1. Spirit Fanfics >
  2. Vermillus >
  3. Desperationis

História Vermillus - Capítulo 27


Escrita por:


Notas do Autor


Amores...o capítulo tá bem emocionante, já adianto. Mas... já é o esperado para esse período final da fic.

Vamos para a leitura e no final eu tenho um recadinho para vocês...❤️

Capítulo 27 - Desperationis


Fanfic / Fanfiction Vermillus - Capítulo 27 - Desperationis

O momento remetia a um sonho. Sonho este do qual Hani não queria acordar. Olhava para o filho mais velho atrás de si e ele não reagia. Quando virava para ver o mais novo ele estava igualmente paralisado, com uma expressão indefinível embora fosse quase possível perceber um leve desespero. 

— Meu filho! — Hani exclamou emocionada, correndo para Hoseok. 

A atitude matronal interrompeu os planos de Hoseok que ao perceber a situação em que se encontrava, tendo o irmão mais velho que não queria ver há poucos metros de si, cogitou a remota mas não descartável possibilidade de ir embora dali sem dar explicações. 

Hyungwon, ligeiramente nervoso com a situação que até desejava mas não acreditava ser possível, olhou para o lican um pouco sem jeito, antes de ver o corpo dele ser invadido pelo abraço afetuoso da mãe. E mesmo lendo os lábios pequenos de Hyunwoo que lhe diziam um "muito obrigado", deu de ombros com um sorriso amarelo pois não se sentia digno de colher os méritos daquele encontro. 

— Você voltou. — Hani disse, segurando o rosto de Hoseok entre as mãos. 

— Sim… mas… eu vim apenas para vê-la e depois vou voltar para a floresta. 

— Tudo bem. O que importa que está aqui agora. — sorriu. — Filho… você parece mais forte e saudável. 

— Ele está se alimentando melhor agora. — Hyungwon respondeu com ironia. 

— Venha. 

Hani puxou o filho para dentro da tenda, o colocando de frente para Hyunwoo. Em silêncio, os dois se encararam com um nervosismo visível. 

— Hoseok, esse é o seu irmão mais velho, Hyunwoo. 

A alegria estava estampada no rosto da mulher. Sonhou durante tanto tempo com aquele momento que agora que o tinha era como se fosse mentira. Os olhos cheios de lágrimas e com o rosto levemente avermelhado, virava a cabeça para um e para outro, esperando para ver qual dois dois tomaria a iniciativa. O instinto materno lhe dizia que Hoseok por ter sido educado entre o povo do lua, acostumado a odiar os vampiros acima de tudo e teimoso como o pai, não daria a menor chance para o mais velho, mas Hyunwoo, apesar de ter sido criado para se tornar um impiedoso líder, com seu jeito sereno e pacífico e toda a maturidade inata, tinha mais chances de esquecer as diferenças de raça e dar o primeiro passo. Para a sua surpresa, Hoseok inclinou o corpo de leve diante do irmão em um cumprimento respeitoso, mas contrariando as expectativas dele, após um tempo olhando aquela postura formal, Hyunwoo puxou o irmão mais novo pelo braço e o envolveu nos seus em um abraço forte e emocionado. 

Hoseok não se mexeu. Os braços ficaram caídos e jogados pelo lado do corpo, relaxados de forma a indicarem que não corresponderia a aproximação do outro. 

— Eu esperei tanto por isso. — Hyunwoo disse. — Finalmente, você está aqui diante de mim, meu irmão. 

Aquelas palavras de alguma forma tocaram o coração resistente de Hoseok que vendo a mãe verter lágrimas, ponderou que talvez devesse agradar a ela e lhe dar uma boa lembrança desse momento tão esperado. Elevou os braços lentamente até a cintura de Hyunwoo e depois subiu um pouco mais para as costas largas. Notar essa curiosa semelhança entre os dois fez com que ele percebesse o irmão mais próximo de seus genes do que dos de Arando. Isso permitiu que o princípio de um elo começasse ali, simbolicamente, representado naquele abraço. Era curioso sentir o quanto o coração de Hyunwoo batia forte pela emoção do momento e constatar essa demonstração indisfarçável de felicidade, fazia com que aos poucos os muros levantados no próprio coração fossem derrubados. 

