História Verdade ou Desafio - 2 - Capítulo 31


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, LGBT, Lírica, Mistério, Orange, Survival, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 31 - Lauren esteve aqui


*Camila*

-Ok... - O garoto baixinho tenta se expressar, a porta grossa de madeira ao nosso lado no final do corredor estava trancada, era onde havia entrado o pai de Lucas, e que provavelmente ele está também - primeiro, esse julgamento já foi decidido, Lucas não vai sair da cadeia - o garoto fala - mas... ele tem um plano para fugir, na verdade, nós dois temos uma instituição criada há seis anos atrás com o objetivo de capacitar pessoas para trabalhar para nós, essas pessoas que iriam administrar tudo quando ele conseguisse todo o poder de que precisasse, e é para lá que vamos quando ele fugir, porém, ele não quer deixar a impresa nas mãos dos pais - Pedrick engole em seco enquanto tentava continuar - então passou uma pequena missão para vocês...

-Qual? - Jasmi pergunta, olha para a garota sentada na cadeira, fico surpresa ao perceber Alice dormindo em seu ombro, provavelmente trabalhou a noite inteira, Jey estava ao seu lado com Layla, vivo ouvindo Jasmi reclamar disso.

--Fazer os pais dele sumirem - Pedrick diz - ele me falou que vocês já são bons nisso.

-Nós somos bons quando ele comanda tudo - digo - como vamos fazer isso?

-Eu não sei - o garoto se encolhe um pouco, ele é um tanto que engraçado, pele morena, grandes cachos em um tom marrom claro quase da cor da pele, magro porém com músculos visíveis, os olhos castanhos claros também da cor de sua pele, usando um óculos preto que o deixa com um ar de nerd misturado à sua timidez, ele é bonito e fofo, mas com certeza não é o tipo do Lucas, não que eu saiba - bem... Se vocês quiserem eu posso ajudar em algo - ele diz se endireitando.

-Nós não te conhecemos - digo - como vamos confiar?

-Lucas confiou nele - Lucy fala - então eu também vou.

-Amor... acorda - Jasmi balança um pouco o ombro fazendo Alice acordar do sono que parecia profundo.

-Oi? - ela diz perdida.

-Temos que fazer os pais do Lucas sumir, está dentro? -Lucy pergunta firme, Alice abre um sorriso enorme.

-Achei que nunca me diriam isso! - ela fala animada - Quando começamos? 

-Espera - Jasmi se levanta - sumir não significa matar - ela diz com uma expressão firme - entenderam?

-Eles vão voltar se não os excluirmos pela raiz - falo, olho para Pedrick - o que Lucas disse sobre isso?

-Ah... eu não sei, ele só falou para fazer eles sumirem, não disse como - Pedrick parecia asustado.

-Hey... Você está bem? - pergunto - já participou de coisas como essa antes?

-N-não - ele gagueja - mas eu consigo superar - fala - estou aqui para o que precisarem, minha família sempre trabalhou para os Morgans, eu vou seguir a tradição. 

-Entendi - olho para Jasmi - nós vamos os sequestrar, quando Lucas sair da cadeia ele decide o que vai fazer, por enquanto vamos fazê-los apenas sumir.

-Certo - ela diz, o sorriso na boca de Alice desaparece - você acha mesmo que é ele? Ou eles?

-Eu não sei... Se forem será fácil descobrir, se nós os trancarmos e o inimigo não aparecer mais será eles, se o inimigo mandar outra mensagem ou eu sei lá, saberemos que não são eles...

-Eu concordo... - Lucy iria começar a falar, mas para na hora em que a porta de madeira é aberta, vários homens de ternos e algumas mulheres com vestidos formais saem do local, nenhum era Lucas ou os pais dele, até que no meio do sufoco de muita gente no local pequeno do corredor eu sinto mãos me segurarem e me puxarem. Não sei para onde sou guiada, vejo o cabelo ruivo e tenho a impressão de ser Jasmi, até que a pessoa se vira e eu vejo a pequena cicatriz em seu pescoço. 

-Jena? - pergunto de boca aberta, ela faz um sinal com o dedo indicador dizendo para eu não fazer barulho, todos os outros nos seguiam, ela nos conduz por alguns corredores cheios até chegarmos a um vazio, ao lado havia outra porta de madeira bruta, grossa e grande.

Jena abre a porta que faz um barulho alto ressoar pelo local, estava escuro lá dentro, apenas com a pequena luz de uma janela ao lado de dentro que iluminava metade do rosto de Lucas.

