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História Vengeance - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Número Um





— Quer dizer que meu namoradinho de infância agora é uma estrela mundialmente conhecida? Tenho algo para me gabar agora — Jimin brinca, tentando melhorar o clima do ambiente e fazer o amigo parar de chorar.

— Isso não tem graça Jimin! Essa situação é medonha, você deveria ter vido falar comigo primeiro — Taehyung finaliza a fala e começa a chorar ainda mais.

Jimin se aproxima do ator se sentindo um pouco incomodado, e coloca a mão e seu ombro, em uma embaraçosa tentativa de consolo. O executivo não era o mesmo homem carinhoso e sociável de outrora, e para ele era muito mais assustador estar na presença de um amigo do passado, do que seus inimigos.

 — Estou bem agora, e é o que importa — o platinado tenta e o amigo o abraça com força, indiferente à sua rigidez e estranheza.

— Eu vou acabar com ele na mídia — o acastanhado diz com seriedade depois de um tempo, mais recomposto, e sua expressão é decidida — Ele me fez visitar seu túmulo por seis anos! Eu vou acabar com ele, por favor não me diga para não fazê-lo.

Jimin encara o amigo um pouco surpreso. Taetae como ele o chamava quando era pequeno, sempre foi um garoto fofo e carinhoso. Sua família fora muito pobre, e o garoto, que era bolsista no colégio onde Jimin o conheceu, mesmo sendo zoado por várias pessoas, nunca perdia o entusiasmo e a forma bonita como enxergava a vida, iluminando o mundo com seu sorriso quadrado. Os dois se tornaram amigos inseparáveis desde o dia em que apanharam juntos, quando Jimin tentou defendê-lo.

 A lembrança doeu no platinado. Mesmo com os problemas que tinha em casa, muitas das suas memórias mais felizes eram ao lado do amigo. Por isso a expressão cruel que o mesmo sustentava o assustou. 

— Não me olhe assim. Visitando seu túmulo por todos esses anos, eu me sentia mal por em nossa amizade eu sempre ter estado somente do lado que recebe algo. Dessa vez eu também tenho a oportunidade de entrar em uma briga pra te defender — o ator diz com seriedade e Jimin sorri nostálgico.

— Bem talvez eu deva te contar o motivo de eu estar em Busan — o executivo sorri com uma expressão traquina e a expressão do amigo muda para uma de interesse.



 [...]




— Jimin-ah, você é sempre tão precavido, mas esse ator é a segunda pessoa para quem você conta seu objetivo. Não é perigoso? Principalmente no caso do relações públicas lá, como é o nome dele? Hoseok? — Namjoon pergunta depois que o ator havia partido, sentado na sala do mais novo.

— São dois casos distintos. Taehyung é meu amigo de infância, de certa forma minha família. Ele tinha o direito de saber, já que também foi uma vítima. E ele é teimoso, me lembra muito minha mãe — o platinado sorri sem perceber.

— Já o relações públicas como o chamou, foi mais em respeito ao Yoongi hyung. Foi um choque sabe? Nunca o tinha visto chorar — o platinado diz com seriedade.

— Eu ainda não entendi essa história. Eles eram amigos? — o vice presidente pergunta.

— Pela forma que reagiram, eu diria que bem mais que isso. E sinceramente, se eu não contasse a Jung Hoseok quem eu sou e o que vou fazer, não sobraria vingança pra mim. A expressão que ele fez quando descobriu o que fizeram com Yoongi hyung... — Jimin ri  desacreditado — Ele pareceu capaz de matar naquele momento, mas meus planos para o velho não é nada tão rápido como a morte. Ele se pôs à disposição para ajudar, quando garanti a ele que Jungkookie não é um alvo — Jimin conclui pensativo, mas Namjoon arqueia a sobrancelha inquisitivamente diante da resposta.

— Jungkookie? — o mais alto enfatiza o apelido e sua expressão é curiosa.

— O que que tem? Ele é só um garoto — o executivo desvia o olhar, e pela primeira vez desde que tinham se conhecido, Namjoon duvida sobre a verdade em uma afirmação do amigo.




[...]


Park Jimin se dirige ao edifício acompanhado da advogada, que olha ao redor desconfiada. Percebendo a ansiedade da mesma, e sabendo o motivo, o executivo se aproxima mais, e apoia uma das mãos em seu ombro, em um gesto de conforto e proteção.

— Se importa  se eu perguntar algo pessoal sr. Park? — a advogada um pouco mais calma, se dirige ao executivo enquanto aguardavam a revista começar.

— Hyunah noona, eu já pedi pra me chamar pelo nome fora do trabalho, não há necessidade de formalidade. Pode perguntar, só não garanto uma resposta honesta — o loiro sorri provocador.