Hoseok se entregava ao abraço fraternal, tocando os dedos nas escápulas pronunciadas das costas de Hyunwoo e apoiando a cabeça no ombro dele. Agora o via como irmão e ao perceber que ele chorava, foi impossível conter a própria emoção também. Acabavam ali as diferenças que nutria durante todos esses anos. 

Hani fez com que cada um deles se sentasse perto dela e segurando a mão dos filhos, ouvia o que cada um tinha para dizer. O sorriso no rosto denunciava o orgulho em ter trazido ao mundo dois homens tão incríveis, gentis e bonitos. Por vezes, chorava ao lembrar de quantas noites passou em claro preocupada com o mais novo. 

Ele por sua vez, se surpreendeu ao saber de Hyunwoo e que este o invejava e se ressentia por acreditar que a mãe amava mais o filho lican do que ele. Quando questionou o irmão sobre esses pensamentos, o vampiro lhe disse que a mãe nunca o esqueceu e que falava dele com frequência o que fazia com que não se achasse suficiente. Solidário a confissão do mais velho, Hoseok também admitiu que se sentia igual e invejava o irmão por ter sido o escolhido da mãe. 

Hani ouviu sobre os conflitos internos dos filhos e se via como a grande culpada. Percebia o quanto toda a intriga entre os adultos afetava diretamente as inocentes crianças que nada tinham a ver com isso. No fim, os filhos fizeram com que ela entendesse que era tão vítima quanto todos eles, e que o único culpado de tudo aquilo era Arando. 

Ao se abraçarem, Hyunwoo refletia sobre tudo o que foi falado e o tanto de responsabilidade que o pai tinha sobre todo o sofrimento que a mãe e o irmão passaram nestes anos separados. Olhava ao longe e nunca antes a voz da noiva lhe pareceu tão clara na mente. 

Você pode ter todo o tempo do mundo para esperar a queda de seu pai por ser o filho preferido dele e gozar de todos os privilégios que isso lhe permite, mas e quanto as outras pessoas? 

O vampiro apertou ainda mais Hoseok e Hani em seu abraço. 

Enquanto o seu pai estiver no poder, essas injustiças continuarão acontecendo.

O coração acelerava dentro do peito. 

Um golpe contra Arando é a melhor solução para que tudo isso acabe. 

Uma lágrima solitária rolou pela bochecha e então, a mente finalmente voltou a ficar em silêncio. 

*

Os vitrais coloridos expunham a imagem eternamente jovial de Arando. De costas, ele encarava a representação de sua imagem enquanto escutava dois guardas falando atrás de si. 

A porta branca e comprida se abriu e o barulho dela foi a única coisa que motivou o vampiro a virar o corpo, dando atenção a quem entrava pelo salão principal. 

— Saiam. — ele ordenou. 

Em roupas sujas e manchadas de sangue, os dois guardas que conversavam com o líder saíram do lugar, passando pela mulher que adentrava ao mesmo espaço. Ao perceber o estado dos homens que protegiam a família Ettore, Kiary abriu os olhos um pouco assustada e precisou virar o rosto algumas vezes para trás até parar de frente para o marido. 

— Me chamou? — a mulher perguntou um pouco apreensiva. 

— Está feito. 

Kiary ainda se deu um tempo, apertando os olhos como se tentando entender do que Arando falava. 

— Changkyun está morto. 

— Morto!? — exclamou com surpresa. — Você… matou Changkyun?

— Sim. — respondeu sereno. — Não era isso que queria?

— Eu lhe disse que queria apenas que os dois ficassem separados. 

— E agora estarão. — o homem falou com frieza. — Para sempre. — se aproximou da mulher e lhe sorriu. — O que foi? Vai dizer que não era isso que tinha em mente?

A voz do vampiro ecoava dentro da cabeça dela como uma melodia hipnótica. Talvez aquele de fato fosse um desejo sujo e oculto, mas que nunca ousou expressar. Pensava, agora que o desejo se tornava real, o quanto aquilo lhe igualava ao homem que tanto odiava e ela podia dizer com certeza que odiava mais Arando do que Changkyun. Isso fez com que uma espécie de remorso começasse a surgir. 

— Onde está no corpo?

— Corpo? Para quê precisamos de um corpo?

