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História Vergonha - Sprousehart - Capítulo 13


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura ♡

Capítulo 13 - Lili Reinhart. Capítulo 13


Charles me ligava todos os dias, mas eu nunca atendia. Ele sempre deixava uma mensagem de voz e eu a apagava. Eu sabia que se ouvisse a voz dele, sentiria saudade, e ele não merecia a minha saudade. Meu cérebro entendia isso, mas meu coração tinha sua própria opinião sobre o assunto. Então, evitá-lo era a melhor opção para mim.

Eu me esforçava para me manter sozinha. Quando ia até a The Silent Bookshop, Cole costumava estar lá, mas nós não interagíamos. Ele se sentava no canto esquerdo mais afastado, e eu, no direito.

Às vezes, nossos caminhos se cruzavam enquanto estávamos procurando livros, mas ele parecia ter a missão de não olhar na minha direção; então, eu me esforçava para ficar fora do caminho dele também.

Havia alguma coisa nele que me causava uma certa inquietação. O jeito como ele me abordou no mercado foi tão estranho. Ele chegou de maneira agressiva, mas protetora também, tudo ao mesmo tempo, me deixando com uma grande dor de cabeça.

Eu o vi numa tarde junto com Tucker, e Camila não estava mentindo — aquilo fez meu coração aquecer. Eu estava passando pelo Kap Park quando Cole e Tucker chegaram. O cachorro parecia estar com problemas para andar sozinho, então Cole o estava carregando no colo. Cole estava com uma mochila, e quando eles encontraram um lugar ao sol, ele pegou um cobertor e se sentou ali, com seu cachorro. De vez em quando, acariciava o cachorro e dizia “Bom garoto”. Tucker parecia sorrir e abanar o rabo enquanto descansava.

Cole cuidava daquele cachorro com muito amor. Eu não sabia que um homem como ele era capaz de ter tanto cuidado com algo. Seu amor era tranquilo, mas, ao mesmo tempo, evidente. O jeito como ele amava Tucker era o jeito como todo mundo deveria ser amado: incondicionalmente.

Quando ele ergueu os olhos e percebeu que eu estava observando, comecei a me afastar rapidamente.

Ele não olhava para mim do mesmo jeito que olhava para Tucker.

