História Verdade ou Desafio - 2 - Capítulo 9


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 4.137
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, LGBT, Lírica, Mistério, Orange, Survival, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - À vida ou à morte


*Lucy*

Tento achar as chaves do meu carro dentro da minha bolsa, mas está uma bagunça ali, é cedo mas tenho aula na faculdade daqui há meia hora, e o pior de tudo é que estou em frente ao meu carro parada no quintal da frente sem conseguir achar as chaves. Bufo.
Ouço uma busina alta, olho para os lados e sorrio como se tivesse encontrado o salvador da pátria.
-Precisando de uma carona? - Lucas pergunta sorrindo em minha direção.
-Você sempre me salva nesses momentos - respondo andando em direção ao carro, abro a porta do passageiro na frente e entro - sempre com suas caronas surreais - ele gargalha e volta a dirigir.
-É pra isso que os melhores amigos servem - dá uma piscadela para mim, me viro para colocar a bolsa que estava carregando no banco de trás e vejo Layla ali.
-Hey, princesa - ela me encara - indo pra escola? - ela afirma com a cabeça, estava com um livro em suas mãos - já sabe ler?
-Claro - fala e volta a prestar atenção no pequeno livro, a maioria da trajetória até a escola foi ela lendo até qur... - a única que não mente? - arqueio uma sombrancelha e viro para trás.
-A única que não mente? - Layla afirma - onde você leu isso?
-Aqui - a loira me mostra um papelzinho. Era a única coisa escrito ali.
-Onde estava esse papel? - pergunto o pegando na mão, olho para Lucas, ele estava preocupado também. Se fosse em outras épocas não ligaríamos para isso, mas, após a carta de ontem tudo é possível.
-Estava dentro do livro - Layla dá de ombros e volta a ler. Em alguns minutos chegamos na escola, nos despedimos de Layla e voltamos para o carro.
-Você acha que é daquela pessoa? - pergunto para Lucas o mostrando o papel, ele o analisa calmamente.
-Sim - responde - isso só significa que essa pessoa tem acesso até a objetos pessoais nosso, foi uma ameaça, essa pessoa quer nos mostrar que está no controle de tudo, que pode a qualquer momento se infiltrar em algo, até em nossas vidas particulares, caramba! Essa pessoa esteve perto de Layla! - o loiro passa a mão pelo cabelo, parecia tentar assimilar tudo.
-Calma... Eles não fizeram nada a Layla, então podemos ficar mais calmos... Talvez não queira a machucar...
-Mas com isso ele praticamente declarou "se eu quiser posso simplesmente a machucar"! - Lucas está nervoso, liga o carro novamente e começa a dirigir em direção à minha faculdade - acho que vou tirá-la da escola e contratar alguém pra dar aulas particulares. Isso é importante, não podemos a deixar vulnerável assim.
-Ele praticamente nos ameaçou, se sairmos da linha ele pode fazer o que quiser com as crianças... - suspiro.
-Imbecil! - Lucas bate no volante, seu rosto mostrava a raiva que estava sentindo - se ele tocar um dedo em Layla eu movo céus e infernos pra o matar! - dá pra ver o quão nervoso estava, passo a mão pelo seu ombro em uma carícia para tentar o acalmar.
-Ficar nervoso não vai adiantar muita coisa, temos que pensar com lucidez, o que aquela frase significava?
-A única que não mente... - Lucas repete - não sei, pode significar muitas coisas...
-Uma hora vamos saber... - completo, ele finalmente relaxa os ombros, paramos em frente a universidade onde estudo. Tiro o cinto para sair, assim que fecho a porta ele me olha atravéz do vidro.
-Tome cuidado - diz.
-Eu vou - respondo com um sorriso mínimo - você também.
-Eu sempre tomo cuidado - sua voz é reconfortante, mas uma voz que eu estava evitando corta o momento.
-Lucy! - Droga! Droga! Droga! - vem com a gente! Você não vai acreditar no que descobrimos - me viro lentamente em sua direção.
