preferiram café preto. E, é, não pôde deixar de achar uma graça ao ver o pedido do moreno chegar e este parecer todo felizinho com o morceguinho de leite desenhado no café.

— Eu tenho uma pergunta a fazer… — O moreno começou.

Sehun quis revirar os olhos, sabia que iria começar toda aquela entrevista que os heróis faziam para ele; para ver se ele era capacitado e blábláblá, pois não queriam perder tempo treinando jovenzinhos; um bando de gente babaca e metida, achava ele.

— Faça. — Disse a contragosto.

— Você escolheu o nome Ghost pelas suas habilidades de ficar invisível e atravessar paredes? — Perguntou curioso.

Sehun tentou muito não ficar animado com aquilo, mas era meio inevitável, pois ninguém nunca perguntou a razão de ter escolhido esse nome e a achava tão legal.

— Sim! — Exclamou animado.

— Achei muito genial! — Comentou Kai, também animado. — Minhas habilidades de voar e ter super-força não me deixaram ter nomes muito criativos. — Disse triste.

E Sehun quis muito consolá-lo falando que “Kai” também era um nome legal, mas se lembrou que não deveria se apegar ao inimigo e desistiu.

— Você tem alguma fraqueza? — Perguntou o moreno.

Sehun achou estranha aquela pergunta, nunca a tinham feito para si; na verdade, tinha achado Kai todo estranho — e por estranho queria dizer diferente —, pois nunca tinha se encontrado com um herói como ele.

— Não sei. Por que pergunta? — Perguntou desconfiado.

— Porque é importante eu saber disso já que vamos trabalhar juntos, como vou te proteger sem saber sobre as coisas que te atormentam? — Kai disse, como se fosse bem óbvio. — Ah, eu também não sei minha fraqueza.

E era, não era? Herói e ajudante deveriam proteger um ao outro, certo? E Sehun também achava isso, mas a decepção de acontecimentos passados fizeram ele mudar de ideia e ver os heróis com os olhos que via hoje.

— Puff! Fala como se fosse realmente me proteger. — Zombou Sehun, revirando os olhos todo debochado.

— E por que eu não iria? — Kai perguntou, confuso.

— Porque você é um herói. — Disse, simplesmente.

— E o que isso tem a ver? Esse não é o trabalho dos heróis, proteger as pessoas?

— As pessoas, sim, não os ajudantes. Vocês não ligam para  essas pessoas que não conseguem voar, lançar lasers pelos olhos e, muito menos, segurar caminhões com uma mão; acham que só por não terem as habilidades de heróis famosos, elas estão abaixo de vocês ou que são obrigadas a se sacrificarem pelos seus rabos sujos só por serem meros ajudantes; sabendo que vocês nunca fariam o mesmo. — Sehun falou, esbanjando acidez na voz com argumentos guardados dentro de si a muito tempo. O ódio — não por Kai especialmente, mas sim por toda uma geração de super heróis —, se alastrando pelos poros e fazendo as mãos se fecharem em punho.

Kai olhou para Ghost embasbacado, não esperava por aquilo. Nunca pensaria aquilo de ajudantes, porque, poxa, se for por classificação de poderes, quem era ele perto de Sehun? Os poderes dele eram tão mais legais.

Sehun nem era um ajudante realmente, só estava em busca de experiência para se tornar um bom herói, então, por que tudo aquilo?

— A minha sorte é que eu consigo roubar os holofotes dos heróis no meio de uma luta, treinei muito para isso, sabe? Acredita que é por isso que até hoje eu não consegui nenhum parceiro fixo? Os heróis odeiam se sentir inferiores a alguém que era para ser seu pau-mandado, por isso eles vão correndo para a superintendência pedir por uma pessoa mais “volúvel”; a quem eles poderão manipular para fazerem o que quiserem.

Jongin sentiu uma culpa que nem era para ser sentida por si, mas também sentia-se irritado. Como Sehun podia generalizar todos daquele jeito? Machucava Kai receber aquelas palavras sem nem ter feito nada.

Irritado com tudo aquilo, o moreno quis machucar também.

— Tem certeza que é por esse motivo mesmo? Não acha que está sendo invejoso? — Zombou, com um sorriso convencido nos lábios.

Kai só não esperava que Sehun levaria aquilo para um lado extremamente pessoal e íntimo, irritando-se totalmente e partindo para cima dele, sem mais nem menos.

O moreno segurou os punhos do loiro que vieram em direção ao seu rosto, mas este tinha ficado invisível e lhe chutado as pernas, fazendo o moreno cair de joelhos no chão.

Irritadiço com todas aquelas pessoas no café olhando toda a confusão, Kai levantou possesso, segurou Sehun pelos cabelos com ira e o arrastou até o lado de fora.

E, quando o garoto fantasma finalmente tinha conseguido se soltar, Kai o segurou de volta e partiu em disparada, voando com Sehun até os arredores da Imperium High School; especificamente em uma campo de treinamento rodeado de árvores.

Ao pousar, largou Sehun, o empurrando para que ele caísse com força no chão.

— Não acha que está sendo infantil demais, não? Provocando briguinhas adolescentes quando já tem vinte e cinco anos nas costas? — Provocou Kai, com raiva por terem visto toda aquela ceninha dos dois; odiava chamar atenção.

