História Amizades Além da Visão - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 4.033
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Comédia, Ecchi, Festa, Ficção Adolescente, Fluffy, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shounen
Avisos: Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Saudações. Como foi o dia? e a tarde? e a noite? Espero que
gostem deste novo capítulo.

Boa leitura!

Capítulo 2 - É Questão de Estratégia


Ponto de vista de Pdro Luz da Silva

Saio de casa segurando a mão da minha mãe e, na minha mão direita
seguro minha bengala de cego. Ela me conduz para a porta do passageiro do
carro dela. Fecho a bengala de, abro a porta do veículo e entro nele. Me
aconchego no banco da frente e dou uma brusca fechada e travo a porta do
carona. Ainda estou meio sonolento, mas o café está fazendo um certo
efeito. Ainda bem. Adoro estudar, pois é desafiador. Exercitar o
potencial, em toda a plenitude, é uma coisa que me faz sentir-me como se
enxergasse novamente. Incrível como o bom uso da mente é capaz de fazer
com que minimizemos a força destrutora de grandes problemas, como se eles
fossem pequenos.
- O cinto rapazinho - disse a minha mãe quando fechei os olhos
sinalizando o início de um cochilo, me dando uma cotucada na coxa
esquerda, para eu afivelar o cinto. Dei um suspiro e pego o cinto e
afivelo, como ela mandou. Quando o cinto fez "click" ao encaixe, ela ligou
o carro e senti ele já em movimento.
Ela acelera na direção da minha escola que, em um trânsito livre, é uns
20 minutos. Até que eu poderia estudar mais perto, mas na escola onde
fico, a Passos do Saber, é onde há o ensino médio para quem passou da nona
série na Escola Página Fundamental. Meus pais preferiram não me tirar dos
antigos amigos, para eu não ter riscos de voltar à depressão ocorrida pela
lamentável cegueira.
Abro um pouco a janela e um vento frio toca meu rosto. Acabo dormindo
com o som ligado no noticiário matinal.
Sonho quando eu enxergava, com meus oito anos. Estava fazendo um avião
com caixa de ovo e pedaços de caixa de pasta-de-dente. Fiz colocando tudo
com a cola escolar e, quando acabei, levei ao meu pai. Ele tinha acabado
de acordar, pois perdeu o horário do trabalho e minha mãe teve que
despertá-lo. Fui lá mostrar para ele.
- Veja papai - disse eu na porta do quarto dele e ele longe, sentado
na beira da cama. Ergo na minha frente minha "invenção" e digo - É um
avião. Eu que fiz.
- Ah sim - disse ele, aparentemente desatento - é de lego?
- Não; é de caixa de ovo e pasta-de-dente - ele errou, provavelmente pelo
sono de recém-acordado.
- Ah, sim. Sim, certo. O pai vai trabalhar agora - e levantou-se, chegou
na porta, deu-me um beijo e foi embora. Tempos depois, quem não
conseguiria ver direito as ocisas, ou melhor, nem ver nada, seria eu. Como
a vida tem suas surpresas. Já recebi as más, agora, quero as boas
surpresas.
- Vamos vamos - cotuca minha mãe, mais uma vez, na minha coxa esquerda -
já chegamos.
- Bora - digo, após um bocejo.
Minha mãe sai do carro primeiro do que eu. Percebo sua porta ainda
aberta quando eu começo a abrir a minha e fico de pé. Enfio a cabeça atrás
do banco, tateando minha bolsa escolar.
- Já peguei, estende a mão - disse minha mãe e em seguida estendi a mão e
senti a bolsa entre meus dedos, pegando-a firmemente. Coloco a alça dela
no meu ombro direito, fecho a porta do carro, abro minha bengala de
