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História Veritaserum - Capítulo 22


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Notas do Autor


Olá!!!!
Como estão? Ocupando o tempo na quarentena? Eu estou lendo e fazendo vários cursos gratuitos.
Espero que gostem desse capítulo. Tem referência ao capítulo 11.
Para ficar bem claro, os espaços em branco são propositais, para indicar uma quebra de tempo.

Capítulo 22 - Capítulo vinte e dois


- Heitor? - disse a única coisa lúcida que eu conseguia pensar

- Está seguro! George está com ele!

Estava prestes a desmaiar de novo por dor, falta de ar e exaustão, mas apesar de acordada reconhecia que não estava lúcida, não era possível eu estar. George estava com Heitor, Godric estava comigo,… Não! Aquele não podia ser Salazar!

Mais gritos de desespero! Pessoas sendo lançadas no fogo do bruxo que fora queimado antes de mim, outras morrendo com um único feitiço, algumas morrendo de forma mais cruel, tendo feridas abertas para sangrar até morrer, outras decapitadas, árvores caiam e esmagavam outras. Salazar estava matando todos os trouxas que estavam ali, sem cessar, não haveria uma pausa enquanto todos não estivessem mortos.

Aquilo não podia ser real!

 

 

- Vamos levá-la para a escola! - Godric pediu quase como se fosse implorar

- Helga só sai daqui andando! - Salazar retrucara

Não consegui focar no restante da conversa, era a primeira vez que eu acordara desde que desmaiara no colo de Godric, tendo aquele delírio de uma chacina. Abri os olhos com dificuldade, estava deitada em um quarto que não era meu, tão pouco era em um lugar que eu conhecesse, eles não estavam junto de mim, estavam em outro cômodo e não sabiam que eu acordara. A dor estava entorpecida, deviam ter me dado alguma coisa, mas a exaustão me queria levar de novo, mas ainda queria ouvi-los, então, dediquei minhas últimas energias para isso.

- Está esquecendo nosso acordo?

- Acha mesmo que eu esqueceria? - Salazar ficou furioso com essa insinuação, era uma variação muito pequena na fala, mas eu o conhecia a ponto de notar, e seu amigo também

Não tive forças para continuar focada ali, o sono queria me levar, acabei cedendo aos desejos do meu corpo e tornei a fechar os olhos, já estava abandonando a minha lucidez quando eles ficaram mais alterados e me forcei a ficar atenta.

- Sua falta de humanidade me assusta!

- Minha humanidade está deitada naquele quarto!

Acho que adormeci sem perceber, porque eu tenho certeza que ouvi Salazar falando isso de mim. Forcei novamente e consegui abrir os olhos, aos poucos, mas com muita força tentei me mover, queria chegar até eles, mas não consegui, só me tirou o foco da conversa, me dando mais um fragmento inconclusivo.

- Vou resolver tudo assim que possível, esse título serve para isso afinal.

- Tem certeza? Não pode prendê-la aqui com essa trouxa sozinha. - essa era uma das poucas vezes que eu ouvira Godric se referir aos trouxas com tal entonação, mas eu entendia que não era possível amá-los agora

- Confiaria minha vida a essa mulher!

Slytherin falando bem de um trouxa depois de matar vários era a prova de que eu realmente não estava bem, então, cedi e deixei o cansaço me vencer.

 

 

Lá estava eu de novo divagando sem saber se era realidade ou sonho, parecia real, mas eu não tinha forças para me levantar, nem mesmo para abrir meus olhos, então não podia acreditar plenamente nisso, ainda mais com o diálogo que eu ouvia.

- Você pode ir, meu filho, vamos ficar seguras. - uma mulher falou

- Não me chame assim! - aquela era sem dúvida a voz de Slytherin

- Nunca se importou com isso, na verdade, gostava que eu o chamasse assim.

- Mas você não é minha mãe.

- Sempre me chamou assim, isso não era um problema, meu filho – ela enfatizou o chamamento final para provocá-lo

- Por favor – ele disse sofrego – não invoque lembranças da minha infância

- Desculpe, querido. Você realmente só guardou as partes ruins?