— Ah! Você fala como se fosse o bonzão, não é mesmo? Vinte e nove anos nas costas e procurando um ajudante, é tão fraco assim que já quer se aposentar? — Sehun zombou, arrumando os cabelos com os dedos e gargalhando da face raivosa do moreno.

 

Eles sabiam a idade um do outro pelas fixas que estudaram com cautela; mesmo sem perceber que tinham feito isso.

— Se você é tão bom assim, Ghost, pode vir. Enfrente-me. — Chamou Kai, sem saber ao certo como a situação tinha ido parar tão longe.

E Sehun sorriu, tinha conseguido o que queria; puxou o bastão de madeira das costas e o rodou nas mãos, se preparando para atacar, ficando invisível e correndo em direção a Kai, ficando visível novamente só quando estava prestes a golpear as costelas dele com o bastão.

Mas Kai não era nada bobo, tinha visto as intenções do loiro e pegou o bastão com uma mão, usando sua super-força para jogar Sehun longe, junto com ele.

Contudo, Sehun tinha uma outra habilidade que tinha descoberto e desenvolvido a pouco tempo e esta era a de conseguir se teleportar em distâncias curtas. Então, se uma hora estava caindo, na outra estava fora da visão de Kai com sua invisibilidade, reaparecendo em sua frente segundos depois em uma outra tentativa de ataque.

Sehun era chato pra caramba, tipo aqueles personagens em jogos que você vai lutar contra e passa mais de horas só para conseguir arrancar um tantinho de HP, sabe? E Kai não tinha paciência, tipo, nenhuma mesmo. Então não foi nada estranho ver ele pegar Sehun pelo pescoço com força moderada e prensá-lo em um tronco de árvore próximo; às costas do loiro fazendo um baque surdo contra a madeira e a visão ficando embaçada pelo tanto de neve que a árvore deixou cair ao ser balançada. É, quando saíram, nem sabiam estar nevando, o frio não incomodava em nada com o calor da adrenalina alastrando pelos dois corpos.

Sehun fez uma careta chorosa por causa do aperto em sua garganta, que se intensificava cada vez mais. Contudo, aquilo não doía realmente, Kai não estava fazendo tanta força para tal, era somente desconfortável, mas, Sehun era bem esperto e não queria se deixar ser preso por aquele heroizinho, então passou a fazer uma ceninha quase morte, pois sabia que Kai era o típico herói coração mole e o deixaria ir se visse que estava o machucando.

E foi exatamente isso que aconteceu, Kai afrouxou o aperto preocupado e Sehun lhe deu um belo de um chute no meio da barriga.

O herói, como foi pego de surpresa, caiu de bunda no chão meio desnorteado, mas, ainda sim, foi rápido o suficiente para se levantar e tentar ir atrás de Sehun de novo. Pena que este já estava atrás de si, esperando que isso acontecesse, e tivesse pisado em sua capa impedindo o herói de correr, e voltar a cair de bunda no chão; uma cena um tanto quanto cômica e muito humilhante para Kai.

— Nada de capas. Nunca ouviu falar disso, Kai? — Sehun sorriu já contando vitória.

Kai segurou com força o pulso de Sehun, puxando-o para baixo, até Sehun cair em cima dele. E, é, não era como se o loiro não pudesse se teleportar para se soltar e acabar com aquilo naquele exato momento; o fato real e que Sehun nunca admitiria, é que ele mesmo quis se jogar em cima do corpo moreno, então só aproveitou a oportunidade.

— Eu não vou desistir de você. — Kai sussurrou, totalmente cansado de ficar horas e horas procurando Sehun pelo nada, levando mais e mais chutes, rasteiras e socos, enquanto também ia para cima revidar.

Ficaram ali se matando por tanto tempo que nem tinham notado.

Sehun bem que engoliu em seco, não esperando aquilo e sem entender nada.

— Do que você está falando?

— Vou fazer você mudar de ideia em relação aos heróis, bom, pelo menos em relação a mim. Não sei o que aconteceu para você ter essa concepção, mas, pelo jeito que falou, parece ser bem doloroso, contudo, acho extremamente errado você generalizar todo mundo só porque teve alguma experiência ruim no passado. — Kai disse, ainda respirando pesado e encarando Sehun bem de pertinho. A raiva e adrenalina se esvaindo e um friozinho fazendo-o estremecer de leve.

Sehun também tinha estremecido naquele momento, mas não foi por causa do frio.

— Uuuh, determinação… — Sehun zombou, com uma voz engraçada; só porque zombar era uma coisa que ele fazia bastante quando sentia-se nervoso. — Uma característica comum e louvável para heróis.

— Eu sou um herói, Ghost. — Kai disse, irritado.

— Não pareceu ser um antes, sabe… heróis costumam ser bem pacientes.

— O que eu disse sobre generalizações?

Sehun riu.

— Eu estava querendo saber uma coisa.... — Começou o loiro.

— O quê?

— Será que você é esquentadinho assim na cama também?

E Kai quase perdeu a vida ao se engasgar com a própria saliva, olhando totalmente perdido para o mais novo — agora sentado em seu colo — vendo como estavam próximos e, consequentemente, como estava próximo daquele sorrisinho pervertido surgindo nos lábios do outro.