Todos, absolutamente todos vão o abraçar, ele estava com enormes olheiras, cabelo bagunçado, rosto e braços sujos, mas tirando isso parecia estar bem.

-O que aconteceu? - Lucy pergunta preocupada enquanto o abraçava, ela o solta, o garoto não responde nada, apenas fecha os olhos e abre um pequeno sorriso.

-Eu fiquei com saudades - diz, sua voz sai rouca, vejo uma lágrima descer pelo seu rosto, Lucy a limpa, segura em no mesmo com as duas mãos, o aproxima e o beija.

Eu não preciso citar a cara de espanto de todos aqui, alguns de felicidade, outros (como Jena e Pedrick) não gostaram muito da cena do casalzinho. 

Lucy se separa de Lucas, os dois sorriem em alívio, ouço alguém limpar a garganta para falar, todos se viram para Alice. 

-Então - ela começa chamando a atenção - quem, quando e como temos que matar? - pergunta, Jasmi pisa em seu pé forte e a garota geme de dor.

-A pergunta na verdade foi, quem, quando e como temos que fazer a pessoa desaparecer? Tipo... fazer a pessoa ter outro nome, em outro país, assim como nós desaparecemos anos atrás? 

-Bem... essas decisões eu deixo com vocês - ele diz - tenho certeza que conseguem planejar algo bom... eu não estou em um bom estado para isso - o garoto passa as mãos pelos fios de cabelo - o pequeno tempo que fiquei preso foi o suficiente para eu quase enlouquecer novamente...

-Isso deve ser algum tipo de trauma - Lucy diz - do passado, por você ter ficado tanto tempo preso, se ficar só mais um pouco agora seria o suficiente para tirar sua sanidade.

-Tipo alguém que sempre bebeu, levou tempo para viciar, mas depois que vicia e para no meio, se voltar com apenas algumas latas a pessoa já vicia novamente - Jasmi diz - isso só significa que temos que tirar logo você daqui...

-Poderíamos te levar agora - Alice sugere.

-Não, se me levarem agora a impresa fica com meus pais, e mesmo que se eles sumissem iria ficar com um dos donos de suas ações, no próximo julgamento amanhã eu vou exigir que meus bens assim como a guarda legal de Layla fiquem para Jena - Lucas diz.

-JENA? - quase todos gritam, Lucas sorri para a garota que afirma com a cabeça. 

-Sim... Caso não tenham percebido, ela está ajudando por dentro da prisão - ele fala - mas o mais importante é que ela não será considerada um cúmplice, se eu passasse para qualquer um de vocês iriam achar que estão trabalhando para mim, já que eu pago a faculdade de uns e tive empréstimos com outros, Jena foi a única que eu não fiz nada disso, e que ninguém sabe que nos conhecemos, pelo menos ninguém que não seja muito próximo, vou apenas a colocar como guarda temporária enquanto eu estiver fora, o juiz exige isso, então a impresa vai ficar nas mãos dos Jade e não de desconhecidos.

-Acho que você não percebeu - digo me aproximando - mas Jena não está em condições para administrar...

-Ela não vai - Lucas me interrompe - eu vou colocar as coisas no nome dela, mas ela não vai administrar nada, quem vai será Pedrick - o garoto arregala os olhos - estou contando com você. 

-Não vou te decepcionar - o garoto diz firme, mas mesmo o firme dele parece uma criança fofa falando.

-Camila, preciso que você vá para a delegacia, eu preciso que você consiga informações sobre o assassinato de Paige, talvez conseguimos algo para saber com certeza absoluta quem e como está agindo. 

-Você desconfia de alguém? 

-Apenas de meu pai... mas ainda não é certeza - Lucas conclui.

-Certo... - do nada ouvimos passos do lado de fora do local, todos nos entreolhamos. 

-Vão! - Lucas diz, saímos as presas do lugar, nos encontramos com vários guardas pelo corredor, Jena segura em meu braço, firme, fica perto de mim a todo momento.

-Eu vou precisar de uma carona - ela diz sorrindo de lado, assim que chegamos do lado de fora Jasmi se vira para ela.

-O que você está fazendo aqui? Como veio para cá? E como sabia onde Lucas estava?

-Caso vocês não saibam, meu novo marido é dono do manicômio que ele está temporariamente, sendo esposa dele eu posso dar ordens para os guardas... - Jena tenta se explicar.

-Então vai ser fácil tirar ele de lá - Alice fala.

-Não... ele estará lá até a ordem do juiz, depois disso irá para uma prisão, e não podemos arriscar nada até ele passar a impresa nas mãos dos Jade.