- Não… - ele ficou um pequeno tempo em silêncio, talvez estivesse chorando, não, isso não era o feitio dele; acho que um suspiro talvez, se enquadra melhor – mãe. Você estava comigo, fez tudo ser aceitável.

- Apesar de tudo. Eu te amo. Confie em mim, vamos ficar bem, você pode ir.

- Eu prometo que não vou demorar. Não queria me afastar, mas preciso resolver logo essa situação!

- Está tudo bem, meu filho.

- Sabe o que fazer se precisar de ajuda?

Não consegui continuar focada, estava exausta demais, e fui tragada pela obscuridade de novo e perdi a lucidez, perdendo o final daquela conversa.

 

 

Acordei de novo com uma mulher no quarto limpando minhas pernas, estava só com uma roupa de baixo, uma diferente da que eu estava antes de tudo acontecer. Quando tentei fazer força para me sentar, ela me forçou para baixo e vi seu rosto, eu já a vira antes, mas não recordava bem onde, estava meio grogue com alguma coisa, porque não havia dor, mesmo eu sabendo que estava ferida.

- Desculpe, querida! Não pode se levantar ainda.

Ela se aproximou de mim e colocou uma poção em minha boca, eu bebi, mesmo não fazendo ideia do que era, mas se Salazar confiava nela, eu também confiava.

- Sinto muito que tenha acordado, ficarei mais atenta agora. Volte a dormir, criança! - meus olhos foram pesando, com piscadas cada vez mais longas…

 

 

A mulher estava de novo no quarto.

Meus olhos parecem ter sido guiados para ela logo que se abriram, estava com um prato na mão, provavelmente sopa, baseado no meu estado, era o máximo que eu poderia ingerir.

- Estava esperando você acordar. - queria respondê-la, mas não me sentia lúcida o bastante para isso, apenas pisquei para ela – O que acha de comer um pouco?

Eu não queria, deveria comer, eu sabia, mas não queria. Seria mal educado de minha parte, mas já não tinha a boa conduta da sociedade britânica a muito tempo, então só fechei meus olhos e adormeci novamente.

 

 

Não fazia ideia de quanto tempo eu estava dormindo, mas meu corpo parecia dormente, como se eu não levantasse a meses, o que eu esperava que não fosse verdade. Não estava ouvindo nada ao meu redor, parecia que eu estava sozinha naquela casa. Abri meus olhos devagar, para não estranhar a luz, já que antes eu estava na escuridão de novo, mas para minha surpresa eu tinha companhia.

Novamente aquela mulher estava ali comigo, estava sentada em uma cadeira do lado da minha cama. Ela sorriu para mim assim que me viu olhá-la, eu estava consciente, minha cabeça doía, mas eu sabia que era devido ao tempo excessivo que eu estava deitada.

- Podemos tentar levantar, se quiser. - ela me disse com calma e o mais baixo que poderia de forma a se fazer ouvir

- E… eu adoraria – começar a falar tinha sido estranho, parecia que eu tinha precisado empurrar minha voz para sair

Ela se levantou e veio para perto de mim, era uma mulher corpulenta, que aparentava ter mais que o dobro da minha idade, mas a sensação de que eu a conhecia era muito forte, suas mãos eram suaves ao empurrar minhas costas para frente para que eu pudesse sentar, ela falava frases de incentivo para mim, e não parecia precisar fazer muita força para me erguer, era como se meu corpo estivesse desfacelado, mas eu conseguia sentir todo ele, exceto minhas pernas.

O esforço de me levantar, somado ao desespero de não estar sentido as minhas pernas fez com que eu ficasse tonta, e tudo girasse de um modo rápido demais para eu manter o foco em alguma coisa, fechei os olhos e deixei minha cabeça tombar para trás, mas não houve uma queda ou algo do tipo, a mulher estava ali comigo, e apoiou minha cabeça.

- Está tudo bem se não conseguir, querida! Se quiser podemos deitar de novo. - ela falou carinhosamente

- Não, por favor, eu quero. - pedi e esperava que ela acreditasse que eu tinha forças para isso – Eu consigo, só preciso respirar um pouco.

