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História Veredicto, interativa - Capítulo 26


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Notas do Autor


༐•ᄔ Dessa vez a capa vai estar diferente porque foi a chance que tive de usar um belo presentinho que recebi da @AnaNeko-chan, muito obrigada mesmo <3

༐•ᄔ Boa leitura!

Capítulo 26 - Coágulo negro forjado em ouro


Fanfic / Fanfiction Veredicto, interativa - Capítulo 26 - Coágulo negro forjado em ouro

Belzebu carregava as duas crianças no colo, aquilo o lembrava de 15 anos antes, quando apenas Nefertiti e Rowan havia nascido e Miguel andava com os dois nos braços para todo canto. Talvez tudo estivesse repetindo, já que Anúbis e Louise não saíam de seus braços de forma alguma aquele dia. Louise, pelo menos, nunca saía, já Anúbis tinha dito que sua mãe estava consolando um Gabriel choroso e não queria interromper. Um ato bonito do garoto, o príncipe infernal podia reconhecer isso.

— Pai, eu tava pensando… — Louise dizia enquanto segurava no pescoço de Belzebu, mas em certo ponto, ele preferiu colocar tanto ela quanto Anúbis no chão e ficar abaixado. — Quando duas pessoas se gostam elas ficam juntas, não é?

Belzebu arqueou uma sobrancelha, curioso.

— Por quê?

— Porque você gosta da mamãe, não é? — Ela recebeu um sinal afirmativo. — Você gosta dela, então fica junto. Eu gosto do Anúbis, eu devia ficar perto dele.

Belzebu não conseguia identificar se aquilo era uma brincadeira ou não, abrindo a boca uma vez e logo a fechando. Olhou para Anúbis, o menino tinha o mesmo olhar de curiosidade de sua filha. Nesse momento, Belzebu sentou no chão, apoiando os cotovelos nos joelhos  e olhando para os dois.

— Não é bem assim…

— Claro que é! — A pequena ruiva o interrompeu, ela falava com um tom autoritário semelhante ao da mãe. — Se eu ficar perto dele, posso proteger ele dos pesadelos.

— Você teve pesadelo de novo? — Embora o assunto lhe fosse preocupante, olhou para Anúbis, outra coisa seria muito pior.

— Não era pesadelo! — O garoto interviu, olhando para Louise como se já tivessem discutido aquele assunto. 

— Você chorou.

— Mas é porque eu não queria que o papai fosse embora. — Anúbis tinha um tom choroso, o entristecia lembrar daquelas cenas.

Ao ver o garoto entristecido, Belzebu o pegou no colo novamente. Não era bom em dar apoio moral, mas tentaria, era uma situação delicada ainda mais depois do desenho quase detalhado de Miguel feito pelo menino.

— Você viu seu pai? — Anúbis concordou com um aceno. — E o que ele fez?

— Ele falou que era pra dar um abraço na mamãe, em você também, e no tio Gabriel, mas depois ele foi embora de novo… eu não quero que ele vá embora. Também falou pra cuidar da Louise e da minha irmã.

— E como seu pai estava? 

— Acho que triste também.

— Viu? Se ficou triste, é pesadelo. — Louise comentou, cruzando os pequenos braços.

— Nem todo sonho triste é pesadelo. — Belzebu riu com o nariz, chamando a filha para estar no colo dele também.

O príncipe infernal segurava uma criança em cada perna, abraçando os dois, confortando-os.

— Os dois precisam cuidar do outro, ouviram? — Ele falou calmamente, vendo as duas cabecinhas concordarem. — E Anúbis, seu pai vai sempre cuidar de ti, mesmo que não esteja aqui.

— Ele tava aqui!

— Eu sei. — Belzebu queria realmente saber, pois se tudo fosse um sonho realmente, assombraria o garoto pro resto da vida, mas se o pai dele estivesse fisicamente visitando o filho todo dia… era bem mais complicado, principalmente por se manter em sigilo.

— Pelo visto aprendeu a lidar com crianças. — Ouviram uma voz feminina, logo atraindo os olhares dos três sentados ao chão. Era Nahemah, ela parecia bem melhor desde a última vez que Belzebu havia conversado com a mulher.

— A gente faz o que pode. — O sorriso amarelo dele fez a rainha rir baixo ao mesmo tempo em que balançava a cabeça.

— Pai ela faz as pessoas de trouxa. — Louise comentou, puxando a blusa do príncipe infernal.

— Oi?

— É verdade, tio. — Anúbis confirmou, agora recebendo um olhar desconfiado de Nahemah. De todas as rainhas, ela com certeza era a mais distante das mães das duas crianças. — Tia Agrath disse que o tio Jorge é trouxa por ela, que ele fica com… com… o que foi mesmo que o Zek disse?

— Dor de corno. — Tanto Belzebu quanto Nahemah ergueram as sobrancelhas, não sabiam muito bem se riam ou se concordavam. — O que é dor de corno, pai?