Quando os olhos de Cole encontraram os meus, só vi ódio.

~~~

Na noite de sexta-feira, Mads se juntou a mim na livraria, algo que ela nunca fazia, embora tenha estado sempre muito próxima a mim desde a minha volta à cidade, verificando se eu estava bem. Ela não gostava tanto de ler quanto eu, então ficava virando casualmente algumas páginas sentada comigo no meu canto.

— A gente pode ir — sussurrei, observando minha irmã remexer os polegares de tédio enquanto se recostava na cadeira.

— Psiu… — ela me chamou. — O silêncio vale ouro.

Eu ri.

— Você está de saco cheio.

— Mas do que você está falando? Aqui é o melhor lugar do mundo. Livros e palavras, palavras e livros. É incrível.

Uma pessoa fez psiu de longe e não conseguimos evitar cochichar mais um pouco.

— Quer sair para tomar um sorvete?

Ela arregalou os olhos de alegria.

— Agora sim, você está falando a minha língua.

Quando começamos a nos afastar, olhei para o canto de Cole e notei que ele já tinha ido embora. Fiquei imaginando que livros ele teria levado naquela noite.

Então comecei a me perguntar por que eu estava pensando naquilo.

Caminhamos pelas ruas de Chester enquanto Mads falava sobre os planos que estava fazendo para o festival do pêssego, que se aproximava, e eu estava ouvindo atentamente até meu olhar ser atraído por um grupo de adolescentes, rindo e atirando objetos em alguma coisa. Um deles levantou uma lata de lixo e a despejou em cima da coisa. Quanto mais eu me aproximava, mais nervosa eu me sentia.

Eles não estavam jogando lixo em cima de alguma coisa, mas sim de uma pessoa.

— Ei! — gritei, correndo até lá. — Parem já com isso! — ordenei.

No instante em que os garotos se viraram e me viram, saíram correndo, cada um em uma direção diferente. Eu me aproximei da pessoa coberta de lixo com muita preocupação.

— Sr. Sprouse, o senhor está bem…? — perguntei, abaixando-me para ajudá-lo a se levantar.

Ele estava completamente chapado, e o cheiro de uísque e urina era forte.

Ele tinha se urinado. Ah, não… 

— Ele está bem? — perguntou Mads, a voz trêmula.

— Sr. Sprouse, deixe-me ajudá-lo — pedi enquanto ele sacodia as mãos na minha direção.

— Me deixe em paz! — gritou ele.

— Eu posso ajudá-lo a chegar em casa, e… 

— Eu disse para me deixar em paz, v-v-vaca! — berrou ele, arrastando as palavras. Mas eu não me ofendi. Eu duvidava muito que ele soubesse quem eu era naquele momento. Ele mal conseguia abrir os olhos. Já estava em outro mundo.

— Lili, talvez seja melhor deixá-lo aqui… — sussurrou Mads, a voz trêmula de nervoso.

— Eu não vou deixá-lo aqui — declarei.

— Eu posso chamar o xerife Camps — sugeriu ela, o que me levou a encará-la na mesma hora.

— Madelaine, não. Nada de chamar a polícia. Eu posso resolver isso. — A última coisa que Cole precisava era do estresse de ter que pagar fiança para tirar o pai da cadeia.

— Mas, Lili… — começou minha irmã.

— Sério, Mads. Está tudo bem. Você pode voltar para casa. — Ela olhou para mim com a expressão preocupada, mas eu abri um sorriso seguro. — Sério mesmo. Eu vou resolver isso.

— De jeito nenhum. Também vou ajudar — decidiu ela, não permitindo que eu ajudasse Matthew Sprouse sozinha.

Voltei a olhar para o pai de Cole, coberto de lixo. Ele ficava repetindo para irmos embora, mas eu o ignorei. Nada que ele dissesse me faria deixá-lo ali, e Mads não ia me deixar sozinha com ele.

Eu não queria que mais garotos se juntassem em volta dele e o maltratassem, ou pior: que policiais o prendessem.

Fiz a única coisa em que consegui pensar: ajudei o Sr. Sprouse a se levantar do lixo, e Mads também ajudou. Começamos a levá-lo para casa enquanto ele nos empurrava.

— Me soltem agora, suas vacas horrorosas — gritou ele e, por um instante, eu considerei fazer exatamente o que ele pedia, mas, então, as palavras do meu pai passaram pela minha cabeça.

Se você der as costas para alguém, é o mesmo que estar dando as costas para todos… No meio do caminho, ele simplesmente desistiu e deixou que o levássemos para casa.

— Eu não preciso de vocês — murmurou, enrolando as palavras, enquanto a baba escorria pelo canto da boca.

Enfiei a mão no bolso dele e peguei um chaveiro, abri a porta e o puxamos para dentro. A casa estava uma bagunça. Havia latas vazias de cerveja espalhadas por todos os cantos e louça suja, com resto de comida, na pia. Eu continuei puxando o Sr. Sprouse pela casa até chegarmos ao banheiro.

— Precisamos colocá-lo no chuveiro — falei para Mads, e ela rapidamente me ajudou sem questionar.

— Você vai me odiar por isso depois — murmurei. — Mas você já me odeia, então as coisas não podem piorar tanto.

Ele se sentou e ficou curvado, resmungando com seus botões. Enfiei a mão no bolso da frente e peguei seu celular antes de abrir a água fria do chuveiro.