— Como assim para quê? Para que a história se torne mais crível. 

— Não temos um corpo. Ele foi jogado em um rio perto da floresta. De qualquer forma, nós não precisamos de um corpo. Se vissem as marcas de espada em Changkyun isso entregaria todo o plano. 

 — Poderiam dizer que foram os licans. 

— Aqueles selvagens não possuem esse tipo de arma e Hyunwoo é líder da guarda há anos. Acha que eles não conseguiriam reconhecer? Deixe tudo do jeito que está, sabemos o que estamos fazendo. Para todos os efeitos, Changkyun foi levado pelos licans durante o enfrentamento sem que os guardas tivessem chance de reclamar o corpo. Essa será a história oficial. 

— E como vai provar que ele está morto? Kihyun é esperto e não se deixará convencer facilmente. 

Arando andou um pouco mais perto da esposa e diante dos olhos dela mostrou uma bela rosa branca manchada de sangue. 

— Sabe o que é isso? 

— Parece com as rosas que Kihyun coloca constantemente no túmulo de Imani. 

— É exatamente isso. Changkyun levou uma rosa branca e prendeu na lapela da farda antes de ir. Provavelmente para manter consigo uma lembrança da mãe e de algo que fazia com Kihyun. Os guardas me trouxeram como prova do cumprimento do plano e será ela que convencerá Kihyun que a aventura incestuosa com Changkyun chegou ao fim. — sentenciou. 

Com o silêncio da sala, Kiary sentiu o peso da palavra do marido. Ela não era do tipo que acreditava em retorno das ações realizadas. Não acreditava que por agir de uma forma tão leviana acabaria recebendo o pago de volta, mas por alguma razão, o corpo se arrepiou de tal forma que pela primeira vez ela temeu. 

— Quando vai contar a ele? A Kihyun. 

— Farei agora. — respondeu, dando as costas para a esposa e sentando em seu belo trono. — Mas não apenas a ele. Contatei a família para que não se levante suspeitas. A guarda interna já está chamando as outras Mães Vermelhas. Vá até o quarto de Kihyun, diga que quero lhe falar e por favor… quando ouvir a notícia finja surpresa. 

Confirmando silenciosa e ao mesmo tempo preocupada, Kiary suspirou devagar e viu quando o marido fez um sinal impaciente para que saísse de imediato do local. Ela assim o fez, mesmo odiando ser tratada daquela forma. Ao sair pela porta, se encostou nela e com a cabeça apoiada na madeira branca, pensava sobre toda a conversa, refletindo nas ações extremas de Arando. Pensou sobre como ele foi capaz de tirar a vida do próprio filho e que definitivamente, ele era a criatura mais cruel que ela havia conhecido.

*

O imenso túnel escuro causava uma sensação de agonia, mas ignorando o fato de estarem os dois ali, caminhando pelo lugar rumo a saída, Hoseok se sentia privilegiado e curioso com a confiança que Hyungwon depositava nele. Viu enfim um feixe de luz a frente e percebeu que Hyungwon parou e se virou para ele assim que chegaram perto do conjunto de galhos e folhas que os levaria para o lado externo do Domum. 

— Está surpreso por eu te mostrar esse lugar? — disse se encostando na parede da caverna. 

— Eu não diria surpreso. — respondeu. — Mas é bom saber que confia em mim a esse ponto. 

— Passagens secretas são as coisas mais comuns em castelos como o Domum. Isso ajuda a proteger a integridade da família em caso de um ataque. 

— Existem… outras passagens como essa? 

— Certamente. Todos os quartos desse lugar possuem passagem secreta, seja atrás de quadros, estantes de livros ou de grandes tapeçarias. Todas elas trazem para este mesmo ponto. 

Hoseok olhou em volta e para o caminho que fez e apesar de escuro e úmido, notou uma série de outros túneis nas paredes do lugar. 

— Tem outras duas no salão principal e na biblioteca. A do salão principal é maior pois a ideia é salvar não apenas a família, mas os principais membros do clã, como por exemplo, a cúpula. Aquele bando de velhos decrépitos são lentos e poderiam colocar qualquer fuga a perder se o espaço fosse menor. — Hyungwon cruzou os braços. — Meu pai não liga para eles, mas por convenção precisa protegê-los. 