O moreno não perdeu tempo ao empurrar o loiro para longe de si, tentando pensar no motivo dele ter dito aquilo.

— Essa vai ser a sua tática agora? Para me irritar e tentar me mandar ir embora? — Perguntou, exasperado.

— Você disse que não iria desistir. — Sehun disse, ainda sorrindo perverso. Tinha gostado da reação desconcertada de Kai.

— Não vou. — O moreno afirmou, determinado.

— Tudo bem… gosto da sua determinação, foi a primeira pessoa a tentar me fazer mudar de ideia, sugiro que façamos os testes de compatibilidade antes de tudo, se conseguir me fazer confiar em você até o final deles; eu considero mudar de ideia.

Kai assentiu, estava feliz pela chance que havia recebido, mostraria para Ghost que nem todos os heróis eram como ele achava ser.

— Antes de tudo, quero saber seu nome. — O loiro falou, levantando-se e batendo nas calças para limpar a neve branquinha presa em si.

— Não gosto de revelar minha identidade.

— Sinto em lhe dizer, mas esse é o primeiro passo para eu abrir minha mente para tentar confiar em você.

Kai bufou, odiava ter que revelar a identidade para outras pessoas de seu meio, sabia que, uma hora ou outra, uma merda aconteceria e o homem Jongin, feliz com sua namorada, seria encontrado, e chamado para resolver todos os podres.

De que servia uma identidade secreta então, não é mesmo?

— Kim Jongin. — Murmurou, a contra gosto.

Sehun sorriu, vendo que aquilo era difícil para o moreno, mas, mesmo assim, ele foi lá e se sacrificou. Jongin tinha uma determinação invejável e era firme em suas palavras.

— Sou Oh Sehun.

 

 

(...)

 

 

 

Se Kim Jongin achava que depois de encontrar um ajudante, ele arranjaria tempo para procurar o amor da sua vida, sinto uma peninha em dizer que ele estava muito enganado.

Seus dias se baseavam em estar nos campos de treinamento de Imperium fazendo os mais variados tipos de treinamento de confiança e tantos outros, junto de Oh Sehun.

Alguns treinamentos totalmente sem sentido e nem cabimento, sério, quando que amarrar uma cordinha juntando o tornozelo do Oh com o do Kim, e fazê-los andar por aí agarradinhos era para ser considerado algum teste de confiança?

Lógico que Jongin ficou sem graça; e é claro que Sehun adorou.

Afinal, o Oh tinha percebido que brincadeiras com segundas intenções deixavam o Kim extremamente sem graça e irritadinho, e era óbvio que ele estava fazendo aquilo para Jongin se irritar de vez e desistir daquela ideia maluca de fazê-lo mudar de ideia; era óbvio que não estava achando o moreno uma gracinha quando ficava desconcertado, puff.

— Você deve estar adorando ficar assim, todo coladinho a mim, não é mesmo, Jongin? — Sehun maliciou, segredando isso aos sussurros no ouvido do moreno enquanto tentavam atravessar obstáculos com os calcanhares amarrados.

Kai engoliu em seco, quase tropeçando e derrubando os dois.

— Já falei ‘pra você parar de falar essas coisas. — Resmungou. — Sabe que não é verdade.

E daí Sehun se distraiu ao rir de Jongin e tropeçou em uma pedrinha no meio do caminho deles, fazendo os dois quase irem ao chão, isso se não fosse por Kai agarrando a cintura do loiro e o puxando para bem pertinho de si, lógico, para impedi-lo de cair.

Sehun sorriu ladino, todo convencido e Jongin quis sair voando em disparada dali, o mais rápido possível, mas desistiu da ideia quando viu que, se fizesse isso, levaria o loiro junto.

— Eu já te falei que não sinto essas coisas por garotos, certo? Então para com isso. — Jongin ralhou, mas ainda não tinha soltado a cintura de Sehun.

Poxa, estavam a mais de uma semana treinando juntos e nada do loiro parar com aquelas brincadeiras, Jongin já havia deixado claro que não gostava e tudo mais, falou sobre sua sexualidade e até dos seus motivos para querer procurar um ajudante. E, claro que Sehun riu daquilo, porque, nossa, que motivo besta, né? Idade pra casar? What the fuck?

— Claro, claro. Então, me explica, porque estamos flutuando até agora mesmo? — O Oh riu com gosto de como Jongin ficou desesperado olhando para o chão, todo nervoso.

Jongin ficou tão eufórico que empurrou Sehun com força, esquecendo-se de que estavam amarrados, e os dois saíram voando pelo ar até caírem no chão.

O Oh, com os olhos fechados, esperando o chão duro bater em suas costas, ficou um tanto quanto surpreso quando seu rosto ficou de frente a algo mais macio do que o chão. Levantou a cabeça para saber o que tinha acontecido. Será que tinha se teleportado e se soltado das amarras? Se fosse o caso teriam que fazer o teste todo de novo e estava com zero paciência para isso.

Mas foi surpreendido ao ver o corpo de Jongin abaixo do seu, notando que o moreno devia ter se colocado abaixo de si para protegê-lo; o coração amolecendo um pouquinho com aquilo.

— Você é um idiota, Oh Sehun.