Ele reagiu na hora.

— Que merda é essa? — gritou, mas sem conseguir se levantar.

Eu não poderia permitir que ele ficasse sentado na própria urina e coberto de sujeira das lixeiras.

— Você está bem — afirmei.

— Eu não preciso da s-sua ajuda. Vai se foder, vaca — repetia ele sem parar, mas deixou os ombros caírem, fechou os olhos e permitiu que a água caísse sobre ele. Abri a água quente para a temperatura ficar mais agradável, antes de usar o celular para ligar para o Cole.

Assim que tocou, Cole respondeu.

— Oi, pai?

— Oi, Cole. Aqui quem fala é a Lili…

 A voz dele ficou alerta.

— O que aconteceu? Meu pai está bem?

— Ele está… hum… ele está bem. Só um pouco bêbado. Eu o encontrei na cidade, praticamente desmaiado, e uns garotos o estavam maltratando. Então o trouxe para casa. Só achei que você deveria saber.

— Merda — resmungou Cole. — Sinto muito. Eu já estou chegando. Você não precisa ficar aí com ele.

— Não, está tudo bem. Vou esperar aqui. Você provavelmente vai precisar de ajuda para colocar roupas limpas nele.

— Sinto mui…

 — Cole.

— O quê… 

— Não precisa se desculpar. Até daqui a pouco.

Desliguei e me virei para Mads, que ainda estava com uma expressão preocupada, mas eu sabia que era pela vida do Sr. Sprouse. Ela se importava com todo mundo, porque era a única maneira que seu coração sabia agir.

— Pode voltar para casa, Mads. Daqui a pouco eu vou.

— Tem certeza? Eu posso ficar e ajudar… — disse ela.

— Não. Sério mesmo. Está tudo bem. Cole já está a caminho e, quando ele chegar, eu volto para casa. — Ela franziu as sobrancelhas, parecendo não ter muita certeza. Estendi a mão e apertei o braço dela de leve. — Sério, Mads. Está tudo sob controle aqui.

— Tudo bem, então. Mas ligue para mim se acontecer qualquer coisa.

— Pode deixar. E Mads?

— Hã?

— Não conte nada disso para a mamãe, está bem?

— Claro. Não vou contar nada.

Agradeci por isso e ela foi embora.

Fechei o chuveiro e comecei a secar o cabelo do Sr. Sprouse, que ficava empurrando minhas mãos e me xingando. Mas isso não me impediu de tentar ajudar.

Depois que o enxuguei da melhor maneira que consegui, saí em busca de roupas secas para ele trocar quando Cole chegasse em casa. Entrei no quarto e parei diante de uma cômoda. Sobre ela, havia um porta-retratos empoeirado de Cole, Matthew e a falecida esposa. Estavam todos rindo na fotografia. Uma linda lembrança congelada para toda a eternidade. Passei a ponta dos dedos de leve e observei a família.

Eles pareciam tão felizes e cheios de vida.

Era incrível como uma tragédia poderia mudar a vida de uma pessoa para sempre.

Afastei os pensamentos tristes e peguei as roupas de Matthew.

Voltei para o banheiro e fiquei esperando, cuidando para que ele não vomitasse e acabasse sufocando no próprio vômito. Matthew estava encostado nos ladrilhos da parede com os olhos fechados e a boca aberta. De vez em quando, eu colocava a mão diante da boca dele para ver se estava respirando.

No instante em que a porta da frente abriu, senti uma onda de alívio.

Cole atravessou a casa, chamando por Matthew.

— Estamos aqui no banheiro — respondi.

Ele entrou no quarto e seus olhos pousaram no pai.

— Meu Deus, pai… — disse ele com voz baixa e tom de decepção. Ele passou as mãos pelo cabelo.

— Ele se mijou? — perguntou.

— Sim.

Cole fez careta.

— Pode deixar comigo agora. Você pode ir.

— Tem certeza…?

— Tenho — respondeu ele, não querendo usar mais palavras. — Vá.

Eu me levantei e abri um sorriso inseguro.

— Se precisarem de alguma coisa… 

— Não vamos precisar.

— Tudo bem.

Passei por ele e senti um leve toque no braço. Meus olhos pousaram na mão de cole sobre a minha pele, e senti um frio na barriga.

Ah… Eu tinha me esquecido daquela sensação — de ser tocada de modo tão gentil.

Ergui o olhar e me deparei com os olhos verdes claros olhando para mim. Ele abriu a boca e deixou algumas palavras saírem.

— Obrigado por trazer meu pai. Você não precisava fazer isso.

— Claro que eu precisava.

Enquanto eu me afastava para deixar Cole ajudar o pai a trocar de roupa, senti que não deveria deixá-lo sozinho para lidar com tudo aquilo.

Enquanto ele cuidava do Sr. Sprouse, limpei um pouco a casa, colocando a louça na lava-louças e jogando as latas vazias no lixo.

Depois que Cole colocou o pai na cama, desceu com uma expressão de sofrimento no rosto.

— Ele apagou. Deixei uma lixeira ao lado da cama. Espero que não precise usá-la.

— Espero que ele fique bem.

— Por que você ainda está aqui? — perguntou, e eu me senti um pouco insegura. Cole olhou em volta. — Você limpou tudo?

— Só um pouquinho. Eu só queria me certificar de que você estava bem. Você está bem? — perguntei, fazendo um gesto com a cabeça na direção dele.