deficiente visual e sigo para dentro da escola.
Minha mãe só costuma ir embora quando eu entro. Mãe é mãe. Quando eu
passo pelo portão, alguns amigos me cumprimentam. Ouço uma ignição ligando
e um carro fazendo aquele barulho da marcha-ré. Certamente é ela partindo.
Algo cotuca minha orelha direita. É o Zoreiaço.
- Fala Zoreinha.
- Diz aí, Zoreiaço.
- Belezinha?
- Belezinha. Estava com um sono mas dei um cochilo no carro e acabou que
diminuiu o suficiente para estudar, conversar e rirmos um pouco.
- Eu venho de ônibus. Nada de dorir. Então, só tenho ânimo para dormir.
Nada que minha jaqueta embolada emcima da minha mesa escolar, com minha
cabeça que prende minhas zoreias, não resolva em uma aula chata, de
preferência.
Dei risada quando ele falou "minhas zoreias" em diante. É um cara de um
enorme coração. Adora cantar. De preferência músicas bem românticas.
Ele pega minha mão e começamos a andar, após o sinal de entrada bater,
dez minutos após eu ter chegado.
Ao longo do caminho da sala, passamos rapidinho na sala de recursos
para deficientes, afim de obttermos meu NoteBook.
- Bom dia meninos - disse professora Bruna, a professora dessa sala
especial aos portadores de limitações físicas, quando estávamos entrando.
- Bom dia, professora - disse eu e Eeraldo.
- Meu NoteBook, por favor.
- É pra já! - disse ela, e logo após notei que Everaldo soltou minha mão.
- Pronto, dei para o Ever. Segura aqui no úmero dele - disse ela,
colocando minha mão na parte do braço dele que é o osso entre o ombro e o
cotovelo, enquanto ele segurava com cuidado o NoteBook. A ideia é que eu
vou me guiando tocando com uma mão no braço dele e com a outra evito
esbarrar em algo com a minha bengala. É questão de estratégia, hehe.
- Bem, vamos indo - disse eu - obrigado, a gente se vê no final da aula
ou quando Deus permitir.
- Tá bem, tem beijo antes de ir não? - senti o rosto dela na minha boca e
beijei a bochecha. Ela devolveu. Fez o mesmo com o Everaldo, pois notei
um barulho de beijo vindo do lado em que ele estavaapós ela se aproximar
dele e depois o Zoreiaço deu uma inclinada e ouvi um barulho de beijo no
rumo onde ela estava.
Saimos educadamente, passamos o corredor e entramos na sala. Barulho de
conversas entre amigos, um grito de uma menina ou outra, arrasta-arrasta
de cadeiras, enfim, a típica desordem de adolescente dentro da sala de
aula. O horário agora é de Matemática. Adoro exatas. Já o Zoreiaço... Só
gosta do professor mesmo, ele é bem simpático.
- Ei Zoreinha - disse Everaldo, já com a cadeira e mesa dele do meu lado
direito.
- Diz aí, Zoreia - "Zoreia" é o modo genérico de mencionar nossos
apelidos: Zoreiaço e Zoreinha, mas só é entre a gente mesmo.
- Tem aluna nova, é bonita.
- Descreve ela aí.
- Loira - começou ele, - do jeito que você gosta, loiríssima. Olhos
azuis. Pele clara, dou nela uuns 1,55, pois é um pouco mais baixa que
você. É bem calada. Lá fora, ela...
- Bom dia, classe! - disse o professor Nando, cumprimentando a todos,
que aos poucos vão silenciando-se.
- Bom dia - disse alguns, em coro desordenado.
- Hoje faremos alguns problemas de Matemática. Para estimular mais
o racicoínio... Jhenifer, vire para frente! A conversa paralela acabou!
- Ai, tá professor - disse a Jhenifer, uma das mais tagarelas da sala
junto com a Kássia. Conheço a voz de alguns, não de todos. Afinal, alguns