- Fique tranquila, querida, não precisa ter pressa. Estou aqui com você!

Esperei até conseguir abrir os olhos de novo sem que tudo estivesse girando, e ela esperou no meu tempo, não me apressou ou reclamou, a gentileza dela era tanta que parecia quase palpável. De onde eu poderia conhecê-la? Quando consegui me sentar sem ficar tonta, a mulher se afastou e sentou na outra ponta do quarto, de frente para mim.

Primeiro olhei para minhas pernas, estavam cobertas com babosa, uma planta trouxa, mas estava revistada com alguma poção para queimadura, porque ela sozinha não traria aqueles resultados, entedia agora porque não as sentia, ainda estava com muitas feridas e as queimaduras estavam bem alastradas com muitas bolhas ainda e chegando até o meio das minhas coxas, bem mais altas do que minhas primeiras queimaduras, se eu sentisse minhas pernas provavelmente estaria gritando de dor agora.

Depois olhei para meus braços, não tinham bolhas, e eu podia movimentá-los com facilidade, mas ainda tinha babosa nele, as queimaduras foram mais superficiais, mas estavam demorando a cicatrizar por conta do todo.

- É babosa?

- Sim!

- Acanto teria um resultado mais rápido. - a mulher assentiu para mim, mas não sabia se ela levaria o que eu falei em consideração de verdade

- É realmente uma mulher forte! - aquela frase, eu já ouvira ela antes – Mas, eu me equivoquei só com você, sua bondade é altruísta, e com todos, acho que por isso você me assustou a primeira vez. Nunca achei que alguém pudesse ser assim, ainda mais um dos seus.

- Adelaide! - falei espantada e feliz, com os olhos aguando por vê-la bem – Fico muito feliz que esteja aqui, viva!

- Me orgulho de nunca ter feito parte daqueles rituais loucos desse lugar, acho que ter convivido com Salazar durante grande parte da vida dele me fez temer os seus. Não compartilhava da ideia de nenhum deles com relação ao que fazer com vocês, mas também não concordo com o fim que tiveram.

- O que houve? - perguntei temendo já ter a resposta

- Tem certeza que não sabe a reposta, querida? - foi o suficiente para eu entender que o meu delírio não foi um delírio, fora real, todos aqueles trouxas estavam mortos. Deveria chorar por tantas vidas perdidas, mas não conseguia ter compaixão por eles como tive pelos bruxos, mas eu realmente sentia pena daquela mulher a minha frente que perdera todos de uma vez, pelas mãos de alguém que conhecia

- Eu sinto muito pela sua perda

- Não se preocupe comigo. Sabe, não sei se conseguiria ser tão empática com alguém como eu na sua situação, está ferida por conta dos meus – sua voz mostrava que sentia vergonha de ter sido o seu povo a me ferir, mesmo não tendo sido parte daquilo

- Tenho que negá-la, está sendo muito mais do que empática, está cuidando de mim, mesmo depois de um dos meus ter … - ela assentiu, me indicando que eu não precisava falar aquela palavra – os seus

- Aquele menino não pode ser parado quando coloca uma ideia na cabeça, principalmente se ele se sente ferido de alguma forma. Ele não tem as melhores ideias, mas consegue resolver seus problemas, a seus modos, mesmo que cruéis.

- Você o compreende muito bem! Acho que é a que melhor faz isso! A quanto tempo se conhecem?

- Mais tempo do que gostaria.