— O que o Jorge sente. Vão ali brincar vão. — O demônio dizia isso levantando e enxotando as duas crianças. Balançou a cabeça negativamente, um tanto incrédulo pelas coisas ditas. Não que ele nunca tivesse dito algo assim, falou asneiras muito piores, mas não deixava de se espantar.

Levantou então, limpando a roupa e mantendo o olhar sobre os dois menores.

— Pra constar, eu concordo com eles. — Belzebu disse, indicando os dois menores com um movimento da cabeça. — Como você tá?

— Partindo do ponto onde minha filha morreu, os Cavaleiros estão malucos e ninguém mais sabe o que está acontecendo… não sei. 

— Parou de chorar pelo menos.

— E você não parou de ser ridículo.

— Obrigado.

— Fora as mazelas usuais, como a Lilith me dizendo que estava com o Caim ou que o chorão do Jorge começou de novo com o drama.

— Santos são sensíveis… — O tom irônico não passou despercebido, fazendo Nahemah rir. — Ele não superou.

— O problema é dele. Não é como...

— “Não é como se passar 50 anos fodendo juntos significasse que quero estar grudada”. — Belzebu afinou a voz para falar a mesma frase usada por Nahemah desde sempre. Por um lado, entendia, por outro, era totalmente culpado pois havia pedido Agrath em casamento em bem menos tempo que isso. — Eu sei, eu sei.

— Gostoso, quase me deixa grávida na última vez, porém longe de mim. — Nahemah balançava as mãos em negação, franzindo o rosto. — Capaz dele se inspirar na porcaria que você fez e me aparecer com um anel.

— Eu queria muito ver a surra que ele levaria se fizesse isso. — Belzebu franziu os lábios, tentou prender o riso e ganhou um belo sorriso azedo vindo de Nahemah.

Antes dela responder, ambos escutaram um tumulto próximo. Belzebu esfregou o rosto, não aguentava mais apartar briga ali, já a rainha ao seu lado ficou curiosa para saber o motivo. Infelizmente, para ele, pareciam estar gritando há um tempo.

Andou até mais perto da gritaria, notando uma rodinha ao redor de Florian e de Adalet, e pelo que poderia analisar, Florian tinha alguns defensores. Jano tentava afastar o menino, mas sempre acabava falando algo inutilizando os esforços do anjo. Kali e Maia também tentavam apartar, mas estava dando bem errado.

— Olha lá tua enteada — Belzebu comentou, parando e colocando as mãos nos bolsos.

— Você não vai resolver?

— Não. — Ele já sabia sobre a natureza de Florian, quem o garoto realmente era, por isso conhecia certas brincadeiras preferidas por ele. Fome não machucaria Adalet, não ali, não com as próprias mãos. Belzebu também não correria o risco de contrariar a “criança mimada” e acabar igual a Edwards. — Ela se vira.

__________

Durga mantinha as mãos na nuca de Kai enquanto as dele iam embaixo da saia usada por ela. Estavam ali durante um tempo, não pretendiam simplesmente transar, isso poderia ser para depois, embora nenhum usasse nada nas partes de cima. Talvez em mais alguns minutos, também não usariam nada embaixo.

Kaur segurava Galaran com possessividade, beijando-o de forma intensa, ato retribuído com fervor por ele. Durga movia o quadril contra o de Kai, os dois já estavam consideravelmente excitados, mas não cederiam tão cedo assim. Entre toques e suspiros, eles prosseguiram. Kai passou a beijar-lhe o pescoço enquanto subia uma mão para o seio dela.

Em um ato ágil, Durga o empurrou, fazendo-o sentar e ficando no colo do garoto. Gemidos baixos ecoavam pelo cômodo, felizmente não havia ninguém presente na residência, e mesmo que houvesse, não poderia falar nada. Sinceramente, nenhum dos dois se importava, não era um crime.

Quando Kai estava prestes a trocar as posições novamente, a porta da entrada foi aberta. Felizmente eles não estavam na primeira sala — a usada por Caim — mas sim em uma mais atrás, quase como um escritório. Embora mais afastada, a porta estava aberta, e não afastaram o corpo do outro ao ouvir os passos chegando mais perto.

Pela iminente leveza dos passos, não era Caim, então não se dariam ao trabalho de levantar. Quando Lucille pôs os pés dentro do escritório e notou a situação de Kai e Durga, apenas deu de ombros, indo até o divã onde estavam e sentando logo ao lado. Para sua surpresa, o casal não pareceu se incomodar.

— Preciso de um favor seu. 

— Não vê que estou ocupado? — Kai nem ao menos a olhou, estava mais atento no pescoço de Durga.

— Precisa controlar seu cachorro.

— A gritaria que escutei lá fora... foi o Florian? — Quem perguntou foi Durga, esta que olhou para Lucille de forma neutra.

— Ele e a surtada que não aceita um não. — Lucille revirou os olhos, olhando para as próprias unhas. — Pelo visto você pega tão bem quanto seu irmão.