-Ah... Agora estou entendendo - digo - então não podemos o libertar agora, vamos fazer os pais dele desaparecer nesse meio tempo, depois do julgamento o libertamos, que inclusive será amanhã, e assim que ele estiver livre nós decidimos o que fazer com os pais...

-E vamos perceber se eles são ou não a pessoa desconhecida - Jena fala, ainda grudada em meu braço, isso está incomodando um pouco, não por ela estar perto, mas por sua expressão de medo.

-Você está bem? - pergunto, ela faz que não com a cabeça.

-Eu esqueci os remédios na casa da Jasmi - diz - as coisas pioraram na minha cabeça - seguro em sua mão. 

-Apenas se lembre de que tudo isso é ilusão - Jasmi diz se aproximando dela, logo a abraça - eu fiquei preocupada com você. 

-Está tudo bem, sério - ela diz a abraçando com um dos braços, o outro estava me segurando ainda como se ela fosse cair a qualquer momento.

-Obrigada, pelo que fez... Você sabe... Lucas e tudo o mais - Alice diz um pouco tímida.

-Eu estava devendo uma pra vocês - Jena responde dando um leve sorriso para todos nós - desculpa por tudo.

-Tudo bem - falo, ela me encara - só nos deixe te ajudar - seu sorriso desaparece aos poquinhos mas a ruiva ainda assim afirma com a cabeça e volta a se segurar mais forte ainda em meu braço.

-Vamos pra casa? - Jasmi fala sorrindo - podemos pegar seus remédios, tenho certeza que será bem cuidada lá. 

-Hum... ok... - ela diz e se vira para nós - mas alguém me explica por que Jessica está com o cabelo curto? - suspiro fundo.

-É Jey - ele fala baixo, ele estava tão quieto o tempo todo que havia me esquecido que estava com Alice,  ao seu lado.

-Te conto tudo no caminho - sussurro pra Jena.

***

Já estava quase de madrugada, de volta à casa de Jasmi. Acho que vou me mudar pra cá, nem volto mais pra minha própria casa mais.

Pedrick também vai dormir aqui, não porque quis, meio que o obrigamos. Se ele não for de confiança não é uma boa idéia o deixarmos livre por aí podendo conversar com nosso inimigo.

Eu contei para Jena sobre Jey (ela não se surpreendeu, na verdade, disse que já achava que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde), mas ainda não tive coragem de tocar no assunto de sua gravidez, ainda é algo novo e que me assusta um pouco, estou me preparando pro momento certo.

Todos já haviam ido dormir, iríamos discutir sobre o plano do sequestro amanhã, quando as crianças já estiverem na escola e não tiver ninguém para ouvir. Do nada ouço um barulho, vindo do quarto ao lado, o que Jena estava dormindo, suspiro fundo e tomo coragem para sair, olho para os dois lados do corredor, vejo a garota subir para o sótão, sua camisola branca a denunciou, a sigo. Chegando lá em cima não vejo ninguém, vou até uma janela que dava para uma abertura sobre o teto, a garota estava ali sobre um sofá velho, olhando para a praia ao longe, apenas uma abertura no teto permitia que o lugar tivesse cobertura, e as grades baixas não deixavam que alguém caísse por engano, me aproximo lentamente da garota, ela me olha de lado, logo depois volta a prestar atenção no mar.

-Você não está pensando em pular ou coisa do tipo, não é? - pergunto brincando, ela sorri.

-Acho que se estivesse eu já o teria feito - fala, me encara e vai um pouco para o lado no sofá - senta um pouco - diz, vou até o pequeno lugar ao seu lado, me sento ali.

-Você não teve lua de mel? - pergunto me referindo ao casamento. 

-Vou ter semana que vem - fala - meu marido tem bastante negócios pra cuidar essa semana...

-Entendi... Então... vocês ainda não transaram? - a garota suspira e passa a mão pelo cabelo, fecha os olhos.

-Desculpa por ter mentido, eu estava com vergonha dos outros pensarem que eu fiz sexo com um velho...

-Então... vocês fizeram?

-Sim - ela diz, mas sei que está mentindo.

Jena, por que você está mentindo?

-Então... o filho que ele anunciou no casamento, é realmente dele? - ela me encara.

-Sim.

-Como tem tanta certeza?

-Eu não usei camisinha com ele, nem tomei a pílula depois.

-Por que está mentindo? - pergunto, ela me encara, seus olhos azuis em um tom mais escuro que o normal.

-Do que você está falando?

