História .ver e enxergar - Capítulo 1


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Categorias EXO
Personagens D.O, Kai
Tags Do Kyungsoo, Exo, Jongin, Kai, Kim Jongin, Kyungsoo, Yugpabo
Visualizações 7
Palavras 1.572
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Universo Alternativo
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


annyeonghaseyo!! boa leitura. xx

Capítulo 1 - Capítulo Único.


Capítulo único

Corações amarelos

 

Sempre tive essa preocupação ao observar as pessoas ao meu redor.

De onde vêm;

Para onde estão indo.           

 

Isso claramente não se aplicava a todos, mas havia uma curiosidade nascente por entre as sombras que os corpos delas faziam no chão cinzento. Eu sabia que, por exemplo, Park Chanyeol vivia em um mundo virtual onde seus avatares em videogames eram muito mais reais do que ele mesmo, em si, e nunca achei que ele tivesse algo a mais para oferecer além de uma mente embaralhada com botão de play e pause. Não me interessava, também, conhecer o intercambista com cara de metido, Zhang Yixing – sabia que ele tinha ensinado o representante de classe a fumar maconha atrás do beco da escola, e, sinceramente, isso me era o suficiente. Sabendo disso, consequentemente, podia entender, em superfície, o que os olhos ligeiramente vermelhos de Junmyeon queriam expressar quando chegava ao cursinho à noite – “eu me rendi aos males da China”, se me for cabível escolher um tom mais humorístico a uma situação que talvez não seja tão engraçada.

Certas coisas eram óbvias, como a maneira que Jongdae olhava para Minseok nas aulas de literatura enquanto poemas de amor eram proferidos, ou como Baekhyun parecia sempre olhar apenas para si mesmo enquanto Sehun caía aos seus pés limpinhos. Eu sempre tive essa mania de achar que sei do que se passa com os outros pelo o que eles mostram nos campos da escola ou em eventuais esbarrões em farmácias, mas tudo isso não se passa de um ledo engano meu.

Permaneço a achar que certas pessoas são apenas o que enxergo nelas, mas existem aquelas que me fazem ter o instigo em procurar o que elas parecem tanto esconder. Há aquelas que, por algum motivo, me mostram que não estão a me mostrar tudo – confuso, não? –, e, no meio de todas elas, há Do Kyungsoo.

Sempre imaginei ter um fascínio por pessoas, mas depois dele, percebi que a única coisa que me fascinava era a observação que eu podia fazer delas – o que eu costumava ter como fato, conhecimento. Não quero soar impactante e dizer que depois dele tudo mudou; eu estaria mentindo, não diria que muita coisa mudou depois que passei a tentar enxergá-lo – mudou-se apenas o essencial. E o essencial era o suficiente para mim.

Mas, antes que eu chegue até sua imagem, há toda uma história que me leva a ele.

Sempre tive essa preocupação ao observar as pessoas ao meu redor.

De onde vêm; para onde estão indo.

E minha constatação não é errônea – é sempre possível observar quem anda ao seu lado ou à sua frente, e virando-se, vê quem se está atrás... É uma questão de ver. Observar. E isso difere muito de perceber ou enxergar, há como que uma penumbra que as separa como pequenas fronteiras com as quais temos que passear por todos os dias.

Eu passo pelo mesmo lugar todo dia, e todo dia, uma mesma pessoa passa por mim. Estou pegando o caminho da sala A-5 para a sala B-0, pelo corredor estreito que comprime as salas de A-1 a A-9 e que finda em uma escada de corrimão bem polido, porque ninguém parece interessado em se apoiar nele. A pessoa que passa por mim provavelmente está indo para a sala A-7, mas isso é um mero palpite meu, que sou apaixonado pelo número sete.

Todo dia, isso se repete. Passo pelo mesmo lugar, pela mesma pessoa, mas nunca a percebi.

Até que eu a conheci.

E, desde então, passei a enxergá-la.

***

Do Kyungsoo era um enigma que ninguém parecia estar disposto a resolver.

Era difícil, e no princípio, doía-me na mente o esforço que eu tinha de entender o que se passava em seu rosto inexpressivo – afinal, todas as pessoas sempre pareciam mostrar alguma coisa, oferecer alguma coisa, mas Kyungsoo não tinha nada. Nunca tive muito tempo de observar seus olhos, mas sempre fantasiava-os como os olhos opacos que pessoas como ele devem ter... Minto – não existem pessoas como ele. Se vivíamos em uma selva, Do Kyungsoo era um peixe majestoso e de escamas coloridas e todos os outros animais eram cegos perante suas barbatanas.

Mas um dia eu abri os olhos, e, ah... Ele era muito mais do que um leão, e, ao mesmo tempo, era um pequeno e solitário camaleão. Diante dos meus olhos, ele era uma metamorfose, mas só percebi isso a partir do dia que ele passou a andar não para a direção oposta a minha, e sim ao meu lado.