- Já ouvi essa resposta antes – ela sorriu diante da minha lembrança

- Então não deveria fazer perguntas das quais já tem as respostas. - dessa vez eu sorri para ela, aquela era uma resposta evasiva, eu precisava de mais, era hora de arriscar que nada do que fazia parte das minhas lembranças era sonho

- Eu a ouvi chamá-lo de filho. - não fiz nenhuma pergunta, apenas deixei o comentário e esperei que ela assimilasse minha informação

- Sinto muito que tenha ouvido isso – então, realmente não era um sonho, a relação deles era bem mais profunda e pessoal

- Pelo contrário, fico feliz por ter ouvido

- Eu estava certa e errada em um outro ponto seu – aquela mudança de assunto mostrava que ela não estava feliz com o rumo da conversa sobre si, e a jogou de novo para mim – Eu sabia que podia lidar com esse homem, sabe? O meu menino – ela falou e sorriu para mim, confidenciando que eles realmente eram íntimos, mas sem me contar nada que eu já não tivesse deduzido – Mas me enganei em outro ponto, você é boa o bastante para amar por todos. Todos mesmo. Seu aluno me contou o que fez por ele, e nos disse também que a viu chorando pelos outros dos seus. Você não vai sufocar por amar demais, vai sufocar se lhe faltar amor.

Não tinha palavras para ela, estava chorando por suas palavras. Salazar era um filho para ela, e ele matou todos que ela conhecia, ainda assim Adelaide estava cuidando de mim, e vendo o melhor que podia em mim, muito além do que eu realmente merecia. Ela via bondade e amor em mim, e não atraia nada de bom para ela desde que nos conhecemos. Havia sido muita informação, a conversa também mexera demais com meu emocional, até mesmo Heitor havia me visto sofrer, chorar por bruxos que eu não conhecia, e eu não havia pensado nele ainda.

Meu corpo estava pesando, e eu me deixei levar. Sozinha dessa vez, me deitei e fechei os olhos, deixando o cansaço me levar para fazer as lágrimas pararem. Já estava quase dormindo, quando a ouvi sussurrar em meu ouvido.

- Sinto muito, que meu filho ainda não esteja pronto pra amar você.

 

 

Depois daquele dia passei a acordar mais vezes, mas não comentei nada a repeito do que Adelaide me confidenciara, nem voltei a assuntos como aquele. Fazia perguntas frívolas como o clima do lado de fora, o que estava usando em mim – embora ela não soubesse responder bem, mas me disse que ele levara acanto, como estava sendo a minha recuperação; ela revezava comigo nesses assuntos comuns, me falando do que havia feito para comermos – porque mesmo sem vontade, eu estava sendo obrigada a comer, me contava de sua horta particular, e as vezes acabava soltando coisas como a saudade da vida que sua vila tinha, ou o que Salazar fizera, embora nunca fosse nada extasiante, basicamente ela me dizia o que ele estava lendo ou que estava trabalhando com alguma poção.

Meus braços melhoraram em pouco tempo, e praticamente não haviam marcas, mas minhas pernas estavam demorando bem mais, porque, algo que só percebi depois de ficar bastante tempo lúcida estava afetando a cura, as minhas cicatrizes antigas se abriram junto as novas, era como se meus machucados tivessem machucados. Já conseguia me sentar sem ajudam, mas não podia me levantar ainda, o que ainda me dava vergonha, porque não podia ir ao banheiro, era a parte mais constrangedora, pois sem uma varinha não conseguia limpar tudo, na verdade não conseguia limpar nada.

Sempre que precisava trocar de roupa a ajudava ao máximo que eu conseguia, mas no fim das contas eu sabia que quando eu dormia era Salazar quem limpava tudo, ele não precisava tocar em nada, eu sabia, era só um murmurar de feitiços e sacudir a varinha, mas eu ficava constrangida só de pensar na possibilidade dele me ver, mas era o óbvio, é claro que ele iria ver como eu estava, afinal ele estava cuidando de mim, pelo em parte. Minha única questão nisso tudo era: o que ele ganhava com isso?


Notas Finais


E então? O que acharam? Por que acham que Godric e Salazar se desentenderam, de novo? O que acham dessa relação de mãe com a Adelaide? O que será que aconteceu na infância do Salazar? E a dor da perda da Adelaide? Mas, gente e a frase da Adelaide pra Helga? Gritei muito aqui! Mas, será verdade? E aquele final que a Helga estava pensando nas suas higienes? Temos que avisar do covid19 pra ela rsrs (Brincando pra não surtar com essa situação) E vocês, o que acham que Salazar ganha com tudo isso?
Mas, me contem, o que esperam?


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