E Sehun não riu daquela vez, estava ocupado demais tentando entender os motivos de seu coração estar acelerado.

 

(...)

 

Certa vez, Kim Jongin estava tomando banho após suar muito com os treinamentos diários; depois de duas semanas com Oh Sehun que, apesar de não possuírem poderes que completavam um ao outro, estavam se saindo muito bem no quesito: “trabalho em equipe”, mesmo que brigassem ou provocassem um ao outro, no meio das mais variadas simulações computadorizadas contra vilões.

Estava lá, de boas, tentando espairecer a mente e esquecer de todas as situações em que Oh Sehun tirava o dia para provocá-lo; tentando ignorar a si mesmo e toda a confusão que aquelas duas semanas estavam trazendo para os seus sentimentos.

Porque, tipo assim, quando é que começou a reparar em como Oh Sehun ficava bonito sorrindo mesmo? Ou até mesmo, todo determinado e concentrado nas várias simulações de lutas que tinham por semana; quando é que começou a se concentrar mais no loiro do que nos vilões que vinham, com sangue nos olhos, enfrentá-lo?

Estava tudo uma porra, e Jongin não tinha mais certeza de nada, queria mesmo encontrar a garota da sua vida e casar com ela? Queria mesmo encontrar uma garota?

O único fato, cientificamente comprovado, o qual podemos ter total certeza em todo esse mar de confusão, é que Jongin nunca realmente quis mudar seus poderes antes, sempre esteve satisfeito com a super-força e a habilidade de voo, mas ultimamente estava desejando muito ter o poder de bloquear outros poderes, pois, assim, ficaria bem longe dos encantos de Oh Sehun.

Entretanto, Jongin sabia que nunca não poderia ter isso, então ele mesmo não podia evitar ter Sehun aparecendo ao seu lado enquanto estava deixando a água cair pelo corpo nu e tentando relaxar.

— Você é ainda mais bonito por baixo da máscara, sabia disso, Jongin? — Sehun disse, risonho pelo susto que Jongin levou ao se deparar com ele ali.

— C-Como você chegou aqui? — Perguntou embasbacado, tentando tapar o corpo com as mãos.

— Eu atravesso paredes, Kai. — O loiro riu, analisando o moreno de cima a baixo.

Kim Jongin era bonito demais.

— Não me diga que está aqui há muito tempo…

Sehun riu aproximando-se do moreno e vendo ele tentar se afastar indo para trás.

—  Há muito tempo, e por vários dias também. Seu rosto é extremamente lindo, sabia disso? — O Oh perguntou, fazendo carinho nas bochechas do Kim.

Jongin estremeceu.

— Só queria que soubesse disso. — O loiro disse sorrindo, tenro demais para alguém como ele e para estranheza de Jongin. — Desculpa ter te assustado. — Pediu e foi embora atravessando a parede do banheiro.

O Kim estava nervoso, o coração a mil, parecia que tinha visto um fantasma, e não, esses sentimentos não eram por ter sua identidade totalmente revelada.

 

 

(...)

 

 

A verdade é que Kim Jongin queria muito sumir depois daquela cena que ele e Sehun protagonizaram no banheiro; estava morrendo de vergonha, e toda vez que via o Oh queria poder ter a habilidade de ficar invisível como ele; não tinha conseguido nem brigar com ele, ou algo do tipo por causa disso.

Mas não podia ir contra a sua própria palavra; não podia abandonar o Oh só por estar envergonhado, qual é!, tinha quase trinta anos, podia superar aquilo de boas. Afinal, não era a primeira vez que alguém o tinha visto nu e o chamado de lindo. Aff!

Com esses pensamentos, Kim Jongin tinha decidido que iria ignorar aquele dia e fingir que ele nunca aconteceu; tudo para que pudesse se concentrar nos testes que estavam cada vez mais difíceis.

Tanto que, nesse exato momento, estava Kai, o super-herói, carregando seu ajudante pelos céus, calculando na mente toda a matemática que teria que fazer para jogar Sehun em cima de um metamorfo transformado em gorila.

— Pode me soltar, Jongin. — Sehun disse, confiante. 

— Toma cuidado, por favor. — Pediu, preocupado.

— Relaxa! É só uma simulação. — Respondeu tranquilo, caindo em queda livre bem em cima da cabeça do gorila.

Sehun segurou firmemente a corda que segurava em mãos e a amarrou com firmeza no pescoço do metamorfo, indo para o chão e se teleportando para lá e para cá, na tentativa de envolver todo o corpo do animal e finalizar com um super nó.

Vendo que estava tudo certo, ele gritou por Kai; o moreno só precisava dar um soco super-forte e tudo estaria terminado.

E foi exatamente isso que aconteceu, o baque surdo do gorila caindo desmaiado no chão era a prova disso.

Kai e Sehun estavam tão felizes que foram correndo um abraçar o outro, tinham passado tanto tempo lutando com aquele metamorfo que já estavam desgastados; sem energia nenhuma para nada.

— Conseguimos, Hun! — Kai pulou com o loiro, todo animado.

— Eu falei para você confiar em mim. — Disse, convencido.

— E eu confiei, como sempre confio, na verdade. — Jongin disse, meio tímido.