— Quem sabe melhor. — Durga riu baixo ao responder. Kai já não estava tão a fim de ser simpático. — Está calma, o que andou fazendo?

— Bem matou alguém de desgosto — o rapaz respondeu, rindo pelo nariz.

— Descobri que fazer o papel de garota desentendida e interessada é vantajoso.

— Só agora? — Durga arqueou uma sobrancelha. 

— Não é meu estilo, mas é útil. — Por uma fração de segundo ela demonstrou insatisfação, logo os olhando como se estivessem vestidos e separados, em outras palavras, ignorando totalmente a nudez parcial de ambos. — Quero paz, aqueles dois gritando são inconvenientes.

— E o que eu tenho a ver com isso?

— Sem o Hórus aqui o único que pode segurar o Florian é você — Durga falou baixo, segurando no rosto do rapaz abaixo de si para que ele a olhasse diretamente.

— Me faça um favor e ainda fique me devendo por deixar seu possível cunhado bastante entretido passando raiva.

— Olha Durga, ela quer paz pra encher o saco do Caim. 

— Não só pra isso, não me rebaixei a esse ponto.

— Nem deve. — Durga movia os ombros, afastando o rosto de Kai. — Você é quem deveria ir. Não pela Adalet, mas pelo Florian. E quem sabe pelo nosso tempo mais tarde.

Nesse momento, Lucille sorriu. Realmente os gritos estavam insuportáveis, ela precisava de silêncio. Perguntava-se apenas o motivo de terem escolhido estar perto de sua residência, aquele lugar era enorme.

— Vê, muito mais legal negociar com ela.

— Não comecem. — Kai tinha uma voz arrastada, não estava muito animado para levantar dali ainda mais pelo seu tio.

Quando ele olhou para as duas próximas, ambas o olhavam esperando uma atitude. Considerava até maldade Durga estar seminua em seu colo e o pedir para ir resolver problemas alheios. Amaldiçoou a si mesmo pelo dia em que as duas simpatizaram uma com a outra, mesmo superficialmente. Péssima ideia.

Antes de levantar, beijou Durga uma última vez, fazendo Lucille comprimir os lábios em desaprovação. Logo ele levantou, procurando por sua camisa, não fazia ideia de onde a havia deixado. Geralmente era organizado em seus pertences, mas ali estava mais interessado em seus assuntos com Durga do que com pedaços de pano. Não estava nem um pouco apressado, pode notar Durga já completamente vestida e parecendo um anjo novamente. Mesmo um pouco longe, ela entendeu o olhar de deboche vindo de Kai.

Não precisavam ir todos, mas foram, principalmente pela curiosidade de ver o final daquela discussão. Se dependesse de Kai, poderiam os dois explodirem, Lucille aprovava, já Durga queria muito ver qual dos dois envolvidos acabariam danificados. Não diria em voz alta, mas torcia por Florian.

Ao chegarem lá, o circo estava armado de uma forma digna de cair todo o picadeiro. Adalet apontava um canivete de aparência velha para Florian, já o garoto, mantinha os braços cruzados e a expressão irritante de sempre. Mesmo ao longe, poderiam ter certeza que Florian estava irritando Adalet de propósito. Porém não era o detalhe mais notável. 

Adalet estava magra, muito magra, os ossos de seu rosto estavam salientes. "Mirou na Malévola, acertou na Noiva Cadáver" foi o pensamento de Kai ao ver o estado da garota. Ela estava sendo empurrada por Maia e Hades, enquanto Jano e Kali se mantinham à frente de Florian. Uma dupla tentava conter a filha de São Jorge, a outra tentava fazer Florian calar a boca e não ser agredido. Estavam fazendo um trabalho horrível.

— Eu quero ver se consegue falar com a língua arrancada seu babaca! — Adalet esticou o braço para apontar o canivete na direção do menor. Hades fazia força para ela ir para trás, mas era inútil. 

— Ao menos eu tenho voz, e você que chora porque o papaizinho disse um "não"? — Florian usava uma voz afinada, cínica, como se estivesse falando com um bebê. Ele exaltava o lábio inferior, fazendo uma face teatralmente chorosa. 

— Florian por favor não piora…

— Jano, faça-me o favor, essa criatura ridícula e inferior quer ficar se achando a dona da razão e não suporta ter algo negado?

— Quem você acha que é pra se meter na minha vida?! — Adalet avançou com força, quase fazendo Hades e Maia caírem pelo impulso dado.

— Alguém melhor que você, certeza.

— Chega meu povo! — Kai falou em voz alta, chamando a atenção dos presentes e do pequeno grupo formado em volta. Ele não dava mais dois minutos para haver uma agressão física aos pacificadores. 

— Ah, agora vai defender o priminho — Adalet dizia com escárnio, apontando o canivete para Kai. — Você não se meta.