Nunca esquecerei de quando ouvi sua voz pela primeira vez, quando o professor de Sociologia fez a chamada da classe. Sua voz soava como um suave murmurar em meio a um festival de música punk, e esta tinha um timbre único: não era tímido, mas se retraía. Não era fraco, mas parecia estar prestes a cair de uma corda-bamba... Esse era Do Kyungsoo, e acho que demorei muito tempo para perceber tudo isso nele.

Talvez tenha sido esse o maior problema de tudo.  

***

Quando você convive com alguém, você aprende quem ela é.

De onde vem;

Para onde quer ir.

Seus piores medos e seus sorrisos – dos mais sinceros aos mais fingidos. Você vê aquela pessoa todo dia, você passa horas com ela numa sala ouvindo um professor discernir sobre Sócrates e Aristóteles, e muitas vezes você negligencia isso porque tudo isso parece normal. Mas na verdade não é tão normal assim; você está cercado de vidas, de histórias, de anseios e de corações batentes, e isso é algo que consegue ir além da percepção. 

***

Normalmente pedem pra gente desconfiar de quem é feliz demais. Por isso, muitas vezes atentei as risadas constantes de Jongdae, por mais verdadeiras que parecessem, e nunca pensei no que o vazio dos olhos de Kyungsoo podiam transmitir. Meu coração sempre me diz, orgulhoso, que consegui percebê-lo, mas isso é mentira – nunca percebi Do Kyungsoo. E nunca acho que serei capaz de fazê-lo devidamente.

Mas com ele pude perceber que, na verdade, não há lógica entre as pessoas. Não há nada que se possa explicar, e por mais que eu tente, passe horas entrando e saindo de paradoxos sobre a percepção sobre os seres que me circundam, eu nunca chegarei a uma resposta exata.

Porque estamos falando de seres humanos. Estamos lidando com seres humanos todos os dias, e não há exatidão alguma nisso.

Sempre me fiz de uh, se você precisar de um amigo é só me chamar, ‘say the word, mas nunca fui atrás da amizade de alguém. Com Kyungsoo, aprendi que muitas vezes você deve tentar procurar, porque se depender da outra pessoa... Por muitos motivos, talvez aquilo nunca aconteça. Pelo o que eu vejo, as pessoas precisam de ajuda e deixam claro que precisam de ajuda em quarenta e uma equações, menos na conta que parece ser mais simples – falar. Ninguém fala sobre isso. Ninguém parece conseguir falar sobre isso. É algo que fica preso na garganta, ardendo e machucando, e às vezes pode custar a vida de alguém.

Será que se ele tivesse falado alguma coisa, as coisas podiam ter sido diferentes...? Será que se eu tivesse procurado por suas palavras, então?...

Nem ao menos sei que fim ele tomou... O fim poderia estar em suas pílulas que ele arranjava (não sei como) assim como poderia estar em uma palavra que eu poderia ter direcionado a ele. Um bilhete perguntando se ele estava bem, que poderia me custar uma reclamação, mas que poderia não custar sua sanidade. Não sei até onde a ajuda pode realmente ajudar, mas imagino que o mais importante nisso tudo é a tentativa. Não para se dar por vencido e consolar o coração se tudo der errado, mas sim para tentar, e simplesmente tentar. Tentar ajudar, assim como certas pessoas tentam viver sem ajuda.

E, assim como tudo na vida, toda essa história teve um fim. Não o fim que eu desejaria que tivesse, mas essa foi uma das muitas coisas que ele me ensinou sem ao menos saber, sem ao menos tentar... Tudo há um fim. E nem sempre está ao nosso alcance escrevê-lo.

***

Eu caminhava de volta a minha aula de Geografia, pelos corredores quase monocromáticos da escola, e, passando em frente à sala A-7, a porta subitamente se abriu. Ouvi então um suspiro pesado.

“Kim Jongin”, chamou um professor, e curvei-me. “Poderia, por favor, levar essa mochila até a recepção?”

Fiz que sim com a cabeça e me curvei novamente, pegando a mochila. Enquanto descia as escadas rumo à recepção, a feição um tanto preocupada que o professor tentava miseravelmente esconder se repetia por minha mente. Então levei o olhar até a mochila, e apenas um pensamento me ocorreu:

Kyungsoo.

E seu nome me martelou a cabeça nas demais aulas quando, pela primeira vez, percebi que Minseok também olhava apaixonado para Jongdae. Kyungsoo permaneceu em minha mente ao observar os efêmeros raios solares atravessando as verdes folhas que aparentavam ser tecidas pelas mais finas e delicadas linhas em um dia quente de verão. Coisas que talvez eu tenha visto, mas que nunca tenha percebido.

O dia estendeu-se aos poucos, numa preguiça existencial, e Kyungsoo continuara ali, inquietando-me. Estava em todos os lugares. 

E, desde aquele dia, nunca mais ouvi falar dele; fugaz como o Sol, que sempre está ali, mas uma hora vai embora. 

A única diferença é que Kyungsoo nunca mais voltou.



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