tem lá suas semelhanças. Mas costumam, com certeza, me tratar legal.
- Continuando. Para estimular mais o raciocínio e garantir a plenta
atenção, darei em forma de ditado. Aí o Pedrinho aqui, por ser portador
de deficiência visual, acompanha junto com vocês. Certo então?
- Sim - disseram todos em coro, inclusive eu.
- Ótimo, vamos nessa então. Primeiro problema:
qual o tamanho da corda?
O professor se cala.
- Continua - disseram alguns alunos, de modo meio aleatório.
- Só isso. Pensem e tentem responder.
- Que corda, professor?! - Perguntaram alguns alunos, um tanto confuso.
Eu só anotei. Também fiquei confuso.
- É um problema lógico. Tentei responder o que a lógica de vocês disser.
- E se não disser nada? - Perguntou Kássia.
- Os burros estão preocupadíssimos - disse Cleber, um dos mais
inteligentes da sala e um dos inimigos da Jhenifer, que, de acordo com
ela, ele a pediu e namoro e ela não quis. Por se achar melhor que muitos,
fica difícil saber se os foras dele nela é por este motivo do pedido
negado ou por gostar de dar vazão ao seu orgulho na Jhenizinha.
- Cala a boca seu filho da puta.
- Só se tu fosse a minha mãe.
Sou cego e não sei o que aconteceu exatamente. Mas dá para deduzir que
Jhenifer partiu para cima. Ou ia partir e alguém segurou, pois ela falava
mordendo os lábios um "Me solta, me solta!"
- JHENIFER! - exclamou o professor em um berro - TENHA PAPAS NESSA SUA
LÍNGUA OU EXPULSO-A DA SALA! PEÇA DESCULPAS, JÁ!
- Pede Jheni, é isso que ele quer: ver você fora da sala para tirar nota
baixa e jogar na sua cara depois - disse Letícia, a melhor amiga da
ofensora e ofendida.
Alguém deu um suspiro, acho que a Jhenifer.
- Foi mal, cara - disse ela, com evidente má vontade com o tom de voz,
como se estivesse cospindo as palavras.
- Você também, rapazinho. Não tem o direito de chamar alguém aqui de
burro, você também está aprendendo, todos são importantes e tem o seu
ritmo de aprendizagem - disse o professor Nando, referindo-se ao Cleber.
- Tenho direito sim. Se sou melhor do que ela, tenho sim.
- Seu... - disse Jhenifer, quase não se segurando. Ouvi um soluço. Parece
que ela começou a chorar de raiva.
- CLEBER! DESUCLPAS a ela, já!
- Desculpe-me, Jhenifer. Fui exagerado com você. Você é inteligentíssima.
- SEM IRONIZAS! - gritou o professor, batendo na mesa.
- Foi mal também, garota.
Ela nada disse e tudo ficou quieto novamente e o professor continuou a
aula.
- Retomando e não quero mais atrito! Respondendo sua pergunta: se sua
lógica nada disser, então não coloque nada, mas também não ganha nada na
pontuação bimestral. Tente por algo, pelo menos ganhará ponto pela
participação. Todo mundo é para pensar.
- É para responder agora? - disse uma aluna com a voz meio rouca, acho
que a Paola, uma colega muito organizada. É aquele tipo certinha, sabe?
- Se puder, sim, mas vamos mais uma. Anotaram essa da corda?
- Sim - dissemos nós em coro.
- Próxima. Questão dois. Há três interruptores no térreo de uma casa.
Os tais interruptores que acendem três lâmpadas no segundo andar da casa.
Como descobrir qual interuptor liga tal lâmpada? - perguntou ele, dando
pausas em certos momentos, para dar tempo de os alunos escreverem.
Confesso que essa eu achei mais fácil.
- Pronto? - perguntou o professor Nando.
- Sim - disseram todos, mas Everaldo disse um - perae, professor,
acabando.
- OK, eu pero.