James, um garoto que dá em cima de mim desde que eu comecei a faculdade de psicologia, eu o ignoro todos os dias, mas por algum motivo ele não quer me deixar em paz.
-Eu preciso ir pra aula, James - respondo seca e direta - já disse que não tenho tempo para brincadeiras.
O garoto chega perto de mim, ele é alto e forte, chega a dar medo às vezes.
-Tenho certeza que você vai gostar, baby - fala, apenas começo a andar em direção á minha sala, o garoto me segue ficando ao meu lado. Bufo.
-Estou ocupada - digo.
-Então eu posso te mostrar hoje a noite? Que tal? - o encaro tentando não perder a paciência até que tomo um susto quando braços rodeiam minha cintura, estou prestes a matar o idiota que fez isso quando vejo que é Lucas.
-Amor, quem é esse? - ele pergunta para mim. Amor? Que?
-O que... - minha frase é interrompida quando Lucas me manda uma piscadela que passa despercebida por James - Ah! É só um colega da faculdade, ele estava me convidando para algo hoje a noite... Mas acho que a gente ia sair, certo?
-Sim! Vai ser uma noite incrível, baby - olho para James que mantinha os olhos arregalados em nossa direção.
-E-eu não achei que você namorava - praticamente sussurra, sorrio cinicamente.
-Eu esqueci de apresentar meu namorado, Lucas esse é James, James esse é Lucas - o loiro solta minha cintura para apertar a mão dele, o garoto tinha a boca aberta sem entender e eu estava amando aquilo.
-Enfim, amor, te pego às oito? Vamos assistir o filme que você quiser - Lucas fala e me dá um beijo na testa. Sorrio.
-Claro, às oito então - com essas palavras James sai de perto de nós, quando já está a uma boa distância nós caímos na gargalhada.
-Obrigada - agradeço, do nada lembro da aula que ia ter - eu já devo estar atrasada! Preciso ir! - falo já indo em direção á faculdade.
-Se você quiser eu venho te buscar depois - ouço ele gritar, viro em sua direção andando de costas.
-Seria maravilhoso! - respondo, o loiro apenas sorri e então vai em direção ao seu carro, volto a andar para a faculdade.
Por algum motivo, não consigo parar de pensar nele, em suas palavras. Quando vou perceber, estava corando e sorrindo que nem boba no meio da aula.

*Camila*

Acordo cedo, levo Jéssica para a escola, as coisas acontecem rápido mas ao mesmo tempo lento. E aqui estou eu, no hospital, em frente á mulher que eu tanto amo.
Sua pele está extremamente pálida, dá para ver muitas veias por ela, tubos e mais tubos nos rodeiam, não dá para ver totalmente seu rosto por causa da máscara de ar, mas sei que se ela fosse fazer alguma expressão agora, seria de tristeza, de dor. Eu estou sendo egoísta a mantendo viva? Ela iria descansar se eu simplesmente assinasse alguns papéis, mas, por algum motivo eu não consigo deixá-la ir, eu preciso dela, eu necessito, nem que se for para vê-la assim, a dor de perdê-la para sempre é pior, mais profunda, mais mortal.
-Você só precisa assinar aqui - ouço a enfermeira, me viro em sua direção, ela mantinha uma prancheta em suas mãos.
-Para onde exatamente ela será mandada? - pergunto - o quarto? O local?
-No hospital particular Morgan's, você mesma especificou, quarto vinte e nove na área leste, não é muito longe daqui, é um hospital novo e caro, um atendimento muito bom - fala calmamente - olha... Eu sinto muito pela sua perda...
Olho para o chão, respiro fundo e pego a prancheta.
-Todos sentimentos - assino meu nome ali - mas não podemos fazer nada...
-O que ela era sua? - a enfermeira pergunta, seus olhos pareciam me transmitir calma, algo que realmente preciso.
-Ela é minha esposa - respondo, toco de leve a mão pálida e gelada de Lauren, o único som era da máquina exibindo os batimentos cardíacos dela.