— E você olhe o tom — Kai olhava para o canivete como se fosse uma bexiga de aniversário, ignorando completamente. Ele estendeu a mão, tomando o canivete pela lâmina.

Sabia que sua palma estaria cortada, mas não se importava, precisava ao menos tirar o tio dali antes de uma catástrofe maior. Adalet obviamente fez força para segurar o canivete, forçando Kai a exercer mais pressão. O filho da Peste sentiu sua carne rasgando, mas isso daria jeito depois.

— Lá vem você pra estragar com a brincadeira. — Florian batia um pé no chão em desaprovação, olhando para o sobrinho indignado.

— Você acha que isso é brincadeira seu metido de merda?!

— Eu acho que é brincadeira você nascer uma vez e vir desse jeito. — Florian ergueu a sobrancelha, recebendo um tapa na nuca vindo de Kali.

— Por favor se ajuda — Kali pedia, falando baixo e colocando uma mão no ombro do garoto.

Adalet praticamente bufava, olhando para Florian com ódio. Kai passava uma mão pelo rosto, desacreditado, enquanto Fome permanecia parado, em sinal de afronta. Malakai olhava para a própria mão cortada e xingava mentalmente os dois. Tudo havia começado com uma reclamação dele sobre como Adalet adorava reclamar de tudo, incluindo o fato de ter dado em cima de Hades e, por ele ser meio lento, não ter notado. O cavaleiro achava Hades até fofo, decidiu defender o novo amigo de quem já tinha aversão desde sempre.

— Florian, chega — Kai dizia com um tom autoritário, movendo a cabeça em sinal para o menino se retirar. 

— Não, deixa ele aqui, vou quebrar a cara dele antes — Adalet cuspia as palavras, empurrando Hades e Maia uma última vez.

— Não pareça tão ansiosa, vou acabar achando que gosta de mim e da minha companhia.

Demir praticamente rosnou de raiva, tendo um pico de adrenalina e tomando o canivete de volta, arremessando‐o diretamente em Florian. Ela mirou no rosto, mas talvez sua sorte tenha atuado a seu favor, acertando o antebraço dele. Normalmente, um mero canivete não o machucaria, nem faria cócegas, mas estava sujo com o sangue de Kai, mesmo sangue que corria nas veias da irmã mais amada de Fome. O objeto não cravou tão fundo, mas o perfurou, fazendo o menino escurecer totalmente seus olhos.

Kai desesperou-se, sabia muito bem o quão irritadiço ele era.

— Você tá maluca!? — Malakai vociferou, tinha raiva na voz, um pouco de irritação também. Ele ia em direção do tio, arrancando o canivete e o jogando no chão. 

— Merecia bem mais que isso. — Adalet cuspiu ao chão após falar. Já havia se desvencilhado das mãos de Maia e Hades, e sinceramente, queria esfaquear o garoto. Descontaria sua frustração nele.

— Quem merecia era você sua covarde! — Jano se pôs à frente de Florian, tinha uma expressão confusa e assustada. — Se acha tão boa assim que acha certo agredir alguém menor que você só pra amaciar seu ego?! 

— Me poupe, você sabe que ninguém suporta esse garoto!

— Nem todos te suportam nem por isso enfiaram uma lâmina em ti — foi a primeira fala de Florian, este ainda com os olhos negros, olhando para Adalet de uma forma infantilmente macabra.

Sim, o cavaleiro da Fome era infantil, era birrento e odiava ser contrariado. Estava quieto demais, Kai pode notar, e desejou que Hórus estivesse ali para tentar acalmar o tio, tinha muito mais jeito e tato.

Florian ia dizer mais alguma coisa, mas Jano o puxou pela camisa para sair dali, enquanto Kai mandava o grupo em volta dispersar. Ele notou Belzebu observando ao longe, entendia o motivo de não se intrometer, não era seus assuntos para tratar. De certo modo, agradeceu, pois o príncipe infernal ali e provavelmente também defendendo Florian poderia acabar muito mal.

Logo Florian estava sendo levado até a construção que Gabriel chamava de casa. O loiro ia segurando um dos braços do menor, tinha cuidado para não tocar o ferimento, ainda mais pelo sangue do menino ser tão negro quanto os olhos dele. Kali havia ido na frente, avisaria a Gabriel sobre o ocorrido enquanto o menino não comparecia. Kai ia logo atrás, possesso por saber ter toda a responsabilidade em cima daquela criança problemática. Foi ali que ele entendeu o motivo de Fome não possuir descendente algum.

— Tá tudo bem contigo? Se aquietou demais. — Jano perguntou ao adentrar a própria casa, notou claramente a expressão de Florian.

— Mais perfeito impossível.

— Ela jogou um canivete em ti.

— Nada que não vá pagar depois. — No fundo, Jano não queria saber o significado daquelas palavras. Apenas balançou a cabeça, virando o rosto para seu pai que vinha do corredor.