- Beleza professor, pode falar.
- OK, próxima e última. Questão três. Um fazendeiro pegou todos os ovos
que ele achou no galinheiro dele e foi vendê-los na feira. Ao chegar na
feira, ele efetuou as vendas da seguinte forma: para a primeira pessoa ele
vendeu a metade do que tinha, mais meio ovo, sem quebrar nenhum ovo. Para
a segunda a...
- Quê? - exclamou o Yago. - Se foi meio ovo, tem que ter quebrado, não?
- Nem sempre, depois leia com atenção: ele VENDEU metade do que tinha
MAIS meio ovo, sem quebrar nenhum ovo.
- Sem quebrar nenhum vendido ou nenhum que ficou no estoque?
- Se eu disse "nenhum ovo" é "nenhum ovo" oras. Nem o vendido e nem o que
ficou no estoque foram quebradados.
Alguns deram uma espécie de vaia, como se estivessem bem confusos.
- Leiam depois o problema todo com calma, poderá ficar menos confuso.
Continuando. Para a segunda pessoa a mesma coisa: metade do que tinha,
mais meio ovo, sem quebrar nenhum ovo. Para a terceira, mesma coisa:
metade do que tinha, mais meio ovo, sem quebrar nenhum ovo. Quantos ovos
ele levou para vender? - finalizou o professor.
- Hoje temos duas aulas e já estamos na metade da primeira. Passarei
algumas tarefas no quadro, simples cálculos de soma, subtração,
multiplicação e divisão, que poderão ajudá-los com os três problemas
anteriores. Amanhã, no segundo horário, eu e vocês corrigimos tudo, certo?
- Sim - dissemos em coro.
- Everaldo, pode ditar o que escrevo no quadro ao pedrinho?
- Yes, teacher.
- Ótimo.
E assim Everaldo, com calma, ia ditando o que estava no quadro e eu ia
escrevendo no meu NoteBook.
Quando acabamos de escrever as tarefas do quadro, ainda deu tempo para
respondermos, das dez tarefas do quadro, umas quatro, antes de vir o
terceiro horário: Geografia.
A Aula de Geografia começou, com a simpática professora Soraya. Como um
educador simpático é agradável. Claro, há quem abuse, e a professora
Soraya sabe brigar na hora certa, mas sua simpatia e talento com o assunto
é muito bom. Ela ensinou análises econômicas como PIB, inflação e etc. São
também duas aulas de Geografia, mas no começo da segunda, o sinal tocará
para seguirmos ao recreio.
Após algumas copiadas, conversadas e chamadas de atenção da professora,
o almejado sinal chama-nos a um momento de descanso e refeição lá na
cantina, para quem trouxe dinheiro. E eu trouxe. Vai eu e Everaldo.
- Bora na cantina, Zoreiaço?
- Bora, vamos lá, só vou guardar aqui minhas coisas.
- Beleza, e eu também vou arrumar o Note aqui.
Arrumei tudo e, diz ele que ele também, mas como ele tem fama de
desorganizado... Bem, problema do meu grande amigo. Não vou dar nele a
milésima bronca agora.
Peguei minha bengala de cego, a abri, segurei a mão do meu chegado e
fomos. Enquanto caminhávamos, conversávamos.
- Viu a briga, Ever? Como foi?
- Foi isso aí que você ouviu. Agora, a parte visual é que a Jhenifer ia
partir para cima dele, mas ele a segurou nos braços na frente e a Letí a
segurou nos braços atrás, puxando ela. Aí o professor interveio e blá blá
blá. O resto você sabe.
- É, sei. Ela chorou ou foi impressão minha?
- Chorou sim. Agora, bora mudar o assunto, a Letí passou bem do nosso
lado, quando você perguntou se a Jheni tinha chorado.
- Beleza.
- A gente fala em um lugar mais seguro depois, pô.
- Não, de boa. Bem, então... O que achou das questões de Matemática?
- Foda - disse Everaldo.
- Qual você achou, como diz você, mais "foda"? - não costumo ser