Sehun parou de rir, os dois ficando sérios de repente, um climão se instalando ali e uma tensão palpável — criada a tempos — sendo sentida de forma intensa; arrepiando toda a pele.

O Oh teria se aproximado mais, para fazer o que desejava a tempos, mas as coisas aconteceram rápido demais para ele prever.

Primeiro Kai arregalou os olhos para algo atrás de si, e, segundos depois, ele estava sendo rodeado pelos braços e capa do moreno, enquanto giravam e ouviam gritos de dor.

Os gritos de dor vinham de Kai, e o motivo era a serpente gigante que cravava as presas no ombro dele — o metamorfo tinha se transformado novamente e atacado os dois enquanto estavam distraídos.

Tinham quebrado a regra mais importante em uma luta.

“Nunca, nunca mesmo, perca o foco, mesmo se o inimigo já estiver no chão”

Sehun gritou horrorizado, ativando um botão em seu bastão e fazendo aparecer lâminas nele, cravando-a na cabeça da cobra com toda a sua força.

Kai respirou aliviado quando as presas pararam de perfurar seus ombros, mas ele estava mole, o corpo caiu pesado por cima de Sehun, que tinha lágrimas nos olhos sem saber o que fazer.

— Jongin, por favor fala comigo. — Pediu desesperado, ajoelhando-se e deitando a cabeça do moreno em seu colo.

Mas Jongin só deu um sorriso fraco.

— Se sacrificou por mim... por quê? — Sehun perguntava sem entender, totalmente em prantos.

— Porque é isso que parceiros fazem.

— NÃO. Heróis não se sacrificam por ajudantes, isso não está certo. — O loiro abraçou a cabeça do moreno, desesperado.

— Está errado, Sehun, amigos se sacrificam uns pelos outros. Eu me sacrifiquei por um amigo, e me sacrificaria quantas vezes precisasse.

— Minha mãe se foi por causa de um sacrifício, ela sacrificou sua vida pelo herói a quem trabalhou para sempre junto; eu odiei ele e todos os heróis por toda a minha vida, simplesmente por ele não ter feito nada quanto a isso, não me faça eu me odiar também, Jongin, volta ‘pra mim. — A voz de Sehun estava embargada e as lágrimas deixavam os olhos totalmente embaçados.

— Você não pode se culpar quando a escolha foi minha, Hun.

 

 

E tudo sumiu, sabe?

Como poeira ao vento e todas aquelas metáforas poéticas.

Jongin estava sim, nos braços de Sehun, mas nele não havia mais aquele tanto de sangue saindo pelos dois buracos que a serpente havia deixado em seu ombro.

O abraçava sem entender o que ele falava, mas, agora, compreendia o seu ódio e faria de tudo para que ele não existisse mais.

Mas Sehun já não precisava odiar mais ninguém, ele entendia agora. Foi uma escolha de sua mãe, o herói não tinha culpa; ninguém tinha.

— C-Como? Por quê? — Perguntou confuso, tentando parar de chorar, mas tudo o que conseguia era abraçar Jongin mais forte.

— Um ilusionista. Era tudo uma ilusão. — Kai fez carinho nas costas do loiro, tentando, a todo custo, fazer ele se acalmar. — Esse foi nosso último teste.

Sehun quis se odiar por não ter percebido aquilo, mas, como poderia?

— O que aconteceu? Depois que derrotamos o metamorfo tudo sumiu e eu só pude ver suas reações. — Jongin perguntou, confuso.

— Você estava morrendo. — Sehun sussurrou, ainda aterrorizado.

Kai assentiu, preferiu não perguntar mais nada; poderia machucar o loiro com as lembranças, e não queria aquilo.

— Jongin? — Sehun chamou.

Kai olhou para ele, secando suas lágrimas com os polegares, o coração doendo por não saber o que fazer.

— Eu confio em você. — Sussurrou, em uma lufada de ar, sem força nenhuma.

Utilizando a única energia que sobrou para puxar Kai para bem perto, só para juntar seus lábios aos seus, lentamente, com direito ao gostinho salgado que as lágrimas incessantes que caiam dos olhos do loiro tinham.

E, bem, Jongin tinha ficado bem surpreso, sabe? Contudo, só fechou os olhos e se deixou levar, as mãos automaticamente indo de encontro ao pescoço do loiro para puxá-lo para ainda mais perto e se deliciar naquele beijo dramático e bonito.

 

 

 

(...)

 

 

Jongin era um puta de um filha da puta!

Quem mandou ele evitar Sehun por quase uma semana — aparecendo só quando era estritamente necessário, ou seja, só quando alguém ameaçava o mundo e os dois precisavam se juntar para enfrentar aquele mal — e estar agora, em um encontro às cegas, com uma garota qualquer?

Sehun entendia que o moreno estava confuso, mas aquilo já tinha passado dos limites.

Então, é, ele foi atrás de Jongin, sabia como era o seu rosto e sua identidade, então não foi difícil rastreá-lo utilizando alguns contatinhos que tinha.

E estava bem ali, invisível, no encontro dele com a garota, derrubando sucos, fazendo pratos voarem, e facas ameaçadoras serem apontadas para o então “casal”; bem como um fantasma rancoroso faria.

Tinha aproveitado a deixa da garota para ir no banheiro e aparecer bem na frente de Jongin, que tomou um baita de um susto; quase caindo para trás.