Gabriel parecia cansado, isso todos notaram. Mesmo Kai, este que não passou da soleira da porta, podia ver o quão acabado o arcanjo estava. Kali, a primeira a chegar, tomou um susto, mas resolveu não perguntar nada, seria invasivo.

Ao ver o braço sangrando e o dono do braço, Gabriel mandou todos saírem de perto. Um ferimento como aquele tinha consequências desastrosas nas piores situações. Era sabido no céu e no inferno que cavaleiro nenhum derramava o próprio sangue sem exigir ressarcimento.

— O que aconteceu? — Sua primeira pergunta, segurando no braço de Florian e analisando o corte.

— Aquela inseta insolente paranóica em falar em lança. 

Gabriel estreitou os olhos, virando o rosto para os outros três ali presentes na espera de poder entender quem era o sujeito da frase.

— Adalet fez isso.

— Obrigado, Kali. — O arcanjo respirou fundo, não se espantava, mas temia levemente pela vida da garota. Ele balançou o rosto, passando as costas da mão pela testa. — Esperem lá fora, eu cuido disso.

Felizmente, foi obedecido. Sabia como proceder com certas peculiaridades dos cavaleiros, Fome talvez fosse o mais simples. Junto do sangue negro, havia um mais amarelado, pelo cheiro deduziu ser de Kai. Não havia muito, mas alguns traços, era o motivo de terem conseguido feri-lo.

Com um movimento da mão, Gabriel indicou que Fome permanecesse ali, quieto, enquanto ele ia na cozinha. O menino notou um brilho familiar no dedo anelar do arcanjo, um anel de ouro e prata, arqueou uma sobrancelha visivelmente interessado no significado do objeto. O loiro voltou poucos minutos depois, entregando um pote com sorvete para ele. Mesmo mais quieto, a alegria de Fome era iminente, típico dele.

— O que você fez? — O arcanjo perguntou enquanto apertava o braço de Fome, esperava que todo sangue contaminado saísse, só assim iria cicatrizar. 

— Falei algumas verdades que a inseta não aceita. — Sua boca estava cheia ao falar, prestava mais atenção no pote de sorvete de morango à sua frente.

— Verdades nem sempre são necessárias se forem ferir alguém.

— Você é expert nisso de omitir não é? — Mesmo ainda comendo, Fome levantou o rosto, olhando para a frente como se observasse algo.

— Não faço ideia do que fala.

— Não sabe? Pois é bom saber. Tem pessoas sofrendo por sua omissão, pessoas que praticamente se escondem por não saberem que podem ser muito mais. Perdem uma posição importante para…

— Fome, chega. — Gabriel o interrompeu, sua fala soou ríspida. Nesse momento então o garoto olhou para o loiro ao seu lado. — Você já estragou meu casamento com essa sua boca, não estrague todo o resto.

_________

Definitivamente, aquela viagem estava conseguindo ser pior do que Ophis imaginava. Ela sabia sobre Hórus e Nefertiti serem quase crianças grandes, mas não pensou na possibilidade de ter que retirar os dois da sala de espera infantil no aeroporto porque estava passando um filme legal. Não que ela também não fosse adepta de certos costumes cinematográficos, mas não era hora.

Felizmente conseguiram assentos um ao lado do outro, isso era bom, mas Moutagna não iria ficar de vela de forma alguma ainda mais para as duas figuras em seus lados. No fim, ela ficou no assento do meio, tendo que ouvir qualquer porcaria dita por eles, algumas até eram engraçadas, mas em momentos aleatórios eles começavam a perguntar sobre sua vida pessoal, isso estava fora de cogitação. Foram de fato 12 longas horas. Felizmente, na quinta hora eles dormiram, infelizmente, os dois usaram o ombro de Ophis como travesseiro. 

Sim, ela queria muito jogar os dois pela janela do avião, mas admitia os achar umas graças, principalmente quando estavam quietos. Nem Hórus nem Nefertiti tinham algo contra ela, era a simples e pura implicância saudável, e isso lembrava à Ophis do dia em que conheceu seu tio. Miguel era idêntico à filha em muitos aspectos, provavelmente ele não tinha procriado, mas fez um clone de si mesmo. E um consideravelmente bem feito, isso sem contar Anúbis que era o pai cuspido.

Ao chegarem em solo europeu, as duas pulgas já haviam acordado. Ophis não conseguia entender como eles conseguiram ficar com os cabelos tão bagunçados, Hórus então, parecia ter levado um choque. Nem ele mesmo entendia aquela brilhante façanha. Felizmente, a companhia aérea servia quatro refeições durante o voo, então foi o passatempo deles comer, dormir, falar sobre assuntos aleatórios. Até porque, não poderiam falar nada relacionado ao que fariam ali, sabiam bem o risco de estarem cercados por pessoas que podiam não ser humanos.

