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História Vermelho, branco e sangue azul-chaesoo - Capítulo 7


Escrita por: Hitori-San

Capítulo 7 - Capítulo 7


O trio da Casa Branca é o apelido oficial de Jisoo, Jennie e Jin, cunhado pela People pouco antes da posse. Na verdade, o termo foi cuidadosamente testado com grupos focais pela assessoria de imprensa da Casa Branca e passado diretamente para a People. Política – cauculismo até nas hashtags.

Antes dos Kim's, os Kennedy e os Clinton protegiam a primeira-prole da imprensa, dando-lhes  privacidade para passar por fases difíceis, exeriências orgânicas da infância e tudo mais. Sasha e Malia Obama foram perseguidas e comidas vivas pela imprensa antes mesmo de saírem do ensino médio. O Trio da Casa Branca quis ficar à frente da narrativa antes que qualquer um pudesse controlá-la.

Era um plano novo e ousado: três jovens bonitos, inteligentes, carismáticos e vendáveis da geração dos millennials – tecnicamente, Jisoo e Jin nasceram um pouco depois do ínicio da Geração Z, mas a imprensa acha que esse tempo não pegaria. Pegar vende, descolado vende. Obama era descolado. A primeira-família inteira também podia ser; um tipo próprio de celebridade. Não é o ideal, sua mãe sempre diz, mas funciona.

Eles são o Trio da Casa Branca, mas aqui, na sala de música do terceiro andar da Residência, são apenas Jisoo, Jennie e Jin, naturalmente grudados uns nos outros desde que eram adolescentes se enchendo de café expresso até prejudicar a saúde na época de provas. Jisoo os impulsiona. Jen os equilibra. Jin os faz serem honestos.

Eles acomodam em seus lugares de sempre: Jen, acocorada sobre os saltos diante da coleção de discos, procurando algum da Patsy Cline; Jin, de pernas gruzadas no chão, abrindo uma garrafa de vinho tinto; Jisoo sentada de cabeça para baixo com os pés em cima do encosto do sofá, tentando descobrir o que fazer.

Ela vira a FICHA INFORMATIVA DE VOSSA ALTEZA, PRINCESA CHAEYOUNG e estreita os olho. Consegue sentir o sangue escorrendo para a cabeça.

Jin e Jennie a ignoram, fechados em uma bolha de intimidade que ela nunca consegue penetrar direito. A relação deles é enorme e incompreensível para a maioria das pessoas, até para Jisoo às vezes. Ela conhece todos os mínimos detalhes e víciosas dos dois, mas existe ali um laço arco-irís estranho que ela não consegue e sabe que não tem como traduzir.

– Pensei que você estava curtindo o trabalho do Washington Post – Jin diz. Com um estalo baixo, ele tira a rolha do vinho e toma um gole direto da garrafa.

– Eu estava – jen diz. – Quer dizer, estou. Mas não é bem um trabalho. É só um editorial por mês, e metade das minhas pautas é derrubada por ser próximas demais da plataforma da minha mãe e, mesmo assim, a assessoria de imprensa precisa ler tudo que for político antes de eu entregar. Então tipo, fico mandando esses artigos inofensivos, sabendo que do outro lado da tela as pessoas estão fazendo o jornalismo mais importante da carreira delas, e tenho que me contentar com isso.

– Então... Você não está curtindo?

jennie suspira. Ela encontra o disco que estava procurando e o tira da capa.

– Não sei o que mais eu poderia fazer, esse é o lance.

– Eles não te colocariam em um furo? – Jin pergunta.

– Até parece. Eles não deixariam nem entrar no prédio – Jen diz. Ela põe o disco na vitrola e posiciona a agulha no lugar. – O que Reilly e Rebecca diriam?

Jin ergue a cabeça e ri.

– Meus pais diriam para fazer o que eles fizeram: largar o jornalismo, se envolver com óleos essenciais, comprar uma cabana no meio do mato em Vermont, e ter uns seiscentos coletes com cheiro de patchilo.

– Você esqueceu a parte de envestir na Apple nos anos noventa e ficar estupidamente ricos –  Jennie lembra.

– Detalhes.

Jen chega perto e coloca a palma da mão em cima da cabeça de Jin, no fundo do cabelo do amigo, e se abaixa para dar um beijo nos próprios dedos.

– Vou pensar em alguma coisa.

Jin passa a garrafa, e Jennie dá um gole. Jisoo solta um suspiro dramático.

– Não acredito que tenho que aprender essa porcaria –  Jisoo diz. –  Minha semana de provas mal acabou.

– Olha, é você quem quer brigar com tudo quanto é ser vivo – Jennie diz, limpando a boca com o dorso da mão, em um gesto que só faria na frente dos dois. – Incluindo a mornaquia britânica. Então não sinto tanta pena de você. Enfim, ela foi supersimpática quando a gente dançou. Não entendo essa sua raiva.

– Acho incrível –  Jin diz. –  Inimigas mortais obrigadas a fazer as pazes para resolver tensões entre seus países? Tem um quê shakesperiano nessa história.