— Não está ansioso por estar entrando em um presídio, sabe... depois de .... —

— Depois de passar anos preso? Se desenvolvi alguma espécie de trauma ou fobia? — ele sorri mas a morena continua séria — Seria improvável continuar uma pessoa normal com a infância que tive. Namjoon hyung me faz ver a doutora Ahn toda semana — ele sorri pequeno. 

— Mas respondendo sua pergunta, não,  eu não tenho claustrofobia, muito pelo contrário. Ficar por tanto tempo em lugares fechados me fez me acostumar à eles. O que desenvolvi foi agorafobia na realidade — o CEO comenta fingindo dar pouca importância para o assunto.

— Eu sinto muito. Você passou por coisas piores do que eu — a advogada abaixa a cabeça, mas o mais novo atrai seu olhar, negando com a cabeça com um sorriso encorajador. Os dois haviam passado por momentos difíceis.

— Isso não importa. Esse momento é nosso e merecemos cada minuto dele — o executivo diz com um tom de voz quase selvagem, e a advogada assente.

Quando por fim conseguem acessar a área de visitas do presídio, o sangue de Jimin esquenta ao avistar o homem sentado. Ele se lembra do dia em que o procurou, fragilizado e magoado em busca de justiça para a mãe.

 — Boa tarde Sr. Lee — Jimin sorri ao chegar à mesa, e puxa a cadeira ao lado para que a amiga se sente. O homem arregala os olhos assustado quando reconhece o rosto da mesma.

— O que está acontecendo?! — ele alterna o olhar de um para o outro confuso.

— Não estava esperando seu advogado sr. Lee? Pois bem, a srta. Kim está aqui para representá-lo — o platinado se senta como um rei na cadeira à frente do detento, e cruza as pernas o olhando como um predador.

— O que está fazendo aqui? Estou esperando meu advogado, não tenho tempo para o que for que estejam querendo. Se tiver dedo de vocês por trás disso, garanto que se arrependerão. Não sabe no que está se metendo... sr. Parker não? — o advogado sorri com superioridade, mas a expressão não se sustenta com o que o executivo a sua frente tem a dizer.

— Será que não sei? O senhor mencionou seu advogado, mas não deveria investir toda sua esperança neles, escute meu conselho sr. Lee. Veja meu caso por exemplo. Quando ainda era muito jovem e ingênuo, procurei um advogado, desejando fazer justiça para minha mãe e para mim. Sabe, meu pai sempre foi um homem muito poderoso, o "mais poderoso de Busan" como tinha orgulho de afirmar, então eu sabia que não seria fácil mover uma ação contra ele. Mas esse advogado me garantiu que era o  homem certo para me ajudar a vencer o processo, mesmo contra Yang Hyusuk e seu império. Sabe, até um suquinho caprichado ele me serviu. Foi uma pena que esse suco tenha sido a última coisa que tomei antes de acordar em um hospital psiquiátrico e ficar lá por seis anos. Não recomendo. — o CEO concluiu como se estivesse ensinando uma criança, mas a expressão do advogado é de absoluto horror.

— Então como eu ia dizendo, hoje em dia eu me asseguro de estar cercado de bons advogados e minha querida noona aqui, a srta. Kim, é a melhor de todos. O senhor sabia que ela quase foi assassinada tentando processar a mesma empresa que tentei processar há sete anos atrás? Um currículo melhor eu não encontraria em lugar nenhum! — Jimin conclui com uma risada exagerada transbordando bom humor, e sorri para a mulher que parece compartilhar do clima.

— O que... C-como? — o homem alterna entre expressões de horror, confusão e medo — Quem o ajudou? — a pergunta sai fraca, em reflexo, quando percebe em meio ao horror, a crueldade e a falta de empatia nos olhos do executivo, que não lembrava em nada o rapaz que o tinha procurado sete anos atrás.

— Como? Com ajuda de meu ódio e de um velho anjo. Parece que até mesmo Deus está me ajudando em minha vingança senhor Lee, e quando eu acabar, nos reuniremos todos no inferno — o platinado se levanta lentamente com um sorriso sádico e Lee Seungri sente um arrepio de medo percorrer sua espinha, quando se dá conta que o homem que o encarava de cima como o anjo da morte, o tinha nas mãos e estava cobrando sua dívida.


[...]




Jungkook se levanta da cadeira na sala da presidência levemente enjoado e com dor de cabeça. Ele tinha ido para a reunião à convite do pai, confiante de que tratariam sobre processar a emissora que veiculara mentiras sobre a empresa. Mas pela conversa que tiveram, o diretor descobriu que não eram mentiras. O pai analisava sua reação o tempo todo como se fosse um teste, e Jungkook queria desaparecer. Não ousara pronunciar uma palavra. A naturalidade com que aqueles homens discutiam sobre subornos, manipulação de mídia. Crimes. 


— Vou mandá-lo para Seul novamente — o pai diz quando ele se curva, se preparando para sair da sala.


— S-seul? — ele pergunta intimidado com a expressão escrutinadora do CEO.