Ao desembarcarem no aeroporto de Turim, Hórus pôde respirar aliviado. Não que não gostasse de aviões, mas estar em terra firme era muito melhor. O garoto andava praticamente como uma pelúcia de Nefertiti, visto que ele ficou bastante enjoado e a garota se preocupou a ponto de perguntar se ele estava bem a cada 10 minutos. Se dependesse de Ophis, ele provavelmente seria diagnosticado com varíola demoníaca, ela realmente não levava jeito para consolar ninguém. 

O aeroporto era bonito, amplo, ao mesmo tempo igual e diferente de tantos outros. Mas uma coisa era certa, perderam-se lindamente ali dentro. Pegaram a fila errada duas vezes, só conseguindo ir para o hall de entrada quase meia hora depois.

— Tá, mas a gente precisa achar esse lugar ainda, táxi aqui deve ser caro — Nefertiti comentou, bebendo um gole de sua garrafa d'água. Ela olhou para Ophis e Hórus a procura de uma alternativa.

— Tua mãe tem a maior conta bancária dos seres do inferno e você não tem uma moeda sequer? — Ophis perguntou um tanto incrédula, parando de andar e acabando por receber um esbarrão vindo de Hórus que não tinha prestado atenção na conversa pois estava analisando o quão ferrado estava devido às 46 mensagens e 30 ligações perdidas vindas de Simon.

— Cacete, não para assim do nada não. — A djinn estreitou os olhos ao ouvir a fala dele.

— Eu não posso sair com barra de ouro, muito menos com diamante como se fosse moeda — Lazuli defendeu-se, dando de ombros. — Não tenho muito na carteira.

— Eu tenho um pouquinho — Hórus disse, guardando o celular no bolso e pensando que Simon seria um problema para depois.

— Eu trouxe também. Seria bom evitar usar cartão de crédito. — Ophis suspirou, olhando ao redor.

Usariam para sacar dinheiro depois, cartões eram muito fáceis de rastrear. Provavelmente gastariam tudo que possuíam nos bolsos para poderem encontrar o endereço dito por Eisheth, mas felizmente, ao chegarem à saída, havia um rapaz segurando uma placa de indicação. "Ophis, Nefertiti, Hórus" lá estava escrito. O rapaz não passava de um humano comum, perceberam isso pelo cheiro, mas ele continha informação provavelmente vinda a mando de Eisheth. 

O garoto parecia apenas estar fazendo seu trabalho, Nefertiti tinha certeza que ele não precisaria trabalhar pela próxima década pela gorjeta provavelmente ganha. Lorenzo era seu nome, ela fez questão de agradecer quando o rapaz indicou um automóvel especialmente para eles. Era estranho, e isso se confirmou ao notarem a face incrédula de Hórus ao ver o carro.

Nefertiti olhava confusa para Lorenzo, Hórus olhava pasmo para o carro, já Ophis sorria de forma muito animada, quase dando pulinhos. Quem visse de longe pensaria que ela estava doente ou a alma da Luna entrou no corpo dela e fez a festa lá dentro.

— Eu não acredito! — A empolgação da djinn era enorme, ela olhou a placa do carro duas vezes para ter certeza, também conferindo dentro.

— Eu também não. Não sei quanto é, mas olha a cara desse troço, deve ser caro pra cacete — Hórus comentou ainda boquiaberto.

— Eu…

— Foi caro mesmo, bastante. — Ophis interrompeu a fala de Nefertiti, abrindo a porta e logo entrando. Não via aquele modelo há pelos menos 5 anos, e não negaria, sentiu saudade.

— Não acredito que esse carro é seu — Hórus logo abriu a porta do banco de trás, analisando o interior do veículo. 

— Fica meio difícil de acreditar, eu imaginei ela mais como quem anda de bicicleta ou pulando em corda estilo o Tarzan.

— Olha Nefertiti só porque eu viro um animal não quer dizer que preciso viver como um.

— Ué, você viveu.

— Se bem que com vocês perto me sinto na selva — Ophis revirou os olhos, indicando para os dois entrarem logo.

Jogaram as bolsas de qualquer jeito no banco de trás, juntamente com Hórus. Ele ia no banco do meio, ficava bem mais fácil para conseguir falar alguma coisa com as duas. Depois de 12 horas juntos em um vôo, podiam muito bem dizer já serem coleguinhas do peito, porque só muita paciência para se aguentarem tanto tempo. Ophis não negaria, eles não eram tão ruins assim.

Estavam dentro do carro há 20 minutos, Hórus ia atrás com o GPS do celular ligado, indicando o caminho até o hotel. Pelo menos ele tentava, já que pra variar o Google Maps era sempre desatualizado e mandava entrar em ruas que tinham o sentido contrário.

— Não vou mentir pra ti, achei que morasse debaixo da ponte. — Hórus comentou, recebendo um olhar fuzilante de Ophis, esta que estava com seus olhos naturais de réptil. — Próxima à direita.

— Você é um otário.

— Ele sabe disso. — Nefertiti comentou, tentando não rir, afinal, pensava o mesmo.