– Se é shakesperiano, tomara que eu morra esfaqueada –  Jisoo diz. Essa ficha diz que a comida favorita dela é tortinha de frutas. Não consigo pensar em nenhuma comida mais sem graça. Ela é, tipo, uma pessoa feita de papelão.

A ficha é cheia de coisas que Jisoo já sabia, seja porque as irmãs reais dominam os noticiários ou por ter lido a página de Rosé na Wikipédia com ódio no coração. Ela sabe sobre os pais de Rosé, suas irmãs mais velhas Miyeon e Dahyun, que ela estudou literatura inglesa em Oxford e toca piano clássico. O resto é tão insignificante que ela não imagina que possa aparecer em uma entrevista, mas, de qualquer maneira, não vai correr o risco de estar menos preparada do que Rosé.

– Uma ideia – Jin diz. – Vamos transformar isso em um jogo de bebida.

– Aah, boa –  jennie concorda. –  Beber toda vez que a Jisoo acertar?

– Beber toda vez que a resposta der vontade de vomitar? –  Jisoo sugere.

– Uma dose para cada resposta certa, duas para um fato sobre a princesa Rosé que seja mesmo horrível, objetivamente falando – Jin diz. Jennie já tirou duas taças do armário, e as passa para ele, que enche e fica com a garrafa. Jisoo desliza do sofá para sentar no chão ao lado deles. –  Certo –  Ele  continua, pegando a ficha das mãos de Jisoo. – Vamos começar por uma fácil. Pais. Vai.

Jisoo pega sua taça, já puxando uma imagem mental dos pais de Chaeyoung, os olhos castanhos sagazes de Jihyo e os fios de cabelo loiros do astro do kpop Daniel.

– Mãe: princesa Jihyo, filha mais velha da rainha Mary, primeira princesa a obter um doutorado, em literatura inglesa –  ela dispara. –  Pai: Kang Daniel, cantor famoso dos palcos coreanos, falecido em 2015. Bebam.

Eles beberam e Jin passa a lista para Jennie.

– Certo –  Jennie diz, analisando a lista, parecendo procurar por algo mais difícil. – Vamos ver. Nome do cachorro?

– Hank  – Jisoo diz. – Dessa eu lembro porque quem faz isso? Quem chama o cachorro de Hank? Parece nome de um procurador fiscal. Um procurador fiscal canino. Bebam.

– Nome, idade e profissão da melhor amiga? –  Jin pergunta. –  Melhor amiga fora você, claro. 

Jisoo mostra o dedo do meio para ele com frieza.

– Lalisa Manoban, Atende por Lisa ou Lali. Herdeira da Manoban Industries, uma empresa nigeriana líder em avanços biómedicos na África. Vinte e dois anos, mora em Londres, conheceu Rosé no colégio Eton. Gerencia a Fundação Manoban, uma ONG humanitária. Bebam.

–  Livro preferido?

– Hm –  Jisoo diz. –  Ah. Merda. Hm. Qual é aquele...

– Sinto muito, Sra. Kim, resposta incorreta –  Jennie diz. –  Obrigada por participar, mas você perdeu.

– Vai, fala aí a resposta.

– Aqui diz... Grandes esperanças? 

Jisoo e Jin grunhem ao mesmo tempo.

– Entenderam o que eu quero dizer agora? – Jisoo diz. – Essa garota lê Charles Dickens... Por prazer. 

 – Nessa vou ter que concordar com você – Jin diz. – Duas doses.

– Olha, eu acho... –  Jennie diz enquanto Jin bebe. – Gente, até que é legal! Tipo, é pretencioso, mas os temas de Grandes esperanças são todos, tipo, o amor é mais importante do que os status, e fazer o que é certo vale mais do que dinheiro e poder. Talvez ela se identifique... – Jisoo faz um barulho alto e longo de peido. – Vocês são babacas pra cacete! Ela parece muito legal!

– Você só fala isso porque é nerd – Jisoo diz. –  Quer proteger sua espécie. É um instinto natural.  

– Estou te ajudando por pura bondade – Jennie diz. – Eu tenho prazos agora.

– Ei, o que acha que Zahra colocou na minha ficha?

– Hmm – Jin diz, sugando os dentes. –  Esporte olímpico preferido: ginástica rítmica...

– Não tenho vergonha disso.

– Marca preferida de calça cáqui: Gap.

– Olha, elas vestem bem na minha bunda. As da J. Crew enrugam de um jeito esquisito. E não são cáquis. São chinos. 

– Alergias: poeira, sabão da marca Tide e ficar quieta.

– Idade da primeira obstrução política: nove, no Sea World San Antonio, tentando forçar um tratador de orcas a se aposentar mais cedo, por, abre aspas, "práticas baleeiras desumanas"

– Sempre defendi e sempre vou defender as orcas.

Jennie joga cabeça para trás e solta uma gargalhada alta e natural, Jin revira os olhos, e Jisoo fica contente por pelo menos ter isso esperando por ela quando esse pesadelo acabar.  

 



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