— Sim. Preciso que assuma um projeto social que tem como objetivo fornecer medicamentos por um preço acessível à população pobre. Precisamos melhorar a imagem da empresa, e essa é uma boa oportunidade de marketing positivo. O responsável concordou em fazer parecer que você faz parte do projeto desde o começo do ano. Arrume suas coisas e se prepare, você parte em dois dias — o homem determina e o dispensa com a mão.


Jungkook trava no lugar sem acreditar. Tinha imaginado todos os cenários possíveis ao estudar arduamente o ramo de negócios da empresa, mas nada o preparou para aquilo.


— Algum problema diretor Jeon? —o mais velho levanta a sobrancelha o analisando, e o moreno sacode a cabeça em negativa engolindo em seco — Como já conversamos, espero que entenda o que é preciso para estar a frente de um negócio do porte do nosso. Esse é um trabalho para um homem de pulso firme, e não um mariquinhas. Não consegui alguém com essa capacidade nem com meu próprio sangue, mas te escolhi por ter esse potencial. Não me decepcione garoto — o CEO diz e o mais novo assente, querendo sair logo dali.


O moreno sai do edifício desorientado. Seu corpo todo treme e seus músculos doem por estarem todos contraídos, e ele gostaria de pensar que era por conta do frio. O motorista abre a porta do carro e ele embarca distraído.


Em um impulso de coragem e irresponsabilidade, Jungkook liga para uma pessoa que sabia possuir uma informação que ele queria. Depois de muita insistência e algumas promessas, ele consegue o que estava procurando. O lugar não ficava muito longe, e ele aproveita sua loucura momentânea para dispensar o motorista, e se dirigir até a portaria do condomínio de luxo.


— Jeon Jungkook? — ele ouve a voz de Park Jimin soar em um tom mais alto pelo interfone, enquanto aguardava o porteiro liberar sua entrada.


Quando após uma pausa dramática, o porteiro libera sua entrada, a ficha do moreno cai. Ele só poderia ter enlouquecido. O que estava fazendo ali?! Ele encara o elevador por alguns minutos pensando se seria constrangedor demais voltar para trás como se nada tivesse acontecido. Já de costas ele ouve a porta do elevador se abrindo e o som da voz conhecida o faz dar um pulo assustado.


— O que está fazendo aqui? — o loiro pergunta e Jungkook trava no lugar ainda de costas — Como conseguiu meu endereço? — seu tom de voz sai irritado e o moreno sente o estômago revirar. 


Nem mesmo ele sabia o que estava fazendo ali. Era como se não conseguisse respirar. Sua garganta doía com esforço e ele se sentia prestes a vomitar. O tom de voz irritado do loiro foi o gatilho para seus olhos começarem a arder e o desespero tomar conta do seu corpo. Ele precisava sair dali. O que tinha pensado? É claro que o executivo ficaria zangado. Talvez a tal noiva estivesse ali. Meu Deus o que ele estava pensando? 


— Desculpa — ele diz e se apressa em direção à saída sem se virar, tentando manter o fiapo que restava de sua dignidade. 


Acontece que ele não consegue chegar até a porta, antes de ser segurado pelo braço e virado da direção do menor, que ao ver seu rosto, muda a expressão irritada para uma de preocupação.


— Desculpa, eu... deixa pra outra hora — o moreno tenta se soltar mas o loiro o segura com mais firmeza — Por favor me solta, eu preciso ir — ele diz com a voz embargada, desesperado em segurar o choro.


Jimin franze o cenho e puxa o mais novo para o elevador, apertando o botão da cobertura sem dizer nada. As portas se fecham e ele segura o rosto do moreno com as duas mãos, olha em seus olhos atenciosamente, e é o suficiente para Jungkook explodir em um choro, tentando esconder o rosto com as mãos.


Jungkook não consegue ver qual expressão Jimin sustenta diante da cena patética que ele estava se prestando, mas vai o acompanhando enquanto é puxado para dentro do apartamento. Jimin o ajuda a tirar seus calçados desajeitadamente, e em seguida vai até um sofá, o puxando para seu colo, sem dizer nada. 


Jungkook por fim chora por todas as frustrações e medos que passou durante aquele ano horrível. A ansiedade de se formar e assumir o cargo, o fato de ter sido enganado e filmado em um momento extremamente vulnerável, e ter morrido de medo desde então em ser exposto, o compromisso de ter que se casar com uma mulher, que francamente o assustava, contra sua vontade, e agora descobrir que teria que um dia gerenciar um negócio completamento corrupto e imoral. 


Park Jimin também fazia parte de suas frustrações, mas não conseguiu se impedir de correr até a ele quando se sentiu sufocado. E foi deitado no colo do homem que tinha ajudado a virar sua vida de cabeça para baixo, enquanto recebia carinho no cabelo, que Jeon Jungkook pode finalmente dormir.






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