-Esposa? Vocês são...? - a encaro, ela para de falar na hora - desculpa, eu não tenho a intenção de ofender, só não é muito comum de ver duas mulheres casadas.
-Está tudo bem - sorrio fraco - quando a transição será ocorrida? - ela olha na prancheta.
-Ainda hoje, às duas da tarde - fala, logo depois volta a me encarar - tenha um ótimo dia senhora Jade - diz e se vira.
Fico mais um tempo ali, olhando para Lauren, seus olhos fechados, eu gostaria tanto de ver aqueles brilhos novamente, as memórias são tão vagas que mais parecem um borrão.
Sinto meus olhos ficarem molhados, minha respiração mais descontrolada, seguro sua mão entre as duas minhas, a apertando, querendo que ela acorde.
O pior de tudo é não conseguir me lembrar, de sua voz, de sua cheiro, de seus lábios contra os meus, não consigo, por mais que eu tente, tudo está desaparecendo. É como se eu quisesse segurar água com as mãos, mas gotas grandes e lentas escorrem pelos meus dedos, quero conter, mas não consigo.
-Lauren - sussurro, minha voz de choro, encosto minha testa onde estava minhas duas mãos, deixo lágrimas rolarem, eu choro, eu desabo, eu não consigo mais me aguentar - eu só queria que você estivesse aqui - falo com sinceridade - sua filha, Jéssica, ela se parece tanto com você, os mesmos olhos, o mesmo sorriso, ela vai crescer e se tornar forte e incrível como você - choro muito, não me aguento de pé e caio sobre meus joelhos - por que você teve que nos deixar? Eu preciso tanto de você! Jéssica precisa de você! - fecho os olhos com força, soluçando - você foi a única que me deu esperanças e do nada foi tirada de mim, e eu não pude fazer nada. Por que? Por que? Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?
-Porque os bons acham que vivem em um mundo bom - ouço uma voz atrás de mim, me viro vendo a enfermeira de antes parada na porta - porque é onde vivemos, nascemos, crescemos e morremos, o mundo não é bom, ele te dá tudo e do nada te tira tudo, é assim que as coisas terminam, viemos sem nada e partiremos sem nada - a mulher fala, me levanto e a encaro - não vai adiantar você continuar chorando, não é algo que você possa resolver, siga em frente, aproveite que ainda tem tempo antes que ele seja tirado de você como foi dessa pobre garota - com essas palavras a enfermeira se retira do local, fico alguns segundos a mais atordoada até que caio na real.
Ela está certa. Agora eu tenho um emprego, uma filha, responsabilidades para cuidar, tenho que seguir em frente, não posso olhar para o passado se quero ter um futuro, por mais que isso dói, chorar não vai mudar nada.
Dou um último beijo na testa de Lauren. Saio do quarto a passos largos, tentando sair o mais rápido daquele lugar sufocante.
Chego perto da minha moto que havia pegado quando levei Jéssica para a escola, coloco o capacete, a jaqueta de couro, não estava frio mas o ar fresco iria me congelar se eu não me vestisse com aquilo enquanto dirijo. Em alguns minutos e já saio cortando as ruas por onde passo, o som alto do motor misturado ao vento é relaxante. Fico assim por um tempo, até que resolvi fazer algo totalmente impulsivo e absurdo, provavelmente vou me arrepender disso depois, mas, estou cansada de esperar milagres acontecerem, eu preciso me libertar mais, começar uma nova vida feliz e não rancorosa.
Começo a dirigir ao redor do centro, prestando atenção se não acho o que eu estava procurando, até que encontro, um bar com o letreiro "Blank" em cima, parecia ser da classe alta, não ligo, tecnicamente eu sou da classe alta agora. Estaciono a moto, pego no celular e ligo para Hannah, a mãe de Jasmi, a aviso para ir buscar Jéssica na creche de tarde porque eu iria passar o dia fora, não específico o que iria fazer, ela aceita e me ouve com atenção.
