História Verdade ou Desafio - 2 - Capítulo 30


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, LGBT, Lírica, Mistério, Orange, Survival, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 30 - Meu nome é Jay!


*Jasmi*

Volto da escola onde tinha deixado Jessica, vou pra faculdade. Embora eu esteja preocupada com Jena e tudo o mais, não posso simplesmente desistir de tudo para ir atrás dela, e ela não quis minha ajuda desde o início. 

O julgamento foi posto para hoje de noite, será apenas a primeira parte e irá terminar amanhã no mesmo horário. Estou ansiosa por isso, de acordo com Lucy a mãe de Lucas que será a advogada dele. 

Não sei se deveríamos a tratar ou não como uma inimiga, de acordo com Lucas quem está atrás de nós é o pai dele, e não a mãe. 

Saio da faculdade no período da tarde, passo para pegar Jessica na escola, mas, assim que entro no local uma das professoras me chama, a sigo para a diretoria preocupada se algo tinha acontecido. 

-Senhorita Jade - a mulher começa - ah... senhora, você é casada?

-Sim - respondo e me sento a sua frente na diretoria na escola - por que me chamou?

-Você é a responsável por Jessica?

-Sou uma das responsáveis.

-Hoje percebemos um distúrbio nas ações dela, você sabe de algo? - ergo uma sobrancelha. 

-O que aconteceu? 

-Basicamente, ela se intitula ser um... "garoto" - a mulher faz aspas com as mãos. 

-Ah... é só isso? - pergunto, a mulher me encara sem entender - está tudo bem, eu sei que é difícil se acostumar, mas não tem problemas nisso - me levanto da cadeira - se era só isso eu já estou indo embora - falo. 

-Eu acho que você não percebeu o tamanho do problema aqui senhora Jade - ela fala e também se levanta - sua filha está se auto proclamando um homem!

-Primeiro, ela não é minha filha, ele - friso essa palavra - é meu sobrinho - digo - e segundo que se ele quiser ele pode ser homem, mulher, nenhum dos dois ou os dois! Desde que esteja bem consigo mesmo eu não ligo, e você também deveria não ligar.

-Essa instituição não irá permitir algo como isso acontecer - a mulher fala com um olhar determinado - nosso deus fez as crianças do jeito que deveriam ser, e assim serão! Elas são perfeitas e têm que se aceitar assim!

-Então por que existe cirurgias plásticas? - pergunto - se não podemos mudar quem somos, por que?

-Isso é diferente.

-Diferente é seu pensamento, você escolhe aceitar o que quer e recusar o que não quer. Chamo isso de hipocrisia. E... Quem disse que o seu deus é o mesmo que o meu? Eu fui criada em outro país, ensinada outra cultura, quem disse que ela seria a mesma que a sua?

-Não existe outro deus! Ele é único e verdadeiro e ama a todos!

-E o que impede seu deus de amar meu sobrinho? - digo - as roupas dele? O cabelo? A identidade de gênero? Desculpa, mas um deus tão amoroso que não ama uma criança porque ela não aceita seu corpo como nasceu, não será meu deus - digo e me viro, saindo do local, mas antes de fechar a porta eu digo mais uma coisa - e outra, estamos em um lugar público, e assim como o resto do país, é laico, e você assim como qualquer um não tem o mínimo direito de ensinar ou impor uma religião sobre as pessoas - e assim eu saio do local chegando a um corredor.

Olho para os dois lados, na minha esquerda tinha uma fileira de cadeiras, meu sobrinho estava em uma delas, com a cabeça baixa e parecendo triste.

-Hey - me aproximo, ele olha para mim, seus olhos vermelhos indicando que estava chorando, o abraço o mais forte que consigo - não precisa chorar - falo enquanto fazia carinho em seu cabelo recém cortado - calma - ele dá uma fungada.

-Você estava brigando por minha causa? - me separo, seus olhinhos voltam em direção ao chão, meu coração aperta nessa hora.

-Você ouviu? - ele afirma com a cabeça - não importa o que acontecer, eu sempre vou te proteger.

-Por que as pessoas me olharam estranho hoje? - suspiro fundo. 

-Os que te olharam estranhos são uns idiotas - falo - se você quiser eu troco você de escola, não precisa ficar aqui com eles - ele afirma com a cabeça - vai ficar tudo bem, docinho, lembre-se disso - ele passa uma das mãos no olho para enxugar uma das lágrimas. 

-Tá bom - fala com a voz de choro, seguro sua mão e nós saímos juntos dali, mas antes de irmos embora eu passo pra pegar Layla também. 

Entramos no carro, os dois foram no banco de trás, de momentos em momentos eu olho para trás, e meu coração aperta mais ainda em ver o rostinho triste.

-Hum... Jessica - digo - você quer mudar um pouco o nome? Porque ainda parece de garota - falo, ele me encara e sorri, o primeiro sorriso do dia, sorrio também. 