irreverente, já o Everaldo sim. Principalmente nervoso.
- Todas.
Tracei um sorriso na face e soltei o ar em uma risadinha como uma sopro
rápido.
- E você, Zoreinha, achou alguma difícil? - pergunou o Zoreiaço.
- Bem, vou ler com calma em casa e verei. Não costumo chamar de difícil
aquilo que não tentei conquistar. Aprendi nessa deficiência.
- Tu é foda cara. Te acho um exemplo de superação, tu me inspira.
- Inspiro?
- Sim, muito.
- Muito? Então imagine se fosse um pouco, quase reprovou bimestre passado!
Ele deu uma gargalhada, em um tom normal, mas, pelo muito barulho em
nossa volta, muita gente conversando, pareceu um pouco baixa.
- Pois é - ele disse. - Mas hein Zoreia, deixa eu te falar mais da menina?
- Pera lá, vamos sentar na cantina primeiro. Muito barulho aqui, entende?
- Saquei - disse o Zoreiaço.
Quando chegamos, ele colocou a minha mão na mesa da cantina, procurei a
cadeira e me sentei. Desmontei minha bengala e coloquei ela com a tirinha
presa no meu cinto. Tirei dez reais do bolso e disse:
- Pega lá uma coxinha com Sprit para mim.
- Beleza, eu também trouxe dinheiro. Tu paga duas coxinhas e eu o refri,
topa?
- Topo - disse eu para ele.
Instantes depois, ele chega com um prato de plástico para mim e suponho
que na outra mão dele tenha o prato dele.
- Vou lá pegar o refri - disse Zoreiaço.
- Beleza, depois falamos da...
Zoreiaço me deu uma cotucada no ombro, entendendo que ela estava por
perto, preferi disfarçar.
- ... da aula de Matemática e os seus problemas. - disfarcei.
- Beleza - disse o meu amigo. - vou lá no refri.
- Vai lá.
O Sprit chegou. tomamos e conversamos. Pedi a ele para pegar o catchap.
ele já tinha trago e abriu para mim. Ele é um irmão para mim, sou filho
único, adoro esse cara!
Acabamos de comer e fomos ao banheiro para lavar as mãos e fazer
necessidades.
Por fim, fomos curtir o final do recreio. Decidimos ir à biblioteca e
ali falaríamos algumas coisas, entre elas sobre a tal aluna nova. Pecebi
que, quando senti o cheiro de livros da biblioteca, o Zoreiaço recuou e
notei um desvio de rota. Fiquei imaginando o porquê de ele recuar. Mas,
como conheço a peça, ele deve ter visto a tal menina. Era sempre assim,
onde alguma guria bonita que ele ia me descrever ou falar algo dela
estivesse, ele recuava o passo na hora. Chegava ser engraçado. Quando ele
fazia isso, parecia que ele estava evitando cair em um buraco não muito
profundo, mas... Era o que eu imaginava. Digo que "não muito profundo"
pois não era um recuo com grito de desespero.
- OK, recuamos pois ela está lá dentro, certo?
- Tu é cego mesmo? - ele sempre pergunta isso para zoar o clima. Zombar
dos próprios problemas ajuda a minimizar a tensão deles.
- Claro - ironizei - você é um cara lindo de se ver.
- Então tu é cego mesmo, pois nem sou. Brincadeira. Enxerga sim, eu sou
muito filé! - caímos na risada, enquanto andávamos nos afastando da
biblioteca e enfim, chegamos em um banco que por conhecer os bancos daqui,
é um próximo da sala de recursos para deficientes.
- Beleza Zoreinha, vamos falar aqui da guria.
- Tá xonado?
- Tô nada, eu gosto é da... Tu sabe.
- Jhenifer?
- sim - disse ele, meio baixo, transparecendo certa vergonha.
Aqui perto da sala de recursos era mais silencioso. Tranquilo, bem
tranquilo.
- Fala aí dela, tava gostando das descrições.
- Beleza, parei aonde?
- Olhos.