-Você não está grávida dele, você nem sequer encostou nele o casamento inteiro - digo e seguro seu rosto com minhas mãos,  a aproximo lentamente - eu só quero que você olhe em meus olhos, e me diga que não está mentindo. Então eu vou acreditar em todas as suas palavras - falo firme, a garota desvia o olhar - me diga! - ela fecha os olhos com firmeza, vejo uma lágrima descer pelo seu rosto - por favor - minha voz sai em um tom de choro - por favor, me diz a verdade, por favor.

O meu mundo parece despencar quando sinto seus lábios contra os meus, tudo em mim parece flutuar, sinto lágrimas escorrerem de meu rosto, sinto como se minha alma estivesse sendo puxada para aquele simples beijo. 

Eu só me senti assim uma vez na vida, na mesma noite que Lauren sofreu o acidente, antes daquilo, quando nos beijamos. Meu coração dói, como se esse sentimento de felicidade e tristeza misturados estivesse prevendo um fim trágico, como se essa fosse a última vez que eu fosse vê-la, como se nunca mais fosse sentir seus lábios novamente como aconteceu da última vez.

Eu não quero perdê-la tambem, eu não aguentaria perder mais uma pessoa importante na minha vida. Talvez seja uma maldição que estou fadada a me submeter. O de que sempre quando eu amo alguem de forma demasiada, esse amor se transforma em morte.

Ou... na caso de Lauren... quase em morte.

E pela primeira vez eu não nego o beijo, não como se estivesse sendo guiada apenas pelos meus desejos, e sim algo a mais, eu sinto, lá no fundo, mesmo que tentando negar, sinto um sentimento forte se formando, seguro em sua nuca, a aproximo mais, sinto sua respiração contra minha pele, sua pele macia na minha, a garota envolve seus braços em minha cintura, as lágrimas ainda caiam, agora não somente em meu rosto, quando o ar se faz ausente nós nos afastamos, lentamente.

Mas eu não queria me separar. Eu conseguia sentir que seeu me separasse eu nunca mais a teria novamente, e esse sentimento apertou meu peito ao ponto de não só o ar se fazer ausente, mas tambem qualquer faísca de esperança.

E eu chorava. Me sentia um bebê enquanto seus olhos azuis me encaravam, me lembrando os lindos azuis de Lauren.

Lauren. Talvez eu esteja me enganando. Mas talvez eu não ligue mais para o que é verdade ou mentira.

-Me prometa uma coisa - digo com a voz falha, nossos lábios quase que roçando, a brisa fria da madrugada nos fazendo se arrepiar e a luz do luar nos banhando - não me deixe sozinha -  a garota me encarava profundamente, após ouvir essas palavras seu choro se intensifica, a abraço sem entender o que estava acontecendo. Ambas, nós duas derramávamos lágrimas por motivos diferentes mas destinos semelhantes.

-Eu não posso prometer algo que não posso cumprir - ela diz soluçando em meus braços, sinto o peso das suas palavras e percebo o quanto eu queria a proteger em meus braços - eu já estou morta, Camila, eu já estou...

-Do que você está falando? - ela encaixa seu rosto em meu pescoço, sinto suas lágrimas quentes deslizarem por minha pele enquanto eu acariciava a sua.

-Isso é errado, não deveríamos estar juntas...

-Nós sabíamos disso desde o começo - falo.

-Camila... - ela se afasta de mim lentamente, porém suas mão permaneceram em meus ombros como se se separar de mim estivesse sendo difícil para a garota - eu não posso, eu não posso ter esse bebê. 

-Por quê? - pergunto sem entender.

-Eu... - ela para, sua boca abre e se fecha como se quisesse dizer algo, mas nada sai - eu não estou preparada pra isso.

-Mas eu estou aqui, todos estamos para o que precisar.

-Não vão estar para sempre - ela diz - não vão estar quando... - novamente ela para a frase, percebo que quer dizer algo, mas não diz nada. Ela sempre faz isso.

Sempre tem segredos demais que esconde. Nunca conta. Nunca confia. Quer sobreviver sozinha.

-Esse bebê é meu filho? Jena, eu que a engravidei? - ela me encara de lado - diga a verdade - Jena faz que sim com a cabeça ainda hesitando, suspiro fundo - você sabe que eu vou assumir.

-Não, não vai.

-O que?

-Eu não deveria ter engravidado, isso estragou tudo...

-O que você está falando? O que você vai fazer? - pergunto, do nada ela olha para trás de mim, para algo além, seus olhos se arregalam. 

-Ela está aqui. Ela sabe que a traimos. Ela veio me buscar. Ela...

-Quem? Jena? Quem é ela? - pergunto desesperada a ruiva me encara, em um sussurro diz apenas uma palavra e vai embora às presas.

"Lauren"



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