-Quero - diz animado.

-Hum... que tal James?

-Não! Eca! - ele fala rindo - Jey!

-Jey?

-É J em inglês, jotaaa - ele fala rindo - jeeey. 

-Gostei de Jey. 

-Eu também - fala.

-Layla - a garota me encara, olho pra ela assim que estaciono o carro em frente a minha casa - gostou de Jey?

-Sim - responde, só então penso em perguntar algo.

-Você gosta do Jey assim? - pergunto, apenas para ver se as professoras da escola já a haviam influenciado, ela olha pro meu sobrinho e dá de ombros.

-Não - ergo uma sobrancelha, Jey fica triste na hora.

-Por que não? - a garotinha abre a porta do carro.

-Não gosto de garotos - fala e sai do carro, olho pra Jey, o que eu achava que estaria triste estava gargalhando, fico confusa.

-O que ela quis dizer com isso?

-Não sei! - Jey responde e sai correndo do carro, fico paralisada ali dentro. 

As vezes a sinceridade de Layla me dá medo.

E a inocência de Jey me deixa feliz, pelo menos ele ainda não sabe do que o mundo é capaz de fazer de ruim.

Adentro a minha casa depois de um tempo, Alice estava na cozinha, dava para saber disso pelo cheiro de comida que ela fazia. 

-Oi amor - falo entrando no local, vejo um pote de massa pra bolo no canto - mais bolo? Você não se cansa de me engordar? - pergunto rindo - Hum... macarrão com queijo? - cheiro um pouco o aroma que estava no local, minha esposa vem até mim e me abraça, encaixando a cabeça em meu ombro.

-Quase isso - ela responde, nós duas rimos - você ouviu as notícias? O julgamento vai ser daqui a algumas horas.

-É... eu fiquei sabendo... - respondo - nós vamos jantar e ir direto para lá? 

-Não sei se vão nos deixar entrar... Talvez Layla entre por ser irmã, mas não fazemos parte da família Morgan - ela diz e me encara.

-Mas nós vamos mesmo assim, não podemos deixar Lucas na mão. 

-Eu sei - a garota me beija de leve, assim que ela volta a trabalhar na comida percebo suas enormes olheiras.

-Amor... - a chamo, ela responde com um som nasal - por favor, me diga que hoje você não passou a noite inteira trabalhando - falo, ela suspira - Alice! Eu já disse que você precisa dormir!

-Dormir é perda de tempo! - ela rebate.

-Eu vou começar a colocar um relógio para me acordar no meio da noite pra ver se você está na cama comigo ou não, e nem pense em voltar pro computador! - digo, ela fecha a cara - você está aproveitando do meu sono pesado.

-Estou - ela admite rindo - eu saio da cama e volto sem você se mexer um centímetro - penso em lhe dar uma bronca, mas acabo rindo sem querer.

-Droga! Odeio ficar brava contigo e você me faz rir! - digo, ela gargalha, com aquelas covinhas lindas aparecendo - ah... a gente vai chamar Jessica de Jey, ok? - a aviso, ela afirma com a cabeça. 

-Isso é meio louco - ela ri - Lauren sempre quis um filho.

-Pois é - afirmo.

Após isso nós jantamos, Jey me mostrou alguns desenhos da escola, Layla também estava animada, Lucy e Camila chegaram depois pra gente ir pro julgamento juntas.

Nós saímos de casa já era sete horas da noite, o clima estava fresco, mas parecia que iria chover muito mais tarde por conta das nuvens cinzas no céu. Todos já se acostumaram (ou estão tentando) com Jey. Acho bom isso, que ele esteja feliz com nós. 

-Tia Mi - Jey me chama assim que saímos do carro para ir pro tribunal - quando é meu aniversário? 

-No primeiro dia do ano - falo rindo - daqui há uns dois meses você vai fazer sete aninhos - ele mostra sete com os dedos das duas mãos.

-Eu vou ter quase dez anos! Duas mãos inteiras de dedos! - fala - eu já sou adulto! - Alice gargalha ao meu lado, seguro em sua mão e começamos a andar.

-Você será um adulto muito lindo - falo pra ele, o garoto ri alto e sai pulando à nossa frente.

-Nosso filho também vai ser - ouço a voz rouca de Alice sussurrada em meu ouvido, admito que isso me arrepiou, por instinto seguro em minha barriga, suspiro fundo. 

Um mês de gravidez, ainda nem tem volume ou sinais visíveis, mas eu já sinto como se fosse a mãe mais preocupada do mundo. Estou com medo, do que ele (ou ela) irá encontrar quando for conhecer o mundo.

Nós todos entramos no local, o teto era alto e o lugar estava cheio, senti-me uma pequena formiga no meio de tanta gente. Quando chegamos no lugar onde iria acontecer o julgamento alguns guardas nos barraram. Resumindo, ficamos para fora.