- Beleza, são azuis. Seios médios, bumbum grandinho,
não é...
Interrompi rindo do cara. Mal conhece a menina e já notou a bunda?
- Cara - disse eu, - tu sabe me fazer rir. Tu não não perde uma mesmo.
Tu não perde tempo.
- Zoreia, Zoreia, Zoreinha. Pode perder tempo não.
- Mas tá, é que tamanho os seios?
- Faz lá a estratégia que eu te disse que vi na internet: dá um abraço
nela e você saberá como é mais ou menos. Bom, o ideal seria pegar com a
mão, mas ela parece fechadona.
- Ela falou algo na sala, para eu ver se ouvi a voz dela.
- Só na chaamada mesmo e se levantou uma hora lá para perguntar alguma
coisa à professora Soraya.
- Mas quem é? Não conheço todas as vozes ali.
- É a Melyssa.
- Pô, gostei do nome. Nem prestei atenção nesse nome direito. Beleza,
depois eu vejo. Mas...
O sinal tocou. Voltamos a aula de Geografia. Fizemos umas questões que
no meu caso eu já tinha o capítulo do livro que a professora Soraya estava
estudando, impresso em braille e aí consegui fazer sozinho as questões e
acompanhando os demais na correção.
A aula acabou. Agora era uma de Inglês, com a professora Neide. Fizemos
a correção de uma tarefa da aula anterior, para treinarmos os verbos
irregulares: get, take, tell, read, make, entre outros.
A próxima aula era história. A professora Maristela entrou na sala.
- Bom dia classe, hoje vamos corrigir as doze questões sobre a era
Getúlio Vargas, certo?
- Sim - disse nós em coro. Estávamos estudando a tragetória política de
Vargas, o seu governo provisório, governo constituicionalista, governo
novo e etc.
A professora sentou-se na cadeira.
- Chamada - avisou ela, citando em seguida vários nomes: Beatriz,
Bárbara, Danielle, Fabiana, Jhenifer e todos iam mencionando o seu
"presente" conforme o nome do aluno fosse sendo pronunciado.
E quando disse "Melyssa" ouvi uma voz dizendo apenas o tal "presente" e
aí finalmente notei o som de sua corda vocal. Era linda. Era doce, mas
confiante. Será que tinha namorado? Desde que fiquei cego, tive medo de
arrumar alguém. Meu primeiro beijo foi com doze anos. Mas desde a
cegueira, só beijei uma vez uma ex-colega de classe, com os 14 anos, que o
Zoreiaço ajudou. Ela até pediu para namorarmos, mas preferi não. Não tinha
certeza de como manter isto. Ela mudou-se de cidade, aí cortamos contato
de vez. Mas também, nem a achava interessante mesmo.
Ao fim da chamada, corrigimos um questionário de doze questões sobre a
era Getúlio Vargas.
A aula acabou. everaldo, como de costume, iria levar meu NoteBook para
ficar guardado na sala de recursos. Desliguei o Note e disse para ele que
podia pegar e podíamos ir. Eu segurei na mão dele e ele, com a mochila nas
costas, guiou-me até tal ponto do caminho. Ali nos dividimos, eu fui para
onde ficava o banco perto da entrada da escola, que é onde costumo esperar
minha mãe e o Ever segui para a sala de recurso no outro rumo do caminho.
Sentei no banco e o ambiente ficava cada vez mais silencioso.
O Everaldo chegou e sento-se do meu lado, com a habitual cotucada nas
minhas orelhas. Senti um beijo no rosto.
- Quem foi?
Uma voz feminina, familiarzíssima, respondeu:
- O Everaldo.
- Sai fora! - exclamou o Zoreiaço - Aqui é macho!
A voz feminina era da admiradíssima do Zoreia: Jhenifer.
- Tchau Pedrinho - me deu outro beijo.
- Dá um no Everaldo - disse eu.
Ele me deu um empurrãozinho e dei uma risada.
Ela fez um estalo com a boca, fiquei na dúvida inicialmente.