Depois que as palavras saíram da minha boca, percebi como a pergunta era idiota. Claro que ele não estava bem.

— Eu vou ficar bem — respondeu ele com o cenho franzido. Cole estava puxando com tanta força a pulseira que usava que o punho estava ficando vermelho.

— Deve ser muito difícil morar num lugar em que você não se sente bem-vindo. Tenho certeza de que seus motivos para ficar são válidos, mas isso não torna as coisas menos difíceis. — Ele não respondeu, e eu continuei falando. — Sei que você não me conhece, mas se um dia precisar de alguém para conversar… 

— Eu não preciso — falou, irritado, e quando as palavras saíram de sua boca, ele fez uma careta.

— Está bem.

Seu lábio inferior estremeceu.

— Não é você. Eu não falo com estranhos, e acaba que todo mundo é estranho para mim.

— A não ser por Kj.

— Verdade. Menos o Kj. Mesmo assim… 

Assenti, compreendendo. Balancei um pouco o corpo.

— Eu… Hum… Meu nome é Lili Pauline Reinhart. Eu adoro palavras-cruzadas, mas nunca termino. Sou a pior pessoa para se levar a um restaurante, porque nunca consigo decidir o que quero comer. Acho que banana é uma fruta muito estranha, mas adoro torta com creme de banana. Nunca consegui dar estrela, mas consigo comer uma pizza inteira sozinha, o que algumas pessoas acham nojento, mas eu acho impressionante. Ainda tenho meu dente do siso, mesmo que ele doa nas noites de lua cheia e… 

Ele estreitou os olhos.

— O que você está fazendo?

— Estou te contando coisas sobre mim para não sermos mais estranhos. Assim, você vai poder conversar comigo.

Ele quase sorriu ou, pelo menos, gosto de pensar que sim. De vez em quando, eu imaginava como ele ficaria sorrindo. Aposto que um sorriso combinaria com ele.

— Por que você está se esforçando tanto para eu me abrir? — perguntou Cole.

— Porque, mesmo que você não perceba, nós dois temos coisas em comum. Além disso, você é a única pessoa nesta cidade que não faz com que eu me sinta obrigada a fingir ser uma coisa que não sou.

— O que você está fingindo ser?

— Perfeita.

— Eu sei como é isso. — Ele falou baixo, em um tom inseguro. — Ter que fingir ser uma coisa que você não é.

Ele estava se abrindo, de maneira lenta, tranquila e suave… Por favor, continue assim.

— E o que você está fingindo ser? — perguntei.

— Zangado.

— Mas o que você é na verdade?

— Perdido — confessou ele com sinceridade, e senti as palavras dele tocarem minha alma.

— Eu também. Tão perdida.

Ele se empertigou e olhou para o chão, mas não disse mais nada.

Dei um passo em sua direção.

— Se você precisar de alguma coisa…

 — Não preciso. Nós não precisamos.

— Mas se houver um momento em que precisar, estou aqui. Mesmo que seja só para colocar a louça para lavar.

Ele pareceu tão perplexo diante da minha oferta — quase zangado por eu ter dito aquilo —, mas não respondeu nada, o que me causou certo desconforto.

— É melhor eu ir agora. Não quero atrapalhar sua noite.

Ele assentiu, concordando, e me acompanhou até a varanda da frente.

— Vou levá-la até sua casa — ofereceu ele com voz intensa, mas não fiquei ofendida. Parecia que que Cole só sabia ser intenso.

Neguei com a cabeça.

— Eu posso ir sozinha.

Ele resmungou e contraiu os lábios.

— Já está tarde.

— Estamos em Chester — brinquei. — Acho que é bem seguro.

— Nunca se sabe que tipos perigosos existem em cidades pequenas.

— Acho que eu consigo me virar.

— Mas…

 — Sério — interrompi. — Está tudo bem.

— Você é sempre teimosa assim?

— Olha quem está falando.

Ele quase sorriu, e eu quase amei seu sorriso.

— Bem, se você tem certeza — disse ele com um tom de incerteza na voz grave.

— Tenho certeza absoluta, mas obrigada por oferecer.

Quando me virei para ir embora, a voz dele me fez parar.

— Por que você não chamou a polícia?

— O quê?

— Por causa do meu pai. Por que não chamou a polícia como todo mundo na cidade faz?

Meus olhos encontraram os dele, e mesmo que suas palavras fossem duras, o olhar não era. Seus olhos simplesmente brilhavam de tristeza. Ah, Cole.

Ele era jovem demais para ser tão triste assim, tão zangado, tão quebrado.

— Por um motivo bem simples — respondi. — Porque não sou como todas as pessoas da cidade.

— Lili?

— Hã?

Ele enfiou as mãos no bolso e suspirou.

— Você não se parece em nada com sua mãe.

Aquilo partiu meu coração e o curou ao mesmo tempo.

Ele não disse mais nada. Apenas se virou e voltou para a casa do pai, enquanto eu descia a escada da varanda. Voltei para a casa da minha irmã, mas Cole Sprouse e seu pai continuaram na minha mente.

Fiz uma pequena oração para o coração deles e esperei que, de algum modo, a alma deles pudesse encontrar algum tipo de cura.


Notas Finais


Com amor, Sah ♡_♡


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