— E seu pai liga para alguém que não seja ele mesmo? — Hoseok perguntou, vendo o amado silenciar por um tempo. 

— Você o odeia, não é? 

A pergunta pairou no ar sem resposta. 

— Agora que sabe que esse lugar existe, o que vai fazer com essa informação? 

A cabeça do lican virou lentamente para a direção do rosto do vampiro. O tom da voz de Hyungwon lhe questionando sobre aquilo soou instigadora, como no dia em que ele o desafiou a matá-lo em sua forma de lobo. Agora, era como se o Ettore quisesse que ele revelasse as passagens secretas e se isso não passasse de ideias tolas de sua cabeça vingativa, talvez Hyungwon estivesse naquele momento, o incitando a invadir o Domum. 

— Está me ouvindo? — Hyungwon perguntou, vendo o amado distraído. 

— Sim… e minha resposta é… o que eu poderia fazer com essa informação? Meu povo não existe mais e se meu pai estiver morto, eu sou único da minha raça. 

Hyungwon se deu conta de que cometeu um ato falho e a cabeça baixa revelou o arrependimento. Ao levantar, tirou do bolso da calça um objeto delicado e andando para trás de Hoseok, passou os braços por cima da cabeça dele. Foi quando o lican viu um pingente balançando diante dos olhos, descendo até a altura do pescoço. 

— Eu estava para te devolver isso. — Hyungwon disse, prendendo o cordão no pescoço de Hoseok. 

Com os dedos tocando a meia lua, aquele belo jovem quase não pôde acreditar que tinha de volta o cordão de Nyah, sua mãe bruxa. A última vez que o tinha visto, foi quando desejou que Luxor voltasse a vida para uma despedida adequada de Hyungwon e desde então, com todos os acontecimentos, já dava o objeto como perdido. 

— Ele estava caído em uma da baias dos cavalos. Eu recuperei e guardei para lhe entregar assim que fosse possível. 

Hoseok silenciou os lábios grossos do vampiro com um beijo longo e apaixonado. Andaram até a outra parede da caverna e Hyungwon foi pressionado contra ela ao ser beijado e acariciado pelo lican que a cada dia tinha mais certeza do quanto amava o vampiro. 

— Obrigado. — sussurrou no fim do beijo. — Eu pensei que nunca mais veria esse cordão outra vez. 

— Sempre farei tudo o que estiver ao meu alcance para ver esse sorriso lindo no seu rosto. — o outro respondeu, passando os dedos pelas linhas da face do amado. — Bom… você agora é um homem livre e conhece a passagem secreta que leva até meu quarto. — sorriu malicioso. 

— Sim, eu sei e tenho uma ótima memória. — correspondeu ao sorriso. — Obrigado por me trazer até aqui, meu amor. Certamente, é o lugar mais seguro para sair ou entrar no Domum sem ser visto pela guarda. 

— Foi exatamente o que pensei. — andou até mais perto e o abraçou. — Nos vemos mais tarde nos campos?

— Eu estarei lá, te esperando ansiosamente.

Hyungwon sorriu e beijou de leve os lábios de Hoseok e tão logo os dois se apartaram, ele saiu pela porta improvisada de galhos e folhas que ocultava a passagem secreta do Domum. Ao sair em um ponto distante da floresta, o lican andou algum tempo até conseguir chegar ao local onde havia se estabelecido e levemente cansado pela caminhada que fez até ali, se deitou na esteira improvisada de palha que fez e com o braço apoiado na testa e olhando o céu por entre as folhas das árvores, relembrou a pergunta de Hyungwon. 

 Agora que sabe que esse lugar existe, o que vai fazer com essa informação? 

Suspirou de olhos fechados, concluindo que poderia fazer muitas coisas com aquela informação. Contudo, se questionava agora sobre o quanto queria fazer. 

*

Naquela manhã, Kihyun acordou em profundo desassossego. Não saiu do quarto desde o dia que viu seu amor partir para terra distantes. A harpa pequena jogada na cama ao seu lado tão derrotada quanto seu dono, indicava que ele havia falhado em sua missão sempre tão bem sucedida de trazer Chang de volta e isso o deprimia ainda mais. 