- Não acredito que deu. Deixa eu ver seu rosto perto do rosto dele -
disse eu, e ela deu uma risada. Pegou cuidadosamente minha mão e pôs na
cabeça dela, sobre seus lisos e compridos cabelos que chegavam ao meio das
costas. E assim chegou perto do rosto dele e deu o beijo mesmo, mas na
bochecha. Bbati a mão livre no nariz dele, o que o fez dar uma recuada e o
beijo bateu meio próximo do canto da boca. Tive que encher o saco um pouco
e disse:
- Hum... que fofo!
- Você não presta, garoto - disse Jhenifer próxima do meu ouvido e deu
outro beijo na minha bochecha e disse:
- Tchau, se cuidem, crianças.
- Tsc - fez eu e o Zoreia com a língua.
Ela era muito legal. Mais alta que eu. O chato é que o Zoreiaço nunca
pede a guria em namoro, aff.
Após uns quase um minuto calado (Ever só ficava quase esse tempo,
quando estava lendo algo como celular e , com menos frequência, algum
papel das aulas anteriores) quebrou o silêncio do local onde estávamos.
- Ei Zoreinha, a... Você tem Messenger?
- Sim. Você disse que estava um tempo sem internet, ainda tem o meu?
- Só quero confirmar. Voltei a internet sexta passada, mas só agora que
lembrei em te dizer - disse ele, e em seguida confirmou.
Assenti com a cabeça.
- É este mesmo.
Parece que alguma mulher estava aqui perto, pois o ar foi tomado por um
bom perfume feminino. Mas quando eu disse "É este mesmo" ouvi passos se
afastando. Até que teria achado banal, se não fossem tão perto. Resolvi
perguntar, pois vai que alguma pessoa ouviu o meu contato e me manda algo
como um vírus? Melhor perguntar.
- Zoreia, alguém mais ouviu meu Messenger?
- Sei lá, Zoreia. Por quê?
- Senti perfume feminino e passos bem próximos se afastando quando eu
confirmei.
- Ah, era uma guria que parou um pouco para vai saber o quê. Mulher é
curiosa mesmo. Mas enfim, ainda tem gente saindo.
O Ever me cumprimenta com um aperto de mão e diz:
- Beleza, vou te adicionar lá e a gente se vê umas 16:00 como os velhos
tempos, batendo um papo na internet.
- Beleza, cara.
- Vou indo, pegar ônibus - disse o Zoreiaço, dando a habitual
costucadinha na orelha antes de falar um "Falô Zoreia" e finalmente
partir, enquanto eu aguardava minha mãe.


Notas Finais


E aí, gostaram do companheirismo do Pedrinho e Ever? É maravilhoso termos
amigos que nos ajudam. Espero que você tenha os seus também. =)

SOLIDARIEDADE

Amigos, sou surdo-cego-cadeirante. Mexo no PC e celular com auxílio de
dispositivos Braille, linguagem tátil para cegos. Eu sonho em melhorar
minha vida de programador e na informática, obtendo alguns caros
equipamentos com uma Vaquinha. Peço que doem e compartilhem. Preço de um
lanche com os amigos, já ajudará grandemente. Se duas mil pessoas doarem
30 reais, já alcanço a meta! Tem doador que torce para que eu alcance mais
que o que busco por considerar-me um exemplo de superação. Como isso me
deixa contente em saber que motivo pessoas e elas, também, com o afago ao
ego, me motivam grandemente. =)

Tem vídeo e um enorme texto explicativo no site da campanha, que
disponibilizo abaixo. No site da Vaquinha, tem também meus contatos: canal
no Youtube e Twitter com assuntos políticos e o que me via à mente.

Link da Vaquinha, espero contar contigo:

http://vaka.me/670350

É isso aí, aguardem o próximo capítulo!

Agradeço imensamente!


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