Sehun riu, e acenou com a mão em forma de saudação.

Kai nunca tinha visto Sehun sem a máscara, então ficou bem surpreso quando viu o rosto do loiro e as roupas comuns que ele usava.

Sehun era um modelo ou o quê?

— ‘Tá curtindo o encontro? — Perguntou, irônico, cheio de veneno.

—  Sehun… — Kai ofegou, porra, estava com tantas saudades dele; era tão idiota.

— Ele mesmo. Saudades? — Sehun sorriu, cruzando as pernas com dificuldade por causa das calças apertadas, todo sexy e tal.

— Muita. — Jongin sussurrou, sem conseguir se conter.

O loiro ficou surpreso, levantando uma sobrancelha em confusão.

— Por que não me procurou então?

— Porque eu sou um idiota, Sehun, e isso é tudo muito confuso ‘pra mim; eu precisava entender a mim mesmo, e o que eu sentia. — Tocou as têmporas, como se aquilo tudo realmente o incomodasse.  — Precisava de um tempo.

— O encontro de hoje provou a você alguma coisa? — Sehun perguntou, olhando intensamente para o Kim; ele era tão bonito.

— Se você não estivesse me ocupando em ficar assustado, eu teria pensado mais e ele teria me provado muito mais.

— Eu tenho um jeitinho bem melhor de te provar essas coisas, você sabe… — O Oh sussurrou no ouvido de Kai, todo malicioso. — Bem melhor do que a sua solução de sair com essa garota chata que só se importa em te perguntar com o que trabalha. — Disse com raiva.

Jongin riu mordendo os lábios.

Sabia exatamente o que sentia, então, por que ainda estava correndo mesmo?

— Só me leva para o seu quarto, Jongin. — Sehun disse, cansado de toda aquela demora e enrolação.

 

 

(...)

 

 

Dentro do quarto de um garoto normal colecionador de vinis, não havia nem herói e nem ajudante; só duas pessoas provando para si mesmas que o que sentiam era real.

        — Eu nunca estive atraído por um garoto antes. — Jongin disse, aos sussurros, pois estava pertinho demais de Sehun e não precisava falar mais alto do que aquilo.

— Para tudo se tem uma primeira vez. — O Oh segurou a cintura do moreno e apertou-a entre os dedos finos, só para puxá-lo para um outro beijo.

Um beijo mais calmo, onde as línguas se embolavam sem pressa, quase como se dançassem em algum ritmo lento e sensual. Contudo, Sehun sempre gostou de dançar com todo o seu corpo, então o loiro não tardou a passar as mãos por debaixo da blusa que o moreno usava e arranhar todo o abdômen definido por baixo dela; as mãos subindo e descendo pelas costas enquanto se aproximava mais e mais do moreno, o prensando contra a parede e o deixando sem ar.

Tanto que Kai precisou se afastar um pouco para recobrar sua respiração.

— Eu não estou falando somente fisicamente, Sehun. — O Kim pegou a mão macia do Oh que ainda alisava sua cintura para colocar em cima de seu coração acelerado.

Sehun até quis esconder o sorriso de felicidade que brotou em sua face, mas era meio que impossível quando Jongin estava ali, todo bonito e bagunçado por si. O loiro estava feliz demais por saber que estava conseguindo causar a mesma confusão que o moreno causava em si, gostava de saber que podia causar isso nele; gostava de saber que tinha chances.

E ele até quis ser fofinho e falar sobre as coisinhas que o Kim também estava fazendo ele passar, mas nós sabemos que nessa relação quem carrega o cargo de fofinho é o moreno, e que Sehun prefere mostrar seus sentimentos através de atitudes. Então, não foi nenhuma surpresa quando ele juntou os lábios carnudos com os seus e voltou a beijar o moreno com fervura; de uma intensidade quente, quase febril.

Sehun gostava de mordidinhas nos lábios, de levar o parceiro à loucura com sorrisos em meio ao beijo e apertões em lugares indevidos, e ele realmente não conseguia conter todas essas coisas que gostava quando era Kim Jongin ali; o heroizinho a quem ele tanto desejava.

E...bom, Jongin ficou bem envergonhadinho quando sentiu um apertão em seus glúteos, quase deu pra ver uma certa vermelhidão na face de cor bonita.

— A-A gente não devia ir com calma? — Perguntou o moreno, todo incerto e confuso; queria e ao mesmo tempo não queria.

Sehun parou com os selares que dava no pescoço lisinho e cheiroso do Kim para rir soprado.

Ah... Kim Jongin era uma gracinha mesmo.

— Claro que a gente pode ir com calma, bebê. Você quer que eu me afaste um pouco e te dê espaço? — Sehun disse, à princípio de maneira gentil, tanto que Kai até estranhou aquela atitude, e estava bem certo ao fazer isso, simplesmente porque o Oh não valia nada e aquilo era tudo encenação.

Não que Sehun fosse fazer algo que Jongin não quisesse ou aceitasse, longe disso, ele só queria instigar o moreno um pouco. Só para ele admitir para si mesmo que queria aquilo tanto quanto o loiro.

— Quer pensar um pouco? — Perguntou em tom gentil, mas a face carregando um sorrisinho lascivo ao ver os olhinhos arregalados do Kim não enganava ninguém.