Desligo a ligação e adentro o local, minha primeira impressão foi de puro sexo, essa é a palavra ideal, o jogo de luzes e cores fazia o lugar ficar com um ar sensual, a música ajudava nesse quesito e para a minha total surpresa também haviam strippers em poly dance, sensualizando para homens a sua frente. Tento não encarar ninguém ali, mas todos me encaram, em sua maioria homens, provavelmente achando que eu sou oferecida ou vim aqui em busca de diversão, na verdade eu vim em busca de diversão, mas não desse tipo, quero apenas beber e esquecer tudo, fazer alguma loucura, me libertar.
Vou direto até o balcão, um barman me atende me perguntando o que eu iria querer e como, peço várias doses do que eu ia vendo atrás dele, nem sei o nome daquelas bebidas, mas isso não importa, o importante neste momento é que elas contenham álcool, quero chegar a um nível em que eu não lembre nem meu próprio nome.
Eu sou policial, deveria me preocupar com minha reputação fora do trabalho, mas, todos bebem e isso sequer é contra a lei para maiores de idade, então, sem problemas para mim desde que eu não dirija. 
O barman coloca a primeira dose em minha frente, era um líquido rosa florescente, nem ouso perguntar o que era, apenas bebo sentindo aquilo arder garganta a baixo, o gosto amargo junto ao doce. Era bom, admito, peço mais um da mesma para o moço.
Do nada um homem senta ao meu lado, ele me observa enquanto eu tomo o segundo copo de seja lá o que for aquilo. Estava com um sorriso no rosto, apenas o ignoro como se fosse um inseto, até que o homem começa a falar comigo.
-Oi linda - fala, rolo os olhos - vem sempre aqui?
-Nossa, sério? Não tem garotas piranhas para você dar em cima não? Estou ocupada! Não vê? - lhe mostro o copo vazio.
-Beber sozinha não faz bem para a saúde.
-Não faz bem para a saúde conversar comigo também - o encaro - e olha onde estamos!
-Por que não faz bem...? - o interrompo em um movimento rápido mas imperceptível para quem estava ao nosso redor, agarro o volume entre suas pernas por cima da calça, quase que esmagando, mas me contento apenas com a provocação de castrá-lo.
-Não estou em um ótimo dia, muito menos em um ótimo humor, então ou você sai daqui agora ou eu arranco suas bolas.
O ameaço, o homem chega a ficar pálido e apenas assente com a cabeça, volto a beber mais uma dose daquela bebida dos deuses como se nada tivesse acontecido, ele vai embora.
Após um tempo eu desisto das bebidas e passo a assistir as strippers, elas são boas, a única coisa que me vem a mente é como elas fazem aqueles movimentos, sério, é surpreendente e surreal. Até que do nada a música para, assim como as luzes que focam somente no palco principal, percebo que os homens ali ficam animados com isso, quando eu menos esperava, quase engasgo com a bebida que estava tomando ao ver Jena Jade em pessoa andar pelo palco principal com um microfone em suas mãos.
Ou eu estou bêbada demais e estou imaginando coisas, ou realmente a garota estava ali, na minha frente, com a sua postura de modelo profissional. Prefiro acreditar na primeira opção.
Ela exibia aquele ar superior de sempre, seus saltos altos faziam barulho por onde passavam, sua roupa com um decote um tanto que exagerado, fico a encarando sem entender nada até ela dar aquele sorrisinho de "eu mando nessa bagaça".
-Clientes, para a infelicidade de todos não haverá show esta noite com a nossa stripper principal, mas, em troca teremos uma substituta para todos vocês - Jena se vira e uma mulher alta e atraente entra pelo palco, apenas de lingerie - aproveitem o show - ela completa, a música volta a tocar, Jena dá uma última olhada no público até que nossos olhares se encontram, não sei quem está mais surpresa com quem ali, tanto eu quanto Jena estávamos de boa olhando uma para a outra.
A ruiva desce as escadas e vem em minha direção, muitos assistem isso sussurrando no ouvido um do outro.
-O que você está fazendo aqui? - a garota pergunta se aproximando.
-O que você faz aqui? - dou ênfase no "você".