Quando bateram na porta, os olhos do vampiro saíram da harpa e foram em direção ao som. No quarto, o silêncio insistente pesava o ambiente mas o barulho das batidas, ficando cada vez mais alto causava em Kihyun uma sensação tão pesarosa e desesperada que apenas cobriu a cabeça com o lençol. 

— Ainda tem o cheiro dele. — disse com voz de choro. 

Os dedos pequenos e delicados tocavam o tecido branco que lhe cobria o rosto. Lembrou de quando esteve embaixo daqueles mesmos lençóis com Changkyun ao seu lado e ao virar a cabeça o viu de forma clara o olhando e sorrindo para ele. Levou as mãos devagar até aquela imagem na esperança vã de tocá-la. A mente estava tão perturbada pela ausência do amor que ele tinha certeza que seria capaz de sentir Chang assim que seus dedos alcançassem-lhe o rosto, mas quando estava perto disso sentiu quando uma mão arrancou de forma brusca o lençol que o protegia com seu amor. 

— O que é isso!? — Kihyun disse irritado ao ver a imagem de sua mãe. 

— Eu que pergunto. Me ouviu bater na porta e estava embaixo dos lençóis com a mão esticada feito um lunático. 

— Me deixe em paz! 

— E não é isso que tenho feito nesses dias desde que resolveu se trancar neste quarto? Dispensei até o professor que tão gentilmente se dispôs a te ajudar com a harpa. — disse, olhando para o instrumento em cima da cama. — Agora levante-se. Seu pai… — a mulher pensou um pouco e continuou. — Seu pai quer falar com toda a família no salão principal. 

Kihyun virou devagar a cabeça para onde a mãe estava e a olhou com um certo temor. 

— O que… o que ele quer falar? 

— Eu não sei. — disse sem encarar o filho. — Apenas se levante dessa cama e lave o rosto. Você está horrível. 

A mulher deu as costas sem pensar duas vezes e andou apressada para fora do quarto. Ao fechar a porta, se encostou nela e respirou fundo de olhos fechados. Não imaginava que se sentiria assim justamente quando conseguiu o que queria e essa angústia lhe tirava toda a graça da vitória. 

A família estava no salão principal. Com exceção de Kihyun que entrou momentos depois, pouco a vontade com a atenção que atraiu ao chegar por último. 

Arando se encontrava sentado e prontamente se pôs de pé ao ver todos os seus dentro do recinto. Desceu a pequena escada que dava acesso ao imponente trono e olhou para cada um deles. Hani estava em uma ponta tendo ao lado direito Minhyuk, seguido por Hyungwon, Hyunwoo e Jinah. A fileira prosseguia com Kiary, Kihyun que acabava de entrar, Hyuka e Hyuna na outra ponta.

— Bem… — Arando começou. — Agora que estão todos aqui…

— Não. — Kihyun interrompeu. — Nem todos estão aqui. 

Os irmãos se entreolharam e em seguida voltaram a atenção para o pai que ponderou com a cabeça a afirmação crítica de um dos filhos. 

— Eu convoquei todos vocês pois as notícias que trago não são das mais prósperas. 

Os presentes se moveram de leve no lugar com a incômoda introdução ao tema. 

— Resolvi falar com todos ao mesmo tempo e nem Hyunwoo que é o capitão da guarda teve acesso a essa informação. 

Ao ouvir o pai citar a guarda, Kihyun retesou o corpo. A mãe ao seu lado olhou de soslaio e abaixou a cabeça. Ouviu o marido começar a falar e por mais que tentasse fazer conforme o combinado, não conseguiu. Qualquer um que prestasse o mínimo de atenção na mensagem corporal dela saberia que para Kiary, a informação passada não era novidade. 

— Agora a pouco recebi informações da guarda. — mirou cada um dos membros da família. — Nosso grupo foi atacado em uma parte mais distante da floresta de Akai. — continuou, vendo os olhos dos filhos aumentarem de tamanho. — Os licans não estavam em Akairo como esperávamos. Talvez informações falsas tenham sido plantadas para que fôssemos pegos em uma emboscada e foi isso que de fato aconteceu. A guarda foi atacada e como consequência disso…

A voz de Arando começava a ficar baixa. Pelo menos para Kihyun. 