Mas não desistimos tão fácil, precisávamos ver Lucas, lhe contar as coisas que descobrimos, talvez ele saiba o que fazer quando juntar todas as peças. Resolvemos esperar o julgamento de hoje terminar para conseguir falar com ele no final, estávamos esperando na frente da porta quando algo que eu não esperava acontece.

O pai de Lucas aparece, eu o vi apenas uma vez na vida, mas ele não havia mudado, o cabelo grande e loiro escuro, os olhos cinzas, a pele desgastada, roupas brancas e formais, ele passa por nós como se não nos conhecesse, entra no local onde estava ocorrendo o julgamento, e assim desaparece.

Logo depois outra pessoa aparece, esse eu nunca vi, estava com várias pastas nas mãos e parecia perdido, o garoto para de andar assim que nos vê, ele arregala os olhos e abre a boca várias vezes como se quisesse falar algo.

-Você está bem? - Camila pergunta se aproximando do rapaz, ele dá um passo para trás e parecia com certo medo todo desengonçado.

-E-eu tenho a-algo p-pra contar p-pra vocês - ele diz nervoso e olha para os lados - meu n-nome é P-Pedrick - fala - t-tenho que f-falar algo q-que o Lucas d-disse...

*Desconhecido*

*Algumas horas antes*

Ouço os áudios que o delegado mandou para Camila, eu já deveria saber que ele não iria ir de acordo com o plano, que pena, tinha certeza que ele teria uma ótima vida em outro país, pessoas burras como ele escolhem o certo invés da própria sobrevivência. 

-O que devemos fazer? - um dos meus empregados pergunta, penso por alguns segundos.

-Qual a porcentagem de influência que temos sobre a cidade?

-Cerca de trinta por cento.

-Isso é o suficiente para subordinar um grande empresário? 

-Creio eu que sim - a moça responde de cabeça baixa.

-Ok, então faça - falo - vamos subordinar os Morgans, pelo menos, o chefe deles - sorrio e coloco um dos meus lápis na boca, mastigando a parte de trás do mesmo.

-Hum... Temos um problema...

-Qual?

-O nome dele é Pedrick, invadiu o manicômio ontem, conseguiu falar com Lucas.

-Sobre o que falaram?

-Não se sabe ainda - jogo o lápis em direção à parede, ele se divide em dois na hora.

-Lucas tem uma escapatória, ele sempre tem - digo - ele vai escapar. 

-O que vamos fazer?

-Deixar ele ir - falo - mas antes disso quero o torturar, o máximo que conseguir.

-Torturar? - a moça fica paralisada à minha frente, gargalho alto e me levanto da cadeira, sentindo o chão frio tocar minha pele descalça. 

-Não estou falando de fisicamente, podemos deixar esse trabalho para Alice, estou falando sobre o emocional. 

-Como assim? - ela pergunta, começo a andar pelos novos corredores, continuo mudando de esconderijo a cada três dias, mas acho que vou ficar com esse, gosto do ar que ele dá. 

-Lucas se acha demais, e esse é o maior defeito dele. Achar que pode, achar que consegue. Vamos derrubá-lo apenas o suficiente para ele perder toda essa confiança. Ele vai ficar arrasado - rio alto e arranho as paredes, o som ensurdecedor vibra pelo local - ele é o líder do grupo, sem o líder eles não são nada. Viu o quão indefesas ficaram?

-Sim - ela responde. 

-Exatamente - digo - a fraqueza deles é o líder, e a fraqueza do líder é a arrogância, além de, é claro, a família, mas eu não ousaria tocar em Layla. O que será que ele faria se ficasse meses em uma solitária? Será que enlouqueceria? Ou já está acostumado com a loucura que conseguiu trancado em um porão? - paro abruptamente sobre a janela que dava para o telhado, a abro, sorrindo, vou até a ponta do telhado. Essa seria uma queda certeira de morte. Não ligo - quanto tempo seria o suficiente para ele enlouquecer novamente? - pergunto, mas sei que a mulher estava para trás e não estava mais me ouvindo - será que ele tem algum trauma daquela época? - pergunto para mim - e o que eu preciso fazer para esse trauma aparecer?

Um vento forte bate em minha pele, meus pés estavam descalços, a única coisa que vestia era um simples shorts e uma camisa folgada, fecho os olhos, imaginando qual posição meu corpo ficaria se eu pulasse do telhado agora. Sorrio. Abro os olhos e vejo a cidade sendo preenchida pelo pôr do sol, linda, maravilhosa, mortífera, com nuvens de chuvas chegando pelo sul.

Ando, um, dois, três, no quarto passo eu já estava correndo sobre telhas que escorregavam ao simples toques, deslizando e caindo em direção ao chão onde estrassalhavam, dou piruetas e giros em meu próprio eixo, quando mais que a metade já havia caído eu resolvo voltar.

-Prepare meu carro - falo assim que volto para a mulher que me esperava - eu tenho um julgamento para ir!



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