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História Vermelho, branco e sangue azul-chaesoo - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo 3



No fundo, Jisoo nunca se cansou dos jatinhos particulares, nem mesmo depois de três anos do mandato da mãe.
Não é sempre que ela pode viajar assim, mas, quando pode, é difícil manter a cabeça no lugar. Ela nasceu no interior da Califórnia; sua mãe, filha de mãe solteira, e seu pai, filho de imigrantes coreanos, todos muito pobres – uma viagem de luxo ainda era um luxo.
Quinze anos antes, quando sua mãe concorreu á presidência pela primeira vez, o jornal de Austin a apelidou de Cometa de Lometa. Ela havia saído de sua cidadezinha na região de Los Angeles, trabalhando noites inteiras em lanchonetes para bancar a faculdade de direito e, antes dos trintas, estava defendendo casos de discriminação diante do Supremo Tribunal Federal. Ela era a última coisa que alguém esperaria sair de uma cidade pobre da Califórnia em meio á Guerra do Iraque: uma democrata de olhos puxados, respostas rápidas, salto alto, um sotaque forte e uma pequena família birracial.
Por isso, ainda é surreal que Jisoo esteja cruzando o Atlântico, beliscando pistaches em uma cadeira de couro de encosto alto com os pés para cima. Jin está debruçado sobre as palavras-cruzadas do New York Times à frente dele, o gigantesco agente Cassius do Serviço Secreto – apelidado de Cash – segura o próprio jornal na mão gigante, correndo para terminar as cruzadinhas primeiro. O arquivo do trabalho de Pensamentos Político Romano de Jisoo pisca cheio de expectativa na tela do laptop, mas ela  não consegue se concentrar enquanto atrevessa o Atlântico.
Amy, a agente do Serviço Secreto preferida de sua mãe, uma ex-fuzileira naval que já matou muitos homens, segundo os boatos que correm por DC, está do outro lado do corredor. Ela está tranquilamente bordando flores em um guardanapo, ao lado de uma caixa de materiais de artesanato feita de titânio e à prova de balas. Jisoo já a viu perfurar o joelho de uma pessoa com uma agulha de bordado muito parecida com aquela. 
Jen está ao lado de Jisoo, apoiada em um cotovelo com a cara enfiada na edição People que, sabe-se lá por quê, trouxe com eles. Ela sempre escolhe os materiais de leitura mais bizarros para voos. Na última vez, era um guia antigo de conversação em cantonês. Antes, A morte vem buscar o arcebispo.
– O que você está lendo aí agora? – Jisoo perguntou. 
Jen vira a revista para ela ver a matéria de duas páginas intitulada: LOUCURA NO CASAMENTO REAL! Jisoo solta um grunhido. É definitivamente pior do que Willa Cather. 
– Que foi? – Jennie diz. – Quero estar preparada para o meu primeiro casamento real.
– Você já foi em uma festa de formatura – jisoo diz. – É só imaginar isso, só que no inferno, mas você tem que ser gentil o tempo todo. 
– Dá pra acreditar que gastaram setenta e cinco mil dólares só no bolo?
– Que deprimente. 
– E parece que a princesa Rosé vai sozinha para o casamento e todo mundo ta pirando. Diz que ela estava – ela faz um sotaque britânico cômico –,"segundo rumores, saindo com um herdeiro belga no mês passado, mas agora aqueles que acompanham a vida amorosa da princesa estão sem saber o que pensar".
Jisoo bufa. É inacreditável como milhares de pessoas acompanham a vida amorosa incrivelmente sem graça das irmãs da realeza. Ela até entende que as pessoas liguem para onde ela enfia a língua – pelo menos, ela tem personalidade.
– Vai ver, a população masculina da Europa finalmente se deu conta que ela é tão atraente quanto um novelo de lã encharcado – Jisoo sugere.
Jin abaixa as palavras-cruzadas. Cassius olha para o lado e solta um palavrão ao ver que ele terminou primeiro.
– Você vai dançar com ela, então?
Jisoo revira os olhos e se imagina rodando pelo salão de baile enquanto Rosé fala vários nadas sobre críquete e caça de raposa em seu ouvido. Pensar nisso lhe dá ânsia de vômito. 
– Até parece.
– Ah – Jin diz –, você ficou vermelhinha.
– Escuta – Jisoo diz –, casamentos reais são um lixo, as princesas que fazem casamentos reais são um lixo, o imperialismo que permite que princesas existam é um lixo. É um lixo sem fim.
– Mas que belo discurso – jen diz. – Você sabe que os Estados Unidos também é um império genocida, né? 
– Sei, jennie, mas pelo menos temos a decência de não manter a monarquia viva – Jisoo diz, jogando um pistache nela.
Os novos funcionários da Casa Branca sempre são informados sobre algumas coisas a respeito de Jisoo e Jennie antes de começarem a trabalhar. A alergia de Jennie a amendoim . Os pedidos frequentes de café que Jisoo faz no meio da noite. O ex namorado de Jennie, que terminou com ela que se mudou para São Francisco depois da faculdade, mas ainda é a única pessoa cujas cartas chegam diretamente para ela. O velho ódio de Jisoo contra a princesa caçula. 
Não é nem um ódio, na verdade. Nem uma rivalidade. É uma birra incômoda e inquietante. Faz as palmas das mãos dela suarem.
Os tabloides – o mundo – decidiram alencar Jisoo como a equivalente americana à princesa Rosé desde o primeiro dia, visto que o Trio da Casa Branca é a coisa mais próxima que os Estados Unidos tem da realeza. Nunca pareceu justo. A imagem de Jisoo é de pura carisma, inteligência e humor cínico, entrevistas reflexivas na capa da GQ aos dezoito anos; a de Rosé é composta de sorrisos plácidos e aparições genéricas de caridade, uma tela perfeitamente em branco de Princesa Encantada. Na opinião de Jisoo, Rosé tem um papel muito mais fácil de representar. 
Tá. Talvez tecnicamente seja uma rivalidade.
– Tá, grande sábio – ela diz –, quais são os números aqui?
Jin sorri.
Bom, – Ele finge pensar profundamente no assunto. – Avaliação de risco: se a primeira-filha não se cuidar, vai resultar em mais de quinhentas mortes de civis. Noventa e oito por cento de chance de a princesa Rosé  estar gata. Setenta e oito por cento de chancer de Jisoo ser banida do Reino Unido para sempre. 
– Melhor do que eu imaginava – Jennie cometa.
Jisoo ri, e o avião segue caminho.
 



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