— O que eu digo é, eu sei que você é velha e tudo mais, deve ter dinheiro da época de Roma, mas gente velha geralmente quer uma coisinha simples. — Ele cutucou Nefertiti no ombros, tendo um sorriso animado nos lábios. — Ela dava bem pra ser aquelas senhoras que passam missão em jogo de console.

— Hórus! — Ela queria soar repreensiva, mas não deu. Nefertiti começou a rir, principalmente quando Ophis esticou o braço para o lado e deu um tapa nos dois.

— Foquem no mapa, idiotas. — ela disse com real repreensão. 

— Próxima à esquerda e segue reto. — Hórus ria, tentando segurar a língua para não falar outra coisa.

Passaram alguns minutos em silêncio, Ophis ainda podendo notar o humor presente nos dois perto dela. Não seria hipócrita de dizer que não faria o mesmo em outra situação, mas sendo com ela não admitia.

— Vem cá, eu vi uma galerinha bonita por aqui, você tá solteira? — Hórus perguntou, dessa vez Nefertiti ergueu uma sobrancelha, também curiosa com a possível resposta vinda da mulher no volante.

— Qual é mesmo a ligação entre essas duas coisas? — A djinn não pode evitar ficar tensa com a pergunta, isso eles notaram, infelizmente.

— Quem sabe arrume alguém por aqui já que gosta de coisas velhas e rústicas. Mas se quiser também tem uma galera nova, acho que qualquer um é novo pra você… — Hórus falou a última parte da frase quase em um sussurro. — Próxima à direita.

— Prefiro não responder a essa pergunta. — Dessa vez, ela nem ao menos virou o rosto para eles, mantendo o olhar na pista.

— Ah mas realmente tem gente bonita aqui, você mesma disse — Nefertiti continuou, recebendo um sorriso empolgado de Hórus. — Olha aqueles dois ali na esquina do sinal, eu achei lindinhos.

— Eu também — Hórus confirmou, assentindo com a cabeça. — E sendo humilde, meu gosto é muito bom.

— Sou lésbica. — O tom de Ophis era ríspido, definitivamente não queria entrar naquele assunto. Não com eles.

Nefertiti olhou ao redor por um momento, apoiando o queixo com a mão. Havia um grupo não muito numeroso na rua seguinte, e se seus olhos ainda prestavam, haviam garotas.

— Vai reto na rua do lado. — Hórus comentou, vendo já estarem muito perto do Divina Comédia. Ele com certeza perguntaria quem foi a alma iluminada que deu aquele nome, porque ele não estava conseguindo levar a sério.

— Ali na frente tem 4 fêmeas, alguma te interessa? — Ao apontar para o grupo, Lazuli recebeu um olhar tedioso vindo da djinn. — Não pode me culpar por tentar.

— Não estou interessada.

— Sei…

— Quem sabe depois ela mude de ideia. Dois quarteirões e vamos chegar.

Dito isso, mantiveram o silêncio, para a alegria de Ophis. Os dois calados alegravam o momento, principalmente por saber que falariam algo tosco. Maldita ideia de ter aceitado vir, ou melhor, de não ter questionado uma ordem direta vindo de Eisheth. Apesar de tudo, haviam pessoas que não deveria discutir nunca, a djinn sabia muito bem, ainda mais quando a pessoa pode a qualquer momento virar um bicho enorme que lhe faria parecer uma minhoca de jardim.

Ao chegarem ao estabelecimento, Nefertiti pode lembrar já ter visitado o local, mas há muito tempo. Segundo sua memória duvidosa, última vez que pisou naquele lugar foi aos 10 anos de idade, então muita coisa deveria ter mudado. Haviam quatro vagas à frente do Divina Comédia, duas livres, e assim como no poema, as imagens no pequeno letreiro indicativo eram bem alusivas. Segundo o Google, a descrição do lugar era “uma estadia divina”, talvez não fosse tão mentiroso assim, provavelmente, era literal demais.

Hórus e Ophis sorriram ao descer do carro quando viram o térreo ser uma loja consideravelmente diversa. Seria ali mesmo que abasteceriam uma pequena mala que deveria ter trago e por razões diferentes, não trouxeram.

— Se você tem esse carro, você tem dinheiro, então vai me ajudar a fazer umas comprinhas. — Hórus comentou ao fechar a porta do carro de Ophis, esta lhe lançando um olhar incrédulo. Sim, em seus novecentos anos haviam conhecido muitas pessoas exóticas, mas exótico e abusado daquela forma era novidade.

Os três podiam sentir muito bem a energia do lugar, era tranquila, mas também apresentava certas variações, provavelmente traços dos clientes que iam para lá diversas vezes. O trio andou calmamente entre as estantes de roupa, até notarem a presença de um homem de traços asiáticos ao final da loja. Ele estava perto de uma bancada, provavelmente ali seria a recepção, parecia nervoso.

Quando ele notou a presença do pequeno grupo, rapidamente a face preocupada se desfez, dando lugar para um sorriso acolhedor e braços abertos.