E Kai até pensou por alguns segundinhos, mas foi só Sehun sentar na pontinha da cama enquanto olhava para si com aquele sorrisinho de lado — as pernas cruzadas dando ênfase nas coxas espremidas naquela calça apertada — que não aguentou nadinha.

Dava até peninha ver a situação do Kim, poxa!, Sehun era um puta provocador, não tinha dó e nem piedade com o seu coraçãozinho pulsante — e outras coisas também pulsantes — do moreno.

Kim Jongin parecia um carro em meio a largada, esperando o sinal verde para poder, finalmente, arrancar. E… bem… Sehun sorriu para ele, deixando aquelas presinhas as quais tanto adorava à mostra, isso também poderia ser considerado um sinal verde, não poderia?

— Ah! Foda-se! — Jongin rosnou, indo até Sehun todo feroz.

É, acho que poderia.

O Oh riu, descruzando as pernas para abrigar o moreno entre elas, se deliciando quando este começou a passar a mão pelas suas coxas apertando todo o local.

— Bom garoto. — Sehun disse só para provocar o moreno que, certamente, se irritaria com isso.

— Eu te odeio. — Jongin disse choroso, mas continuou a colar seu corpo no de Sehun e a ajudá-lo a subir mais na cama para que ela pudesse acomodar os dois.

— Você podia fazer esse ódio virar amor. Dizem que é bem intenso quando isso acontece. — Sehun sorriu, uma sobrancelha erguida em meio ao formato de meia-lua nos olhinhos pequenos.

E, bem, estava feito, não é mesmo?

Sehun tinha conseguido o que queria.

Era óbvio notar isso ao ver o desespero de Jongin ao agarrar os fios loiros e puxá-lo para um beijo feroz, ao mesmo tempo em que se arremetia entre as pernas bonitas.

E o loiro era o tipo de cara que gostava de cuidar com zelo das coisas que conseguia depois de tanto tempo desejando.

Então, com esses pensamentos, lá foi Sehun puxar o moreno para mais um beijo desejoso e cheio de segundas, e até terceiras intenções. Porque, cara, o Oh queria mesmo cuidar de Kim Jongin; do jeitinho dele, é claro!

— Jongin… — Chamou, meio ofegante e baixinho.

— Hum? — O Kim tirou a cabeça do vão do pescoço do Oh, parando de se deleitar com suas lambidas na pele leitosa.

— O que você acha de sentar ali naquele cantinho — apontou para o espaço em frente a cabeceira da cama —, pra eu rebolar bem gostosinho no seu colo?

Alguém amaldiçoe o sorriso lascivo de Oh Sehun no lugar de Kai, por favor? Porque ele mesmo só conseguia montar um altarzinho para enaltecê-lo diariamente.

Se era um “sacrifício” que aquele sorriso divino pedia, Jongin faria de tudo para fazê-lo. Era um bom fiel, afinal.

Saiu de cima de Sehun às pressas e sentou-de onde o loiro havia pedido, todo cheio de expectativas e nervosismo notável. O Oh até riu da afobação de Kai; era tão bonitinha.

— Quer me ver rebolando tanto assim? — Provocou, indo na direção de Jongin engatinhando pela cama.

— Quero ver se você é tão bom quanto é nos meus sonhos. — Jongin disse, agarrando Sehun pela parte traseira, para puxá-lo para mais perto e acomodá-lo em seu colo, sem perder tempo nenhum.

Vocês sabem como Kim Jongin é paciente.

O loiro riu com aquilo, ficando verdadeiramente feliz com as confissões que estava recebendo aquele dia.

— E como eu fazia nos seus sonhos? — Sussurrou Sehun no ouvido de Kai, enquanto agarrava os fios negros dele entre os dedos. — Se você me contar direitinho, talvez eu possa fazer igual. — Sorriu de canto, passando a remexer-se no colo do moreno, friccionando o membro teso num encaixe entre as nádegas.

— No meu sonho… — Começou Jongin, mas arfou no meio na frase quando o Oh fez um círculo perfeito e lento. — V-Você não usava tantas roupas.

Sehun riu mordendo os lábios.

Jongin era fofinho demais, bicho, e não seria aquele corpão, a aura exalando sensualidade, ou o andar naturalmente sexy, que fariam isso mudar.

— Humm… estou pensando aqui… — Sehun disse arrastado, com aquela voz naturalmente rouquinha. — Você não foi um bom garoto hoje, Jonginnie, mentiu para si mesmo, mentiu para mim e ainda brigou comigo, tsc. Será que eu devo mesmo te agradar? — O Oh disse, encenando uma expressão pensativa, mas, na verdade, estava morrendo rir da carinha de desespero do Kim.

— Eu não sou um garoto, Sehun, sou mais velho que você. — O moreno tentou dizer autoritário, mas seu tom soou emburrado, deixando-o ainda mais fofinho aos olhos do loiro. — Você até mesmo devia me chamar de hyung em respeito aos meus quatro anos de vida a mais.

Sehun riu, balançando a cabeça em negativa; não acreditava que uma pessoa como Kim Jongin pudesse existir.

Mordeu os lábios pensando em que resposta dar, e aproveitou para tirar a blusa; estava quente demais ali.

