História Verônica Atômica - Capítulo 1


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Categorias Originais
Tags Colegial, Esquisito, Nerd, Original, Romance
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Palavras 1.539
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Festa, Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi. Primeiro capítulo, esperem que gostem. Boa leitura!

Capítulo 1 - Um


— Uau, oi, Harris. — Digo, surpresa de encontrá-lo em uma festa como aquela. Não que um evento daqueles seja meu habitat natural, longe disso.

— Oi, Verônica. — Responde ele, arrumando os óculos e se desencostando da parede. — Festejando muito? — Bebe um gole de alguma coisa do copo que segura.

— Na verdade, não. Você conhece alguma das músicas que tocou até agora?

— Nunca nem ouvi falar. Você veio com alguém?

— Com a Anna e a Julia. Mas elas estão meio… ocupadas no momento. Sendo jovens ou algo assim.

— Eu vim sozinho.

— É.

Um silêncio que dura um minuto, pelo que eu contei. Foi a conversa mais longa que eu tive com esse garoto desde que o conheci.

Ele é estranho, acho que dá pra perceber. Meio solitário. Os únicos amigos que têm são uns totais otários. Mas não o acho um otário. Parece bem interessante na verdade.

A questão é que eu nunca contaria isso para as minhas amigas ou elas me zoariam para sempre. As amo, porém elas não me entendem completamente. Nunca entenderiam.

— Ei, isso tem álcool? — Aponto para o copo de Harris. Ele assente devagar. — Me dá, por favor. Essa festa tá um saco.

Bebo tudo de uma vez e escorrego até sentar no chão. Ele me acompanha.

— Quer dar o fora daqui?

— Adoraria. Mas a Anne é a minha carona. Se não fosse por isso, eu já teria ido embora faz tempo. — Falo. Minha casa fica longe daqui, e a essa hora da noite não tenho coragem de pegar ônibus sozinha.

— Eu te levo pra casa. A gente pode dar uma volta, aí eu te deixo na sua porta. — O tom de Harris é indiferente. Não tem malícia, e se tem, não consigo detectar. Na verdade, a voz dele é sempre assim, pelas poucas vezes em que o escutei falando.

— Você tem carro?

— Não. — Harris parece desistir, olhando para o lado.

Eu sorrio.

— Então vamos.

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Saímos pela porta da frente. Todos estão tão envolvidos com suas atividades de adolescente que nem notam quando Harris tropeça na escada da entrada.

Respiro fundo o ar fresco da noite. O som abafado da festa finalmente para de me incomodar.

— Aonde quer ir? — Harris me pergunta, amarrando os sapatos. Estão velhos e têm coisas escritas na lateral. Tantas coisas que é impossível entender alguma palavra.

Dou de ombros, o que ele aceita como resposta. Antes que eu possa pensar realmente em algum lugar para irmos, ele começa a andar. O acompanho.

Viramos à direita. As ruas estão vazias, a maioria das casas com as luzes apagadas. Olho para cima. Dá para ver algumas estrelas.

— Ei, tá vendo Escorpião ali? — Falo, apontando para o céu. Harris se vira para mim, confuso, e depois levanta o olhar.

— Você sabe achar constelações? — Ele parece impressionado.

— Não. Só sei achar essa. Tá vendo o rabinho do escorpião ali? — Uso meus dedos para mostrar.

— Ah, sim. É legal, de qualquer jeito. Você gosta de Astronomia e essas coisas, né? Eu lembro quando você fez aquele cartaz pedindo dinheiro pra escola comprar um telescópio.

— É, mas só deram, tipo, o suficiente para comprar o tripé.

Ele olhou para baixo e fez uma careta.

— Uma pena.

Continuamos andando. Mesmo quando o silêncio cai entre nós, não é desconfortável. Dá tempo de sentir a brisa gelada, e reparo que tem uma folha bem pequena no meio do cabelo dele. Decido não falar nada, porque provavelmente é proposital. O Harris é todo esquisito.

— Você faz aula de Artes, não faz? — É a única explicação possível para essas roupas que não combinam, o cabelo comprido bagunçado. Ninguém normal daquela escola participa da aula de Artes.

— É. Você não tem ido ultimamente, tem?

Uau, ele reparou que eu faltei nas última semana. Porém não quero entrar nesse assunto. Será que ele sabe o que aconteceu? Espero que não.

— Pois é.

— Mas você veio à festa.

— Eu tenho muitas roupas bonitas pedindo para serem usadas. — Respondo, me esquivando. Acho que ele não sabe.

Vejo pelo canto do olho ele abrir um sorriso. Bem pequeno. Quase imperceptível. Porque Harris não é o tipo de pessoa que sorri mostrando todos os dentes, dá pra perceber.

— O professor tá numa onda doida de colagem. Não tenho ideia do que fazer para o trabalho final. Não entendo o dadaísmo.

— Acho que não é para entender.

Ele para de andar de repente e se volta para mim.

— Por que você anda com eles se é inteligente assim? — Não parece bravo, só curioso.

— O quê?