— Tio! — O sorriso de Nefertiti foi genuíno, largando sua bolsa ao chão e indo abraçar Yelahiah. Ophis fez uma careta, abraços repentinos assim não eram de sua natureza.

— Até que enfim chegaram. — Yelahiah mantinha o sorriso no rosto, abraçando-a com afetividade.

— Sabe como transporte humano é. — A garota fez uma careta, logo se afastando do anjo à sua frente.

— Sei sim, uma porcaria. — O asiático balançou os ombros, logo voltando sua atenção para os dois pares de olhos curiosos mais atrás. As energias de ambos eram bem mais bagunçadas que a de Nefertiti. — Quem são? Sua mãe tá ficando igualzinha seu pai, não me falam mais nad…

— Finalmente! — Yelahiah foi interrompido pela exclamação da própria filha, Adiva. Ela havia ido dar ração para seus dois bichanos, apressou-se quando ouviu a chegada dos enviados por sua tia.

Não deu nem tempo de falar um “oi” decente, Adiva foi até Nefertiti e a abraçou ainda mais forte, abraço esse totalmente retribuído pela híbrida. O sorriso estava presente em ambas, há muito tempo não estavam no mesmo cômodo. Eram amigas desde pequenas, principalmente por influência de seus pais. Yelahiah poderia ser mal visto entre os seres divinos, mas com certeza virou amigo de alguns infernais, fora um ou outro anjo que lhe adorava, como alguns dos arcanjos.

Quando as duas finalmente se separaram, Nefertiti apressou-se para apresentar os dois morenos atrás de si, nesse momento ambos com uma expressão confusa. Ophis principalmente, achava Adiva um tanto exagerada, principalmente pelo cabelo rosa tão chamativo.

— Esses são Ophis — ela apontou para a garota, esta apenas sorriu sem separar os lábios. — E o Hórus.

— Muito prazer — Adiva disse, esboçando um sorriso bastante simpático.

— Vocês são meio bagunçados, o que são? — Yelahiah perguntou, curioso, chegando mais perto de ambos. Hórus deu um passo para atrás com isso, já Ophis se manteve parada, o anjo não lhe era estranho.

— Djinn, prazer.

— Não só isso…

— Prima dela por parte do Lúcifer — Ophis completou, arrancando uma expressão espantada de Yelahiah. Ela não gostava de se apresentar como filha de seu pai, era frustrante, geralmente a julgava por coisas dele ou pelo cargo dele e essa parte de seu DNA simplesmente odiava.

— Interessante.... — Yelahiah estreitou os olhos, logo olhando para Hórus. — E você, rapaz?

Mais atrás, puderam ouvir um barulho baixo, Adiva havia falado algo, mas não puderam discernir as palavras. Ophis ainda a olhava, era muita cor para pouca pessoa. Não que ela fosse um parâmetro muito bom.

— Preciso mesmo dizer? — O sorriso amarelo esboçado pelo filho de Aaba já dizia tudo, era bem complicadinho para ele expressar sua ascendência. Pelo menos ele não era o Kai, porque explicar um brotamento com certeza seria pior.

— Sim. Você é ainda mais estranho que a emo aqui do lado.

— Eu particularmente acho muito deselegante sair perguntando as coisas assim.

— Vai começar a teimosia. — Ophis revirou os olhos, dando alguns passos e indo até Nefertiti. Se Yelahiah quisesse exorcizar Hórus ali mesmo, ele teria total apoio da djinn.

— Não pode ser tão ruim assim, você é íncubo e…

— Potro — Nefertiti comentou, podendo ouvir a risada discreta de Ophis e recebendo um dedo do meio vindo de Hórus.

Yelahiah permaneceu esperando a resposta de Hórus, estava curioso, muitos tipo de de raças lhe eram familiares, mas o garoto era diferente, algo denominado por ele de rústico.

— Do Guerra, mas não, eu não sou o filho preferido dele, na verdade nem sei usar porra nenhuma, então só íncubo, tranquilo? — Hórus falava um tanto rápido, ele era outro com alguns problemas para falar de seu pai, só queria distância daquele homem.

Yelahiah riu com o nariz da resposta do garoto, não era acostumado a receber seres tão peculiares daquela forma, gostou da sinceridade quase agressiva.

— Nunca vi um de vocês de perto, perdoe minha curiosidade.

— Qualquer dia te apresento meu tio. — Hórus tinha humor na voz, logo indo para junto das duas companheiras de viagem. Em parte, iria adorar ver seu tio ali, provavelmente aquele anjo enlouqueceria em menos de um dia.

— Cobrarei. — Yelahiah então virou o rosto para a filha, movendo a cabeça levemente, indicando para ela ir. — Anjinha, pode mostrar à eles o quarto, por favor?


Notas Finais


༐•ᄔ Críticas construtivas, sugestões e elogios são sempre bem-vindos!


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