— …apesar de todos os esforços realizados pelos nossos homens para protegê-lo…

As batidas do coração daquele triste e apaixonado vampiro tomavam conta do ambiente. 

— Changkyun foi cruelmente ferido em batalha e devido a sua falta de experiência em combate, o mais jovem dos Ettore foi morto por aqueles malditos selvagens. 

Kihyun via os irmãos ao redor dele chorando, mas os gritos desesperados que saíam da boca de Minhyuk não tinham qualquer som. Hyunwoo caía ajoelhado com as mãos no rosto e soluçava, tendo Catalina em frente a ele a abraçar-lhe o corpo. Hyungwon chorava muito, mas em silêncio, mantendo a elegância que sempre lhe foi peculiar. Tudo isso, Kihyun podia ver com uma certa lentidão, como se estivesse em um pesadelo do qual não conseguia acordar. 

 Por que eu nunca consigo o que eu quero, Kihyun?

Era a voz triste de Changkyun que ele ouvia. Se lembrava da pergunta que o amado o fez e os olhos se encheram de lágrimas pela primeira vez. 

Seu coração bate tão forte agora. Às vezes é bom ser metade humano. Quando nossa transformação estiver completa, não sentiremos mais os nossos corações.

Kihyun levou a mão trêmula até o peito e o coração que batia acelerado de repente parou. 

Apesar disso…

O vampiro olhou em volta. 

...sei que você será capaz de sentir o meu coração…

Todos olhavam para ele. 

...exatamente como sente agora.

Os olhos se fecharam e as lágrimas represadas nas pálpebras caíram ao chão e isso aconteceu no mesmo momento em que seu pequeno e cansado corpo desfaleceu. 

*

— Está acordado. Foi apenas a emoção da notícia. — o médico falou perto da cama de Kihyun. — Ele vai se recuperar… — suspirou e continuou. — ...se ele quiser. 

Abriu os olhos devagar e viu o vampiro sair. No quarto, ficou apenas ele, a mãe, o pai e o completo silêncio. Arando lhe deu as costas, saindo do quarto e quando chegou à porta ouviu atrás de si: 

— Foi você. 

Parou onde estava. 

— Você é o culpado… — a voz trêmula de Kihyun se ouvia no ambiente. — É o único responsável por isso. 

— Kihyun… — a mãe tentava o fazer parar. 

— Maldito! — falou alto. — Maldito! — gritava. — Para ele você sempre foi mais um carrasco do que um pai! Eu te odeio mais agora do que antes e te amaldiçoo, déspota infeliz! — se levantou da cama e pondo os pés descalços no chão correu em direção do pai. — Que morra pelas mãos dos teus inimigos e encontre um fim pior do que o dele!  

Os guardas que estavam do lado de fora e escutavam os gritos, entraram de imediato no quarto e se puseram diante do mestre antes que Kihyun pudesse alcançá-lo. 

Os braços pequenos do rapaz se esticavam por entre as frestas dos corpos dos guardas e tentavam em vão alcançar o rosto do pai que parado onde estava, cruzava os braços, mantendo o olhar altivo de sempre. 

— Isso não ficará assim! Eu não vou permitir que a memória de Changkyun seja esquecida nesse castelo. Você pagará pelo que fez e não terá um dia de paz! 

Arando saiu pela porta balançando a cabeça e um dos guardas, pegando Kihyun em seu braço, o jogou na cama. 

Kiary assistia a tudo assustada, vendo o filho se transformar diante dela. O comportamento animalesco e revoltado deu lugar repentinamente a uma postura angustiada e sofrida. Na cama, o via se contorcer em lágrimas e um choro forte fez com que toda a fúria de poucos segundos se transformasse em tristeza. Ela sentia no peito uma dor sem igual e o princípio de arrependimento que lhe surgiu assim que soube da notícia da morte de Chang, agora se confirmava ao ver o quanto o filho sofria. Lançou-se sobre ele, segurando os braços que se debatiam desesperados, ouvindo o som dos gritos de aflição que repetiam copiosamente o nome daquele a quem ela odiava mas a quem o filho amava. Quando se deu conta, estava a chorar junto com ele mas não pelo mesmo motivo que ele. Chorava pelo filho, pelo estado em que estava e por ter sido ela a responsável por aquilo. Não fazia ideia do quão forte era o sentimento de Kihyun por Chang e com remorso descobriu da maneira mais cruel possível. 