—Tipo, você nem foi na aula e já sacou o dadaísmo. Você só tira notas boas, e nem é só isso. Dá pra ver que você entende algumas coisas.

— Por que você nunca falou comigo?

— Você tá fugindo da pergunta. — Bufo. É verdade.

Ainda estávamos parados no meio da calçada, sob a luz de um poste. Percebo que ele não sabe nada sobre mim. Não tem como saber. Me alivia muito perceber isso.

— Olha, eu nem falo mais com o Brad e o Josh e o pessoal todo. Só com a Julia e a Anne. E sei lá, eu cresci com eles. Nunca tinha me imaginado sem todo mundo por perto. — Não até semana passada.

— Acho que você está melhor agora.

Viro a cabeça de lado.

— De qualquer jeito, eu devia ter falado com você antes. — Diz Harris.

Começo a me ver andando com ele pela escola. Quem sabe até conversando enquanto pego os materiais no armário. Como se lesse minha mente, ele me convida:

— A gente poderia almoçar juntos um dia. Por causa do trabalho final de Artes, sabe?

O almoço poderia ser um inferno. Fiquei uma semana sem ir à escola, e não sei se vou sentar na mesma mesa de antes. Ou se todos vão me olhar. Ou se já esqueceram. Mas não tenho nada a perder sentando com ele. Já perdi quase toda a minha reputação, e não é como se eu ligasse pra isso. É legal ser cumprimentada no corredor, no entanto, posso viver sem isso. Resolvo dar uma chance.

— Claro, claro. Fazer o trabalho.

Quero almoçar com ele por outros motivos também. Será que achei alguém que me entende, pelo menos um pouco? Esse é um momento em que ter um novo amigo cairia muito bem.

Sinto o meu celular vibrar no meu bolso. É a Anne.

— Alô?

— Jesus Cristo, você está viva! — Responde Anne, falando meio alto demais. — Cadê você? Eu vou para casa agora, te procurei em todo lugar.

— Ah, eu tô…— Olho para os lados em busca de uma placa. Não tenho ideia de que rua é essa.—…tô com o Harris, da minha aula de Artes.

— O Harris esquisitão? Meu. Deus. — Torço para que ele não tenha escutado.

— É, tá, esse mesmo. Pode ir, ele vai me levar para casa.

— Vocês se pegaram? Ai caramba, Verônica. Como assim?

A Anne pode ficar meio doida às vezes.

— Ei, calma. Não é nada disso. — Olho para Harris rapidamente. Ele está fitando uma caixinha de correio, realmente interressado. — Te ligo quando chegar em casa. Tchau, vê se não bate o carro.

Desligo e vejo que horas são. Tarde. Quando foi que o tempo começou a passar rápido desse jeito?

— Ei, — toco de leve no ombro de Harris para chamá-lo. Ele se vira devagar, e não deixo de achar engraçada a expressão dele. — É melhor eu ir para casa.

— Vamos lá então.

Voltamos a andar. Reparo que Harris parece saber o caminho, mas não digo nada, porque não quero que ele saiba que estou perdida.

Seguimos em silêncio até que paramos no jardim da minha casa.

— Foi legal. — Ele afirma, de frente para mim.

— É. Obrigada por me salvar. A gente se vê na segunda.

— Claro, segunda. Isso.

Então eu entro, e ele continua andando, simples assim. Sem tchau. Sem um abraço ou beijo na bochecha. Gosto disso. Não colocar um ponto final, deixar o momento aberto.

Enquanto tiro a maquiagem, imagino se ele foi direto para casa ou se ficou vagando por aí, como um peripatético, refletindo sobre a vida e pensando nas coisas de nerd que ele deve gostar.

Lembro que tenho de ligar à Anne. Me preparo para ouvir um monte de besteiras.

— Oi, acabei de chegar em casa. Você tá bem?

— Oi, doidinha. Já estou em casa faz tempo. Você também estaria, se não tivesse ficado a pé com o Harris. — Anne ri. Reviro os olhos.

— A gente só deu uma volta e conversou. Vê se não me enche. — Me jogo na cama.

— Ele sabe do que você fez semana passada?

— Não, eu acho. Se sabe, não liga. — E é verdade.

— Hum. Quando vocês vão ficar de novo? Eu quero detalhes!

— Eu já disse que nós não ficamos. Sério. Nem sei se o Harris já tinha falado com alguma garota na vida antes.

— Que droga. É por causa do que aconteceu…?

— Não! — Corto Anne. — Acho que nós vamos ser meio que amigos agora. Ele me chamou pra almoçar na segunda-feira.

— E é claro que você aceitou. Almoço esquisitão! — Anne provavelmente está bem bêbada. Geralmente ela não é irritante desse jeito.

— Ah, quer saber, eu vou desligar. Se cuida, Anne. Boa noite.

Termino a ligação e coloco o pijama. Tenho tempo apenas de pensar brevemente na folha no cabelo de Harris antes de dormir profundamente.


Notas Finais


Obrigada por lerem. Até o próximo capítulo!


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