-Camila, eu sou Jena Jade, dona da boate "Blank" - abro a boca em total descrença, ela ri de mim, segura em minha mão e me guia para uma mesa ali perto, seu toque era delicado e ela exibia uma expressão gentil, diferente da que lançava para os outros presentes ali.
-Eu não acredito que você tem uma boate e eu não sabia disso... - respondo ainda confusa.
-Bem... Não é muito bem uma boate, é um bar stripper, e eu não sou dona há um bom tempo, costumava vir aqui frequentemente até que resolvi comprar tudo pra não precisar pagar as bebidas - fico mais chocada ainda.
-Você comprou um bar porque queria beber de graça? - ela arqueia a sombrancelha.
-É... Basicamente isso - fecho os olhos, respirando fundo - e o que você está fazendo aqui?
-Só queria beber um pouco - ela ri de mim.
-Bebidas há em todos os lugares, mas esse é o único da cidade com strippers da alta classe, veio em busca de diversão? - a encaro, ela exibia um sorriso malicioso - não achei que você era assim, Camilinha.
-Não sou e nunca fui. Só queria beber, você sabe do meu passado, já trabalhei com isso e odeio essas coisas...
-Mas estava gostando do show...
Olho para baixo me sentindo culpada, minha mente vaga para o quarto de hospital que eu estava há algumas horas atrás, para Lauren, para meu amor.
-Eu não quero me envolver com prostituição novamente, nem ganhando dinheiro e nem pagando, estou fora disso - respondo, Jena suspira.
-Hey - ela chama um garçom que estava passando com bebidas em uma bandeja - está vendo esta daqui? - ela aponta para mim - ela é V.I.P, bebida de graça para ela, me traga Whiskey - ordena, o garçom logo sai de perto para ir pegar o ordenado, Jade volta a me encarar - essas strippers são minhas funcionárias, mas, também são minhas amigas, tenho certeza que se eu conversar com uma delas ela vai querer uma noite inteira contigo sem cobrar nada, sem dinheiro não será contado como prostituição, certo? Apenas prazer.
-Jena... Eu... - tento me defender mas ela me interrompe.
-Vai! Olhe para os lados e escolhe uma, estou aqui para te ajudar, cunhadinha! essas garotas são sedentas por sexo, bem, a maioria são, certeza absoluta que vão querer pegar uma mulherona da porra que nem você, mais certeza ainda se elas descobrirem que você tem um pênis - arregalo os olhos em sua direção.
-Você está doida de falar isso em voz alta? - pergunto, ela ri.
-Qual é o problema?
-Problema é que as pessoas não acham isso normal, e eu só estou aproveitando minha nova vida nesse país pelo fato de ninguém saber da verdade! Não quero arruinar tudo isso.
-Se isso que você chama de aproveitar eu estou é com dó. Sinceramente? Eu te considero "bem dotada" por ter esse corpo - ela pisca para mim, o garçom chega com as bebidas e as coloca na mesa.
-O que você quer dizer com isso? - pergunto, a garota toma tudo em seu corpo de uma só vez e pede mais.
-Que você deveria aproveitar disso enquanto tem tempo - ela responde, bufo alto.
-E se eu não quiser?
-Camila, Camila, muitas pessoas gostariam de ter nascido como você, não desperdice os seus dons - ela ri.
-Sabe, se não fosse pela personalidade extremamente diferente, eu nunca conseguiria diferenciar você de Jasmi...
-Agora está mais difícil, antes dava para saber porque ela usava roupas comuns, óculos, e eu sempre fui vaidosa, agora ela está ficando mais igual a mim, vestindo roupas caras e de marca, usa lentes de contato, acredita que até passa maquiagem e anda de salto alto? Estamos idênticas - ela gargalha - mas veja... - a garota estica o pescoço, vejo uma pequena cicatriz ali, mínima - lembra daquela vez que estávamos fugindo de Lucas e eu levei um tiro de raspão? É a única diferença física que tenho dela...
-Não muda muita coisa - bufo - só se chegar bem perto dá pra ver.