— Tudo bem, hyung, te chamarei assim. Mas, então… quando estivermos sozinhos como agora, bem desse jeitinho...  — Sehun pegou as mãos de Jongin e colocou-as em sua cintura, fazendo elas descerem até sua bunda; instigando o moreno a apartar os glúteos enquanto ele voltava a rebolar devagar.  — Você não pode ser meu garoto?

Cara, Kim Jongin quase morreu engasgado ao engolir em seco daquele jeito, fazendo Sehun rir pela enésima vez de si naquele dia.

— Você não quer, Jonginnie? — Sehun perguntou, com um sorrisinho ladino nos lábios finos, passando a rebolar com mais intensidade, olhando bem para os olhos de Jongin enquanto agarrava os fiozinhos de sua nuca.

E Kai, que já estava bem foda-se para tudo, somente disse:

— Eu serei o que você quiser, contanto que você não pare de rebolar desse jeitinho para mim. — O moreno disse, todo entregue às artimanhas de Sehun.

— Meu garoto. — Sehun sorriu, esforçando-se um pouquinho para ficar de pé, as pernas meio bambas pela excitação, somente para abrir o botão da calça bem em frente aos olhos de Jongin, e descê-la lentamente até seus pés sob os olhos dele.

Kai, que não era bobo e nem nada, fazia o mesmo com a sua, mesmo todo atrapalhado por estar concentrado demais nas pernas de Sehun.

Ah…, e Sehun voltou a rebolar sob o colo de Kai, trocando beijos molhados, carinhos por todo o corpo, compartilhando gemidos e outras coisinhas mais profundas — mesmo que ainda não tivessem nome.

Foi uma loucura quando Jongin resolveu dar o primeiro passo e agarrar o membro teso do Oh — que já escapulia pela box preta — nas mãos, para uma masturbação lenta e gostosa. Loucura? Mas por quê? Porque Jongin não conseguia lidar com as expressões de prazer do loiro sem ficar totalmente hipnotizado e insano. Muito menos conseguia lidar com as emoções, e vocês sabem que os poderes vinham do íntimo, certo? Então era um tanto estranho e engraçado quando se via Sehun e Jongin flutuando de vez em quando ou alguma parte do corpo do Oh sumir, pela imersão de sentimentos que deixavam fluir sem controle.

Naquele tempo íntimo dos dois, Sehun descobriu que Jongin ficava extremamente bonito todo suado, sorrindo daquele jeitinho sacana para os membros duros tocando-se na masturbação em conjunto que ele mesmo iniciou. Descobriu também, que Jongin gostava de ser marcado pelos dentinhos pequenos, e de apertar sua carne entre os dedos até a pele branquinha ficar avermelhada.

E Kai descobriu que Sehun gostava de sussurrar sacanagens em seu ouvido, do tipo:

“Só imagina, Jongin, como deve ser gostoso estar dentro de mim… você agarrando meus cabelos e fazendo de mim o teu bem mais precioso.”

“Só imagina, Jongin, como deve ser gostoso você me deixar cuidar de ti, só ‘pra eu te mostrar como um carinhosinho aí atrás pode te fazer bem”

E de fazer o moreno gozar nos seus dedos, enquanto fazia um trabalho rápido com as mãos.

Jongin também descobriu que deveria fazer um outro altarzinho para enaltecer o tal do Oh, esse seria para as expressões de prazer deste quando chegava a um orgasmo gostoso; cheio de sorrisos e gemidinhos.

Bom, talvez aquela noite poderia continuar e dar em algo ainda mais íntimo do que somente toques, e, quem sabe, até conseguíssemos ver umas declaraçõezinhas pós sexo, mas isso a gente deixa para uma outra hora.

Porque, nesse exato momento, os alarmes de Kai e Ghost tocavam incessantemente nos pulsos.

 

Um vilão estava aprontando pelos arredores de Seul.

Lá se vão, herói e ajudante, trabalhando em conjunto para salvar os cidadãos mais uma vez.

 

 

 

~ No meio de uma luta contra um piromaníaco ~

 

— Ei, Hunnie. — Chamou Jongin.

— O que foi, idiota? Não perca a concentração. — Disse, sumindo por aí para depois aparecer de novo, ao lado do moreno.

— Eu acho que descobri minha fraqueza.

— Sério? Não me diga que é fogo… — Sehun foi todo preocupado para perto do moreno.

— Não, não. É você. — Jongin riu da carinha assustada do Oh, pegando as mãos dele para segurar entre as suas, em um momento nada apropriado para romances. — Eai, ‘Tá afim de ser minha Kryptonita?

 

 

E, bom, não era como se Sehun conseguisse negar alguma coisa ao seu garoto.


Notas Finais


Sobre esse "lemon" no final.... nunca nem vi (n sei fazer lemon gent, desculpa ksudhuaf)
Eu me inspirei muito no Adrien de Miraculous Lady Bug (aquele desenhozinho? SIM e eu amo ele, xiu, o Adrien é meu crush e eu acho ele super sexy, não me julguem) pra fazer o Sehun e achei que ele ficou um pitelzinho :3 hehe
Eu tô nervouseeer~~ espero que tenham gostado <3 (principalmente quem doou o plot) e... é isso <3

Atée uma próxima~


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