Nos corredores, apenas os gritos de Kihyun se ouviam e eram tão perturbadores que Hyunwoo chorava com a cabeça deitada no colo de Hani que o acompanhava no pranto, sob o olhar apiedado de Jinah. Até mesmo a bruxa que a vida toda sempre desejou a morte de um dos Ettore, agora que convivia com eles sentia a dor daquela perda. 

Minhyuk tinha o olhar perdido na janela e estava naquela posição desde que entrou no quarto. A cortina branca voava com a força do vento e ele sequer piscava. Sentiu quando um par de braços lhe envolveu a cintura, o abraçando forte. Era Jooheon e a presença do amado lhe trazia alento ao mesmo tempo em que o comovia. Se virou para seu servo e amor, encarando o rosto dele e as lágrimas que lhe caíam do rosto foram prontamente limpas pelas mãos do híbrido que em silêncio o consolava. 

O quarto de Hyungwon era o único vazio. O vampiro pegou o primeiro cavalo que viu disponível e correu para os campos em um desespero e com a pressa de alguém que talvez pudesse mudar toda aquela realidade. Chegou até o lugar onde costumava encontrar Hoseok, sabendo que ele não estaria ali, visto que ainda não era a hora de suas aulas. Aproveitando a solidão, fez o que sempre evitava fazer em público, mostrou fragilidade. 

— Ahhhhhh!! 

Gritou a plenos pulmões e seu grito ecoou pelo lugar, alcançando todo o espaço. 

Hyungwon caiu ajoelhado na grama, chorando desesperado. Repetia o nome do irmão e balançava a cabeça sem acreditar que o que estava acontecendo era real. A mão fechada em punho batia contra o peito marcado e já cicatrizado da flechada que um dia quase levou a sua vida e desejou por um segundo que tudo não passasse de um pesadelo e que o irmão, assim como ele, também tivesse uma segunda chance. 

O vento soprou forte como no dia em que ele sobreviveu ao ataque. Os cabelos negros e grandes balançavam por todas as direções e algumas mechas se prendiam no rosto úmido pelas lágrimas. Hyungwon se levantou devagar e com dificuldade, olhando para o cenário verde e lúgubre diante dele. Poderia ter jurado que ouvia de longe o relinchar de um cavalo. O que veio com ele estava a seu lado não podendo ser dele o som que escutava. Virou o rosto e depois o corpo e ao longe, a imagem do homem que ele não esperava ver se aproximava impetuoso, montado no cavalo. 

— Hos… — ele tentou dizer antes de revirar os olhos e cair na grama. 

A visão turva e embaçada lhe permitiu apenas ver o lican descer do cavalo ainda em movimento. Desesperado, o amado corria para ele aos tropeços, gritando o seu nome afobado pelo campo. Hyungwon sorriu fraco em meio às lágrimas, não queria que ele o visse naquele estado de crise, mas o coração lhe dizia que estavam de fato ligados, pois de alguma forma misteriosa o seu amor estava ali por ele. Com isso, fechou os olhos, deixando esse mundo por um breve momento.

 


Notas Finais


Ai amores...o coração tá bem? Espero que sim. Inclusive, espero que tenham curtido o capítulo apesar das coisas ruins que aconteceram nele.

Semana que vem, além das emoções já conhecidas, teremos uma surpresa no capítulo, pelo menos eu acho que será uma surpresa para alguns rsrs.

E quanto ao meu recado...Amores...eu finalmente serei uma autora publicada 🤧 Estou fazendo parte de um livro de contos sobre deusas japonesas com previsão de lançamento em novembro, mas as vendas já começaram. Vou deixar o link no meu twitter para quem quiser me dar aquela forcinha.

Eu agradeço muito a vcs que me acompanham aqui e que são a minha maior motivação para escrever profissionalmente também. Ainda tenho planos de publicar Anjos Caídos... então essa antologia que estou participando é só o começo. ❤️❤️

Para quem não me segue no tt ainda é só procurar por @yaoi4laife.

Até semana que vem, Amores 🌷


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...