-Por isso que eu amo ter uma irmã gêmea! - no mesmo momento seu celular começa a tocar, a garota retira o aparelho do bolso enquanto eu bebia o líquido do meu copo, o álcool já estava fazendo efeito em mim, vejo a garota bufar e colocar o celular de volta ao bolso - alguns problemas não valem a pena - ela parece irritada.
-O que aconteceu? - pergunto.
-Bem, eu conheci um cara assim que nós chegamos no país, filho de um empresário rico, eu até cheguei a ficar com ele, mas estava focada no pai - engasgo com isso.
-Espere, você está pegando um velho? - ela ri alto.
-Estou noiva do imbecil, só quero o dinheiro dele, disse que só ia perder a virgindade quando nos casássemos, acredita que ele acreditou? - ela ri - foi com a ajuda dele que comprei este lugar, está no meu nome agora, gosto daqui, minha segunda casa...
-Deixa eu ver se entendi... Você está noiva com um senhor que já tem filho por causa do dinheiro dele, vai casar, e depois?
-Depois eu contrato a família Jade para fazer o que ela sempre fez de melhor, sumir com um corpo aqui, algumas evidências ali, e bum! Estou rica.
-Você já é rica.
-Tenho ambições maiores - ela pisca novamente para mim, a bebida chega, só que dessa vez não vem apenas dois copos e sim vários - aceita algumas rodadas de puro álcool? - pergunta, arqueio a sombrancelha.
-A família Jade não trabalha sujo, Jena, você sabe disso, não vamos matar um senhor por causa de suas demandas - ela bufa.
-Eu sei disso, mas, esse cara não é tão fácil assim, ele é perigoso, comecei a descobrir várias coisas sobre ele, uma delas é a corrupção, depois que entrei nesse mundo da alta classe coisas assim são comuns, dinheiro e mais dinheiro roubado de pobres... Camilinha, não sou uma garota de sangue frio, eu também sinto, embora nem tanto quanto os outros, não vou matar uma pessoa inocente, apenas alguém que não merece sequer respirar.
-Não deveríamos estar falando sobre isso em um bar.
-Então, vamos apenas beber, negócios a parte resolvemos depois, certo? - olho para as bebidas em minha frente.
-Como vamos voltar para casa?
-Eu já tenho passe V.I.P no hotel do outro lado da rua - ela dá de ombros - pra que voltar pra casa quando você pode morar em frente á diversão?
-Você ama tudo isso, Não é? - pergunto me referindo ao bar, às pessoas, ao álcool, as strippers, ao dinheiro - Você ama ser independente, poder fazer o que quiser, ama loucuras, não é? Um pouco de adrenalina todos os dias faz seu sangue circular.
Ela sorri cinicamente, pega um copo na mão e levanta como se fosse blindar a algo.
-Eu amo viver, Camila, e isso me faz me sentir viva - ela bebe o líquido, se vira para onde estava acontecendo o show principal das garotas
-Eu não chamo isso de viver.
-Então vamos dizer que amo estar morta - ela pisca pra mim - só que bebendo e com sexo de sobra - e novamente se vira para o palco - vamos, já disse que você pode escolher qualquer uma que eu arranjo para você - fala.
Pego a bebida e a tomo em um gole só, eu já estava alterada, minha mente vaga para Lauren, para minhas memórias, para aquele quarto frio e triste. Acordo, encaro todas as strippers e levanto outro copo com mais bebida.
-À vida! - digo, ela levanta mais um copo sorrindo.
-À vida! - Jena fala rindo - ou à morte.


***


Acordo com a cabeça doendo, com o corpo doendo, com tudo doendo. Abro os olhos sem sequer saber onde estou, uma ânsia de vômito me consome, balanço a cabeça mas ela acaba doendo mais ainda. Não me lembro de muito do que aconteceu, apenas de bebidas e muitas risadas. Minhas costas ardem, estou nua, onde estou?
As paredes do quarto onde eu estava eram brancas, assim como o lençol da cama que eu estava deitada, assim como a pele da mulher ao meu lado, nua.
Espera... O que aconteceu?



Notas Finais


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